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Vai por mim: o Godzilla é mais interessante do que o seu celular

Postado em 12 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Um cinema nos Estados Unidos ficou famoso por atirar na rua os clientes que liguem o celular - ainda que para passar uma simples mensagem de texto - durante a exibição do filme.

Note que eu usei o termo "atirar na rua", mas não sei se eles fazem isso literalmente, apenas expressei um desejo íntimo de que exista em algum lugar do mundo algum cinema que realmente faça isso e atire no meio da rua um cretino que ligue o celular.

Porque vamos pensar, o cinema não faz parte das obrigações civis ou religiosas de alguém. Você é obrigado a servir o exército quando completa 18 anos, se for muçulmano deve fazer uma peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida, se for judeu deve respeitar o descanso do sábado, mas nenhuma lei ou religião te obriga a ir ao cinema.

O que existe na sua telinha que seja mais interessante do que o que se passa na telona? Godzilla invadindo Nova York, Espaçonaves alienígenas destruindo o planeta, Mila Kunis fazendo sexo oral na Natalie Portman e você preocupado com as últimas ofertas do Submarino que chegaram por email?

Supõe-se que você esteja ali porque quer (vamos fazer de conta que sua esposa não te arrastou para ver "Sete Casais Discutindo Relação" ou seu namorado te obrigou a ver "Transformers 14 - Agora eles são carrinhos de mão"). Sendo assim, nada justifica que você resolva utilizar o celular durante um filme.


Se a sua casa estiver pegando fogo, garanto que você não vai sair e pedir pro bombeiro ligar pro seu celular contando as novidades. E tenho certeza que assistir a "Maratona Mr. Bean" não é uma atitude muito sensata se a sua esposa estiver no hospital para ter um filho.

Durante o filme nada vai acontecer na internet que mude o mundo para sempre (a menos que ele acabe de repente, o que você vai descobrir assim que sair do cinema) e hepatite demora mais de 2 horas para matar alguém, logo não precisa responder a mensagem de texto do seu amigo imediatamente.

Logo o melhor a fazer é desligar o celular.

Ainda mais porque as pessoas que foram ali para ver a última interpretação da Meryl Streep não vão ficar muito satisfeitas em te ouvir combinando uma saída com suas amigas para um choppinho mais tarde, sua conversa com a secretária do dentista tentando remarcar uma consulta ou você discutindo relação e chamando sua namorada de "piranha, ingrata e traidora".

Afinal, quem estiver afim de ver novela mexicana, basta assistir o SBT (e ninguém precisa saber que você é corno).

O que foi, amigo, engoliu um amplificador?

Postado em 5 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Vamos ver: nós temos britadeiras de obras, engarrafamentos com buzinas de motoboy, e aquele barulho legal que faz o freio dos ônibus. Tudo isso e mais o seu chefe histérico, sua cunhada histérica e o seu priminho de 6 anos - que parece ter saído de um filme sobre a infância de um serial killer - também histérico.

Existe o telefone tocando, o celular que canta Sweet Child O' Mine e a creche da esquina com 50 vozes esganiçadas que jamais se calam. Tem a campainha da porta, a sirene da polícia, o barulho dos bombeiros e a gritaria da ambulância.

O latido do cachorro, o miado do gato, os grunhidos dos políticos e, claro, o caminhão de som do sindicato. Por falar em caminhão, tem o trio elétrico, tem os cantores de trio elétrico, as bandas de trio elétrico e os fãs de trio elétrico, todos fazendo barulho à vontade. E por falar em trio elétrico, tem outro caminhão, o do lixo, também adora fazer um barulho, de preferência na magrugada.


Tem o grupo de pagode, equipes de som que tocam funk, a bateria da escola de samba e a batucada do Olodum. E já que falei de músicos (ou algo bem parecido), tem também o tenor da ópera, os graves do Ed Motta e os agudos das duplas sertanejas. Jamais esquecendo os berros dessas cantoras americanas tipo a Beyonce.

Os coros das torcidas de futebol, o seu vizinho gritando na janela quando o time dele faz um gol, os técnicos na beira do gramado e o Galvão Bueno com seus "Rrrrrrrrubinho", "Rrrrrrrronaldo" ou "Anderrrrrrson Silva".

O casal de vizinhos que grita diálogos de filme pornô toda noite depois do Programa do Jô e as paredes finas do seu prédio, que te fazem sentir medo deles a atravessarem com a cama um dia e você se ver no meio de uma mulher vestida de Princesa Leya e de um cara fantasiado de Adolf Hitler.

Os gritos dos vendedores de biscoito nos sinais, de mate e sorvete na praia e, claro, o "Seu Juca", que todo dia passa embaixo da sua janela anunciando " "Ó o vassoureeeeiroooo".

Junte isso tudo e adicione festas rave, festas infantis e festivais de rock. Igrejas evangélicas e pastores de praça, batuqueiros de mesa de bar e jogos de truco. Sem contar aquele seu professor com voz de gralha, as músicas e gritinhos da aula de aeróbica da academia e os botequins lotados.

Sei que poderia continuar essa lista até cansar, mas acho que já deu pra você perceber como você não está sozinho nesse verdadeiro esporte nacional que é se comunicar gritando.

Por isso eu te pergunto: com um mercado tão amplo para você explorar todo o potencial das suas cordas vocais, precisa vir falar alto logo perto de mim? Vira essa boca amplificada pra lá.

E aí? Comeu alguém?

Postado em 22 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Duas das maiores fixações da humanidade certamente são o sexo e a comida. E ainda que você queira se manter à margem disso dizendo que é celibatário, macrobiótico, sei lá o que, certamente em algum período da sua vida você já se pegou desejando ardentemente um pedaço de torta, um sorvete ou alguma pessoa, não necessariamente nessa ordem e não necessariamente apenas um de cada vez.

Antes de mais nada vamos esclarecer que falo de sexo entre dois seres humanos tendo a comida como elemento, nada de aventuras solitárias com cenouras, pepinos ou buracos em melancia. Sexo hortifrutigranjeiro é meio over.

Mas o fato é que esses dois assuntos - sexo e comida - são tão ligados que, pelo menos na língua portuguesa, quando fazemos sexo nos referimos à "comer alguém" ou "ser comida por alguém" (não coloco " ou ser comido", no masculino, justamente pra irritar a turma politicamente correta).

A literatura, o teatro e o cinema estão repletos de histórias romantico-porno-gastronômicas, desde aqueles banquetes de Calígula, passando por 9 1/2 Semanas de Amor até os biquinis de chantilly de filmes adolescentes americanos.

Não vou negar que morangos, cerejas e outras comidas sejam bem sugestivas. Dizem até que ostras facilitam todo o processo, só que o que funciona na ficção pode dar tão errado na vida real, que todas essas obras de arte (ou não) deveriam vir com aquele aviso "não tente fazer isso em casa".

Pra começar, um biquini de chantilly não fica muito legal em alguém tão fora de forma que deveria estar usando é uma burca de chantilly, nem parece muito másculo você chegar na frente da sua namorada usando uma cueca estampada com cupcakes.

Depois, você precisa se garantir muito para que seu namorado ou sua namorada não se interessem mais pela Nutella com a qual você se lambuzou do que pelos seus dotes propriamente ditos, criando situações como "pera aí, você já comeu dois potes de doce de leite e eu ainda estou aqui esperando para ser comida!".


Remover surpresas de cavidades corporais também pode ser uma faca de dois gumes, já que talvez a outra pessoa não curta comer um Bis, Batom ou Toblerone depois de sacados repentinamente de algum lugar estranho e você pode nunca descobrir se a moça ficou com nojo de você ou do catupiry que, sabe-se lá porque, você resolveu espalhar nos países baixos.

Certa vez assisti um episódio de E.R. onde uma cena de beijos e amassos rolava em torno do casal comendo um ovo cozido. Na hora eu pensei: porra, ovo cozido? Menos sexy do que isso só aparecer todo coberto de espaguete. Certas coisas evitáveis também seriam essas taras inexplicáveis, como passar pasta de amendoim no sovaco ou transar numa banheira de mocotó.

