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Já fui a Nova York, claro, mas sou mais assim, de esquerda

Postado em 13 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Um fenômeno estranho acontece com seres humanos, não sei se em todo o mundo, mas em boa parte do mundo que eu conheço, que é a nostalgia de coisas que passaram e, algumas, até de um período que o próprio nostálgico nem viveu, mas "sabe" que era muito bom.

Em "Meia Noite em Paris", o Woody Allen fala sobre isso muito bem. O protagonista é um roteirista que se lamenta por não ter vivido na capital da França durante os anos 20, considerados por ele como a "era de ouro". Só que quando finalmente conhece uma estudante de moda que viveu nesse período (não pergunte como, veja o filme), ele descobre que, para ela, a "era de ouro" não estava nos anos 20, período que considerava "chato e sem criatividade", e sim na Belle Époque.

Cada um nostálgico daquilo que não viveu.

Tudo isso não faz muito bem, afinal, não devemos desprezar tanto o tempo em que vivemos, ainda que eles sejam muitas vezes desprezíveis.

Mas até aqui só falei de arte, da Belle Époque, da Paris de artistas e filmes. O que dizer então de pessoas que sentem nostalgia por Gulags, expurgos, guerrilheiros e ditadores barbados fazendo discursos de 8 horas?

Nunca entendi muito bem o esquerdista de butique. Na verdade até entendo, mas confesso que não engulo muito.

Todos preocupados com a justiça social, com o direito à propriedade de quem invadiu terrenos em favelas, com os quilombolas, os oprimidos, os discriminados e, claro, o aquecimento global.

Nada contra acabar com a fome do mundo, diminuir desigualdades, respeitar diferenças, blá blá blá.

Mas esse pessoal  é o mesmo que dá um chilique se ouve uma piada que considera "racista" ou "homofóbica" mas declara em pleno almoço de domingo que adoraria ver "Bush e toda a sua família serem mortos numa jaula de javalis".

É um povo intelectualizado mas que prefere ler uns resumos na Super Interessante do que se debruçar sobre um livro, senão pode faltar tempo pra ir beber um ice na loja de conveniência com a turma do condomínio.


Curtem uma sandália de couro, um forró pé de serra e são completamente "de raiz", tudo pra justificar o hábito de fumar um baseadinho de vez em quando, já que a maioria só pisou no Nordeste quando foi num resort em Porto de Galinhas ou no Carnaval em Porto Seguro.

São comunistas roxos, possuem toda a obra de Marx pronta para ler no iPad, mas ainda não conseguiram passar da primeira linha, porque preferem usar o tablet pra ver os episódios antigos de Gossip Girl.

Admiram Cuba e fazem questão de repetir para qualquer um que ouse chamar o regime castrista de ditadura que "não existem crianças de rua e nem analfabetos" na ilha. Esquecem do resto, mas o que é o "resto" para alguém que acha Che Guevara um herói, ainda que ele executasse pessoas por motivos tão sérios quanto roubar um pedaço de pão?

É um pessoal assim, meio de esquerda, pero no mucho sabe? Eles não chamariam o moleque de rua que eles defendem quando rouba o dinheiro de uma aposentada para tomar banho na piscina da casa deles, por exemplo.

E entre um período em Miami (o mais perto que já chegaram de Havana) e uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para combater doenças na Somália, eles não hesitam em levar seu espírito revolucionário ao encontro do Mickey Mouse, com um pulinho para compras em Nova York se possível.

Já estudaram fora, moram em bons bairros, possuem todos os bens de consumo que o dinheiro pode comprar, falam inglês, francês e quando resolvem entrar pro mercado de trabalho, arrumam logo uma bolsa do governo ou um trabalho numa ONG, mas no entanto detestam elite e chamam todo mundo de "burguês".

Sua vontade de mudar o mundo é tanta, que não hesitam em participar de eventos do Facebook e de campanhas pelo Twitter. E sentem que o mundo capitalista treme nas bases quando lê coisas como:

"Ianques go home! Morte à #Burguesia! Proletários: uni-vos! - 

Prazer, esse sou eu

Postado em 23 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Na internet a aparência vale mais do que em qualquer outro lugar.

Quem nunca perdeu um tempinho passeando por perfis do Facebook? Ali todo mundo é magnata, aventureiro, playboy internacional, piloto de avião, maratonista, mergulhador. Incrível como você só vê foto na Europa, no alto de montanhas, no fundo de um mar azul digno de Piratas do Caribe, dentro de carrões, taças de champanhe na mão, um verdadeiro tapete vermelho do Oscar.

Facebook não é rede social, é coluna social, é ostentação.

Mas fora dali o cuidado parece não ser o mesmo.

