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O dia que recriarem o mamute

Postado em 15 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Cientistas russos e coreanos resolveram unir forças para recriar o mamute. Esqueça qualquer outra necessidade do mundo atual, o importante mesmo é conseguirmos tirar o Jurassic Park das telas e, quem sabe, até ser devorados por algum T-Rex um dia.

Só que por mais que tal experiência soe bizarra, ela nos fornece material para muita imaginação, afinal, não faltam coisas que poderiam ser revividas num labotarório e que tornariam o mundo bem mais interessante do que a volta no Mamute, ou "mamofante", como os cientistas resolveram chamar o bicho (ainda que isso pareça mais o nome do último sucesso do carnaval baiano).

Pra começar, podiam trazer de volta a vergonha na cara. Porque nem as ombreiras, nem a pochete e nem o mullet (aquele cabelinho que o Chitãozinho e o Xororó usavam quando a Sandy ainda nem pensava em fazer comercial da Devassa e dos benefícios do sexo anal), ficaram tão fora de moda quanto a vergonha na cara.

Digamos que vergonha na cara seja o mamute dos costumes, junto com o senso do ridículo, que é o mico leão dourado dos costumes.

Uma outra coisa que poderia ser ressucitada é a infância. Sim, porque esses mini-adultos cheios de opiniões, vontades e iPhones de hoje em dia são chatos pra cacete. Meninas de 7 anos se preocupando com o peso e moleques de 8 dizendo que querem "comer a Sabrina Sato" não são engraçacinhos, são apenas um sintoma de que a humanidade - que já não é algo que tenha dado muito certo - conseguiu piorar.


E depois do surgimento de Elvis, dos Beatles, do flower power, psicodélico, punk, pós-punk, gótico, metal, britpop e afins, alguma boa alma científica poderia reviver o rock'n'roll, porque do jeito que vai não haverá material para produzir nenhum revival nas próximas décadas, provavelmente fazendo surgir coisas como o neo-neo-neo-grunge.

Outra coisa legal seria alguém libertar expressões como "licença", "por favor" e "obrigado", entre outras, de algum fóssil e trazê-las de volta à vida.

Porque imagina que legal seria aquela mulher com 237 sacolas de compras e um poodle dentro da bolsa passar correndo por você na calçada, esbarrar, quase te derrubar no chão e ao invés de dizer algo como "porra, sai da frente, seu cara de cu", falar simplesmente "desculpa".

Finalmente os cientistas podiam dar uma forcinha e trazer de volta algumas coisas que você encontrava em qualquer esquina antigamente e que já não existem mais, como os fliperamas, aquele cheiro de álcool quando imprimíamos algo num mimeógrafo e o chocolate Surpresa, que era tão legal que teve até uma série de figurinhas sobre os dinossauros.

Pronto, poderiam lançar um Surpresa-Mamofante, assim todo mundo ficaria feliz.

Vá ao teatro, mas não me chame

Postado em 8 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Se tem uma coisa que dá medo é a frase "precisamos conversar". Depois dela, só mesmo "a gente podia sair pra dançar, né?" e logo em seguida, pelo menos para mim, é "vamos ao teatro?".

Sei que é quase um sacrilégio admitir isso, afinal, qualquer pessoa descolada, intelectualizada et al não deve dizer jamais tal coisa em público, mas sei lá, precisei compartilhar. Pior ainda é o fato de ser fã de Nelson Rodrigues, gênio que se confunde com o teatro, mas de quem eu, particularmente, gosto mesmo é das crônicas.

Mas se algo me redime é o fato do próprio Nelson fazer piada com o teatro em seus textos, quando dizia, por exemplo, que a platéia era basicamente composta de senhoras gordas com sacos de pipoca na mão, e que o tal "teatro moderno" ainda ia fazer um ator espirrar o sangue de um bife na cara do espectador, só para provocar emoções.

O que sei é que não acho muito legal as vozes empostadas, os gestos exagerados, as limitações do cenário (esqueçamos a Broadway  e algumas superproduções com seus efeitos especiais), aquela coisa meio caravana cigana que os próprios atores adoram. Outra coisa são aquelas interpretações livres, capazes de bolar uma montagem porno-escatológica da Branca de Neve.


 Tudo isso tem até o meu total respeito, mas sinceramente, me incomoda.

Causa um pouco de vergonha alheia assistir uma pessoa representando quase qualquer peça. A maquiagem, as caras e bocas, enfim, a menos que seja comédia - onde não só é permitido, como desejável, cair na gargalhada - eu fico meio desconfortável com Romeus, Julietas e Tios Vânias.

A comédia, aliás, é um capítulo a parte, já que conheço pessoas que dizem adorar teatro, mas que só vão mesmo assistir comédias (algumas, as mais estúpidas possíveis), afinal, com tanta coisa pra importar dos Estados Unidos, resolveram trazer logo o politicamente correto e o stand up comedy.

Claro que já assisti várias peças. Alguns musicais, alguns dramas e até algumas comédias. E em algum momento da apresentação eu até curti, mas sempre fazendo aquele esforço para dissociar o fato de que tudo aquilo representado ali seria muito mais realista, interessante e divertido se fosse no cinema.

E cheguei finalmente onde queria: pra mim, ainda que gente muito mais entendida diga que isso é bobagem, o cinema acabou com a graça do teatro. É como ouvir novelas no rádio depois que inventaram a TV.

Não resolvi contar isso tudo pra dizer que sou contra o teatro, que acho que o teatro deva acabar e nem que faço parte de uma parte da população geneticamente superior àquela que gosta de teatro, o objetivo é, talvez, fazer um apelo aos fãs da "nobre arte":

- Vá ao teatro, mas não me chame. Sério, por favor.

Não é que eu tenha aversão nem nada disso, pode ser até que eu me divirta, mas aposto que você consegue pensar em outra coisa melhor pra me chamar, como uma visita ao Museu do Cotonete ou um passeio pelo centro de Duque de Caxias, por exemplo.

Mulher Nota Mil

Postado em 7 de fev. de 2012 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

 Muito prazer, eu sou a Tati. Mas poderia ser Júlia, Isa, Márcia e até mesmo Lu. Sou uma dessas meninas-mulher que tanto fazem sucesso em filmes e biografias de perfil de internet. Mas não só da boca pra fora, sou assim mesmo.

Falo palavrões, mas também sei dizer coisas fofinhas. Curto pop rock, heavy metal, punk. 

Como pizza, chocolate, bebo cerveja, mas tal qual essas modelos e atrizes que dão entrevista por aí, consigo manter essa minha barriga lisinha quase sem esforço.

E mesmo curtindo Ramones e Iron Maiden, eu não me visto como se fosse figurante de "Jovens Bruxas" ou de "Walking Dead". Uso roupas estilosas, não tenho uma tatuagem tosca e nem vou ao cinema num domingo à tarde usando uma coleira com spikes e batom preto.

Curto filosofia e ficção científica, mas isso não me impede de ir na praia e em festas de verdade (nada de Campus Party) e, pra ser sincera, acho que essa moda babaca de cultuar nerds é invenção dos próprios nerds, que de burros não têm nada.

Mas nem por isso curto homens bombados, com aquela pinta de Alexandre Frota depois do filme pornô. Gosto de homens que contam piadas, que curtam um filme europeu e saibam que, antes de botar de quatro e chamar de cachorra, toda mulher merece um bom oral (que retribuo com prazer e técnica apurada, diga-se de passagem).