A única coisa que não tem por onde fugir é o que chamo de "ritual gastronômico pré-coito", que nada mais é do que o tal jantar a dois. No fundo você está ali avaliando a forma como a pessoa come (já pensou alguém se empanturrando de farofa e limpando a boca com as costas da mão?), contando histórias que te façam parecer mais interessante, bebendo um vinhozinho pra esquentar o clima (e quem sabe embebedar o outro antes que ele tenha tempo de ver a merda que vai se meter), mas tirando isso, é preciso certo cuidado.

No motel, por exemplo, tem quem goste de pedir comida, mas eu acho meio esquisito. Um café da manhã tudo bem, mas entrar no quarto, ligar para a cozinha e pedir um misto-quente? Sei lá, a única desculpa pra isso é se você broxar e no dia seguinte te perguntarem:

- E aí? Comeu?

E você responder:

- Comi.

Lógicamente omitindo o fato de que a vítima foi um sanduíche.

Oncinha, cadê você? Deixa eu te explicar...

Postado em 1 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Algo que surgiu no carnaval 2011 acabou fazendo o maior sucesso no carnaval 2012. E não foi a reedição de Tchubirabiron e nem da Dança do Tamanduá, mas um site chamado "Oncinha, cadê você?".

A idéia é basicamente publicar histórias de amores de carnaval, para que aquele Arlequim possa reencontrar a Colombina que fugiu com um Luke Skywalker sem nem deixar o número do telefone. E mesmo não curtindo carnaval, achei a idéia tão legal que perdi algum tempo passeando entre textos como:

"Eu estava no metrô de Botafogo vestido de Cumpadi Uóxinton quando passou uma linda garota fantasiada de Amy Winehouse, nos falamos e trocamos uns beijos, mas como ela estava quase tão bêbada quanto a Amy verdadeira geralmente ficava, acabamos nos perdendo. Adoraria reencontrá-la para ensinar como se dança o Tchan. Amy do Metrô, cadê você?"

Convenhamos, mesmo com a parte da bebedeira incapacitante é, como dizem, fofo.

Mas nem todo caso dá certo, na verdade, nem toda tentativa vira um caso, ainda que só de cinco minutos, e porque não atender a todo esse imenso contingente de mal-amados também? Um "Pera aí, Oncinha, deixa eu te explicar" seria de igual utilidade pública. Imagine só ler coisas como:

Anúncio I:

"Fui no Bloco das Pururucas no Domingo, estava vestida de Dilma Rousseff e me apaixonei por um cara vestido de Obama Baiano. Conversamos, só que como eu já tinha bebido 37 cherry bombs e acabei vomitando na túnica dele, que ficou meio nojenta. Queria reencontrá-lo para mostrar que eu não sou assim. Obama das Pururucas, aparece por favor, eu juro que parei de beber". 


Anúncio II:

"Aconteceu em Ipanema, na terça-feira gorda. Eu estava fantasiado de barraca do beijo e conheci uma linda borboleta, com anteninhas e tudo, resolvi vender todos os meus beijos para ela e fechar a barraca, só que quando ela foi comprar uma água, bem, resolvi voltar pro mercado e me atraquei com uma Marilyn que estava passando. Só que a Marilyn era Mário e a Borboleta viu tudo e foi embora voando. Borboletinha, eu te juro que não sou galinha, nem viado, nem curto aquele negócio que eu estava segurando quando você chegou, me dá uma chance, vai".

Anúncio III:

"Cara fantasiado de Batman que estava na Lapa no sábado, eu sei que fiquei com seu primo, com o amigo dele e com o primo do amigo dele, mas te juro que gostei mesmo de você e não sou galinha, me dá uma chance, vamos sair de novo, eu prometo que se você me procurar eu te dou de prima. Sou aquela moreninha fantasiada de piranha empalhada".

Anúncio IV:

"Ciganinha de Laranjeiras, aqui é o seu marido, o carnaval já acabou há quase duas semanas, que tal você voltar para casa porque minhas roupas estão precisando de uma passada?".

Anúncio V:

"PacMan de Laranjeiras, aqui é a Ciganinha, eu não vou voltar para casa porque acho essa sua fixação por videogames uma coisa meio babaca e já enchi o saco dos seus amigos nerds, favor enviar a minha mala para a casa do Rei Momo de Botafogo, que é gordo, mas pelo menos é rico e pode pagar uma passadeira".

Não tenho certeza, mas até eu, que gosto tanto de carnaval que já cheguei a viajar pra São Paulo no período, acho que um serviço assim ia "dar samba".

Como seu email pode arruinar uma entrevista de emprego

Postado em 10 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Uma entrevista de emprego funciona mais ou menos como aqueles questionários de sites de encontro: você tenta mostrar suas qualidades para impressionar alguém que procura por alguém.
A maior diferença é que você talvez não termine a entrevista nu (mas isso o Seinfeld já disse mais ou menos desse jeito) e também no caso do site de encontro, você provavelmente não vai receber um salário caso tudo corra bem.

Em todo caso, impressionar é a questão. Colocamos uma roupa legal, penteamos o cabelo, fazemos a barba, as mulheres se maquiam.

Outra semelhança de uma entrevista de emprego para um primeiro encontro é que tudo sempre parece muito melhor antes de você conseguir. A pessoa parece bonita, charmosa, interessante, o emprego parece legal, o ambiente sensacional. Só que depois que já são seus (a pessoa e o emprego) é que você vê o bafo de manhã, as TPMs, o futebol de todo sábado a tarde, o tiozinho do faturamento que sempre faz piadas sexuais até mesmo envolvendo clipes e papel, o salário que nunca chega a conhecer o dia 20 de cada mês.

Mas como na entrevista a intenção é entrar (num primeiro encontro não deixa de ser a mesma coisa), então você faz de tudo para isso.


Aumenta suas qualidades, sua experiência. Aquele estágio no mercadinho do seu tio em Santo Antônio de Pádua vira uma "sólida vivência em atendimento ao consumidor e em distribuição", aquela festa infantil que você ajudou sua amiga a fazer vira "proficiência em produção de eventos", mais ou menos como você preenche aquele formulário do "Love Encontros" dizendo que faz musculação 3 vezes por semana quando na realidade você não passa na frente da academia há 3 anos.

Mas o legal é que pode ser que dê certo. Você deixa lá seu currículo e sai da entrevista praticamente com o emprego garantido e é aí que tudo fica bem diferente do tal site de encontros.

Porque é justamente quando o cara resolve te mandar um email avisando que você foi aceito para a vaga que ele vai lá e lê que o seu endereço eletrônico é algo como marcelogatinho69@sexmail.com, tatixuxinhafunk@maeloira.org ou luizinhowXD@clubedomickey.us.

Nessa hora, você que poderia até arrumar um encontro, acaba de perder o emprego.

Faça de conta que sua intimidade é dinheiro e guarde só para si

Postado em 5 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pense que durante um tempo não existia intimidade entre seres humanos. Isso mesmo, essa coisa de ter seu "espaço" é novíssima e, antes e durante um bom tempo, vivíamos em casas com um único cômodo, fazíamos nossas necessidades na frente de todo mundo, enfim, nesse quesito éramos só um pouco melhor do que cupins.
Nossa intimidade foi uma conquista, ter nosso canto, nossa vida, ser dono do próprio nariz, tudo isso veio depois de anos de evolução. Ditaduras tentam invadir sua privacidade vigiando a sua vida.

Grampeiam telefones, colocam arapongas atrás de você, violam sua correspondência, entram na sua casa no meio da noite, controlam sua internet.

E no Irã? Mandam até na roupa que você usa, na música que você escuta, no que você diz e quase até no que você pensa.

Se você for levado para uma prisão, por exemplo, a primeira coisa que vão tirar de você é a sua privacidade. Revistas íntimas, visitas controladas. Isso porque nem preciso dizer que nossas cidades estão virando verdadeiras janelas indiscretas com suas câmeras espalhadas por toda parte.

