Mostrando postagens com marcador tecnologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tecnologia. Mostrar todas as postagens

Faça de conta que sua intimidade é dinheiro e guarde só para si

Postado em 5 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pense que durante um tempo não existia intimidade entre seres humanos. Isso mesmo, essa coisa de ter seu "espaço" é novíssima e, antes e durante um bom tempo, vivíamos em casas com um único cômodo, fazíamos nossas necessidades na frente de todo mundo, enfim, nesse quesito éramos só um pouco melhor do que cupins.
Nossa intimidade foi uma conquista, ter nosso canto, nossa vida, ser dono do próprio nariz, tudo isso veio depois de anos de evolução. Ditaduras tentam invadir sua privacidade vigiando a sua vida.

Grampeiam telefones, colocam arapongas atrás de você, violam sua correspondência, entram na sua casa no meio da noite, controlam sua internet.

E no Irã? Mandam até na roupa que você usa, na música que você escuta, no que você diz e quase até no que você pensa.

Se você for levado para uma prisão, por exemplo, a primeira coisa que vão tirar de você é a sua privacidade. Revistas íntimas, visitas controladas. Isso porque nem preciso dizer que nossas cidades estão virando verdadeiras janelas indiscretas com suas câmeras espalhadas por toda parte.

Por onde vamos, seja no shopping ou no elevador do nosso prédio, lá estão elas a nos vigiar, tomando conta da nossa vida que nem vizinhas fofoqueiras.


Aliás, já que mencionei as vizinhas (e porque não vizinhos) aposto que você já reclamou ou já ouviu alguém reclamar disso, de alguém te vigiando, tomando conta da sua vida. Até inventaram uma expressão, "não me acompanha, que eu não sou novela", que eu acho boa só em parte, já que só acompanho novela se for sob a mira de um revólver.

Para você ter seu sagrado direito de cuidar da própria vida sem nenhum cretino xeretando, a coisa ficou tão séria que até a Constituição usou um de seus artigos para garantir a todo cidadão o seu "direito à privacidade".

Golpes de estado, manifestações, ações na justiça, gerações inteiras queimadas na fogueira, cruzadas, filmes do Hitchcock, anti-virus e firewalls, aquele aviso no computador da sua empresa alertando que eles sabem o que você fez no RedTube na tarde passada, enfim, todo mundo lutando como pode em torno do tema "privacidade".

E é por isso mesmo que eu juro que não entendo porque você pega toda essa história, toda essa luta da raça humana, e joga na lata do lixo quando pega esse seu celular ou Nextel e fica por aí falando aos berros sobre o churrasco no final de semana, sobre seu exame de fezes ou sobre a confusão que deu quando a Martinha esqueceu a calcinha no seu quarto e sua namorada pegou.

Sério, dá um tempo nisso.

Caixa de Manzanas

Postado em 2 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Nunca entendeu direito a fixação dos filmes antigos pela chegada de carteiros.
Talvez porque já tivesse nascido no tempo do telefone (agora então com a internet isso ficava ainda mais estranho), talvez porque o carteiro só chegasse trazendo as contas do mês, mas pela primeira vez tudo parecia fazer sentido.

Nada de parente que foi morar no Japão, postal que vai chegar da India, um amigo que foi lutar contra ou a favor de algum ditador no fim do mundo, uma resposta sobre algum emprego ou o caminhão do Baú da Felicidade, nada disso.

Por alguma estranha razão, se via agora como um personagem de filme dos anos 50, um desses americanos esperando a carta de Harvard ou um moleque acordado pra ver a passagem do Papai Noel.

A sua espera, aliás, também tinha algo a ver com uma lenda. Era como se esperasse pelo Bom Velhinho e só aparecesse a Simone cantando "então é Natal...".

Seus vizinhos já tinha visto (e vivido) a tal lenda, alguns amigos também. Já lera sobre isso na internet e até viu alguns vídeos no You Tube, mas pessoalmente nunca vivera tal situação.

Dizem que algumas pessoas passam a vida inteira esperando por isso e ainda assim não conseguem chegar lá. Era uma espécie de nirvana e tudo dependia da porra do carro do Sedex. Podia chegar hoje, podia chegar amanhã, mas quem aguenta essa espera? Nem quando aguardava o resultado de um hemograma completo lembra de tanto nervosismo.


Por alguns momentos achou que tudo não passava de ilusão. Que as fotos de rostos felizes, tal qual alguém que encontrou sua alma gêmea, não passavam de algo tão falso e ilusonista quanto uma propaganda das facas Ginzo ou das meias Vivarina.

Mas finalmente o carteiro passou, depois de longa e dolorosa espera. Tantas noites sem dormir querendo uma notícia, tanta angústia e ansiedade sem uma palavra de consolo sequer.

Mas agora o sofrimento finalmente acabara. Viu seu nome escrito e nesse momento soube que sim, era real. Não era de conto de fadas, não era uma simples ilusão de felicidade, uma promessa vazia, um pote de outro atrás do arco-íris.


Segurou com força aquele embrulho e depois o abriu correndo, rasgando apressadamente seu próprio nome escrito no papel, o coração palpitando, a respiração acelerada.

Mas a espera compensou. Não seria mais uma dessas pessoas que passam a vida suspirando, imaginando como seria se tudo fosse diferente. Se esforçara, dera o melhor de si, acreditara em seu potencial e agora a recompensa estava ali, bem diante dos seus olhos.


E mal podia acreditar ao ler palavras tão emocionantes, palavras que nem todo mundo consegue ler em uma vida inteira, talvez as mais lindas que jamais lera na sua existência:

"Designed by Apple in California".

Macacos me mordam!

Postado em 27 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Dia desses saiu no jornal que alguns cientistas andam preocupados com a excessiva humanização das cobaias. A causa são algumas pesquisas que introduzem genes humanos em animais de latoratório (como camundongos e macacos) para realizar estudos sobre doenças que afetam o homem.

Chegam a lembrar de casos da ficção científica, como o filme "Planeta dos Macacos", onde uma experiência para curar o mal de Alzheimer acabou gerando uma nova raça de macacos-humanos, de certa forma inteligentes, que passaram a dominar o mundo.

Tamanha introdução não foi certamente para discorrer sobre os perigos das pesquisas científicas, para o tratamento desumano dado às cobaias e nem para falar sobre ficção científica, ou talvez, desse último item, até seja um pouco.

O fato é que certas horas me pergunto se alguma experiência desconhecida (ou o calor dos trópicos que parece derreter os miolos) já não criou uma população de macacos amestrados com aparência de homens e mulheres.

