Pescado nas redes sociais
Postado em 1 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Mas não demorou muito pra que eu fosse engolfado por aquele tsunami de amigos de infância, ex-namoradas, primos que mudaram do país, todas as turmas de todos os colégios que eu já frequentei. Era o paraíso de qualquer stalker, os álbuns ainda não tinham opção de privacidade e todo mundo lia os recados de todo mundo, ou seja, em coisa de 12 horas você sabia até os horários em que a pessoa ia ao banheiro.
Pude ver ainda como as meninas da minha turma viraram mães de família iguais às que as iam buscar na porta do colégio e como só quem não ficou igual a mãe foi a filha da professora de Educação Física, que era gostosíssima. Um monte de namoros começaram ali. Alguns pares de cornos também podem ser creditados ao Orkut.
Mas confesso que até hoje não ficou bem clara a sua função, já que todo mundo que você "perdeu contato" talvez não fosse tão útil ou importante assim no sentido da sua vida, do contrário você não teria perdido contato. Como não creio que participar de comunidades como "Olho o cocô antes de dar descarga" ou "Vou, vomito e volto" possa ser considerado como utilidade, concluo que o Orkut era (é) inútil mesmo.
O Facebook e o Twitter vieram para confirmar isso, ainda que com um pouco mais de glamour, já que também não entendo muito onde o destino da humanidade será afetado porque a mãe da @JujuBieber desistiu de fazer brigadeiro ou porque o @MarcioAdv finalmente terminou de digitar sua petição.
Correndo por fora tem o Badoo (que manda 20 mensagens de Spam por dia, ficando bem claro porque seu nome rima com "vai tomar no..."), o My Space(que anda meio esquecido) o LinkedIn, que é uma espécie de entrevista de emprego misturada com site de encontros (ou vice-versa) e outras menos concorridas e com nomes esquisitos.
Seja qual for a sua rede social, a verdade é que isso vicia mais do que álcool e cocaína juntos. Em "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley criou uma droga chamada "soma", que mantinha todo mundo meio em transe, meio doidão. As redes sociais parecem ser o nosso "soma".
Basta olhar em volta e entender isso. Muita gente não as usa mais para documentar a vida e sim usa a vida para criar assunto para documentar nelas.
Todo mundo precisa ser meio chique, meio engraçadinho, meio despojado. O tempo todo.
Seja no supermercado, indo comprar margarina mas tirando foto na sessão de vinhos importados pra colocar no álbum do Facebook, ou diante de uma colisão entre uma betoneira e um caminhão pipa, tentando inventar correndo uma piada sobre o acidente para postar no Twitter - "Acidente na Rio-Santos, betoneira e caminhão pipa: concreto de graça pra todo mundo! - chega uma hora que o sujeito necessita uma desintoxicação.
Não digo algo radical demais, como viajar para uma ilha deserta e ficar ali isolado igual o Tom Hanks no "Náufrago", mas talvez tentar encontrar com os amigos sem falar em computador ou incluir na conversa qualquer uma das seguintes palavras: "You Tube", "baixar", "internet", "comunidade", "link", "tuitada", "msn" e "email".
O problema é não te sobrar muito assunto ou muitos amigos depois disso, ou então você terminar a experiência sofrendo de delirium tremens, correndo pelado por aí e parando num desses sites de vídeos caseiros, estilo "Caiu na Net".
Por favor, olhe pra mim, eu tenho mamilos
Postado em 11 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Todo mundo também nasceu nu, depois é que chega alguém, nos cobre e dá início a toda uma indústria do erotismo baseada simplesmente em devolver-nos à nossa condição básica que é a de sermos pelados.
No entanto, mesmo sabendo disso, a falta de um acesso mais universalizado à putaria - ou seja, os tempos pré-internet - mobilizou milhões de dólares em revistas, fotonovelas e filmes do Buttmann, escondidos num canto proscrito das locadoras de vídeo.
Jamais esquecerei quando eu era moleque, com meus 11 ou 12 anos, como era uma verdadeira aventura comprar as edições da Playboy ou da Ele&Ela com a Luiza Brunet, Cláudia Egito, Monique Evans ou Vanessa de Oliveira.
Chegava na banca já intimidado por aquele aviso no plástico que envolvia as "revistas de sacanagem": proibida a venda para menores de 18 anos.
Mas o jornaleiro precisava comprar o leite dos filhos, então fazia vista grossa, só que um pequeno tratrinho era necessário:
- Bom dia, me dá um Jornal do Brasil e um Recruta Zero, por favor.
- Claro, aqui está, mais alguma coisa?
- Ah sim, uma Playboy pro meu pai também.
E assim eu ia feliz para casa, folhear e me divertir com aquelas imagens de xoxotas, peitos, coxas e bundas, que depois eram devidamente escondidas no fundo do meu armário, atrás das calças compridas e debaixo da caixa com os gibis do Recruta Zero.
Hoje a coisa melhorou, quer dizer, ficou mais fácil. Um moleque que mal passou dos 8 ou 9 anos dificilmente conseguirá navegar pela internet sem que uma dupla de mamilos ou uma calcinha fio dental pulem em cima dele inesperadamente.
É uma situação tão descontrolada que existem softwares para uma navegação segura, que certamente se tornarão um obstáculo quando o moleque virar um rapazinho de 12 anos.
Existe o Red Tube, o You Porn, o Porn isso, X- aquilo. É um sem número de sites com vídeos variadíssimos, que atendem a quase todos os fetiches que a mente humana consegue criar (e olha que não são poucos).
E ai entra a minha dúvida cruel: o que, além de carência e de uma necessidade quase lancinante de atenção e aprovação (ainda que falsa ou na forma de grunhidos e elogios de punheteiros virtuais) leva uma garota a ficar se expondo em fotos, vídeos no You Tube ou nessas câmeras ao vivo que viraram febre na internet?
Algum moderninho vai me chamar de careta, vai dizer que eu tenho inveja ou então que só falo mal porque nenhuma delas quer me dar alguma coisa, mas vamos ser honestos: baseado puramente no exibicionismo virtual, elas dão alguma coisa real para quem?
Desculpem os avançados, mas sexo virtual pra mim é o mesmo que não fazer sexo. Qualquer atividade que não envolva troca de fluídos e até mesmo o risco de alguma doença venérea pra mim pode ser qualquer coisa, menos sexo.
Ficar vendo o peito de uma garota lá de São Paulo e babando ovo dela como se eu tivesse saído daquele buraco dos mineiros chilenos, simplesmente pelo direito de ver o outro peito, é uma idéia muito estúpida na minha humilde opinião.
Um bom exemplo é no Twitter, onde existe o tal "lingerie day", no qual garotas e caras colocam fotos de calcinha, sutiã e cueca (nem sempre nessa ordem) durante um dia inteiro. Qual o propósito? Esqueça os homens, simplesmente me recuso a emitir opinião sobre machos de cueca, foquemos as meninas.
