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Porque a vingança pode ser um sorvete de menta

Postado em 7 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Meu sorvete preferido é menta com flocos. Você há de perguntar: e daí? Eu te respondo: não imaginei maneira melhor de começar esse texto.

Como detesto ditados populares (mesmo, me sinto mal quando preciso repeti-los no meio de uma conversa), já que apesar de significativos, fazem o que se tem a dizer parecer mais "vazio", por isso preferi dizer meu sabor preferido de sorvete do que falar que "a vingança é um prato que se come frio".

Mas apesar de não gostar muito desses ditados, confesso que "a vingança é um prato que se come frio" é um excelente ditado. Se juntarmos com o "apressado come cru" fica melhor ainda, um verdadeiro dois em um da sabedoria popular, queijo com goiabada, auto-explicativo.

E mesmo que eu ache que dependendo da situação a vingança não é prato frio nem quente, mas um prato quebrado na testa do cretino, é fato que um troco bem planejado, com ares de jogo de xadrez, é bem interessante e ainda por cima te faz parecer mais inteligente.

No fundo é como qualquer vingança, ou seja, ressentimento transformado em ação, mas que soa mais classudo, isso soa.

E um bom exemplo é o da ricaça argentina Corina Kavanagh. Ela era jovem, rica, bonita e susceptível ao amor como todo jovem (não necessariamente bonito). Quis casar com outro jovem, rico, bonito, susceptível ao amor, porém membro de uma família tradicional e aristocrática (aquela coisa de berço e tal), a Família Anchorena.


Os Anchorena foram contra o casamento, pois achavam a Srta Corina meio nova rica, emergente, meio Barra da Tijuca, sabe como é? Os pombinhos então não se mataram como Romeu e Julieta e nem largaram tudo para fugir juntos como Edward VIII e Wallis Simpson. Simplesmente não casaram e pronto.

Só que a Corina não levou isso muito na boa.

Ela recebeu uma herança, comprou um terreno em frente à casa da família do ex-amor e mandou erguer ali o Edifício Cavanagh, um lindo arranha-céu em art-déco com 120 metros de altura, 12 elevadores e uma única exigência: que os arquitetos o construíssem de forma a obstruir totalmente a visão que o palacete dos Anchorena tinha de uma igreja erguida pela família do outro lado da rua.

Dito e feito. Os metidos a besta perderam a vista e o Edifício Kavanagh hoje é considerado um monumento histórico nacional da República Argentina. Uma vingança que virou um belo edifício.

Pelo tempo que devia levar para planejar e construir um prédio desse tamanho na década de 30, suponho que essa vingança foi um prato frio, mas tão saboroso pra ela quanto um sorvete de menta é pra mim (talvez um pouco mais caro).

Moral da história: se um dia te sacanearem fique milionário, compre um terreno, erga um prédio e ferre com a vista da casa do cretino.

Se esse plano for meio complicado, bem, quebre um prato na cabeça dele e vá relaxar tomando um sorvete, do sabor que você preferir, é claro.

E não reclame do meu final, foi a forma que eu achei de usar "prato", "frio", dizer que a vingança é doce e dar um fim nessa história.

Já fui a Nova York, claro, mas sou mais assim, de esquerda

Postado em 13 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Um fenômeno estranho acontece com seres humanos, não sei se em todo o mundo, mas em boa parte do mundo que eu conheço, que é a nostalgia de coisas que passaram e, algumas, até de um período que o próprio nostálgico nem viveu, mas "sabe" que era muito bom.

Em "Meia Noite em Paris", o Woody Allen fala sobre isso muito bem. O protagonista é um roteirista que se lamenta por não ter vivido na capital da França durante os anos 20, considerados por ele como a "era de ouro". Só que quando finalmente conhece uma estudante de moda que viveu nesse período (não pergunte como, veja o filme), ele descobre que, para ela, a "era de ouro" não estava nos anos 20, período que considerava "chato e sem criatividade", e sim na Belle Époque.

Cada um nostálgico daquilo que não viveu.

Tudo isso não faz muito bem, afinal, não devemos desprezar tanto o tempo em que vivemos, ainda que eles sejam muitas vezes desprezíveis.