Mas antes que me chamem de racista por causa do uso dos símios como exemplo, deixe-me esclarecer que só falarei aqui de macacos albinos, tudo bem? Todos, sem exceção, albinos.

O maior exemplo da macaquização, pra mim, é o trânsito. Sempre achei que uma escolaridade mínima e testes de QI deveriam ser obrigatórios para alguém obter licença para dirigir. Porque o brasileiro no trânsito se comporta, em sua esmagadora maioria, como um chimpanzé que foi ensinado a guiar um carro para frente.

É um trânsito violento, agressivo e caótico. Fechadas, cortadas pela direita, carros subindo nas calçadas, andando na contramão, pessoas se comportando como se fossem donos da rua, sei lá, talvez os chimpanzés não chegassem a tanto.


Por isso acho que testes de QI talvez evitassem esses motoristas de ônibus que andam aos solavancos e freadas, e parecem não saber que é fisicamente impossível parar rapidamente um veículo de 11 toneladas a mais de 80km/h em caso de emergência, ou taxistas que desconhecem o fato de dois corpos não caberem no mesmo espaço, tornando impossível o trânsito fluir enquanto ele espera a madame com o poodle entrar no seu carro com as compras do shopping.

Assim como alguém que canta uma música em inglês usando o famoso "enrolation" e não faz a menor idéia do que diz, o brasileiro anda por aí (a internet é o lugar preferido) repetindo piadas, correntes e bordões de novela às vezes sem fazer a menor idéia do porquê fazem isso. Só porque é "gozado", tipo macacos atiram fezes no zoológico.

Não duvido também que bonobos (albinos, sempre albinos, por favor, tá?) ensinados a operar um iPod ou um celular também não andassem de metrô na Bonobolândia ouvindo música alta e incomodando a macacada toda em volta.

Parece que certos comportamentos são instintivos e fazem parte do princípio de que se todo mundo faz igual, deixa de ser vergonhoso.

O Brasil tem bolsões de imbecilidade tão extensos que parece que a intenção é extirpar totalmente qualquer tipo de inteligência e raciocínio humano do seu meio. Tudo repetido mecanicamente, todo mundo feliz enquanto não faltarem as bananas.

Eu, se cientista fosse, me preocuparia muito pouco com a humanização das cobaias. A macaquização humana me causa muito mais medo.

O mundo não era melhor, o mundo era mais vazio

Postado em 25 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Não adianta fingir que você é imune à misantropia, porque nem eu e nem você vamos acreditar nisso.

Sempre escutei dizerem que antigamente as coisas eram mais fáceis, que existiam mais oportunidades, que as pessoas eram mais educadas, etc, etc, etc. Mas o que mudou de lá pra cá? Tecnologia? Isso supostamente deveria facilitar tudo e não complicar.

Tudo bem que alguns empregos foram levados por robôs que fazem o serviço de 5 homens e montam um automóvel em menos da metade do tempo, mas isso não é tudo, afinal, nem todo mundo trabalhava em fábricas de automóveis.

O mundo ficou mais quente, o que pode ter contribuido para piorar um pouco as coisas (no caso do Rio de Janeiro as estações deixaram de ser "quente" e "muito quente" para se trasnformarem em "muito quente" e "inferno"), mas ainda assim, o ar-condicionado está aí pra isso.

As pessoas terem ficado mais mal educadas é um fato ou talvez apenas consequência da troca de Ari Barroso, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Caymmi e Tom Jobim por Latino, Axezeiros, Tati Quebra-Barraco e Luan Santana como ícones da música nacional e os livros de auto-ajuda e do Paulo Coelho terem tomado o lugar de Machado de Assis ou Carlos Drummond de Andrade.

Atualmente o mais culto que alguém parece conseguir ser é repetir frases avulsas da Clarice Lispector, do Paulo Leminski ou do Caio Fernando Abreu, na maioria das vezes sem ter a menor idéia do contexto em que aquilo foi escrito.

Mas isso é emburrecimento coletivo, incomoda, mas não explica sozinho o fato do mundo hoje ser pior do que era ontem. Precisa haver um motivo, e você sabe bem qual é o motivo (ainda mais porque eu o dedurei logo no título).

O mundo está cheio demais. Só pode ser isso. Seis ou sete bilhões de pessoas confinadas num pequeno planeta não pode ser uma coisa que dê muito certo.


Imagine um bonde. Antigamente aqueles bondes do Rio de Janeiro carregavam, no máximo, 65 passageiros. Tudo bem que tinha gente andando pendurada e não devia ser um primor de conforto, mas é raro alguém que viveu naquele tempo que não sinta saudade dos bondes.

Hoje em dia um único vagão do metrô transporta em média 350 passageiros e é raro alguém que vive nesses tempos de agora que não deteste o metrô com força. O que mudou? Simples: superlotação.

Viramos um gigantesco vagão de metrô na hora do rush.

Você pode ver exemplos como esses por toda parte. Prédios antigos que abrigavam de 2 a 4 famílias por andar serem substituídos por pombais que, no mesmo espaço, abrigam até 10 famílias e cubículos.

Engarrafamentos, filas, empregos piores que pagam menos, uma concorrência infernal para tudo e agora, vejam só, até shows internacionais caríssimos que passavam semanas vendendo ingressos vêem estes mesmos ingressos se esgotarem em questão de horas.

Maior poder aquisitivo? Sim, mas superlotação também.

O que pretendo dizer com isso? Que poderíamos dar um "freio de arrumação" e atirar um ou dois bilhões de pessoas no espaço sideral? Não. Primeiro porque custaria muito caro e depois porque seria meio desumano, sei lá, uma versão Jetsons ou Starwars dos campos de concentração.

Não iria pegar muito bem pro nosso carma coletivo que já não anda lá essas coisas.

O que pretendo dizer é que antigamente talvez o mundo não fosse tão melhor. Febre amarela, sífilis, gonorréia, modos e costumes repressores, TV preto e branco e acreditar que manga com leite pode matar não devia ser muito legal.

A diferença é que hoje está cheio de cretinos nos rodeando por toda parte e o espaço para tentar fugir deles continua o mesmo.

Pensando bem talvez uma colônia em Marte não seja má idéia.

Indústria pornô: antes e depois

Postado em 8 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Milhares de garotos de uma geração que não está tão distante conheceram o sexo através de desenhos eróticos e experiências pagas. Talvez isso não tenha mudado tanto hoje, quando os desenhos foram substituídos por vídeos e o bordel cheio de polacas por sessões pagas na webcam.

De Carlos Zéfiro até o RedTube, muita água passou pelas descargas desses banheiros onde adolescentes se trancam para dedicar-se ao prazer solitário.

