Um dos meus tios morava com a minha avó - relevem esse fato - e sempre dizia que deveríamos visitá-los mais, porque ao invés de pão com manteiga, o lanche teria queijo, presunto e com sorte até uma geléia.
Sabe como é, visita precisa ser bem tratada.
Quem nunca saiu correndo pela casa, recolhendo roupas, sacolas, copos, pratos e tudo quanto é coisa que estava espalhada, espanando móveis com a mão, rearrumando almofadas, só porque o interfone tocou anunciando a chegada de alguém que você não esperava?
Isso é normal se você está aproveitando um final de semana de ócio e aquele primo pentelho aparece de repente com a esposa e a sogra, mas não é muito saudável caso você viva rodeado de lixo, comendo miojo e resolva dar uma faxina na casa e se alimentar com algo que tenha menos sódio e corantes só porque alguém resolve te visitar.
Falei tanto para chegar no assunto principal: o Rio de Janeiro, é claro.
A indagação "e se fosse na Olimpíada?" passou a fazer parte do vocabulário da maioria dos cariocas.
Se falta luz, água, o trânsito complica mais ainda, a coleta de lixo é irregular, se tem entulho na calçada, esgoto a céu aberto, arrastão nas praias, camelôs invadindo as calçadas, enchente, vazamento de gás, se o metrô continua atrasando, se o preço do pãozinho aumenta, tudo isso é acompanhado pelas tradicionais reclamações e mais a dúvida cruel: e se isso acontecesse na Olimpíada?
Como se tais problemas não fossem inaceitáveis com ou sem um evento mundial, com ou sem a vinda de turistas, com ou sem os "olhos do mundo" voltados para a cidade.
Durante o Panamericano de 2007, a cidade resolveu seus problemas como o sujeito que estava em casa e o primo chegou de repente. Havia um rio fedorento perto da Vila do Pan? Colocaram essência na água. Sério, isso é true story.
O trânsito da cidade é caótico? Deram férias nas escolas do município, ponto facultativo para os funcionários públicos, pintaram umas faixas seletivas por onde as delegações iriam passar e pronto, o problema foi "resolvido".
Por 15 dias, é claro.
A Olimpíada de 2016, ainda que gere algumas obras de maior porte, continua passando a impressão de que o Rio de Janeiro é muito mais pra "inglês ver" do que para "carioca ver".
Já que um sistema de transportes menos medíocre, águas e ar menos poluídos, uma cidade mais limpa e organizada e sensação de segurança, deveria, pelo menos em tese, ser algo feito para todos, turistas e moradores, mas muito mais para os moradores, o que não parece ser o caso.
Não sei você, mas eu não consigo imaginar o governo de certos países mais desenvolvidos - olha o complexo de vira-lata aí - pensando assim: tudo bem, vamos sediar um evento mundial, acho que é hora de remover esses lixões da cidade, cuidar do exército de mendigos e meninos de rua que vivem em nossas calçadas, tapar buracos no asfalto e aproveitar para melhorar a merenda escolar.
É como uma pessoa que só escova os dentes quando vai beijar alguém. Deu nojinho, né?
Pois saiba que sem as Olimpíadas, provavelmente o Rio de Janeiro continuaria com a sala desarrumada, alguma cueca pendurada no ventilador, poeira em cima dos móveis e o pior, tártaro e placa bacteriana pra não botar inveja em nenhum anúncio de creme dental.
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Tira os pés do sofá, e se fosse na Olimpíada?
Postado em 7 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Apagão 2009 : jogando uma luz sobre o Brasil
Postado em 11 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Ontem 80% do PIB brasileiro ficou totalmente às escuras por algumas horas. Possivelmente problemas nas linhas de distribuição de Furnas, administrada pelo PMDB de Sarney aliado de Lula, causaram a primeira paralização total da Usina de Itaipu da história destepaíz.
Os petralhas prontamente dirão que também houve um apagão durante o governo de FHC, na sua eterna psicose comparativa, que teima em se achar menos sujo só porque o outro é mal-lavado.
Entendam: eu não gostei do governo FHC, não quero aquilo de volta, mas isso não quer dizer que eu também deseje que o petralhismo se torne uma nova monarquia pelega.