Mas até aqui só falei de arte, da Belle Époque, da Paris de artistas e filmes. O que dizer então de pessoas que sentem nostalgia por Gulags, expurgos, guerrilheiros e ditadores barbados fazendo discursos de 8 horas?

Nunca entendi muito bem o esquerdista de butique. Na verdade até entendo, mas confesso que não engulo muito.

Todos preocupados com a justiça social, com o direito à propriedade de quem invadiu terrenos em favelas, com os quilombolas, os oprimidos, os discriminados e, claro, o aquecimento global.

Nada contra acabar com a fome do mundo, diminuir desigualdades, respeitar diferenças, blá blá blá.

Mas esse pessoal  é o mesmo que dá um chilique se ouve uma piada que considera "racista" ou "homofóbica" mas declara em pleno almoço de domingo que adoraria ver "Bush e toda a sua família serem mortos numa jaula de javalis".

É um povo intelectualizado mas que prefere ler uns resumos na Super Interessante do que se debruçar sobre um livro, senão pode faltar tempo pra ir beber um ice na loja de conveniência com a turma do condomínio.


Curtem uma sandália de couro, um forró pé de serra e são completamente "de raiz", tudo pra justificar o hábito de fumar um baseadinho de vez em quando, já que a maioria só pisou no Nordeste quando foi num resort em Porto de Galinhas ou no Carnaval em Porto Seguro.

São comunistas roxos, possuem toda a obra de Marx pronta para ler no iPad, mas ainda não conseguiram passar da primeira linha, porque preferem usar o tablet pra ver os episódios antigos de Gossip Girl.

Admiram Cuba e fazem questão de repetir para qualquer um que ouse chamar o regime castrista de ditadura que "não existem crianças de rua e nem analfabetos" na ilha. Esquecem do resto, mas o que é o "resto" para alguém que acha Che Guevara um herói, ainda que ele executasse pessoas por motivos tão sérios quanto roubar um pedaço de pão?

É um pessoal assim, meio de esquerda, pero no mucho sabe? Eles não chamariam o moleque de rua que eles defendem quando rouba o dinheiro de uma aposentada para tomar banho na piscina da casa deles, por exemplo.

E entre um período em Miami (o mais perto que já chegaram de Havana) e uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para combater doenças na Somália, eles não hesitam em levar seu espírito revolucionário ao encontro do Mickey Mouse, com um pulinho para compras em Nova York se possível.

Já estudaram fora, moram em bons bairros, possuem todos os bens de consumo que o dinheiro pode comprar, falam inglês, francês e quando resolvem entrar pro mercado de trabalho, arrumam logo uma bolsa do governo ou um trabalho numa ONG, mas no entanto detestam elite e chamam todo mundo de "burguês".

Sua vontade de mudar o mundo é tanta, que não hesitam em participar de eventos do Facebook e de campanhas pelo Twitter. E sentem que o mundo capitalista treme nas bases quando lê coisas como:

"Ianques go home! Morte à #Burguesia! Proletários: uni-vos! - 

Rock in Rio (ou não)

Postado em 11 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Recorrer já no título a algo supostamente dito pelo Caetano Veloso é apelação, mas fazer o que? O assunto merece.

Não sou crítico musical, então não possuo aquela isenção (cof-cof), conhecimento (cof-cof) ou bom gosto (cof-cof-cof) para pretender que o que vou dizer aqui é uma verdade absoluta, mas fazer o que? Eu tenho esse péssimo hábito (pelo menos no Brasil) de ter opinião, então vamos lá.

Sempre achei estranho o "Rock in Rio" acontecer em Lisboa durante muitos anos. Nada contra a pátria-ancestral, nada disso, mas porque não Rock in Lisboa? Tudo bem, os gênios do marketing me explicaram que se tratava do uso de uma marca conhecida e por isso o nome.

Aguardo ainda, é claro, o Glastonbury-Itu, o Parintins-São Paulo e a São Silvestre-Copacabana (sei que isso pode ser contestado, mas não iria perder a piada).