O corpo feminino - perdoem-me as meninas, mas não posso fingir que já tive qualquer interesse pelo corpo masculino - era, ainda no meu tempo de moleque, um verdadeiro tesouro sem mapa. Não sei se hoje em dia alguém pode acreditar nisso, mas eu juro: uma simples alça de sutiã já era motivo para delirium tremens de nossa parte, que dirá um polêmico mamilo.

Não canso de contar como era a engenharia necessária para conseguir uma Playboy antigamente. Eu chegava na banca de jornal e pedia um Recruta Zero, um jornal O Globo, uma dúzia de balas juquinha e uma Playboy, "porque meu pai mandou comprar pra ele", sempre na esperança da revista de mulher pelada passar desapercebida no meio do pedido.

O jornaleiro ria, me entregava aquele monte de coisas e eu ia embora pra casa correndo, para ficar ali olhando peitos, bundas e a segunda coisa que mais nos deixava curiosos depois de um par de mamilos: os pentelhos das modelos. Vai entender, adolescente se contenta com pouco, né?


Na TV, ainda havia um certo puritanismo e não era normal ligar na novela das seis e dar de cara com beijos gays, incesto e nem orgias com mulheres barbadas e asnos como acontece hoje em dia.

O Fausto Silva (esse mesmo chato dos domingões) era um revolucionário porque falava "porra", "merda" e de vez em quando até "cu" nas madrugadas de sábado. Mas o espetáculo mesmo vinha depois dele, no saudoso "Comando na Madrugada", apresentado pelo jornalista Goulart de Andrade.

Nunca vou esquecer daquelas madrugadas com a TV no menor volume possível, um olho na tela e o outro na porta para a minha avó não me pegar acordado, e a torcida para que as reportagens sobre gastronomia e consumo passassem logo para que chegasse o último bloco do programa.

Ah, o último bloco! Ele sempre ia numa peça de teatro meio alternativa, num motel, numa festa mais liberal, em qualquer lugar que permitisse mostrar no meio da reportagem uma mulher sem roupa. O incrível é que tudo durava, sei lá, uns 20 segundos, mas eu esperava a noite de sábado inteira para ver aquilo.

Um pouco mais tarde a aventura era nos fundos das locadoras, atrás das coleções do Buttman e dos filmes da Tracy Lords. Virei amigo dos donos da "Atrevídeo", locadora especializada no assunto em Nova Friburgo, onde morava.

A internet apareceu democratizando de vez a sacanagem, ainda que a conexão discada funcionasse como uma censura informal, já que era preciso perseverança e paciência de monge tibetano para esperar rápidos 15 minutos pelo loading de uma foto de 100kb, que ainda corria o risco de vir truncada justamente no pedaço que era para mostrar a xoxota da modelo vestida de colegial.

Hoje tudo ficou tão diferente que você consegue saber até se a ex-namorada do seu vizinho faz depilação simples ou virilha cavada, basta achar o site de sex tapes em que ele postou o vídeo feito naquele celular escondido no cesto de roupa suja.

A velocidade das conexões e a variedade das práticas torna tarefa impossível não encontrar conteúdo erótico qualquer que seja sua fantasia. Princesa Leia é coisa do passado, o negócio agora é mais embaixo e qualquer coisa desde Smurfs eróticos até Muppets sadomasoquistas é normal.

E por mais que isso seja repetido várias vezes e previsto desde os tempos da sua avó, se antes a indústria pornô vivia de vaginas e mamilos, não demora muito e viverá de bizarrices como mulheres vestidas e biquinis estilo calçolão.

A maior fantasia sexual imaginável será a Sasha Grey toda coberta, usando uma roupa de esquimó.

Se bem de que se formos pensar bem, essa não é uma idéia tão ruim.

A transferência do seu beijo de língua foi concluída com sucesso

Postado em 4 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Li que os japoneses criaram uma máquina capaz de transmitir beijos na boca à distância. Juro que não sei porque depois do Tamagochi e dos otakus eu ainda me espanto com qualquer coisa que venha do Japão, mas me espantei com essa.

Parece que toda aquela sabedoria milenar, aquela coisa de honra, disciplina, controle, força, quimonos, rabos de cavalo e, claro, gueixas, degringolou e deu origem a essa sociedade japonesa atual, que cria coisas como liquidações onde você compra sacolas fechadas sem saber o que tem dentro, a tal "sacola da sorte" (sorte do vendedor, talvez), e máquinas de beijo.

Mas se a gente pensar bem, essa bizarra invenção tem tudo a ver não somente com o Japão, mas com toda a sociedade moderna, globalizada, conectada, plugada e qualquer outro desses termos clichês que as reportagens adoram repetir.

Já conhecemos parceiros - esquece o termo "parceiro" que parece coisa de pagodeiro ou viado - conhecemos namorados e namoradas em sites de relacionamento, todos expostos como num sacolão.

Fora isso compramos quase tudo pela internet, desde manuais caseiros sobre armas de destruição em massa até as compras do mês. Do natureba viciado em brócolis ao aspirante à Unabomber, todo mundo pode conseguir quase tudo na rede.


Vivemos em algo bem próximo dos desenhos dos Jetsons, que apertavam botões e recebiam comida automaticamente de uma máquina. Na versão moderna (e real) dos Jetsons, recebemos livros, CDs, comida e até pessoas. Porque então não receber beijos?

Você beija uma geringonça, ela registra seus movimentos, envia esses dados pela internet para outro aparelho igual instalado na casa da pessoa que você quer beijar e ela recebe o seu beijo por transferência online.

Se der certo podem inventar máquina de abraço, máquina de soco na cara, máquina de pé na bunda. Máquina de encheção de saco não precisa inventar porque já existe e se chama operador de telemarketing.

É bizarro, mas pode facilitar muitos casamentos por interesse que têm por ai e, com algumas adaptações relativas à parte da anatomia humana em foco, pode até mesmo dar uma nova dimensão para as atividades da mais antiga das profissões. Já pensou?

Você fornece o número do cartão de crédito, coloca a parte que melhor achar conveniente no tal aparelho e dá um beijo de língua sem se preocupar com a cebola que comeu no almoço, transa sem trocar fluídos e sem precisar dormir de conchinha depois e, para os mais ousados, pode até receber um boquete a laser da melhor qualidade.

Não sei se vírus de computador oferece algum risco, mas se estivermos imunes a isso, dispensa até a camisinha.

O problema mesmo seria a preservação da espécie, já que para enviar o "material" necessário para perpetuá-la teríamos que confiar nos Correios, pelo menos até que os japoneses apresentem alguma novidade nesse sentido.