Por onde vamos, seja no shopping ou no elevador do nosso prédio, lá estão elas a nos vigiar, tomando conta da nossa vida que nem vizinhas fofoqueiras.


Aliás, já que mencionei as vizinhas (e porque não vizinhos) aposto que você já reclamou ou já ouviu alguém reclamar disso, de alguém te vigiando, tomando conta da sua vida. Até inventaram uma expressão, "não me acompanha, que eu não sou novela", que eu acho boa só em parte, já que só acompanho novela se for sob a mira de um revólver.

Para você ter seu sagrado direito de cuidar da própria vida sem nenhum cretino xeretando, a coisa ficou tão séria que até a Constituição usou um de seus artigos para garantir a todo cidadão o seu "direito à privacidade".

Golpes de estado, manifestações, ações na justiça, gerações inteiras queimadas na fogueira, cruzadas, filmes do Hitchcock, anti-virus e firewalls, aquele aviso no computador da sua empresa alertando que eles sabem o que você fez no RedTube na tarde passada, enfim, todo mundo lutando como pode em torno do tema "privacidade".

E é por isso mesmo que eu juro que não entendo porque você pega toda essa história, toda essa luta da raça humana, e joga na lata do lixo quando pega esse seu celular ou Nextel e fica por aí falando aos berros sobre o churrasco no final de semana, sobre seu exame de fezes ou sobre a confusão que deu quando a Martinha esqueceu a calcinha no seu quarto e sua namorada pegou.

Sério, dá um tempo nisso.

Encosto de Calígula

Postado em 29 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Sei que é complicado começar qualquer conversa com a frase "como dizia a minha avó". Primeiro porque isso causa surdez instantânea em um monte de gente que logo pensa "lá vem chatice", depois porque, sejamos honestos, nossas avós eram/são uns amores, fazem pudim que é uma maravilha, mas também falam bobagem como qualquer outra pessoa.

Mas a minha avó era uma boa frasista (algumas são impublicáveis) e tinha uns conceitos de vida que eram interessantes. Ela dizia que é ruim "ter" que morrer, mas que também é útil, não somente para não encher o mundo demais, mas porque vamos nos perdendo nas gerações.

Envelhecemos e paramos de entender o mundo, que por sua vez também deixa de nos entender.

Nunca aceitei muito essa idéia, mas com o passar dos anos comecei a compreendê-la perfeitamente - e olhe que o espaço entre gerações que experimento agora nem é tão grande - é coisa de uns 15 anos, se tanto.

Por exemplo, um idoso diria que no tempo dele jogavam as bichas no chafariz, que homem fresco precisava de um banho pra tomar jeito. Eu já diria que é errado jogar as bichas no chafariz, afinal esse tipo de atitude é meio bárbara.

Essa rapaziada de hoje - quando digo hoje, deixo aqui para a posteridade o ano de 2011, porque sabe-se lá o que virá pela frente - diria que é errado chamar um "homoafetivo" de bicha.

Só que eles vão além. Não sei se é daqui de onde observo tudo, mas nunca vi tanta gente se assumindo bissexual antes. Talvez seja fruto da massificação desse estilo de vida pelos filmes e pela TV, talvez seja algo que colocaram na água domiciliar ou no Yakult, mas o fato é que já nem me espanto mais quando alguma amiga mais nova (e fazer faculdade de novo depois dos 30 e tantos me presenteou com muitos amigos e amigas mais novos) vira pra mim e diz:

- Comia essa Milena do terceiro período todinha.


Na minha época (e é estranho dizer isso, acredite), esse tipo de comentário era feito geralmente entre homens, raramente na frente de garotas (só as muito íntimas) e jamais por uma garota referindo-se à outra (e na frente da outra, olhos nos olhos, em tom de convite).

Nada contra (ou a favor, que fique claro), mas é curioso ver as pessoas experimentando desse jeito. Antes a gente meio que já tinha noção do que curtia, o que podia até nos engessar, mas deixava tudo um pouco mais claro.

Agora parece um desses pedidos do Mc Donald's. A garota é hétero mas não tem problema em experimentar ser bi, já que o ex-namorado que era bi resolveu virar só homo mesmo, e por aí vai.

- Me dá o Número 2, não, pera aí, pensando bem eu vou experimentar o 3, com sexo oral de acompanhamento.

Sem contar que todo mundo fala da sua sexualidade pra todo mundo. Não vou bancar o puritano aqui, nunca fui madre superiora, a gente fazia muita - imagine esse "muita" em caixa alta - putaria no meu tempo (e no tempo da sua avó também), mas simulávamos que era tudo escondido, o que talvez fizesse até ser mais gostoso.

Agora é tudo escancarado, ao invés da fofoca, a afirmação, a confissão orgulhosa. Todo mundo incorporado com um encosto de Calígula permanentemente.

Se antes era "acho que o Glauco tá comendo a namorada do Marcelo", agora é o próprio Glauco que anuncia, numa mesa de rodízio de petiscos com a galera:

- Comi a namorada do Marcelo. Com o Marcelo olhando. E depois o Marcelo queria me comer.

Como dizia minha avó: é o tempo me superando.

Amigos são amigos, não são comida

Postado em 24 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Sofremos de uma paixão pelo impossível. Somos - nós, os seres humanos - obcecados por transpor limites e chegar em lugares nunca dantes navegados. Só isso já explica, por exemplo, o fato de provarmos peixe cru e ainda por cima transformarmos isso em culinária de alto nível, chegarmos ao cume de uma montanha só para logo depois descer dali e também todos os mitos em torno sexo anal.

E talvez isso explique também nossa obsessão por relacionamentos que possuam o melhor da paixão (sexo selvagem, camas quebradas, encontros furtivos no meio da tarde) sem o seu pior (brigas homéricas, ciúmes, noites inteiras no terreno baldio em frente à casa do outro com um binóculo na mão).

Nossos pais chamavam esse tipo de relação tão ilusória quanto a rena do nariz vermelho de amizade colorida, nossa geração mais americanizada, cool e antenada chama de fuck buddy, mas a idéia é mais ou menos a mesma: manter uma relação que seja sadia, uma relação de total amizade, mas que ao mesmo tempo seja regada a doses cavalares de sexo animal (não pensem que "cavalar" e "sexo animal" são propaganda subliminar dos benefícios do bestialismo, por favor).

Vocês curtem Woody Allen, sorvete de graviola, livros do Bauman e sabem que Bic Runga não é um novo modelo de caneta. Não se acham feios, estão meio sozinhos, enfim, estão ali mesmo, porque não? Surge tão naturalmente quanto cenas de sexo num filme pornô.


E um dia, ambos bêbados sobram numa mesa de bar e depois que todo mundo vai embora ela pergunta:

- Acabou a calabreza? Pede outra? Porque você nunca quis ficar comigo?

Ficam. E combinam no primeiro momento que vai ser assim: só fuck buddies, nada mais. Só que a Disneylândia do sexo nunca dura muito tempo.

É o sexo certo do namoro sem as cobranças. É a companhia de uma amizade sem aquele lance de voltar pra casa sem comer ninguém. Teoricamente funciona que é uma maravilha, mas teoricamente a Seleção de 82 jamais teria perdido aquela Copa

E se antes nenhum dos dois ligava quando chamava o outro pra assistir de novo "Vicky Cristina Barcelona" e levava um "não" porque o outro já tinha programa, agora isso não é bem digerido. Se antes ela cortava o cabelo e você cagava solenemente, o sexo criou aquela obrigação de não só perceber isso, como fazer algum comentário.

De repente algum dos dois quer parar, ou sente ciúmes de quem antes não sentia, ou conhece alguém que vai render mais do que só amizade com privilégios e a coisa toda entra numa espiral que pode terminar em poemas soturnos ou capas do Meia Hora.

Por isso, quando se ver sozinho na tal mesa de bar, nem peça outra calabreza, pague a conta e vá pra casa, você deixa de comer um(a) amigo(a), mas mantém a amizade.

