"Tiramos o site da França do ar!"
"Vamos fazer uma petição online contra os alemães!".
Imagina que palhaçada seria a 2ª Guerra Mundial se fosse hoje em dia.
Sério, fiquei pensando nisso um tempão. Imaginei velhas fábulas tomando direções totalmente opostas, como o Romeu se matando porque não recebeu o SMS da Julieta a tempo (ela estava sem crédito no celular) ou então os Correios não entregando o sapatinho de cristal comprado no Mercado Livre, porque no lugar veio uma caixa com um tijolo dentro.
Só que como essas histórias são de ficção, não teria nada demais que fossem adaptadas aos dias de hoje, mas e aquelas de verdade, como no exemplo da 2ª Guerra?
Na revolução francesa tentariam fazer uma postagem no Facebook: quem apóia a monarquia "curte", quem prefere a república "compartilha" e no final, adivinha? Não ia dar em nada.
Já os pais fundadores dos Estados Unidos ficariam envolvidos numa questão mais grave, afinal, a enquete online terminaria empatada: um terço preferiria que o novo país se chamasse "Estados Unidos da América", outro terço preferiria "União dos Estados da América" e o último acharia melhor "Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da América".
Depois de muita discussão eles provavelmente decidiriam que era melhor esquecer daquela briga com os ingleses, e todo mundo ia se juntar num encontro no Starbucks.
Noé, aquele da Bíblia, ao saber do dilúvio não ia correr para construir uma arca . Ao invés disso abriria uma ONG, um site, um blog e passaria as tardes pedindo doações e enviando fotos de filhotes de cachorro por email, em arquivos de Power Point com músicas do Kenny G. Depois que a chuva passasse e as águas baixassem, não teriam sobrado nem as baratas na face da terra (o que, no caso das baratas, de certa forma nem seria tão ruim).
Santos Dummont e os Irmãos Wright travariam uma batalha feroz para decidir quem afinal inventou o avião, quem conseguisse seguidores mais rápido no Twitter levaria a batalha. No final o inventor do avião seria conhecido para sempre como Charlie Sheen, que foi expulso de um seriado de comédia, conseguiu 1 milhão de seguidores em um dia (isso são fatos reais) e...inventou o avião.
Os alemães criariam um evento no Facebook: a festa da reunificação. 200 mil pessoas confirmariam presença, 20 apareceriam e o muro estaria lá até hoje, mesmo porque, a turma do lado Oriental não possuiria internet e nem saberia do evento.
E o Brasil? Provavelmente ainda seríamos Reino Unido de Portugal e Algarve (ou qualquer coisa parecida), já que Dom Pedro até pensaria em dar o famoso "Grito do Ipiranga" mas no fim iria parar mesmo num grito de carnaval, que além de ter whisky com energético liberado a noite toda, ainda era parte de uma promoção desses sites de compra coletiva.
Tudo por R$19,99. Bem melhor do que esse negócio de ser independente, afinal de contas, o príncipe só tinha 23 anos e hoje em dia antes dos 40 ninguém precisa mesmo sair da casa dos pais.
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Como seu email pode arruinar uma entrevista de emprego
Postado em 10 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário
Uma entrevista de emprego funciona mais ou menos como aqueles questionários de sites de encontro: você tenta mostrar suas qualidades para impressionar alguém que procura por alguém.
A maior diferença é que você talvez não termine a entrevista nu (mas isso o Seinfeld já disse mais ou menos desse jeito) e também no caso do site de encontro, você provavelmente não vai receber um salário caso tudo corra bem.
Em todo caso, impressionar é a questão. Colocamos uma roupa legal, penteamos o cabelo, fazemos a barba, as mulheres se maquiam.
Outra semelhança de uma entrevista de emprego para um primeiro encontro é que tudo sempre parece muito melhor antes de você conseguir. A pessoa parece bonita, charmosa, interessante, o emprego parece legal, o ambiente sensacional. Só que depois que já são seus (a pessoa e o emprego) é que você vê o bafo de manhã, as TPMs, o futebol de todo sábado a tarde, o tiozinho do faturamento que sempre faz piadas sexuais até mesmo envolvendo clipes e papel, o salário que nunca chega a conhecer o dia 20 de cada mês.
Mas como na entrevista a intenção é entrar (num primeiro encontro não deixa de ser a mesma coisa), então você faz de tudo para isso.
Aumenta suas qualidades, sua experiência. Aquele estágio no mercadinho do seu tio em Santo Antônio de Pádua vira uma "sólida vivência em atendimento ao consumidor e em distribuição", aquela festa infantil que você ajudou sua amiga a fazer vira "proficiência em produção de eventos", mais ou menos como você preenche aquele formulário do "Love Encontros" dizendo que faz musculação 3 vezes por semana quando na realidade você não passa na frente da academia há 3 anos.
Mas o legal é que pode ser que dê certo. Você deixa lá seu currículo e sai da entrevista praticamente com o emprego garantido e é aí que tudo fica bem diferente do tal site de encontros.
Porque é justamente quando o cara resolve te mandar um email avisando que você foi aceito para a vaga que ele vai lá e lê que o seu endereço eletrônico é algo como marcelogatinho69@sexmail.com, tatixuxinhafunk@maeloira.org ou luizinhowXD@clubedomickey.us.
Nessa hora, você que poderia até arrumar um encontro, acaba de perder o emprego.
A maior diferença é que você talvez não termine a entrevista nu (mas isso o Seinfeld já disse mais ou menos desse jeito) e também no caso do site de encontro, você provavelmente não vai receber um salário caso tudo corra bem.
Em todo caso, impressionar é a questão. Colocamos uma roupa legal, penteamos o cabelo, fazemos a barba, as mulheres se maquiam.
Outra semelhança de uma entrevista de emprego para um primeiro encontro é que tudo sempre parece muito melhor antes de você conseguir. A pessoa parece bonita, charmosa, interessante, o emprego parece legal, o ambiente sensacional. Só que depois que já são seus (a pessoa e o emprego) é que você vê o bafo de manhã, as TPMs, o futebol de todo sábado a tarde, o tiozinho do faturamento que sempre faz piadas sexuais até mesmo envolvendo clipes e papel, o salário que nunca chega a conhecer o dia 20 de cada mês.
Mas como na entrevista a intenção é entrar (num primeiro encontro não deixa de ser a mesma coisa), então você faz de tudo para isso.
Aumenta suas qualidades, sua experiência. Aquele estágio no mercadinho do seu tio em Santo Antônio de Pádua vira uma "sólida vivência em atendimento ao consumidor e em distribuição", aquela festa infantil que você ajudou sua amiga a fazer vira "proficiência em produção de eventos", mais ou menos como você preenche aquele formulário do "Love Encontros" dizendo que faz musculação 3 vezes por semana quando na realidade você não passa na frente da academia há 3 anos.
Mas o legal é que pode ser que dê certo. Você deixa lá seu currículo e sai da entrevista praticamente com o emprego garantido e é aí que tudo fica bem diferente do tal site de encontros.
Porque é justamente quando o cara resolve te mandar um email avisando que você foi aceito para a vaga que ele vai lá e lê que o seu endereço eletrônico é algo como marcelogatinho69@sexmail.com, tatixuxinhafunk@maeloira.org ou luizinhowXD@clubedomickey.us.
Nessa hora, você que poderia até arrumar um encontro, acaba de perder o emprego.
O lado bom de não ser cool
Postado em 6 de out. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Há um tempo li que galinhas não voam tão alto quanto urubus, mas pelo menos não comem carniça e nem são sugadas por turbinas de aviões.
Dito de outra forma, você jamais vai se espantar se um amigo seu aparecer usando ombreiras e mullet se ele sempre tiver sido chegado num visual trash anos 80. Mas com certeza você vai se espantar se um dia aquela gostosa do seu trabalho sair de férias e voltar de cabeça raspada, com uma suástica tatuada na têmpora e pedindo pra ser chamada de "João" a partir de agora.
Disse tudo isso porque outro dia a aparição na TV do vocalista e líder do Guns'N'Roses, Axl Rose, durante o show da banda no Rock in Rio, causou tanta comoção que eu pensei que ele estava torturando filhotes de coelho no palco.
Mas não foi nada disso, todo mundo no Twitter, no Facebook, nos bares, esquinas e até nas aldeias da Amazônia estavam indignados porque o sujeito ficou velho e gordo. Isso mesmo: velho e gordo. Nada de coelhos torturados, nada de sacrifício de virgens vestidas de Branca de Neve, nada de velhos travestis plantando bananeira usando saias, mas apenas o fato do Axl Rose ter envelhecido.
Quase ninguém pensou no fato de que a menos que ele fosse um mutante, um vampiro ou um Highlander, é meio que normal ele ficar velho.
Mas aí volta a história da galinha e do urubu. Alguém por acaso reclama que o Lemmy do Motörhead ficou feio, gordo ou esquisito com o passar dos anos? Não. Simplesmente porque ele nunca foi um sex symbol mesmo.
Daí a minha teoria de que não ser cool tem um lado bom. Pense no pessoal do seu colégio. Todo mundo ficou mais ou menos igual eram nossos pais (menos os que tinham pais bonitos): uns carecas, outros barrigudos, outras viraram pudins de celulite, mas a gente só se choca mesmo com quem era bonito. Os feios só mudam de feiúra e alguns até ficam melhores do que eram.
A mesma coisa com quem já foi considerado gênio. Ninguém se irrita se um imbecil resolver falar alguma imbecilidade, mas se a pessoa for conhecida pela sua inteligência, não convém de uma hora pra outra aparecer demonstrando uma "intelijença".
Por isso existe um lado bom em ser aquele em que ninguém presta muito atenção, a não ser por uma estranha habilidade de fazer esculturas usando pão de forma e pasta de amendoim.
Você pode usar pochete, pedir pra parar o churrasco e tirar uma foto da picanha pra colocar no Orkut, fazer a brincadeirinha do "pavê ou pacomê" todo santo dia (mesmo que a sobremesa seja sorvete de papaya com M&Ms), aparecer no trabalho calçando uma sandália Croc amarela e até ir na praia usando sunguinha de crochê.
E ninguém vai se espantar, você nunca foi cool mesmo.
Dito de outra forma, você jamais vai se espantar se um amigo seu aparecer usando ombreiras e mullet se ele sempre tiver sido chegado num visual trash anos 80. Mas com certeza você vai se espantar se um dia aquela gostosa do seu trabalho sair de férias e voltar de cabeça raspada, com uma suástica tatuada na têmpora e pedindo pra ser chamada de "João" a partir de agora.
Disse tudo isso porque outro dia a aparição na TV do vocalista e líder do Guns'N'Roses, Axl Rose, durante o show da banda no Rock in Rio, causou tanta comoção que eu pensei que ele estava torturando filhotes de coelho no palco.
Mas não foi nada disso, todo mundo no Twitter, no Facebook, nos bares, esquinas e até nas aldeias da Amazônia estavam indignados porque o sujeito ficou velho e gordo. Isso mesmo: velho e gordo. Nada de coelhos torturados, nada de sacrifício de virgens vestidas de Branca de Neve, nada de velhos travestis plantando bananeira usando saias, mas apenas o fato do Axl Rose ter envelhecido.
Quase ninguém pensou no fato de que a menos que ele fosse um mutante, um vampiro ou um Highlander, é meio que normal ele ficar velho.
Mas aí volta a história da galinha e do urubu. Alguém por acaso reclama que o Lemmy do Motörhead ficou feio, gordo ou esquisito com o passar dos anos? Não. Simplesmente porque ele nunca foi um sex symbol mesmo.
Daí a minha teoria de que não ser cool tem um lado bom. Pense no pessoal do seu colégio. Todo mundo ficou mais ou menos igual eram nossos pais (menos os que tinham pais bonitos): uns carecas, outros barrigudos, outras viraram pudins de celulite, mas a gente só se choca mesmo com quem era bonito. Os feios só mudam de feiúra e alguns até ficam melhores do que eram.
A mesma coisa com quem já foi considerado gênio. Ninguém se irrita se um imbecil resolver falar alguma imbecilidade, mas se a pessoa for conhecida pela sua inteligência, não convém de uma hora pra outra aparecer demonstrando uma "intelijença".
Por isso existe um lado bom em ser aquele em que ninguém presta muito atenção, a não ser por uma estranha habilidade de fazer esculturas usando pão de forma e pasta de amendoim.
Você pode usar pochete, pedir pra parar o churrasco e tirar uma foto da picanha pra colocar no Orkut, fazer a brincadeirinha do "pavê ou pacomê" todo santo dia (mesmo que a sobremesa seja sorvete de papaya com M&Ms), aparecer no trabalho calçando uma sandália Croc amarela e até ir na praia usando sunguinha de crochê.
E ninguém vai se espantar, você nunca foi cool mesmo.
Alguns problemas da comunicação humana quando é intermediada por computadores
Postado em 4 de out. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Ter um MSN ou Facebook hoje em dia parece mais obrigatório do que ter um celular, afinal, quantas vezes você já se pegou trocando seu endereço online ao invés de um número de telefone?.
E até que estas formas de comunicação sejam abandonadas por alguma coisa que neste momento vive apenas na cabeça de um adolescente nerd em algum lugar do mundo (e vai virar moda só daqui a alguns anos), é com elas que vamos conviver por um bom tempo.
Só que o uso do computador para intermediar as comunicações humanas criou problemas que, por razões óbvias, não existiam na época do telefone.
Por exemplo: se você agora pode se esconder de certas pessoas (o que te ajuda a fugir dos chatos), também fica sujeito a cobranças do tipo "você estava online mas ficou invisível só pra não falar comigo".
Outro problema é que, se ao conversar pelo telefone, você não pode mudar a "formatação" da sua voz, em chats de internet precisa conviver com gente escrevendo em Comic Sans rosa ou Monotype lilás, além de coisas piscando, brilhando, saltando da tela e frases entremeadas de estrelas, flores, corações e cabras.
Mas se tem algo que não muda é que seja ao vivo, pelo telefone ou na internet, você ainda estará sujeito aos analfabetos funcionais, e terá que decifrar frases como "axuh ke keru i nu cinma ve o dezenho dos smurfes".
Na internet também é estranho falar com gente que é chegada em escrever usando caixa alta. Sim, porque caixa alta transmite uma agressividade que nem o Anderson Silva consegue passar por conta daquela voz fina que ele tem. Alguém que escreve assim parece sempre brigar, ainda que diga algo como "GOSTO MUITO DE VOCÊ, SABIA?".
Mas o pior de tudo são aquelas conversas que não fluem. Por exemplo, você vai contra a sua vontade no aniversário da um amigo, mas para sua surpresa encontra no mesmo grupo uma garota bonita, inteligente, boa de papo.
Ela curte ufologia, leu todos os livros da Anne Rice, é fã do Morrissey e bebe Grapette. Vocês conversam por horas e trocam email para se falar depois. Só que a mediação de um computador parece que acabou com toda aquela empatia, a transformou num oficial de imigração alemão, e aquilo que parecia mágica vira algo tão inspirador e excitante quanto suco de clorofila:.
- Tudo bem? Legal falar contigo de novo, adorei nossa conversa aquele dia...
- É?
- É sim, achei você diferente do pessoal que frequenta aquela boate, você salvou minha noite.
- Porque?
- Ah, todo mundo ali é meio playboy, sabe como é, aquele negócio de rave, micareta, cordão de prata, camisa polo com suéter pendurado no ombro...
- Ah, tá...
- Você tá meio calada, aconteceu alguma coisa?
- Não.
- Bom, acho que vou voltar pro trabalho aqui, o que você acha de combinarmos um cinema qualquer dia desses?
- Blz.
- Então tá, a gente se fala, sei lá, daqui a uns 10 anos mais ou menos.
- Ok.
É nessa hora que você pensa que era bem melhor quando as pessoas apenas trocavam números de telefone (ou escreviam cartas, sei lá).
E até que estas formas de comunicação sejam abandonadas por alguma coisa que neste momento vive apenas na cabeça de um adolescente nerd em algum lugar do mundo (e vai virar moda só daqui a alguns anos), é com elas que vamos conviver por um bom tempo.
Só que o uso do computador para intermediar as comunicações humanas criou problemas que, por razões óbvias, não existiam na época do telefone.
