Bons Aires
Postado em 4 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Mas a verdade é que Buenos Aires me faz passar muita raiva.
Das suas ruas largas, suas avenidas imponentes, seus prédios de extremo bom gosto, sua gente amistosa, seus parques gramados cheios de pessoas nos finais de tarde, suas estátuas cheias de significado, a bandeira alvi-celeste tremulando, suas praças.
Detesto.
A sorveteria Freddo (que faz o melhor sorvete de limão do mundo), seus quiosques vendendo meu alfajor preferido, o Jorgito, em cada esquina, a facilidade de tomar refrigerante de pomelo sem ter que recorrer à suco de toranja ou a algum "citrus" da vida, seus bifes de chorizo de 200 quilos, suas milanesas com papas fritas, seus choripans, seus antigos restaurantes que parecem estar parados no tempo.
Não gosto.
O Clube Eros e suas sodas servidas em sifões, a Plazoleta Cortazar nos sábados à tarde, as ruas de Almagro, os diferentes e lindos Palermos: o Viejo, o Soho, o Hollywood, o Chico, sua imensa flor de metal perto do Malba e da faculdade de direito, suas moças bonitas.
A Bombonera, a Praça de Mayo, os fileteos.
O microcentro e sua Calle Florida, as Galerias Pacífico, o obelisco, Puerto Madero com a ponte em formato de mulher (ainda que eu nunca tenha conseguido enxergar um corpo de mulher ali), seus ônibus decorados, seu metrô caótico que leva a toda parte, os finais de tarde ensolarados, as feiras dos finais de semana, o prazer de sentar num café e ouvir ao meu redor aquele idioma maravilhoso, falado com o melhor sotaque de todos.
Me irritam.
Simplesmente saltar do avião num aeroporto e ser recepcionado pelo frio que me faz esquecer o calor infernal do trópico, entrar num taxi preto e amarelo e sentir uma felicidade inigualável simplesmente pelo fato dos meus pés estarem sobre solo argentino.
Aí você vai me perguntar, com toda razão, qual é a parte irritante disso tudo que foi descrito hiperbólicamente como se fosse um livreto promocional de turismo.
Fácil: ir embora.
Marcus na mochila 2.0
Postado em 29 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius
Sim, pode ser exagero, afinal não conheço o mundo inteiro, mas até que outra se apresente e me conquiste, ela é a cidade que mais amo, dentre todas as que já vi.
Por isso o blog ficará sem atualização até semana que vem, provavelmente na quarta ou quinta-feira, que é pra me dar tempo de curar a ressaca do passeio.
Desejo a todos um bom feriado e desde já deixo a recomendação: visitem a Argentina. É inesquecível e impossível de não voltar.
Mitos sobre ser brasileiro
Já ouviram isso em algum lugar? Eu já. E também coisas como festeiro, malemolente, hospitaleiro, simpático, caloroso. Mas será mesmo?
O brasileiro viaja ao exterior, seja para morar ou para turismo, e faz questão de permanecer isolado do resto das pessoas. "Ah, essa excursão é boa porque só tem brasileiro", "Hummm, achei um restaurante brasileiro ótimo", "Ai, que saudade de um feijãozinho", "Essa gringalhada tem aparência de quem não toma banho...". Pode perceber isso: brasileiro tem mania de andar em bando.
Sei de gente que morou em países com idiomas não tão complicados como a Espanha, a Itália e mesmo a Inglaterra e não conseguiu aprender direito a falar a língua do país. Isso porque ficam ali numa espécie de gueto. Só andam com brasileiro, só se relacionam com brasileiro, só querem falar português.
Isso é ser amistoso?
Temos um Carnaval que atrai muita gente. Mas junto com o carnaval vem a exploração sexual (até de menores), o ágio nos preços, empurra-empurra, inconveniências mil (desde passar a mão na bunda da mulher dos outros até coisas mais agressivas). Para entrar num baile carnavalesco, assistir um desfile de escolas de samba ou participar de um trio elétrico cobram valores equivalentes a quase o salário mensal do tal "povão", que teoricamente é quem faz a festa.
E o "povão", que teoricamente faz a festa, fica é do outro lado dos tapumes, do lado de fora das cordinhas, na "pipoca" do trio.
Isso é ser festeiro?
Somos conhecidos por querer levar vantagem em tudo, por quebrar todas as leis, costumes e regras do bom senso e da civilidade. Se existe uma placa pedindo que não pisem na grama, os brasileiros pisarão. Se existe um aviso pedindo para não fazer barulho, os brasileiros farão. Se existe uma roleta sem vigilância que conta com a honestidade da pessoa que por ali passa, os brasileiros trairão até a roleta. Se algo for necessário em cinco minutos, mesmo que possa fazer em dez, o brasileiro fará em quinze.
Já notaram como aqui a pergunta "tá com pressa?" é respondida prontamente com um "não, não", mesmo que a pessoa esteja indo salvar alguém da forca?
Isso é ser malemolente? Não sei, como tenho verdadeiro asco pelo termo, pode até ser que sim.
