Um cinema nos Estados Unidos ficou famoso por atirar na rua os clientes que liguem o celular - ainda que para passar uma simples mensagem de texto - durante a exibição do filme.
Note que eu usei o termo "atirar na rua", mas não sei se eles fazem isso literalmente, apenas expressei um desejo íntimo de que exista em algum lugar do mundo algum cinema que realmente faça isso e atire no meio da rua um cretino que ligue o celular.
Porque vamos pensar, o cinema não faz parte das obrigações civis ou religiosas de alguém. Você é obrigado a servir o exército quando completa 18 anos, se for muçulmano deve fazer uma peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida, se for judeu deve respeitar o descanso do sábado, mas nenhuma lei ou religião te obriga a ir ao cinema.
O que existe na sua telinha que seja mais interessante do que o que se passa na telona? Godzilla invadindo Nova York, Espaçonaves alienígenas destruindo o planeta, Mila Kunis fazendo sexo oral na Natalie Portman e você preocupado com as últimas ofertas do Submarino que chegaram por email?
Supõe-se que você esteja ali porque quer (vamos fazer de conta que sua esposa não te arrastou para ver "Sete Casais Discutindo Relação" ou seu namorado te obrigou a ver "Transformers 14 - Agora eles são carrinhos de mão"). Sendo assim, nada justifica que você resolva utilizar o celular durante um filme.
Se a sua casa estiver pegando fogo, garanto que você não vai sair e pedir pro bombeiro ligar pro seu celular contando as novidades. E tenho certeza que assistir a "Maratona Mr. Bean" não é uma atitude muito sensata se a sua esposa estiver no hospital para ter um filho.
Durante o filme nada vai acontecer na internet que mude o mundo para sempre (a menos que ele acabe de repente, o que você vai descobrir assim que sair do cinema) e hepatite demora mais de 2 horas para matar alguém, logo não precisa responder a mensagem de texto do seu amigo imediatamente.
Logo o melhor a fazer é desligar o celular.
Ainda mais porque as pessoas que foram ali para ver a última interpretação da Meryl Streep não vão ficar muito satisfeitas em te ouvir combinando uma saída com suas amigas para um choppinho mais tarde, sua conversa com a secretária do dentista tentando remarcar uma consulta ou você discutindo relação e chamando sua namorada de "piranha, ingrata e traidora".
Afinal, quem estiver afim de ver novela mexicana, basta assistir o SBT (e ninguém precisa saber que você é corno).
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Vai por mim: o Godzilla é mais interessante do que o seu celular
Postado em 12 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
E foram felizes para sempre
Postado em 27 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Sempre achei esses finais de histórias infantis e filmes meio irritantes. Aquele monte de gente abraçada, casais se beijando, pássaros voando, o E.T. vontando para casa, os vilões se dando mal, os heróis sorrindo com o topete engomado, uma coisa meio livro de auto-ajuda, meio música da Tropicália.
Mas a verdade é que todas essas lições que os estúdios tentam passar são grandes furadas. A vida real muitas vezes se parece mais com o início dessas sequências de filme, onde o que termina bem na primeira edição o diretor resolve bagunçar na segunda.
A Rainha do Gelo volta para atormentar os bichos falantes de Nárnia, o Jason do Sexta-Feira 13 consegue fugir de dentro de um cofre no fundo do lago, alguém implanta uma mão robótica no Dath Vader e tudo começa outra vez.
Só mesmo em um filme de Hollywood é possível você entrar numa loja, conhecer um japonês que te leva para a casa dele e te bota para lavar o carro, pintar a cerca, lixar o assoalho e você sai dali faixa-preta de caratê. Se fosse nessa sua vidinha aí, isso terminaria mesmo num emprego de carteira assinada, ganhando salário mínimo, vale transporte e um PF de arroz com feijão na hora do almoço.
Afinal, alguém acredita mesmo que um sujeito milionário solteirão ficaria passeando pela rua, pegaria uma prostituda de calçadão, levaria pro seu hotel e no final casaria com ela como fez o Richard Gere com a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher"?
Na vida real ele seria casado e contrataria uma oriental e uma africana para fazerem parte de um bacanal envolvendo ornitorrincos, corcundas, um mágico, dois equilibristas e 37 pombos mortos e no final voltaria para casa levando um presente para a esposa, contando como sentiu sua falta.
E ainda que seja comum alguém sair do cinema ou desligar a TV se perguntando "será que eles continuaram vivendo felizes naquela fazenda mesmo?", já cheguei também a imaginar coisas bem menos normais como "acho que a Cinderela abusou dos rodízios de pizza, embarangou depois do segundo filho e o príncipe virou amante da Branca de Neve, que separou do marido depois que descobriu que ele era pedófilo e tinha um caso com o Peter Pan".
Se você pudesse saber mesmo o que acontece depois que aparece o "The End" na tela, veria que os Goonies foram presos pela Capitania dos Portos por navegarem com aquele navio pirata sem autorização, que Thelma e Louise realmente se esborracharam naquele penhasco e só foram reconhecidas através de exame de DNA e que aquela turma da "Escola do Rock" montou uma banda que teve um só sucesso e ainda se desfez, depois de muitas brigas e problemas com drogas.
Isso sem contar com todos os personagens de "Se Beber Não Case", "Porky´s" e "American Pie" que estariam hospedados em alguma penitenciária federal ou então fritando hamburgers no Mc Donald's.
Talvez seja por isso que essas histórias com finais felizes façam sucesso há tanto tempo, afinal, pra ver gente se fodendo você não precisa ler um livro ou ir ao cinema, basta acordar numa segunda-feira de manhã, ir de metrô até o trabalho, voltar para casa à noite e ligar no telejornal.
Mas a verdade é que todas essas lições que os estúdios tentam passar são grandes furadas. A vida real muitas vezes se parece mais com o início dessas sequências de filme, onde o que termina bem na primeira edição o diretor resolve bagunçar na segunda.