Jogo video game todo dia e se você quer saber, dificilmente vai me superar no GTA. Curto também jogos antigos, tipo Super Mario, Space Invaders e adoro jogar Ultimate Fighting e FIFA. Não ligo - e pra dizer a verdade até prefiro se estiver muito calor - de ficar em casa num sábado à noite, jogando, vendo seriados na TV e falando bobagem com os amigos.

Sei falar quatro idiomas e agora estou estudando chinês, mas nem por isso fico me exibindo ou esfregando na cara dos outros aquele pedantismo acadêmico que, pra falar a verdade, me enoja um pouco. Falo sobre futebol, sobre o Super Bowl, sobre teorias mirabolantes e até escatológicas,  e até sobre balé clássico.

Em relacionamentos sou equilibrada. Cuido sem sufocar, dou espaço sem parecer que não ligo. Não cobro, acredito que todo homem precisa de amigas mulheres para exercitar sua sensibilidade (e melhor que sejam bonitas, só assim sei que meu namorado tem bom gosto) e não sei porque haveria algum problema dele fazer uma viagem pela Europa sozinho. Ah sim, e não traio.

Sim, eu sei que pareço perfeita, boa demais pra ser verdade. E na realidade, sou mesmo. Não perfeita, mas boa demais pra ser verdade, muita areia pra qualquer caminhão.

Sei disso principalmente porque não sou mesmo de verdade. Sou uma invenção do autor deste texto, uma espécie de Mulher Nota Mil que só poderia existir num filme, numa biografia de perfil de internet ou aqui nessa página.

E convenhamos, se eu existisse mesmo, o que talvez não existisse seria um homem que me merecesse, muito menos você, que vive me inventando aí na sua imaginação, né?

E se fosse hoje?

Postado em 26 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

"Tiramos o site da França do ar!"

"Vamos fazer uma petição online contra os alemães!".

Imagina que palhaçada seria a 2ª Guerra Mundial se fosse hoje em dia.

Sério, fiquei pensando nisso um tempão. Imaginei velhas fábulas tomando direções totalmente opostas, como o Romeu se matando porque não recebeu o SMS da Julieta a tempo (ela estava sem crédito no celular) ou então os Correios não entregando o sapatinho de cristal comprado no Mercado Livre, porque no lugar veio uma caixa com um tijolo dentro.

Só que como essas histórias são de ficção, não teria nada demais que fossem adaptadas aos dias de hoje, mas e aquelas de verdade, como no exemplo da 2ª Guerra?

Na revolução francesa tentariam fazer uma postagem no Facebook: quem apóia a monarquia "curte", quem prefere a república "compartilha" e no final, adivinha? Não ia dar em nada.

Já os pais fundadores dos Estados Unidos ficariam envolvidos numa questão mais grave, afinal, a enquete online terminaria empatada: um terço preferiria que o novo país se chamasse "Estados Unidos da América", outro terço preferiria "União dos Estados da América" e o último acharia melhor "Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da América".


Depois de muita discussão eles provavelmente decidiriam que era melhor esquecer daquela briga com os ingleses, e todo mundo ia se juntar num encontro no Starbucks.

Noé, aquele da Bíblia, ao saber do dilúvio não ia correr para construir uma arca . Ao invés disso abriria uma ONG, um site, um blog e passaria as tardes pedindo doações e enviando fotos de filhotes de cachorro por email, em arquivos de Power Point com músicas do Kenny G. Depois que a chuva passasse e as águas baixassem, não teriam sobrado nem as baratas na face da terra (o que, no caso das baratas, de certa forma nem seria tão ruim).

Santos Dummont e os Irmãos Wright travariam uma batalha feroz para decidir quem afinal inventou o avião, quem conseguisse seguidores mais rápido no Twitter levaria a batalha. No final o inventor do avião seria conhecido para sempre como Charlie Sheen, que foi expulso de um seriado de comédia, conseguiu 1 milhão de seguidores em um dia (isso são fatos reais) e...inventou o avião.

Os alemães criariam um evento no Facebook: a festa da reunificação. 200 mil pessoas confirmariam presença, 20 apareceriam e o muro estaria lá até hoje, mesmo porque, a turma do lado Oriental não possuiria internet e nem saberia do evento.

E o Brasil? Provavelmente ainda seríamos Reino Unido de Portugal e Algarve (ou qualquer coisa parecida), já que Dom Pedro até pensaria em dar o famoso "Grito do Ipiranga" mas no fim iria parar mesmo num grito de carnaval, que além de ter whisky com energético liberado a noite toda, ainda era parte de uma promoção desses sites de compra coletiva.

Tudo por R$19,99. Bem melhor do que esse negócio de ser independente, afinal de contas, o príncipe só tinha 23 anos e hoje em dia antes dos 40 ninguém precisa mesmo sair da casa dos pais.

Eu sou o pé ou o chinelo?

Postado em 17 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Depois de uma certa idade todo mundo quer saber porque você ainda continua solteiro. Não interessa o fato de metade dos seus amigos que casaram terem separado antes de dois anos de casamento, o problema é você, que continua por aí fugindo do enlace matrimonial.

E basta ir numa festa, batizado, coquetel de divórcio, seja onde for,  que fatalmente vai ter que explicar que sim, esta é uma opção sua e, sim, também é uma opção dos outros e, sim, também é porque você acha que não precisa unir seus defeitos intoleráveis com os defeitos intoleráveis de outra pessoa só para ser infeliz junto de alguém.

- Nossa, você é linda, independente, culta, porque tá sozinha?

- Ah, fui ficando mais exigente, sabe?

- Quem escolhe demais fica sem nada, viu?

Mas pense bem: você conhece uma pessoa que parece legal, rola aquela atração física, saem a primeira vez, ficam, resolvem que vão continuar e tal, e um belo dia a pessoa telefona e te chama pra uma micareta.


Como você quer dar uma chance, até pensa em ir, sabe como é, só pra agradar, mas depois pensa "E se isso der em namoro? Porra, eu vou ter que ir a micaretas o resto da vida". E então comete aquele erro fatal que faz as pessoas gostarem bem menos de você: é honesto. Vira e diz "pô, micareta não rola, eu simplesmente tenho mais horror disso do que de um tsunami de bosta". Pronto, lá se vai aquela possível relação embora atrás do trio elétrico.

O problema é que isso tudo soa muito razoável na hora, mas quando você vai contar para alguém sempre fica parecendo que foi um exagero seu:

- Qual o problema? Uma micaretinha de vez em quando? Você é muito intolerante.

Dito isso a mocinha resolve deixar de ser "tão intolerante" e cede às cantadas de Reginaldo Rossi do filho do vizinho. Combinam uma saída no domingo (programa mais light e tal) e quando entra no carro dele nota que o MC Jibóia está tocando no volume máximo, olha os CDs tentando achar algo que se salve, mas só encontra Parangolé, Chiclete, Revelação e Swing & Simpatia (ou seja lá como se chamam essas coisas), aí pensa: preciso mesmo namorar alguém que ouve a trilha sonora do Domingão do Faustão?

 Mas a cobrança nunca termina:

- Se você não escolhesse tanto.

- É, acho que é chatice mesmo, pronto, eu escolho demais, admito. Agora vamos falar mal de outra pessoa que esteja ausente? É mais divertido.

- Não se irrite, sempre tem um chinelo velho pra um pé cansado.

- Sério? Então me diz, você acha que eu sou o pé ou o chinelo?