Os brasileiros, principalmente em cidades turísticas, vêem os "gringos" como um otário em potencial. Sabe como é, aquela gente estranha que tem o hábito bizarro de respeitar regras e confiar nos outros. O esperto, o malandro, o sagaz, esse não confia em ninguém, e tem sempre uma faca guardada para enfiar nas costas de qualquer um, afinal, no mundo você é "otário" ou "malandro".
Se um estrangeiro vem pro Brasil montar uma empresa, porque não cobrar tudo em dobro? Se vem passear, porque não cobrar o triplo?
Isso é ser hospitaleiro?
Somos, e isso não tem como negar, um povo em sua maioria rude. Seja pela educação precária, seja pela violência das grandes cidades, mas isso é um fato. Se uma porta de trem ou metrô abre, as pessoas são capazes de pisotear uma velhinha de 80 anos para conseguir um lugar sentado. Se alguém distribui qualquer coisa de graça (até saquinhos de bosta enfeitados), as pessoas não organizarão uma fila, afinal, fila é coisa de otário. As pessoas vão organizar uma espécie de "bolo doido", com empurrões, tapas, puxões de cabelo, xingamentos e mais o que você puder imaginar. Seja por um punhado de ouro, seja por um saco de bosta.
Quem acompanhou o Pan Americano de 2007 se lembra, vaiaram não só o presidente da república - um bufão ridículo, que merece vaia, mas que ali representava a nação, ainda que ele mesmo esqueça disso - como também vaiaram delegações visitantes, hinos, atletas e o que você mais puder imaginar.
Uma verdadeira demonstração de como o brasileiro é hospitaleiro, não? Não.
Por fim, seja onde for, é fácil descobrir um grupo de brasileiros. Eles falam alto, gritam, mexem em tudo - mesmo se avisos pedirem o contrário - fazem inconveniências, pensam que estar em algum lugar "a passeio" ou mesmo temporariamente, lhes tira a obrigação de ter um mínimo de educação.
Tudo que é tipo de comportamento incômodo e excessivamente expansivo é creditada ao fato do brasileiro ser "caloroso".
Sei que não são todos, antes que algum pentelho politicamente-correto-meio-termo venha me dizer que estou generalizando, mas são muitos, um número que aliás é bem acima do aceitável. Concluo que o brasileiro não precisa de muito para ser um povo melhor. Precisa apenas ser menos amistoso, festeiro, malemolente, hospitaleiro, simpático, caloroso.
Já será o bastante.
Lembra da minha voz?
Postado em 18 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Uma voz fantasmagórica berrava em meio aos barulhos do trem - o que a tornava quase inaudível - os nomes das estações. Você estva lá, quieto no seu canto, espremido entre uma senhora cheia de sacolas e um negão de cabelo rastafari ouvindo reggae no celular e de repente um berro o surpreendia: "próxima estação Ana Rosa!".
Juro que a primeira vez que ouvi isso achei que era uma acusação, tipo "Você aí! Porque matou Ana Rosa?".
Soube que chegaram a oferecer cursos de locução para os metroviários de lá, coisa que não deve ter dado muito certo, pois os melhores alunos provavelmente abandonaram a carreira de condutor para fazer concorrência ao Galvão Bueno. Agora são dois locutores que gravam as mensagens e os nomes das estações.
No Rio é a mesma coisa, uma voz feminina - sexy até - avisa aos passageiros sobre as próximas paradas e faz as vezes de inspetora de colégio interno: "Não carregue a mochila nas costas", "Ajude os idosos", "Ao entrar, dirija-se ao centro do vagão", "Ceda o lugar". Só falta nos lembrar de escovar os dentes e não deixar toalha molhada em cima da cama.
Duvido que você nunca tenha pensado, silenciosamente, "ahh, cala a boca, porra". Eu confesso que toda hora me pego xingando mentalmente a voz do metrô, tanto quanto aquelas vozes de garagem de shopping center: "bem vindo e boas compras", "não fode, 5 reais por duas horas de estacionamento?".
O metrô de Santiago, no Chile, resolveu o problema: lá não tem voz alguma. Pelo menos não indicando as paradas. Você já está contando que alguma voz estridente/sexy/cavernosa te avise e nada, quando descobre já passou umas 4 ou 5 estações. É nessa hora que damos valor até aos condutores de São Paulo.
Agora, se tem uma voz que eu adoro ouvir é voz de aeroporto, principalmente se estiver indo viajar. "Senhores passageiros embarque no portão...", isso é quase música para os meus ouvidos.
Mas seria legal mesmo se as vozes pudessem nos ouvir ou até interagir conosco: "Ei, vocês dois aí, isso não é lugar para amassos, dêem espaço pra velhinha sentar" ou então "Em caso de emergência...o que? Vai tomar no %&*# você também, eu estou trabalhando..." ou então "Senhor Wesleyson e Srta. Suellen, por favor desliguem esse funk ridículo que vocês ouvem a todo volume nos seus celulares, isto aqui é um metrô e não uma laje, obrigado".