Por exemplo: se você agora pode se esconder de certas pessoas (o que te ajuda a fugir dos chatos), também fica sujeito a cobranças do tipo "você estava online mas ficou invisível só pra não falar comigo".
Outro problema é que, se ao conversar pelo telefone, você não pode mudar a "formatação" da sua voz, em chats de internet precisa conviver com gente escrevendo em Comic Sans rosa ou Monotype lilás, além de coisas piscando, brilhando, saltando da tela e frases entremeadas de estrelas, flores, corações e cabras.
Mas se tem algo que não muda é que seja ao vivo, pelo telefone ou na internet, você ainda estará sujeito aos analfabetos funcionais, e terá que decifrar frases como "axuh ke keru i nu cinma ve o dezenho dos smurfes".
Na internet também é estranho falar com gente que é chegada em escrever usando caixa alta. Sim, porque caixa alta transmite uma agressividade que nem o Anderson Silva consegue passar por conta daquela voz fina que ele tem. Alguém que escreve assim parece sempre brigar, ainda que diga algo como "GOSTO MUITO DE VOCÊ, SABIA?".
Mas o pior de tudo são aquelas conversas que não fluem. Por exemplo, você vai contra a sua vontade no aniversário da um amigo, mas para sua surpresa encontra no mesmo grupo uma garota bonita, inteligente, boa de papo.
Ela curte ufologia, leu todos os livros da Anne Rice, é fã do Morrissey e bebe Grapette. Vocês conversam por horas e trocam email para se falar depois. Só que a mediação de um computador parece que acabou com toda aquela empatia, a transformou num oficial de imigração alemão, e aquilo que parecia mágica vira algo tão inspirador e excitante quanto suco de clorofila:.
- Tudo bem? Legal falar contigo de novo, adorei nossa conversa aquele dia...
- É?
- É sim, achei você diferente do pessoal que frequenta aquela boate, você salvou minha noite.
- Porque?
- Ah, todo mundo ali é meio playboy, sabe como é, aquele negócio de rave, micareta, cordão de prata, camisa polo com suéter pendurado no ombro...
- Ah, tá...
- Você tá meio calada, aconteceu alguma coisa?
- Não.
- Bom, acho que vou voltar pro trabalho aqui, o que você acha de combinarmos um cinema qualquer dia desses?
- Blz.
- Então tá, a gente se fala, sei lá, daqui a uns 10 anos mais ou menos.
- Ok.
É nessa hora que você pensa que era bem melhor quando as pessoas apenas trocavam números de telefone (ou escreviam cartas, sei lá).
Porque estamos virando turistas japoneses
Postado em 14 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários
De repente todo mundo parece um turista japonês.
Sei que até eu tenho culpa no cartório nessa, já que faço igual muitas vezes, mas a grande responsável mesmo é a indústria fotográfica e suas câmeras digitais.
Se antes nós precisávamos espremer nossas fotos em, no máximo, 36 poses dos filmes, agora contamos com vários gigabiytes para usar e desperdiçar eternizando abraços, viagens, a namorada pelada, filhotes de cachorro, pudins, cheeseburgers, insetos na parede, o vizinho barrigudo saindo do banho, etc.
Nossa sociedade sofre de obsessão pelo registro (ou "Síndrome do Turista Japonês"). Eu sofro de obsessão pelo registro. Sentamos num restaurante e quando chega aquele brownie delicioso de sobremesa, comemos vorazmente, certo?
Mais ou menos. Primeiro sacamos o celular e tiramos uma foto, depois, aí sim, é que fazemos o remake de "Shark Attack".
Se estamos diante de um monumento qualquer, seja em Paris ou em Duque de Caxias (deve ter algum por lá), primeiro tiramos uma foto na frente do monumento, depois ao lado do munumento e terminamos correndo dos guardas quando tentávemos tirar uma foto na garupa da estátua eqüestre do monumento.
Sem contar os duzentos e setenta e nove closes e tomadas diferentes. Viramos aquele anão da Amélie Poulain.
Acho que isso é fruto da efemeridade dos nossos tempos. Se antes aquela estátua do General Brancaleone era colocada no centro de uma praça e permanecia ali por séculos, hoje algum prefeito pode criar alguma comissão de artistas que após uma dezena de reuniões vão concluir que a estátua é "esteticamente feia" e precisa ser retirada.
E assim como a paisagem urbana, tudo que nos cerca é efêmero. Você tira foto de um BIS sabor limão porque não sabe até quando a Lacta vai continuar produzindo-o. Tira foto junto com seus amigos no churrasco, na praia, no rodízio de pizza, na delegacia registrando ocorrência, vomitando na micareta, porque sabe-se lá quanto tempo aquela amizade vai durar.
Antes nossa infância era toda coberta com 100, 200 fotos. Hoje quem quiser relembrar os tempos de criança achará um acervo com algo em torno de 500 gigabytes e 100 mil fotos. Vai precisar contratar um CSI pra fazer o trabalho.
Não basta mais "estar ali", é preciso registrar cada pequeno detalhe para mostrar depois.
Aí, vendo esses álbuns que as pessoas colocam na internet, concluo que muitas delas só conheceram realmente a Torre Eiffel ou o Empire State Building semanas depois, quando chegaram em casa e foram revirar as fotos que tiraram no local.
É mais ou menos como conhecer os lugares através de cartões postais, só que pagando um pouco mais caro por isso.
Sei que até eu tenho culpa no cartório nessa, já que faço igual muitas vezes, mas a grande responsável mesmo é a indústria fotográfica e suas câmeras digitais.
Se antes nós precisávamos espremer nossas fotos em, no máximo, 36 poses dos filmes, agora contamos com vários gigabiytes para usar e desperdiçar eternizando abraços, viagens, a namorada pelada, filhotes de cachorro, pudins, cheeseburgers, insetos na parede, o vizinho barrigudo saindo do banho, etc.
Nossa sociedade sofre de obsessão pelo registro (ou "Síndrome do Turista Japonês"). Eu sofro de obsessão pelo registro. Sentamos num restaurante e quando chega aquele brownie delicioso de sobremesa, comemos vorazmente, certo?
Mais ou menos. Primeiro sacamos o celular e tiramos uma foto, depois, aí sim, é que fazemos o remake de "Shark Attack".
Se estamos diante de um monumento qualquer, seja em Paris ou em Duque de Caxias (deve ter algum por lá), primeiro tiramos uma foto na frente do monumento, depois ao lado do munumento e terminamos correndo dos guardas quando tentávemos tirar uma foto na garupa da estátua eqüestre do monumento.
Sem contar os duzentos e setenta e nove closes e tomadas diferentes. Viramos aquele anão da Amélie Poulain.
Acho que isso é fruto da efemeridade dos nossos tempos. Se antes aquela estátua do General Brancaleone era colocada no centro de uma praça e permanecia ali por séculos, hoje algum prefeito pode criar alguma comissão de artistas que após uma dezena de reuniões vão concluir que a estátua é "esteticamente feia" e precisa ser retirada.
E assim como a paisagem urbana, tudo que nos cerca é efêmero. Você tira foto de um BIS sabor limão porque não sabe até quando a Lacta vai continuar produzindo-o. Tira foto junto com seus amigos no churrasco, na praia, no rodízio de pizza, na delegacia registrando ocorrência, vomitando na micareta, porque sabe-se lá quanto tempo aquela amizade vai durar.
Antes nossa infância era toda coberta com 100, 200 fotos. Hoje quem quiser relembrar os tempos de criança achará um acervo com algo em torno de 500 gigabytes e 100 mil fotos. Vai precisar contratar um CSI pra fazer o trabalho.
Não basta mais "estar ali", é preciso registrar cada pequeno detalhe para mostrar depois.
Aí, vendo esses álbuns que as pessoas colocam na internet, concluo que muitas delas só conheceram realmente a Torre Eiffel ou o Empire State Building semanas depois, quando chegaram em casa e foram revirar as fotos que tiraram no local.
É mais ou menos como conhecer os lugares através de cartões postais, só que pagando um pouco mais caro por isso.
O bonzinho, a exagerada, o esportista, o maridinho e o pára-raio de Heleninha Roitman
Postado em 22 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Certos assuntos são quase proibidos durante um namoro. Comentários sobre a amiga gostosa dela, sobre a fixação dele por camisas de futebol e sobre ex-namorados estão fora de questão, pelo menos teoricamente.
Mas se regras fossem para ser seguidas, bem, ninguém olharia pro decote da mulher do vizinho no elevador. Desde os 10 mandamentos até o Código Penal, tudo que é proibido é mais gostoso.
Quase toda mulher odeia que você fale sobre suas ex-namoradas, que para ela são todas putas, gordas, vacas e desequilibradas, que só faziam sua vida ser miserável e por isso não existe explicação que justifique o fato de você falar qualquer coisa sobre elas.
Já quando o assunto são os ex-namorados dela a coisa muda um pouco, afinal, são pessoas que, ainda que não tenham dado certo, a moldaram e a ajudaram a ser quem elas são hoje (e talvez isso explique o hábito dela revirar seus bolsos e ficar em posição de sentido quando toca o hino do Vasco).
E a verdade é que ex-namorados podem até não definir a garota , mas certamente explicam bastante sobre a sorte dela no amor.
Por exemplo, tem aquela que só tem ex bonzinhos. Todos são bons alunos, bons filhos, falam idiomas, tem futuro promissor e usam camisa polo com pulover de crochê pendurado no ombro. Cada um deles parece existir somente para te fazer perguntar: o que diabos ela está fazendo comigo?
Ainda mais porque provavelmente depois de um tempo você vai começar a achá-la meio chata.
Outro tipo é a superlativa. Ela é provavelmente meio mitômana, por isso todos os seus ex-namorados serem mais fortes do que o Conan, mais ricos do que o Eike, mais bonitos do que o Brad Pitt, mais generosos do que São Francisco de Assis, mais inteligentes do que Einstein e provavelmente tão verdadeiros que são frutos de um cruzamento entre a Fada do Dente e o Coelho da Páscoa.
Sua esperança é que um dia ela também se refira a você usando desses exageros, ainda que você desconfie que será "o maior babaca do mundo".
Os ex-namorados esportistas são uns dos mais difíceis de aturar. Quando namorava com um deles, ela estava sempre escalando, correndo, natando, saltando, atirando, acampando e mais qualquer outra coisa que as pessoas fazem enquanto você dorme até meio-dia todo sábado.
Para agradá-la você até resolve passar a ir na praia com regularidade, mas sair debaixo do guarda-sol para jogar frescobol já é demais.
Outro tipo complicado é o atencioso. Quando casar, ele dará um excelente "maridinho", sabe como é? O maridinho - pego essa emprestada do mestre Nelson - nunca grita, nunca diz não, nunca está indisposto. Seu esporte preferido é abrir portas, puxar cadeiras, dar presentes, falar usando diminutivos, imitar voz de criança e nunca, jamais, sob nenhuma hipótese dizer "não".
Você que se achava um gentleman até namorar a ex de um sujeito desses pode se preparar: em uma semana você vai pensar que é o Shrek.
O último tipo é o psicopata. Difícil alguém não esbarrar com um psicopata na vida. É aquele cara que colocou um vírus no GPS do celular dela só para acompanhar todos os passos, que espreita suas saídas por detrás dos postes e transformou a Kombi velha do avô numa imitação tosca de furgão de TV a cabo, que curiosamente agora vive estacionado do outro lado da rua, em frente a casa dela.
Tem mulher que atrai esse tipo de coisa, é como se ela fosse um pára-raio de Heleninha Roitman. Quase todo ex dela está preso ou sob algum mandato de restrição. Menos esse, que agora vive perseguindo vocês e aparece "sem querer" na fila de trás no cinema, o que te obriga a passar o filme inteiro tendo sobressaltos, imaginando alguém te atacando com uma faca ou um saco de pipocas.
E foi justamente por causa dele que ela comprou aquele aparelho de choque e o gás de pimenta que vive carregando na bolsa e que ela não hesitará em usar contra você, se por acaso você ameaçar comentar alguma coisa sobre a amiga gostosa dela ou falar de alguma ex sua.
Mas se regras fossem para ser seguidas, bem, ninguém olharia pro decote da mulher do vizinho no elevador. Desde os 10 mandamentos até o Código Penal, tudo que é proibido é mais gostoso.
Quase toda mulher odeia que você fale sobre suas ex-namoradas, que para ela são todas putas, gordas, vacas e desequilibradas, que só faziam sua vida ser miserável e por isso não existe explicação que justifique o fato de você falar qualquer coisa sobre elas.
Já quando o assunto são os ex-namorados dela a coisa muda um pouco, afinal, são pessoas que, ainda que não tenham dado certo, a moldaram e a ajudaram a ser quem elas são hoje (e talvez isso explique o hábito dela revirar seus bolsos e ficar em posição de sentido quando toca o hino do Vasco).
E a verdade é que ex-namorados podem até não definir a garota , mas certamente explicam bastante sobre a sorte dela no amor.
Por exemplo, tem aquela que só tem ex bonzinhos. Todos são bons alunos, bons filhos, falam idiomas, tem futuro promissor e usam camisa polo com pulover de crochê pendurado no ombro. Cada um deles parece existir somente para te fazer perguntar: o que diabos ela está fazendo comigo?
Ainda mais porque provavelmente depois de um tempo você vai começar a achá-la meio chata.
Outro tipo é a superlativa. Ela é provavelmente meio mitômana, por isso todos os seus ex-namorados serem mais fortes do que o Conan, mais ricos do que o Eike, mais bonitos do que o Brad Pitt, mais generosos do que São Francisco de Assis, mais inteligentes do que Einstein e provavelmente tão verdadeiros que são frutos de um cruzamento entre a Fada do Dente e o Coelho da Páscoa.
Sua esperança é que um dia ela também se refira a você usando desses exageros, ainda que você desconfie que será "o maior babaca do mundo".
Os ex-namorados esportistas são uns dos mais difíceis de aturar. Quando namorava com um deles, ela estava sempre escalando, correndo, natando, saltando, atirando, acampando e mais qualquer outra coisa que as pessoas fazem enquanto você dorme até meio-dia todo sábado.
Para agradá-la você até resolve passar a ir na praia com regularidade, mas sair debaixo do guarda-sol para jogar frescobol já é demais.
Outro tipo complicado é o atencioso. Quando casar, ele dará um excelente "maridinho", sabe como é? O maridinho - pego essa emprestada do mestre Nelson - nunca grita, nunca diz não, nunca está indisposto. Seu esporte preferido é abrir portas, puxar cadeiras, dar presentes, falar usando diminutivos, imitar voz de criança e nunca, jamais, sob nenhuma hipótese dizer "não".
Você que se achava um gentleman até namorar a ex de um sujeito desses pode se preparar: em uma semana você vai pensar que é o Shrek.
O último tipo é o psicopata. Difícil alguém não esbarrar com um psicopata na vida. É aquele cara que colocou um vírus no GPS do celular dela só para acompanhar todos os passos, que espreita suas saídas por detrás dos postes e transformou a Kombi velha do avô numa imitação tosca de furgão de TV a cabo, que curiosamente agora vive estacionado do outro lado da rua, em frente a casa dela.
Tem mulher que atrai esse tipo de coisa, é como se ela fosse um pára-raio de Heleninha Roitman. Quase todo ex dela está preso ou sob algum mandato de restrição. Menos esse, que agora vive perseguindo vocês e aparece "sem querer" na fila de trás no cinema, o que te obriga a passar o filme inteiro tendo sobressaltos, imaginando alguém te atacando com uma faca ou um saco de pipocas.
E foi justamente por causa dele que ela comprou aquele aparelho de choque e o gás de pimenta que vive carregando na bolsa e que ela não hesitará em usar contra você, se por acaso você ameaçar comentar alguma coisa sobre a amiga gostosa dela ou falar de alguma ex sua.
Já fui a Nova York, claro, mas sou mais assim, de esquerda
Postado em 13 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Um fenômeno estranho acontece com seres humanos, não sei se em todo o mundo, mas em boa parte do mundo que eu conheço, que é a nostalgia de coisas que passaram e, algumas, até de um período que o próprio nostálgico nem viveu, mas "sabe" que era muito bom.