Desceu pra brincar e explodiu o play

Postado em 22 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

"Quem não sabe brincar, não desce pro play". Não sei quem inventou essa frase, mas sempre que a escuto parece que é um desses bordões do "núcleo dos pobres" de alguma novela das sete.

Em todo caso, não deixa de ser um conselho de amigo, já que com muita gente por aí não convém brincar (ainda que por sua vez a pessoa seja chegada em sacanear os outros).

O grande problema é que dentre as brincadeiras maneiras e as brincadeiras vacilonas, o limite nem sempre é bem claro e tudo pode acabar em confusão (isso quando uma brincadeira maneira não vira uma vacilona no seu decorrer).

A internet é campo fértil pra isso, já que sem o auxílio do tom de voz e das expressões faciais, tudo pode ser levado por bem ou por mal, ainda que a intenção seja justamente o contrário. Você briga sério e recebe como resposta um "hauahauahauahaua" ou então brinca e acaba levando um esporro sério.

Ainda que nem mesmo um emoticon com uma carinha sorridente ajude muito depois de dizer "mostra seus peitos?" para a prima da sua namorada no msn.


Mas no mundo de "verdade" não melhora muito. Um bom exemplo é quando a brincadeira vira algo real, tipo aquelas brincadeiras de porrada da galera da sua rua. Um chega de zueira e manda "viado", o outro responde "boiola" e os dois começam a simular um UFC, até que um deles dá um chute bem real no saco do outro e a porrada que começou de brincadeira vira um distúrbio urbano de conseqüências imprevisíveis.

Dizem que foi durante uma brincadeira de porrada à sombra das pirâmides que começou a queda de Hosni Mubarak no Egito e levou Anakin Skywalker a decidir virar Lord Vader.

Outro exemplo são aqueles testes, em tom de brincadeira, que terminam mal. Como mandar algum amigo dar em cima da sua namorada "só de zueira", pra testar a fidelidade dela.

Dois resultados são possíveis numa situação assim: ela passa no teste, acaba descobrindo e manda alguma amiga gostosa dela te testar (e você termina reprovado), ou então ela curte muito seu amigo dando em cima, ele deixa a brincadeira de lado e começa a curtir muito ela dando mole pra ele e você termina num bar, com um desses videokês, cantando Reginaldo Rossi. Não é legal.

A única coisa que não pega bem é você utilizar brincadeira como desculpa. Vai pedir um aumento pro chefe, leva um esporro e diz "caiu!" ou então dizer coisas como "não me leve a sério" ou "relaxa, tô te pilhando" ao primeiro sinal de problema:

- Você tá gostosa, hein...

- O que???

- Calma! É zueira! Relaxa!

- Que pena, hoje eu tô carente e pensei em ficar com o primeiro que me chamasse de gostosa.

Viu? Como não soube brincar, pra você não vai ter play.

Selecionando uma filmografia confiável para chamar alguém pra ir no cinema

Postado em 17 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Não gosto tanto de filmes a ponto de ir fazer faculdade de cinema e conviver com pessoas que ainda usam bolsas de crochê, calças de Bali, fazem aquele gesto do enquadramento com os dedos e curtem passar o sábado assistindo a filmografia do Glauber Rocha, mas ainda assim posso dizer que gosto muito.

E por isso mesmo vivo procurando lançamentos no jornal, atrás de mostras de países obscuros como o Butão ou Bangladesh, festivais e sessões no meio da tarde, quando invento algum médico ou reunião para fugir e assistir a um filme.

Mas escolher algo para ver sozinho é tranquilo, você pode estar afim de ver "Transformers 10 - A volta da missão de vingança em resposta à primeira missão de vingança que não funcionou", ou então algum filme nepalês sobre monges que fizeram voto de silêncio e desenham mandalas de areia, filme que não conta com um diálogo sequer e que durante suas seis horas e meia de duração tem como o único som o barulho dos monges assoprando para desmanchar as mandalas.

Quando você é responsável somente pela sua experiência daquela ida ao cinema, nenhuma responsabilidade maior é envolvida. O problema é quando você resolve chamar alguém pra ir contigo.

Porque ainda que você seja um cara sensível, culto, educado, erudito e que até beba chá, chamar aquele parceiro do futebol para assisir "Bolshoi, o drama de uma bailarina" vai dar certeza a ele que você é realmente meio esquisitão e ainda por cima soar como um convite subliminar pra curtir uns momentos numa sauna.

Por outro lado, convidar a garota da faculdade que você está há seis meses tentando sair pra assistir "Orgia de Cérebros, o novo ataque das zumbis lésbicas" pode não ser uma boa idéia (e caso ainda assim você faça o convite e ela aceite, talvez convenha começar a se preocupar em mantê-la longe de facas e demais objetos cortantes).

Outra coisa são aqueles filmes com cenas de putaria aleatória.


Num minuto uma camponesa colhe alfazemas numa cena digna de rótulo de colônia de farmácia, logo depois ela aparece em sua bucólica choupana tomando sopa de tomate e em seguida já aparece nua, junto com seu meio-irmão e algumas cabras, numa cena em que o diretor queria monstrar como preencher o vazio existencial profundo, mas que ficou sem explicar o porque da necessidade das cabras.

Filmes assim não são para ver com sua mãe, sua avó ou a garota que você quer sair há seis meses. E caso ela curta, bem, ofereça logo um contrato pra ser agente da carreira dela como atriz pornô.

Assistir coisas como "Jackass", "Pen & Ênis, dois detetives da pesada" ou "Vomitando Helena" te fazem parecer meio idiota, por isso convém ir ao cinema usando uma máscara.

Mas a pior situação é quando você quer impressionar.

Escolhe cuidadosamente um filme búlgaro que fala sobre as primeiras 17 horas de um relacionamento amoroso que durou apenas 24. O filme é todo em preto e branco e a câmera é embaçada, nova moda na Europa, e então chama a tal garota que queria sair há seis meses pra assisti-lo.

Já na saída, depois da dificuldade em se manter acordado e fazendo cara de interesse mesmo durante uma cena em que a personagem leva nove minutos e meio penteando o cabelo, você vira pra ela e diz:

- E aí? O que achou?

- Legal...

- Legal?

- É, legal, OK e tal, mas eu preferia mesmo é ter ido ver "American Pie".

Homem e mulher: dois mitos da cozinha

Postado em 3 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Sempre achei meio injusta a relação da sociedade com o papel do homem da mulher na cozinha. Primeiro, lógico, é a história de que "lugar de mulher é com o umbigo no fogão", depois é a idéia que pessoas formam ao se deparar com uma mulher que cozinhe bem em comparação a um homem que faça o mesmo.

Se ela é uma cozinheira de mão cheia, dessas que a família toda não perde um almoço, todo mundo chega, senta, se empanturra e depois vai pra frente da televisão ver Domingão do Faustão, ninguém vai dizer claramente, mas todo mundo vai achar que é uma grandissíssima Dona Maria.

Ela pode saber fazer coq au vin, suflê de lagosta e mousse de graviola de sobremesa, não adianta, se fizesse frango com polenta ou angu daria no mesmo.

Ainda que seja uma profissional de sucesso, chefie 300 imbecis numa repartição ou escritório qualquer, a namorada do filho dela vai dizer, sussurando no ouvido do pobre coitado:

- Não fique achando que você vai casar comigo e eu vou passar o domingo na cozinha que nem uma empregada. Nunca vou ser igual a sua mãe.

Mas tudo isso muda se acharem um homem de avental na cozinha. Ele pode saber fazer só um Miojo com creme de leite ou uma fritada de ovo de codorna com Arisco que na hora vira o Jamie Oliver.


Tudo bem que alguns cozinham muito mesmo, vão para o fogão e fazem tudo até melhor do que suas esposas (ainda mais porque geralmente é um evento raro na vida de ambos), mas o que conta é a imagem que um homem cozinhando passa para a sociedade, que é a de um cara habilidoso, culto, sensível, provavelmente viajado, cosmopolita.

Já ouvi dizer que é um ótimo chamariz pra pegar mulher (não pude comprovar isso porque basicamente preciso ler as instruções até dos sucrilhos).