Lembra da minha voz?

Postado em 18 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Quem andava pelo metrô de São Paulo há um tempo não tinha dúvidas de aquele era o expresso que levava ao purgatório.

Uma voz fantasmagórica berrava em meio aos barulhos do trem - o que a tornava quase inaudível - os nomes das estações. Você estva lá, quieto no seu canto, espremido entre uma senhora cheia de sacolas e um negão de cabelo rastafari ouvindo reggae no celular e de repente um berro o surpreendia: "próxima estação Ana Rosa!".

Juro que a primeira vez que ouvi isso achei que era uma acusação, tipo "Você aí! Porque matou Ana Rosa?".

Soube que chegaram a oferecer cursos de locução para os metroviários de lá, coisa que não deve ter dado muito certo, pois os melhores alunos provavelmente abandonaram a carreira de condutor para fazer concorrência ao Galvão Bueno. Agora são dois locutores que gravam as mensagens e  os nomes das estações.

No Rio é a mesma coisa, uma voz feminina - sexy até - avisa aos passageiros sobre as próximas paradas e faz as vezes de inspetora de colégio interno: "Não carregue a mochila nas costas", "Ajude os idosos", "Ao entrar, dirija-se ao centro do vagão", "Ceda o lugar". Só falta nos lembrar de escovar os dentes e não deixar toalha molhada em cima da cama.

Duvido que você nunca tenha pensado, silenciosamente, "ahh, cala a boca, porra". Eu confesso que toda hora me pego xingando mentalmente a voz do metrô, tanto quanto aquelas vozes de garagem de shopping center: "bem vindo e boas compras", "não fode, 5 reais por duas horas de estacionamento?".


O metrô de Santiago, no Chile, resolveu o problema: lá não tem voz alguma. Pelo menos não indicando as paradas. Você já está contando que alguma voz estridente/sexy/cavernosa te avise e nada, quando descobre já passou umas 4 ou 5 estações. É nessa hora que damos valor até aos condutores de São Paulo.

Agora, se tem uma voz que eu adoro ouvir é voz de aeroporto, principalmente se estiver indo viajar. "Senhores passageiros embarque no portão...", isso é quase música para os meus ouvidos.

Mas seria legal mesmo se as vozes pudessem nos ouvir ou até interagir conosco: "Ei, vocês dois aí, isso não é lugar para amassos, dêem espaço pra velhinha sentar" ou então "Em caso de emergência...o que? Vai tomar no %&*# você também, eu estou trabalhando..." ou então "Senhor Wesleyson e Srta. Suellen, por favor desliguem esse funk ridículo que vocês ouvem  a todo volume nos seus celulares, isto aqui é um metrô e não uma laje, obrigado".

Se bem de que dependendo de onde estejamos, não faz muita diferença. Imagine o metrô de Pequim, Tóquio ou Moscou, de que adiantaria uma voz sexy - possivelmente de uma loira chamada Natasha - me avisando: "виду разрыв! виду разрыв! это отверстие вы находитесь в!!!"?

Eu só descobriria o que a Natasha tentou me dizer horas mais tarde, já no hospital, quando contassem que ela tentou me salvar gritando: "Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma. O vão! O vão! Esse buraco aí em que você acabou de cair!".

Me empresta um carregador?

Postado em 27 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Sou do tempo em que as únicas coisas que funcionavam depois das 22:00 eram latido de cachorro e padre para dar extrema-unção. Aliás, sou do tempo em que 22:00 horas ainda se chamava apenas 10 da noite.

Nesse tempo a inflação era galopante e as moedas valiam menos que as de 1 centavo de hoje, mas ainda assim usávamos porta-níqueis. Só que eles não portavam níqueis propriamente, e sim fichas de orelhão. Se você não viveu aquele tempo ou simplesmente faz questão de nem lembrar, eu recordo pra você: elas eram vendidas em cartelinhas de papel, pesavam mais do que uma moeda comum e volta e meia eram "engolidas" pelos telefones públicos, nos deixando sem ficha e nem ligação.

Faziam barulho no bolso e na bolsa e nunca estavam por perto quando precisávamos de uma.

Só que o tempo passou. Primeiro as fichas foram substituídas pelos cartões telefônicos e depois os cartões - que eram temáticos e viraram objeto de coleções, algumas caríssimas - foram substituídos pelos celulares, que praticamente decretaram a morte dos orelhões.

Mas não foi um parto simples esse. Os primeiros celulares eram uma espécie de maleta do tamanho de um telefone de mesa comum e só funcionavam em alguns bairros. As linhas custavam um dinheirão e até a privatização das teles, eram coisa "dazelite".


Conforme os aparelhos foram diminuindo, os preços também caíram e a popularização veio com força total. Hoje praticamente cada brasileiro tem um aparelho de celular.

Hoje os tempos mudaram tanto que a portabilidade numérica permitiu que sejamos pessimamente atendidos em todas as operadoras, sem discriminação.

Só que da maleta das primeiras linhas até os Smartphones de hoje, muita coisa passou. Era analógico e virou digital. Não tinha identificador de chamadas e passou a ter. Os aparelhos mais cobiçados no início eram sempre os menores, alguns chegavam a ser um pouco maiores do que uma caixa de fósforo. Nesse tempo, só serviam para "falar" e trocar torpedos mesmo.

Mas aí eles foram aumentando de novo, para comportar funções como tirar fotos, tocar músicas, receber sinal de rádios FM, navegar na internet, ver TV, servir como GPS, video-game, acessar redes sociais, enfim, tudo que um pequeno computador deve fazer.

E a despeito disso tudo continuamos aprisionados ao grande limitador desses tempos modernos: a energia.

Desde os horríveis celulares das primeiras gerações até o iPhone 4, somos obrigados a procurar uma tomada para carregar a bateria deles, senão perdemos contato com o resto do mundo.

Sei que melhorou bastante, já que antigamente precisávamos carregar baterias sobressalentes no bolso ou na bolsa, de tão rápido que elas se esgotavam, mas ainda assim toda a tecnologia não nos livrou da velha tomada. Nesse ponto, meu sonho de consumo é um celular que funcione como essas calculadoras de camelô, que carregam até com luz de lâmpadas.

Mas pensando bem, poderia ser pior, já pensou se tivesse que dar corda?

Máquina de escrever

Postado em 7 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Se logo de manhã cedo é a hora do sono, o meio dia a hora da fome, a noite é dos amantes e a madrugada dos insones, o meio da tarde é a hora do tédio. A menos que você esteja de férias e todas as horas sejam de anti-rotina. A pessoa simplesmente de férias é alguém com tempo demais para fazer coisas de menos. Mas aquele que viaja nas férias vai pairar sobre a rotina dos outros achando aquilo tudo divertidíssimo.