Nada do que elas mostrarem ali será diferente do que aparece todo dia em páginas de revistas, na novela das oito e até no Programa da Xuxa, pra que então? Carência, necessidade de atenção, urgência por uma bomba de encher pneu de bicicleta acoplada ao ego.
Não nego que um monte de sujeitos chamando de "gostosa", "maravilhosa", entre outras coisas deva fazer bem às frustrações do dia a dia, mas aquelas moças que enfeitavam as Playboys que eu comprava quando era moleque ganhavam muito mais do que elogios em troca da exposição.
Para essa turma das câmeras, dos showzinhos ao vivo e das fotos de calcinha, sobra somente a invasão da privacidade (às vezes em níveis comparáveis a um exame ginecológico) e a fama de "putinha da internet".
Sim, rotulo mesmo, porque não vai ser a inteligência que vai chamar a atenção nessa hora, ainda que muitas delas sejam inteligentes.
Não subestime o poder de um monte de pêlos pubianos. Nenhuma tese de mestrado ou teoria sobre a origem do universo é páreo para eles.
E pros expectadores? Esses ávidos onanistas que fazem de tudo para ver uma nesga de mamilo, uma fatia de virilha, um naco de bunda, como se vivêssemos ainda no tempo das anáguas?
Não sobra nada, no máximo, uma punheta mal batida.
1 ano
Postado em 19 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários

O Moedor de Piadas
Postado em 9 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Mas não se anime muito, e acredite: por melhor que seja a sua sacada inicial, imbecis repetindo aquilo ad nauseam, o dia inteiro, sem pausa nem para que alimentem os dois neurônios que possuem - um na cabeça e outro na sola do pé, isso mesmo, são apenas dois e não se conhecem - transformará a sua idéia numa coisa chata, pavorosa, que até você mesmo provavelmente vai se arrepender de ter criado. E nem demora muito, em três dias o processo deve estar concluído.Exemplos são fartos - não confundir com flatos, apesar de ser merecido o trocadilho - como as piadinhas sobre o Dourado do BBB, Sônia Abrão, "Cala a Boca Galvão", Kaká Bad Boy, Polvo Paul e, o campeão de todos, as piadinhas sobre o Activia.
Infelizmente o excesso de televisão, baboseiras, ídolos enlatados como Justin Bieber, soap-operas que pregam uma espécie de aposentadoria do pensamento, música ruim de rockers EMOcinhas, poucas surras de cinto, entre outras coisas, estão criando uma geração de imbecis, patetas que só prestam para poucas coisas como comer, defecar e teclar bobagens na internet utilizando português ruim.
Eles são a expressão - a materialização mesmo - de sua risadinha virtual favorita, aquela coisa mais ou menos assim: hauiahddhaodshaosjdahaiashs.
E assim o Twitter, queridinho da internet do momento - ainda que o momento já seja bem longo - vira este moedor de piadas, transformando algumas boas idéias em uma chateação, mais ou menos como tentar assistir um filme no período de férias e ter que aturar um bando de adolescentes fazendo barulho na sala de exibição.
Você até tenta ignorar, mas eles são tão aplicados na sua chatice que não permitem.
O ser e o parecer
Postado em 15 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Mas é raro. É raro porque talento para a escrita é tão difícil de se encontrar quanto para pintar ou compor músicas. A diferença é que, salvo esses semi-analfabetos miguxos, é bem mais fácil simular ou encenar qualidade escrevendo do que pintando ou tocando.
Me entregue um pincel e eu te apresentarei duas horas depois uma casinha daquelas com telhado em "V" invertido mais tosca do que a de uma criança de 7 ou 8 anos. Me empreste um violão e mostrarei todo meu virtuosismo no "Samba de uma nota só".
Entregue uma caneta, lapiseira ou teclado na mão de um embusteiro e em meia hora ele já terá leitores.
E chega a ser incrível a atração que personalidades "densas" exercem sobre um grande contingente de pessoas. Existem mais candidatos a Bukowski do que a Jorginho Guinle por aí, ainda que todos prefiram, se puderem, levar a vida do segundo ao invés do primeiro.
Minha biografia do Twitter traz a palavra "ácido" para me definir. Mas em minha defesa declaro que foi uma grande amiga que a escreveu. Só a utilizo ali porque foi alguém que convive comigo que achou por bem usar a expressão para definir um dos traços da minha personalidade. Aceito de bom grado e sem falsa modéstia, já que ela também me define com termos tão desiguais como "criativo", "primoroso", "mentiroso" e "grotesco".
Mas sinto vontade de rir de gente que se auto-define como "ácido" ou "denso" e fazem de tudo para que os outros os vejam assim o tempo todo. Foto com a mão no queixo ou olhar perdido no horizonte completam a "instalação".
Vão dizer que estou estereotipando, mas - ora bolas! - quem se estereotipa são eles.
É incrível como tudo se parece no limite da monotonia. Os piadistas são todos iguais, os densos não encontram felicidade se não houver fumaça e epifânias até sobre uma xícara de café, as "mulherzinhas" com seu despojamento milimetricamente calculado e fotos provocantes proferem suas lamentações de menina sortuda, "eles só querem me comer...", como se não devessem agradecer por ter alguém que queira. Existe quem não tenha nem isso.
Tem uns que se você acompanhar no dia a dia vai achar que faz vestibular para integrante do Pânico, que bebe mais do que o Nicolas Cage em "Despedida em Las Vegas", transa mais do que Rocco Siffredi e sofre mais do que mulher do Netinho de Paula.
Todo mundo esquece, é claro, a grande diferença que existe entre sarcasmo e falta de educação, entre acidez e pentelhação, entre ser denso e ser mala. Aceito que todos até certo ponto vivem um personagem na internet. O problema começa quando você já não sabe mais se está sendo autêntico ou se está apenas representando.
No fim encontramos páginas e mais páginas, frases e mais frases, de pessoas que falam muito, muito, muito. Mas quase todos curiosamente iguais. Eu particularmente adoraria saber o que toda essa gente que tanto fala tem pra realmente pra dizer e não esses personagens que, se encantam nas primeiras linhas, enfastiam depois de uns 4 ou 5 parágrafos.
Se Jerry Seinfeld já não tivesse inventado e executado tão bem o discurso sobre o nada, diria que eles estariam na fase empírica de um estilo que ainda seria aprimorado pelo comediante americano. Mas como não existe "evolução inversa", eles chegaram tarde.
A maioria, mas antes deixe-me ajoelhar aqui e pedir perdão compenetrado às exceções que existem e são muitas, fica só na pose.