Não importa que ele só tenha começado a cozinhar porque a mãe o colocou pra fora de casa aos 38 anos e ele já estava ficando cor de laranja de tanto comer Doritos, um homem que cozinhe bem é um cara bem sucedido, provavelmente faz isso como hobby para aliviar o stress de algum trabalho que envolva liderança e tomada de decisões, enfim, como não admirar um cara desses?

Até vejo a filha dele dizendo pro namorado:

- Espero que você um dia seja que nem o meu pai e não igual aquele inútil do seu, que só sabe viajar por aí operando crianças na África e não presta nem pra colocar uma lasanha no microondas.

O "bom dia" do tenor

Postado em 25 de out. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Certas pessoas são um mix de parada militar com show de fogos de artifício. Valem como uma bateria de escola de samba, uma fanfarra de colégio no interior, uma orquestra de arrotos. Elas são grandiloqüentes, contundentes, intensas e geralmente altas, no volume, que fique bem claro.

Jamais acham nada, sempre têm certeza. E são como um aparelho de som com o volume quebrado no máximo. Um simples "oi" que eles dão traz em si mais convicção do que um discurso do Fidel.

São incapazes de dizer o sabor do sorvete preferido sem que aquilo pareça um decreto ou um axioma:

- Menta é o melhor sorvete do mundo! Tenho pena de quem não prefere sorvete de menta. Aliás, pena não, tenho nojo. E aí? Vai pedir de que sabor?

- Errrr...menta?

Se têm dor de cabeça, parece que a dor foi produzida por instrumentos de tortura medieval. Sua fome é a de uns 10 somalis perdidos no deserto. Suas demonstrações de carinho fariam um filhote de cachorro desejar ser um tubarão.


Lógico que a pessoa precisa colocar alguma paixão em qualquer coisa que faça. Coisas como "eu te amo, eu acho" ou "desculpa, mas se vocês não pagarem o resgate eu mato o refém...se vocês estiverem de acordo" são igualmente estranhas. Gente que pede desculpas por tudo, que nunca sabe o que quer, que não reage mesmo quando xingam sua mãe, avó e bisavó ao mesmo tempo enchem o saco do mesmo jeito.

Mas pessoas categóricas demais parecem viver num filme.

Tipo uma dessas comédias românticas em que o cara contrata um quarteto de violinos para o café da manhã, leva a mulher para almoçar no alto do Empire State, à tarde se declara pelo sistema de som de uma ginásio de basquete e já de noite a convida para repetir tudo no dia seguinte durante um salto de pára-quedas.

Tenho uma amiga que namorou um sujeito desses. De vez em quando ele colocava um "n" no final das frases, acho que para dar mais dramaticidade:

- Tudo bem, garotoN? Como você vai? BelezaN?

Aos berros, claro. Isso quando não parava no meio da rua para se declarar:

- Já te disse que te amo muito minha namoradaN?

Acabou muito acertadamente apelidado de Pavarotti.

E pense bem: é curioso assistir um cara assim cantando ópera vestido com roupas bufantes, mas imagine ser acordado todas as manhãs por um "bom dia" daqueles.

É proibido proibir, mas em certos casos, não deveria ser

Postado em 1 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Recentemente uma companhia aérea anunciou que iria permitir o uso de celulares em seus vôos, obviamente cobrando o preço de um aparelho de celular por minuto. Outro dia também li que iriam permitir o uso da internet a bordo.

Eu sinceramente preferiria que eles estivessem discutindo a proibição das poltronas do meio e das barrinhas de cereal, por isso pensei num monte de coisas que ainda que não sejam proibidas, deveriam ser.

O Brasil é problemático para esse tipo de situação, porque é um país onde uma lei pode ou não "pegar". Urinar na calçada, estacionar o carro em fila dupla, atirar lixo pela janela, meter o pé na jaca nos cofres públicos, tudo isso é proibido, mas ninguém respeita muito.

Mas supondo que algum acidente com radiação tenha feito o brasileiro passar a respeitar leis e não extrapolar sua individualidade - ouvindo música (ruim) aos berros em celulares ou fazendo churrasco na calçada, por exemplo - algumas leis bastante úteis poderiam ser propostas.


Não proibiram o fumo em lugares públicos? Então, poderiam proibir também os malas de puxar papo em fila de banco ou em elevadores reclamando sobre o tempo. Nada de "que friaca, hein?" ou "está um calorão!".

E aproveitando a deixa, o papo de bêbado e as opiniões desenfreadas de taxistas poderiam entrar no bolo também. Sabe como é, taxistas são Caetanos Velosos, sempre prontos a emitir opiniões desconexas e descovernadas sobre qualquer assunto. Certas horas eu penso que bastaria colocar um taxista na Presidência da República que viraríamos a Suécia em seis meses.

O brasileiro aliás tem esse problema. Não é um povo, é uma opinião aleatória. Tanto faz se o assunto é a seleção de futebol, física quântica ou as orelhas do Dr. Spock, sempre haverá uma teoria mirabolante e uma opinião pronta sobre o assunto.

Outra coisa é esse negócio de tudo que diz respeito ao Brasil precisar ter um axé ou um batuque no meio. Quem decidiu isso? Também tivemos Villa Lobos, Tom Jobim, tem um monte de descendente de alemão, italiano, judeu, etc, etc, por aqui, mas seja na abertura do Pan Americano, no Sorteio das Eliminatórias da Copa ou qualquer outro evento do tipo, sempre colocam a Ivete Sangalo. Porque? Taí uma boa coisa pra se discutir.

E a tal reforma ortográfica que desfigurou o "vôo", perseguiu o o hífen e bateu a carteira da lingüiça, afanando a trema? Ainda "estou aguardando" que "estejam realizando" uma reforma que "esteja reformando" o idioma e "esteja pretentendo estar suprimindo" o gerúndio do telemarketing, que tal?

Deixo até o tauba, largato e Framengo pra uma oportunidade.

Num tempo onde se debate intensamente a permissão da união civil de gays, liberação da maconha e libertinagem sexual, seria muito mais saudável começar a discutir algumas proibições.

E se você me acha muito radical, tente discordar de mim quando estiver no metrô, ouvindo compulsoriamente aquele funk no celular do cara do lado.

Seja sempre você mesmo, mas não precisa exagerar

Postado em 20 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Não conheço um cara que não deseje namorar uma garota alegre, pra cima, carinhosa e, principalmente, meio sedenta de sexo. Se você conhece algum, fique sabendo que ou é viado ou então está mentindo pra você.

Só que seja sua paciência, sua capacidade de tolerância aos efeitos do álcool ou mesmo seu cheque especial, tudo tem um limite. Imagine uma pessoa intensa, tipo uma coletânea de frases da Clarice Lispector.

Pois é, é muito legal nos primeiros dias, até nas primeiras semanas, mas tente pensar em conviver com uma TPM que dura 24 horas, 7 dias por semana. É pior do que porre de vinho.

Tenho pra mim que a única coisa que em excesso não faz mal é dinheiro mesmo.

Sim, porque você passa a vida querendo uma garota carinhosa, fofa, dedicada e aí finalmente conhece uma. Ela quer te alimentar, te botar pra dormir, te acordar com beijinhos no meio da noite, ver filmes românticos, dividir taças de sorvete.

Só que um belo dia você descobre que dividir sorvete é um saco, porque você prefere menta e ela curte tutti-frutti, encara a realidade de que comédias românticas são um saco e, no meio de uma madrugada onde tudo o que você mais queria é poder continuar dormindo (de preferência até meio-dia), um pensamento te assalta: porque diabos essa maluca fica falando com voz de criança o tempo todo? Porra, me deixa dormir!

O mesmo acontece com a ninfomaníaca. Um belo dia você enche o saco de passar suas tardes de sábado jogando bola com os amigos e as de domingo vendo jogo de futebol na TV. Pensa que uma namorada e um pouco de sexo fariam bem na sua vida (aquele filme com a Tracy Lords ajudou muito na parte do sexo).