A noite vai ser boa, tudo vai rolar...

Postado em 29 de dez. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Conhece essa música? Aquela do "trocando de biquini sem parar". Pois é, se  tocar, pelo menos pra mim, a noite já não vai ser boa, porque eu não gosto dela, mas você pode gostar e aí a história muda completamente.

Gosto é uma coisa complicada e por isso mesmo chamar alguém pra sair é uma arte, aliás, nem é uma arte, é um perigo mesmo. Você em casa, sem nada pra fazer, torcendo pro telefone tocar e o que acontece? Ele toca! Quem mandou torcer? É um amigo do seu trabalho:

- Beleza? Estou te ligando pra te convidar pra vir aqui em casa, vai rolar um pagode fundo de quintal sensacional, com mocotó e cervejinha, não aceito um "não" como resposta, hein...

Viu só? Bem feito. Estudar análise combinatória não deve ser tão pior do que o programa que você arrumou. Mas pro seu amigo pagodeiro, tenho certeza que a batucada com sopa de pata de vaca deve ser a melhor coisa do mundo. Cada um dá um pouco, fazem as compras e é só "diversão".

Aí você se pega contribuindo com R$ 20,00 para um evento que você pagaria R$ 50,00 pra não ter que ir.

O legal é que o inverso também é verdadeiro, e isso te permite uma vingança sensacional.


Vá no tal pagode, finja que está se divertindo, chame aquela prima baranga cheia de Kolene no cabelo que ele vive querendo empurrar pra cima de você de "princesa", beba a cerveja quente como se fosse um Tanqueray com tônica, até bata palminhas na hora de um dos muitos "ôôôs", "êêês" ou "láláiás".

Comporte-se como se quisesse sair dali e dar uma esticadinha num baile da "Gaiola das Popozudas". Depois de meia hora, diga pra ele que vai ali e já volta e fuja o mais rapidamente possível.

Dali a uma semana será a hora da vingança. Retorne aquele telefonema, pergunte o que ele está fazendo, elogie o churrascão e faça o convite fatal:

- Tô ligando pra te chamar pra um festival de cinmema iraniano. Vai rolar uma maratona de 8 horas de filmes sobre tapetes persa e depois da palestra do Caetano vai ter um jantarzinho num bistrô vegetariano, não aceito não como resposta, hein...

Apareça já de ingressos comprados, se instale na cadeira, espere apagar as luzes e depois de uma meia hora diga pra ele que vai ali e já volta, e fuja o mais rapidamente possível, afinal de contas, o pagodeiro que merece ficar de castigo é ele.

Você é o que você come.

Postado em 20 de dez. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Não, este não será um texto que exaltará os benefícios da alface sobre a picanha e nem vai te recomendar que coma bifes de soja.

Acontece é que faz tempo que tenho essa obsessão: tentar decifrar as pessoas através da comida. Acredito realmente que você pode descobrir traços da personalidade alheia simplesmente analisando o que ela pede para encher a pança.

Por exemplo, você sai para jantar numa churrascaria com a rapaziada da faculdade, chegando lá um dos presentes dispensa cupins, maminhas e costelas bovinas para se dedicar ao sushi, às saladas e à sessão de palmitos. Pode ser exagero meu, mas esse cara será zuado pela turma.

O mesmo é chegar num jantar vegetariano (sim, todos têm inimigos que os convidam para esses eventos) carregando numa marmita um sanduíche de leitão. Não vai pegar bem com certeza. E, por favor, não invente agora um "preconceito alimentar" que eu te jogo como alimento aos leões.

Certas comidas também denunciam a sua classe social. Se eu te disser que tem um sujeito comendo um canapé de patê de lagostin com creme de endívias e um outro comendo um cachorro quente com ervilhas, milho, requeijão e purê, qual dos dois você vai achar que é um almofadinha cheio de dinheiro e qual você vai achar que está num ponto esperando a Kombi?

Numa rodoviária, qual a chance de você encontrar uma loja que veja macarons, marrons glacê, cupcakes, canapés e suco de toranjas e qual a chance de encontrar coxinhas de galinha feitas na época em que o Geisel era presidente? A menos que você esteja na França, pode acreditar que você vai comer é a coxinha do Geisel.


O espanto com qualquer coisa diferente disso seria o mesmo de encontrar uma barraquinha do Angú do Gomes na Trafalgar Square.

Uma vez eu estava com uma namorada num desses botequins enfeitadinhos (que servem banana split e tudo) e resolvi pedir um chopp e um milk-shake. Quandoo garçon chegou, entregou o chopp pra mim e o milk-shake pra ela automaticamente, só que a pinguça era a menina.

Mas o pior foi a cara de espanto dele quando trocamos os copos, fazendo aquela expressão do tipo "esse aí deve achar que dois brothers se alisando na sauna não tem nada demais".

Beber sucos orgânicos, tipo aquelas coisas com clorofila também me fazem pensar que a pessoa não usa desodorante é acha que depilação é contra a natureza, mas pior mesmo são os cardápios frescos, tipo suflê de alho poró com creme de aspargos, pêras flambadas, patê de trufetas e chá de lima. Eu leio uma coisa dessas e já imagino que vou entrar no cheque especial e que o maître em algum momento virá defender as propriedades eróticas da massagem na próstata.

Mas definitivo mesmo foi um caso que eu jamais esqueci: assistindo um programa de televisão, vi um jogador de futebol comemorando um contrato de milhões de dólares. Fazendo um churrasco. De espetinhos. Igual esses de camelô. Você imagina isso? Comemorar seu primeiro milhão com um churrasquinho de gato e tubaína?

Por isso eu digo: é até possível o churrasquinho de gato sair da pessoa na próxima ida ao toalete, mas jamais ele sairá da alma.
Você é o que você come.

A hipótese Mega-Sena

Postado em 7 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Se a Rainha Elizabeth tivesse quatro rodas e um volante, não seria a Rainha Elizabeth, seria um Rolls Royce. Ainda assim, pouca gente consegue resistir às conjecturas. Gostamos de imaginar os "ses" e os "como seria" o tempo todo.

É quase uma daquelas brincadeiras de criança onde fingimos ser o Batman, o imperador de Roma, um jogador de futebol, um piloto de Fórmula 1, bailarina, princesa, esposa de magnata russo. Depois de um tempo a gente desiste de voar usando capas, de pilotar em corridas ou de viajar para o espaço e nos concentramos em coisas mais mundanas, tipo iates, mulheres, carros de luxo, mulheres, dinheiro, mulheres.

E assim surge a hipótese Mega-Sena.

Todo mundo sabe que na realidade a Mega-Sena é um jogo de azar que nunca é ganho pelo seu colega de trabalho, pelo seu vizinho e muito menos por você, mas ainda assim cada vez que acumula um prêmio, filas de gente que acreditam que dinheiro não traz felicidade se formam na frente das casas lotéricas.


E todos fazem o mesmo exercício de masturbação mental que até os mais pessimistas, como você e eu, também já fizeram um dia: e se eu ganhasse esse prêmio? Porque tanto dinheiro assim te possibilita fazer um monte de coisas que você gosta, mas principalmente te possibilita não fazer coisas que detesta, o que, convenhamos, é muito mais legal.

Não ir a festas de fim de ano da firma, não participar de amigos ocultos, não precisar puxar papo com ninguém na hora do cafezinho, não andar de metrô, não ter vizinho de cima e nem do lado, só presenciar um engarrafamento de cima do seu helicóptero, viver preocupado com jet-lag, com os efeitos do consumo excessivo de Blue Label e caviar de beluga, coisas assim.