Todo mundo quer parecer vivido, sofrido, cansado de guerra. Irônico, cético, cínico com tudo que se passa ao redor. Mas no final das contas prefere mesmo uma praia paradisíaca, uma sombra fresca e uma marguerita com guarda-chuvinha e tudo. Não conheço uma pessoa que respire e não deseje de verdade ser admirada, amada e ser o centro das atenções de vez em quando. Mas isso é possível sendo original, ainda que seja mais difícil.
E nunca é demais lembrar: cigarro, café e pose só garantem bafo e antipatia. Pra ser inteligente é preciso também pensar.
Os blogs e a política
Postado em 5 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Eu vi um tsunami fake no You Tube!
Postado em 4 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Aí resolvi brincar com a notícia e tuitei que se fosse um tsunami, a repórter diria que a brasileira "acordou molhada".
Isso atiçou minha curiosidade mórbida por tsunamis e fui pro You Tube procurar vídeos que mostrassem os efeitos das ondas devastadoras.
Pois bem, o primeiro vídeo que encontrei foi, claro, de um brasileiro contando que aquele era um registro feito "algumas horas após sismo no Chile (2010) por turistas. Meu tio acabou de me enviar estas imagens de onde está hospedado em Hanauma Bay no litoral do Havaí".
O link do vídeo está disponível aqui. São imagens realmente impressionantes de uma grande onda que se aproxima rapidamente assustando as pessoas que estão na praia. Não chega a ser um tsunami devastador, mas se eu estivesse ali as pessoas me veriam cagar nas calças sem nenhum pudor.
E as esclamações de "holy crap" me deram razão e me fizeram pensar que o "tio" do sujeito, que aliás se auto-denomina muito apropriadamente de "Ascaris", fosse americano ou vivesse lá a bastante tempo. Mas isso não tem nada a ver, o que importava mesmo eram as imagens aterrorizantes do vídeo, postado em 27/02 (mesmo dia do terremoto), e que já tinha naquele momento 750.065 views e 64 comentários.
Bom, curioso que sou, continuei procurando vídeos mais antigos de tusunamis, até que cheguei nessa compilação, que trazia imagens do tsunami que em 2004 devastou a Ilha de Sumatra.
Estou lá inocentemente me abastecendo de imagens e informações na rápida teia da grande rede quando, opa! Pera aí! Eu acho que vi um gatinho, quer dizer, eu acho que já vi essa onda aí antes...
Deja vu de You Tube? Não.
Quando o vídeo de Sumatra estava em 3:39, percebi que o espertalhão que colocou o vídeo enviado pelo seu "tio" utilizou um outro vídeo do tsunami de 2004 para enganar 750.065 inocentes (não chamarei de idiotas porque fui um deles) que acessaram sua página do You Tube.
Aí embaixo estão destacados detalhes dos dois vídeos e a incrível semelhança entre eles (clique nas imagens para que aumentem):
Vídeo do Espertalhão
Vídeo de 2004
Pensei: ou este barco, aquela árvore e a rede de volei são turistas muito azarados mesmo, a ponto de estarem presentes em dois tsunamis ocorridos em locais diferentes, ou então o tal micróbio (Ascaris) honrou o seu nome e conseguiu a atenção tão desejada através do primeiro tsunami fake da história da internet.
Isso me leva a concluir que: continuar desconfiando mesmo quando vemos a imagem na nossa frente é saudável nestes tempos de digitalização total e que sempre tem um pentelho (nesse caso específico, o pentelho fui eu) que vai pegar sua mentirinha.
E finalmente, tinha que ser brasileiro, né?
O samba do frasista doido
Postado em 3 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Antes, quando não possuia um blog, tinha menos paciência para ler o dos outros. Simplesmente não era o tipo de leitura que me interessasse e o caráter extremamente pessoal dos blogs contribui muito para isso. Ainda sou um viciadinho da boca de fumo da "informação isenta". Menos, mas ainda.
Também sou admirador de grandes frasistas, Chesteron, Nietzsche, Reinaldo Azevedo (o livro de máximas dele é deliciosa leitura), alguns políticos da antiga como Tancredo e Brizola, enfim, aonde estiver uma boa frase, estarei lá oferecendo a ela meu milk-shake de admiração e inveja negra chocolate.
Frases como "O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso"¹. Ou ainda "Há mais simplicidade no homem que come caviar por impulso, do que naquele que come nozes por princípio"². E ainda "Não confio em religião mais nova do que o meu whisky"³, são demolidores exemplos de que o mínimo pode destruir uma biblioteca inteira se for bem calibrado.
Uma boa máxima é a formiga no piquenique da estupidez convencionada.
Olha só, criei uma. :P
Mas há que se ter cuidado com elas.
Outro dia entrei num blog, que não vou dizer o nome para não pensarem que é ataque pessoal, de um cara que é brilhante, mas brilhante mesmo, um excelente frasista. Tem cada coisa ali que é de tirar o chapéu.
Mas...eu com os meus "mases", existem excelentes textos com frases perfeitas e textos de merda cheio de frases excelentes. É aquela coisa que causa coceiras em todo mundo que gosta de ler e criar frases: cunhei uma! E agora? Coloco aonde?
Não, não vou enfiar onde vocês pensaram, mas o dilema é real.
Quando, o que é pouco usual, a frase não nasce na usinagem do texto, a gente fica louco pra usá-la em algum lugar e corre o risco de soar como "A recompensa esta no fazer. Não é possível fazer um bom negócio com uma pessoa ruim, os bons artistas copiam, os grandes artistas roubam porque o hábito é o melhor dos servos, ou o pior dos amos. As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas. Leia os meus lábios".
Esse samba do frasista doido aí em cima conta com coisas ditas por Warren Buffet, Emmons, Clarice Lispector, Picasso, Charles Schulz e Bush pai. Como se nota, não tem nenhum Zé Ninguém aí no meio e no entanto o resultado é um lixo quando mal encaixado.
E no caso desses blogs acontece isso aí mesmo: são frases excelentes salteadas por piadas internas, epifânias mal explicadas, incongruências e, finalmente, o vício do qual muitos blogueiros formam fila pra consumir tal qual bêbados em loja de destilados: a brevidade textual.
Em nome da tal concisão, os textos terminam de repente. Acho que o cara está lá escrevendo e pensa "Xiii, passei do limite de palavras/frases/parágrafos que o Manual do Aspirante a Problogger preconiza, tenho que terminar já".
Aí lemos algo como "Então eu estava no supermercado, com meu carrinho de compras abarrotado de besteiras nada saudáveis e aquela gata usando roupa de ginástica começou a me dar mole. Fiz uma piadinha dizendo que eram compras pro meu irmão gordo que estava em casa jogando Wii, ela riu e me chamou pra tomar um açaí com clorofila e na cama, fumando um cigarro pensei: melhor trepada da minha vida".
Passam da azaração ao pós-coito com a velocidade de um coelho literário.