A mesma curiosidade que te leva a parar na estrada para olhar um cachorro atropelado, me faz passear por perfis do Orkut e outras redes sociais olhando as fotos que as pessoas escolhem para representá-las.

Sim, porque na internet você é aquela imagem mostrada num avatar. É uma redução de toda a sua história pessoal mas é assim que funciona.

E justamente por contarmos com tão pouco para nos definir, é que fico espantado com o pouco caso que alguns fazem de si mesmos. Imagine isso: você está andando calmamente numa calçada, um louco de óculos escuros e um celular na mão vira pra você e, num português cheio de sotaque, diz:

- Sou empresário da Angelina Jolie e ela quer jantar com um brasileiro hoje, para conhecer melhor os nativos, tome esse e-mail e envie uma foto sua que se ela gostar você será convidado.


Esqueça a impossibilidade disso acontecer realmente, concentre-se apenas na oportunidade fictícia que apresentei e me responda: você enviaria uma foto com um abadá de micareta, um copinho de cerveja em uma das mãos, o suvaco suado aparecendo, uma cara de babaca e a outra mão fazendo um "hang loose"?

Se você for mulher e a mesma situação acontecesse com o empresário do Brad Pitt, você tentaria colocar um chifre na Jolie enviando uma foto sua num rodízio de pizzas, fazendo um sorriso idiota, levantando o prato e apontando um dedo para uma fatia de pizza como quem diz "Olha! Uma calabresa!"?

Creio que não, afinal, você não é palerma, mas parece que tem gente que acha isso uma boa idéia para colocar num perfil do Orkut, do Twitter, do Blogger ou mesmo do papogostoso.net, que te garante arrumar um namorado em 5 dias mas provavelmente tem alguma cláusula se eximindo de responsabilidade sobre pessoas com fotos escrotas.

É um arsenal infindável de situações medonhas que, sabe-se lá porque, tem gente que acha super legal colocar na internet.

Tipo mãozinha no joelho e pose de dançarina de funk, um close do rosto com a boca semi-aberta em pose supostamente sexy e uma língua para fora, meio de lado, piscina da tia com água verde estilo enchente no Tietê, foto na frente daquele iate que você viu em Angra e que todo mundo sabe que não é seu, cangas de praia imitando véus árabes e a clássica: aquela com cabelo de chapinha estilo Glamour Photo Studio do dia em que você foi dama de honra da sua prima.

Homens não ficam atrás. Além do já mencionado "micareteiro bozo", tem aquelas poses fazendo muque de Popeye; mostrando latinhas de Red Bull ou fazendo pose de rapper americano.

Você pode estar se perguntando "mas o que ele tem a ver com isso?", bem, não tenho nada a ver com isso. Mas daqui eu também fico me perguntando: se uma única foto vai nos representar na internet e praticamente dizer algo como "prazer, esse sou eu", o que leva alguém a colocar ali uma imagem que inspire nos outros reações semelhantes àquele vídeo "Two Girls One Cup" ?

Porque produzir provas contra si mesmo e fazer os outros pensarem "nossa, mas que merda" ao ver uma foto nossa?

É um caso a se pensar...ou não.

Pescado nas redes sociais

Postado em 1 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Lembro bem quando conheci o Orkut: um belo dia, uma amiga vira pra mim e diz "olha só esse link". Minha primeira dúvida foi: pra que serve isso? Mais ou menos como no dia em que me apresentaram o Twitter.

Mas não demorou muito pra que eu fosse engolfado por aquele tsunami de amigos de infância, ex-namoradas, primos que mudaram do país, todas as turmas de todos os colégios que eu já frequentei. Era o paraíso de qualquer stalker, os álbuns ainda não tinham opção de privacidade e todo mundo lia os recados de todo mundo, ou seja, em coisa de 12 horas você sabia até os horários em que a pessoa ia ao banheiro.

Pude ver ainda como as meninas da minha turma viraram mães de família iguais às que as iam buscar na porta do colégio e como só quem não ficou igual a mãe foi a filha da professora de Educação Física, que era gostosíssima. Um monte de namoros começaram ali. Alguns pares de cornos também podem ser creditados ao Orkut.

Mas confesso que até hoje não ficou bem clara a sua função, já que todo mundo que você "perdeu contato" talvez não fosse tão útil ou importante assim no sentido da sua vida, do contrário você não teria perdido contato. Como não creio que participar de comunidades como "Olho o cocô antes de dar descarga" ou "Vou, vomito e volto" possa ser considerado como utilidade, concluo que o Orkut era (é) inútil mesmo.

O Facebook e o Twitter vieram para confirmar isso, ainda que com um pouco mais de glamour, já que também não entendo muito onde o destino da humanidade será afetado porque a mãe da @JujuBieber desistiu de fazer brigadeiro ou porque o @MarcioAdv finalmente terminou de digitar sua petição.