Em "Meia Noite em Paris", o Woody Allen fala sobre isso muito bem. O protagonista é um roteirista que se lamenta por não ter vivido na capital da França durante os anos 20, considerados por ele como a "era de ouro". Só que quando finalmente conhece uma estudante de moda que viveu nesse período (não pergunte como, veja o filme), ele descobre que, para ela, a "era de ouro" não estava nos anos 20, período que considerava "chato e sem criatividade", e sim na Belle Époque.
Cada um nostálgico daquilo que não viveu.
Tudo isso não faz muito bem, afinal, não devemos desprezar tanto o tempo em que vivemos, ainda que eles sejam muitas vezes desprezíveis.
Mas até aqui só falei de arte, da Belle Époque, da Paris de artistas e filmes. O que dizer então de pessoas que sentem nostalgia por Gulags, expurgos, guerrilheiros e ditadores barbados fazendo discursos de 8 horas?
Nunca entendi muito bem o esquerdista de butique. Na verdade até entendo, mas confesso que não engulo muito.
Todos preocupados com a justiça social, com o direito à propriedade de quem invadiu terrenos em favelas, com os quilombolas, os oprimidos, os discriminados e, claro, o aquecimento global.
Nada contra acabar com a fome do mundo, diminuir desigualdades, respeitar diferenças, blá blá blá.
Mas esse pessoal é o mesmo que dá um chilique se ouve uma piada que considera "racista" ou "homofóbica" mas declara em pleno almoço de domingo que adoraria ver "Bush e toda a sua família serem mortos numa jaula de javalis".
É um povo intelectualizado mas que prefere ler uns resumos na Super Interessante do que se debruçar sobre um livro, senão pode faltar tempo pra ir beber um ice na loja de conveniência com a turma do condomínio.
Curtem uma sandália de couro, um forró pé de serra e são completamente "de raiz", tudo pra justificar o hábito de fumar um baseadinho de vez em quando, já que a maioria só pisou no Nordeste quando foi num resort em Porto de Galinhas ou no Carnaval em Porto Seguro.
São comunistas roxos, possuem toda a obra de Marx pronta para ler no iPad, mas ainda não conseguiram passar da primeira linha, porque preferem usar o tablet pra ver os episódios antigos de Gossip Girl.
Admiram Cuba e fazem questão de repetir para qualquer um que ouse chamar o regime castrista de ditadura que "não existem crianças de rua e nem analfabetos" na ilha. Esquecem do resto, mas o que é o "resto" para alguém que acha Che Guevara um herói, ainda que ele executasse pessoas por motivos tão sérios quanto roubar um pedaço de pão?
É um pessoal assim, meio de esquerda, pero no mucho sabe? Eles não chamariam o moleque de rua que eles defendem quando rouba o dinheiro de uma aposentada para tomar banho na piscina da casa deles, por exemplo.
E entre um período em Miami (o mais perto que já chegaram de Havana) e uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para combater doenças na Somália, eles não hesitam em levar seu espírito revolucionário ao encontro do Mickey Mouse, com um pulinho para compras em Nova York se possível.
Já estudaram fora, moram em bons bairros, possuem todos os bens de consumo que o dinheiro pode comprar, falam inglês, francês e quando resolvem entrar pro mercado de trabalho, arrumam logo uma bolsa do governo ou um trabalho numa ONG, mas no entanto detestam elite e chamam todo mundo de "burguês".
Sua vontade de mudar o mundo é tanta, que não hesitam em participar de eventos do Facebook e de campanhas pelo Twitter. E sentem que o mundo capitalista treme nas bases quando lê coisas como:
"Ianques go home! Morte à #Burguesia! Proletários: uni-vos! - about 23 hours ago via Twitter for iPhone".
Em "Meia Noite em Paris", o Woody Allen fala sobre isso muito bem. O protagonista é um roteirista que se lamenta por não ter vivido na capital da França durante os anos 20, considerados por ele como a "era de ouro". Só que quando finalmente conhece uma estudante de moda que viveu nesse período (não pergunte como, veja o filme), ele descobre que, para ela, a "era de ouro" não estava nos anos 20, período que considerava "chato e sem criatividade", e sim na Belle Époque.
Cada um nostálgico daquilo que não viveu.
Tudo isso não faz muito bem, afinal, não devemos desprezar tanto o tempo em que vivemos, ainda que eles sejam muitas vezes desprezíveis.
Mas até aqui só falei de arte, da Belle Époque, da Paris de artistas e filmes. O que dizer então de pessoas que sentem nostalgia por Gulags, expurgos, guerrilheiros e ditadores barbados fazendo discursos de 8 horas?
Nunca entendi muito bem o esquerdista de butique. Na verdade até entendo, mas confesso que não engulo muito.
Todos preocupados com a justiça social, com o direito à propriedade de quem invadiu terrenos em favelas, com os quilombolas, os oprimidos, os discriminados e, claro, o aquecimento global.
Nada contra acabar com a fome do mundo, diminuir desigualdades, respeitar diferenças, blá blá blá.
Mas esse pessoal é o mesmo que dá um chilique se ouve uma piada que considera "racista" ou "homofóbica" mas declara em pleno almoço de domingo que adoraria ver "Bush e toda a sua família serem mortos numa jaula de javalis".
É um povo intelectualizado mas que prefere ler uns resumos na Super Interessante do que se debruçar sobre um livro, senão pode faltar tempo pra ir beber um ice na loja de conveniência com a turma do condomínio.
Curtem uma sandália de couro, um forró pé de serra e são completamente "de raiz", tudo pra justificar o hábito de fumar um baseadinho de vez em quando, já que a maioria só pisou no Nordeste quando foi num resort em Porto de Galinhas ou no Carnaval em Porto Seguro.
São comunistas roxos, possuem toda a obra de Marx pronta para ler no iPad, mas ainda não conseguiram passar da primeira linha, porque preferem usar o tablet pra ver os episódios antigos de Gossip Girl.
Admiram Cuba e fazem questão de repetir para qualquer um que ouse chamar o regime castrista de ditadura que "não existem crianças de rua e nem analfabetos" na ilha. Esquecem do resto, mas o que é o "resto" para alguém que acha Che Guevara um herói, ainda que ele executasse pessoas por motivos tão sérios quanto roubar um pedaço de pão?
É um pessoal assim, meio de esquerda, pero no mucho sabe? Eles não chamariam o moleque de rua que eles defendem quando rouba o dinheiro de uma aposentada para tomar banho na piscina da casa deles, por exemplo.
E entre um período em Miami (o mais perto que já chegaram de Havana) e uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para combater doenças na Somália, eles não hesitam em levar seu espírito revolucionário ao encontro do Mickey Mouse, com um pulinho para compras em Nova York se possível.
Já estudaram fora, moram em bons bairros, possuem todos os bens de consumo que o dinheiro pode comprar, falam inglês, francês e quando resolvem entrar pro mercado de trabalho, arrumam logo uma bolsa do governo ou um trabalho numa ONG, mas no entanto detestam elite e chamam todo mundo de "burguês".
Sua vontade de mudar o mundo é tanta, que não hesitam em participar de eventos do Facebook e de campanhas pelo Twitter. E sentem que o mundo capitalista treme nas bases quando lê coisas como:
"Ianques go home! Morte à #Burguesia! Proletários: uni-vos! - about 23 hours ago via Twitter for iPhone".
Indústria pornô: antes e depois
Postado em 8 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Milhares de garotos de uma geração que não está tão distante conheceram o sexo através de desenhos eróticos e experiências pagas. Talvez isso não tenha mudado tanto hoje, quando os desenhos foram substituídos por vídeos e o bordel cheio de polacas por sessões pagas na webcam.
De Carlos Zéfiro até o RedTube, muita água passou pelas descargas desses banheiros onde adolescentes se trancam para dedicar-se ao prazer solitário.
O corpo feminino - perdoem-me as meninas, mas não posso fingir que já tive qualquer interesse pelo corpo masculino - era, ainda no meu tempo de moleque, um verdadeiro tesouro sem mapa. Não sei se hoje em dia alguém pode acreditar nisso, mas eu juro: uma simples alça de sutiã já era motivo para delirium tremens de nossa parte, que dirá um polêmico mamilo.
Não canso de contar como era a engenharia necessária para conseguir uma Playboy antigamente. Eu chegava na banca de jornal e pedia um Recruta Zero, um jornal O Globo, uma dúzia de balas juquinha e uma Playboy, "porque meu pai mandou comprar pra ele", sempre na esperança da revista de mulher pelada passar desapercebida no meio do pedido.
O jornaleiro ria, me entregava aquele monte de coisas e eu ia embora pra casa correndo, para ficar ali olhando peitos, bundas e a segunda coisa que mais nos deixava curiosos depois de um par de mamilos: os pentelhos das modelos. Vai entender, adolescente se contenta com pouco, né?
Na TV, ainda havia um certo puritanismo e não era normal ligar na novela das seis e dar de cara com beijos gays, incesto e nem orgias com mulheres barbadas e asnos como acontece hoje em dia.
O Fausto Silva (esse mesmo chato dos domingões) era um revolucionário porque falava "porra", "merda" e de vez em quando até "cu" nas madrugadas de sábado. Mas o espetáculo mesmo vinha depois dele, no saudoso "Comando na Madrugada", apresentado pelo jornalista Goulart de Andrade.
Nunca vou esquecer daquelas madrugadas com a TV no menor volume possível, um olho na tela e o outro na porta para a minha avó não me pegar acordado, e a torcida para que as reportagens sobre gastronomia e consumo passassem logo para que chegasse o último bloco do programa.
Ah, o último bloco! Ele sempre ia numa peça de teatro meio alternativa, num motel, numa festa mais liberal, em qualquer lugar que permitisse mostrar no meio da reportagem uma mulher sem roupa. O incrível é que tudo durava, sei lá, uns 20 segundos, mas eu esperava a noite de sábado inteira para ver aquilo.
Um pouco mais tarde a aventura era nos fundos das locadoras, atrás das coleções do Buttman e dos filmes da Tracy Lords. Virei amigo dos donos da "Atrevídeo", locadora especializada no assunto em Nova Friburgo, onde morava.
A internet apareceu democratizando de vez a sacanagem, ainda que a conexão discada funcionasse como uma censura informal, já que era preciso perseverança e paciência de monge tibetano para esperar rápidos 15 minutos pelo loading de uma foto de 100kb, que ainda corria o risco de vir truncada justamente no pedaço que era para mostrar a xoxota da modelo vestida de colegial.
Hoje tudo ficou tão diferente que você consegue saber até se a ex-namorada do seu vizinho faz depilação simples ou virilha cavada, basta achar o site de sex tapes em que ele postou o vídeo feito naquele celular escondido no cesto de roupa suja.
A velocidade das conexões e a variedade das práticas torna tarefa impossível não encontrar conteúdo erótico qualquer que seja sua fantasia. Princesa Leia é coisa do passado, o negócio agora é mais embaixo e qualquer coisa desde Smurfs eróticos até Muppets sadomasoquistas é normal.
E por mais que isso seja repetido várias vezes e previsto desde os tempos da sua avó, se antes a indústria pornô vivia de vaginas e mamilos, não demora muito e viverá de bizarrices como mulheres vestidas e biquinis estilo calçolão.
A maior fantasia sexual imaginável será a Sasha Grey toda coberta, usando uma roupa de esquimó.
Se bem de que se formos pensar bem, essa não é uma idéia tão ruim.
De Carlos Zéfiro até o RedTube, muita água passou pelas descargas desses banheiros onde adolescentes se trancam para dedicar-se ao prazer solitário.
O corpo feminino - perdoem-me as meninas, mas não posso fingir que já tive qualquer interesse pelo corpo masculino - era, ainda no meu tempo de moleque, um verdadeiro tesouro sem mapa. Não sei se hoje em dia alguém pode acreditar nisso, mas eu juro: uma simples alça de sutiã já era motivo para delirium tremens de nossa parte, que dirá um polêmico mamilo.
Não canso de contar como era a engenharia necessária para conseguir uma Playboy antigamente. Eu chegava na banca de jornal e pedia um Recruta Zero, um jornal O Globo, uma dúzia de balas juquinha e uma Playboy, "porque meu pai mandou comprar pra ele", sempre na esperança da revista de mulher pelada passar desapercebida no meio do pedido.
O jornaleiro ria, me entregava aquele monte de coisas e eu ia embora pra casa correndo, para ficar ali olhando peitos, bundas e a segunda coisa que mais nos deixava curiosos depois de um par de mamilos: os pentelhos das modelos. Vai entender, adolescente se contenta com pouco, né?
Na TV, ainda havia um certo puritanismo e não era normal ligar na novela das seis e dar de cara com beijos gays, incesto e nem orgias com mulheres barbadas e asnos como acontece hoje em dia.
O Fausto Silva (esse mesmo chato dos domingões) era um revolucionário porque falava "porra", "merda" e de vez em quando até "cu" nas madrugadas de sábado. Mas o espetáculo mesmo vinha depois dele, no saudoso "Comando na Madrugada", apresentado pelo jornalista Goulart de Andrade.
Nunca vou esquecer daquelas madrugadas com a TV no menor volume possível, um olho na tela e o outro na porta para a minha avó não me pegar acordado, e a torcida para que as reportagens sobre gastronomia e consumo passassem logo para que chegasse o último bloco do programa.
Ah, o último bloco! Ele sempre ia numa peça de teatro meio alternativa, num motel, numa festa mais liberal, em qualquer lugar que permitisse mostrar no meio da reportagem uma mulher sem roupa. O incrível é que tudo durava, sei lá, uns 20 segundos, mas eu esperava a noite de sábado inteira para ver aquilo.
Um pouco mais tarde a aventura era nos fundos das locadoras, atrás das coleções do Buttman e dos filmes da Tracy Lords. Virei amigo dos donos da "Atrevídeo", locadora especializada no assunto em Nova Friburgo, onde morava.
A internet apareceu democratizando de vez a sacanagem, ainda que a conexão discada funcionasse como uma censura informal, já que era preciso perseverança e paciência de monge tibetano para esperar rápidos 15 minutos pelo loading de uma foto de 100kb, que ainda corria o risco de vir truncada justamente no pedaço que era para mostrar a xoxota da modelo vestida de colegial.
Hoje tudo ficou tão diferente que você consegue saber até se a ex-namorada do seu vizinho faz depilação simples ou virilha cavada, basta achar o site de sex tapes em que ele postou o vídeo feito naquele celular escondido no cesto de roupa suja.
A velocidade das conexões e a variedade das práticas torna tarefa impossível não encontrar conteúdo erótico qualquer que seja sua fantasia. Princesa Leia é coisa do passado, o negócio agora é mais embaixo e qualquer coisa desde Smurfs eróticos até Muppets sadomasoquistas é normal.
E por mais que isso seja repetido várias vezes e previsto desde os tempos da sua avó, se antes a indústria pornô vivia de vaginas e mamilos, não demora muito e viverá de bizarrices como mulheres vestidas e biquinis estilo calçolão.
A maior fantasia sexual imaginável será a Sasha Grey toda coberta, usando uma roupa de esquimó.
Se bem de que se formos pensar bem, essa não é uma idéia tão ruim.
Status: namorando
Postado em 1 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Nem sei quantas vezes eu já falei sobre relacionamentos na internet, seja de forma escrita, falada ou mesmo aos berros, xingando aquele 13556034º email do Badoo que insiste em poluir minha caixa postal jurando que tem alguém ali "louca pra me conhecer".
Mas o fato é que a internet mudou tudo e nossos namoros, casos e ficadas são muito diferentes hoje do que eram no tempo em que você existia socialmente mesmo que não possuísse nenhum apetrecho iniciado por "i", como iPod, iPhone ou iPad.
Não trocamos mais telefone, trocamos MSN e a primeira vez de muito casal por aí não foi num motelzinho numa tarde de sábado e sim de madrugada, à meia luz, com um dizendo pro outro "coloca a câmera mais pra cima", "pera aí que congelou a imagem".
Do mesmo jeito, antes a pessoa era considerada "namoro sério" no momento em que era apresentada para nossa mãe.
- Essa eu apresentava pra mamãe...
Mas, ao que parece, isso deixou de ser o bastante a partir do momento que o Sr. Orkut Büyükkökten resolveu colocar a opção de mostrar o status de relacionamento naquela que é a mãe de todas as redes sociais, o Orkut, e depois foi acompanhado por tudo o que surgiu, como o Facebook e outras redes sociais (menos o Badoo, que, ao que parece, é meio como uma micareta virtual).