Isso aliado a frases bem feitas, porém desconexas, transforma qualquer texto numa verdadeira prova de resistência para se chegar até o final. Preciso voltar duas, três vezes para tentar entender e no fim, bem, no fim não tenho tempo nem de gozar direito já que, como o tamanho dos meus textos demonstra, eu prefiro tudo um pouco mais devagar.
É isso. Terminou. De repente e sem frase de efeito.
1. Nietzsche, 2. Chesteron, 3. Reinaldo Azevedo
A idéia não é ruim, vocês é que não entenderam
Postado em 22 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
O cara faz uma charge, uma piada ou um texto horrível, as pessoas criticam e o que vem em seguida é a conclusão por parte do criador e "superior intelectualmente" de que as pessoas simplesmente não o entenderam e por isso criticam.
Fato que é impossível agradar a todos sempre. Quem tenta isso invariavelmente torna-se desagradável para todos e está fadado ao enfado (rimou, mas não é tautologia) no que exerce.
Blogs são principalmente, como já disse aqui antes e não é nenhuma epifânia, o espelho de seu autor. Portanto, a menos que você seja um vampiro e não tenha reflexo no espelho (e alergia a vaginas como o Robert Pattinson) é melhor que você tome algum lado sim.
Eu por exemplo sou anti-cota, detesto esquerdocanalhas, não gosto do que o PT se tornou, votarei em qualquer um para que a Dilma não seja o próximo presidente, não gosto de 99% das ONGs, acho o MST um bando de marginais, prefiro republicanos a democratas, não acho que exista um "lado bom" ou "justificável" em países e pessoas que façam terrorismo e, principalmente, estou sujeito a mudar de opinião a respeito disso tudo, já que meu compromisso é com a minha verdade e com a opinião que emito diariamente aqui.
Simples.
Só que como qualquer um, estou sujeito a piadas ruins, a textos menos inspirados e a momentos de inconveniência. Fazer o que? Isso é normal, e as pessoas podem criticar à vontade, desde que de uma maneira que não me ofenda, porque aí terão sua resposta à altura (ou seja, abaixo da linha da cintura).
Só que o que vemos por aí e exemplos não faltam, são pessoas que confundem idiotice com humor, grosseria com ironia, estupidez com sarcasmo, "sebosice" com superioridade.
Querem um exemplo? Aquele Gentilli do CQC. Querem outro exemplo? O Cardoso da bostosfera. Quem não ri, é "certinho demais", quem não entende o porque de tanta baboseira propalada como se fosse algum elixir da verdade, é "burro e não entendeu".
Mas quem dera fossem só esses dois. A grande maioria simplesmente recusa-se a acreditar que tem gente que simplesmente não gosta do que eles falam ao contrário de "não entender", "ser pudico", "ser burro" ou a melhor de todas, "não atingir o nível de esclarecimento suficiente pra achar graça naquilo".
É a tática da "rejeição preventiva", algo como "azar se você não gosta de mim, já que eu não gosto de você primeiro porque você é bobo e tem cara de melão".
Tessália: sexo oral/boquete no BBB ou como chocar um país de monges
Postado em 2 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 54 Comentários
Tenho procurado (sem sucesso algumas vezes, confesso) me manter distante desses bate-bocas no Twitter, porque sei que ali existe uma cloaca cheia de pessoas que já detestavam a Tessália antes dela sequer dar entrevista ao Jornal da Globo, quanto mais depois de participar do BBB.

Somos assaltados diariamente com cenas de sexo em novelas, com danças que apelam para o erotismo em programas de auditório, com funks que cantam letras pornográficas, axés-music que reduzem mulheres a bonecas infláveis de 1 centavo, tudo em TVs abertas, jornais e rádios, mas no entanto o que leio é uma verdadeira cantilena contra a "pouca vergonha" que foi alguém supostamente fazer sexo oral embaixo de um edredon num programa que é transmitido através de um pay-per-view de TV a cabo.
Aliás, quantos dos frades e das freiras horrorizados com isso será que pagaram o pay-per-view do Big Borther Brasil 10 e quantos terão visto em algum streaming pirata na internet ou em vídeos upados no You Tube? E olha que a assinatura do site do BBB custa só 3,90/mês, não é nem perto de 1,5 milhão de reais...
Volto a dizer, não estou aqui defendendo as atitudes da Tessália na casa, apesar de pessoalmente gostar dela. Talvez não agisse igual se tivesse uma filha pequena do lado de fora da casa me esperando e tendo que aguentar as consequências do que eu fizesse, mas amigos, convenhamos, metade dos que falam dela não tem a sua filha ou família como preocupação sequer secundária.
Ou as piadas grosseiras que o Kibeloco está fazendo com a menina, chegando a manipular uma foto para colocar "leite" sobre a sua boca tem como motivação a preservação da filha de 4 anos dela?
Metade dos que a atacam o fazem porque ela com um script e simpatia pisoteou sobre as cabeças da "meritocracia blogueira", que carinhosamente chamo de bostosteira, e a outra metade o faz porque como todo bom brasileiro, adora uma carniça.
Tem um ditado que diz "atrás de quem corre, tem sempre uns 10 valentes".
Essa é a essência do brasileiro: o povo da bunda, do fio dental, do funk probidão, dos gringos fazendo as mulheres de prostitutas, das Brasileirinhas, da boquinha da garrafa, do presidente dos mensalões, do Sarney presidente do Senado, do Maluf com sua legião de fãs, da gente que mostra as carnes nas praias, dos trios elétricos com suas pegações e sua mononucleose, das propinas, do "jeitinho brasileiro", mas todo mundo é sempre muito pudico e "correto".
Todos sempre prontos para um linchamento moral, condenando práticas que se não fazem, também não vão contra no seu dia a dia, mas tudo, claro, em nome da "moral", da "ética" e dos "bons costumes".
Da boquinha da garrafa pra fora.
Resultado do sorteio dos calendários 2010
Postado em 18 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Todo mundo que comentou neste período concorreu a um por dia, quem comentou em vários dias teve mais chances.