A Rainha do Gelo volta para atormentar os bichos falantes de Nárnia, o Jason do Sexta-Feira 13 consegue fugir de dentro de um cofre no fundo do lago, alguém implanta uma mão robótica no Dath Vader e tudo começa outra vez.
Só mesmo em um filme de Hollywood é possível você entrar numa loja, conhecer um japonês que te leva para a casa dele e te bota para lavar o carro, pintar a cerca, lixar o assoalho e você sai dali faixa-preta de caratê. Se fosse nessa sua vidinha aí, isso terminaria mesmo num emprego de carteira assinada, ganhando salário mínimo, vale transporte e um PF de arroz com feijão na hora do almoço.
Afinal, alguém acredita mesmo que um sujeito milionário solteirão ficaria passeando pela rua, pegaria uma prostituda de calçadão, levaria pro seu hotel e no final casaria com ela como fez o Richard Gere com a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher"?
Na vida real ele seria casado e contrataria uma oriental e uma africana para fazerem parte de um bacanal envolvendo ornitorrincos, corcundas, um mágico, dois equilibristas e 37 pombos mortos e no final voltaria para casa levando um presente para a esposa, contando como sentiu sua falta.
E ainda que seja comum alguém sair do cinema ou desligar a TV se perguntando "será que eles continuaram vivendo felizes naquela fazenda mesmo?", já cheguei também a imaginar coisas bem menos normais como "acho que a Cinderela abusou dos rodízios de pizza, embarangou depois do segundo filho e o príncipe virou amante da Branca de Neve, que separou do marido depois que descobriu que ele era pedófilo e tinha um caso com o Peter Pan".
Se você pudesse saber mesmo o que acontece depois que aparece o "The End" na tela, veria que os Goonies foram presos pela Capitania dos Portos por navegarem com aquele navio pirata sem autorização, que Thelma e Louise realmente se esborracharam naquele penhasco e só foram reconhecidas através de exame de DNA e que aquela turma da "Escola do Rock" montou uma banda que teve um só sucesso e ainda se desfez, depois de muitas brigas e problemas com drogas.
Isso sem contar com todos os personagens de "Se Beber Não Case", "Porky´s" e "American Pie" que estariam hospedados em alguma penitenciária federal ou então fritando hamburgers no Mc Donald's.
Talvez seja por isso que essas histórias com finais felizes façam sucesso há tanto tempo, afinal, pra ver gente se fodendo você não precisa ler um livro ou ir ao cinema, basta acordar numa segunda-feira de manhã, ir de metrô até o trabalho, voltar para casa à noite e ligar no telejornal.
Selecionando uma filmografia confiável para chamar alguém pra ir no cinema
Postado em 17 de nov. de 2011 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Não gosto tanto de filmes a ponto de ir fazer faculdade de cinema e conviver com pessoas que ainda usam bolsas de crochê, calças de Bali, fazem aquele gesto do enquadramento com os dedos e curtem passar o sábado assistindo a filmografia do Glauber Rocha, mas ainda assim posso dizer que gosto muito.
E por isso mesmo vivo procurando lançamentos no jornal, atrás de mostras de países obscuros como o Butão ou Bangladesh, festivais e sessões no meio da tarde, quando invento algum médico ou reunião para fugir e assistir a um filme.
Mas escolher algo para ver sozinho é tranquilo, você pode estar afim de ver "Transformers 10 - A volta da missão de vingança em resposta à primeira missão de vingança que não funcionou", ou então algum filme nepalês sobre monges que fizeram voto de silêncio e desenham mandalas de areia, filme que não conta com um diálogo sequer e que durante suas seis horas e meia de duração tem como o único som o barulho dos monges assoprando para desmanchar as mandalas.
Quando você é responsável somente pela sua experiência daquela ida ao cinema, nenhuma responsabilidade maior é envolvida. O problema é quando você resolve chamar alguém pra ir contigo.
Porque ainda que você seja um cara sensível, culto, educado, erudito e que até beba chá, chamar aquele parceiro do futebol para assisir "Bolshoi, o drama de uma bailarina" vai dar certeza a ele que você é realmente meio esquisitão e ainda por cima soar como um convite subliminar pra curtir uns momentos numa sauna.
Por outro lado, convidar a garota da faculdade que você está há seis meses tentando sair pra assistir "Orgia de Cérebros, o novo ataque das zumbis lésbicas" pode não ser uma boa idéia (e caso ainda assim você faça o convite e ela aceite, talvez convenha começar a se preocupar em mantê-la longe de facas e demais objetos cortantes).
Outra coisa são aqueles filmes com cenas de putaria aleatória.
Num minuto uma camponesa colhe alfazemas numa cena digna de rótulo de colônia de farmácia, logo depois ela aparece em sua bucólica choupana tomando sopa de tomate e em seguida já aparece nua, junto com seu meio-irmão e algumas cabras, numa cena em que o diretor queria monstrar como preencher o vazio existencial profundo, mas que ficou sem explicar o porque da necessidade das cabras.
Filmes assim não são para ver com sua mãe, sua avó ou a garota que você quer sair há seis meses. E caso ela curta, bem, ofereça logo um contrato pra ser agente da carreira dela como atriz pornô.
Assistir coisas como "Jackass", "Pen & Ênis, dois detetives da pesada" ou "Vomitando Helena" te fazem parecer meio idiota, por isso convém ir ao cinema usando uma máscara.
Mas a pior situação é quando você quer impressionar.
Escolhe cuidadosamente um filme búlgaro que fala sobre as primeiras 17 horas de um relacionamento amoroso que durou apenas 24. O filme é todo em preto e branco e a câmera é embaçada, nova moda na Europa, e então chama a tal garota que queria sair há seis meses pra assisti-lo.