Hoje, se você não está com ninguém oficialmente antes de alterar o seu relacionamento no perfil do Orkut ou do Facebook. Não demora (se é que já não aconteceu) e receberemos convites de casamento pelo Twitter.
- Você não me leva a sério...
- Mas como? Eu te apresentei pra minha família, você tem as chaves da minha casa, a minha senha do banco e eu até doei sangue pro seu primo travesti quando ele foi implantar silicone, como você pode dizer isso?
- Eu vi que seu status no Facebook está em branco! Nunca fui tão humilhada em toda a minha vida!
Mas o contrário também acontece:
- Eu sei que você ainda me ama.
- Paulinha, eu estou mudando pra Europa, quero aproveitar a vida, ficar solteiro, além do que nunca mais te liguei ou te procurei, de onde você tirou que eu te amo?
- Eu sei que você me ama, você só não admite isso.
- Olha, por mais que você não acredite, eu não te amo mais e não será o fato de você morar num furgão do outro lado da rua que fará com que isso mude, eu juro pra você.
- Então porque você deixou no seu perfil do Orkut que ainda está comprimetido? Isso só pode ser um sinal...
- Ou então isso só quer dizer que eu perdi a senha, certo?
Se pensarmos bem, é quase um casamento, que nada mais é do que uma satisfação à sociedade, um rito de passagem, usado para mostrar pro mundo que um relacionamento é pra valer, com a diferença de facilitar um futuro divórcio, que fica oficializado com dois ou três cliques.
Ainda ouço alguém dizer:
- Conheci uma garota muito linda. Inteligente, charmosa...essa é pra alterar o status de relacionamento.
Mas o fato é que a internet mudou tudo e nossos namoros, casos e ficadas são muito diferentes hoje do que eram no tempo em que você existia socialmente mesmo que não possuísse nenhum apetrecho iniciado por "i", como iPod, iPhone ou iPad.
Não trocamos mais telefone, trocamos MSN e a primeira vez de muito casal por aí não foi num motelzinho numa tarde de sábado e sim de madrugada, à meia luz, com um dizendo pro outro "coloca a câmera mais pra cima", "pera aí que congelou a imagem".
Do mesmo jeito, antes a pessoa era considerada "namoro sério" no momento em que era apresentada para nossa mãe.
- Essa eu apresentava pra mamãe...
Mas, ao que parece, isso deixou de ser o bastante a partir do momento que o Sr. Orkut Büyükkökten resolveu colocar a opção de mostrar o status de relacionamento naquela que é a mãe de todas as redes sociais, o Orkut, e depois foi acompanhado por tudo o que surgiu, como o Facebook e outras redes sociais (menos o Badoo, que, ao que parece, é meio como uma micareta virtual).
Hoje, se você não está com ninguém oficialmente antes de alterar o seu relacionamento no perfil do Orkut ou do Facebook. Não demora (se é que já não aconteceu) e receberemos convites de casamento pelo Twitter.
- Você não me leva a sério...
- Mas como? Eu te apresentei pra minha família, você tem as chaves da minha casa, a minha senha do banco e eu até doei sangue pro seu primo travesti quando ele foi implantar silicone, como você pode dizer isso?
- Eu vi que seu status no Facebook está em branco! Nunca fui tão humilhada em toda a minha vida!
Mas o contrário também acontece:
- Eu sei que você ainda me ama.
- Paulinha, eu estou mudando pra Europa, quero aproveitar a vida, ficar solteiro, além do que nunca mais te liguei ou te procurei, de onde você tirou que eu te amo?
- Eu sei que você me ama, você só não admite isso.
- Olha, por mais que você não acredite, eu não te amo mais e não será o fato de você morar num furgão do outro lado da rua que fará com que isso mude, eu juro pra você.
- Então porque você deixou no seu perfil do Orkut que ainda está comprimetido? Isso só pode ser um sinal...
- Ou então isso só quer dizer que eu perdi a senha, certo?
Se pensarmos bem, é quase um casamento, que nada mais é do que uma satisfação à sociedade, um rito de passagem, usado para mostrar pro mundo que um relacionamento é pra valer, com a diferença de facilitar um futuro divórcio, que fica oficializado com dois ou três cliques.
Ainda ouço alguém dizer:
- Conheci uma garota muito linda. Inteligente, charmosa...essa é pra alterar o status de relacionamento.
Prazer, esse sou eu
Postado em 23 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários
Na internet a aparência vale mais do que em qualquer outro lugar.
Quem nunca perdeu um tempinho passeando por perfis do Facebook? Ali todo mundo é magnata, aventureiro, playboy internacional, piloto de avião, maratonista, mergulhador. Incrível como você só vê foto na Europa, no alto de montanhas, no fundo de um mar azul digno de Piratas do Caribe, dentro de carrões, taças de champanhe na mão, um verdadeiro tapete vermelho do Oscar.
Facebook não é rede social, é coluna social, é ostentação.
Mas fora dali o cuidado parece não ser o mesmo.
A mesma curiosidade que te leva a parar na estrada para olhar um cachorro atropelado, me faz passear por perfis do Orkut e outras redes sociais olhando as fotos que as pessoas escolhem para representá-las.
Sim, porque na internet você é aquela imagem mostrada num avatar. É uma redução de toda a sua história pessoal mas é assim que funciona.
E justamente por contarmos com tão pouco para nos definir, é que fico espantado com o pouco caso que alguns fazem de si mesmos. Imagine isso: você está andando calmamente numa calçada, um louco de óculos escuros e um celular na mão vira pra você e, num português cheio de sotaque, diz:
- Sou empresário da Angelina Jolie e ela quer jantar com um brasileiro hoje, para conhecer melhor os nativos, tome esse e-mail e envie uma foto sua que se ela gostar você será convidado.
Esqueça a impossibilidade disso acontecer realmente, concentre-se apenas na oportunidade fictícia que apresentei e me responda: você enviaria uma foto com um abadá de micareta, um copinho de cerveja em uma das mãos, o suvaco suado aparecendo, uma cara de babaca e a outra mão fazendo um "hang loose"?
Se você for mulher e a mesma situação acontecesse com o empresário do Brad Pitt, você tentaria colocar um chifre na Jolie enviando uma foto sua num rodízio de pizzas, fazendo um sorriso idiota, levantando o prato e apontando um dedo para uma fatia de pizza como quem diz "Olha! Uma calabresa!"?
Creio que não, afinal, você não é palerma, mas parece que tem gente que acha isso uma boa idéia para colocar num perfil do Orkut, do Twitter, do Blogger ou mesmo do papogostoso.net, que te garante arrumar um namorado em 5 dias mas provavelmente tem alguma cláusula se eximindo de responsabilidade sobre pessoas com fotos escrotas.
É um arsenal infindável de situações medonhas que, sabe-se lá porque, tem gente que acha super legal colocar na internet.
Tipo mãozinha no joelho e pose de dançarina de funk, um close do rosto com a boca semi-aberta em pose supostamente sexy e uma língua para fora, meio de lado, piscina da tia com água verde estilo enchente no Tietê, foto na frente daquele iate que você viu em Angra e que todo mundo sabe que não é seu, cangas de praia imitando véus árabes e a clássica: aquela com cabelo de chapinha estilo Glamour Photo Studio do dia em que você foi dama de honra da sua prima.
Homens não ficam atrás. Além do já mencionado "micareteiro bozo", tem aquelas poses fazendo muque de Popeye; mostrando latinhas de Red Bull ou fazendo pose de rapper americano.
Você pode estar se perguntando "mas o que ele tem a ver com isso?", bem, não tenho nada a ver com isso. Mas daqui eu também fico me perguntando: se uma única foto vai nos representar na internet e praticamente dizer algo como "prazer, esse sou eu", o que leva alguém a colocar ali uma imagem que inspire nos outros reações semelhantes àquele vídeo "Two Girls One Cup" ?
Porque produzir provas contra si mesmo e fazer os outros pensarem "nossa, mas que merda" ao ver uma foto nossa?
É um caso a se pensar...ou não.
Quem nunca perdeu um tempinho passeando por perfis do Facebook? Ali todo mundo é magnata, aventureiro, playboy internacional, piloto de avião, maratonista, mergulhador. Incrível como você só vê foto na Europa, no alto de montanhas, no fundo de um mar azul digno de Piratas do Caribe, dentro de carrões, taças de champanhe na mão, um verdadeiro tapete vermelho do Oscar.
Facebook não é rede social, é coluna social, é ostentação.
Mas fora dali o cuidado parece não ser o mesmo.
A mesma curiosidade que te leva a parar na estrada para olhar um cachorro atropelado, me faz passear por perfis do Orkut e outras redes sociais olhando as fotos que as pessoas escolhem para representá-las.
Sim, porque na internet você é aquela imagem mostrada num avatar. É uma redução de toda a sua história pessoal mas é assim que funciona.
E justamente por contarmos com tão pouco para nos definir, é que fico espantado com o pouco caso que alguns fazem de si mesmos. Imagine isso: você está andando calmamente numa calçada, um louco de óculos escuros e um celular na mão vira pra você e, num português cheio de sotaque, diz:
- Sou empresário da Angelina Jolie e ela quer jantar com um brasileiro hoje, para conhecer melhor os nativos, tome esse e-mail e envie uma foto sua que se ela gostar você será convidado.
Esqueça a impossibilidade disso acontecer realmente, concentre-se apenas na oportunidade fictícia que apresentei e me responda: você enviaria uma foto com um abadá de micareta, um copinho de cerveja em uma das mãos, o suvaco suado aparecendo, uma cara de babaca e a outra mão fazendo um "hang loose"?
Se você for mulher e a mesma situação acontecesse com o empresário do Brad Pitt, você tentaria colocar um chifre na Jolie enviando uma foto sua num rodízio de pizzas, fazendo um sorriso idiota, levantando o prato e apontando um dedo para uma fatia de pizza como quem diz "Olha! Uma calabresa!"?
Creio que não, afinal, você não é palerma, mas parece que tem gente que acha isso uma boa idéia para colocar num perfil do Orkut, do Twitter, do Blogger ou mesmo do papogostoso.net, que te garante arrumar um namorado em 5 dias mas provavelmente tem alguma cláusula se eximindo de responsabilidade sobre pessoas com fotos escrotas.
É um arsenal infindável de situações medonhas que, sabe-se lá porque, tem gente que acha super legal colocar na internet.
Tipo mãozinha no joelho e pose de dançarina de funk, um close do rosto com a boca semi-aberta em pose supostamente sexy e uma língua para fora, meio de lado, piscina da tia com água verde estilo enchente no Tietê, foto na frente daquele iate que você viu em Angra e que todo mundo sabe que não é seu, cangas de praia imitando véus árabes e a clássica: aquela com cabelo de chapinha estilo Glamour Photo Studio do dia em que você foi dama de honra da sua prima.
Homens não ficam atrás. Além do já mencionado "micareteiro bozo", tem aquelas poses fazendo muque de Popeye; mostrando latinhas de Red Bull ou fazendo pose de rapper americano.
Você pode estar se perguntando "mas o que ele tem a ver com isso?", bem, não tenho nada a ver com isso. Mas daqui eu também fico me perguntando: se uma única foto vai nos representar na internet e praticamente dizer algo como "prazer, esse sou eu", o que leva alguém a colocar ali uma imagem que inspire nos outros reações semelhantes àquele vídeo "Two Girls One Cup" ?
Porque produzir provas contra si mesmo e fazer os outros pensarem "nossa, mas que merda" ao ver uma foto nossa?
É um caso a se pensar...ou não.
Amigo não pede cinquentinha na night e nem o número do cartão na net
Postado em 18 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
"Fulano é meu amigo"
Não faz muito tempo que uma frase dessas dizia um monte de coisas. Amigo, amigo mesmo, era aquele sujeito que não te abandonava na boate mesmo quando te via totalmente bêbado, caindo pelos cantos e aos beijos com uma sósia do famoso cão que chupa manga.
Além de não se importar com sua bebedeira, com a perspectiva de assistir você vomitando e chamando pela sua ex-namorada com voz de Forrest Gump, ele ainda teria orgulho de você mesmo com o seu pequeno deslize:
- É isso aí, ele é meu amigo sim! É pegador de mocréia mas é meu chapa!
Conforme vamos ficando mais velhos, o conceito de amizade vai mudando um pouco. Verdadeiras, só as amizades da infância, tão saudosas quanto as da adolescência.
Depois o que aparece são os amigos de copo, de bar, de trabalho, de putaria (não necessariamente nessa ordem). Esses você já sabe que não pode contar para muita coisa além de amassar uns limões para fazer caipirinha e sentar na praia, sob o sol, falando mal de todo mundo que não estiver presente.
Amigo então passa a ser não quem estende a mão para nos ajudar, mas sim aquele que não aparece para pedir cinquentinha numa noite de sábado. Trocamos a solidariedade e as juras de amizade eterna da imaturidade por um conceito que define como amigo aquele que enche menos o nosso saco e não nos dá prejuízo.
Não precisa mais bater no peito e dizer "esse barangueiro aqui é meu amigo!", basta que não tente comer a sua namorada (se ela for bonita) e divida a conta do boteco quando vocês saem para beber.
E a internet - sempre ela - acabou criando um tipo de amizade bem curioso, que é a tal amizade virtual.
As pessoas e os sentimentos são reais, mas o contato quase nunca é.
Sei de gente que tem amigos na Croácia, no Japão, na Austrália, sem nunca ter visto realmente a pessoa. Tudo bem que isso já existia isso no tempo dos pen pals, que trocavam cartas ao redor do mundo, mas não era algo tão vivo quanto hoje.
Naquele tempo o amigo virtual era um envelope que chegava pelo correio com alguns garranchos e, muito raramente, uma foto. Hoje ele se manifesta em vozes, imagens, vídeos, milhares de fotos e conversas em tempo real.
O que gera outro fato curioso, que é uma intimidade total de não íntimos. Já percebi isso quando encontrei - sem querer ou não - pessoas com quem conversava pela internet, seja por emails ou pelo messenger. Ali, no computador, falávamos de nossas famílias, desejos de consumo, chateações, bobagens sem sentido.
Mas pessoalmente percebíamos que não havia intimidade real nenhuma entre nós, e a conversa era totalmente estranha. No fundo, fora do computador, aquela amizade ainda precisava de tempo para se expandir.
Pode perceber como grupos de amigos que se conhecem pela internet se comportam quando se encontram pessoalmente. Durante 90% das conversas entre eles tratam de assuntos relacionados ao que fazem online, sobre pessoas com quem convivem online, isso quando não passam o tempo inteiro tirando fotos e postando para os que ficaram em casa, na internet, ou tuitando sobre o que acontece ali.
já notou que atualmente tem gente que você conversa horas pelo msn, mas se encontrar pessoalmente nao tem assunto? O que era pra ser uma via de comunicação acessória, virou principal.
Não faz muito tempo que uma frase dessas dizia um monte de coisas. Amigo, amigo mesmo, era aquele sujeito que não te abandonava na boate mesmo quando te via totalmente bêbado, caindo pelos cantos e aos beijos com uma sósia do famoso cão que chupa manga.
Além de não se importar com sua bebedeira, com a perspectiva de assistir você vomitando e chamando pela sua ex-namorada com voz de Forrest Gump, ele ainda teria orgulho de você mesmo com o seu pequeno deslize:
- É isso aí, ele é meu amigo sim! É pegador de mocréia mas é meu chapa!
Conforme vamos ficando mais velhos, o conceito de amizade vai mudando um pouco. Verdadeiras, só as amizades da infância, tão saudosas quanto as da adolescência.
Depois o que aparece são os amigos de copo, de bar, de trabalho, de putaria (não necessariamente nessa ordem). Esses você já sabe que não pode contar para muita coisa além de amassar uns limões para fazer caipirinha e sentar na praia, sob o sol, falando mal de todo mundo que não estiver presente.
Amigo então passa a ser não quem estende a mão para nos ajudar, mas sim aquele que não aparece para pedir cinquentinha numa noite de sábado. Trocamos a solidariedade e as juras de amizade eterna da imaturidade por um conceito que define como amigo aquele que enche menos o nosso saco e não nos dá prejuízo.