Seguem os nomes das pessoas, seus respectivos números de acordo com a ordem do comentário e em vermelho o nome do vencedor. Se vc clicar sobre o número ao lado do nome do vencedor, aparecerá o printscreen do resultado do sorteio no site:
18/01
delaorden 1
Mauricio 2
Scarlett Neves 3
Nara 4
@thatypalhano 5
Solange Baumer 6
@valepordeus) 7
Reginaldo Nepomuceno 8
Suely 9
@rafaelempke 10
Bleffe 11
15/01
SexyHelpDesk 1
@Anahuasca 2
Scarlett Neves 3
Solange Baumer 4
@viscarpi 5
Suely sukamachado@yahoo.com.br 6
Isabel 7
Denise Millenia 8
Dryca Lys 9
Canela 10
Tatiana 11
14/01
Franzinha 1
Scarlett Neves 2
Tia Súh 3
Ro sallum 4
Isabel 5
Milady 6
Diego 7
Solange Baumer 8
Raiana Reis 9
FLAVIANA 10
Kátia 11
Maiara Raquel 12
Suely 13
Surreal 14
Lucas 15
Carla 16
Pousada e Restaurante Talismã 17
merry 18
13/01
ED 1
Marketing Sportivo 2
merry 3
Marise 4
Aureo 5
Isabel 6
Solange Baumer 7
Suely 8
Milady milady.winter@gmail.com 9
André Cardoso 10
M. Mendonça 11
Simone 12
Scarlett Neves 13
Nina 14
kacau 15
PIPI 16
12/01
Nina 1
Sra. Carambola 2
Kátia 3
lucy 4
Suely 5
Scarlett Neves 6
F r ø y l a n d 7
Carla Azevedo 8
Solange Baumer 9
Aline Rafaela 10
Mile Reis 11
Zecaman 12
Denise Millenia 13
zambof5 14
Gabriela Bueno 15
Danilo B. 16
Todos os vencedores, por favor, enviem seu endereço completo com CEP para marcus@marcusvinicius.org para que eu possa enviar os calendários para vocês.
Obrigado a todos que participaram, é uma bobeirinha, foi mais por brincadeira, mas valeu a pena!
Post pago: um questionamento
Postado em 15 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários
Talvez essa confusão possa acontecer porque sempre que posso ridicularizo os tais "probloggers". O que as pessoas precisam entender é que minha diferença com essa gente não está relacionada ao fato deles ganharem dinheiro blogando e sim ao fato de levarem-se a sério demais, acharem-se muito melhores do que são por causa disso e defenderem esse pequeno naco de "mercado" que possuem com os mesmos recursos baixos e, desculpem a expressão, escrotos com que certos cartéis e associações defendem seus monopólios.
Se o cara quer ganhar uns trocados escrevendo, gosta de receber brindes, adora quando vai pra algum evento comer e beber às custas dos outros (porque de graça não existe nada), parabéns! Eu também, pasme, já ganhei meus brindezinhos com apenas 5 meses de blog, mas camaradinha, não pense que você é nada demais por isso, porque não é.
Rio muito, por exemplo, das tentativas de certos blogueiros em rivalizar com a "grande mídia", como ratos que rugem, ainda que muitas vezes sejam mais ágeis, até mesmo pelo menor compromisso com a apuração que uma audiência restrita traz.
Me enojo com essa panelinha que se une tal qual um bando de hienas para garantir a "carniça nossa de todo dia" e marcar território.
Mas toda essa gente com seus Ad Senses, seus testemunhais e publieditoriais são, inegavelmente, o melhor exemplo da tão falada e prostituída (use aí qualquer sentido que puder pensar para o termo) monetização.
Ganham dinheiro, arrumam uns brindes e até passeiam às custas de prefeituras do interior de estados pobres do Nordeste. Tudo muito legal, nada contra (com algumas exceções), mas a dúvida que fica sobre todo esse processo de envolver blogs na "venda" de produtos e campanhas é: será que funciona?
Os equivalentes a modelo-aspirante-a-ator-atriz-cantor-cantora da internet são os "analistas de mídias sociais". Assim como tem muito modelo que realmente é aspirante a cantor ou ator, existem realmente alguns analistas de mídias sociais sérios. A grande maioria no entanto só se diz isso por falta de outra coisa melhor para colocar no currículo.
Bom, esses "analistas" podem atestar melhor do que eu, "achista", se cientificamente tudo isso traz resultado (e acredito que traga, caso contrário não haveria tanta gente dedicando-se a fazer esse trabalho), mas e o leitor?
Será que um blog ao vender seu espaço e sua letra para algum produto perde um pouco da credibilidade que a sua "liberdade original" de não ter nenhum vínculo traz?
Um blog é, na essência, o seu autor. Ele não é uma empresa, um veículo, ele é a tradução daquela ou daquelas pessoas que o escrevem, então será que os leitores páram para ler um post pago com o mesmo interesse com que lêem os posts habituais?
Penso que uma boa fórmula é o blogueiro só aceitar esse tipo de trabalho caso ele realmente aprove o produto em questão, caso ele fosse capaz de escrever sobre ele mesmo que não estivesse recebendo nenhum tostão ou mimo para isso.
Eu mesmo já elogiei a Canon aqui, alguns filmes que vi no cinema, vivo falando bem da Starbucks no Twitter e nunca ganhei nem um cafezinho por isso, logo, porque não o faria sendo pago?
Mas a pergunta que fica é: será que todos tem esse tipo de coerência? O que você leitor pensa disso?
Se mal feito e mal encaixado, posts pagos podem prejudicar a credibilidade do blog e minar definitivamente suas chances de vender qualquer produto ou idéia, ainda que vez ou outra ele acredite verdadeiramente naquilo que diz.
Esse post faz parte do sorteio que estou realizando. Faça seu comentário e concorra a um calendário 2010. :)
Como sempre ter assunto para escrever num blog ou "emagreça dormindo, se exercite pensando"
Postado em 18 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 17 Comentários
Mas como não falta por aí quem queira ensinar os outros a blogar, isso me leva a crer firmemente que ninguém tem de verdade uma solução eficaz.
Claro que organizar rankings, listas, publicar tutoriais e utilizar-se de métodos éticos ou não para alavancar visitas, comentários e tornar-se um guarda-chuvas de páraquedistas é uma forma de olhar o problema, mas não tenho a paciência, a tenacidade e a falta de vergonha necessárias para isso, então resolvi deixar passar tão "preciosas" dicas.
Algumas (poucas) pessoas me dizem que escrevo bem. Se descontar minha mãe e mais alguns que por razões sentimentais querem me agradar, acho que sobra uma dúzia ainda, então vou entender que não escrevo pessimamente e seguir adiante com esse texto.
Quando comecei com este blog, estabeleci para mim a tarefa de atualizá-lo diariamente, o que confesso não é fácil. Mas também tenho que dizer, até para não parecer que estou valorizando demais o que faço, que não é nenhum bicho de sete cabeças.
Sabe quando você está num elevador, ponto de ônibus ou fila do check-in e alguém puxa papo contigo (ou você puxa papo) e começa a falar do tempo, passa pela política, termina na sua cor preferida e no que você acha sobre o último chilique da Xuxa?
Pois é. Escrever um blog diariamente, ainda que a meritocracia-informal-relevante diga que não, é mais ou menos isso.
Claro que falar todo dia sobre o mesmo assunto cansa, mas com treino e exercitando a mente (e o estilo), dá pra ser feito.
Assim como exercícios regulares em uma academia de ginástica não começam com pesos de 100kg, ninguém começa escrevendo muito bem e nem aventurando-se demais por assuntos desconhecidos, mas com o tempo e a prática, a coisa vai ficando mais natural.