Já na saída, depois da dificuldade em se manter acordado e fazendo cara de interesse mesmo durante uma cena em que a personagem leva nove minutos e meio penteando o cabelo, você vira pra ela e diz:
- E aí? O que achou?
- Legal...
- Legal?
- É, legal, OK e tal, mas eu preferia mesmo é ter ido ver "American Pie".
E por isso mesmo vivo procurando lançamentos no jornal, atrás de mostras de países obscuros como o Butão ou Bangladesh, festivais e sessões no meio da tarde, quando invento algum médico ou reunião para fugir e assistir a um filme.
Mas escolher algo para ver sozinho é tranquilo, você pode estar afim de ver "Transformers 10 - A volta da missão de vingança em resposta à primeira missão de vingança que não funcionou", ou então algum filme nepalês sobre monges que fizeram voto de silêncio e desenham mandalas de areia, filme que não conta com um diálogo sequer e que durante suas seis horas e meia de duração tem como o único som o barulho dos monges assoprando para desmanchar as mandalas.
Quando você é responsável somente pela sua experiência daquela ida ao cinema, nenhuma responsabilidade maior é envolvida. O problema é quando você resolve chamar alguém pra ir contigo.
Porque ainda que você seja um cara sensível, culto, educado, erudito e que até beba chá, chamar aquele parceiro do futebol para assisir "Bolshoi, o drama de uma bailarina" vai dar certeza a ele que você é realmente meio esquisitão e ainda por cima soar como um convite subliminar pra curtir uns momentos numa sauna.
Por outro lado, convidar a garota da faculdade que você está há seis meses tentando sair pra assistir "Orgia de Cérebros, o novo ataque das zumbis lésbicas" pode não ser uma boa idéia (e caso ainda assim você faça o convite e ela aceite, talvez convenha começar a se preocupar em mantê-la longe de facas e demais objetos cortantes).
Outra coisa são aqueles filmes com cenas de putaria aleatória.
Num minuto uma camponesa colhe alfazemas numa cena digna de rótulo de colônia de farmácia, logo depois ela aparece em sua bucólica choupana tomando sopa de tomate e em seguida já aparece nua, junto com seu meio-irmão e algumas cabras, numa cena em que o diretor queria monstrar como preencher o vazio existencial profundo, mas que ficou sem explicar o porque da necessidade das cabras.
Filmes assim não são para ver com sua mãe, sua avó ou a garota que você quer sair há seis meses. E caso ela curta, bem, ofereça logo um contrato pra ser agente da carreira dela como atriz pornô.
Assistir coisas como "Jackass", "Pen & Ênis, dois detetives da pesada" ou "Vomitando Helena" te fazem parecer meio idiota, por isso convém ir ao cinema usando uma máscara.
Mas a pior situação é quando você quer impressionar.
Escolhe cuidadosamente um filme búlgaro que fala sobre as primeiras 17 horas de um relacionamento amoroso que durou apenas 24. O filme é todo em preto e branco e a câmera é embaçada, nova moda na Europa, e então chama a tal garota que queria sair há seis meses pra assisti-lo.
Já na saída, depois da dificuldade em se manter acordado e fazendo cara de interesse mesmo durante uma cena em que a personagem leva nove minutos e meio penteando o cabelo, você vira pra ela e diz:
- E aí? O que achou?
- Legal...
- Legal?
- É, legal, OK e tal, mas eu preferia mesmo é ter ido ver "American Pie".
Cinema, pipoca e guaraná
Postado em 20 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Hoje é sexta-feira e tal como eu, um monte de gente vai sair do trabalho e ir ao cinema, relaxar e se divertir naquelas salas refrigeradas que funcionam como uma espécie de cachaça pra fugirmos da encheção do dia a dia, com a vantagem de não sermos apanhados no bafômetro depois.
E sempre que vou ao cinema, me chama a atenção a ligação praticamente siamesa que a telona tem com as guloseimas. Quase todo mundo sente necessidade de levar/comprar algo pra comer ali.
Até eu mesmo já me peguei caindo nessa armadilha e comprando aqueles M&Ms de 10 reais que a bomboniere dos cinemas usam para se aproveitar da nossa gulodice e nos extorquir.
É, como diziam os antigos, "batata". O cara sai de casa, encontra a namorada, os dois vão jantar. Se empanturram seja lá do que for, comem uma boa sobremesa e lá vão para o cinema, ver a nova barbicha/cavanhaque/barbona do Brad Pitt. Dirigem-se para a bilheteria, escolhem lugares, chegam na ante-sala e voi lá, aquele cheirinho de pipoca começa a penetrar até pelos fundilhos.
Até rola uma resistência inicial, mas passados alguns minutos, o desfile de baldes de pipoca vai ficando insuportável. Sei que ainda não chegamos à perfeição dos americanos, que vendem baldes de pipoca de 1kg ou mais e copos de refrigerante capazes de afogar um neném, mas nossas porções estão ficando mais generosas com o tempo.
Acabamos sucumbindo e convencendo até nossa companhia de que ela também está afim de um daqueles "combos", que carinhosamente chamo de troféus do desperdício, afinal, quem consegue comer sozinho uma quantidade de pipocas que alimentaria uma família na Somália? É tanta pipoca e guaraná que faria inveja a uma missão de paz da ONU.
Sou da época do pipoqueiro na porta do cinema. Cinema de rua, diga-se de passagem. Hoje quase todos foram parar nos shoppings, fugindo dos ladrões, da sujeira, dos pedintes e do calor que dominam as calçadas (igual fez a "classe média"). E com essa migração para os shoppings, apareceram os tais "combos".
Tente comprar um singelo saquinho de pipocas numa bomboniere de cinema que te mostrarão diversas opções, nenhuma delas envolvendo um saquinho de pipocas. É um tal de "compre o mega-giga-combo-cetáceo e leve um squeeze da Xuxa".