Petralhas pensam assim: se eles patrocinaram um esquema de compra de votos de milhões, não tem problema, afinal o Azeredo também fez um. Se eles se aliam ao Collor e ao Sarney, tudo bem, afinal FHC foi aliado de Antônio Carlos Magalhães e por aí vai.
Pra quem, quando fazia uma oposição raivosa fora do poder, dizia ser tão diferente, até que as ambições desta gente foram bem redimensionadas pra baixo.
Mas vamos prosseguir.
Este apagão não é o fim do mundo, como muitos pensaram, e nem campanha viral pro lançamento do filme 2012. Além daqui do Brasil mesmo, apagões gigantescos já aconteceram mundo afora e nem por isso os países que os sofreram são melhores ou piores do que algum outro.
Tirando os regimes "socialistas" apreciados pelos intelectualóides, pelegos e vagabundos ditos de "esquerda" como os de Cuba ou Venezuela, cortes de energia e limitações ao tempo de banho do cidadão são coisas raras e inusitadas.
O que mais chama a atenção neste apagão de 2009 no Brasil é a total falta de preparo do governo para lidar com situações assim. Não existe um sistema eficiente de detecção dos problemas, não existem linhas de comunicação com a população que possam simplesmente dizer "está acontecendo isso, por causa disso" e, o mais gritante, não temos nenhum "Plano B".
Caso o conserto deste problema durasse, digamos, 2 dias, seriam dois dias inteiros sem energia nas regiões afetadas, porque a despeito de pagarmos o tal "seguro apagão" compulsoriamente nas contas de luz e a despeito dos milhões e milhões gastos na construção de caras usinas termo-elétricas, não existe um "backup".
Isso demonstra o país virtual e de improviso, o país da propaganda ufanista mistificadora que é construido pelo PT há 8 anos.
Comemoramos o direito de sediar uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada como se nossas cidades não fossem caóticas, favelizadas, sujas, poluídas e violentas.
Estamos prestes a distribuir "Bolsa Cinema" e "Bolsa Celular", enquanto boa parte da população vive em favelas, dominadas por bandidos e agredindo o meio ambiente e a paisagem com suas ocupações irregulares.
A candidata oficial, já inclusive em plena campanha ao arrepio completo das leis, dizia em outubro que o Brasil estava "a salvo de um novo apagão elétrico".
O mega-apagão de Novembro mostrou o apreço que a ministra e o governo tem pela verdade.
Assim como as obras do PAC, inauguradas no papel e paralizadas em sua grande maioria.
Assim como nossa infra-estrutura caótica. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro é um belo exemplo. Em 2007 passou por uma reforma que dispendeu milhões. Hoje está sucateado e necessitando de mais uma reforma.
O Maracanã, estádio que receberá a final da Copa de 2016, já foi reformado umas 2 ou 3 vezes nos últimos anos. Será fechado para mais uma reforma milionária em Dezembro.
Tudo que se apresenta como cara e difícil "solução definitiva", mostra-se uma bela gambiarra provisória no final das contas.
É bolsa isso, é bolsa aquilo. Pintam-se barracos de favelas, distribuem geladeiras para as camadas mais pobres. Doam-se mimos para servir como "cala a boca" para a população e enquanto isso todo um país jaz por fazer.
A economia melhorou? Sim. Fruto de uma política de estado de longo prazo que é baseada no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e uma maior disciplina fiscal.
Se o PT tem um mérito nestes seus 8 anos de reinado, é o de não ter feito o que prometia quando era oposição e deixar a política econômica intocada.
Um novo presidente, que possa dar um passo adiante dos avanços que o país viu nestes últimos anos é necessário. Mais PT será mais mensalão, mais Sarney, mais fisiologismo, mais "toma lá, dá cá", mais desvios éticos relativizados por um discurso ufanista-mistificador.
Esse país do faz-de-conta precisa tornar-se um país real e para isso precisa se desvincular da imagem e do projeto personalista de um presidente que pensa que o Brasil é o PT, seu feudo intocável.
Um novo presidente não seria louco de mudar tudo, mexer no que funciona, assim como o PT não teve coragem de cumprir o que prometia e não deu o famoso calote no FMI, não mudou o regime de metas de inflação, a política monetária e nem os fundamentos que ajudaram o país a sair da crise financeira que assolou o mundo em 2008. Ninguém quer voltar ao passado.