Não precisa mais bater no peito e dizer "esse barangueiro aqui é meu amigo!", basta que não tente comer a sua namorada (se ela for bonita) e divida a conta do boteco quando vocês saem para beber.
E a internet - sempre ela - acabou criando um tipo de amizade bem curioso, que é a tal amizade virtual.
As pessoas e os sentimentos são reais, mas o contato quase nunca é.
Sei de gente que tem amigos na Croácia, no Japão, na Austrália, sem nunca ter visto realmente a pessoa. Tudo bem que isso já existia isso no tempo dos pen pals, que trocavam cartas ao redor do mundo, mas não era algo tão vivo quanto hoje.
Naquele tempo o amigo virtual era um envelope que chegava pelo correio com alguns garranchos e, muito raramente, uma foto. Hoje ele se manifesta em vozes, imagens, vídeos, milhares de fotos e conversas em tempo real.
O que gera outro fato curioso, que é uma intimidade total de não íntimos. Já percebi isso quando encontrei - sem querer ou não - pessoas com quem conversava pela internet, seja por emails ou pelo messenger. Ali, no computador, falávamos de nossas famílias, desejos de consumo, chateações, bobagens sem sentido.
Mas pessoalmente percebíamos que não havia intimidade real nenhuma entre nós, e a conversa era totalmente estranha. No fundo, fora do computador, aquela amizade ainda precisava de tempo para se expandir.
Pode perceber como grupos de amigos que se conhecem pela internet se comportam quando se encontram pessoalmente. Durante 90% das conversas entre eles tratam de assuntos relacionados ao que fazem online, sobre pessoas com quem convivem online, isso quando não passam o tempo inteiro tirando fotos e postando para os que ficaram em casa, na internet, ou tuitando sobre o que acontece ali.
já notou que atualmente tem gente que você conversa horas pelo msn, mas se encontrar pessoalmente nao tem assunto? O que era pra ser uma via de comunicação acessória, virou principal.
Lembro quando usávamos o telefone para marcar encontros com os amigos. Hoje acho que não demora muito até encontrar algum conhecido na rua e usar este encontro para marcar uma conversa pela internet.
Por mim tudo bem, desde que ele não peça alguma foto da minha namorada sem roupa ou o número do meu cartão de crédito emprestado.
A transferência do seu beijo de língua foi concluída com sucesso
Postado em 4 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Li que os japoneses criaram uma máquina capaz de transmitir beijos na boca à distância. Juro que não sei porque depois do Tamagochi e dos otakus eu ainda me espanto com qualquer coisa que venha do Japão, mas me espantei com essa.
Parece que toda aquela sabedoria milenar, aquela coisa de honra, disciplina, controle, força, quimonos, rabos de cavalo e, claro, gueixas, degringolou e deu origem a essa sociedade japonesa atual, que cria coisas como liquidações onde você compra sacolas fechadas sem saber o que tem dentro, a tal "sacola da sorte" (sorte do vendedor, talvez), e máquinas de beijo.
Mas se a gente pensar bem, essa bizarra invenção tem tudo a ver não somente com o Japão, mas com toda a sociedade moderna, globalizada, conectada, plugada e qualquer outro desses termos clichês que as reportagens adoram repetir.
Já conhecemos parceiros - esquece o termo "parceiro" que parece coisa de pagodeiro ou viado - conhecemos namorados e namoradas em sites de relacionamento, todos expostos como num sacolão.
Fora isso compramos quase tudo pela internet, desde manuais caseiros sobre armas de destruição em massa até as compras do mês. Do natureba viciado em brócolis ao aspirante à Unabomber, todo mundo pode conseguir quase tudo na rede.
Vivemos em algo bem próximo dos desenhos dos Jetsons, que apertavam botões e recebiam comida automaticamente de uma máquina. Na versão moderna (e real) dos Jetsons, recebemos livros, CDs, comida e até pessoas. Porque então não receber beijos?
Você beija uma geringonça, ela registra seus movimentos, envia esses dados pela internet para outro aparelho igual instalado na casa da pessoa que você quer beijar e ela recebe o seu beijo por transferência online.
Se der certo podem inventar máquina de abraço, máquina de soco na cara, máquina de pé na bunda. Máquina de encheção de saco não precisa inventar porque já existe e se chama operador de telemarketing.
É bizarro, mas pode facilitar muitos casamentos por interesse que têm por ai e, com algumas adaptações relativas à parte da anatomia humana em foco, pode até mesmo dar uma nova dimensão para as atividades da mais antiga das profissões. Já pensou?
Você fornece o número do cartão de crédito, coloca a parte que melhor achar conveniente no tal aparelho e dá um beijo de língua sem se preocupar com a cebola que comeu no almoço, transa sem trocar fluídos e sem precisar dormir de conchinha depois e, para os mais ousados, pode até receber um boquete a laser da melhor qualidade.
Não sei se vírus de computador oferece algum risco, mas se estivermos imunes a isso, dispensa até a camisinha.
O problema mesmo seria a preservação da espécie, já que para enviar o "material" necessário para perpetuá-la teríamos que confiar nos Correios, pelo menos até que os japoneses apresentem alguma novidade nesse sentido.
Parece que toda aquela sabedoria milenar, aquela coisa de honra, disciplina, controle, força, quimonos, rabos de cavalo e, claro, gueixas, degringolou e deu origem a essa sociedade japonesa atual, que cria coisas como liquidações onde você compra sacolas fechadas sem saber o que tem dentro, a tal "sacola da sorte" (sorte do vendedor, talvez), e máquinas de beijo.
Mas se a gente pensar bem, essa bizarra invenção tem tudo a ver não somente com o Japão, mas com toda a sociedade moderna, globalizada, conectada, plugada e qualquer outro desses termos clichês que as reportagens adoram repetir.
Já conhecemos parceiros - esquece o termo "parceiro" que parece coisa de pagodeiro ou viado - conhecemos namorados e namoradas em sites de relacionamento, todos expostos como num sacolão.
Fora isso compramos quase tudo pela internet, desde manuais caseiros sobre armas de destruição em massa até as compras do mês. Do natureba viciado em brócolis ao aspirante à Unabomber, todo mundo pode conseguir quase tudo na rede.
Vivemos em algo bem próximo dos desenhos dos Jetsons, que apertavam botões e recebiam comida automaticamente de uma máquina. Na versão moderna (e real) dos Jetsons, recebemos livros, CDs, comida e até pessoas. Porque então não receber beijos?
Você beija uma geringonça, ela registra seus movimentos, envia esses dados pela internet para outro aparelho igual instalado na casa da pessoa que você quer beijar e ela recebe o seu beijo por transferência online.
Se der certo podem inventar máquina de abraço, máquina de soco na cara, máquina de pé na bunda. Máquina de encheção de saco não precisa inventar porque já existe e se chama operador de telemarketing.
É bizarro, mas pode facilitar muitos casamentos por interesse que têm por ai e, com algumas adaptações relativas à parte da anatomia humana em foco, pode até mesmo dar uma nova dimensão para as atividades da mais antiga das profissões. Já pensou?
Você fornece o número do cartão de crédito, coloca a parte que melhor achar conveniente no tal aparelho e dá um beijo de língua sem se preocupar com a cebola que comeu no almoço, transa sem trocar fluídos e sem precisar dormir de conchinha depois e, para os mais ousados, pode até receber um boquete a laser da melhor qualidade.
Não sei se vírus de computador oferece algum risco, mas se estivermos imunes a isso, dispensa até a camisinha.
O problema mesmo seria a preservação da espécie, já que para enviar o "material" necessário para perpetuá-la teríamos que confiar nos Correios, pelo menos até que os japoneses apresentem alguma novidade nesse sentido.
Pescado nas redes sociais
Postado em 1 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Lembro bem quando conheci o Orkut: um belo dia, uma amiga vira pra mim e diz "olha só esse link". Minha primeira dúvida foi: pra que serve isso? Mais ou menos como no dia em que me apresentaram o Twitter.
Mas não demorou muito pra que eu fosse engolfado por aquele tsunami de amigos de infância, ex-namoradas, primos que mudaram do país, todas as turmas de todos os colégios que eu já frequentei. Era o paraíso de qualquer stalker, os álbuns ainda não tinham opção de privacidade e todo mundo lia os recados de todo mundo, ou seja, em coisa de 12 horas você sabia até os horários em que a pessoa ia ao banheiro.
Pude ver ainda como as meninas da minha turma viraram mães de família iguais às que as iam buscar na porta do colégio e como só quem não ficou igual a mãe foi a filha da professora de Educação Física, que era gostosíssima. Um monte de namoros começaram ali. Alguns pares de cornos também podem ser creditados ao Orkut.
Mas confesso que até hoje não ficou bem clara a sua função, já que todo mundo que você "perdeu contato" talvez não fosse tão útil ou importante assim no sentido da sua vida, do contrário você não teria perdido contato. Como não creio que participar de comunidades como "Olho o cocô antes de dar descarga" ou "Vou, vomito e volto" possa ser considerado como utilidade, concluo que o Orkut era (é) inútil mesmo.
O Facebook e o Twitter vieram para confirmar isso, ainda que com um pouco mais de glamour, já que também não entendo muito onde o destino da humanidade será afetado porque a mãe da @JujuBieber desistiu de fazer brigadeiro ou porque o @MarcioAdv finalmente terminou de digitar sua petição.
Correndo por fora tem o Badoo (que manda 20 mensagens de Spam por dia, ficando bem claro porque seu nome rima com "vai tomar no..."), o My Space(que anda meio esquecido) o LinkedIn, que é uma espécie de entrevista de emprego misturada com site de encontros (ou vice-versa) e outras menos concorridas e com nomes esquisitos.
Seja qual for a sua rede social, a verdade é que isso vicia mais do que álcool e cocaína juntos. Em "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley criou uma droga chamada "soma", que mantinha todo mundo meio em transe, meio doidão. As redes sociais parecem ser o nosso "soma".
Basta olhar em volta e entender isso. Muita gente não as usa mais para documentar a vida e sim usa a vida para criar assunto para documentar nelas.
Todo mundo precisa ser meio chique, meio engraçadinho, meio despojado. O tempo todo.
Seja no supermercado, indo comprar margarina mas tirando foto na sessão de vinhos importados pra colocar no álbum do Facebook, ou diante de uma colisão entre uma betoneira e um caminhão pipa, tentando inventar correndo uma piada sobre o acidente para postar no Twitter - "Acidente na Rio-Santos, betoneira e caminhão pipa: concreto de graça pra todo mundo! - chega uma hora que o sujeito necessita uma desintoxicação.
Não digo algo radical demais, como viajar para uma ilha deserta e ficar ali isolado igual o Tom Hanks no "Náufrago", mas talvez tentar encontrar com os amigos sem falar em computador ou incluir na conversa qualquer uma das seguintes palavras: "You Tube", "baixar", "internet", "comunidade", "link", "tuitada", "msn" e "email".
O problema é não te sobrar muito assunto ou muitos amigos depois disso, ou então você terminar a experiência sofrendo de delirium tremens, correndo pelado por aí e parando num desses sites de vídeos caseiros, estilo "Caiu na Net".
Mas não demorou muito pra que eu fosse engolfado por aquele tsunami de amigos de infância, ex-namoradas, primos que mudaram do país, todas as turmas de todos os colégios que eu já frequentei. Era o paraíso de qualquer stalker, os álbuns ainda não tinham opção de privacidade e todo mundo lia os recados de todo mundo, ou seja, em coisa de 12 horas você sabia até os horários em que a pessoa ia ao banheiro.
Pude ver ainda como as meninas da minha turma viraram mães de família iguais às que as iam buscar na porta do colégio e como só quem não ficou igual a mãe foi a filha da professora de Educação Física, que era gostosíssima. Um monte de namoros começaram ali. Alguns pares de cornos também podem ser creditados ao Orkut.
Mas confesso que até hoje não ficou bem clara a sua função, já que todo mundo que você "perdeu contato" talvez não fosse tão útil ou importante assim no sentido da sua vida, do contrário você não teria perdido contato. Como não creio que participar de comunidades como "Olho o cocô antes de dar descarga" ou "Vou, vomito e volto" possa ser considerado como utilidade, concluo que o Orkut era (é) inútil mesmo.
O Facebook e o Twitter vieram para confirmar isso, ainda que com um pouco mais de glamour, já que também não entendo muito onde o destino da humanidade será afetado porque a mãe da @JujuBieber desistiu de fazer brigadeiro ou porque o @MarcioAdv finalmente terminou de digitar sua petição.
Correndo por fora tem o Badoo (que manda 20 mensagens de Spam por dia, ficando bem claro porque seu nome rima com "vai tomar no..."), o My Space(que anda meio esquecido) o LinkedIn, que é uma espécie de entrevista de emprego misturada com site de encontros (ou vice-versa) e outras menos concorridas e com nomes esquisitos.
Seja qual for a sua rede social, a verdade é que isso vicia mais do que álcool e cocaína juntos. Em "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley criou uma droga chamada "soma", que mantinha todo mundo meio em transe, meio doidão. As redes sociais parecem ser o nosso "soma".
Basta olhar em volta e entender isso. Muita gente não as usa mais para documentar a vida e sim usa a vida para criar assunto para documentar nelas.
Todo mundo precisa ser meio chique, meio engraçadinho, meio despojado. O tempo todo.
Seja no supermercado, indo comprar margarina mas tirando foto na sessão de vinhos importados pra colocar no álbum do Facebook, ou diante de uma colisão entre uma betoneira e um caminhão pipa, tentando inventar correndo uma piada sobre o acidente para postar no Twitter - "Acidente na Rio-Santos, betoneira e caminhão pipa: concreto de graça pra todo mundo! - chega uma hora que o sujeito necessita uma desintoxicação.
Não digo algo radical demais, como viajar para uma ilha deserta e ficar ali isolado igual o Tom Hanks no "Náufrago", mas talvez tentar encontrar com os amigos sem falar em computador ou incluir na conversa qualquer uma das seguintes palavras: "You Tube", "baixar", "internet", "comunidade", "link", "tuitada", "msn" e "email".
O problema é não te sobrar muito assunto ou muitos amigos depois disso, ou então você terminar a experiência sofrendo de delirium tremens, correndo pelado por aí e parando num desses sites de vídeos caseiros, estilo "Caiu na Net".
Che Guevara da Radio Shack
Postado em 28 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
A última causa dos revolucionários do monitor LCD é a briga por um "preço justo" das coisas.
O manifesto do tal movimento diz que "se a geração Coca-Cola esperava uma oportunidade para começar a se unir, ela chegou agora". Eles talvez esqueçam que estão um pouco atrasados, pois o que o Renato Russo chamava de Geração Coca-Cola viveu lá pelos anos 80 e hoje é composta por senhores de meia idade.
Mas até aí tudo bem, quem nunca quis fazer parte dos Anos Dourados, dos Anos Rebeldes ou dos Anos 80?
O que importa é o objetivo da ação, e o foco do movimento pelo "preço justo" são os impostos leoninos que o governo cobra (verdade), os serviços de nível paquistanês que oferece (outra verdade), o gigantesco grau de corrupção do país (mais uma verdade), os salários baixos do brasileiro (e tome verdades) e os preços exorbitantes do iPad (pera aí, como é que é?).
Sim, o preço do iPad, iPhone, iPod, etc, etc. Antes que você me pergunte, não, não acho que isso seja patrocinado pela Apple, mas vamos em frente.
O escolhido para ser "garoto-propaganda" da iniciativa foi o vlogueiro Felipe Neto, que é uma espécie de babaca de estimação da turma do Twitter. Se você der uma pesquisada será fácil descobrir quem é a figura, mas se quiser um resumo aí vai: ele é mais ou menos como aquele garoto do seu prédio-escola-academia que acha que sabe mais do que realmente sabe e que tem como grande talento um penteado diferente e saber falar "Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose" arrotando.
Só que ao invés de arrotar no playground ele fez isso na internet, uma agência caça-talentos (tipo essas que fazem vestibular pra Big Brother) o caçou, ele teve milhões de visitas no YouTube falando mal do Restart, do Fiuk, da saga Crepúsculo, de modinhas e finalmente conseguiu um programa numa TV a cabo onde aparece vestido de frango.