Se bem de que dependendo de onde estejamos, não faz muita diferença. Imagine o metrô de Pequim, Tóquio ou Moscou, de que adiantaria uma voz sexy - possivelmente de uma loira chamada Natasha - me avisando: "виду разрыв! виду разрыв! это отверстие вы находитесь в!!!"?
Eu só descobriria o que a Natasha tentou me dizer horas mais tarde, já no hospital, quando contassem que ela tentou me salvar gritando: "Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma. O vão! O vão! Esse buraco aí em que você acabou de cair!".
O templo da discórdia
Postado em 1 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Obviamente isso gerou uma gritaria por parte dos conservadores e uma gritaria de igual tamanho por parte da turma da tolerância. Até o aiatolá, quer dizer, presidente Hussein Obama, já declarou seu apoio ao "direito" dos muçulmanos erguerem seu templo ali.
O que eu não consigo entender, sob nenhum aspecto, é onde se esconde o pessoal da "diversidade" quando um cristão é preso em algum país árabe pelo crime hediondo de portar uma Bíblia, ou porque eles não se chocam com o fato de outras religiões que não o islamismo serem proibidas em vários desses países, a despeito de gozarem de toda liberdade de culto no Ocidente.
Essa semana mesmo o ditador Líbio, Muammar Khadafi, recrutou 500 jovens italianas ao preço de 70 euros cada para tentar "converte-las" ao islã. Presenteou cada uma com um exemplar do alcorão e convidou-as a tornarem-se muçulmanas. Tudo isso em Roma, cidade onde está localizado do Vaticano.
Imaginem cena parecida, só que trocando o tiranete líbio por algum presidente de país ocidental em viagem ao Oriente, e substituindo os exemplares do alcorão por exemplares da Bíblia ou da Torah. Imaginem agora os protestos, xingamentos, badernas e sentenças de morte que isso não geraria.
Pelo mesmo motivo de proibirem crucifixos em seus países e reclamarem da proibição do uso do véu na França, e quererem construir perto de um local onde morreram brutalmente milhares de pessoas um templo em honra da religião dos seus algozes: falta de sensibilidade, falta de um mínimo de respeito pela dor dos parentes daquelas pessoas.
A partir daí, esse apedrejamento ideológico estará definitivamente substituído por aquele propriamente dito, tão difundido nos países que a turma da tolerância defende.
Lula e Chávez: dois lados do mesmo tostão furado
Postado em 31 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Lula: "Tênis é esporte da burguesia, porra"
Como podem notar, tanto no quesito idiotice quanto na truculência e falta de educação, ambos os tiranetes são iguais. O que difere? É que um vive num país com instituições democráticas mais frágeis como é a Venezuela, e conseguiu "tomar conta" mais rápido.
O outro apenas cuida - diariamente - de enfraquecer estas mesmas instituições no Brasil, talvez já na intenção de aprontar o mesmo por aqui. O "pensamento" - se é que podemos chamar qualquer coisa que sai dessas duas cabeças de pensamento - é bem parecido. O "nós" contra "eles", o estado forte e aparelhado, o controle da mídia, o roubo de fatos históricos para transformá-los em mérito pessoal do "grande líder"
.
O que os petralhas não entendem - talvez por falta de inteligência, talvez por mau-caratismo ou talvez porque estejam ocupados demais tentando dizimar qualquer coisa que se oponha a eles - é que os seus opositores não querem que eles se calem ou sejam varridos do mapa, querem é não ter que se calar e não sucumbir diante dessa nova modalidade de ditadura do Século XXI, que é a turba emburrecida, abrindo mão de ser indivíduo para aderir à manada, esmagando qualquer coisa que se coloque à sua frente em nome da "maioria". Não existe democracia plebiscitária.

Brasil? Pelé! Mulata! Favela!
Postado em 22 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Mas experimente alguém vir de Roraima ou do Acre para ver se não se tornará rapidamente "o Roraima" e "a acreana". É que a menos que você seja de lá ou vá morar por algum motivo, vai conhecer mesmo pouca gente desses lugares. E assim também acontece com gente de lugares remotos como Manaus ou de municípios menores, porém de nomes tão exóticos quanto Bofete (SP), Varre-e-Sai (RJ), Ressaquinha (MG), Coité do Nóia (AL), Xangri-lá(RS), Uauá (BA), Nhecolândia (MS), Quincuncá (RN).
Só com muita sorte alguém de um desses lugares não ganhará um apelido referente a eles. Acho que as pessoas só não gostam de brincar com quem vem de Pau Grande (RJ), porque aí o apelido ajudaria a vítima ao invés de caçoar dela.
E isso funciona também em relação aos países do mundo. A menos que o viajante seja do Djbouti ou do Quirguistão, provavelmente haverá algum estereótipo ligado à sua terra que será mencionado quando ele anunciar de onde veio.
Até o Cazaquiatão já tem o Borat pra isso. Se o turista for argentino falarão de churrasco, Evita, Gardel e Maradona, a menos que ele esteja no Brasil, onde falarão de catimba, pouco apreço por tomar banho e outras grosserias disseminadas pela nossa televisão.