Mas o que eu faria mesmo é patrocinar certas invenções, como uma tecla mute pra gente chata, uma nave para transportar todos os ecochatos pro Planeta Pandora, uma máquina do tempo pra despejar todos os esquerdistas de butique num Gulag do Stalin

Agora, nem se anime muito com a hipótese Mega-Sena, porque a menos que você more no interior Piaui, do Maranhão, de Mato Grosso ou de Goiás (que é de onde sempre saem os ganhadores desse negócio), estatisticamente suas chances de ganhar alguma coisa são nulas.

O silêncio que precede o esporro ( e o resto que vem depois)

Postado em 1 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Se tem uma coisa que eu detesto é que chamem a minha atenção. Deve ser coisas de encarnações passadas, trauma de uma infância dividida entre as salas de aula e a sala da cordenadora, problema com autoridade, sei lá.

Mas o fato é que depois de adulto passei a respeitar um monte de regras só para não ter que aturar ninguém vindo falar comigo e me pedir para não ultrapassar a faixa amarela, não entrar naquela festa de formatura para a qual eu não fui convidado, não colocar a garrafa de whisky no bolso e tentar sair sem pagar e por aí vai.

Mas tem gente que nãoé assim e por isso acaba levando um esporro de vez em quando. E o mais incrível é a diversidade de reações de uma pessoa para a outra ao ser devidamente esculhambada.

O primeiro tipo é o que se faz de desentendido. Pode ser apanhado no meio da maior cagada do universo que nunca vai passar recibo:

- Hã? O quê? Ninguém me avisou que se eu faltasse uma semana sem trazer atestado médico eu seria demitido.

Existem aqueles que simplesmente ignoram o que a outra pessoa diz, como se não tivessem a menor obrigação de saber alguma regra, de cumprir alguma regra e muito menos de ser repreendido por não cumpri-la:

- A Senhora poderia, por favor, colocar o cinto e permanecer sentada até a aterrissagem?

- Não, obrigada, eu já tenho um cinto Channel aqui, pode me trazer uma água sem gás?


Os que mudam de assunto também são bem interessantes, talvez bem lá no fundo eles fiquem um pouco envergonhados e esse seja o motivo de desviarem o foco, mas talvez eu esteja sendo otimista:

- Cara, preciso te dizer que é uma atitude totalmente escrota e sem noção você se aproveitar que eu estava em coma para tentar agarrar a minha namorada no quarto do hospital.

- E o Vascão, hein? Será que esse ano vai?

Um tipo bem curioso é o que se sente realmente culpado. Ele sofre, chora, pede desculpas, exagera tanto que acaba invertendo a situação:

- Eu quero morrer! Me perdoa, por favor! Se eu pudesse escolher entre nunca ter nascido e viver isso que estou vivendo agora, preferia não ter vindo a este mundo! Eu sou um verme, não valho nada,merecia ser chicoteado em praça pública, como você vai me perdoar? Como? Como?

- Porra, Guto, eu só te perguntei se foi você que comeu meu Miojo, desculpa, mano, não queria te deixar assim, sério, me desculpa? Por favor?

Mas ninguém supera o sujeito que é partidário da teoria da "melhor defesa é o ataque". Ele está completamente errado, ele não tem razão alguma, ele merece totalmente levar um esporro e ser submetido á execração pública, só que tem um problema: ele grita mais alto.

- Você é um filho da puta que roubou seu sócio, nunca pagou nem a sua parte da conta, fala mal de todo mundo pelas costas, avança sinal vermelho e agora me diz que me drogou e roubou meu rim pra vender no mercado negro e pagar um cruzeiro pra Aruba? Sério, o que você acha que eu deveria fazer contigo?

- QUER DIZER QUE VOCÊ NUNCA AVANÇOU UM SINAL VERMELHO NA VIDA? VAI TOMAR NO CU, SEU HIPÓCRITA!

E isso tudo só serve pra mostrar que pedir desculpas até pode ser uma virtude, mas que a verdadeira virtude é não fazer nada que te leve a tomar esporro e ter que pedir desculpas depois (ou agir que nem um babaca).

A pantera ligou, pediu o cor-de-rosa de volta

Postado em 13 de out. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Em algum momento, em algum lugar da sua vida, por algum motivo que você não faz a menor idéia, você a conhece.

Ela é fofa, ela é gente fina, ela tem sempre uma mensagem de otimismo para espalhar pelo mundo mesmo nas horas mais graves, está sempre penteada, escovada, empoada, pintada, pronta.

E ela é rosa. Sim, rosa.

No início você até achou aquilo meio fofo, uma capa de celular das Meninas Super Poderosas, um toque meio infantil talvez pra te mostrar que ela não deixou a criança que existe nela se perder. O toque com a música da Pantera pareceu meio over, mas pelo menos não era nada dos Los Hermanos e nem havia algo da Barbie à vista.

Até ela mexer na bolsa procurando alguma coisa e tirar um chaveiro da Hello Kitty, o que dá quase no mesmo. E de repente você começa a enxergar coisas.


As unhas são pintadas de rosa, os brincos são rosa, o batom, a sombra nos olhos, a capa do iPad e você não entende como pode não ter percebido isso antes, ela é a Elle Woods, sem ser a Reese Witherspoon, o que não é tão legal.

Mas o pior mesmo é imaginar como deve ser o quarto dela. Bichos de pelúcia, cortinas rosa e roupa de cama que parece que foi roubada do museu da Dona Beija.

Um toque mulherzinha não pega mal, afinal de contas é isso mesmo que ela é, mulher. Mas a mochila da Pucca te deu certeza que ela tem sérios problemas e que precisa de um analista. Morar com os pais aos 30 anos e referir-se ao próprio órgão sexual como "ximbinha" também contribuiram bastante para o seu diagnóstico.

Mas a gota d'água, o que te fez terminar com tudo de uma vez por todas foi aquela calcinha do Mickey.

Ainda mais porque você sempre preferiu o Pernalonga mesmo.

É possível amar alguém mesmo que se despreze o que a pessoa pensa?

Postado em 23 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Antes que eu comece, não esqueça que até Hitler arrumou uma namorada, então por mais detestáveis que sejam as suas opiniões - achar que o funk carioca é um poema urbano, por exemplo - você também encontrará alguém que te ature.

Mas o problema é que, até que isso aconteça, vários dos seus relacionamentos serão mandados para o recall.

Sempre acreditei que nos unimos aos outros mais pelo que detestamos do que pelo que gostamos. Por exemplo, um sujeito que é mais propenso a ficar amigo de quem deteste rodinhas de violão do que de um fã dos Beatles como ele.

Isso porque o outro fã de Beatles pode pegar o violão para cantar "Hey Jude" num luau, mas quem detesta rodinhas de violão vai continuar detestando, logo, melhor ser amigo deste.

Só que nem sempre isso é tão definido. E assim como é impossível encontrar alguém que goste de tudo o que você goste, também será impossível achar quem deteste tudo o que você detesta.

Sendo assim, relacionamentos são a arte do possível.

- Hum, o que eu detesto mais? Rodinha de violão tocando Stairway to Heaven ou tocando música gospel numa estação de trem? Já sei! Vou namorar a Milena!