Quado viramos adultos, não sentimos saudade do tempo de colégio por causa das aulas de matemática, das explicações do professor de geometria ou de conjugar verbos. Nossa saudade é da hora do recreio e de dois períodos de férias por ano, que batem facilmente a hora do almoço com seus restaurantes a quilo e 15 dias de férias tiradas e outros 15 dias vendidos.

Aliás, deveriam criar uma lei contra vender férias ou então legalizar de uma vez a venda de rins, pulmões e até da alma pro diabo.

Mas voltando ao assunto principal: o tédio vespertino de qualquer escritório que não seja o da National Geographic. Muita gente assiste filmes no computador, outros passam o tempo lendo jornal, enrolam e fingem que estão ocupados e, pasme, existe até quem realmente trabalhe.

Alguns, como eu, começam a procurar coisas para comprar. Seja uma promoção de uma loja virtual qualquer, uma livraria queimando estoque ou os peculiares sites de leilão, o meio da tarde é um molestador de cartões de crédito.



E numa dessas andanças achei uma máquina de escrever Remington, daquelas que viram uma mala, em perfeito estado. A tentação estava incontrolável e na hora pensei: é isso que falta para que eu me torne um bom escritor! Estranha mania de atribuir a objetos uma capacidade de nos conferir qualidades exclusivamente humanas.

Mas quando me preparava para comprar a belezura, um elemento estranho à maioria dos ato de consumo apareceu de surpresa: o raciocínio. Como é que eu iria transferir o que fizesse ali para um arquivo digital? Afinal de contas, até para imprimir algo hoje em dia precisamos do arquivo eletrônico.

Nesses tempos modernos, a porta USB é tão imprescindível para a arte quanto o papel e a caneta, o violão, o piano e até a inspiração.

Eu ficaria cheio de páginas e mais páginas repletas das minhas divagações, loucuras, conjecturas e sarcasmos calculados e não poderia despejá-las praticamente em ninguém. Ficariam ali, presas naquelas folhas, formando uma enchente de idéias no meu quarto e terminariam por me afogar.

Não pude deixar de admirar ainda mais os velhos escritores, que tinham que fazer várias cópias do seu trabalho e entregar em mãos, na arena romana do olho no olho, ou então depender dos correios para que chegassem aos editores e depois depender dos editores para chegar às livrarias e, finalmente, destas para chegar aos leitores. Eram verdadeiros heróis, ainda que só quisessem ser lidos.

Cheio de admiração por eles, desisti de comprar a Remington e continuar escravo da tecnologia. Não quero ser herói, quero apenas que me leiam.

Desinclusão digitalizada

Postado em 28 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Ler "Crepúsculo" certamente é melhor do que ser analfabeto, mas não muito. Assim como é melhor ouvir Chiclete com Banana do que ser surdo. Alguém pode argumentar que são artistas apreciados por milhões de pessoas, tudo bem, mas alguns milhões de pessoas também acreditam que o mundo deve se tornar um imenso Califado Islâmico e que todos os infiéis devem ser convertidos na base da espada, e nem por isso essa é uma boa idéia.

O Brasil comemora ano a ano o fenômeno da "inclusão digital". É um monte de gente que até outro dia achava que o monitor era o computador em si e hoje participa de redes sociais, vota em enquetes, baixa músicas, troca fotos, fala com parentes que moram longe. Obviamente esse fenômeno é apresentado como mais uma obra que faz parte da fundação do país, que na cabeça dos fãs do governo na imprensa e na população vivia na era da pedra lascada até 2003.

Mas não é bem assim. Como tudo no Brasil, essa inclusão digital tão festejada está mais para uma gambiarra, o famoso "jeitinho", do que para algo que pode ser considerado uma realidade sustentável e desejável.

Nem entro aqui no mérito do péssimo conteúdo que é gerado, acessado e replicado pelo internauta brasileiro. Correntes, piadas grosseiras, música ruim, polêmicas, sub-celebridades, transgressões de todos os tipos às leis, pedofilia, pornografia, ou seja, quase tudo que não presta. Isso é um problema educacional.

Somos um povo mal educado, com pouca bagagem cultural e que é mantido na idiotice pelos meios de comunicação de massa e pelo sistema educacional preguiçoso e ineficiente.

O problema com a tal inclusão digital é a forma como esta se deu. Uma reportagem publicada recentemente deu conta de que nada menos do que 32 milhões de brasileiros acessam a internet através de lan houses. Esse é o tamanho da desinclusão digitalizada, de gente que acessa a internet mas que está longe de poder aproveitar o que a internet realmente pode proporcionar.

Esses estabelecimentos oferecem conexão lenta, instalações precárias e com a impressionante média de 80% de clandestinidade. São lan houses de fundo de quintal, de garagem, de pequenos pontos comerciais sem alvará. Compartilham uma única conexão com vários computadores, o que torna sua velocidade bem próxima da experiência que os primeiros usuários de internet no Brasil tinham com a conexão discada.

Pra quem não viveu a época da discada uma dica: pense em sinais de fumaça.

Óbvio que elas ajudam as pessoas a pagar contas, tirar segunda via de documentos, digitalizar arquivos, elaborar e fazer cópias de currículos, consultar seu crédito, colocar as fotos da ex-namorada no "Caiu na Net", entre outras coisas. As lan houses atuam, como, por exemplo, flanelinhas ou o José Dirceu, naquela brecha gigantesca que o nosso estado sempre deixa aberta a quem quiser fazer ou usurpar o papel que seria dele.

Não defendo aqui (cruz credo!) que se criem lan houses estatais ou coisa parecida e nem que o governo ressuscite dinossauros como a Telebrás para distribuir conexão gratuita por aí. Assim como a solução para a educação não é a distribuição de cotas em universidades, a solução para a desinclusão digitalizada não é a distribuição de acesso à internet como se fosse alguma panacéia.

Nem falo dos computadores, porque hoje em dia é possível comprar um computador novo em 12 prestações de R$48,42. Falo da conexão mesmo, que ainda é cara.

É preciso infra-estrutura que barateie o serviço, concorrência, fiscalização. Se hoje qualquer cidadão pode ter um celular com linha habilitada por menos de 100 reais, isso acontece porque a concorrência nesse setor possibilitou isso. Se o governo tivesse se metido na história, teríamos filas quilométricas para o cidadão pagar 500 reais pelo seu telefone estatal subsidiado, com espera de uns 5 anos. Sem contar o gasto extra com os 10% do funcionário responsável pelo cadastramento para nos passar para a frente da fila.