Este apagão jogou uma luz sobre o Brasil e ela mostra claramente que não é hora de mudar tudo e nem de retroceder, mas de dar um passo adiante, mantendo o que está dando certo até aqui.
Que tenhamos a coragem de faze-lo.
Os petralhas prontamente dirão que também houve um apagão durante o governo de FHC, na sua eterna psicose comparativa, que teima em se achar menos sujo só porque o outro é mal-lavado.
Entendam: eu não gostei do governo FHC, não quero aquilo de volta, mas isso não quer dizer que eu também deseje que o petralhismo se torne uma nova monarquia pelega.
Petralhas pensam assim: se eles patrocinaram um esquema de compra de votos de milhões, não tem problema, afinal o Azeredo também fez um. Se eles se aliam ao Collor e ao Sarney, tudo bem, afinal FHC foi aliado de Antônio Carlos Magalhães e por aí vai.
Pra quem, quando fazia uma oposição raivosa fora do poder, dizia ser tão diferente, até que as ambições desta gente foram bem redimensionadas pra baixo.
Mas vamos prosseguir.
Este apagão não é o fim do mundo, como muitos pensaram, e nem campanha viral pro lançamento do filme 2012. Além daqui do Brasil mesmo, apagões gigantescos já aconteceram mundo afora e nem por isso os países que os sofreram são melhores ou piores do que algum outro.
Tirando os regimes "socialistas" apreciados pelos intelectualóides, pelegos e vagabundos ditos de "esquerda" como os de Cuba ou Venezuela, cortes de energia e limitações ao tempo de banho do cidadão são coisas raras e inusitadas.
O que mais chama a atenção neste apagão de 2009 no Brasil é a total falta de preparo do governo para lidar com situações assim. Não existe um sistema eficiente de detecção dos problemas, não existem linhas de comunicação com a população que possam simplesmente dizer "está acontecendo isso, por causa disso" e, o mais gritante, não temos nenhum "Plano B".
Caso o conserto deste problema durasse, digamos, 2 dias, seriam dois dias inteiros sem energia nas regiões afetadas, porque a despeito de pagarmos o tal "seguro apagão" compulsoriamente nas contas de luz e a despeito dos milhões e milhões gastos na construção de caras usinas termo-elétricas, não existe um "backup".
Isso demonstra o país virtual e de improviso, o país da propaganda ufanista mistificadora que é construido pelo PT há 8 anos.
Comemoramos o direito de sediar uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada como se nossas cidades não fossem caóticas, favelizadas, sujas, poluídas e violentas.
Estamos prestes a distribuir "Bolsa Cinema" e "Bolsa Celular", enquanto boa parte da população vive em favelas, dominadas por bandidos e agredindo o meio ambiente e a paisagem com suas ocupações irregulares.
A candidata oficial, já inclusive em plena campanha ao arrepio completo das leis, dizia em outubro que o Brasil estava "a salvo de um novo apagão elétrico".
O mega-apagão de Novembro mostrou o apreço que a ministra e o governo tem pela verdade.
Assim como as obras do PAC, inauguradas no papel e paralizadas em sua grande maioria.
Assim como nossa infra-estrutura caótica. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro é um belo exemplo. Em 2007 passou por uma reforma que dispendeu milhões. Hoje está sucateado e necessitando de mais uma reforma.
O Maracanã, estádio que receberá a final da Copa de 2016, já foi reformado umas 2 ou 3 vezes nos últimos anos. Será fechado para mais uma reforma milionária em Dezembro.
Tudo que se apresenta como cara e difícil "solução definitiva", mostra-se uma bela gambiarra provisória no final das contas.
É bolsa isso, é bolsa aquilo. Pintam-se barracos de favelas, distribuem geladeiras para as camadas mais pobres. Doam-se mimos para servir como "cala a boca" para a população e enquanto isso todo um país jaz por fazer.
A economia melhorou? Sim. Fruto de uma política de estado de longo prazo que é baseada no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e uma maior disciplina fiscal.
Se o PT tem um mérito nestes seus 8 anos de reinado, é o de não ter feito o que prometia quando era oposição e deixar a política econômica intocada.