Mas ainda assim a coisa não é tão simples. Relacionamentos são sempre no esquema tentativa e erro mesmo e todo mundo mente e age como aquelas fotos de cheeseburgers no Mc Donald's, que parecem muito melhores do que o sanduíche é em si.


Você pode, por exemplo, conseguir ficar com a única menina da micareta que resolveu que vai casar virgem. Imagina só que azar.

No filme "Alfie, o Sedutor", o protagonista conhece uma loira, rica, linda. Resolve ficar com ela, larga a esbórnia e se tranca com a moça dias e dias no quarto (no filme eles não dizem nada a respeito, mas creio que eles saíam pelo menos para comer e escovar os dentes).

Ele está totalmente apaixonado, até que num dado momento em que vão fazer um brinde, ela quebra seu copo batendo com força no dele, e solta uma gargalhada que só posso definir como escrota.

Ali, naquele momento, o encanto termina.

O personagem do filme não curtiu a gargalhada (confesso que também tenho problemas com gargalhadas, gente que ri emitindo sons de porco não serve pra ir pra cama comigo, por exemplo), mas pode ser uma frase, uma idéia, uma teoria, qualquer coisa que mostre a pessoa além do que ela quer parecer para você.

A pessoa pode ser racista, vegetariana, fã de sertanejo universitário, eleitor do Tiririca, preferir Pepsi ao invés de Coca, não gostar de chocolate, confessar uma tara por mães de namoradas, contar que está juntando dinheiro pra uma cirurgia de mudança de sexo, enfim, não faltam incompatibilidades incontornáveis por aí.

É aquela coisa do limite, sabe? "Opa!! Pera aí! Isso também não!".

O casal acaba de transar e o cara resolve "se abrir" com ela:

- Sabe o que é? Sou nazista. Morro de tesão naquele bigodinho, por isso aliás é que me encantei com você quando te vi pelada...

Tudo bem, sei que esse exemplo foi exagerado, mas o que poderia ser pior do que um cara que sente tesão pelo bigodinho do Hitler? Talvez só mesmo alguém que realmente ache que funk carioca é um poema urbano.

Milk Shake de amigos

Postado em 19 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pouca coisa é tão constrangedora quanto misturar amigos.

Sei que ficou confusa a frase acima, mas você já vai me entender. Cada um de nós é um indivíduo único, mas ainda assim nos dividimos no que somos para nossa família, nossos amigos, nossos colegas de trabalho, a turma da rua, o pessoal do futebol, a namorada, os filhos.

Cada um nos vê de forma diferente e terminamos agindo mesmo diferente junto de cada um deles.

Essa estranha (e na maioria das vezes despercebida) esquizofrenia social - o sujeito que é bom moço em casa, coroinha na igreja e no final de semana vira party animal - é potencial usina de constrangimentos, que geralmente acontecem quando estes grupos se misturam.

Mais ou menos como se algum amigo que treina boxe contigo te pegasse depilando o peito ou a turma do seu fã-clube do Bolsonaro te ver numa aula de dança de salão.

Misturar amigos de épocas diferentes da nossa vida também gera esse tipo de situação.

Você rersolve sair com a turma da sua pós-graduação em psicologia e encontra o pessoal da rua que você morou há uns 15 anos atrás. Pro pessoal da pós você é aquele sujeito que senta na primeira fila, leva um iPad pra acompanhar a aula e namora uma socióloga que fala francês.

Mas pra turma da sua rua você é apenas o "Barraca", que vomitou na mesa do bolo de uma festa de debutantes e tinha a estranha mania de cuspir no seu copo de Coca-Cola só pra não ter que dar um gole pra ninguém.


Nota que rola um verdadeiro choque de "Eus"? E sempre algum cretino está ali para fazer com que seus dois "Eus" se choquem.

- Deixa eu apresentar aqui pra vocês o pessoal que morou comigo lá em Jacarepaguá: esse é o Paulinho, esse é o Marco Antônio, esse aqui é o Luciano. Esse é o pessoal que faz pós comigo.

- Porra, Barraca, nunca pensei que você conseguisse passar do 2º grau...

- Mas então, bom ver vocês, agora dá licença...

E assim como sempre tem um cretino para fazer seus "Eus" se chocarem, também sempre tem um do outro lado que fica curioso:

- Que negócio é esse de Barraca?

- Ah, ele não contou pra vocês isso não? É que a gente tinha uma professora de matemática muito boa e ele sempre ficava de pau duro na aula...sabe como é? Barraca armada?

Gargalhada geral, menos sua, é claro.

A meia hora seguinte é toda gasta com histórias sobre como você perdeu a virgindade com a empregada vesga do seu vizinho, sobre a vez em que você quase se afogou no mar e foi resgatado de helicóptero numa daquelas gigantescas puçás e sobre como ficou de recuperação em matemática, passando as férias inteiras na companhia da professora gostosa, que terminou te reprovando (daí a surpresa por você ter conseguido chegar na pós-graduação).

No final a experiência te lembra porque você resolveu estudar psicologia, já que, aos olhos dos outros, você lembra bastante um caso clínico.

Vai que é sua, Saci!

Postado em 12 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Se tem uma lei que pegou no Brasil, esta é a lei das carapuças. Todo mundo age como se estivesse tentando roubar uma bala juquinha nas Lojas Americanas e de repente ouvisse uma sirene de polícia.

"É comigo? É comigo?".

Parece incrível, mas ainda que neguem, a maioria das pessoas sofre de complexo de perseguição. Todos disfarçam se dizendo tímidos, dizendo que não gostam de ninguém se metendo nas suas vidas, que não ligam pra opinião dos outros e até mandando um "Coé? O que tá olhando?" se alguém encara demais na rua.

Tudo fruto da incrível capacidade que o ser humano tem de pensar que o mundo gira ao redor do seu próprio umbigo. O sujeito que sempre acha que estão olhando pra ele, falando dele, jogando indiretas para ele, na realidade é um puta de um egocêntrico.

E sim, muitas vezes estão olhando mesmo para nós, jogando indiretas para nós e até falando mal de nós pelas costas, mas acredite: é pela mais pura e simples falta de opção. Geralmente quando falta assunto é que você começa a falar mal dos outros. Observe em qualquer mesa de bar.


O Flamengo e o Corinthians já foram discutidos à exaustão, a política nacional idem, física quântica, dialética e até novelas de TV já foram devidamente esgotados, não sobra mais nada. Aí algum dos presentes - provavelmente estimulado pelo álcool - dá a deixa:

- A Claudinha saiu com o Pedrão e disse que de "ão" ele só tem o apelido mesmo, porque quando chegaram no motel o negócio lá era uma mistura de Batom da Garoto com Lingua de Gato da Kopenhagen...

Pronto. O Pedrão virou o assunto, mas note que numa escala de interesses, ele ficou atrás do futebol, dos deputados do Congresso, de teorizações sobre o eu interior e até da novela das 6.

Perceba como se você estiver falando algo baixo com alguém, cochichando mesmo, e chegar uma terceira pessoa de repente, ela vai logo perguntar "estão falando de mim, né?".

Como se responde isso? "Sim, estamos falando que você é um babaca" ou "Não, estamos falando de um assunto mais interessante: a discografia do Oswaldo Montenegro"? Qual das duas opções ofenderia menos?

Na internet acontece a mesma coisa. Qualquer comentário feito nessas redes sociais é respondido por meia dúzia de pessoas que têm certeza absoluta de que aquilo ali foi dirigido a ela.