Um brasileiro passeando no exterior fatalmente ouvirá a tríade-maldita "Pelé-Mulata-Favela" quando disser de onde veio, o que me deixa fulo da vida, não tanto pelas menções, mas porque eles tem alguma razão em achar que não produzimos muita coisa além de batuque e barracos nos últimos 100 anos.
Mas o que me irrita mesmo é estar em algum lugar e alguém vir me dizer que conhece um "restaurante brasileiro maravilhoso, com feijoada, caipirinha e um sambinha". Sim, claro, como sou brasileiro tenho a mente tão limitada que mesmo na Europa ou nos EUA só consigo me divertir ouvindo batucada e comendo porco esquertejado. Sei que a intenção não é ofender, mas me ofendo mesmo assim.
É como você virar para um americano e dizer "Estados Unidos? Ahhh! Fast-Food! Gente gorda! Malucos que atiram nos outros dentro de lanchonetes!" ou então conhecer um francês e dizer "França? Queijo podre! Desodorante vencido! Não toma banho!".
E tem pra todos os gostos: "Italiano? Mora com a mamma até os 50! Comedor de lasanha! Só fala gritando!" ; "Português? Tamanco! Mulher de bigode! Ceroulas!".
Entendem? Qualquer um acharia isso um saco, menos algum sujerito lá de Pau Grande, que provavelmente iria adorar se alguém dissesse "Pau Grande?Quanto você calça?".
O cuco nuclear
Postado em 16 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário
"Cuco-cuco-cuco!". Eu pelo menos já levei sustos homéricos quando aquilo resolvia piar de surpresa. Quer dizer, surpresa pra mim, que já era enganado pelo tempo que passa mais rápido do que imaginamos, porque para o reloginho eram os mesmos 60 minutos de sempre.
Mas não falo sobre tudo isso para contar histórias de um tempo que não volta mais, ainda que venha falar de atitudes que não têm volta.
O Irã sabidamente está buscando a tecnologia nuclear. 99% do mundo civilizado, clube do qual, aliás, o Brasil parece que resolveu abdicar de seu título de sócio no apagar das luzes do governo petista, acha que a República Islâmica busca o domínio do ciclo do enriquecimento do urânio com fins bélicos.
A ditadura religiosa dos aiatolás, a mesma que diz que o holocausto nunca existiu, jura também que essas intenções bélicas não existem. Pode ser realmente que os iranianos só desejem a energia nuclear para iluminar seus estudos noturnos do Alcorão? Sim, pode. É provável que não seja só isso? Sim, é provável, aliás, é muito provável.
Sabendo disso, o mundo que pensa e onde é permitido pensar resolveu tentar por vias diplomáticas demover o Irã desta idéia, mas não tem obtido muito sucesso na empreitada. Ao que parece o país dos aiatolás não tem pobreza, não tem problemas de saúde pública, não tem problemas até mesmo com a saúde da sua democracia e pode gastar todos os bilhões que ganha vendendo tapete persa para embarcar na aventura nuclear.
E o cuco está fazendo o seu tic-tac. Entre uma rodada de negociações e outra, entre reuniões do Conselho de Segurança da ONU para votar moções de condenação ou mesmo novas sanções, o Irã segue armando-se. Sendo bons alunos de Saddam Hussein, ainda que seus inimigos, os iranianos não cometeram os mesmos erros que o antigo ditador iraquiano cometeu em seu programa nuclear, que foi seriamente prejudicado por um ataque preventivo de Israel.
Suas instalações são espalhadas em diversos pontos do território do país, túneis e abrigos subterrâneos foram construídos com o auxílio tecnológico-humanitário de outro campeão da democracia, a Coréia do Norte, e finalmente, algumas instalações foram colocadas dentro de áreas com grande densidade populacional, para que o povo destes lugares tenha a imensa honra de se tornar mártir compulsoriamente em caso de algum ataque.
Ainda que possua uma defesa antiaérea fraca, o Irã está se reforçando com armas compradas da Rússia. Ainda que não possa lançar uma retaliação em grande escala contra Israel, ninguém duvida que ataques suicidas e com armas de destruição em massa serão lançados de vários pontos do Oriente Médio, vindos de países que os aiatolás alimentam com suas armas e seu dinheiro.
E não é só isso. Hoje, no cenário que se apresenta neste momento, os israelenses não possuem condições logísticas (caças, aviões-tanque, aviões de apoio, entre outros) para sustentar o ataque de várias semanas que seria necessário para destruir completamente o programa nuclear iraniano que já está em avançado grau de desenvolvimento.
O máximo que podem fazer é atrasá-lo, ganhar algum tempo para que alguma coisa possa ser feita e evitar que um regime fundamentalista possua armas nucleares capazes de desestabilizar todo o mundo. Para se ter uma noção do tamanho da ameaça, basta apenas uma bomba nuclear para destruir completamente o pequeno território de Israel.
Sem contar que outros países da região se acharão no direito de possuir essas armas também, como a Turquia e o Egito, por exemplo. Não consigo ver um mundo mais pacífico e seguro enquanto regimes que pregam que a morte é a maior glória e que dezenas de virgens aguardam sedentas pelos mártires no paraíso possuam a capacidade de causar uma destruição de proporções gigantescas.