O fato é que finalmente o festival com o nome do Rio de Janeiro voltou ao Rio de Janeiro, o único problema é que quando resolve fazer isso, só traz o "in Rio", porque parece que o "Rock" ficou esquecido em Lisboa.

Porque vamos lá, quando vi no lineup do festival nomes como Maria Gadú, Rihanna, Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, Monobloco, Martinho da Vila, etc, etc, juro que pensei que era o Domingão do Faustão.

Outros nomes como Guns'n'Roses, Lenny Kravitz, Frejat e Mike Patton também me passaram a impressão de que estes artistas dependem mais do Rock in Rio para viver do que a cantora Simone depende do Natal.

Nem o Metallica, o Motörhead ou o Coldplay servem para limpar muito a barra, porque estão entremeados por coisas que até são rock, mas não são, tipo NX Zero e Móveis Coloniais de Acaju.

Não sei o que houve com aqueles festivais de rock que tinham um único palco e sua principal atração era mesmo o bom e velho rock'n'roll.

Esse Rock in Rio de agora parece mais algo voltado para "world music", para pessoas "ecléticas", para quem "quer ver e ser visto", um clima meio Fashion Rio. Só falta colocarem alguma coisa de sustentabilidade no meio.

Desculpe quem gostou da programação e quem já comprou ingresso pra ir, sei que algumas coisas que estarão ali tem valor e sei que tudo evolui com o tempo, mas rock pra mim é moto soltando fumaça, lama, cabeludos de casaco de couro, groupies, cerveja, gente louca vomitando no final da madrugada, etc, etc, etc.

Podem me chamar de purista, mas rock é atitude. Sou do tempo em que as mães escondiam as filhas quando algum roqueiro chegava perto delas. Hoje em dia elas as vêem com esses rapazes estilo Restart e só ficam preocupadas se eles vão pedir o vestido das moças emprestado.

Por isso mesmo eu resolvi aderir ao slogan do festival "Eu Vou" e resolvi que vou é ficar em casa (mesmo porque acho que todo mundo que curte uma micareta já comprou os ingressos, dada a velocidade com que se esgotaram).

Gosto é que nem bunda, eu sei, mas a minha não vai passar nem perto daquela cidade "do rock".

Pausa na vida virtual

Postado em 21 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Parto amanhã para uma curta temporada na bela capital uruguaia, Montevideo, quando poderei apreciar aqueles deliciosos bifes de chorizo que fariam horror em qualquer vegetariano e passar o dia ouvindo esse idioma maravilhoso que é o espanhol.


Por isso mesmo não atualizarei o blog e provavelmente nem o Twitter até semana que vem, quando espero encontrar todos os meus (poucos) leitores por aqui, com alguns quilos a mais creditados na conta do Coelhinho.

Desejo a todos um bom descanso e uma Feliz Páscoa!

Te quiero con limón

Postado em 17 de dez. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

"Você es uma gatita, te quiero con limón, da me un bejo en xo?"

Pouca coisa é tão sexy quanto uma mulher falando espanhol. Pouca coisa é tão broxante quanto qualquer um tentando falar espanhol sem saber.

E por mais que quase todo mundo goste de debochar dos que tentam, quase todo mundo também acaba tentando um dia, basta que tenha uma oportunidade.  A CVC faz uma promoção de feriado, a brasileirada invade Buenos Aires ou qualquer outra cidade da América Hispânica e pronto, temos um rodízio de portunhol para todos os gostos.

Eu sou fascinado por idiomas - não que fale tantos ou fale bem os poucos que conheço - e sempre achei que é muito mais difícil aprender uma língua parecida com a nossa do que uma totalmente estranha.

Claro que o tempo que leva para alguém conseguir alguma fluência em mandarim é muito maior do que em espanhol ou italiano, mas as armadilhas são bem menores.

Se eu não sei como pronunciar "manteiga", "presunto" ou "queijo" em russo, eu vou perguntar a alguém como se fala. Mas se isso acontece em espanhol, fatalmente tento inventar.