Se você diz que detesta aquele "pi-pi" do Nextel, surgem hordas de cretinos dizendo que você "não paga as contas deles e que eles usam Nextel o quanto quiserem". Se você diz que curte mulher inteligente, logo aparecem comentários como "Pô, sô muito intelijente, Nem, vem logo ni min que eu sei que cê tá afin".

E se for alguém da turma do Pedrão, bem, vai ficar perigoso dizer que tá afim de um chocolate.

Surfista maneiro, adolescente de comercial

Postado em 15 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Outro dia um amigo meu disse que não entende porque o Facebook traduziu o seu botão "like" (aquele que sinaliza quando uma pessoa gosta de algo que vê no perfil de outra) como "curtir" ao invés de "gostei".

Esse "curtir" fica parecendo propaganda de leite achocolatado, com um monte de adolescentes dizendo de maneira forçada coisas como "curti muuuito essa manobra meeeeu".

Isso me fez pensar no porque de todo adolescente de comercial soar assim, como diria, tão idiota mesmo.

Porque apesar de parecer impossível, jovens em propagandas parecem ainda mais retardados do que na vida real, afinal de contas, quem vira pra um amigo e manda coisas como "noooossa, que rrrampa irada caaaaara!"?

Sério, ninguém que não tenha sido exposto à radiação acorda de manhã e solta um "mãe, quero devorar um sucrilhow"?

É um fenômeno, aliás, que não é só restrito à adolescentes e comerciais de TV. Quase todo filme, seriado, novela ou coisas do gênero sempre mostra gangsters, surfistas, lutadores, universitários, etc, de uma forma, no mínimo, constrangedora.

Eu sempre lembro dos personagens do filme "Menino do Rio" ou do seriado "Armação Ilimitada" , todos surfistas que só falavam coisas como "auê, brother!" ou "nuossa, que onda chocante!". Ainda era criança na época, mas já ficava imaginando se para surfar bem era preciso fazer lobotomia ou algo assim.


Mais ou menos como pobre/favelado ou bandido/favelado de filme, que não acerta uma concordância, quase como se isso fosse uma imposição genética e também não consegue dizer uma frase sequer que não contenha um "caralho" ou "porra", ainda que o contexto não permita tal construção.

- Bom dia, tudo bem, porra?

- Bom dia, caralho!

- Quer pão com manteiga ou sem manteiga? Porque não tem mais nada pra comer.

- Sem manteiga, caralho.

Não dá pra levar a sério, nem sob a mira de um revólver cenográfico.

Bizarros também são esses diálogos de teatro ou filmes de época que colocam todo mundo falando na terceira pessoa, como se Romeu e Julieta fossem pular do alto de uma árvore a qualquer momento e distribuir veneno para a platéia.

Certa vez conheci uma garota que falava assim, na vida real. É sério.

Imagine como era esquisito até o osso ouvir coisas como:

- Ligue-me mais tarde, estarei na festa do Fulano, se fores, avisa-me.

Uma vez quase respondi :

- Claro, guardarei o número de vosso telefone com zelo na minha algibeira.

Mas tudo bem, enquanto eu não falar que nem adolescente de comercial, estou mantendo a dignidade.

Acho que ele vai ser alpinista...

Postado em 29 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Uma das maiores questões de qualquer ser-humano, mais do que onde está e para onde vai, mais do que dúvidas existencialistas sobre a existência ou não do destino, da sorte ou mesmo do Batman, mais até do que dúvidas sobre se gostar de observar pernas cabeludas (no caso dos caras) ou os seios da amiga (no caso das meninas) no vestiário da academia te faz ou não ser gay, é: o que eu vou ser quando crescer?

Muita gente cresce e não consegue responder essa pergunta, tanto que ela gera uma outra: pera aí, será que o que eu quero ser existe?

É mais fácil quando você é criança, afinal, tudo nessa fase da vida é possível. Eu já quis ser ditador do mundo. Sério, não me queira mal por isso. Meu sonho era oferecer algum país (não sei porque a Itália sempre me vinha em mente) para a minha esposa no dia do casamento.

Passava tardes no telhado de casa fungindo que derrubava aviões inimigos com uma bazuca de plástico azul. De novo, não me queira mal (ou ache que sou caso perdido) por isso, porque juro que eu mudei.

Depois da Síndrome de Mussolini Jr, eu desejei ser goleiro de futebol. Enquanto todo mundo queria ser o Zico, o Roberto Dinamite ou o Maradona, eu queria ser o Waldir Peres, o goleiro careca da Seleção Brasileira.

Sorte que não consegui uma coisa nem outra. Não virei goleiro e nem fiquei careca.

Conforme o tempo passa, a coisa complica um pouco.


Primeiro porque por mais que estudemos, nos preparemos, façamos cursos e o escambau, muito provavelmente em algum momento nosso destino será decidido por algum RH cretino, que depois de "O Aprendiz" resolveu pensar que é o Roberto Justus ou o Donald Trump.

Depois porque o mercado de trabalho atualmente funciona baseado no seguinte princípio: "vamos demitir três, contratar um para fazer todo o trabalho e pagar 1/3 do que pagaríamos a cada um deles". Tudo isso faz parte desse novo universo onde "empregado" passou a ser "associado" ou "colaborador", o que na verdade quer dizer que você não é merda nenhuma.

Aposto que qualquer um em sã consciência preferiria ser chamado de "lacaio" ou "escravo" e em troca trabalhar 20 horas por semana e ter 60 dias de férias.

Sonhos com astronautas, goleiros da seleção e super-heróis vão ficando para trás e no final das contas você opta por algo mais realista e vai ser dentista, advogado, engenheiro, professor, etc, etc. Mas que fique bem claro: se a democracia funcionasse mesmo e se fosse verdade que "podemos ser tudo que quisermos", você deveria estar nesse momento vestido com uma malha meio esquisita, usando uma máscara e disparando teias de aranha das mãos enquanto voa entre prédios.

Nenhum teste vocacional deve dizer que você tem propensão a cowboy de filme, mas nenhum também deve dizer que você leva o maior jeito para proctologista ou técnico de exame de fezes e no entanto muita gente acaba fazendo isso pra viver.

Aliás, se essas vocações aparentes funcionassem mesmo, talvez fosse mais fácil do que parece. Outro dia falava com uma amiga e perguntei sobre filho de 2 anos dela, o diálogo valeu meu dia:

- E aí? Como vai o Arthur?

- Ele tá bem, levadíssimo...inclusive acho que vai ser alpinista já que é a décima vez que eu tenho que correr para tirá-lo de cima do armário...

Seja sempre você mesmo, mas não precisa exagerar

Postado em 20 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Não conheço um cara que não deseje namorar uma garota alegre, pra cima, carinhosa e, principalmente, meio sedenta de sexo. Se você conhece algum, fique sabendo que ou é viado ou então está mentindo pra você.

Só que seja sua paciência, sua capacidade de tolerância aos efeitos do álcool ou mesmo seu cheque especial, tudo tem um limite. Imagine uma pessoa intensa, tipo uma coletânea de frases da Clarice Lispector.

Pois é, é muito legal nos primeiros dias, até nas primeiras semanas, mas tente pensar em conviver com uma TPM que dura 24 horas, 7 dias por semana. É pior do que porre de vinho.

Tenho pra mim que a única coisa que em excesso não faz mal é dinheiro mesmo.

Sim, porque você passa a vida querendo uma garota carinhosa, fofa, dedicada e aí finalmente conhece uma. Ela quer te alimentar, te botar pra dormir, te acordar com beijinhos no meio da noite, ver filmes românticos, dividir taças de sorvete.