A situação é clara: ou o Irã interrompe imediatamente seu programa nuclear ou Israel e os EUA, que possuem próxima e privilegiada base no Iraque, devem devem tomar medidas sérias e decididas para interromper o seu programa nuclear. O tempo corre, os aiatolás estão muito próximos de seu objetivo e a cada dia que passa uma ação desse porte torna-se mais difícil e custosa.
O regime islâmico iraniano já mostrou que não tem apreço nem pelo seu próprio povo. Os mortos, os torturados e presos nos protestos oposicionistas contra Ahmadinejad são a prova de que vidas humanas para eles são meros detalhes, afinal, o que importa é a "glória do martírio".
Agradeço imensamente, mas "passo" essa oportunidade "gloriosa" de virar mártir involuntário de uma causa na qual não acredito e nem apóio, e acho que todo o mundo civilizado deve começar a pensar nisso também, antes que o cuco resolva nos dar um susto e que seja tarde demais para voltar no tempo.
A flotilha da paz
Postado em 1 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
O mundo em peso condenou a ação israelense, ocorreram protestos em várias cidades e rapidamente países anti-americanos e anti-israelenses como Irã e Venezuela et caterva apareceram para dizer o já conhecido "eu avisei", como se aquilo tudo fosse a confirmação de que eles são o "bem" na eterna luta do bem contra o mal.
Confesso que não concordo com o embargo à Gaza. Não que eu considere digno de interlocução um governo liderado pelos terroristas do Hamas, mas simplesmente porque acredito que a pobreza, a ignorância e principalmente, a desesperança, são insumos para o extremismo e o terrorismo. Aquela gente passando fome, sem direitos básicos, sem possibilidade de planejar qualquer coisa no futuro só tem um sentimento: o ódio. E o ódio reprimido leva qualquer um a fazer coisas que não faria normalmente.
Mas entendo também o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, homem prolixo e fértil em dizer asneiras que incendeiam ainda mais a fogueira do conflito árabe-israelense, mas que está coberto de razão quando diz que Israel já cedeu mais territórios aos palestinos do que os que ainda sobram para serem devolvidos, e ainda assim o conflito só piorou.
A Faixa de Gaza foi devolvida aos palestinos integralmente, até os famigerados assentamentos foram retirados, mas ainda assim ela serve como plataforma de lançamento de foguetes palestinos contra as cidades israelenses próximas.
Durante as conferências em Camp David, foi oferecida aos palestinos a devolução total de Gaza e da Cisjordânia, além de Jerusalém Oriental como capital do seu estado independente. Eles recusaram, porque queriam também a volta de exilados que estavam em outros países.
A cada concessão, nova exigência. Porque isso? Simples, porque toda essa luta palestina gera fundos de ONGs e governos estrangeiros, que enriquecem os líderes daquele povo, enquanto seus liderados são mantidos na miséria.
Mas não existe ninguém totalmente "bonzinho" ali. Israel faz questão de alimentar seus críticos e detratores com medidas impopulares, inumanas e truculentas. Um muro que cerca a Cisjordânia e ajudou a impedir ataques suicidas espertamente tungou 10% do território palestino. A cada foguete caseiro lançado contra o país, as Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês) lançam ataques poderosíssimos, que deixam um rastro de mortes.
Postos de controle que garantem a segurança interna também infernizam o ir-e-vir dos palestinos. Sem contar o fato de ser a única democracia real do Oriente Médio e ainda assim conviver com a incômoda realidade dos campos de refugiados.
Tudo isso dificulta a tarefa de quem deseja defender Israel no campo das idéias, porque à primeira vista o país faz muito para justificar a cota de ódio da qual é objeto.
Mas aí eu lembro que em países islâmicos sem ocupação alguma, o povo é oprimido por seus próprios governantes do mesmo jeito. Irmãos atacam irmãos, pais tratam suas filhas como animais, sociedades criam monstros como os Talibãs, enviam terroristas para atacar pessoas do outro lado do mundo com a simples justificativa de que são "infiéis". E tudo isso sem ocupação alguma que justifique tanto ódio, tanta violência.
Convenhamos: não existem terroristas israelenses explodindo bombas em metrôs. Eles usam violência exacerbada em várias ocasiões, mas o fazem na intenção de defender seu país de pessoas que afirmam para quem quiser ouvir que seu objetivo é "destruir Israel, varrer o país do mapa e jogar os judeus no Mediterrâneo".
Não existem israelenses surrando mulheres porque saíram às ruas sem usar um véu e também não vemos um presidente ou premier israelense há tanto tempo no cargo quanto os presidentes do Egito e da Síria, os aiatolás iranianos ou o "comandante" Fidel.
Numa equação simples, numa escolha entre o preto e o branco, eu tendo a dizer que preferiria muito mais ser um israelense a ser um cidadão de qualquer outro país árabe, pelo simples fato de que, em Israel, as pessoas possuem dois ítens raros naquela região tão rica em petróleo: liberdade e democracia.