Correndo por fora tem o Badoo (que manda 20 mensagens de Spam por dia, ficando bem claro porque seu nome rima com "vai tomar no..."), o My Space(que anda meio esquecido) o LinkedIn, que é uma espécie de entrevista de emprego misturada com site de encontros (ou vice-versa) e outras menos concorridas e com nomes esquisitos.

Seja qual for a sua rede social, a verdade é que isso vicia mais do que álcool e cocaína juntos. Em "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley criou uma droga chamada "soma", que mantinha todo mundo meio em transe, meio doidão. As redes sociais parecem ser o nosso "soma".

Basta olhar em volta e entender isso. Muita gente não as usa mais para documentar a vida e sim usa a vida para criar assunto para documentar nelas.

Todo mundo precisa ser meio chique, meio engraçadinho, meio despojado. O tempo todo.

Seja no supermercado, indo comprar margarina mas tirando foto na sessão de vinhos importados pra colocar no álbum do Facebook, ou diante de uma colisão entre uma betoneira e um caminhão pipa, tentando inventar correndo uma piada sobre o acidente para postar no Twitter - "Acidente na Rio-Santos, betoneira e caminhão pipa: concreto de graça pra todo mundo! - chega uma hora que o sujeito necessita uma desintoxicação.

Não digo algo radical demais, como viajar para uma ilha deserta e ficar ali isolado igual o Tom Hanks no "Náufrago", mas talvez tentar encontrar com os amigos sem falar em computador ou incluir na conversa qualquer uma das seguintes palavras: "You Tube", "baixar", "internet", "comunidade", "link", "tuitada", "msn" e "email".

O problema é não te sobrar muito assunto ou muitos amigos depois disso, ou então você terminar a experiência sofrendo de delirium tremens, correndo pelado por aí e parando num desses sites de vídeos caseiros, estilo "Caiu na Net".

Che Guevara da Radio Shack

Postado em 28 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

A última causa dos revolucionários do monitor LCD é a briga por um "preço justo" das coisas.

O manifesto do tal movimento diz que "se a geração Coca-Cola esperava uma oportunidade para começar a se unir, ela chegou agora". Eles talvez esqueçam que estão um pouco atrasados, pois o que o Renato Russo chamava de Geração Coca-Cola viveu lá pelos anos 80 e hoje é composta por senhores de meia idade.

Mas até aí tudo bem, quem nunca quis fazer parte dos Anos Dourados, dos Anos Rebeldes ou dos Anos 80?

O que importa é o objetivo da ação, e o foco do movimento pelo "preço justo" são os impostos leoninos que o governo cobra (verdade), os serviços de nível paquistanês que oferece (outra verdade), o gigantesco grau de corrupção do país (mais uma verdade), os salários baixos do brasileiro (e tome verdades) e os preços exorbitantes do iPad (pera aí, como é que é?).

Sim, o preço do iPad, iPhone, iPod, etc, etc. Antes que você me pergunte, não, não acho que isso seja patrocinado pela Apple, mas vamos em frente.

O escolhido para ser "garoto-propaganda" da iniciativa foi o vlogueiro Felipe Neto, que é uma espécie de babaca de estimação da turma do Twitter. Se você der uma pesquisada será fácil descobrir quem é a figura, mas se quiser um resumo aí vai: ele é mais ou menos como aquele garoto do seu prédio-escola-academia que acha que sabe mais do que realmente sabe e que tem como grande talento um penteado diferente e saber falar "Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose" arrotando.

Só que ao invés de arrotar no playground ele fez isso na internet, uma agência caça-talentos (tipo essas que fazem vestibular pra Big Brother) o caçou, ele teve milhões de visitas no YouTube falando mal do Restart, do Fiuk, da saga Crepúsculo, de modinhas e finalmente conseguiu um programa numa TV a cabo onde aparece vestido de frango.

Mas deixando de lado minha simpatia pelo Felipe Neto, eu acho que os impostos no Brasil são realmente enormes, que a corrupção é insuportável, que os serviços públicos são dignos de um navio negreiro (posso dizer isso sem me chamarem de racista?), que os salários são uma vergonha e que o preço de tudo é exorbitantemente alto.

Basta ver que os de bens de consumo e alimentos quase no mundo inteiro são mais baratos do que no Brasil, com exceção do Guaraná Jesus, da jaboticaba e do berimbau. Um automóvel que nos EUA custa 27 mil reais aqui sai por 62 mil. Tudo por conta de impostos. Cobrados por esse poder público que nós temos.