Até que sua prima te apresenta para uma amiga dela da faculdade. Bonita, viajada e com pinta de atriz pornô, exatamente o que você queria. Ela usa decotes que terminam na virilha e vestidos com fendas que terminam nas axilas, mais desinibida só mesmo a Cicciolina.

Por alguma razão ela té dá mole, vocês ficam e tudo corre conforme o esperado, entre pés abrindo seu zíper por baixo de mesas de restaurante e gestos lascivos com canudinhos de milk shake em pleno Mc Dia Feliz.

Mas chega uma hora em que você começa a sentir saudade daquela ex-namorada fofa que te acordava no meio da noite com voz de criança e não vestida de couro, com uma máscara de Darth Vader e um chicote na mão com essa agora.

Sem contar as situações um tanto vergonhosas, como quando ela tirou seu tio de 70 anos para dançar o "Funk das Peladinhas" durante o casamento do seu primo, com direito a uma simulação de sexo oral numa garrafa de prosecco e tudo.

Nesse momento você esquece as massagens com óleo de canela, as roupas de odalisca, as fantasias de coelhinha da Playboy e até o curso de pompoarismo que ela está fazendo e pede encarecidamente:

- Meu amor, será que você poderia ser um pouco menos, como eu diria, um pouco menos você?

É aquela velha história: seja você mesmo, só não exagere.

Porque as pessoas deveriam usar o bafômetro antes de pegar num celular

Postado em 8 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Se não permitem que você beba e dirija, não sei porque não extendem essa proibição ao celular. Sério, por mim as operadoras deveriam exigir teste de bafômetro depois da meia-noite, para evitar ligações bêbadas no meio da madrugada.

Digo isso porque a bebedeira cria tipos diferentes de pessoas. Tem o bêbado que enche a cara, dorme e não aporrinha o saco de ninguém, tem aquele bêbado que vira amigo de todo mundo, quer abraçar, dizer o quanto gosta da pessoa.

Outros preferem resolver falar "verdades", chamam o patrão de pão-duro, a esposa de mocréia. Tem aquele cara que dá em cima até das mulheres dos amigos, da noiva em plena festa de casamento ou então a garota que transforma a mesa do baile de debutantes num queijo de boate de striptease e passa o resto do ano em ressaca moral.

Tem o que bebe e e vira lutador de vale-tudo, Drag Queen, e até aqueles que ficam ricos e resolvem estourar o limite de todos os cartões, enfim, não faltam tipos de bêbados.

Mas um dos tipos mais tragicamente cômicos é o bêbado telefônico. Aquele ex-namorado(a) que no meio da madrugada, entre a vigésima dose de tequila e o décimo quinto RedBull resolve pegar o celular e ligar para o antigo amor e abrir o coração.

Um monte de gente pensa que é legal telefonar para alguém às 4:30 da manhã para dizer que foi um burro por ter terminado tudo, que não deveria ter transado com a prima dela, que aquele caso com o patrão foi só um deslize ou então para discutir assuntos do tempo em que ainda eram um casal.

Duas coisas são mais afrodisíacas do que ostras e essência de canela juntas: cheiro de andada de fila e uma madrugada sem pegar ninguém.


Aí você lembra da ex-noiva que foi para a Austrália depois de você abandoná-la em pleno altar, do namorado que terminou contigo porque você pegou o irmão gêmeo dele ou simplesmente querendo desfazer pequenos desentendidos:

- Alô.

- Juliana?

- Quem é?

- É o Pedro!

- Pedro? Que Pedro?

- Pedro, seu namorado, lembra? Eu te pedi um tempo pra pensar na relação...

- Porra, isso tem dois anos, você sumiu, eu  já até casei e você acabou de acordar o bebê me ligando uma hora dessas.

Ou então algo como:

- Felipe? Tudo bem? É a Marina. (chorando)

- Marina? O que houve? Porque você está chorando?

- Ah, Lipe, eu tô mal cara, sério...você tava dormindo?

- Pô, Marina, às 3 da madrugada de uma terça-feira é lógico que eu estava dormindo.

- Ah, desculpa, mas eu preciso de ajuda, senão não te ligaria.

- Porque você não pede ajuda pro merda do seu atual namorado?

- Porque ele tá bêbado desmaiado aqui e nisso só você pode me ajudar.

- É algum acidente?  Alguma emergência? Diz logo o que é.

- Me devolve aquele CD do U2 que eu te dei quando a gente fez um mês de namoro? Cara, eu adoro aquele CD...

Por isso mesmo, se beber, não dirija e nem use o telefone.

Pânico de semi-desconhecidos

Postado em 13 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

- A gente não se conhece de algum lugar?

- Acho que vomitei no seu pé no casamento do Thiago.

Quem acha normal falar isso? Acho que só quem também ache normal ir pro cinema usando um chapéu seletor do Harry Potter. Quando a gente encontra alguém na rua e pensa que "já viu em algum lugar", geralmente não imagina que foi no meio de uma furada.

Comparo isso a essas regressões de vidas passadas. Todo mundo que faz um negócio desses descobre que foi uma princesa egípcia, um senador romano, um guerreiro celta. Nunca vi alguém voltar contando que descobriu que tinha um empreguinho meia-boca, ia do trabalho pra casa todo dia e ainda levava corno do vizinho.

Nessas horas ninguém imagina uma situação escrota, algo embaraçoso ou que faça a outra pessoa saber porque algo dentro dela dizia pra não ir lá falar com você.

- Oi, gata, sabe quem eu sou?

- Não, quem?

- Sábado passado você estava meio bêbada e eu aproveitei pra roubar seu celular na boate.


Eu sempre tive pavor de ser reconhecido por estranhos, não que isso seja sinal de timidez ou algo assim, mas porque acho que vão me confundir com outro e eu vou acabar me ferrando. Pense bem, uma gostosa jamais vai aparecer perto de mim e gritar "Hugh Jackman! Quero te dar agora!". O mais provavel que aconteça é isso:

- E aí, bróder, tranquilo?

- Err, tranquilo, tudo bem?

- Não sabe quem eu sou, né?

- Errr, não.

- Você deu umas porradas no meu irmão na micareta, agora quero ver você ser machão comigo e a minha pistola 45.

Entende o drama? E o pior é que para explicar a ele que nem sei quem é o irmão dele, teria que provar que jamais brigaria com alguém numa micareta, pelo simples fato de achar micareta coisa de retardado que não tem o mínimo bom gosto e curte ficar pulando ao som de música feita para babuínos.

No final da explicação ele se convenceria que eu não briguei com o irmão dele, mas me daria um tiro mesmo assim, afinal, ofendi a honra de chicleteiro dele.

Pânico de semi-desconhecidos é pior do que medo de barata, nada é tão incômodo quanto estar na rua e ver que alguém te observa com aquele ar de interrogação. É praticamente um duelo, quem piscar, está ferrado.

Pode ser qualquer pessoa, um ex-colega de colégio, um vizinho da sua antiga rua lá em Piraporinha, alguém que jogava RPG contigo e que vai te lembrar que um dia você já jogou RPG, um ex-professor, aquele nerd que você vivia dando pescotapa e cuecão no pré-vestibular, o tiozinho da sua locadora de vídeos que virou bomboniere, enfim, é apavorante e constrangedor.

Nessa hora você simula um toque no celular, começa a procurar coisas aleatórias na mochila, entra numa loja que vende panelas, resolve começar a ler aquele exemplar de "A Lógica da Pesquisa Científica" que estava na sua bolsa há três meses ou então muda correndo de calçada quase sendo atrolelado por um Fusca que vai buzinar fazendo o maior escândalo, chamando a atenção do objeto da sua fuga, que dá um adeusinho, se aproxima com um sorriso meio babaca no rosto e diz:

- Lembra de mim?

Sabe do que eu sou a favor? De polêmica

Postado em 8 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

A pior coisa que se pode fazer a qualquer indivíduo é ignorá-lo. Simploriamente - como aliás lhe sói - a "sabedoria" popular prega que se "fale mal, mas fale de mim".