Mas chega a ser uma pena que um povo que sofreu tanto durante a Segunda Guerra não tenha a sensibilidade de poupar alguns inocentes de tanto sofrimento, de evitar assim que se criem cobras que tentarão mordê-los mais adiante, e que forneçam tanta munição para extremistas, autoritários e terroristas nessa "guerra ideológica".
O problema é que por mais concessões que Israel faça, o país jamais poderá dar aos palestinos e ao mundo árabe o que estes realmente desejam que é a sua destruição. E ninguém pode exigir de um povo que este se ofereça ao sacrifício em nome de qualquer coisa, nem mesmo da paz, porque isso não seria paz, seria rendição.
Chego a conclusão de que o homem, o ser-humano, não deu muito certo.
Touradas ou ETs canibais?
Postado em 24 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 13 Comentários
Depois de duas cirurgias, uma ainda na enfermaria da arena, ele foi para uma UTI e segundo afirmaram seus médicos terá uma recuperação lenta porém total e sem seqüelas. A imagem diz muita coisa, por isso resolvi colocá-la abaixo:
As touradas (Corridas de Toros) são muito populares em vários países do mundo como Portugal, México, Peru, Venezuela, Equador, Colômbia e até na França. Porém a Espanha é o mais famoso deles, ainda que lá existam entidades e pessoas contrárias à prática.
Com duração de cerca de 2 horas, uma tourada normal ocorre em sessões de mais ou menos 15 minutos, chamadas faenas, que se dividem em 3 partes: apresentação do touro e entrega da capa para o toureiro, a suerte de varas que envolve os picadores (que do alto de cavalos dão estocadas com lanças no pescoço do touro) e os banderilleros, que irão espetar 3 banderillas nas costas do animal. No terço final da faena o matador então entra na arena para enfrentar o touro sozinho, terminando com a morte do touro ou o seu indulto, caso este mostre coragem e sensibilize a platéia.
Na Espanha e nos países que tem essa tradição, as touradas são acontecimentos. Desde a roupa usada pelo toureiro, o "traje de luces", até os pasodobles executados por uma banda ao vivo, tudo é feito para provocar emoções.
É violento sim, como são violentas as lutas de boxe e vale-tudo e provocam os intintos mais básicos, causando reações que vão da euforia ao horror, todas justificadas.
Algumas pessoas acham tudo apenas um espetáculo cruel e bárbaro e é direito de cada um gostar ou não de uma tradição que envolve a matança de animais. Mas nesse caso aconselho que parem de comer churrasco e abstenham-se até mesmo de um simples sushi de churrascaria (coisas do Brasil), já que os "grupos ecológicos" também consideram muitas modalidades de pesca "cruéis", inclusive a do salmão utilizado para preparar o prato japonês.
Pronto, cheguei onde queria: nos "defensores dos animais", os "vegans", os "ecologistas", essa gente boa, amorosa e pacífica que só quer defender os direitos do miquinho, do boizinho, do golfinho (minha enteada quando tinha 5 anos achava que o nome do animal era "golfo" e o diminutivo é que era "golfinho"), revolucionando até a cadeia alimentar.
Logo que soube do acidente com o toureiro minha curiosidade mórbida me fez correr pro YouTube para assistir o vídeo. É, como dizem os espanhóis, uma cena escalofriante (e mesmo que você não fale uma palavra do idioma, concordará que é um bom termo para o que se passa ali). Porém mais arrepiantes ainda eram os comentários dos animais humanos, felizes com a chifrada que o animal bovino deu em um de seus semelhantes.
Eram coisas como "Tomara que nem morra, mas que viva aleijado pra sempre" ou então "Bem feito, tinha que levar mais chifradas", "Quem gosta disso merecia ser morto junto com a família inteira numa arena dessas" e ainda "Lindo isso, imagem maravilhosa!".
Sim. Teve gente que achou a imagem "maravilhosa". É ou não é escalofriante? E pode acrescentar "Espeluznante" também. E isso acabou me lembrando de uma história que ouvi sobre um vegan que batia boca com um carnívoro e dizia que os seres humanos são egoístas, porque "não tratam os animais como amigos, e sim como alimento" e completava "tomara que ETs canibais comam a família de todos".
Sentimento bom, né? Só falta dar as mãos pros tais ETs e cantar "We Are The World".
Não julgo aqui o direito de qualquer um gostar de touradas ou não. Acho que é algo muito pessoal. Tem safari na Africa, pesca de marlin, existe temporada de caça nos EUA, tem o espetáculo anual brasileiro onde mulheres são expostas como carne no açougue, tudo isso pode ser considerado chocante dependendo da cultura de onde a pessoa venha, mas o que parece escapar à compreensão é que uma opinião não pode ser imposta às outras.
Não interessa o que digam ecologistas e defensores de direitos dos animais, a verdade não pertence a eles. Tem coisa bem pior pelo mundo afora.
Mutilações de meninas em países africanos, assassinatos de mulheres no Afeganistão e demais países muçulmanos, repressões das mais diversas, tudo que afeta um ser humano sai dos limites da mera "tradição" de um país e passa a ter a ver com toda a humanidade.