Ora, se eu mesmo concordo com isso tudo porque então estou ensaiando uma crítica ao movimento? Só porque tenho inveja do sucesso e do par de óculos escuros do Felipe Neto? Porque desejo o lugar dele? Ou porque adoraria ter meu belo rosto estampado em pontos de ônibus anunciando cursinhos de inglês?


Bem, daqui do meu grotão da internet, falando pra meia dúzia de três ou quatro, isso é irrelevante, pra usar a palavra que a meritocracia internética adora. O que eu digo pouco importa para alguém além de mim mesmo e mais um ou outro que me acompanhe. Por isso, sério, esqueça essa suposição.

Mas o que seria então? Teria me convertido num esquerdista de boutique, desses que usam camiseta da Cavalera com a foice e o martelo e quero criticar as ambições pequeno-burguesas de quem deseja possuir um tablet ao invés de se preocupar com o preço da chã de dentro?

Não. Acho que cinema, DVD, aparelhos eletrônicos e toda a futilidade do mundo é muito mais salutar do que comer feijão com farinha e ir pra fila do posto de saúde curar a barriga d'água dos filhos. Sou capitalista, liberal, consumista assumido (pena que minha conta bancária não me acompanhe nessa) e acho que a burguesia fede, mas usa perfume francês e fica tudo certo.

A melhor coisa que poderia acontecer ao "povão" seria deixar de ser povão. Por isso, sim, iPads para todos!

Só que (eu não ia escrever isso tudo só pra concordar no final, né?) já existem iniciativas no sentido de cobrar uma diminuição da carga tributária por aí.

Tem o Impostômetro (até citado no manifesto do Preço Justo) , o Dia sem Imposto e até mesmo essa turma mais "nerd" já faz algo parecido, que é o Jogo Justo. Enfim, o que não falta é gente falando do assunto.

Porque então não se unir a algo que já existe, não engrossar fileiras do que já está em campo? Simples: promoção.

Até mesmo um observador desatento vai perceber que o site do Preço Justo está hospedado num portal maior, o Brasil 247, que lançou uma revista para...iPad! Você sabia o que era o Brasil 247 até agora? Nem eu. Descobri por causa do Preço Justo. Faça as contas.

Para o Felipe Neto também não foi nada mal, pois ele andava meio sem assunto, afinal de contas iria falar mal do que agora para gerar buzz? Das ararinhas do Rio? E é claro que é muito melhor para a imagem estar associado à luta contra os impostos do que à alergia que o Robert Pattinson, ídolo das adolescentes que adoram aquele vampiro fashion week do Crepúsculo, tem das partes íntimas femininas.

Revolucionário de internet quer é usar uma tag no Twitter, colocar uma mensagem na foto do perfil e ir fazer suas compras na Apple Store em paz. Ninguém está muito interessado em fazer nada de verdade, o que vale é a falação que isso origina.

Portanto, nada contra uma luta por menos impostos no Brasil, mas tudo contra essa discussão séria virar objeto de promoção de A, B ou C. Que os Che Guevaras da Radio Shack queiram entrar na conversa é muito bom, é excelente, mas que tal fazerem isso seriamente? Essa é uma causa justa, não precisa de ninguém pendurado nela só querendo aparecer.

Tag no Twitter, petição online e um media whore como garoto propaganda, bem, isso é que não faz o menor sentido.

O seu "Show de Truman"

Postado em 14 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Quando Jim Carey estrelou o famoso filme "Show de Truman", a internet já existia, mas a explosão das redes sociais ainda estava longe de acontecer. Por isso, todo mundo achava um absurdo aquela realidade retratada, na qual um indivíduo era monitorado por câmeras, mantido num ambiente fabricado e observado por todo o mundo.

Óbvio que a realidade imita a ficção mas não é uma cópia fiel desta, e não seria diferente neste caso. Ninguém vive numa bolha, com atores no lugar da esposa e da família (se bem de que tem famílias por aí que mereciam um Oscar), num cenário totalmente artificial.

Mas nos aproximamos bem disso. Por onde vamos, existem câmeras tomando conta de tudo o que fazemos, a internet móvel conectou o mundo inteiro de uma forma como jamais aconteceu, a moderna tecnologia facilitou mais você ter um amigo em Tóquio do que no andar debaixo (ainda mais porque em Tóquio você não sente o desodorante vencido do cara e ele tem como te pedir dinheiro emprestado).

Quanto à invasão de privacidade mostrada no filme, bem, essa nós mesmos nos encarregamos de proporcionar.

É o maior barato comprar um computador novo, viajar para a Europa, trocar de carro, ir pro motel com a namorada, mas é realmente necessário que tudo isso não seja apenas contado, mas relatado nos mínimos detalhes via Twitter, Blogs e outras ferramentas?