Não se justifica o preço da conexão à internet no Brasil e principalmente, sua péssima qualidade. Se esta for adequada aos preços e padrões aceitáveis mundialmente, aí sim poderemos realizar a inclusão digital no país.

Porque até aqui, a única coisa que fizemos foi exportar o puxadinho pra internet.

Amigos, amigos...

Postado em 9 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

A modernidade nos trouxe muitos problemas e muitas soluções, mas acima de tudo nos apresentou mudanças que transformaram nossas vidas e nossa forma de ver as relações com o mundo e as pessoas que nos cercam.

E como a internet passou a fazer parte da vida de todo mundo, suas relações pessoais passaram a determinar também boa parte do nosso círculo de amizades. Raro quem não tenha um "amigo" que tenha conhecido na rede e mantido a maior parte (senão a totalidade) desta amizade dentro do ambiente virtual.

Não são amizades menores por isso, não são pessoas menos queridas, ainda que não exista aquele contato físico de antigamente.

E essa situação cria uma nova forma de interpretar os atos dos outros. Um "amigo da internet" nos ofende mais se nos bloquear no MSN do que se não nos chamar para a festa de um ano do seu primeiro filho. Incrível mas é verdade.

A pessoa vê o album de fotos postado em alguma rede social dessas e comenta, participa, fica feliz mesmo sem ter ido à festa. Mas fica muito chateado se alguém menciona que o outro está online naquele momento e descobre que foi bloqueado.

Não vou entrar no mérito disso ser sadio ou não, normal ou não, nada disso. Não vai aqui nenhum juízo, apenas uma constatação.

Essas amizades modernas tem sua dimensão bem definida, clara e todos aceitam isso numa boa. Lógico que não é um dogma, pelo contrário, é bastante flexível. Quem nunca participou de um encontro do IRC, de alguma sala de chat, do Orkut e, mais recentemente, do Twitter?

Essas amizades podem (e é bom quando isso acontece) pular do virtual para o real, materializando-se. Mas também percebo que, muitas vezes, ainda que isso ocorra, mesmo no tal "mundo real" elas continuam girando e sendo definidas a partir das relações que ocorrem virtualmente (detesto esse termo, mas não consigo pensar num melhor agora).

Conversamos sobre o que se passa na rede, gostamos ou não de alguém baseado na experiência que vivenciamos na rede, o real torna-se quase uma holografia do que se passa ali. Só o que muda é que as possibilidades de agradar e ofender duplicam-se. Conselho: a partir daí, não bloqueie no msn e chame para a festa do seu filho. É a melhor política.

Mas não sou um desses saudosistas bobos que acham que boa era a época da pracinha, dos vizinhos conversando no portão. A internet apenas possibilitou que sua pracinha e seu portão se expandissem e pudessem estar em qualquer lugar, a qualquer hora.

E provou também que qualidades e defeitos são universais. Existem canalhas de carne e osso e em código binário, assim como verdadeiras e boas amizades.

Comprar xingling vale a pena?

Postado em 28 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários

Ontem a Apple, fábrica de sonhos de consumo, através de anúncio do seu CEO Steve Jobs, alvoroçou o Universo Nerd, a constelação das empresas de tecnologia, o mercado financeiro e talvez até Plutão tenha pensado em voltar a ser planeta com a apresentação do iPad.

O tablet da Apple chegou com um monte de inovações, rapidez, confiabilidade e aquele design descolado que todo amante do iPod ou do iPhone já conhecem. Chegou para motivar a criação de um monte de vaquinhas online e para transformar o até então "bambambam" do pedaço que era o Kindle na Beth, a feia.

Tudo bem que o iPad é um passo à frente do Kindle, mas não vou entrar em detalhes técnicos porque não é a minha praia e também porque não faltarão sites, blogs e jornais bem mais habilitados que eu a fazê-lo, então continuemos o assunto.

Como disse, ele será objeto de desejos e até de algumas masturbações (não duvide da mente de alguém que passa uma semana dormindo numa barraca azul dentro de um ginásio) e também de muitas, muitas cópias.

Aconteceu com todas as gerações do iPod, aconteceu com o iPhone, fatalmente acontecerá com o iPad (talvez em menor escala porque a tecnologia é mais complicada).

Mas tudo isso só é gancho pra falar sobre uma pergunta que de vez em quando me fazem e que eu respondo de forma tão direta, que pode ser confundida até com rude, mas não é: "Dá no mesmo comprar um mp3, mp4, mp5, mp6 mpQP desses fabricados na China do que comprar um iPod, que é muito mais caro?".

Minha resposta sempre é: dá no mesmo se você acreditar que colocar um logo da Audi num Fusca o transforma num A3.

Não interessa quanto custa. Se custar R$1,00 e o iPod R$501,00, essa economia de 500 reais não compensará as orelhas de burro que você sentirá crescer depois que começar a mexer naquela joça.

Esqueça capacidade de armazenamento, esqueça o chassis que será parecido, o que está dentro é que importa e a alma dessas imitações já está condenada ao inferno desde que saem da fábrica.

Você liga, coloca a música e vê uma espécie de equalizador misturado com dial de rádio AM, os vídeos passam num espaço que ocupa 1/2 da já diminuta tela, a clickwheel (aquele disco que tem no meio do iPod) é só click, porque se você tentar deslizar o dedo verá que não é sensível como no tocador da Apple, sem contar que é quase impossível organizar pastas.



A memória flash vagabunda também te fará perder algumas músicas caso sacuda demais aquela porcaria, enfim, vai acabar virando calço de mesa bem antes do que você pensa.

Meu conselho pra todo mundo que quer ouvir música enquanto vai e volta do trabalho, faz sua corrida diária ou vai para a praia ou academia e não tá com grana pra comprar um iPod no momento é: pegue um desses pendrives com mp3 (o iPobre) e junte uma grana até poder comprar o original.

Porque o barato sempre sai caro (chavãozinho fdp que eu aprendi nesse caso por experiência própria, pois no início pensava "ahhh esse negócio de Apple é bobagem") e com certeza você não vai se arrepender do investimento.

MID (Maldita Inclusão Digital) 2.0

Postado em 27 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Faz algum tempo eu disse aqui que o problema do Brasil não é desinclusão digital, mas desinclusão cultural. Me chamaram de elitista, discriminatório e claro, "preconceituooooooooso!", mas já estou acostumado e não ligo muito.