Mas deixando de lado minha simpatia pelo Felipe Neto, eu acho que os impostos no Brasil são realmente enormes, que a corrupção é insuportável, que os serviços públicos são dignos de um navio negreiro (posso dizer isso sem me chamarem de racista?), que os salários são uma vergonha e que o preço de tudo é exorbitantemente alto.
Basta ver que os de bens de consumo e alimentos quase no mundo inteiro são mais baratos do que no Brasil, com exceção do Guaraná Jesus, da jaboticaba e do berimbau. Um automóvel que nos EUA custa 27 mil reais aqui sai por 62 mil. Tudo por conta de impostos. Cobrados por esse poder público que nós temos.
Ora, se eu mesmo concordo com isso tudo porque então estou ensaiando uma crítica ao movimento? Só porque tenho inveja do sucesso e do par de óculos escuros do Felipe Neto? Porque desejo o lugar dele? Ou porque adoraria ter meu belo rosto estampado em pontos de ônibus anunciando cursinhos de inglês?
Só que (eu não ia escrever isso tudo só pra concordar no final, né?) já existem iniciativas no sentido de cobrar uma diminuição da carga tributária por aí.
Tem o Impostômetro (até citado no manifesto do Preço Justo) , o Dia sem Imposto e até mesmo essa turma mais "nerd" já faz algo parecido, que é o Jogo Justo. Enfim, o que não falta é gente falando do assunto.
Porque então não se unir a algo que já existe, não engrossar fileiras do que já está em campo? Simples: promoção.
Até mesmo um observador desatento vai perceber que o site do Preço Justo está hospedado num portal maior, o Brasil 247, que lançou uma revista para...iPad! Você sabia o que era o Brasil 247 até agora? Nem eu. Descobri por causa do Preço Justo. Faça as contas.
Para o Felipe Neto também não foi nada mal, pois ele andava meio sem assunto, afinal de contas iria falar mal do que agora para gerar buzz? Das ararinhas do Rio? E é claro que é muito melhor para a imagem estar associado à luta contra os impostos do que à alergia que o Robert Pattinson, ídolo das adolescentes que adoram aquele vampiro fashion week do Crepúsculo, tem das partes íntimas femininas.
Revolucionário de internet quer é usar uma tag no Twitter, colocar uma mensagem na foto do perfil e ir fazer suas compras na Apple Store em paz. Ninguém está muito interessado em fazer nada de verdade, o que vale é a falação que isso origina.
Portanto, nada contra uma luta por menos impostos no Brasil, mas tudo contra essa discussão séria virar objeto de promoção de A, B ou C. Que os Che Guevaras da Radio Shack queiram entrar na conversa é muito bom, é excelente, mas que tal fazerem isso seriamente? Essa é uma causa justa, não precisa de ninguém pendurado nela só querendo aparecer.
Tag no Twitter, petição online e um media whore como garoto propaganda, bem, isso é que não faz o menor sentido.
O manifesto do tal movimento diz que "se a geração Coca-Cola esperava uma oportunidade para começar a se unir, ela chegou agora". Eles talvez esqueçam que estão um pouco atrasados, pois o que o Renato Russo chamava de Geração Coca-Cola viveu lá pelos anos 80 e hoje é composta por senhores de meia idade.
Mas até aí tudo bem, quem nunca quis fazer parte dos Anos Dourados, dos Anos Rebeldes ou dos Anos 80?
O que importa é o objetivo da ação, e o foco do movimento pelo "preço justo" são os impostos leoninos que o governo cobra (verdade), os serviços de nível paquistanês que oferece (outra verdade), o gigantesco grau de corrupção do país (mais uma verdade), os salários baixos do brasileiro (e tome verdades) e os preços exorbitantes do iPad (pera aí, como é que é?).
Sim, o preço do iPad, iPhone, iPod, etc, etc. Antes que você me pergunte, não, não acho que isso seja patrocinado pela Apple, mas vamos em frente.
O escolhido para ser "garoto-propaganda" da iniciativa foi o vlogueiro Felipe Neto, que é uma espécie de babaca de estimação da turma do Twitter. Se você der uma pesquisada será fácil descobrir quem é a figura, mas se quiser um resumo aí vai: ele é mais ou menos como aquele garoto do seu prédio-escola-academia que acha que sabe mais do que realmente sabe e que tem como grande talento um penteado diferente e saber falar "Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose" arrotando.
Só que ao invés de arrotar no playground ele fez isso na internet, uma agência caça-talentos (tipo essas que fazem vestibular pra Big Brother) o caçou, ele teve milhões de visitas no YouTube falando mal do Restart, do Fiuk, da saga Crepúsculo, de modinhas e finalmente conseguiu um programa numa TV a cabo onde aparece vestido de frango.
Mas deixando de lado minha simpatia pelo Felipe Neto, eu acho que os impostos no Brasil são realmente enormes, que a corrupção é insuportável, que os serviços públicos são dignos de um navio negreiro (posso dizer isso sem me chamarem de racista?), que os salários são uma vergonha e que o preço de tudo é exorbitantemente alto.
Basta ver que os de bens de consumo e alimentos quase no mundo inteiro são mais baratos do que no Brasil, com exceção do Guaraná Jesus, da jaboticaba e do berimbau. Um automóvel que nos EUA custa 27 mil reais aqui sai por 62 mil. Tudo por conta de impostos. Cobrados por esse poder público que nós temos.
Ora, se eu mesmo concordo com isso tudo porque então estou ensaiando uma crítica ao movimento? Só porque tenho inveja do sucesso e do par de óculos escuros do Felipe Neto? Porque desejo o lugar dele? Ou porque adoraria ter meu belo rosto estampado em pontos de ônibus anunciando cursinhos de inglês?
Bem, daqui do meu grotão da internet, falando pra meia dúzia de três ou quatro, isso é irrelevante, pra usar a palavra que a meritocracia internética adora. O que eu digo pouco importa para alguém além de mim mesmo e mais um ou outro que me acompanhe. Por isso, sério, esqueça essa suposição.
Mas o que seria então? Teria me convertido num esquerdista de boutique, desses que usam camiseta da Cavalera com a foice e o martelo e quero criticar as ambições pequeno-burguesas de quem deseja possuir um tablet ao invés de se preocupar com o preço da chã de dentro?
Não. Acho que cinema, DVD, aparelhos eletrônicos e toda a futilidade do mundo é muito mais salutar do que comer feijão com farinha e ir pra fila do posto de saúde curar a barriga d'água dos filhos. Sou capitalista, liberal, consumista assumido (pena que minha conta bancária não me acompanhe nessa) e acho que a burguesia fede, mas usa perfume francês e fica tudo certo.
A melhor coisa que poderia acontecer ao "povão" seria deixar de ser povão. Por isso, sim, iPads para todos!
Porque então não se unir a algo que já existe, não engrossar fileiras do que já está em campo? Simples: promoção.
Até mesmo um observador desatento vai perceber que o site do Preço Justo está hospedado num portal maior, o Brasil 247, que lançou uma revista para...iPad! Você sabia o que era o Brasil 247 até agora? Nem eu. Descobri por causa do Preço Justo. Faça as contas.
Para o Felipe Neto também não foi nada mal, pois ele andava meio sem assunto, afinal de contas iria falar mal do que agora para gerar buzz? Das ararinhas do Rio? E é claro que é muito melhor para a imagem estar associado à luta contra os impostos do que à alergia que o Robert Pattinson, ídolo das adolescentes que adoram aquele vampiro fashion week do Crepúsculo, tem das partes íntimas femininas.
Revolucionário de internet quer é usar uma tag no Twitter, colocar uma mensagem na foto do perfil e ir fazer suas compras na Apple Store em paz. Ninguém está muito interessado em fazer nada de verdade, o que vale é a falação que isso origina.
Portanto, nada contra uma luta por menos impostos no Brasil, mas tudo contra essa discussão séria virar objeto de promoção de A, B ou C. Que os Che Guevaras da Radio Shack queiram entrar na conversa é muito bom, é excelente, mas que tal fazerem isso seriamente? Essa é uma causa justa, não precisa de ninguém pendurado nela só querendo aparecer.
Tag no Twitter, petição online e um media whore como garoto propaganda, bem, isso é que não faz o menor sentido.
Se você soubesse o que os outros fazem na internet, só apertaria mãos usando luvas
Postado em 6 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Todo mundo tem seus segredos mais íntimos, algumas vezes embaraçosos, picantes e até sórdidos.
Já dizia o mestre Nelson que se cada um soubesse o que o outro faz entre quatro paredes, ninguém cumprimentava ninguém. Nem sei o que ele diria se vivesse hoje em dia e soubesse da existência do RedTube.
Atualmente não precisamos nem saber o que a pessoa faz no quarto, basta vasculhar o seu HD.
Nesse mundo de câmeras por toda parte e tecnologias invadindo nossa privacidade - em que outra época poderia existir coisas como o "Caiu na Net"? - a gente nunca sabe quem pode estar bisbilhotando nossa vida digital.
Se antes um marido ciumento precisava contratar um detetive que seguiria sua esposa por dias e dias, tirando fotos e se escondendo atrás de árvores, hoje basta contratar um hacker e verificar o que tem dentro da pasta "C:\ users\ martinha\ desktop\ fotos\ diabão".
Em coisa de meia hora ele descobrirá se ela tem um amante ou se só está envolvida com rituais satânicos mesmo.
Todo mundo tem uma espécie de outra vida online. O nerd babaca que senta perto de você no trabalho pode ser o Morcegão, matador de monstros famoso e o primeiro do ranking de um desses jogos multiplayers. A loira boazuda que sobe todo dia com você no elevador e parece uma Patricinha de Beverly Hills pode virar a "Mistress Lilith", dominatrix e amante de gritos, chicotadas e cabras, vai saber.
E o curioso é que esses segredos digitais quase sempre envolvem sexo. Esqueça grupos neonazistas, manuais de instrução sobre como montar bombas artesanais, pirataria de músicas e filmes, encomenda de pílulas direto de Amsterdã, esqueça tudo isso, o que todo mundo faz escondido na internet é, basicamente, sacanagem mesmo.
Sabendo disso, você pode economizar tempo e dinheiro com detetives, questionários, fichas do Serasa e do SPC, prontuário policial e até medidas mais drásticas como torturas medievais ou sessões de waterboarding e concentrar esforços para saber o que tem guardado no HD da pessoa.
Não que isso seja bonito, não que isso seja legal, não que você deva fazer isso de verdade, mas provavelmente aquelas fotos de pessoas utilizando frutas de maneira pouco ortodoxa que você vai descobrir guardadas no computador do sujeito também sejam ilegais em algum lugar deste planeta.
Você só conhece mesmo alguém depois conhece o que ela guarda no computador dela. Tanto é que, pode notar, sempre que você for usar o computador de um amigo, ele vai ficar por perto, tomando conta, só pra garantir que você não fique curioso demais sobre o conteúdo da pasta "Irmãs dos Manos".
Todo mundo é assim? Não. Mas a grande maioria com certeza é.
E até saber quem joga em qual time, você nunca sabe se aquele senhor de cabeça branca que mora no apartamento ao lado do seu só usa a internet para falar com a filha que mora nos EUA e ver fotos dos netos, ou se ele aproveita que já está com a mão na massa e cultiva uma estranha fantasia que envolve indianos carecas, mulheres com cabelo no suvaco e pasta de amendoim, numa combinação que até hoje você não entendeu direito como funciona.
Já dizia o mestre Nelson que se cada um soubesse o que o outro faz entre quatro paredes, ninguém cumprimentava ninguém. Nem sei o que ele diria se vivesse hoje em dia e soubesse da existência do RedTube.
Atualmente não precisamos nem saber o que a pessoa faz no quarto, basta vasculhar o seu HD.
Nesse mundo de câmeras por toda parte e tecnologias invadindo nossa privacidade - em que outra época poderia existir coisas como o "Caiu na Net"? - a gente nunca sabe quem pode estar bisbilhotando nossa vida digital.
Se antes um marido ciumento precisava contratar um detetive que seguiria sua esposa por dias e dias, tirando fotos e se escondendo atrás de árvores, hoje basta contratar um hacker e verificar o que tem dentro da pasta "C:\ users\ martinha\ desktop\ fotos\ diabão".
Em coisa de meia hora ele descobrirá se ela tem um amante ou se só está envolvida com rituais satânicos mesmo.
Todo mundo tem uma espécie de outra vida online. O nerd babaca que senta perto de você no trabalho pode ser o Morcegão, matador de monstros famoso e o primeiro do ranking de um desses jogos multiplayers. A loira boazuda que sobe todo dia com você no elevador e parece uma Patricinha de Beverly Hills pode virar a "Mistress Lilith", dominatrix e amante de gritos, chicotadas e cabras, vai saber.
E o curioso é que esses segredos digitais quase sempre envolvem sexo. Esqueça grupos neonazistas, manuais de instrução sobre como montar bombas artesanais, pirataria de músicas e filmes, encomenda de pílulas direto de Amsterdã, esqueça tudo isso, o que todo mundo faz escondido na internet é, basicamente, sacanagem mesmo.
Sabendo disso, você pode economizar tempo e dinheiro com detetives, questionários, fichas do Serasa e do SPC, prontuário policial e até medidas mais drásticas como torturas medievais ou sessões de waterboarding e concentrar esforços para saber o que tem guardado no HD da pessoa.
Não que isso seja bonito, não que isso seja legal, não que você deva fazer isso de verdade, mas provavelmente aquelas fotos de pessoas utilizando frutas de maneira pouco ortodoxa que você vai descobrir guardadas no computador do sujeito também sejam ilegais em algum lugar deste planeta.
Você só conhece mesmo alguém depois conhece o que ela guarda no computador dela. Tanto é que, pode notar, sempre que você for usar o computador de um amigo, ele vai ficar por perto, tomando conta, só pra garantir que você não fique curioso demais sobre o conteúdo da pasta "Irmãs dos Manos".
Todo mundo é assim? Não. Mas a grande maioria com certeza é.
E até saber quem joga em qual time, você nunca sabe se aquele senhor de cabeça branca que mora no apartamento ao lado do seu só usa a internet para falar com a filha que mora nos EUA e ver fotos dos netos, ou se ele aproveita que já está com a mão na massa e cultiva uma estranha fantasia que envolve indianos carecas, mulheres com cabelo no suvaco e pasta de amendoim, numa combinação que até hoje você não entendeu direito como funciona.
O carteiro saiu para a entrega
Postado em 4 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Foi-se o tempo em que alguém ficava escondido atrás do muro que nem Jack, o Estripador, esperando pelo carteiro.
Pode parecer meio estranho, mas numa época distante as pessoas se conheciam e a partir daí trocavam telefones ou então mandavam cartas. Lembro que durante muito tempo troquei cartas com uma amiga que de Botafogo, distante uns 30 minutos de onde eu morava naquele tempo.
Frases como "tem msn?" ou "me adiciona no Facebook" ainda não tinham virado o novo "qual é o telefone do cachorrinho?" que se tornaram hoje em dia.
Soa até estranho dizer isso, mas já foi comum escrever "não" ao invés de "naum", e coisas como "mlk", "blz", "fmz" ou "ri litrus" provavelmente seriam entendidos como outro idioma ou algum sintoma de atraso intelectual (o que aliás, não deixa de ser).
Creio até que se não fosse pelas correspondências profissionais, contas diversas e aquelas cartinhas com ameaças do SPC, os carteiros estariam passando por sérias dificuldades.
Até mesmo os desejados cartões postais viraram MMS (esses torpedos com foto).
E onde antes aparecia a Torre Eiffel única e iluminada, agora aparece a Torre Eiffel como pano de fundo para a Martinha, sua prima, que te enviou a foto por torpedo só fazer inveja.
Eu já estava prestes a mandar uma carta com votos de solidariedade para os Correios quando lembrei do comércio eletrônico.
Essa maravilha dos tempos modernos, que nos livrou de escadas rolantes, das filas no caixa e de vendedores tentando te empurrar um colchão de molas americano com tecnologia da NASA, quando você só entrou na loja enganado pensando que ali vendiam meias.
Conheço gente que não vai no shopping mais nem para comprar roupa. Agora basta entrar no site da loja, escolher modelo, cor, tamanho, passar o cartão e depois só ficar esperando a encomenda chegar em casa.
E aí é que, segundo diziam no tempo em que ainda se escreviam cartas, a porca torce o rabo.