O pior é alguém mandar uma mensagem assim "indo comer pizza no centro de Milão, um abraço para os que vão almoçar no quilo aí no Centro do Rio" e depois ainda dizer "só estava falando de uma pizza, não sei porque disseram que eu queria me mostrar...".


Ora, não sabe mesmo? Vamos combinar que uma das melhores partes do sucesso é poder esfregá-lo na cara dos outros, mas não sejamos fingidos a ponto de dizer que isso nem passa pela nossa cabeça. Passa sim.

Estou em Milão, consegui chegar aqui, vou comer uma prosaica pizza e vou esfregar isso na cara de todo mundo que vai pra um restaurante de balança na hora do almoço, antes de voltar pra ralação.

E isso vale para um carro zero, para o seu iPad, para as fotos da sua namorada gostosa que sabe-se lá porque resolveu te dar mole, para sua coleção de bonecos Playmobil, para sua nova Harley Davidson.

Quer esfregar isso na cara dos seus seguidores no Twitter e amigos do Orkut/Facebook? Faça.

Um dia é da caça, outro do caçador, mas não diga que não está fazendo isso, porque você deixa de ser alguém que está exercendo seu sagrado direito de tirar onda com a cara dos outros e passa a ser apenas um babaca encharcado de falsa humildade.

Até as furadas e situações onde a pessoa literalmente toma no rabo são, de alguma forma, transformadas em experiências de sutil glamour.

Não adianta, na internet todo mundo enfeita. É igual levar um tombo na frente dos outros. Você levanta dali dizendo que nem doeu, que está tudo bem, até brinca com a situação e depois se tranca no banheiro, xinga, fala todos os "ais" que não falou na hora e finalmente pode perder a pose.

Tem quem adore compartilhar minimalismos da sua vida e transforme até o ato de tomar um cafezinho numa crônica da vida diária. É a tal "metafísica do cotidiano" de Drummond reduzida, tal qual um molho, a 140 caracteres e diminuída com muito miguxês.

Confesso que já fui assim - mas só em parte, porque nem tenho tanta coisa pra tirar onda - mas resolvi parar, porque de gente tomando conta da minha vida já bastam os porteiros do meu prédio.

Por favor, olhe pra mim, eu tenho mamilos

Postado em 11 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Todo mundo tem mamilos. Algumas pessoas possuem até três ou quatro, um excedente que precisa ser removido no cirurgião plástico.

Todo mundo também nasceu nu, depois é que chega alguém, nos cobre e dá início a toda uma indústria do erotismo baseada simplesmente em devolver-nos à nossa condição básica que é a de sermos pelados.

No entanto, mesmo sabendo disso, a falta de um acesso mais universalizado à putaria - ou seja, os tempos pré-internet - mobilizou milhões de dólares em revistas, fotonovelas e filmes do Buttmann, escondidos num canto proscrito das locadoras de vídeo.

Jamais esquecerei quando eu era moleque, com meus 11 ou 12 anos, como era uma verdadeira aventura comprar as edições da Playboy ou da Ele&Ela com a Luiza Brunet, Cláudia Egito, Monique Evans ou Vanessa de Oliveira.

Chegava na banca já intimidado por aquele aviso no plástico que envolvia as "revistas de sacanagem": proibida a venda para menores de 18 anos.

Mas o jornaleiro precisava comprar o leite dos filhos, então fazia vista grossa, só que um pequeno tratrinho era necessário:

- Bom dia, me dá um Jornal do Brasil e um Recruta Zero, por favor.

- Claro, aqui está, mais alguma coisa?

- Ah sim, uma Playboy pro meu pai também.

E assim eu ia feliz para casa, folhear e me divertir com aquelas imagens de xoxotas, peitos, coxas e bundas, que depois eram devidamente escondidas no fundo do meu armário, atrás das calças compridas e debaixo da caixa com os gibis do Recruta Zero.

Hoje a coisa melhorou, quer dizer, ficou mais fácil. Um moleque que mal passou dos 8 ou 9 anos dificilmente conseguirá navegar pela internet sem que uma dupla de mamilos ou uma calcinha fio dental pulem em cima dele inesperadamente.

É uma situação tão descontrolada que existem softwares para uma navegação segura, que certamente se tornarão um obstáculo quando o moleque virar um rapazinho de 12 anos.


Existe o Red Tube, o You Porn, o Porn isso, X- aquilo. É um sem número de sites com vídeos variadíssimos, que atendem a quase todos os fetiches que a mente humana consegue criar (e olha que não são poucos).

E ai entra a minha dúvida cruel: o que, além de carência e de uma necessidade quase lancinante de atenção e aprovação (ainda que falsa ou na forma de grunhidos e elogios de punheteiros virtuais) leva uma garota a ficar se expondo em fotos, vídeos no You Tube ou nessas câmeras ao vivo que viraram febre na internet?