É um tal de "mantiega", "quejo"(com aquela pronúncia do jota como se fosse erre, caprichadíssima, com a garganta arranhando e tudo) e "priesunto" de causar calafrios, quando o correto seria manteca, queso e jamón. É parecido, como se pode notar, pero no mucho.

Coisas simples como nomes de automóveis já causam confusão. Quer um exemplo? No Chile o famoso jipe Pajero se chama "Montero", porque pajero lá quer dizer "punheteiro". Agora, você já pensou chegar numa rent-a-car da vida e pedir em irretocável portunhol: "Quiero alugar un Pajero"?

A troca do verbo correto "alquilar" por "alugar" será o menor dos seus problemas.


Assim como "pegar", que em espanhol pode ter várias formas diferentes de se dizer. Primeiro porque a tradução literal de "pegar" é "colar", depois porque ao tentar dizer que vai pegar algo, pelo menos na América do Sul você vai pisar em terreno minado.

Isso acontece porque a tradução que um dicionário de espanhol daria é "coger". Só que os latino-americanos usam esse verbo para dizer que vão "trepar". Sendo assim, você jamais "coge" um ônibus e sim "toma". E quando vai pegar algo literalmente, diz "agarrar", o que em português é uma atividade preliminar do "coger" deles. Viu a confusão?

Pelado é careca, tarado é louco, chupar é encher a cara e zurdo é esquerdista (o que até soa apropriado em ambos os idiomas). Isso sem falar na já famosa palavra para designar micro-ônibus, que é "buseta".

Quase igual, né? Mas o que mata é esse "quase".

A verdade é que a regra que vale para música, esportes, jogos, artes e praticamente todas as atividades que não envolvam a exposição de dotes físicos, um padrinho rico e famoso ou a indicação de algum político, vale também para os idiomas: se você gosta de verdade, tente aprender primeiro.

Porquê virei chileno (só um pedaço)

Postado em 13 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Acordei às 3:00 da madrugada para pegar um taxi pro aeroporto, logo a monotonia da paisagem dos campos da Argentina que assistia do alto do avião contribuiu muito para meu sono dos justos. Sorte que uma aeromoça da Lan me acordou para "colocar o assento na posição vertical", devido à turbulência que o avião sempre enfrenta quando voa sobre o espetáculo que eu estava prestes a ver pela janelinha: a Cordilheira dos Andes.

É na forma desta imensa parede gelada que o Chile dá boas vindas a quem o visita. Mas diferente do que se poderia imaginar, os chilenos estão longe de ser um povo frio. São amistosos, generosos, solícitos e pacientes - até mesmo com o meu parco espanhol coalhado de sotaque argentino - o qual quase todos corrigiam e diziam "passe um ano no Chile e fale como um de nós". Quem me dera poder passar um ano entre eles.

A outra "parede" que impressiona é a de bandeiras nacionais. Não estamos numa Copa do Mundo, não tem nenhum evento esportivo mundial significativo do qual os chilenos estejam participando, mas ainda assim os carros, lojas, praças e casas exibem a bandeira nacional com tanto orgulho quanto o que eles mostram ao falar de seus maravilhosos vinhos, do seu excelente churrasco e até mesmo o porque de preservarem nos prédios que circundam o palácio presidencial de La Moneda as marcas de tiros do golpe que instalou Augusto Pinochet no poder.

Essa aliás é outra característica dos chilenos: não renegar nada do seu passado e compreender que tudo ocorreu para que eles chegassem onde estão hoje, até mesmo uma ditadura militar de alto custo em vidas, mas que tirou o país do subdesenvolvimento.

O acidente e o resgate dos mineiros presos na mina San José - eu estava lá quando a perfuratriz chegou ao abrigo, possibilitando o início do resgate - certamente contribuiu para o aumento do nacionalismo, mas dava pra notar que era algo mais, que aquilo faz parte do jeito de ser deles.

Em suas largas ruas e alamedas, Santiago se espalha aos pés da Cordilheira, que domina sua paisagem. Como em toda metrópole o povo é apressado, os carros passam rápido e o trânsito das 17:00 horas apesar de falar castellano incomoda tanto quanto se falasse com sotaque paulista ou carioca. Mas ao invés de voltar para casa com medo da violência, os chilenos vão para uma infinidade de bares, cafés, centros comerciais e boates.