Você aprende que basta começar um assunto qualquer, como se fosse uma conversa (o que não deixa de ser, tenha você um ou 1 milhão de leitores) e desenvolvê-lo.
Neste exato momento é isso o que eu estou fazendo, por exemplo. ;)
Na minha opinião, pouco difere o método de um colunista de um grande jornal ou um blogueiro de renome, o segredo é disciplina e principalmente: ler muito mais do que se escreve.
A leitura te dará assunto, calibrará sua escrita e abrirá sua mente para coisas que você agora nem pode imaginar.
Óbvio que não sou nenhum marombeiro "de responsa" como a Cora Ronai, o Arthur Xexéo ou mesmo a Fernanda Lizardo, cada um com seu tema e estilo, mas também não sou nenhum fracote que não consegue levantar nem um pesinho de 1kg.
Um aspirante a cronista não pode ter pudor jamais de ousar, de explorar novos assuntos e também, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, de ter um estoque de dois ou três personagens e assuntos chave para recorrer sempre que lhe falte inspiração.
De resto é treino. Não existe fórmula mágica e assim como não dá pra emagrecer dormindo, você muito menos conseguirá pensar sem se exercitar.
Comece já!
O campeonato mundial de curling
Postado em 22 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Nesse exato momento você começa a se perguntar que você tem a ver com isso, não é? Já explico, não feche a página ainda!
Assim como você e eu, a esmagadora maioria da população do mundo pouco liga para o ranking mundial do curling. Aliás, aposto que dessa esmagadora maioria que pouco liga, a esmagadora maioria nem conhece ou ouviu falar deste esquisito esporte.
Saiba no entanto que ele é um esporte olímpico, que organiza campeonatos disputadíssimos nos países mais ao norte do equador e que movimenta uma boa quantidade de dinheiro em patrocínio e incentivos.
Só que a despeito de toda essa "importância", o fato continua sendo só um: o resto do mundo como diz o elegante senador Fernando Collor "obra" e caminha para o esporte.
A blogosfera , mais particularmente os auto-intitulados "probloggers", são mais ou menos como o curling. Viram?! Cheguei no assunto finalmente!
Durante essa semana debateu-se a ética de quem aceita ganhar dinheiro para dar seu testemunho sobre produtos dos quais falava mal antes e jurava boicotar, sobre (de novo) os conceitos de relevância e até sobre um pós-adolescente que se considera o novo Machado de Assis da coisosfera.
Como bem disse o Izzy Nobre, probloggers são "esses seres mitológicos da fauna internética brasileira".
Nada poderia ser mais exato. Essas pessoas construiram ao seu redor uma espécie de realidade paralela que lhes confia muito mais importância do que realmente possuem.
Não entro no mérito da qualidade do material que produzem. Alguns copiam piadas de sites estrangeiros, outros opinam sobre qualquer coisa que lhes venham à mente, outros passam o dia caçando links para passar adiante, outros brincam de personagem de seriado, fazem piadas, enfim, ninguém inventa nada muito novo, mas também não são piores do que a programação da TV aberta, por exemplo.
Só que talvez porque possuam uma quantidade de leitores considerada razoável para os padrões estabelecidos por eles mesmos, seja pelos brindes e restos de verba publicitária que recebem em troca de anúncios e "testemunhos", a tal meritocracia blogueira do Brasil começou a agir como se o campeonato de curling fosse a Copa do Mundo de futebol.
Quem vê essas pessoas se jactando das cortesias que recebem, usando brindes como "provas" de superioridade e para dar "carteirada" em discussões, diminuindo qualquer um que não tenha dado palestra em um dos muitos "qualquer coisa camp" da vida, pensa que se tratam de astros e estrelas mundiais, que vivem num jet set cercados de jatinhos, iates, modelos e uma vida digna do sultão de Brunei.
Nenhum problema na pessoa querer maquiar a própria realidade até como uma forma de negação, promoção pessoal ou o que seja, mas a atitude dos "probloggers" brasileiros beira a de um jogador de curling que pensa que é o Kaká ou o Cristiano Ronaldo.
Chega a ser caso psiquiátrico.
O ponto disto tudo é esse: antes de entrar no Twitter, eu mesmo nunca tinha ouvido falar de 99% desse pessoal e assim como eu, a grande maioria do público de internet brasileiro não faz a menor idéia de quem essa gente seja.
Os caras ficam tão envoltos no seu "nicho", que nem percebem que pros de fora aquele seu conceito de "fama" e "sucesso" é pura e simplesmente risível.
Estes dias mesmo aconteceu um evento onde levaram não sei quantos blogueiros para passarem quatro dias num balneário às custas da prefeitura local. O evento foi alardeado como "retumbante sucesso", algo a ser "invejado" e "copiado", no entanto, em breve pesquisa no meu próprio msn, das 20 e tantas pessoas online no momento, nenhuma, rigorosamente nenhuma jamais havia sequer ouvido falar da tal "maravilhosa ação de mídias sociais".
Essa é apenas uma amostra da total irrelevância dos auto-intitulados relevantes da blogosfera brasileira.
Não vou exagerar e dizer que não existe importância alguma, claro que tem! Existem ações, dinheiro e atenções envolvidas diretamente com o que se faz nos blogs, mas ainda hoje é algo secundário e como bem disse o Izzy Nobre em um de seus textos, blogueiros são os "lowest bidder" da história toda.
Os "patrões" lhes atiram miçangas e eles vão dançando felizes para divertimento da platéia.
São os campeões de curling da internet, se tanto.
Para onde vamos com a internet?
Postado em 16 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
O artigo falava mais especificamente da dificuldade que "gurus" da blogosfera tiveram para transferir sua fama virtual para o Twitter, o que gerou o maior mimimi por diversos motivos (Twittess, scripts, relevância relativa, métodos de auferir a tal relevância, etc, etc) e como está sendo dificílimo para estes "semi-deuses de coisa nenhuma" aceitarem a mudança de foco do leitor, de um monólogo extenso que é o blog, para uma troca de mensagens curtas que é o Twitter.
Como bem citou o autor, mencionar que na internet quem manda de verdade é o surfista-internauta é um clichê, mas como atrair e prender a atenção dele é uma discussão válida.
A alta blogosfera tupiniquim se considera uma espécie de bispo Macedo de uma igreja virtual, para eles "formadores de opinião", desprezar a grande mídia desvalorizando-a e debochando de seus defeitos é praxe e tentar manejar os leitores do blog como se fosse seu "ativo" é normal.
A internet evolui e não só transforma tudo em novidade, mas faz com que algo relativamente novo torne-se "matuzalênico" bem rapidamente. A blogosfera hoje, quer dizer, a "alta blogosfera" em pouco difere da grande mídia que eles tanto atacam, talvez faltando apenas orçamento compatível e formação acadêmica.