Mas tudo bem, não adianta resistir e a gente acaba aderindo. Confesso entretanto que nunca consegui passar do "Combo Kids", que já é coisa de gente grande e contém calorias que jogam pela descarga um dia e meio de malhação. Chega a ser engraçado um barbado de mais de 30 chegar no caixa e pedir "Um Combo Kids, por favor". Sinto o olhar da mocinha procurar a criança à minha volta quase que instantaneamente.
"Um chocolate para acompanhar, Senhor?".
"Não, não preciso aumentar mais nenhum centímetro da circunferência da minha cintura, mas sou-lhe muito grato por tentar".
Acabou que passamos a associar cinema à comida e a fila para a sala de exibição demonstra isso. São Prestígios, Diplomatas, Toblerones, M&Ms, pipocas, refrigerantes, todos perfilados aguardando para assistir aqueles 20 ou 30 minutos de comerciais e traillers (no meu tempo não passava de 10 minutos e ainda assim levava vaia), já que dificilmente os acepipes conseguem chegar ao filme propriamente dito, todo mundo come tudo antes do filme começar.
Mas fica aquele cheiro de no ar, atiçando a vontade dos que resistiram bravamente até ali, e deixando esta incrível sensação, que é a dos atores e atrizes, independente do gênero de filme em que estejam, cheirarem todos a pipoca.
E sempre que vou ao cinema, me chama a atenção a ligação praticamente siamesa que a telona tem com as guloseimas. Quase todo mundo sente necessidade de levar/comprar algo pra comer ali.
Até eu mesmo já me peguei caindo nessa armadilha e comprando aqueles M&Ms de 10 reais que a bomboniere dos cinemas usam para se aproveitar da nossa gulodice e nos extorquir.
É, como diziam os antigos, "batata". O cara sai de casa, encontra a namorada, os dois vão jantar. Se empanturram seja lá do que for, comem uma boa sobremesa e lá vão para o cinema, ver a nova barbicha/cavanhaque/barbona do Brad Pitt. Dirigem-se para a bilheteria, escolhem lugares, chegam na ante-sala e voi lá, aquele cheirinho de pipoca começa a penetrar até pelos fundilhos.
Até rola uma resistência inicial, mas passados alguns minutos, o desfile de baldes de pipoca vai ficando insuportável. Sei que ainda não chegamos à perfeição dos americanos, que vendem baldes de pipoca de 1kg ou mais e copos de refrigerante capazes de afogar um neném, mas nossas porções estão ficando mais generosas com o tempo.
Acabamos sucumbindo e convencendo até nossa companhia de que ela também está afim de um daqueles "combos", que carinhosamente chamo de troféus do desperdício, afinal, quem consegue comer sozinho uma quantidade de pipocas que alimentaria uma família na Somália? É tanta pipoca e guaraná que faria inveja a uma missão de paz da ONU.
Sou da época do pipoqueiro na porta do cinema. Cinema de rua, diga-se de passagem. Hoje quase todos foram parar nos shoppings, fugindo dos ladrões, da sujeira, dos pedintes e do calor que dominam as calçadas (igual fez a "classe média"). E com essa migração para os shoppings, apareceram os tais "combos".
Tente comprar um singelo saquinho de pipocas numa bomboniere de cinema que te mostrarão diversas opções, nenhuma delas envolvendo um saquinho de pipocas. É um tal de "compre o mega-giga-combo-cetáceo e leve um squeeze da Xuxa".
Mas tudo bem, não adianta resistir e a gente acaba aderindo. Confesso entretanto que nunca consegui passar do "Combo Kids", que já é coisa de gente grande e contém calorias que jogam pela descarga um dia e meio de malhação. Chega a ser engraçado um barbado de mais de 30 chegar no caixa e pedir "Um Combo Kids, por favor". Sinto o olhar da mocinha procurar a criança à minha volta quase que instantaneamente.
"Um chocolate para acompanhar, Senhor?".
"Não, não preciso aumentar mais nenhum centímetro da circunferência da minha cintura, mas sou-lhe muito grato por tentar".
Acabou que passamos a associar cinema à comida e a fila para a sala de exibição demonstra isso. São Prestígios, Diplomatas, Toblerones, M&Ms, pipocas, refrigerantes, todos perfilados aguardando para assistir aqueles 20 ou 30 minutos de comerciais e traillers (no meu tempo não passava de 10 minutos e ainda assim levava vaia), já que dificilmente os acepipes conseguem chegar ao filme propriamente dito, todo mundo come tudo antes do filme começar.
Mas fica aquele cheiro de no ar, atiçando a vontade dos que resistiram bravamente até ali, e deixando esta incrível sensação, que é a dos atores e atrizes, independente do gênero de filme em que estejam, cheirarem todos a pipoca.
O cliente prefere ter razão quando tem razão
Postado em 12 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Quem nunca ouviu o batido ditado "o cliente tem sempre razão"? Confesso que sou meio contra essa história. Não concebo que alguém que já entre num estabelecimento fazendo grosserias para os funcionários tenha razão só porque está do "lado certo" do balcão.
Como também sou prestador de serviços sei que existem clientes que quase não valem o lucro que dão.
Mas tem gente por aí que se esforça para desagradar seus clientes de uma forma inesquecível. Não adianta ter instalações modernas, treinar os funcionários para tratarem todos por "senhor/senhora" e ignorar o fato de que, às vezes, o cliente também tem razão. Sim, porque certos estabelecimentos parecem funcionar ao contrário do tal ditado.
É sintomático, você vai reclamar de algo, solicitar alguma correção na forma como estão te tratando e ouve aquele famigerado "claro, senhor, eu entendo, mas a política da empresa...". Quer dizer, a "política da empresa" está acima de leis, códigos e o principal: do cliente.
Dois casos que vivi ilustram bem isso.