Ouvi num filme esses dias uma personagem falar assim: "como dizia minha mãe, eu prefiro estereotipar, é mais simples e eficiente". Pois é. Nem sempre rotular é um pecado mortal.

Depois que passou a ser "feio" se chocar com qualquer coisa, passamos a ter a obrigação de aturar tudo quietos, com aquele semblante de estátua, senão somos "intolerantes" e dá-lhe lição de moral pelo ouvido...

Achar ruim um casal de homosexuais dando amassos numa lanchonete num sábado à tarde, por exemplo, pode te transformar em 2 segundos numa mistura de Darth Vader com Sauron aos olhos do politicamente-correto-tolerante-diversificado-imperativo. Não digo absolutamente que um casal homosexual não possa existir, ou andar junto, ou se beijar. Mas atualmente querem nos proibir até de achar inapropriado o que nem mesmo casais heteros são aconselhados a fazer.

Mas esse é um assunto para outro dia, não vou digressionar demais.

Por isso o horror quando eu começo a dizer que antes de distribuir acesso à internet para o "povão", o governo deveria é distribuir educação.





Dessa forma, ao invés do desfile de pérolas (esse link vale a pena acessar) de estupidez, semi-analfabetismo e indigência cultural que vemos, assistiríamos a internet contribuindo para o complemento da formação de estudantes e profissionais, coisa que acontece muito pouco por aqui.

Infelizmente para o senso comum (e felizmente para mim) eu acho mais inteligente remover uma favela do lugar e instalar as pessoas dali num bairro aonde possam morar, colocar esse monte de moleques de rua pra estudar, melhorar o nível da escola pública, etc, do que distribuir posse de puxadinho e colocar conexão Wi-Fi ali.

Criou-se o mito de que a tal inclusão digital é uma espécie de elixir que fará sumir por milagre toda a estupidez dominante que assola o país.

Não é. E como podemos ver pela foto que ilustra esse post, a inclusão digital tornou-se um mito em si. O número de pessoas que acessam a internet no Brasil cresce vertiginosamente em todas as classes, reportagens como esta e esta demonstram isso claramente.

Não quero dizer aqui, antes que me acusem disso, que acho que o "pooooovo" não tem direito de acessar a internet. Pelo contrário, acho que todo o país, do Oiapoque ao Chuí, deveria ter acesso à rede mundial de computadores.

Não acho que internet deva ser "coisa de rico" ou "diversão de doutor". O que penso é que isso não deveria ser considerado privilégio, assim como a educação também não e infelizmente o é.

Mas o tal mito da inclusão digital acabou invertendo prioridades, desviando foco e sub-dimensionando a importância da educação.

Educação essa que não é nem mito, coitada, não passa de um fantasma.

Convites pro Novo Orkut (ou Facebook cover)

Postado em 26 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 24 Comentários

Demorei um pouquinho mais do que pretendia para falar aqui do Novo Orkut porque resolvi dar uma segunda, uma terceira e até uma quarta chance para ele me impressionar um pouco mais.

Não adiantou. Quando ia pra quinta tentativa resolvi clicar no botãozinho "versão antiga" e continuar por ali mesmo.

Não que eu seja contra mudanças e inovações, nada disso, mas pra alguém como eu que só entrou no Facebook para acompanhar o perfil da Sarah Palin porque considera aquele monte de penduricalhos do site um verdadeiro suplício funcional, o Novo Orkut soava como um Facebook sem a Sarah.

No ramo de automóveis alguns vendedores chamam de "vovô maquiado" aquele carro que ainda dá um lucro pra montadora mas está ultrapassado, aí então para não investir demais em mudanças estruturais dispendiosas, a fábrica coloca enfeites, aerofólios, spoilers, borrachões e apresenta sua velha novidade num lançamento pomposo.

O Novo Orkut tem um pouco disso na minha opinião. O visual é mais "facebookado", você escolhe a cor do seu plano de fundo, as atualizações dos seus contatos aparecem de uma forma meio ostensiva na sua página principal, suas comunidades e amigos passam a aparecer todas na mesma coluna, sem a necessidade do "view all", mas a verdade é que tudo ficou mais difícil de ser encontrado, o site ficou menos organizado e a informação relevante se perdeu no meio de tanta "maquiagem".

O Orkut com isso conseguiu perder o que ainda tinha de vantagem em relação à outras "redes sociais": a facilidade do uso.

Mas o buzz foi grande! O site novamente exigiu que se tivesse um convite para testar sua nova versão e as pessoas saíram desesperadas atrás de um. Uma outra "febre" orkutiana aconteceu, com pessoas vendendo convites no Mercado Livre e tudo.

Mas no final das contas, o tal Novo Orkut parece mais com a tentativa de uma casa de chá de concorrer com o Mc Donald´s. Ao invés de servir seus chocolates quentes, petit fours e torradas amanteigadas, passaria a vender hamburgers e batata frita.

O resultado seria uma lanchonete para sexagenários ou uma péssima casa de chá. É o caso dessa reformulação do Orkut. Os trolls estão todos ali, a favelização internética da rede social está igualzinha, a única coisa que mudou foi que pintaram o barraco.

Mas cheiro de tinta incomoda demais, por isso vou permanecer na tal versão antiga mesmo, já que o "velho" Orkut continua ali no mesmo lugar, com todos os problemas que o novo não conseguiu eliminar, mas pelo menos mais simples.

Duvida do que eu disse? Te dou um convite pra testar. Deixe seu comentário aí embaixo que os dois mais bem elaborados ganharão uma passagem para ver como não existe nada mais "velho" do que o Novo Orkut.

Aventuras no PSP de um sujeito da época do Atari

Postado em 26 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Ainda lembro quando ganhei um Telejogo de presente de Natal. Foi uma festa danada e até hoje não consigo entender direito como alguém conseguia se divertir rebatendo bolinhas com palitos numa tela em preto e branco.

Mas acreditem, aquilo era o maior hype.

Hype que durou pouquíssimo (ainda bem), porque logo chegou o Atari, verdadeiro paraíso em cores e com figuras e cenários. Tudo bem que vistos de hoje, os jogos do Atari eram completamente toscos, mas dominaram durante bastante tempo o imaginário e os desejos dos garotos da minha época, mais ou menos junto com a Luiza Brunet.

Lembro que passava noites inteiras jogando Pitfall, River Raid, Seaquest e claro, o quase unânime Pac Man.

Mas como tudo em tecnologia, o Atari também foi superado (Ufa!) e vieram alguns consoles um pouco melhores do que ele na minha opinião, tipo os MSX , que a despeito de nos obrigarem a ficar esperando loooooongos períodos para que os jogos fossem carregados em fitas cassete(!!!), tinham uma qualidade bem superior aos do Atari.