Desde o garotinho que passa o recreio puxando o cabelo da menina até a loira peituda que sai de casa com um decote no umbigo, todo mundo quer atenção.

Diria até que a única coisa que o ser humano gosta mais do que de atenção (e de dinheiro) é aprovação. Gostamos de agradar os outros. Não por conta do "outro", na verdade quase todo mundo está cagando para o outro, mas por conta da reação que ele terá em relação a nós.

Todo o conceito de networking é baseado nessa adoração que temos pela adulação. É como se te dissessem: amigão, por mais competente que você seja, jamais chegará a lugar algum se não puxar uns sacos por aí.

O que conta é o elogio, é a gratidão. Por isso todo mundo detesta gente ingrata. Mas antes de achar que alguém é mal-agradecido, convém se perguntar se não foi você que super-dimensionou o que quer que tenha feito por ela.

Só que como não se pode agradar a todo mundo (na verdade e na maioria das vezes não conseguimos agradar é a ninguém mesmo), tem gente que resolve nem tentar e parte então para conseguir atenção da forma inversa, ou seja, desagradando.

Entre a aceitação e a atenção, essas pessoas vão optar pela segunda.

Não é difícil identificar uma delas, como você já deve estar imaginando. Vai ser aquela mocinha que durante um almoço de Domingo na casa dos avós, com as tias e toda a parentada reunida, solta algo como:

- Sabem o que eu acho o maior barato? Swing.

E o pai, tentando disfarçar:

- Swing tipo o Tim Maia fazia?

- Não pai, troca-troca de casais mesmo, igual eu e o Nando, a Tati e o Junior fazemos toda Sexta-Feira.


Como não prestar atenção nela depois disso? Televisão de loja de departamentos ligada num jogo de futebol, acidente em estrada, distribuição gratuita de qualquer coisa e polêmicas são as formas mais rápidas de reunir um monte de brasileiros num lugar só.

Se de um lado houver uma coleta de sangue para as vítimas de um terremoto e do outro um casal trocando tapas ou alguém debatendo sobre o destino da tal taça de bolinhas do Campeonato Brasileiro, pode ter certeza de que o barraco ou a taça vão ter muito mais saída.

Todo mundo quer dar a sua opinião.

Sistema de cotas, o desarmamento, as últimas declarações do Caetano Veloso, silicone no peito, quem corneou quem, o último namoro da Luana Piovani, a legalização do aborto, pena de morte, tudo isso tem o poder de animar qualquer reunião, de elevar vozes, de alterar ânimos.

De outra forma, porque um monte de gente adoraria o BBB? Aquilo ali é o mundo cão, é a polêmica, é aquela dose de baixaria que faz você acordar do seu cochilo, aumentar o som da TV e prestar atenção no que se passa.

Tudo em nome da tal atenção.

Se não quiser acreditar em mim, tudo bem, faça um teste: quando já for umas 4:00 da manhã de um sábado e todos os seus amigos estiverem indo embora daquele botequim pé sujo que vocês frequentam, bêbados e mortos de cansaço, logo após se despedir vire para eles e diga:

- Sabe o que eu acho? Que o Maradona é muito melhor do que o Pelé.

Nem precisa levantar da mesa, todo mundo vai dar meia-volta, sentar outra vez e começar o bate-boca.

Você jamais saberá a fórmula correta para terminar um namoro com alguém

Postado em 19 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 17 Comentários

Dizem que tão importante quanto começar algo, é saber terminar. Sei lá, acho isso totalmente válido se estivermos falando de um curso de inglês, uma faculdade ou mesmo daquela aula de 45 minutos de Spinning, mas não concordo muito quando se trata de relacionamentos.

Não adianta dizer que é preciso ter maturidade, que gente civilizada acaba virando amigo, entre outros clichês, porque como quase todo clichê essas idéias são perfeitamente plausísveis na teoria e totalmente anti-naturais na prática.

Claro que ex-namorados, noivos, maridos e esposas podem (e na medida do possível, devem) manter uma relação civilizada após o término da relação, mas o problema fica aí nesse "após".

Modestamente acredito que um período de adaptação, uma espécie de buffer zone, deve existir até que algum Buda incorpore em ambos e eles possam se enxergar novamente como pessoas, e não "aquele filho da puta que me largou por aquela lambisgóia loira" ou então "aquela vaca que dava mole pros viados da academia".

Num primeiro momento, eu não consigo acreditar em comportamento civilizado. Tudo bem que pratos quebrados, gatos enforcados e ex-PMs contratados para dar um "corretivo" no outro são inaceitáveis.

Mas uma atitude tipo "tomara que ele(a) se arrependa para eu ter o gostinho de dizer que agora quem não quer sou eu" é bem mais natural do que "Ah, você vai me abandonar para estudar ratha yoga com sua amiga lésbica por quem você descobriu que é perdidamente apaixonada? Legal, vamos tomar um café?".

Mas o busílis disso tudo é: como terminar? Qual o momento exato para você dizer pra pessoa o famoso "não é você, sou eu". Ora, primeiro que pra essa frase ser completamente honesta, ela deveria vir acompanhada de um "sou eu que não te aguenta mais" ou algo parecido e depois, bem, quem leva o fora sabe que é com ele sim.

É na hora de formalizar o acordo, no qual um entra com o pé e o outro com a bunda, que mora o perigo.


E não deixa de ser uma tarefa complicada avisar a alguém - assim como ouvir de alguém - que aquela pessoa não faz mais parte dos seus planos, que a sua empresa resolveu explorar outros mercados e que o portfólio dela não se encaixa mais no seu perfil de atuação.

É cruel saber que você não está mais a altura das aspirações de alguém. E pior do que ser trocado por outro, é te trocarem por nada mesmo.

Terminar um relacionamento é quase como demitir a pessoa, só que, pra piorar, ela não tem direito nem a fundo de garantia e seguro desemprego.

E pra resolver isso as pessoas nunca sabem direito como proceder. Você pode se fazer de desentendido e soltar a novidade numa hora totalmente imprópria: "Duas coca-colas, por favor, a minha sem limão e também sem essa moça aqui como namorada" ou então "pode passar o pão, por favor? Ah, agora estou namorando o Olavo".

Existe quem prefira inventar alguma briga: "Você não quer assistir Rambo III comigo pela vigésima vez? Sabia, jamais vamos dar certo, não te quero mais".

Tem quem prefira inventar uma situação catastrófica: "Descobri que tenho uma doença genética que fará com que todos os nossos filhos sejam cantores de axé, precisamos terminar de qualquer jeito".

E há também quem seja frio o suficiente para fazer isso por e-mail ou SMS: "De: Fulana@toemoutra.com.br Para Cicrano@clubedosrejeitados.org Não sei se você chegou a ler o memorando, mas nós não namoramos mais, Att, Fulana".

Ou então algo do tipo "SMS de Fulano: Oi, gata, qr dzer ex-gata td bem?Deixa eu te flar 1 coisa,naum temos + nd 1 c o outro,tô com a Lu, Bjus".

A própria inexistência de uma maneira indolor de fazer isso já demonstra como a coisa é complicada, ou você ainda iria tomar aquele sorvete com sua colega de faculdade se soubesse que dali a 2 anos e meio estaria num bar, enchendo a cara, pentelhando o garçom e seus amigos e chorando as pitangas porque a colega de faculdade virou a Bete, o amor da sua vida, que te largou só porque você passava o final de semana inteiro jogando World of Warcraft, ao invés de sair com ela?

Se a gente soubesse que um dia ia terminar - e principalmente, terminar mal para nós - ninguém começaria nada, essa é a verdade.

Mas se isso acontecesse, o que seria dos traidores, dos canalhas, das volúveis e de todo o tipo de gente cretina com a qual nos deparamos em nossas desventuras amorosas?

E pior, o que seria da indústria de filmes, de bebidas, de soníferos, do teatro, e até desta pobre criatura que agora vos escreve, que estaria completamente sem assunto?

Os pés na bunda ajudam a movimentar a economia e a cultura mundial. E se isso não for um fato, que pelo menos lhe sirva de consolo.