Uma vez fui ao UCI, complexo de cinemas na Barra da Tijuca, para assistir a um lançamento qualquer. Por um acaso, esse lançamento presenteava quem comprasse o ingresso com um CD. Comprei meu ingresso, recebi o brinde e fui fazer hora dando um passeio.
Perdi (ou sabe-se lá se algum deputado tirou do meu bolso e nem senti) o meu ingresso. Mas ainda tinha o CD em mãos.
Fui para a entrada e comuniquei ao bilheteiro, que chamou o gerente. Minha argumentação era simples: se cada pessoa comprava uma entrada e recebia um CD, e eu possuía o CD, com certeza eu havia comprado o bilhete.
Muito educadamente o barnabé da iniciativa privada (neste caso, uma privada mesmo) me disse que eu poderia muito bem ter comprado o ingresso, dado a outra pessoa e agora estar ali tentando entrar no cinema sem pagar.
Respirei fundo, tentando não mandá-lo para Brasília ou pro Maranhão, e disse a ele que era simples resolver o impasse: bastava ver no computador quantos ingressos foram vendidos e quantas pessoas entraram, se sobrasse um, com certeza era o meu, o idiota na sua frente que ele acusava de trambiqueiro.
Aí veio a pá de cal: entendo, senhor, mas é a política da empresa não deixar entrar sem ingresso.
Uau! O energúmeno não entendeu que não me deixaria entrar "sem ingresso" e sim que me deixaria entrar após eu comprovar que comprei um mas perdi o ticket de papel. Fui embora dali para não atirar o sundae que tinha em mãos no meio do focinho de asno do rapaz e acabar perdendo a razão, e no dia seguinte liguei para a assessoria de comunicação do Grupo UCI. Nada. Solução zero.
Jurei nunca mais voltar ali. Sei que sou apenas um, mas o meu suado dinheirinho eles jamais veriam outra vez. Isso já tem uns nove anos e até aqui, promessa cumprida.
Uma outra vez fui ao Estação, outro cinema mais "cult" aqui do Rio. Mesma coisa, comprei e perdi os ingressos. Não tinha o tal DVD. Fui à bilheteria e nem precisei de gerente, falei a mesma coisa: poderia ver se não sobra um?
Sobrava. Porém a sessão já tinha começado, porque entre procurar o ingresso e resolver isso com eles, levou um tempinho.
Problema? Não. Solução.
A própria funcionária da bilheteria me disse "você(note que o famigerado "senhor" ficou de fora) pode escolher um outro filme ou eu te dou outro ingresso para uma sessão mais tarde". Eu não podia ficar mais tempo ali, porque tinha outro compromisso.
Problema? Novamente não. Solução.
Ela: "tudo bem, eu vou te dar um vale-ingresso que você pode usar em qualquer cinema do Grupo Estação, para qualquer sessão".
Note que não fui chamado de "senhor" nem uma vez, mas ao contrário de quem me chamou de "senhor" umas 30, eles não me trataram como moleque e sim como "senhor" mesmo.
O Estação é muito arrumadinho, mas nem de longe tem o luxo do UCI, mas pergunto: de que servem tantas paredes bonitas, pisos brilhantes, salas com som de 800 canais e filmes em 20 dimensões se o tratamento dispensado ao cliente é pior do que num botequim?
Resultado? Nesses nove anos em que nunca mais pisei no UCI, devo ter assistido uns 200 filmes no Estação, geralmente levando alguém junto. Pode não ser nada, mas pra mim é muito, e pra quem vive de exibir filmes para as pessoas deveria ser também.
Como também sou prestador de serviços sei que existem clientes que quase não valem o lucro que dão.
Mas tem gente por aí que se esforça para desagradar seus clientes de uma forma inesquecível. Não adianta ter instalações modernas, treinar os funcionários para tratarem todos por "senhor/senhora" e ignorar o fato de que, às vezes, o cliente também tem razão. Sim, porque certos estabelecimentos parecem funcionar ao contrário do tal ditado.
É sintomático, você vai reclamar de algo, solicitar alguma correção na forma como estão te tratando e ouve aquele famigerado "claro, senhor, eu entendo, mas a política da empresa...". Quer dizer, a "política da empresa" está acima de leis, códigos e o principal: do cliente.
Dois casos que vivi ilustram bem isso.
Uma vez fui ao UCI, complexo de cinemas na Barra da Tijuca, para assistir a um lançamento qualquer. Por um acaso, esse lançamento presenteava quem comprasse o ingresso com um CD. Comprei meu ingresso, recebi o brinde e fui fazer hora dando um passeio.
Perdi (ou sabe-se lá se algum deputado tirou do meu bolso e nem senti) o meu ingresso. Mas ainda tinha o CD em mãos.
Fui para a entrada e comuniquei ao bilheteiro, que chamou o gerente. Minha argumentação era simples: se cada pessoa comprava uma entrada e recebia um CD, e eu possuía o CD, com certeza eu havia comprado o bilhete.
Muito educadamente o barnabé da iniciativa privada (neste caso, uma privada mesmo) me disse que eu poderia muito bem ter comprado o ingresso, dado a outra pessoa e agora estar ali tentando entrar no cinema sem pagar.
Respirei fundo, tentando não mandá-lo para Brasília ou pro Maranhão, e disse a ele que era simples resolver o impasse: bastava ver no computador quantos ingressos foram vendidos e quantas pessoas entraram, se sobrasse um, com certeza era o meu, o idiota na sua frente que ele acusava de trambiqueiro.
Aí veio a pá de cal: entendo, senhor, mas é a política da empresa não deixar entrar sem ingresso.