Extinção de espécies animais também. Baleias, tartarugas, grandes felinos, todos devem ser protegidos porque podem desaparecer. Mas touros? Esses de tourada então são criados exclusivamente pra isso. Desde o momento em que entram na arena até o seu abate não se passam mais do que 15 minutos. Com tanta criança passando fome, com tantas guerras dizimando populações inteiras, doenças, crimes, com tanta coisa pra resolver por aí, eu não acho que a tradição espanhola seja uma preocupação que tenha espaço num mundo que não seja o de quem tem a cabeça na lua.
Se formos pela onda dessa gente daqui a pouco não se pode mais nem usar casaco de lã, porque imagina o dano psicológico que as ovelhas sofrem ficando carecas daquele jeito. São confundidas com o Marcelo Tas durante meses!
Mas esses comentários sobre o toureiro demonstram uma espécie de mau-caráter travestido de bondade. Quer dizer então que a pretexto da "defesa dos animais" devemos desejar que pessoas envolvidas numa tradição secular sejam "mutiladas" e que seres humanos que comem carne sejam "devorados por ETs"(Vamos fazer de conta que ignoramos a parte dos ETs)?
Resumo: comer carne de animais é ruim, muito ruim. Seres humanos sendo devorados é uma coisa boa, muito boa!
É um pensamento tão radical quanto o de um fundamentalista Talibã ou um desses comunas de butique. Aliás não é à toa que muitos vegans e defensores dos animais sejam também comunas de butique.
Lendo e ouvindo essas coisas que eles dizem acho que consigo identificar pelo menos um ponto de afinidade entre essa turma da alface e a sua comida predileta: o adubo usado na plantação provavelmente vem da cabeça deles.
Procura-se a Coca-Light
Postado em 6 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Mas o fato é que depois de uma certa idade, nosso metabolismo fica menos rebelde e nos obriga a cortar calorias, caso contrário colecionaremos quilos a mais.
Daí a opção pelos refrigerantes Diet ou Light. Não vou mentir pra você: o gosto não é igual. Parece muito com o açúcar, mas quem disser que é igual não sabe a diferença entre um iPhone e um HiPhone.
Mas já é alguma coisa, então eu que sou fã de Coca-Cola, aderi à Coca Light. Mas um dia apareceu a Coca Zero, com gosto bem mais parecido com açúcar, um rótulo estiloso e a mesma promessa de eliminar o peso na consciência e na balança.
Até que recebi uma dessas correntes de internet, mais ou menos parecida com as que nos avisavam sobre os riscos de cobras e escorpiões em brinquedos do Mc Donald´s, de pessoas abduzidas na fila do Mc Donald´s que acordavam sem um rim ou dos assaltantes que marcam os carros das pessoas no Drive Thru do Mc Donald´s para nos roubar depois.
Como se nota a partir desses alertas repassados de email em email, as propriedades alimentícias da comida do Mc Donald´s são o menor risco que um cliente pode estar sujeito ali.
Mas essa tal corrente curiosamente não falava do Mc Donald´s e sim da Coca Zero. O texto em questão avisava que ao invés do aspartame usado na Coca Light, a Zero utilizava entre seus edulcorantes o ciclamato de sódio, que seria uma substância cancerígena proibida nos EUA, no México e em mais alguns países nos quais a Coca Zero utilizava outro produto adoçante na sua fórmula. Diziam que o ciclamato só era utilizado no lugar do aspartame porque seria bem mais barato.
Até na Venezuela, pasmem, o ciclamato foi proibido, ainda que eu ache que eles deveriam proibir outras coisas igualmente letais por lá, como o Hugo Chávez, por exemplo.
Fui pesquisar mais sobre o assunto e encontrei uma lista de produtos divulgada pelo FDA, órgão de saúde pública dos EUA, chamada "Generally Recognized as Safe (GRAS)", traduzindo seria algo como "reconhecidos como seguros". Nesta lista o ciclamato aparece com a seguinte observação: "Sodium cyclamate - NNS, ILL - Removed from GRAS", quer dizer, ele não é considerado seguro para consumo nos EUA.
Não sou repórter, mas fui atrás do tal "outro lado da história" e encontrei um comunicado da Coca-Cola dizendo que o ciclamato é liberado para consumo em mais de 50 países, inclusive na União Européia, e que só foi proibido nos EUA devido a testes realizados com ratos na década de 1970, onde os roedores receberam quantidades equivalentes a 700 latas de refrigerante por dia e que estudos posteriores provaram que o ciclamato não era uma substância perigosa.
Avisavam ainda que nos EUA já há um pedido para reaprovar o ciclamato e que este está sob revisão da FDA.
Até aqui, mais um boato internético desvendado, não é? Não. A parte que ainda ficou me incomodando foi a que dizia que a opção pelo ciclamato se devia a este ser mais barato.
Pensemos: mais barato, mais lucro. Qual empresa não gosta disso? E qual o problema se alguns clientes vierem a morrer por conta disso depois? Os valores pagos em indenizações sempre serão infinitamente menores do que os lucros.