Conheci o "Pátio Bella Vista", uma espécie de shopping a céu aberto cheio desses bares e lojinhas, com um movimento que nos finais de semana não acaba antes dos primeiros raios de sol. Conheci a "chicha", uma bebida feita a partir da fermentação da uva, que me disseram ser como a mulher chilena: aparentemente doce e inofensiva, porém escondendo uma verdadeira diaba por dentro. A mulher não sei, mas a chicha realmente me nocauteou.

Sou um apaixonado pelo idioma espanhol - que no entanto ainda não domino perfeitamente - e as moças falando com aquela língua entre os dentes ficam um charme, tal como uma policial - que eles chamam de "paquitas" - me ensinando como chegar à avenida Merced. Vocês não imaginam como esse "Merced" fica bonitinho hablado por ellas. É verdadeiramente um prazer para mim passar dias tendo a língua de Cervantes como meu idioma oficial. Lojas, padarias, farmácias, sorveterias, livrarias, tudo com a tecla SAP acionada. Uma delícia.


Delícia aliás que é uma palavra até tímida para descrever os bifes de 200 metros de altura que eles servem e o seu sanduíche nacional, o Barros Luco, um amontoado de filés cortados na fina espessura de uma fatia de mortadela, cheios de queijo e que não por acaso era o favorito de um ex-presidente, que acabou batizando o sanduíche.

Fui até Valparaíso e Viña Del Mar - que aliás foi fundada por um português - e, como não poderia deixar de ser, molhei meus pés no Oceano Pacífico, como se nunca tivesse visto o mar na vida.

Voltei para o Brasil com um pedaço do meu coração naturalizado chileno definitivamente. A imagem das praças gramadas de Santiago, cheias de gente deitada sob as árvores nos finais de tarde nunca mais se apagará na minha mente, assim como a lembrança do adorável povo chileno.

Povo que não merece certas visitas, como a de uma brasileira que fazia um barraco numa panaderia porque cismou que a mocinha do caixa tinha que entender o português raivoso dela. Na cabeça da "sujeita", como ela era turista todo mundo tinha que se esforçar para entende-la e não ela, visitante num país estrangeiro, é que tinha obrigação de dar o seu jeito.

Ainda virou pra mim, como que pedindo aprovação, e disse: "sou turista, eles tem que se esforçar pra me atender, não é?", ao que, envergonhadíssimo, respondi:

- Perdon, no comprendo.

Desculpa mesmo, mas naquela hora nunca fui tão chileno.

Marcus na mochila

Postado em 5 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius

Bem que isso poderia ser o nome de um desses programas em que as pessoas viajam de graça às custas de algum canal de TV, não é? Mas é apenas um comunicado aos que me lêem.

Desde que saí da faculdade nunca mais tive aquelas férias tradicionais de 30 dias corridos. Tudo bem que também não tenho outras coisas chatas de quem tem férias tradicionais de 30 dias corridos como horário para chegar e para sair, hora de almoço, Orkut, Twitter e MSN bloqueados e tudo o que faz de qualquer trabalho ser "o trabalho", aquela entidade que mete mais medo do que o Darth Vader.

Mas ainda assim não tenho as tais férias tradicionais de 30 dias corridos. Preciso tirá-las como se fossem prestações das Casas Bahia, suavemente no decorrer do ano.

E essa semana é uma dessas aguardadas, adoradas e deliciosas ocasiões. Viajo nesta quarta-feira para a bela capital do Chile, Santiago, e só retorno na segunda, bem a tempo de curtir o feriado na terça.


Sendo assim, farei algo que também é raro desde que comecei a escrever este blog, que é ficar sem atualizá-lo até a próxima quarta, quando estarei devidamente mau-humorado naquela típica depressão pós-férias e pós-viagem.

Espero retornar com muitas histórias para contar, fotos para mostrar e também muitas observações sobre a qualidade de vida dos chilenos, que me ajudem a provar por A+B que Deus definitivamente não é brasileiro.

Até a volta!