Uau! O energúmeno não entendeu que não me deixaria entrar "sem ingresso" e sim que me deixaria entrar após eu comprovar que comprei um mas perdi o ticket de papel. Fui embora dali para não atirar o sundae que tinha em mãos no meio do focinho de asno do rapaz e acabar perdendo a razão, e no dia seguinte liguei para a assessoria de comunicação do Grupo UCI. Nada. Solução zero.
Jurei nunca mais voltar ali. Sei que sou apenas um, mas o meu suado dinheirinho eles jamais veriam outra vez. Isso já tem uns nove anos e até aqui, promessa cumprida.
Uma outra vez fui ao Estação, outro cinema mais "cult" aqui do Rio. Mesma coisa, comprei e perdi os ingressos. Não tinha o tal DVD. Fui à bilheteria e nem precisei de gerente, falei a mesma coisa: poderia ver se não sobra um?
Sobrava. Porém a sessão já tinha começado, porque entre procurar o ingresso e resolver isso com eles, levou um tempinho.
Problema? Não. Solução.
A própria funcionária da bilheteria me disse "você(note que o famigerado "senhor" ficou de fora) pode escolher um outro filme ou eu te dou outro ingresso para uma sessão mais tarde". Eu não podia ficar mais tempo ali, porque tinha outro compromisso.
Problema? Novamente não. Solução.
Ela: "tudo bem, eu vou te dar um vale-ingresso que você pode usar em qualquer cinema do Grupo Estação, para qualquer sessão".
Note que não fui chamado de "senhor" nem uma vez, mas ao contrário de quem me chamou de "senhor" umas 30, eles não me trataram como moleque e sim como "senhor" mesmo.
O Estação é muito arrumadinho, mas nem de longe tem o luxo do UCI, mas pergunto: de que servem tantas paredes bonitas, pisos brilhantes, salas com som de 800 canais e filmes em 20 dimensões se o tratamento dispensado ao cliente é pior do que num botequim?
Resultado? Nesses nove anos em que nunca mais pisei no UCI, devo ter assistido uns 200 filmes no Estação, geralmente levando alguém junto. Pode não ser nada, mas pra mim é muito, e pra quem vive de exibir filmes para as pessoas deveria ser também.
Avatar (ou vários avatares)
Postado em 7 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários
Hoje resolvi aderir à preguiça e faltar a academia de noite. Essa vida de geração saúde afasta a gente de certos programinhas usuais, tipo pegar um cinema no final da tarde durante a semana.
Ia utilizar esse post pra falar mal do Koni Store e de franquias que deixam o nível cair depois que viram uma espécie de "lousy and expensive food", mas o filme que escolhi para assistir conseguiu vencer a má impressão que os temakis de lá me causaram e esse atum que parece que ainda está nadando no meu estômago.
Aproveitei o "papa filas" eletrônico do cinema e me senti no primeiro mundo comprando meu ingresso sem ter que ir na bilheteria, somente com o auxílio de um monitor touch screen e meu cartão de débito. Coisa boa, viu.
Mas vamos lá, fui assistir o famosíssimo, campeoníssimo de vendas, faladíssimo, assistidíssimo e deixo aqui este espaço: _______(íssimo) para você criar seu próprio neologismo grandiloquente sobre ele, filme de James Cameron, "Avatar".
Poderia falar aqui sobre atuações, sobre os espetaculares efeitos especiais que tiram nosso fôlego e sobre o visual esplendoroso que o filme proporciona (e olha que nem vi em 3D), porque acho que esses aspectos já foram abordados à exaustão pela mídia especializada, que inclusive chegou a considerar o filme um "divisor de águas" na história do cinema.
Exageros da crítica à parte, o que mais me chamou a atenção em "Avatar" foi a impressão que ele me causou de parecer estar assistindo a recortes de outros filmes famosos e conhecidos que já vi.
Sério, não que seja um "plágio" ou que diminua a importância da película, mas pelo menos para mim, encontrei ali referências tanto claras quanto sutis a diversos filmes.
Vou procurar não ser estraga prazeres e contar coisas que possam tirar o efeito surpresa do filme, por isso vou evitar a analogia que vi com outro filme de James Cameron, "Titanic". Quem já viu ambos os filmes lembrará bem da cena de "Avatar" que remete àquele afundamento do transatlântico, com suas luzes apagando em alto mar.
Mas vamos lá, as demais analogias são menos "spoilers".
Um forasteiro que chega para espionar uma cultura nativa para ajudar a dominá-la e, após ser encontrado, tratado como inimigo e conseguir com muito esforço falar até mesmo a língua deles e com que estes mesmos nativos passem a considerá-lo um igual, fazendo com que o forasteiro mude de lado na história: "Dança com Lobos", não é?
Uma cultura alienígena (no caso de "Avatar", os alienígeas somos nós) que chega para sugar os recursos de um planeta e subjugar os seus habitantes pela força de armas mais poderosas: "Indepence Day".
Um líder muito, muito, muito mal que põe fogo no que vê pela frente, deixa atrás de si um rastro de destruição, não respeita os entes da floresta e planeja vingar-se das "forças do bem" não só pelo poder mas também para mostrar simplesmente que pode e se vê enfrentando uma liga de seres diferentes (e bizarros) que se unem pela preservação do mundo que conhecem, a partir de uma "força superior": "Senhos dos Anéis".
O clima de fantasia e mundo maginário continua, na luta entre um "lado negro" da força e os mocinhos, com batalhas em florestas, confrontos grandiosos e até alguns simulacros de naves do Império, sendo assim, porque não? "Avatar" também tem uma pitada de "Starwars".
Esse caráter épico aliás, também remeteu para "Braveheart", onde um bravo e diferenciado guerreiro é escolhido para liderar um povo, fazendo belos discursos, inflamando e unindo as massas, tal qual William Wallace.
Guerreiros alados que não só escolhem sua montaria como são "escolhidos por elas", caríssimos, podem me xingar, mas já vi isso em Dinotopia.