Um novo presidente, que possa dar um passo adiante dos avanços que o país viu nestes últimos anos é necessário. Mais PT será mais mensalão, mais Sarney, mais fisiologismo, mais "toma lá, dá cá", mais desvios éticos relativizados por um discurso ufanista-mistificador.
Esse país do faz-de-conta precisa tornar-se um país real e para isso precisa se desvincular da imagem e do projeto personalista de um presidente que pensa que o Brasil é o PT, seu feudo intocável.
Um novo presidente não seria louco de mudar tudo, mexer no que funciona, assim como o PT não teve coragem de cumprir o que prometia e não deu o famoso calote no FMI, não mudou o regime de metas de inflação, a política monetária e nem os fundamentos que ajudaram o país a sair da crise financeira que assolou o mundo em 2008. Ninguém quer voltar ao passado.
Este apagão jogou uma luz sobre o Brasil e ela mostra claramente que não é hora de mudar tudo e nem de retroceder, mas de dar um passo adiante, mantendo o que está dando certo até aqui.
Que tenhamos a coragem de faze-lo.
O Brasil é um país paralelo
Postado em 16 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
O brasileiro tem em si a mania da cópia.
Não tanto quanto os chineses, que copiam produtos do mundo inteiro para vender mais barato ou os paraguaios que vendem tudo igual ao original, pero no mucho.
Nossas cópias são menos tecnológicas e mais psicológicas. Adoramos uma versão brasileira de tudo.
A Legião Urbana é até hoje aclamada por muitos como "Os Smiths brasileiros", Roberto Carlos é nossa versão cambeta e brega do Elvis, o Jô Soares é o David Letterman cover. Arnaldo Baptista é o nosso Syd Barrett, São Paulo nossa Nova Iorque, Xuxa é a nossa Xuxa mesmo e por aí vai.
Poderia passar o dia aqui citando todas as versões brasileiras que existem pra quase tudo, mas elas são apenas o sintoma desse mal que nos aflige: parece que não nos bastamos.
A nova obsessão por aqui é encontrar aquele que seria o "Obama brasileiro". Já tentaram que fosse a Marina Silva, ainda tentarão com outros até a eleição. Parece uma necessidade de criar uma dimensão paralela aonde tudo tem que levar um carimbo verde e amarelo, pendurar um abacaxi na cabeça e copiar o que já existe.
O que falta realmente é um Brasil do Brasil. Acho que tirando o Chacrinha e as jabuticabas, pouca cousa que já fizemos por aqui não é uma cópia de algo que venha de fora.
Nada contra imitar quem é bem sucedido, não me entendam mal! Prefiro 200 cópias nacionais dos Smiths do que uma Tati Quebra-Barraco original.
Mas vejam vocês que estamos pleiteando a organização de uma Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. O Rio e o Brasil tem problemas e pragas urbanas de fazerem inveja a Calcutá, mas a maior preocupação dos nossos governantes é "impressionar as delegações estrangeiras".
Dão a entender que precisamos urgentemente fazer uma Londres brasileira no Rio de Janeiro para receber os gringos, ou uma Miami brasileira(se bem de que essa já tem uma, na Barra), uma Tokio brasileira, uma Viena brasileira.
Os serviços de transporte, a pavimentação das ruas, o mobiliário urbano, o cuidado com as praças e demais espaços públicos, tudo terá que ser melhorado às pressas para receber os visitantes.
Percebem aí a ironia da coisa? Nós, que moramos aqui, que bancamos a festa toda, nós, os brasileiros brasileiros, podemos conviver com qualquer coisa. Ônibus caindo aos pedaços, trânsito caótico, vans, flanelinhas, ruas esburacadas, praças mal cuidadas.
O Brasil brasileiro feito pro brasileiro brasileiro é totalmente do "Paraguai". O Brasil bom, aquele Brasil feito pros visitantes, este é literalmente pra inglês ver, o brasileiro brasileiro só comparece com o seu dinheiro pra financia-lo.
E aí ao brasileiro brasileiro só resta torcer para que algo mais do que maquiagem que se vai com a primeira chuva do verão sobre para ele do que for feito. Que não somente joguem perfume em rios poluidos, recolham mendigos e escondam embaixo do tapete, pintem barracos de favela com cal, façam um rodízio de automóveis pro trânsito não incomodar a ilustre população flutuante dos Jogos Olímpicos.