A ansiedade pela chegada do carteiro foi substituída pelo botão F5 ou "Refresh" do sistema de rastreamento online sendo acionados freneticamente:
- E aí, novidades?
- Beleza, minha encomenda saiu de Manacapuru anteontem, já passou por Santarém, Teresina, Brasília, ontem visitou Juiz de Fora e parece que hoje está no centro de distribuição lá em Benfica...
- Sorte a sua, a minha parece que se apaixonou por Boston e está já lá há uma semana.
Mas apesar desses problemas, confesso que a sensação de abrir um embrulho que você comprou e está há dias esperando é muito boa. Recordo perfeitamente quando comprei meu iPod e a maravilha que foi abrir a caixa e encontrá-lo ali dentro, verde e com a inscrição "Rock and Roll all Night an Party Everyday", exatamente como eu queria.
Mas já pensou se ao invés disso viesse um cor-de-rosa, com a inscrição "Jamais te esquecerei Pedrão, beijos Joel"?
Tudo bem que você pode trocar, mas na hora é mais ou menos como levar gato por lebre, coisa que, se pensarmos bem, não acontece quando vemos algo que gostamos na rua, pegamos com as nossas mãos, examinamos e levamos para casa.
Quer dizer, até acontece, mas aí não seria uma compra, aí seria um namoro seguido de casamento.
Pode parecer meio estranho, mas numa época distante as pessoas se conheciam e a partir daí trocavam telefones ou então mandavam cartas. Lembro que durante muito tempo troquei cartas com uma amiga que de Botafogo, distante uns 30 minutos de onde eu morava naquele tempo.
Frases como "tem msn?" ou "me adiciona no Facebook" ainda não tinham virado o novo "qual é o telefone do cachorrinho?" que se tornaram hoje em dia.
Soa até estranho dizer isso, mas já foi comum escrever "não" ao invés de "naum", e coisas como "mlk", "blz", "fmz" ou "ri litrus" provavelmente seriam entendidos como outro idioma ou algum sintoma de atraso intelectual (o que aliás, não deixa de ser).
Creio até que se não fosse pelas correspondências profissionais, contas diversas e aquelas cartinhas com ameaças do SPC, os carteiros estariam passando por sérias dificuldades.
Até mesmo os desejados cartões postais viraram MMS (esses torpedos com foto).
E onde antes aparecia a Torre Eiffel única e iluminada, agora aparece a Torre Eiffel como pano de fundo para a Martinha, sua prima, que te enviou a foto por torpedo só fazer inveja.
Eu já estava prestes a mandar uma carta com votos de solidariedade para os Correios quando lembrei do comércio eletrônico.
Essa maravilha dos tempos modernos, que nos livrou de escadas rolantes, das filas no caixa e de vendedores tentando te empurrar um colchão de molas americano com tecnologia da NASA, quando você só entrou na loja enganado pensando que ali vendiam meias.
Conheço gente que não vai no shopping mais nem para comprar roupa. Agora basta entrar no site da loja, escolher modelo, cor, tamanho, passar o cartão e depois só ficar esperando a encomenda chegar em casa.
E aí é que, segundo diziam no tempo em que ainda se escreviam cartas, a porca torce o rabo.
A ansiedade pela chegada do carteiro foi substituída pelo botão F5 ou "Refresh" do sistema de rastreamento online sendo acionados freneticamente:
- E aí, novidades?
- Beleza, minha encomenda saiu de Manacapuru anteontem, já passou por Santarém, Teresina, Brasília, ontem visitou Juiz de Fora e parece que hoje está no centro de distribuição lá em Benfica...
- Sorte a sua, a minha parece que se apaixonou por Boston e está já lá há uma semana.
Mas apesar desses problemas, confesso que a sensação de abrir um embrulho que você comprou e está há dias esperando é muito boa. Recordo perfeitamente quando comprei meu iPod e a maravilha que foi abrir a caixa e encontrá-lo ali dentro, verde e com a inscrição "Rock and Roll all Night an Party Everyday", exatamente como eu queria.
Mas já pensou se ao invés disso viesse um cor-de-rosa, com a inscrição "Jamais te esquecerei Pedrão, beijos Joel"?
Tudo bem que você pode trocar, mas na hora é mais ou menos como levar gato por lebre, coisa que, se pensarmos bem, não acontece quando vemos algo que gostamos na rua, pegamos com as nossas mãos, examinamos e levamos para casa.
Quer dizer, até acontece, mas aí não seria uma compra, aí seria um namoro seguido de casamento.
O seu "Show de Truman"
Postado em 14 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Quando Jim Carey estrelou o famoso filme "Show de Truman", a internet já existia, mas a explosão das redes sociais ainda estava longe de acontecer. Por isso, todo mundo achava um absurdo aquela realidade retratada, na qual um indivíduo era monitorado por câmeras, mantido num ambiente fabricado e observado por todo o mundo.
Óbvio que a realidade imita a ficção mas não é uma cópia fiel desta, e não seria diferente neste caso. Ninguém vive numa bolha, com atores no lugar da esposa e da família (se bem de que tem famílias por aí que mereciam um Oscar), num cenário totalmente artificial.
Mas nos aproximamos bem disso. Por onde vamos, existem câmeras tomando conta de tudo o que fazemos, a internet móvel conectou o mundo inteiro de uma forma como jamais aconteceu, a moderna tecnologia facilitou mais você ter um amigo em Tóquio do que no andar debaixo (ainda mais porque em Tóquio você não sente o desodorante vencido do cara e ele tem como te pedir dinheiro emprestado).
Quanto à invasão de privacidade mostrada no filme, bem, essa nós mesmos nos encarregamos de proporcionar.
É o maior barato comprar um computador novo, viajar para a Europa, trocar de carro, ir pro motel com a namorada, mas é realmente necessário que tudo isso não seja apenas contado, mas relatado nos mínimos detalhes via Twitter, Blogs e outras ferramentas?
O pior é alguém mandar uma mensagem assim "indo comer pizza no centro de Milão, um abraço para os que vão almoçar no quilo aí no Centro do Rio" e depois ainda dizer "só estava falando de uma pizza, não sei porque disseram que eu queria me mostrar...".
Ora, não sabe mesmo? Vamos combinar que uma das melhores partes do sucesso é poder esfregá-lo na cara dos outros, mas não sejamos fingidos a ponto de dizer que isso nem passa pela nossa cabeça. Passa sim.
Estou em Milão, consegui chegar aqui, vou comer uma prosaica pizza e vou esfregar isso na cara de todo mundo que vai pra um restaurante de balança na hora do almoço, antes de voltar pra ralação.
E isso vale para um carro zero, para o seu iPad, para as fotos da sua namorada gostosa que sabe-se lá porque resolveu te dar mole, para sua coleção de bonecos Playmobil, para sua nova Harley Davidson.
Quer esfregar isso na cara dos seus seguidores no Twitter e amigos do Orkut/Facebook? Faça.
Um dia é da caça, outro do caçador, mas não diga que não está fazendo isso, porque você deixa de ser alguém que está exercendo seu sagrado direito de tirar onda com a cara dos outros e passa a ser apenas um babaca encharcado de falsa humildade.
Até as furadas e situações onde a pessoa literalmente toma no rabo são, de alguma forma, transformadas em experiências de sutil glamour.
Não adianta, na internet todo mundo enfeita. É igual levar um tombo na frente dos outros. Você levanta dali dizendo que nem doeu, que está tudo bem, até brinca com a situação e depois se tranca no banheiro, xinga, fala todos os "ais" que não falou na hora e finalmente pode perder a pose.
Tem quem adore compartilhar minimalismos da sua vida e transforme até o ato de tomar um cafezinho numa crônica da vida diária. É a tal "metafísica do cotidiano" de Drummond reduzida, tal qual um molho, a 140 caracteres e diminuída com muito miguxês.
Confesso que já fui assim - mas só em parte, porque nem tenho tanta coisa pra tirar onda - mas resolvi parar, porque de gente tomando conta da minha vida já bastam os porteiros do meu prédio.
Óbvio que a realidade imita a ficção mas não é uma cópia fiel desta, e não seria diferente neste caso. Ninguém vive numa bolha, com atores no lugar da esposa e da família (se bem de que tem famílias por aí que mereciam um Oscar), num cenário totalmente artificial.
Mas nos aproximamos bem disso. Por onde vamos, existem câmeras tomando conta de tudo o que fazemos, a internet móvel conectou o mundo inteiro de uma forma como jamais aconteceu, a moderna tecnologia facilitou mais você ter um amigo em Tóquio do que no andar debaixo (ainda mais porque em Tóquio você não sente o desodorante vencido do cara e ele tem como te pedir dinheiro emprestado).
Quanto à invasão de privacidade mostrada no filme, bem, essa nós mesmos nos encarregamos de proporcionar.
É o maior barato comprar um computador novo, viajar para a Europa, trocar de carro, ir pro motel com a namorada, mas é realmente necessário que tudo isso não seja apenas contado, mas relatado nos mínimos detalhes via Twitter, Blogs e outras ferramentas?
O pior é alguém mandar uma mensagem assim "indo comer pizza no centro de Milão, um abraço para os que vão almoçar no quilo aí no Centro do Rio" e depois ainda dizer "só estava falando de uma pizza, não sei porque disseram que eu queria me mostrar...".
Ora, não sabe mesmo? Vamos combinar que uma das melhores partes do sucesso é poder esfregá-lo na cara dos outros, mas não sejamos fingidos a ponto de dizer que isso nem passa pela nossa cabeça. Passa sim.
Estou em Milão, consegui chegar aqui, vou comer uma prosaica pizza e vou esfregar isso na cara de todo mundo que vai pra um restaurante de balança na hora do almoço, antes de voltar pra ralação.
E isso vale para um carro zero, para o seu iPad, para as fotos da sua namorada gostosa que sabe-se lá porque resolveu te dar mole, para sua coleção de bonecos Playmobil, para sua nova Harley Davidson.
Quer esfregar isso na cara dos seus seguidores no Twitter e amigos do Orkut/Facebook? Faça.
Um dia é da caça, outro do caçador, mas não diga que não está fazendo isso, porque você deixa de ser alguém que está exercendo seu sagrado direito de tirar onda com a cara dos outros e passa a ser apenas um babaca encharcado de falsa humildade.
Até as furadas e situações onde a pessoa literalmente toma no rabo são, de alguma forma, transformadas em experiências de sutil glamour.
Não adianta, na internet todo mundo enfeita. É igual levar um tombo na frente dos outros. Você levanta dali dizendo que nem doeu, que está tudo bem, até brinca com a situação e depois se tranca no banheiro, xinga, fala todos os "ais" que não falou na hora e finalmente pode perder a pose.
Tem quem adore compartilhar minimalismos da sua vida e transforme até o ato de tomar um cafezinho numa crônica da vida diária. É a tal "metafísica do cotidiano" de Drummond reduzida, tal qual um molho, a 140 caracteres e diminuída com muito miguxês.
Confesso que já fui assim - mas só em parte, porque nem tenho tanta coisa pra tirar onda - mas resolvi parar, porque de gente tomando conta da minha vida já bastam os porteiros do meu prédio.
Por favor, olhe pra mim, eu tenho mamilos
Postado em 11 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Todo mundo tem mamilos. Algumas pessoas possuem até três ou quatro, um excedente que precisa ser removido no cirurgião plástico.
Todo mundo também nasceu nu, depois é que chega alguém, nos cobre e dá início a toda uma indústria do erotismo baseada simplesmente em devolver-nos à nossa condição básica que é a de sermos pelados.
No entanto, mesmo sabendo disso, a falta de um acesso mais universalizado à putaria - ou seja, os tempos pré-internet - mobilizou milhões de dólares em revistas, fotonovelas e filmes do Buttmann, escondidos num canto proscrito das locadoras de vídeo.
Jamais esquecerei quando eu era moleque, com meus 11 ou 12 anos, como era uma verdadeira aventura comprar as edições da Playboy ou da Ele&Ela com a Luiza Brunet, Cláudia Egito, Monique Evans ou Vanessa de Oliveira.
Chegava na banca já intimidado por aquele aviso no plástico que envolvia as "revistas de sacanagem": proibida a venda para menores de 18 anos.
Mas o jornaleiro precisava comprar o leite dos filhos, então fazia vista grossa, só que um pequeno tratrinho era necessário:
- Bom dia, me dá um Jornal do Brasil e um Recruta Zero, por favor.
- Claro, aqui está, mais alguma coisa?
- Ah sim, uma Playboy pro meu pai também.
E assim eu ia feliz para casa, folhear e me divertir com aquelas imagens de xoxotas, peitos, coxas e bundas, que depois eram devidamente escondidas no fundo do meu armário, atrás das calças compridas e debaixo da caixa com os gibis do Recruta Zero.
Hoje a coisa melhorou, quer dizer, ficou mais fácil. Um moleque que mal passou dos 8 ou 9 anos dificilmente conseguirá navegar pela internet sem que uma dupla de mamilos ou uma calcinha fio dental pulem em cima dele inesperadamente.
É uma situação tão descontrolada que existem softwares para uma navegação segura, que certamente se tornarão um obstáculo quando o moleque virar um rapazinho de 12 anos.
Existe o Red Tube, o You Porn, o Porn isso, X- aquilo. É um sem número de sites com vídeos variadíssimos, que atendem a quase todos os fetiches que a mente humana consegue criar (e olha que não são poucos).
E ai entra a minha dúvida cruel: o que, além de carência e de uma necessidade quase lancinante de atenção e aprovação (ainda que falsa ou na forma de grunhidos e elogios de punheteiros virtuais) leva uma garota a ficar se expondo em fotos, vídeos no You Tube ou nessas câmeras ao vivo que viraram febre na internet?
Algum moderninho vai me chamar de careta, vai dizer que eu tenho inveja ou então que só falo mal porque nenhuma delas quer me dar alguma coisa, mas vamos ser honestos: baseado puramente no exibicionismo virtual, elas dão alguma coisa real para quem?
Desculpem os avançados, mas sexo virtual pra mim é o mesmo que não fazer sexo. Qualquer atividade que não envolva troca de fluídos e até mesmo o risco de alguma doença venérea pra mim pode ser qualquer coisa, menos sexo.
Ficar vendo o peito de uma garota lá de São Paulo e babando ovo dela como se eu tivesse saído daquele buraco dos mineiros chilenos, simplesmente pelo direito de ver o outro peito, é uma idéia muito estúpida na minha humilde opinião.
Um bom exemplo é no Twitter, onde existe o tal "lingerie day", no qual garotas e caras colocam fotos de calcinha, sutiã e cueca (nem sempre nessa ordem) durante um dia inteiro. Qual o propósito? Esqueça os homens, simplesmente me recuso a emitir opinião sobre machos de cueca, foquemos as meninas.
Nada do que elas mostrarem ali será diferente do que aparece todo dia em páginas de revistas, na novela das oito e até no Programa da Xuxa, pra que então? Carência, necessidade de atenção, urgência por uma bomba de encher pneu de bicicleta acoplada ao ego.
Não nego que um monte de sujeitos chamando de "gostosa", "maravilhosa", entre outras coisas deva fazer bem às frustrações do dia a dia, mas aquelas moças que enfeitavam as Playboys que eu comprava quando era moleque ganhavam muito mais do que elogios em troca da exposição.
Para essa turma das câmeras, dos showzinhos ao vivo e das fotos de calcinha, sobra somente a invasão da privacidade (às vezes em níveis comparáveis a um exame ginecológico) e a fama de "putinha da internet".
Sim, rotulo mesmo, porque não vai ser a inteligência que vai chamar a atenção nessa hora, ainda que muitas delas sejam inteligentes.
Não subestime o poder de um monte de pêlos pubianos. Nenhuma tese de mestrado ou teoria sobre a origem do universo é páreo para eles.
E pros expectadores? Esses ávidos onanistas que fazem de tudo para ver uma nesga de mamilo, uma fatia de virilha, um naco de bunda, como se vivêssemos ainda no tempo das anáguas?
Não sobra nada, no máximo, uma punheta mal batida.
Todo mundo também nasceu nu, depois é que chega alguém, nos cobre e dá início a toda uma indústria do erotismo baseada simplesmente em devolver-nos à nossa condição básica que é a de sermos pelados.