Sem contar pessoas que controlam manequins a partir de sua mente, assumindo então a vida a partir de um avatar (daí o nome do filme, claro) não tem como não fazer lembrar um outro filme recém-lançado com Bruce Willis, "Surrogates".
Enfim, quando comentei com o pessoal do Twitter, teve quem falasse até de "Pocahontas" e "World of Warcraft", mas prefiro parar por aqui, acho que já consegui demonstrar meu ponto.
Sei que este é um texto que talvez interesse mais a quem já viu o filme (e entenderá o que digo, ainda que para discordar) do que para quem ainda não viu.
Só espero não ter estragado a diversão de ninguém, porque acredite: justamente por conter tantos elementos de filmes muito bons e de ação, mesclados com muita competência pelo diretor James Cameron e aliados à um visual inesquecível, "Avatar" é diversão garantida.
Vale o ingresso.
Ia utilizar esse post pra falar mal do Koni Store e de franquias que deixam o nível cair depois que viram uma espécie de "lousy and expensive food", mas o filme que escolhi para assistir conseguiu vencer a má impressão que os temakis de lá me causaram e esse atum que parece que ainda está nadando no meu estômago.
Aproveitei o "papa filas" eletrônico do cinema e me senti no primeiro mundo comprando meu ingresso sem ter que ir na bilheteria, somente com o auxílio de um monitor touch screen e meu cartão de débito. Coisa boa, viu.
Mas vamos lá, fui assistir o famosíssimo, campeoníssimo de vendas, faladíssimo, assistidíssimo e deixo aqui este espaço: _______(íssimo) para você criar seu próprio neologismo grandiloquente sobre ele, filme de James Cameron, "Avatar".
Poderia falar aqui sobre atuações, sobre os espetaculares efeitos especiais que tiram nosso fôlego e sobre o visual esplendoroso que o filme proporciona (e olha que nem vi em 3D), porque acho que esses aspectos já foram abordados à exaustão pela mídia especializada, que inclusive chegou a considerar o filme um "divisor de águas" na história do cinema.
Exageros da crítica à parte, o que mais me chamou a atenção em "Avatar" foi a impressão que ele me causou de parecer estar assistindo a recortes de outros filmes famosos e conhecidos que já vi.
Sério, não que seja um "plágio" ou que diminua a importância da película, mas pelo menos para mim, encontrei ali referências tanto claras quanto sutis a diversos filmes.
Vou procurar não ser estraga prazeres e contar coisas que possam tirar o efeito surpresa do filme, por isso vou evitar a analogia que vi com outro filme de James Cameron, "Titanic". Quem já viu ambos os filmes lembrará bem da cena de "Avatar" que remete àquele afundamento do transatlântico, com suas luzes apagando em alto mar.
Mas vamos lá, as demais analogias são menos "spoilers".
Um forasteiro que chega para espionar uma cultura nativa para ajudar a dominá-la e, após ser encontrado, tratado como inimigo e conseguir com muito esforço falar até mesmo a língua deles e com que estes mesmos nativos passem a considerá-lo um igual, fazendo com que o forasteiro mude de lado na história: "Dança com Lobos", não é?
Uma cultura alienígena (no caso de "Avatar", os alienígeas somos nós) que chega para sugar os recursos de um planeta e subjugar os seus habitantes pela força de armas mais poderosas: "Indepence Day".
Um líder muito, muito, muito mal que põe fogo no que vê pela frente, deixa atrás de si um rastro de destruição, não respeita os entes da floresta e planeja vingar-se das "forças do bem" não só pelo poder mas também para mostrar simplesmente que pode e se vê enfrentando uma liga de seres diferentes (e bizarros) que se unem pela preservação do mundo que conhecem, a partir de uma "força superior": "Senhos dos Anéis".
O clima de fantasia e mundo maginário continua, na luta entre um "lado negro" da força e os mocinhos, com batalhas em florestas, confrontos grandiosos e até alguns simulacros de naves do Império, sendo assim, porque não? "Avatar" também tem uma pitada de "Starwars".
Esse caráter épico aliás, também remeteu para "Braveheart", onde um bravo e diferenciado guerreiro é escolhido para liderar um povo, fazendo belos discursos, inflamando e unindo as massas, tal qual William Wallace.
Guerreiros alados que não só escolhem sua montaria como são "escolhidos por elas", caríssimos, podem me xingar, mas já vi isso em Dinotopia.
Sem contar pessoas que controlam manequins a partir de sua mente, assumindo então a vida a partir de um avatar (daí o nome do filme, claro) não tem como não fazer lembrar um outro filme recém-lançado com Bruce Willis, "Surrogates".
Enfim, quando comentei com o pessoal do Twitter, teve quem falasse até de "Pocahontas" e "World of Warcraft", mas prefiro parar por aqui, acho que já consegui demonstrar meu ponto.
Sei que este é um texto que talvez interesse mais a quem já viu o filme (e entenderá o que digo, ainda que para discordar) do que para quem ainda não viu.
Só espero não ter estragado a diversão de ninguém, porque acredite: justamente por conter tantos elementos de filmes muito bons e de ação, mesclados com muita competência pelo diretor James Cameron e aliados à um visual inesquecível, "Avatar" é diversão garantida.
Vale o ingresso.
"Salve Geral"
Postado em 24 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Este não é um post exclusivamente sobre o filme do mesmo nome, como fiz outro dia com "Se beber, não case", quero falar de mais coisas relacionadas a ele, mas começemos pelo dito cujo.
O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.
O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.
A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.
Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...
Eu sempre tenho um "mas", né?
Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.
O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.
Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.
O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.
O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.
O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.
A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.
Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...
Eu sempre tenho um "mas", né?
Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.
O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.
Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.
O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.
Cinema: "Se beber, não case" (The Hangover)
Postado em 27 de ago. de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Sei que não tinha prometido falar sobre cinema aqui. Fico sem saber também se foge demais do assunto do blog, mas desde o meu post inicial eu havia dito que falaria sobre tudo, já que não sou mono-assunto.