Quem é você por trás do seu avatar?

Postado em 6 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Por trás de cada sacada bem humorada, de cada piadinha cheia de timming, de cada verve irresistível, existe uma alma que deseja apenas um abraço.

Pode ser o aplauso de uma multidão, um texto repassado numa corrente de emails, um elogio no Twitter, mas depois do dinheiro e do poder, o que o ser humano mais adora e persegue loucamente é aprovação.

O tal "reconhecimento" da sociedade que vem na forma de ser considerado um bom vizinho, um colega de trabalho prestativo, um bom samaritano, tudo isso esconde um buraco negro chamado ego.

O problema é que esconde outras coisas também, como psicopatias, carências, frustrações, avarezas, taras, loucuras, manias.

Todo mundo é importante na internet. Duvida disso? Então pense que é difícil achar alguém no Orkut ou no Facebook com menos de 100 "amigos". No Twitter então, ter 500 seguidores é uma baba, quase todo mundo consegue.

Quer dizer, virtualmente seríamos todos vereadores de Varre e Sai, cidadezinha no Rio de Janeiro onde com 173 votos você se elege para a Câmara Municipal.

E não pense que a falta de um poder real ou econômico diminui a importância disso.


Delete um "amigo" do Orkut ou deixe de seguir alguém no Twitter e conheça alguns dos ataques de fúria e mágoa que isso pode originar. Não precisa acreditar em mim, puxe pela memória que certamente você vai lembrar de alguém que te interpelou perguntando algo como "porque você me deletou do seu Orkut?".

A coisa é levada tão a sério que existem aqueles que anunciam que vão deixar de seguir alguém em redes sociais, como uma espécie de comunicado à praça ou fato relevante:

"Vou dar unfollow em Fulano porque ele só fala sobre sua coleção de discos do Wando"

Agora pense rápido: poucas atitudes denotam mais carência do que isso, né? Imagino o sujeito dizendo uma coisa dessas e já rezando para que dali a alguns minutos o Fulano que deixou de ser seguido poste em algum álbum uma foto de joelhos, mãos postas e a legenda: por favor, eu imploro, não deixe de me seguir!

Só que tal qual quem faz a pergunta "posso te pedir alguma coisa?" jamais espera receber como resposta um simples "não", e como alguém que diz "gosto de quem fala a verdade", alguém que anuncia que vai deixar de seguir alguém em uma rede social jamais está preparado para um singelo "foda-se". E isto é um fato.

Negar para alguém a importância que ela jura que tem é o equivalente a um soco no estômago, ou melhor, a um tapa na cara.

E todas aquelas pessoas equilibradas, gente boa, concatenadas e maduras põem-se a falar mal de você, fazer bonecos de vodu e tentar resetar a senha do seu email, Twitter, Facebook e até do Sex Shop.

Tal qual aquele sujeito que vai num Mc Donald's e metralha todos os clientes só porque a atendente serviu uma Coca Zero ao invés da Light, temo pelo futuro da humanidade caso as rejeições virtuais tomem o mesmo caminho.

A moral da história é a seguinte: convém não irritar muita gente por aí, afinal, você nunca sabe se quem está por trás daquele avatar é o Jason, o Freddy ou Jack, o Estripador, que podem inclusive estar num mau dia, depois de terem sido recusados no Beautiful People.

Você sabia que eles olham pra mim?

Postado em 3 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Dificilmente alguém que já esteve num relacionamento com uma mulher - incluo aí até as lésbicas - deixou de ouvir a frase que dá título a este singelo texto.

Fazer ciúmes está no script de qualquer relacionamento maduro, saudável e estável que conhecemos. (nos relacionamentos imaturos, doentios e cheios de altos e baixos tem isso e mais todo um arsenal de novela das oito).

O que as mulheres não entendem é que o mesmo argumento que elas usam para desqualificar a maioria dos homens, o famoso "homem dá em cima de qualquer baranga/perua/galinha", pode ser usado para desconstruir a cena de provocação de ciúmes delas.

Se basta não ser muito gorda, muito feia, muito caída, muito galinha e nem muito mal vestida - as muito vulgares não entram nessa conta porque homem adora mulher com cara de puta - para que alguém dê em cima, então o fato de alguém ter dado em cima de você não é lá algo muito digno de nota, concorda?

A gatinha está passeando na rua, voltando do almoço e aí passa algum Don Juan de calçada e lança um "nossa, que princesa...". Ela finge que não ouve, não dá a menor atenção, mas fica com um pedaço do ego hipertrofiado de alguma forma, porque chega pro namorado mais tarde e conta "até minhas amigas percebem como os homens me olham na rua".

Concordo que isso faz bem pro ego, mas o que ela não percebe é que aquela provavelmente foi a 36ª cantada que aquele indivíduo deu em alguém naquela semana.

Entre outros, existem homens que gostam de futebol, existem homens que gostam de namorar sério, existem homens viciados em chats de internet, existem homens que viram políticos para enriquecer, existe o Eike Batista e existem homens que passam cantadas em mulheres na rua.

É quase um vício, faz parte de algum código do DNA, mas ele é assim e nada o fará mudar.

Claro que alguns são mais grosseiros - "te chupo toooooda" - e outros mais sutis - "nossa, que belo sorriso", mas todos fazem parte da categoria dos que passam cantada em mulher na rua. E eles estão espalhados por aí, por isso não é difícil encontrar com algum deles.


As mulheres tem uma vantagem sobre os homens: são eles que precisam dar em cima delas.

Ainda que algumas tomem a iniciativa - e invariavelmente assustem os caras - a regra é clara: elas dão mole,  eles chegam em cima. Só que o "dar mole" não é necessariamente um pré-requisito para "chegar em cima", o que gera sempre as maiores confusões.

Mas no final, elas escolhem.

Por isso não acredito na velha máxima que diz que "mulher gosta é de dinheiro". Muitas adoram dinheiro, todas adoram o conforto que o dinheiro traz, mas a maioria gosta sim de homem bonito ou inteligente ou rico ou poderoso ou todas as coisas anteriores.

E o fato delas gostarem de homem bonito e também de dinheiro não impede que casem com um feio rico e arrumem um amante pobre, mas isso é outra história.

Você pode ser famoso como o Bono, você pode ser bonito como o Jude Law, você pode ser poderoso como Vladimir Putin, você pode ser rico como o Sultão de Brunei, mas dificilmente você será tudo isso e é aí que elas te pegam para fazer ciúme.

Porque o homem facilmente esquece que ela está com ele porque quer (supondo que você não a mantenha num porão, acorrentada e comendo três refeições por dia que são servidas sempre que ela não está "de castigo").

Você pode não ser bonito, mas é rico, pode não ser rico, mas é inteligente, pode não ser inteligente, mas é famoso, pode não ser famoso, mas é atlético, pode não ser atlético, mas tem potencial ou pode não ser nada disso, mas ela estranhamente ficou contigo - talvez até porque queira roubar seu rim enquanto você dorme -mas saiba que seja qual for o motivo, ela provoca ciúmes para chamar sua atenção.

De alguma forma ela acha que você precisa tratá-la melhor, valorizá-la mais, parar de usar essas camisetas do Voivod que você usa desde que tinha 13 anos, assistir menos TV durante o sexo, enfim, alguma coisa que mostre o seu empenho na relação - e que ela quer tanto, que até recorreu ao estratagema de criar uma situação de insegurança em você para tentar conseguir.

Provavelmente no fundo ela gosta mesmo é de você, quer ficar contigo e se quisesse mesmo te trocar, só avisaria quando você já estivesse mais descartado do que pneu careca em borracheiro ou camisinha em casa de swing.

Mas você deve estar sempre preparado para a possibilidade dela simplesmente ser uma cretina ou de que realmente esteja pensando em partir pra outra ou em te trair, nesse caso é uma boa hora para você reavaliar aquele mole que a secretária do seu psicanalista te deu, afinal, se o negócio é ser imaturo e perder o equilíbrio emocional, ciúme e traição combinam perfeitamente com vingança.
 
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