Algum moderninho vai me chamar de careta, vai dizer que eu tenho inveja ou então que só falo mal porque nenhuma delas quer me dar alguma coisa, mas vamos ser honestos: baseado puramente no exibicionismo virtual, elas dão alguma coisa real para quem?

Desculpem os avançados, mas sexo virtual pra mim é o mesmo que não fazer sexo. Qualquer atividade que não envolva troca de fluídos e até mesmo o risco de alguma doença venérea pra mim pode ser qualquer coisa, menos sexo.

Ficar vendo o peito de uma garota lá de São Paulo e babando ovo dela como se eu tivesse saído daquele buraco dos mineiros chilenos, simplesmente pelo direito de ver o outro peito, é uma idéia muito estúpida na minha humilde opinião.

Um bom exemplo é no Twitter, onde existe o tal "lingerie day", no qual garotas e caras colocam fotos de calcinha, sutiã e cueca (nem sempre nessa ordem) durante um dia inteiro. Qual o propósito? Esqueça os homens, simplesmente me recuso a emitir opinião sobre machos de cueca, foquemos as meninas.

Nada do que elas mostrarem ali será diferente do que aparece todo dia em páginas de revistas, na novela das oito e até no Programa da Xuxa, pra que então? Carência, necessidade de atenção, urgência por uma bomba de encher pneu de bicicleta acoplada ao ego.

Não nego que um monte de sujeitos chamando de "gostosa", "maravilhosa", entre outras coisas deva fazer bem às frustrações do dia a dia, mas aquelas moças que enfeitavam as Playboys que eu comprava quando era moleque ganhavam muito mais do que elogios em troca da exposição.

Para essa turma das câmeras, dos showzinhos ao vivo e das fotos de calcinha, sobra somente a invasão da privacidade (às vezes em níveis comparáveis a um exame ginecológico) e a fama de "putinha da internet".

Sim, rotulo mesmo, porque não vai ser a inteligência que vai chamar a atenção nessa hora, ainda que muitas delas sejam inteligentes.

Não subestime o poder de um monte de pêlos pubianos. Nenhuma tese de mestrado ou teoria sobre a origem do universo é páreo para eles.

E pros expectadores? Esses ávidos onanistas que fazem de tudo para ver uma nesga de mamilo, uma fatia de virilha, um naco de bunda, como se vivêssemos ainda no tempo das anáguas?

Não sobra nada, no máximo, uma punheta mal batida.

Quem é você por trás do seu avatar?

Postado em 6 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Por trás de cada sacada bem humorada, de cada piadinha cheia de timming, de cada verve irresistível, existe uma alma que deseja apenas um abraço.

Pode ser o aplauso de uma multidão, um texto repassado numa corrente de emails, um elogio no Twitter, mas depois do dinheiro e do poder, o que o ser humano mais adora e persegue loucamente é aprovação.

O tal "reconhecimento" da sociedade que vem na forma de ser considerado um bom vizinho, um colega de trabalho prestativo, um bom samaritano, tudo isso esconde um buraco negro chamado ego.

O problema é que esconde outras coisas também, como psicopatias, carências, frustrações, avarezas, taras, loucuras, manias.

Todo mundo é importante na internet. Duvida disso? Então pense que é difícil achar alguém no Orkut ou no Facebook com menos de 100 "amigos". No Twitter então, ter 500 seguidores é uma baba, quase todo mundo consegue.

Quer dizer, virtualmente seríamos todos vereadores de Varre e Sai, cidadezinha no Rio de Janeiro onde com 173 votos você se elege para a Câmara Municipal.

E não pense que a falta de um poder real ou econômico diminui a importância disso.


Delete um "amigo" do Orkut ou deixe de seguir alguém no Twitter e conheça alguns dos ataques de fúria e mágoa que isso pode originar. Não precisa acreditar em mim, puxe pela memória que certamente você vai lembrar de alguém que te interpelou perguntando algo como "porque você me deletou do seu Orkut?".

A coisa é levada tão a sério que existem aqueles que anunciam que vão deixar de seguir alguém em redes sociais, como uma espécie de comunicado à praça ou fato relevante:

"Vou dar unfollow em Fulano porque ele só fala sobre sua coleção de discos do Wando"

Agora pense rápido: poucas atitudes denotam mais carência do que isso, né? Imagino o sujeito dizendo uma coisa dessas e já rezando para que dali a alguns minutos o Fulano que deixou de ser seguido poste em algum álbum uma foto de joelhos, mãos postas e a legenda: por favor, eu imploro, não deixe de me seguir!