Esperemos que o brasileiro brasileiro mereça também um pouco de "mimo" e que não roubem até as lâmpadas dos estádios e arenas ao final das competições.
Senão, assim que acaba a festa do Brasil dos visitantes, sobra pro cidadão o Brasil brasileiro de sempre, e voltam os mendigos, o lixo, as vans, o caos, enfim, tudo aquilo que o governo brasileiro acha que o brasileiro brasileiro merece, mas o estrangeiro não.
Não tanto quanto os chineses, que copiam produtos do mundo inteiro para vender mais barato ou os paraguaios que vendem tudo igual ao original, pero no mucho.
Nossas cópias são menos tecnológicas e mais psicológicas. Adoramos uma versão brasileira de tudo.
A Legião Urbana é até hoje aclamada por muitos como "Os Smiths brasileiros", Roberto Carlos é nossa versão cambeta e brega do Elvis, o Jô Soares é o David Letterman cover. Arnaldo Baptista é o nosso Syd Barrett, São Paulo nossa Nova Iorque, Xuxa é a nossa Xuxa mesmo e por aí vai.
Poderia passar o dia aqui citando todas as versões brasileiras que existem pra quase tudo, mas elas são apenas o sintoma desse mal que nos aflige: parece que não nos bastamos.
A nova obsessão por aqui é encontrar aquele que seria o "Obama brasileiro". Já tentaram que fosse a Marina Silva, ainda tentarão com outros até a eleição. Parece uma necessidade de criar uma dimensão paralela aonde tudo tem que levar um carimbo verde e amarelo, pendurar um abacaxi na cabeça e copiar o que já existe.
O que falta realmente é um Brasil do Brasil. Acho que tirando o Chacrinha e as jabuticabas, pouca cousa que já fizemos por aqui não é uma cópia de algo que venha de fora.
Nada contra imitar quem é bem sucedido, não me entendam mal! Prefiro 200 cópias nacionais dos Smiths do que uma Tati Quebra-Barraco original.
Mas vejam vocês que estamos pleiteando a organização de uma Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. O Rio e o Brasil tem problemas e pragas urbanas de fazerem inveja a Calcutá, mas a maior preocupação dos nossos governantes é "impressionar as delegações estrangeiras".
Dão a entender que precisamos urgentemente fazer uma Londres brasileira no Rio de Janeiro para receber os gringos, ou uma Miami brasileira(se bem de que essa já tem uma, na Barra), uma Tokio brasileira, uma Viena brasileira.
Os serviços de transporte, a pavimentação das ruas, o mobiliário urbano, o cuidado com as praças e demais espaços públicos, tudo terá que ser melhorado às pressas para receber os visitantes.
Percebem aí a ironia da coisa? Nós, que moramos aqui, que bancamos a festa toda, nós, os brasileiros brasileiros, podemos conviver com qualquer coisa. Ônibus caindo aos pedaços, trânsito caótico, vans, flanelinhas, ruas esburacadas, praças mal cuidadas.
O Brasil brasileiro feito pro brasileiro brasileiro é totalmente do "Paraguai". O Brasil bom, aquele Brasil feito pros visitantes, este é literalmente pra inglês ver, o brasileiro brasileiro só comparece com o seu dinheiro pra financia-lo.
E aí ao brasileiro brasileiro só resta torcer para que algo mais do que maquiagem que se vai com a primeira chuva do verão sobre para ele do que for feito. Que não somente joguem perfume em rios poluidos, recolham mendigos e escondam embaixo do tapete, pintem barracos de favela com cal, façam um rodízio de automóveis pro trânsito não incomodar a ilustre população flutuante dos Jogos Olímpicos.
Esperemos que o brasileiro brasileiro mereça também um pouco de "mimo" e que não roubem até as lâmpadas dos estádios e arenas ao final das competições.
Senão, assim que acaba a festa do Brasil dos visitantes, sobra pro cidadão o Brasil brasileiro de sempre, e voltam os mendigos, o lixo, as vans, o caos, enfim, tudo aquilo que o governo brasileiro acha que o brasileiro brasileiro merece, mas o estrangeiro não.
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