Não querem ou não sabem mais como inovar em busca de cativar os leitores, daí repetem a mesma fórmula que sempre adotaram e reclamam do que aparece de novo.
Como já disse antes, uma imensa quantidade de blogs "famosos" é um fim em si mesmo. Adoram um tutorial, uma lista de "10 regras pra sabe-se-lá-o-que", fazer auto-culto da sua "grande, apaixonante e inigualável persona" e faturar uma graninha quando puder.
O "semi-deus-proto-ou-propriamente-dito-problogger" é aquele cara que acha que sua opinião vale mais do que a de uns 10 mil "internautas-mortais" juntos, e pode não se sustentar disso, mas acha muito bem vindo o dinheirinho que pinga através do adsense e posts-pagos mal disfarçados.
Nada contra, é sempre bom unzinho a mais entrando na conta, mas por isso mesmo defendem sua "fama-virtual" como um mercado, o que não deixa de ser mesmo. Daí resistem ferozmente a qualquer "outsider" que lhes invada o espaço.
Disse tudo isso porque recebi finalmente ontem meu convite pro Google Wave.
Não sei direito como funciona, ou melhor, não me habituei a ele ainda, mas caso essa proposta realmente vingue e torne-se o novo fenômeno da internet, trata-se de uma ferramenta que dará um passo à frente outra vez.
Não sei ainda se ele surtirá o mesmo efeito que o Messenger surtiu no mIRC, substituindo-o totalmente e mudando o paradigma de um "chat cheio de gente que queria se conhecer" para um "chat de gente que já se conhece", estreitando o campo, mas caso ele funcione mais como uma mistura de Twitter, Tumblr e Messenger e não restrinja o contato das pessoas às suas "amizades virtuais", parece que estamos diante da "ferramenta perfeita", até que surja alguma outra, é claro.
Aí, todos os "famosos" agora do Twitter terão que se reinventar, surgirá uma nova "classe relevante" e a dança seguirá adiante.
Onde isso tudo vai parar? Não sei...a única quase certeza que tenho é que a blogosfera vai aderir, reclamar, dizer que não basta e chamar para si toda a c*gação de regras que puder dentro da nova ferramenta.
E la nave va.
"Quem fala o que quer...é invejado!"
Postado em 6 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários
Não sei porque cargas d'água alguém um dia convencionou que dizer isso isenta a pessoa de ouvir uma resposta.
É como um cara dizer pra mim "não sei como você consegue caminhar nas ruas com estas costeletas!" e ouvir algo como "nem eu sei como você consegue com essa sua cara!" e ficar ofendido. Incrivel, né?
Mas as pessoas ficam.
Todo mundo pensa que tem aquela frase final, aquela máxima inapelável, o famoso "óbvio ululante" que encerrará qualquer debate como passe de mágica. Pode ser uma revelação bombástica, uma tirada genial, uma verdade inatacável, na cabecinha de quem a pronuncia, aquilo ali será a popular "chave de ouro".
Aí quando recebe aterrorizado uma resposta, seja ela qual for, o que acontece? Ah! É um absurdo!
O sujeito pode ter procurado encerrar uma discussão com um prosaico "você é um idiota" que se ouvir o outro responder "e você é um asno" vai se ofender mais do que qualquer coisa.
O outro é que é grosso, entenderam? Afinal, foi "só uma opinião".
Isso acontece comigo no Twitter vez por outra.
Estou lá falando sobre as minhas limãozices diárias e vem um esperto querer dar uma de "engraçado", aí eu respondo com a minha conhecida ferradura dourada e o sujeito se ofende.
O primeiro passo é me chamar de usuário de script, como se isso não fosse público, notório e confesso.
Depois, como não pode me chamar de burro porque isso é impossível, já que não sou mesmo, começa a me imputar acusações como "racista", "discriminatório", "truculento", etc, etc.
Ora, bolas! Se mete na minha conversa pra me encher o saco e quer o que? Flores?
E como pode ficar ofendido o sujeito contrariado! Se ele diz "O Pão de Açúcar é com certeza a paisagem mais linda do mundo" e você responde "Não, eu não acho que seja", pronto! Você é um "idiota, imbecil, tacanho e que não merece o convívio social".
É o julgamento de todo um caráter baseado no que a pessoa discorda do outro.
O próximo passo é chamar os amigos. Todo mundo sempre tem um amigo ou dois, ou três, prontos a defende-lo em qualquer coisa que faça. O ser-humano tem isso. Acha que prova de amizade e fidelidade é apoiar qualquer imbecilidade que o outro faça.
Por fim, a cartada genial: a inveja!
Uhhhhhh!
Alguém disse muito bem que a inveja é aquele argumento "infalível" que se usa quando a opinião ou crítica do outro é tão oposta à sua visão e tão bem defendida que só te resta apelar a ele.
É inveja porque não sou um "problogger de sucesso", "relevante", porque não tenho um iPod Touch, porque não tenho um par de tênis prateados, porque não me chamo Pafúncio, etc, etc...
Resumindo, seja lá o que a você diga, até que o céu é azul, você estará errado porque é "grosso", porque "todo mundo" acha você errado e porque você é invejoso.
Infelizmente não consigo ouvir/ler funçanata idiota sem responder. Não tenho medo de grosseria e nem de "turma", daí me acham encrenqueiro.
Mas nem sou, o que rola é que, como disse no início, quase ninguém está preparado para ouvir um "f*da-se" quando emite uma opinião inconveniente e eu estou cheio de "f*da-ses" para distribuir pra essa gente. Bring it on.
Não se acanhe! Distribua-os também.
O mundo colorido da internet
Postado em 13 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Quem nunca ouviu esta frase? Não lembro quem a inventou e estou com preguiça de procurar agora, porque o autor da pérola não é o ponto, o ponto é a pérola em si. Bah, foi Pirandello. Satisfeitos? Vamos adiante.
A internet elevou ao máximo grau de realidade, uma subjetividade total. Esta característica de tudo mudar de acordo com o olhar de quem vê. Complicado? Já explico.
Em um dos meus textos eu falei que no "no Orkut todo mundo é feliz, no MSN todo mundo está ocupado, no Twitter todo mundo é intelectual e espirituoso", usei esta frase para ilustrar a felicidade forçada que as pessoas ostentam, mas existe muito mais por trás dela do que simplesmente isto.
Existe um forte sentimento de negação ou afirmação-forçada de uma realidade virtual.(OK, continuo complicando, vamos tentar melhorar).
Com a massificação da internet e com a segurança da distância da realidade que ela nos proporciona, podemos criar personagens que mais são nossos alter-egos inflados do que a expressão da realidade nua e crua.
O cara é feio mas tira umas fotos em ângulos que lhe favorecem e assim nasce um Don Juan do ParPerfeito. A fantasia só dura até o primeiro encontro, é claro (isso se chegar até ele), mas durante aquele curto período o pobre diabo vive tudo o que não consegue viver na tal "vida real".