Só que tal qual quem faz a pergunta "posso te pedir alguma coisa?" jamais espera receber como resposta um simples "não", e como alguém que diz "gosto de quem fala a verdade", alguém que anuncia que vai deixar de seguir alguém em uma rede social jamais está preparado para um singelo "foda-se". E isto é um fato.

Negar para alguém a importância que ela jura que tem é o equivalente a um soco no estômago, ou melhor, a um tapa na cara.

E todas aquelas pessoas equilibradas, gente boa, concatenadas e maduras põem-se a falar mal de você, fazer bonecos de vodu e tentar resetar a senha do seu email, Twitter, Facebook e até do Sex Shop.

Tal qual aquele sujeito que vai num Mc Donald's e metralha todos os clientes só porque a atendente serviu uma Coca Zero ao invés da Light, temo pelo futuro da humanidade caso as rejeições virtuais tomem o mesmo caminho.

A moral da história é a seguinte: convém não irritar muita gente por aí, afinal, você nunca sabe se quem está por trás daquele avatar é o Jason, o Freddy ou Jack, o Estripador, que podem inclusive estar num mau dia, depois de terem sido recusados no Beautiful People.

Rent-a-Tweet ou "dou RT por comida"

Postado em 22 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

"Eu quero ganhar a camisa oficial da #LojadoChato2010! Siga a @lojadochato, dê RT e participe. Saiba + www.lojadochato.chato.pra.kct"

Quem sai na chuva, é pra se molhar. Quem entra no Twitter é pra se aporrinhar, várias vezes, por vários motivos. Se já não bastassem os joguinhos, as brincadeiras bobas, as correntes e todo o "conteúto-Orkut" disponível, algumas empresas resolveram que espalhar spam em forma de promoções é a melhor maneira de divulgar seus produtos e serviços.

Começam criando um perfil no Twitter, passam a seguir algumas pessoas e aí iniciam mais ou menos a mesma pática: estabelecer metas de seguidores - "quando atingirmos 10 seguidores sortearemos um chaveiro" - e pedir que as pessoas dêem RT (retweet, ou seja, repassar a mensagem adiante) em promoções esdrúxulas tipo "Dê RT e concorra a um desconto de 5% na compra de uma latinha de Red Bull".

Não sou especialista em redes sociais, em divulgação na internet, viralização e todo esse blablabla que é estudado e debatido em fóruns e congressos, mas entendo um pouco de consumo - já que eu mesmo sou um consumidor - e tenho certeza de que esse tipo de ação promocional só queima o filme da marca.


Primeiro contigo, que não deseja participar dessas chatices e no entanto recebe as mensagens do mesmo jeito, já que em todo grupo de pessoas existem aqueles que se especializam em adotar todo modismo e prática cretina, e fatalmente você seguirá alguma delas no Twitter. 

É o que costumo chamar de "cota do chato", todo mundo precisa reservar 20% das vagas do seu círculo social para eles.

Depois, queima o filme entre os próprios chatos que repassam as mensagens, porque canso de ver alguns reclamando que "dão RT em tudo, mas nunca ganham nada". Uma pena, pois eu acho que todos eles deveriam ganhar um chute no olho.

Não entendo muito esse fetixe por ganhar coisas de graça. Não me leve a mal, é uma delícia chegar num lugar e ser recebido por uma bela mocinha que te presenteia com uma camiseta, um CD, uma caneta ou qualquer outro brinde, mas é algo totalmente diferente você passar os dias em sites de brindes, preenchendo formulários, enviando emails ou dando RT em mensagens no Twitter, tudo isso só pra no final ganhar um chaveiro que você mesmo não compraria nem por R$ 1,00 no camelô da esquina.

Porque acredite: tirando brindes vagabundos e chutes no olho, a chance de você ganhar um iPhone porque participou de uma promoção bizonha na internet é a mesma de ganhar numa loteria. No lugar dessas pessoas, eu particularmente preferiria investir na loteria.

Mas como vivemos num país livre, eu exerço meu direito de bloquear sumariamente qualquer um que me repasse tais promoções e essas pessoas, se quiserem, podem continuar a exercer orgulhosamente o seu papel de mendigos virtuais.

1 ano

Postado em 19 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários

Incrível. É só o que posso dizer um ano depois de ter iniciado este blog. Quem é mais "macaco velho" na blogosfera sabe que blogs não são necessariamente longevos. Li em algum lugar que a maioria não passa de três meses, que logo são abandonados, substituídos por um novo do mesmo dono que dali a outros três meses irá trocar tudo outra vez.

Mas a maioria simplesmente desaparece mesmo, ficando ali para posteridade, como monumento ao que poderia ter sido. Eu já confessei aqui outras vezes que nunca fui leitor de blogs, o que por si só já é uma maluquice completa, visto que terminei virando blogueiro.