Só que um belo dia você descobre que dividir sorvete é um saco, porque você prefere menta e ela curte tutti-frutti, encara a realidade de que comédias românticas são um saco e, no meio de uma madrugada onde tudo o que você mais queria é poder continuar dormindo (de preferência até meio-dia), um pensamento te assalta: porque diabos essa maluca fica falando com voz de criança o tempo todo? Porra, me deixa dormir!

O mesmo acontece com a ninfomaníaca. Um belo dia você enche o saco de passar suas tardes de sábado jogando bola com os amigos e as de domingo vendo jogo de futebol na TV. Pensa que uma namorada e um pouco de sexo fariam bem na sua vida (aquele filme com a Tracy Lords ajudou muito na parte do sexo).


Até que sua prima te apresenta para uma amiga dela da faculdade. Bonita, viajada e com pinta de atriz pornô, exatamente o que você queria. Ela usa decotes que terminam na virilha e vestidos com fendas que terminam nas axilas, mais desinibida só mesmo a Cicciolina.

Por alguma razão ela té dá mole, vocês ficam e tudo corre conforme o esperado, entre pés abrindo seu zíper por baixo de mesas de restaurante e gestos lascivos com canudinhos de milk shake em pleno Mc Dia Feliz.

Mas chega uma hora em que você começa a sentir saudade daquela ex-namorada fofa que te acordava no meio da noite com voz de criança e não vestida de couro, com uma máscara de Darth Vader e um chicote na mão com essa agora.

Sem contar as situações um tanto vergonhosas, como quando ela tirou seu tio de 70 anos para dançar o "Funk das Peladinhas" durante o casamento do seu primo, com direito a uma simulação de sexo oral numa garrafa de prosecco e tudo.

Nesse momento você esquece as massagens com óleo de canela, as roupas de odalisca, as fantasias de coelhinha da Playboy e até o curso de pompoarismo que ela está fazendo e pede encarecidamente:

- Meu amor, será que você poderia ser um pouco menos, como eu diria, um pouco menos você?

É aquela velha história: seja você mesmo, só não exagere.

E o pessoal lá da rua?

Postado em 6 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Você entra no Facebook e vê que tem lá uma solicitação de amizade, abre a página e encontra a foto de uma morena de olhos verdes, linda, bonita e provavelmente bem gostosa (sabe como é, mulher quando é boa dá pra ver só pelo rosto o que vem do pescoço pra baixo).

Apesar de não fazer a mínima idéia de quem seja, uma estranha animação vai tomando conta, afinal, ainda que você saiba que uma mulher daquelas geralmente não dá mole pra um cara como você, não vai ser você que vai avisá-la disso.

E talvez isto te faça esquecer uma coisa muito importante, como já diz o batido ditado popular: quando a esmola é muita, até o santo desconfia. Só quem não desconfia é você, idiota, que clica em banners achando que vai ganhar um iPad de graça e pensa que chove mulher no Facebook.

Mas tudo bem, você aceita o tal pedido de amizade e minutos depois ela te procura na janelinha de chat:

- Tudo bem? Como vai?

- Tudo bem, e ai?

- Quanto tempo, né? Você está mudado!

- Pra melhor ou pra pior?

- Bobo!

Até aqui, você já percebeu que não faz a menor idéia de quem seja, ainda que ela te conheça. Sua mente gira em torno de duas possibilidades: era alguma baranga do seu colégio que ficou maravilhosa ou então você precisa urgentemente procurar um geriatra, porque sua memória está a perigo, afinal, esquecer uma mulher daquelas é imperdoável.

- Mas e então, você está casada?

- Nada, ninguém quer nada sério...

- Pois é, um problema!

Quem é ela? E se for alguma ex-namorada do seu irmão, alguém que te deu um fora durante aquele último porre que você tomou num casamento e tirou a avó da noiva para dançar macarena?


- Mas e aí? O que tem feito?

- Nada, trabalho demais e chego cansada em casa, só dá tempo mesmo de ir pra academia.

Arrá! Academia! Viu? Sabia pela cara que era gostosa.

- Mas e você? Tem saído muito? Muitas namoradas?

- Tô quieto, lendo, ouvindo música, passei da fase de pegação e bagunça.

Omita o fato de ter ido numa micareta no sábado, ainda que você deteste música baiana.

- E o pessoal lá da rua?

- Ah, nem vejo mais ninguém, mudei faz tempo, perdi o contato.

- Adorava ver vocês jogando futebol no campinho.

Campinho? Futebol? Porra, você jogava tênis e sua rua só tinha uma pista de skate.

- É, o campinho...

- Saudade do Pedrinho, do Alex, do Cabelo.

- Pera aí, eu não conheci nenhum desses caras lá na rua...

- Como não? O Cabelo era teu vizinho!

- Meu vizinho? Impossível.

- Você não é filho da Tia Thereza? Irmão do Paulo?

- Errr, não...

- Hahahahahahaha você é o cara errado então, tinham dois com o mesmo nome, achei que você era meu vizinho, achava ele tão bonitinho, mas você é o outro...

- Poxa, mas se você achava que ele era bonitinho e me achou parecido com ele, já é um começo, não?

- Ah, engraçadinho. Tenho que desligar, tá? Desculpe a confusão aí.

Depois disso, se te serve de consolo, um xará seu vai se dar muito bem, afinal alguma vizinha ficou boazuda e agora vai dar mole pra ele.

Pensando bem, não, não te serve de consolo.

Viva a Juventude

Postado em 4 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

A busca pela fonte da juventude e, mais tarde, o gigantismo do mercado de cirurgias plásticas comprovam: bom mesmo é ser jovem.

Muita gente vai dizer que não, que na verdade ruim mesmo é ser velho, mas não vou entrar em polêmica, isto aqui é uma ode à juventude e não uma diatribe contra a velhice.

Uma ode ao tempo em que todas as amizades são para sempre, em que os sorrisos, teimosos, não saem da nossa cara. Um tempo em que ainda não descobrimos que não existe amizade eterna e que sorrir de tudo o tempo todo é meio retardado.

Nossa maior preocupação é passar de ano e contas, impostos, multas e mensalidades ainda não tiram nosso sono. Mais tarde vamos descobrir que talvez se nossa preocupação não fosse só passar de ano, mas aprender uma coisa ou outra, bem, esquece, ninguém fica rico mesmo trabalhando.

A juventude é um brigadeiro. Um gigante brigadeiro de colher, que devoramos sem o menor medo da balança, sim, porque a inocência termina no exato momento em que você descobre que brigadeiro engorda e começa a se preocupar com isso.


Os amores são todos que nem Romeu e Julieta, eternos, talvez num prenúncio do que se avizinha, que são alguns casamentos problemáticos com um tentando colocar chumbinho na comida do outro. Bom, pelo menos o veneno permanece na história.

Ser jovem é o primeiro sutiã, aquela coisa meio desengonçada colocada aonde um dia, provavelmente, haverão peitos, os mesmos peitos que um monte de gente vai tentar ver e/ou pegar durante um bom tempo antes de conseguir, ainda que esse tempo esteja ficando bem mais curto atualmente,

É quando pensamos que o sono é mera formalidade entre uma festa e a praia no dia seguinte e não o imperativo que é hoje em dia, entre a hora que o despertador toca, o café da manhã e o resto do dia.