No entanto, mesmo sabendo disso, a falta de um acesso mais universalizado à putaria - ou seja, os tempos pré-internet - mobilizou milhões de dólares em revistas, fotonovelas e filmes do Buttmann, escondidos num canto proscrito das locadoras de vídeo.
Jamais esquecerei quando eu era moleque, com meus 11 ou 12 anos, como era uma verdadeira aventura comprar as edições da Playboy ou da Ele&Ela com a Luiza Brunet, Cláudia Egito, Monique Evans ou Vanessa de Oliveira.
Chegava na banca já intimidado por aquele aviso no plástico que envolvia as "revistas de sacanagem": proibida a venda para menores de 18 anos.
Mas o jornaleiro precisava comprar o leite dos filhos, então fazia vista grossa, só que um pequeno tratrinho era necessário:
- Bom dia, me dá um Jornal do Brasil e um Recruta Zero, por favor.
- Claro, aqui está, mais alguma coisa?
- Ah sim, uma Playboy pro meu pai também.
E assim eu ia feliz para casa, folhear e me divertir com aquelas imagens de xoxotas, peitos, coxas e bundas, que depois eram devidamente escondidas no fundo do meu armário, atrás das calças compridas e debaixo da caixa com os gibis do Recruta Zero.
Hoje a coisa melhorou, quer dizer, ficou mais fácil. Um moleque que mal passou dos 8 ou 9 anos dificilmente conseguirá navegar pela internet sem que uma dupla de mamilos ou uma calcinha fio dental pulem em cima dele inesperadamente.
É uma situação tão descontrolada que existem softwares para uma navegação segura, que certamente se tornarão um obstáculo quando o moleque virar um rapazinho de 12 anos.
Existe o Red Tube, o You Porn, o Porn isso, X- aquilo. É um sem número de sites com vídeos variadíssimos, que atendem a quase todos os fetiches que a mente humana consegue criar (e olha que não são poucos).
E ai entra a minha dúvida cruel: o que, além de carência e de uma necessidade quase lancinante de atenção e aprovação (ainda que falsa ou na forma de grunhidos e elogios de punheteiros virtuais) leva uma garota a ficar se expondo em fotos, vídeos no You Tube ou nessas câmeras ao vivo que viraram febre na internet?
Algum moderninho vai me chamar de careta, vai dizer que eu tenho inveja ou então que só falo mal porque nenhuma delas quer me dar alguma coisa, mas vamos ser honestos: baseado puramente no exibicionismo virtual, elas dão alguma coisa real para quem?
Desculpem os avançados, mas sexo virtual pra mim é o mesmo que não fazer sexo. Qualquer atividade que não envolva troca de fluídos e até mesmo o risco de alguma doença venérea pra mim pode ser qualquer coisa, menos sexo.
Ficar vendo o peito de uma garota lá de São Paulo e babando ovo dela como se eu tivesse saído daquele buraco dos mineiros chilenos, simplesmente pelo direito de ver o outro peito, é uma idéia muito estúpida na minha humilde opinião.
Um bom exemplo é no Twitter, onde existe o tal "lingerie day", no qual garotas e caras colocam fotos de calcinha, sutiã e cueca (nem sempre nessa ordem) durante um dia inteiro. Qual o propósito? Esqueça os homens, simplesmente me recuso a emitir opinião sobre machos de cueca, foquemos as meninas.
Nada do que elas mostrarem ali será diferente do que aparece todo dia em páginas de revistas, na novela das oito e até no Programa da Xuxa, pra que então? Carência, necessidade de atenção, urgência por uma bomba de encher pneu de bicicleta acoplada ao ego.
Não nego que um monte de sujeitos chamando de "gostosa", "maravilhosa", entre outras coisas deva fazer bem às frustrações do dia a dia, mas aquelas moças que enfeitavam as Playboys que eu comprava quando era moleque ganhavam muito mais do que elogios em troca da exposição.
Para essa turma das câmeras, dos showzinhos ao vivo e das fotos de calcinha, sobra somente a invasão da privacidade (às vezes em níveis comparáveis a um exame ginecológico) e a fama de "putinha da internet".
Sim, rotulo mesmo, porque não vai ser a inteligência que vai chamar a atenção nessa hora, ainda que muitas delas sejam inteligentes.
Não subestime o poder de um monte de pêlos pubianos. Nenhuma tese de mestrado ou teoria sobre a origem do universo é páreo para eles.
E pros expectadores? Esses ávidos onanistas que fazem de tudo para ver uma nesga de mamilo, uma fatia de virilha, um naco de bunda, como se vivêssemos ainda no tempo das anáguas?
Não sobra nada, no máximo, uma punheta mal batida.
Quem é você por trás do seu avatar?
Postado em 6 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Por trás de cada sacada bem humorada, de cada piadinha cheia de timming, de cada verve irresistível, existe uma alma que deseja apenas um abraço.
Pode ser o aplauso de uma multidão, um texto repassado numa corrente de emails, um elogio no Twitter, mas depois do dinheiro e do poder, o que o ser humano mais adora e persegue loucamente é aprovação.
O tal "reconhecimento" da sociedade que vem na forma de ser considerado um bom vizinho, um colega de trabalho prestativo, um bom samaritano, tudo isso esconde um buraco negro chamado ego.
O problema é que esconde outras coisas também, como psicopatias, carências, frustrações, avarezas, taras, loucuras, manias.
Todo mundo é importante na internet. Duvida disso? Então pense que é difícil achar alguém no Orkut ou no Facebook com menos de 100 "amigos". No Twitter então, ter 500 seguidores é uma baba, quase todo mundo consegue.
Quer dizer, virtualmente seríamos todos vereadores de Varre e Sai, cidadezinha no Rio de Janeiro onde com 173 votos você se elege para a Câmara Municipal.
E não pense que a falta de um poder real ou econômico diminui a importância disso.
Delete um "amigo" do Orkut ou deixe de seguir alguém no Twitter e conheça alguns dos ataques de fúria e mágoa que isso pode originar. Não precisa acreditar em mim, puxe pela memória que certamente você vai lembrar de alguém que te interpelou perguntando algo como "porque você me deletou do seu Orkut?".
A coisa é levada tão a sério que existem aqueles que anunciam que vão deixar de seguir alguém em redes sociais, como uma espécie de comunicado à praça ou fato relevante:
"Vou dar unfollow em Fulano porque ele só fala sobre sua coleção de discos do Wando"
Agora pense rápido: poucas atitudes denotam mais carência do que isso, né? Imagino o sujeito dizendo uma coisa dessas e já rezando para que dali a alguns minutos o Fulano que deixou de ser seguido poste em algum álbum uma foto de joelhos, mãos postas e a legenda: por favor, eu imploro, não deixe de me seguir!
Só que tal qual quem faz a pergunta "posso te pedir alguma coisa?" jamais espera receber como resposta um simples "não", e como alguém que diz "gosto de quem fala a verdade", alguém que anuncia que vai deixar de seguir alguém em uma rede social jamais está preparado para um singelo "foda-se". E isto é um fato.
Negar para alguém a importância que ela jura que tem é o equivalente a um soco no estômago, ou melhor, a um tapa na cara.
E todas aquelas pessoas equilibradas, gente boa, concatenadas e maduras põem-se a falar mal de você, fazer bonecos de vodu e tentar resetar a senha do seu email, Twitter, Facebook e até do Sex Shop.
Tal qual aquele sujeito que vai num Mc Donald's e metralha todos os clientes só porque a atendente serviu uma Coca Zero ao invés da Light, temo pelo futuro da humanidade caso as rejeições virtuais tomem o mesmo caminho.
A moral da história é a seguinte: convém não irritar muita gente por aí, afinal, você nunca sabe se quem está por trás daquele avatar é o Jason, o Freddy ou Jack, o Estripador, que podem inclusive estar num mau dia, depois de terem sido recusados no Beautiful People.
Pode ser o aplauso de uma multidão, um texto repassado numa corrente de emails, um elogio no Twitter, mas depois do dinheiro e do poder, o que o ser humano mais adora e persegue loucamente é aprovação.
O tal "reconhecimento" da sociedade que vem na forma de ser considerado um bom vizinho, um colega de trabalho prestativo, um bom samaritano, tudo isso esconde um buraco negro chamado ego.
O problema é que esconde outras coisas também, como psicopatias, carências, frustrações, avarezas, taras, loucuras, manias.
Todo mundo é importante na internet. Duvida disso? Então pense que é difícil achar alguém no Orkut ou no Facebook com menos de 100 "amigos". No Twitter então, ter 500 seguidores é uma baba, quase todo mundo consegue.
Quer dizer, virtualmente seríamos todos vereadores de Varre e Sai, cidadezinha no Rio de Janeiro onde com 173 votos você se elege para a Câmara Municipal.
E não pense que a falta de um poder real ou econômico diminui a importância disso.
Delete um "amigo" do Orkut ou deixe de seguir alguém no Twitter e conheça alguns dos ataques de fúria e mágoa que isso pode originar. Não precisa acreditar em mim, puxe pela memória que certamente você vai lembrar de alguém que te interpelou perguntando algo como "porque você me deletou do seu Orkut?".
A coisa é levada tão a sério que existem aqueles que anunciam que vão deixar de seguir alguém em redes sociais, como uma espécie de comunicado à praça ou fato relevante:
"Vou dar unfollow em Fulano porque ele só fala sobre sua coleção de discos do Wando"
Agora pense rápido: poucas atitudes denotam mais carência do que isso, né? Imagino o sujeito dizendo uma coisa dessas e já rezando para que dali a alguns minutos o Fulano que deixou de ser seguido poste em algum álbum uma foto de joelhos, mãos postas e a legenda: por favor, eu imploro, não deixe de me seguir!
Só que tal qual quem faz a pergunta "posso te pedir alguma coisa?" jamais espera receber como resposta um simples "não", e como alguém que diz "gosto de quem fala a verdade", alguém que anuncia que vai deixar de seguir alguém em uma rede social jamais está preparado para um singelo "foda-se". E isto é um fato.
Negar para alguém a importância que ela jura que tem é o equivalente a um soco no estômago, ou melhor, a um tapa na cara.
E todas aquelas pessoas equilibradas, gente boa, concatenadas e maduras põem-se a falar mal de você, fazer bonecos de vodu e tentar resetar a senha do seu email, Twitter, Facebook e até do Sex Shop.
Tal qual aquele sujeito que vai num Mc Donald's e metralha todos os clientes só porque a atendente serviu uma Coca Zero ao invés da Light, temo pelo futuro da humanidade caso as rejeições virtuais tomem o mesmo caminho.
A moral da história é a seguinte: convém não irritar muita gente por aí, afinal, você nunca sabe se quem está por trás daquele avatar é o Jason, o Freddy ou Jack, o Estripador, que podem inclusive estar num mau dia, depois de terem sido recusados no Beautiful People.
Rent-a-Tweet ou "dou RT por comida"
Postado em 22 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
"Eu quero ganhar a camisa oficial da #LojadoChato2010! Siga a @lojadochato, dê RT e participe. Saiba + www.lojadochato.chato.pra.kct"
Quem sai na chuva, é pra se molhar. Quem entra no Twitter é pra se aporrinhar, várias vezes, por vários motivos. Se já não bastassem os joguinhos, as brincadeiras bobas, as correntes e todo o "conteúto-Orkut" disponível, algumas empresas resolveram que espalhar spam em forma de promoções é a melhor maneira de divulgar seus produtos e serviços.
Começam criando um perfil no Twitter, passam a seguir algumas pessoas e aí iniciam mais ou menos a mesma pática: estabelecer metas de seguidores - "quando atingirmos 10 seguidores sortearemos um chaveiro" - e pedir que as pessoas dêem RT (retweet, ou seja, repassar a mensagem adiante) em promoções esdrúxulas tipo "Dê RT e concorra a um desconto de 5% na compra de uma latinha de Red Bull".
Não sou especialista em redes sociais, em divulgação na internet, viralização e todo esse blablabla que é estudado e debatido em fóruns e congressos, mas entendo um pouco de consumo - já que eu mesmo sou um consumidor - e tenho certeza de que esse tipo de ação promocional só queima o filme da marca.
Primeiro contigo, que não deseja participar dessas chatices e no entanto recebe as mensagens do mesmo jeito, já que em todo grupo de pessoas existem aqueles que se especializam em adotar todo modismo e prática cretina, e fatalmente você seguirá alguma delas no Twitter.
É o que costumo chamar de "cota do chato", todo mundo precisa reservar 20% das vagas do seu círculo social para eles.
Depois, queima o filme entre os próprios chatos que repassam as mensagens, porque canso de ver alguns reclamando que "dão RT em tudo, mas nunca ganham nada". Uma pena, pois eu acho que todos eles deveriam ganhar um chute no olho.
Não entendo muito esse fetixe por ganhar coisas de graça. Não me leve a mal, é uma delícia chegar num lugar e ser recebido por uma bela mocinha que te presenteia com uma camiseta, um CD, uma caneta ou qualquer outro brinde, mas é algo totalmente diferente você passar os dias em sites de brindes, preenchendo formulários, enviando emails ou dando RT em mensagens no Twitter, tudo isso só pra no final ganhar um chaveiro que você mesmo não compraria nem por R$ 1,00 no camelô da esquina.
Porque acredite: tirando brindes vagabundos e chutes no olho, a chance de você ganhar um iPhone porque participou de uma promoção bizonha na internet é a mesma de ganhar numa loteria. No lugar dessas pessoas, eu particularmente preferiria investir na loteria.
Mas como vivemos num país livre, eu exerço meu direito de bloquear sumariamente qualquer um que me repasse tais promoções e essas pessoas, se quiserem, podem continuar a exercer orgulhosamente o seu papel de mendigos virtuais.
Quem sai na chuva, é pra se molhar. Quem entra no Twitter é pra se aporrinhar, várias vezes, por vários motivos. Se já não bastassem os joguinhos, as brincadeiras bobas, as correntes e todo o "conteúto-Orkut" disponível, algumas empresas resolveram que espalhar spam em forma de promoções é a melhor maneira de divulgar seus produtos e serviços.
Começam criando um perfil no Twitter, passam a seguir algumas pessoas e aí iniciam mais ou menos a mesma pática: estabelecer metas de seguidores - "quando atingirmos 10 seguidores sortearemos um chaveiro" - e pedir que as pessoas dêem RT (retweet, ou seja, repassar a mensagem adiante) em promoções esdrúxulas tipo "Dê RT e concorra a um desconto de 5% na compra de uma latinha de Red Bull".
Não sou especialista em redes sociais, em divulgação na internet, viralização e todo esse blablabla que é estudado e debatido em fóruns e congressos, mas entendo um pouco de consumo - já que eu mesmo sou um consumidor - e tenho certeza de que esse tipo de ação promocional só queima o filme da marca.
Primeiro contigo, que não deseja participar dessas chatices e no entanto recebe as mensagens do mesmo jeito, já que em todo grupo de pessoas existem aqueles que se especializam em adotar todo modismo e prática cretina, e fatalmente você seguirá alguma delas no Twitter.
É o que costumo chamar de "cota do chato", todo mundo precisa reservar 20% das vagas do seu círculo social para eles.
Depois, queima o filme entre os próprios chatos que repassam as mensagens, porque canso de ver alguns reclamando que "dão RT em tudo, mas nunca ganham nada". Uma pena, pois eu acho que todos eles deveriam ganhar um chute no olho.
Não entendo muito esse fetixe por ganhar coisas de graça. Não me leve a mal, é uma delícia chegar num lugar e ser recebido por uma bela mocinha que te presenteia com uma camiseta, um CD, uma caneta ou qualquer outro brinde, mas é algo totalmente diferente você passar os dias em sites de brindes, preenchendo formulários, enviando emails ou dando RT em mensagens no Twitter, tudo isso só pra no final ganhar um chaveiro que você mesmo não compraria nem por R$ 1,00 no camelô da esquina.
Porque acredite: tirando brindes vagabundos e chutes no olho, a chance de você ganhar um iPhone porque participou de uma promoção bizonha na internet é a mesma de ganhar numa loteria. No lugar dessas pessoas, eu particularmente preferiria investir na loteria.
Mas como vivemos num país livre, eu exerço meu direito de bloquear sumariamente qualquer um que me repasse tais promoções e essas pessoas, se quiserem, podem continuar a exercer orgulhosamente o seu papel de mendigos virtuais.
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