Televisão cubana estreia programa sobre atentados contra Fidel

Postado em 8 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Li esta notícia no Terra e não pude deixar de dar algumas risadas. O jovem ditador de 84 anos provavelmente é uma espécie de cruzamento de James Bond com um gato para ter sobrevivido a tantos "atentados" que são contados pela máquina estatal da ditadura que ele encabeçou por tanto tempo, transferindo a "coroa" para seu irmão depois.

Como bem diz Yoaní Sanchez em seu livro "De Cuba com Carinho" e em seu blog Generación Y, não tendo mais recursos para angariar apoio através de seu corrupto e vergonhoso sistema "meritocrático"(leia-se, fidelidade canina ao regime), o governo da prisão insular dos irmãos Castro utiliza basicamente três instrumentos para conter o que poderia ser um movimento que os removeria do poder: repressão, cerceamento do direito de viajar ao exterior e criar inimigos e batalhas externas que "unam" o povo em torno dos seus próprios algozes.

Não duvido que Fidel tenha sofrido algum atentado nas suas 8 décadas de vida e meio século no poder, mas tenho quase certeza de que 9 entre 10 supostos atentados divulgados pelo regime castrista são tão factíveis quanto um ataque dos Na'avi contra a ilha.

Mas essa minha mente fértil tinha que ir além e por isso imaginei alguns atentados reais que poderiam realmente causar reações em Fidel que levariam o octagenário caudilho a juntar-se a Stalin, Pol Pot, Kim Il-Sung e outros heróis cultuados pela esquerdocanalha.

Vamos imaginá-los?

La vai...

1) O ataque das urnas assassinas - Fidel teria sido atacado por urnas eleitorais, esses perigosos instrumentos de desestabilização de "regimes proletários". São seres tão malignos que trazem consigo outro hábito nefasto e desagradabilíssimo: voto livre e secreto.

2) As Constituições Voadoras - Entenda-se por Constituição cartas semelhantes as que existem nos E.U.A, na maioria dos países europeus e até mesmo aqui em Banânia, que definam coisas esdrúxulas como direito à propriedade, privacidade, livre associação, multi-partidarismo, divergência, entre outras. Um enxame desses insetos perigosos sobre Cuba provocaria em Fidel o mesmo horror que o Faraó (o "comandante" preferia esse título e teria ficado desolado quando descobriu que já tinham pegado antes dele há alguns milênios) sentiu ao se deparar com as pragas do Egito.

3) Serial-Repórteres - Com suas canetas, lápis, computadores e as temidas câmeras, eles retratam o que se passa nos países em que atuam. A diferença dos serial-repórteres para os demais é que estes perigosos psicopatas da informação não puxam saco dos governantes, não maquiam notícias e tem o péssimo hábito de chamar "presos políticos" de "presos políticos". Um verdadeiro horror. Ainda bem que nosso herói Fidel conseguiu se livrar de vários deles.

4) Liberdade de Ir e Vir - Esse é terrível. É um atentado que os cubanos até hoje cometem contra seu "querido líder". Tentam cometer esse crime usando balsas, velhos caminhões, botes, bóias e até a nado, se conseguirem.

5) A famigerada alternância de poder - Para ter uma idéia de como esse crime é terrível em Cuba, caso o "regime revolucionário e democrático" que existe lá estivesse em vigência no Brasil, ainda seríamos governados por Juscelino Kubitschek ou algum irmão ou outro membro da família dele que teria recebido o cetro das mãos do "comandante".

Brincadeiras à parte, chega a ser aterrador imaginar que Nelson Rodrigues já criticava o regime ditatorial cubano e que décadas depois cá estou eu, com bem menos brilhantismo é claro, fazendo a mesmíssima coisa, falando do mesmíssimo regime.

Isso só me leva a concluir o óbvio: que o que o governo daquele país-prisão comandado pelos amigos do Lula mais tem a temer é exatamente tudo aquilo que todo cidadão de uma democracia no mundo mais tem a perder: sua liberdade e seu direito à individualidade.

Essas duas idéias que ferem regimes autoritários bem mais do que qualquer bala, lança ou míssil.

 
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