Só que tudo isso pode não passar de teoria da conspiração levantada por um blogueiro sem assunto numa sexta-feira entediante. Mas um último dado que me deixa ainda mais desconfiado é o sumiço da Coca Light do mercado.
Pra quem já bebeu as duas, é fácil diferenciar seu gosto. Cada uma tinha seus clientes fiéis e ninguém brigava com ninguém tal como sunitas e xiitas. Porque então a Coca-Cola resolveu dar um sumiço na Cola Light?
Seja em shoppings, lanchonetes e até alguns supermercados, ela sumiu. Você encontra a tal Coca Zero ou então no máximo uma tal Coca Light Plus que vem numa lata menor e com preço igual ou até maior.
A boa e velha Coca Light sumiu do mercado por uma "estratégia de marketing" da empresa. Estratégia que obriga a pessoa que quiser continuar consumindo os refrigerantes da companhia, que diga-se de passagem é dona de uma fatia de mercado imensa no Brasil, a optar pela tal Coca Zero que usa um adoçante suspeito e barato.
Não sei o que você pensa disso, mas eu desconfio muito quando uma empresa resolve me oferecer um produto que diz ser tão bom quanto outro mas que tem um custo bem menor para eles. Afinal, por mais respeito que essa empresa possa ter por mim, não sou ingênuo e sei que a parte do meu corpo que ela preza mesmo é o meu bolso.
Faço coro: não doe nada para as ONGs
Postado em 31 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Lendo um excelente artigo do professor Demétrio Magnoli, no qual ele jogava uma luz sobre a real situação da miséria no Haiti e exortava quem lesse para que não doasse dinheiro àquele país, porque este numerário fatalmente cairia no buraco negro das ONGs, eu percebi como essas entidades muitas vezes obscuras alimentam-se da pobreza global para existir.
Não é uma afirmação insensível essa, apesar de parecer assim de primeira. Podemos dizer que as ONGs só existem porque existe pobreza, mas será mesmo que essas entidades, algumas milionárias, querem mesmo erradicar o que lhes dá sustento?
Destaco um trecho do artigo do professor Demétrio sobre o Haiti que me parece primordial para o entendimento do problema que são as ONGs:
"O dinheiro arrecadado não chegará nunca às pessoas que perderam o quase nada que tinham. Será desviado para financiar os intermediários entre o mundo e o devastado país caribenho: as ONGs internacionais, às vezes associadas à diminuta, cleptocrática elite haitiana. Já era assim antes do terremoto (...) o Haiti é um protetorado da ONU governado pelas ONGs. Obviamente, existem ONGs bem-intencionadas, mas não é esse o ponto (...) as pessoas não têm direitos, a não ser o de aguardar na fila até que o funcionário de uma ONG lhes estendam um prato de comida. É assim há anos, bem antes do terremoto."
Será que, de posse dessas informações, sustentar ONGs e apoiá-las é uma idéia tão boa assim? Você que me lê, gostaria de uma vida assim para sua família?
Para vocês terem uma noção, até o Viva Rio (!!!) está no Haiti, como se já não houvessem pobres suficientes para eles aqui no Brasil.
Isso aliás lembrou bem uma história que ouvi de uma pessoa que trabalha no serviço público junto às populações que beiram o lumpesinato, se já não estão nele totalmente. Ela contou que precisava por vezes apartar as brigas de ongueiros, dizendo para eles que "tem pobre pra todo mundo".
Numa excelente abordagem do assunto, o filme "Quanto vale ou é por quilo?", do diretor Sérgio Bianchi, mostra sem muitos rodeios o absurdo que é a falência das instituições nacionais no Brasil e a sua paulatina substituição pelo assim chamado "Terceiro Setor".
Assim como no Haiti, somente a ausência de um estado possibilita o caldo de cultura para que essas entidades atuem. Assim como no Haiti, imensas populações no Brasil dependem dessas ONGs para comer, estudar, vestir, receber tratamento médico e, claro, essas mesmas ONGs recebem muito dinheiro de doadores privados e públicos para substituir o estado em suas obrigações.
É uma imensa engrenagem de marketing, logística, solidariedade subvencionada.
Aí me pergunto: é realmente uma coisa boa? Ou isso é um imenso mercado que movimenta milhões ao redor do planeta e que mais se assemelha a uma máfia? Só que ao invés de traficar escravos, drogas ou explorar a prostituição, esta é a máfia da pobreza.
São empresários, profissionais enjeitados pelo mercado e pelo serviço público e aproveitadores que, repito, se não perfazem a totalidade dos "ongueiros", pelo menos constituem uma grande porção destes.
Toda essa gente sustentada como nababos a partir das doações que a miséria e a ausência do estado proporcionam, teria qual interesse em promover a erradicação da miséria e o retorno do estado?
É por isso que faço coro, mais uma vez, ao professor Demétrio e digo: eu não dou dinheiro para ONGs (e se faço, procuro conhece-la bem mais do que sua propaganda conta) e espero que, uma vez sabendo disso tudo, todas as pessoas pensem bem antes de fazê-lo também.