Tem mais um monte de coisas boas, como poder usar bermuda em pleno centro da cidade ao meio-dia durante a semana e ninguém achar que você é turista, vagabundo ou surfista (ou os três juntos) e poder gostar de videogame sem que pensem que você tem algum atraso mental.

Ser jovem é não ter vergonha de ser ridículo, como essas multidões que hoje são fãs de bandas adolescentes e choram por cantores de sertanejo universitário. Ela, a vergonha, chega mais ou menos quando a juventude vai embora.

Pergunte para quem já usou pochete, mullet ou ombreiras se estou mentindo.

Mas ainda que não existissem as amizades eternas, os amores épicos, os sutiãs complacentes, os brigadeiros de colher e as fases do videogame, tem mais uma coisa que é muito legal no fato de ser jovem: não precisamos correr atrás da juventude.

Nada de plásticas, academias, cremes, injeções de extrato de berinjela asiática, massagem javanesa, comprimidos de sal do mar morto, preocupações com sódio ou gordura trans, nada disso.

Ser jovem é não precisar colocar máscaras de lama na cara, ficando com aquela aparência de que um ET vomitou em cima de você.

E só por isso, já merece essa exaltação.

Vamos admitir: homens são fáceis

Postado em 1 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

"Homem é tudo igual", "homem é tudo galinha", "homem não presta".

Tirando "juro que não é pra comprar cachaça" ou "o cachorro comeu o meu dever de casa", essas frases anti-homem são algumas das mais repetidas.

Só que, não sei se feliz ou infelizmente, elas têm um fundo de verdade. Basta ver uma rodinha de homens.

Seja onde for, em português ou javanês, uma roda de homens vai girar em torno de uma variedade bem reduzida de assuntos, a saber: carros, mulheres, futebol ou brigas.

Quando não estão contando sobre alguém que bate mais do que o Chuck Norris, sobre o último lançamento da Chevrolet ou sobre o golaço do Messi, bem, sobram peitos e bundas. Assim são os homens.

Sobre não prestar, bem, não concordo que todo cara seja uma espécie de Dominique Strauss-Kahn enrustido, nada disso. Mas a maioria está sempre de antena ligada e por mais que sua mulher seja linda, bonita, gostosa, cheirosa, a novidade sempre é um atrativo.

E quando surge a oportunidade, alguns pensam em como gostam da sua namorada, em como ela é legal e faria falta na sua vida e deixam a novidade passar, outros terminam com uma tornozeleira eletrônica sob fiança ou pelo menos um pé no rabo quando são descobertos.

Mas, quando solteiros, se tem algo que une 99,9% dos seres do sexo masculino é que eles não conseguem resistir a quase ninguém. O critério de seleção é tão alto quanto o do vestibular da Estácio: todo mundo passa.


É por isso que ocorre um fenômeno curioso: um cara pode ser bonito, ter uma situação financeira legal, se arrumar, se perfumar e sair de casa num sábado à noite com a intenção de terminar aquele dia num quarto com alguém.

Só que a chance dele não pegar ninguém e terminar a noite apelando para uma termas às 4:30 da madrugada, no auge do desespero, é bem considerável.

Mas o contrário não se repete.

Se uma mulher bem mais ou menos, com mais de 30 anos morando na casa dos pais e vivendo de mesada, voltando da praia toda desgrenhada e sem o menor traço de perfume resolver que vai pegar alguém nos próximos 10 minutos, acredite, ela consegue.

Isso porque fatalmente ela vai cruzar com um homem no caminho e para o homem se interessar por uma mulher, o critério básico parece ser simplesmente ela estar interessada por ele também.

Aposto que já aconteceu com todo mundo, um amigo vem contar a novidade e o diálogo é bem parecido com esse:

- Sabe a Marcinha?

- Quem? Aquela meio vesga?

- Pois é, me disse que tá afim de te dar.

- Sério? Até que ela é bem gostosinha.

Homens parecem usar um letreiro na testa com os dizeres "Você me quer? Eu te quero", e a menos que a mulher seja algo totalmente fora de questão, tipo mais feia do que um acidente de avião num cemitério, a frase servirá para ela, seja ela quem for.

Porque o fato é que sim, somo fáceis. E nem cobramos tão caro.

Sonho de consumo: um inverno de 11 meses

Postado em 22 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Todo mundo tem um sonho. O meu é viver sempre no outono. Como sou modesto, nem peço aqueles maravilhosos dias frios de inverno, o outono com suas manhãs mornas e as tardes frescas já me satisfaz.

O fato principal, porém, não é essa minha adoração pelos períodos mais frios do ano, mas o meu horror aos períodos mais quentes. A primavera, para mim, é um verdadeiro outono sentimental, psicológico. Assisto com horror àqueles bichinhos de luz, que prenunciam os meses desconfortáveis e insalubres que estão adiante.

Se pudesse - e se jogasse - seria milionário da Megasena e viveria o ano inteiro no hemisfério contrário ao do verão. Tudo bem que você me ache exagerado, mas se tiver um pouco de paciência te explicarei meus motivos e, talvez, ao final, você há de concordar comigo.

Pra começar aquelas pizzas embaixo do braço, sabe? Aquele suor provocado pela sensação térmica de uma cloaca de galinha que faz todo mundo parecer untado para ser assado, o que não deixa de ser uma verdade.

No inverno, não vemos pessoas com aquelas famigeradas e asquerosas toalhinhas para secar o suor e nem somos obrigados a sentir cheiro de desodorante vencido nos ônibus e trens do metrô, com o consequente contato com corpos suados.

Na boa, quem gosta de suor alheio que vá ser ralo de sauna.

Mas não só as sensações térmicas incomodam.

No inverno não tem músicas da Simone cantando nessa época de Natal que nada tem a ver com a roupa do Papai Noel. Também não tem especial do Roberto Carlos ou retrospectivas na TV.

Lá no Hemisfério Norte a coisa é diferente, mas não é lá que eu vivo, então não tenho nada com isso.


A nossa primavera-verão é tempo dos pavores, supertições e listas de ano novo. Aquela coisa de sair por aí de branco, cueca ou calcinha amarela, pulando ondas e fingindo que realmente acredita que alguma coisa muda do dia 31 para o dia 1º.

Mas quem dera fosse só isso, porque piora. Junto com o aumento da conta de luz - afinal não conheço um cretino que diga que adore verão mas também não ame um ar-condicionado - chegam as vinhetas da mulata Globeleza, os sambas de enredo e alguma moda imbecil vinda da Bahia.

Até entendo se o cara amar o verão e for um vagabundo que passa o dia na praia. Pra essa gente não importa muito a estação. Mas acordar de manhã, sair de casa com um calor de 35º e trabalhar o dia inteiro não é coisa que um ser humano normal goste.

Pode perceber (e aqui me repito sem o menor pudor), todo cretino que diz adorar verão e um "calorzinho" curte mesmo é ficar na água gelada do mar e trancado num ar-condicionado. Pra mim a coisa deveria funcionar assim:

- Curte um calorzinho, amigão? Então quero ver dormir à noite sem usar nem ventilador.

- Adora o verão? Então vai fazer footing na Avenida Brasil ou na Marginal Tietê ao meio dia.

E só pra completar, veja bem como a coisa é séria, além de não ter Globeleza, axés e todo o lixo carnavalesco, além, é claro, do calor, no outono-inverno não tem Big Brother Brasil.

Só por isso a estação já merecia durar uns 11 meses.
 
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