Vou tentar então escrever sobre o que assistir sempre que for ao cinema, já que esta definitivamente é uma das minhas paixões.
Hoje resolvi assistir "Se beber, não case" (The Hangover). Só pelo cartaz do filme, já imaginei boas risadas. Entrando no cinema, confirmei o que imaginava: o filme é de te fazer morrer de rir.
Nada dessas imbecilidades cheias de piadas grosseiras, ainda que não falte grosseria no filme, mas lembrou muito aqueles filmes dos anos 80, tipo "A última Festa de Solteiro", quando o Tom Hanks ainda não estava preocupado em ser o namoradinho da América.
Em "The Hangover" quatro amigos (na verdade 3 amigos e o irmão da noiva, de longe o mais louco de todos) resolvem fazer uma despedida de solteiro pro noivinho (vivido por Doug Billings) em Las Vegas. Lógico que um evento destes na "cidade do pecado" só podia dar em m*. E é o que acontece.
Pra você ter uma idéia, eles acordam no dia seguinte com um tigre que roubaram de Mike Tyson na noite anterior dentro do quarto do hotel e um dos "heróis", e um dentista (vivido por Ed Helms, excelente no papel de um banana dominado por uma namorada que é um cruzamento de Dilma Roussef com Fernando Collor) acorda sem um dos seus dentes da frente.
Não vou falar mais sobre detalhes pra não estragar, mas todos os elementos de um típico "filme americano" estão ali: bebedeiras, excessos, situações que seriam impossíveis de acontecer naquele país na vida real sem que os envolvidos não fossem trancados numa prisão tal qual o Conde de Montecristo, strippers, chineses enlouquecidos e pouco inteligentes, mulheres gostosas, celebridades meio decadentes (Mike Tyson está particularmente engraçado no filme, vivendo o papel de Mike Tyson melhor do que o faz na vida real), enfim, tudo que vem no "american kit" para filmes.
O que o diferencia então? Um elenco afinado e surpreendente (não conta com nomes de "peso" ali e conta-se que a dublê de sapatão e bêbada Lindsay Lohan recusou o papel de Jade, vivido pela lindíssima Heather Graham).
No filme brilham Bradley Cooper no papel de um professor bonitão entediado com a vida e afim de "agitar" e também o até então por mim desconhecido Zach Galifianakis , no papel do irmão da noiva, um sujeito engraçadíssimo e totalmente descontrolado, e a disposição dos clichês e situações, que apesar de não serem exatamente originais, é feito de uma forma que não desafia a inteligência do espectador.
Preste especial atenção na participação de um (isso mesmo) bebê em algumas cenas. Nada a ver com "Olha quem está falando".
Vale o ingresso? Definitivamente sim. Rende boas risadas (foi o filme mais engraçado que eu vi este ano) e o tempo passa que a gente nem sente. Dá até vontade de conhecer Las Vegas.
Vou tentar então escrever sobre o que assistir sempre que for ao cinema, já que esta definitivamente é uma das minhas paixões.
Hoje resolvi assistir "Se beber, não case" (The Hangover). Só pelo cartaz do filme, já imaginei boas risadas. Entrando no cinema, confirmei o que imaginava: o filme é de te fazer morrer de rir.
Nada dessas imbecilidades cheias de piadas grosseiras, ainda que não falte grosseria no filme, mas lembrou muito aqueles filmes dos anos 80, tipo "A última Festa de Solteiro", quando o Tom Hanks ainda não estava preocupado em ser o namoradinho da América.
Em "The Hangover" quatro amigos (na verdade 3 amigos e o irmão da noiva, de longe o mais louco de todos) resolvem fazer uma despedida de solteiro pro noivinho (vivido por Doug Billings) em Las Vegas. Lógico que um evento destes na "cidade do pecado" só podia dar em m*. E é o que acontece.
Pra você ter uma idéia, eles acordam no dia seguinte com um tigre que roubaram de Mike Tyson na noite anterior dentro do quarto do hotel e um dos "heróis", e um dentista (vivido por Ed Helms, excelente no papel de um banana dominado por uma namorada que é um cruzamento de Dilma Roussef com Fernando Collor) acorda sem um dos seus dentes da frente.
Não vou falar mais sobre detalhes pra não estragar, mas todos os elementos de um típico "filme americano" estão ali: bebedeiras, excessos, situações que seriam impossíveis de acontecer naquele país na vida real sem que os envolvidos não fossem trancados numa prisão tal qual o Conde de Montecristo, strippers, chineses enlouquecidos e pouco inteligentes, mulheres gostosas, celebridades meio decadentes (Mike Tyson está particularmente engraçado no filme, vivendo o papel de Mike Tyson melhor do que o faz na vida real), enfim, tudo que vem no "american kit" para filmes.
O que o diferencia então? Um elenco afinado e surpreendente (não conta com nomes de "peso" ali e conta-se que a dublê de sapatão e bêbada Lindsay Lohan recusou o papel de Jade, vivido pela lindíssima Heather Graham).
No filme brilham Bradley Cooper no papel de um professor bonitão entediado com a vida e afim de "agitar" e também o até então por mim desconhecido Zach Galifianakis , no papel do irmão da noiva, um sujeito engraçadíssimo e totalmente descontrolado, e a disposição dos clichês e situações, que apesar de não serem exatamente originais, é feito de uma forma que não desafia a inteligência do espectador.
Preste especial atenção na participação de um (isso mesmo) bebê em algumas cenas. Nada a ver com "Olha quem está falando".
Vale o ingresso? Definitivamente sim. Rende boas risadas (foi o filme mais engraçado que eu vi este ano) e o tempo passa que a gente nem sente. Dá até vontade de conhecer Las Vegas.
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