Depois, mais ou menos com o aparecimento dos games de terceira, quarta e quinta gerações como o Mega Drive, Neo Geo e o Play Station I, eu já estava mais preocupado em correr atrás de menininhas na rua, roubar o carro do meu pai para rodar no domingo à tarde e ir pra festinhas atrás de mais...menininhas e consequentemente não liguei muito para lançamentos que me manteriam dentro de casa, com dois ou três marmanjos tentando passar fases de jogos, e confesso que tudo isso passou batido pra mim.

Tudo isso ou quase. Como morava fora porque estudei numa faculdade no interior, queria algo para aquelas horas de tédio e comprei um Game Gear, com uma telinha minúscula e jogos bem "mais ou menos", mas ainda bem distante dos DS e PSP de hoje em dia.

Sem contar que usavam uma quantidade absurda de pilhas o que me obrigava a usar um jogo portátil somente em casa ligado na tomada, quer dizer, só rindo.

Anos antes, ainda criança, eu já adorava os portáteis tipo Game Watch, que eram realmente portáteis e me permitiam passar um tempão jogando Donkey Kong na escola.

Só quando saíram alguns jogos a partir de CD-ROM é que eu voltei a me interessar um pouco por games e adorava ficar jogando Heretic e Doom até altas horas, mas nada comparável à loucura que eu sentia pelo Atari.

Tanto que nem cheguei a ter um PS I ou II.

Até que apareceu o Play Station Portátil.

A primeira vez que o vi fiquei como se tivesse uns 10 anos outra vez e queria porque queria aquele brinquedinho. Tanto fiz que achei um conhecido que tinha viajado pra França a trabalho, comprado um Slim Silver desbloqueado para jogar nos deslocamentos de trem e enjoado do bichinho quando voltou pra cá. Quis me vender e eu, claro, comprei na hora.

Os jogos de luta e RPG me impressionaram muito e é quase inacreditável o visual daquele trequinho e as quase infinitas possibilidades que ele proporciona além jogos de qualidade como acesso à internet, reprodução de vídeos, visualizar fotos, o escambau.

Comecei a baixar jogos compulsivamente e jogar tudo que podia, mas no final das contas acabei usando o meu PSP mesmo pra jogar emuladores de Nintendo e instalar joguinhos de celular.

Sério.

Passo horas jogando quebra-cabeças, Tetris, corridas de carro (essas menos toscas) e os jogos um pouco melhores, mas ainda assim simplórios como o Dungeon Maker, que nada mais é do que a construção de labirintos e a matança de monstros ad nauseam.

Acho que eu, que fui uma criança que achava que não poderia existir nada melhor do que o Atari, meio que não acompanhei a evolução que os jogos sofreram e acabo me interessando mesmo é pelo que gostava na infância.

Até acho o maior barato os Need for Speed da vida e zerei o Medal of Honor, mas gosto mesmo é das velharias.

Tanto que estava com o meu brinquedinho no metrô, jogando um prosaico Quadrapop da Sony Ericsson no emulador (É sério, eu coloquei um emulador para joguinhos de celular no PSP), e vi um moleque com essas mochilas enormes, cheias de livros, voltando da escola me encarando.

Por um momento achei que o moleque fosse me atacar com aquela mochila, arrancar o PSP das minhas mãos e deixar no lugar um Game Gear da vida, bem mais condizente com as tosqueiras que eu cismo de jogar no PSP.

Pensando bem, ele não estaria de todo errado.

Meu "quase" Solio

Postado em 14 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Sou um maníaco por gadgets. Confesso que tenho esse fraco por gastar meu dinheirinho comprando jeringonças que às vezes vão me servir durante 2 ou 3 dias e depois serem abandonadas no fundo de alguma gaveta, mas fazer o que?

Algumas são mais bem sucedidas como o PSP, o iPod ou um dos 300 pendrives que já tive. Outros como um HD portátil que comprei de um arrependido por módicos 50 reais me fizeram entender porque ele me vendeu algo de 150,00 por cem a menos.

Nessa categoria dos gadgets fail quase entra o simpático, ecologicamente correto e bonito carregador solar Solio.

A idéia é genial: um estiloso conjunto de pequenos painéis solares que recarregam todos os aparelhos eletrônicos que levamos por onde vamos. Desde celular até seu reprodutor de mp3 e afins, o bichinho recarrega tudo utilizando para isso a energia do astro rei.

Ele ainda pode ser carregado na tomada comum e armazenar energia por até um ano, tudo isso contribuindo para que você reduza sua "dívida" de carbono, até o Obama apareceu com um!

Show, né? Não.

Primeiro porque não é lá muito barato, o que me levou primeiro a, contrariando minha filosofia do "barato sempre sair caro", procurar versões xing-ling dele. Desisti porque são feias e a maioria não armazena energia.

Daí fui buscar um Solio original por aí e encontrei um no Mercado Livre por 300 pratas, valor estranho já que um novo custava uns 600. Porque o cara ia me dar esse descontão todo? Hum...

Fui procurar reviews dele por aí e...encontrei. :(

Na Amazon, a esmagadora maioria dos compradores dizia que não compraria de novo e que só não se arrependeram totalmente porque achavam que o Solio era uma "boa idéia". Bem, como não sou o Grande Soldador (quem viu "Robots" vai entender) não quero comprar "idéias" e sim equipamentos que funcionem.

O Resumo de tudo que li diz que o Solio não consegue ser carregado só com a luz solar nem que fique exposto o dia inteiro a ela, que você precisa ficar "girando" o aparelhinho atrás do melhor ângulo entre a luz e os seus painéis (ou seja, tem que fazer pas deu deux com o carregador o dia todo) e que nem assim ele "pega" carga total.

A cereja no bolo foram alguns usuários dizendo que o simpático carregador "fritou" seus equipamentos já que é quase impossível por razões técnicas que algo possa carregar tudo que é gadget sem queimar nenhum, por diferenças de especificação dos circuitos ou algo assim (não sou entendido dessa parte, mas o que importa é: o Solio pode transformar seu iPod Touch num peso de papel queimado).

Unindo-se a isso a necessidade de levar consigo um "kit" com 345655 adaptadores, resolvi deixar essa aventura pra lá e esquecer a idéia de ouvir mp3 ou me divertir com o PSP de forma carbon-free.

Trata-se de uma boa idéia, mas por enquanto comprá-lo ainda é uma péssima idéia, guarde sua carteira.
 
Template Contra a Correnteza ® - Design por Vitor Leite Camilo