A menina compra bolsas da Isabela Capeto no brechó, assalta o cartão de crédito da avó para comprar o ultimo casaquinho da moda e estupra a própria conta bancária para frequentar as boates dos "rich", ela sabe que isso tudo é uma ilusão, mas e daí? Vá até o seu Flickr, Fotolog ou álbum do Orkut e me diga se não encontra ali uma verdadeira Lolita Pille dos trópicos.
Ou o carinha que tira fotos com o Audi do tio e coloca no album "tirando onda com meu poÇante". Daí haja cachaça pra convencer a menina que ele chamou pra sair que aquele Fusca 72 com roda de magnésio é na verdade um A3. Até adesivinho da Audi tem colado!
Tem quem parcele viagem na CVC em 60 vezes mas tire uma onda tão grande que a gente até pensa em acreditar que trata-se de uma reencarnação de Marco Polo.
O que eu quero dizer é que é fácil, muito fácil fingir qualquer coisa na vida online. Depois que inventaram o Google e a Wikipédia, qualquer idiota pode participar de um grupo de discussão de filosofia sem fazer muito feio.
Basta saber procurar e saber desviar o assunto do ponto incômodo na hora certa. Eu mesmo já cansei de fazer isso despudoradamente, deixando o outro com aquela cara de tábua de chiqueiro em dia de distribuição de lavagem reforçada.
Isso para colocar alguns arrogantes no seu lugar é uma maravilha. O que você não pode é se iludir com a aparência de conhecimento recém-conquistada e achar que efetivamente sabe alguma coisa do assunto.
Após livrar-se do vexame online convém ler um bom livro sobre o assunto (ou vários bons livros sobre o assunto) para não ficar igual a mocinha do cartão de crédito da avó e bancar um Chesteron de Lojas Americanas.
Quem nunca conheceu alguém na net e de uma hora pra outra percebeu que todas as 109 fotos que a pessoa te enviou estão com a mesma roupa ou todas com ela olhando ao alto, meio de lado, com o perfil esquerdo em evidência? Fica aquela sensação que: 1) Ela só tem essa roupa 2) Se virar o lado direito veremos ferragens iguais as do Terminator.
É um dos problemas de só querer enviar fotos que lhe favorecem. Besteira, cedo ou tarde você vai ter que sair daquela pose mesmo.
Mas a carência aliada à insegurança explicam.
Assim como explicam o sujeito criar a própria relevância e acreditar tanto nisso, que acaba convencendo outros dela.
Vejamos, outro dia falei aqui do egoblog. Nada a ver com menininhas que vão para a internet despejar os seus hormônios. Falo destes sujeitos que criam teorias sobre como enriquecer online, como ser isso, ser aquilo, tão profundas quanto os seus umbigos, mas que na base da repetição enfadonha e na maximização(maquiagem mesmo) de resultados acabam "convencendo" um monte de gente de que aquele cercadinho no quintal é uma tremenda de uma área vip.
Não é.
Temos um nichozinho bem ocupado, loteado por gente que se vende (bem) e que de certa forma engana patrocinadores com uma suposta "relevância". Já falei e repito: qual o maior público que um blog brasileiro tem? E o que isso representa no contingente total do mercado consumidor do país, ainda que somente da internet? Bem pouco, bem pouco mesmo.
Não falo aqui de blogs de gente que efetivamente ganha pra isso como o Noblat e o Reinaldo Azevedo. Estes são jornalistas conceituados que vieram trazer seu trabalho para a rede.
Falo destes que adoram mostrar cheques do adsense nos posts, deslumbrados com toda aquela riqueza e fazem livestream até de inauguração de lava-jato, se ganharem convite "VIP" pra isso.
"Fui convidado pra ir até Campos conhecer a fabricação dos parafusos que sustentam os carrinhos de mão das plataformas de petróleo. Campos não tem nada, os parafusos são parafusos e o buffet era modesto, mas sorry periferia, sou VIP por aqui".
Conheço uma senhorita que recepciona turistas na sua chegada ao porto do Rio de Janeiro. Ela não lhes fornece nada mais do que boas vindas, antes que pensem o contrário, mas é convidada VIP de quase todos os bons lugares da cidade.
Vocês precisam ver, é uma maravilha! Entra sem nem enfrentar fila! O que isso quer dizer? Nada talvez. Mas talvez queira dizer que não é preciso tanta "relevância" assim para conseguir umas boquinhas-livres por aí.
Podem até me chamar de invejoso por estar falando isso, mas compreendam, eu mal conheço essa gente! Entrei em contato com suas existências a partir de episódios no Twitter, aonde perseguem a @Twittess como verdadeiros Torquemadas.
Confesso que tenho com os Blogs uma relação egoistíssima. Nunca tive muita paciência para a "blogosfera", ainda que me utilize dela para comunicar-me com as pessoas. Sendo assim, até me espantei ao saber que certos perseguidores da Twittess estão aí fazem 2, 3 anos até mais.
Fico espantado com a capacidade que esses caras tem de falar da mesma coisa há tanto tempo e ainda assim encontrarem que leia aquela egotrip banhada a óleo de cozinha toda.
Não conhecia nenhum deles até entrar no Twitter, palavra de honra. Dessa forma, ainda não tive tempo de desenvolver sentimentos como "inveja" ou "rancor" ou mesmo "despeito".
Ainda estou atolado na perplexidade mesmo. Juro que não achei que a tal blogosfera fosse tão pródiga em criar tipinhos pernósticos e que consigam mergulhar tão fundo na insipiência dos seus umbigos. Só falam de si e terminam por alimentar sua própria (ir)relevância num ciclo sem fim.
E aí caio novamente no faz-de-conta do "Mundo Colorido da Internet" que citei no título. Aqui tem gente que se faz passar por bonito, por rico, viajado, inteligente e, porque não, relevante. Basta que tenha quem te escute (não precisa ser nem tanta gente assim) e disposição para variar sobre o mesmo tema de forma incansável.
Fica aquela fórmula já classica da "meritocracia blogueira": sou importante, porque meus amigos importantes dizem que eu sou. Eles são importantes porque eu, que tenho uma importância outorgada por eles, assim o digo.
Mais dois ou três posts no estilo "Eu, fulano e beltrano somos f*dões e um dia você chegará lá" e algumas piadas internas e pronto! Temos um nicho devidamente sindicalizado.
Aí nos deparamos com essas situações tais quais a que muito bem falou o Gravz: A Twittess aparece na Folha, no Estadão, na MTV, na revista VIP, dá entrevista para a Playboy, mas é irrelevante. Relevante é a turma que aparece na NerdPix e nos PodCasts da Memêsfera.
Eu posso assinar: Russel Crowe. :P