Fui trazido de vez para a tal "blogosfera" por conta da minha experiência no Twitter. Senti a necessidade de ter mais espaço para falar o que penso e, não posso mentir, a divulgação e as pessoas que o Twitter trouxe para cá me deram ânimo para continuar. Já havia tentado outras duas vezes mas não mantive regularidade alguma, postando uma, duas, três vezes num mês e nenhuma no mês seguinte.

Dessa vez não, aqui no Contra a Correnteza eu consegui a incrível - desculpem, mas eu acho incrível mesmo - marca de um post por dia, todo dia, durante um ano inteiro. Haja assunto! Mas eu sou assim mesmo, estou conversando sobre uma coisa agora e já pensando em outro assunto ali mais pra frente. Sei que sou dessas pessoas que "falam demais" e isso se reflete na diversidade de temas que abordei aqui nesse ano inteiro.


Não sei ainda se mudo a frequência de posts para três por semana, às segundas, quartas e sextas, até mesmo para não secar a fonte, mas a dúvida é justamente por isso: sei lá eu se essa fonte seca. Tomara que não!

O fato é que se esse não é um blog grande, com visitações estratosféricas ou centenas de comentários por postagem, ele possui bons leitores, que interagem e ajudam a manter tudo acontecendo. Realizei sorteios, fui convidado para participar da equipe do Instituto Millenium, realizei uma parceria muito legal com a MacaShirts, conheci gente que talvez jamais conheceria de outra forma. Melhorei como pessoa, como leitor - já que passei a ler muito mais em busca de assuntos e estilos - e, porque não, como escritor.

Seja política, esporte, cotidiano, sociedade, relacionamentos, reclamações, impressões, consumo, seja para falar do que for, sentar em frente ao computador e desenvolver aqui meu assunto diário se tornou parte da minha vida, um pedaço bom da minha rotina diária.

Rotina que já dura um ano e, espero eu, dure muitos mais.

Finalizando sem falsa modéstia, parabéns para mim. E sem ser mal agradecido, obrigado a cada um de vocês.

O Moedor de Piadas

Postado em 9 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Imagine a melhor piada do mundo. Agora esqueça. Imagine a melhor piada de todo o universo. Não, deixa pra lá. Imagine uma piada que faria até Arthur Schopenhauer gargalhar como um retardado fã do Marcos Mion. Imaginou? Ótimo.

Mas não serve uma daquelas piadas das quais só você ri ou que precisa explicar depois de contá-la, porque não tem nada mais deprimente do que uma pessoa contar uma piada pra você como se fosse uma mensagem espiritual do Costinha e você não achar graça alguma.

O sujeito rir de si mesmo é muito bom, é excelente aliás, prova que não se leva a sério demais - o que o salva de ser um mala e de ter gastrite - mas o sujeito rir das próprias piadas - e pior, só ele rir - é sinal de que chegou em algum grau de senilidade preocupante ou então de que sempre foi um cretino mesmo.

Mas supondo que a sua sacada seja realmente genial, você tem todo o direito de aproveitá-la. Faça o seguinte: conte a piada no Twitter.

Em alguns minutos você ganhará RTs, logo em seguida algum blog de humor tratará de transformá-la em uma representação gráfica - valem fotos, esquemas, diagramas, charges - e talvez até dê o seu devido crédito.

Logo em seguida surgirão memês, estilo "Chuck Norris Facts", será criado algum perfil fake que cuidará de reunir ali toda a ninhada de sub-piadas que surgirão a partir da sua, uma turma vai se reunir para colocar o assunto nos Trending Topics (que carinhosamente considero o Troféu da Baba Bovina) e, cereja do bolo, a história será notícia em alguns portais da internet.

Mas não se anime muito, e acredite: por melhor que seja a sua sacada inicial, imbecis repetindo aquilo ad nauseam, o dia inteiro, sem pausa nem para que alimentem os dois neurônios que possuem - um na cabeça e outro na sola do pé, isso mesmo, são apenas dois e não se conhecem - transformará a sua idéia numa coisa chata, pavorosa, que até você mesmo provavelmente vai se arrepender de ter criado. E nem demora muito, em três dias o processo deve estar concluído.

Exemplos são fartos - não confundir com flatos, apesar de ser merecido o trocadilho - como as piadinhas sobre o Dourado do BBB, Sônia Abrão, "Cala a Boca Galvão", Kaká Bad Boy, Polvo Paul e, o campeão de todos, as piadinhas sobre o Activia.

Infelizmente o excesso de televisão, baboseiras, ídolos enlatados como Justin Bieber, soap-operas que pregam uma espécie de aposentadoria do pensamento, música ruim de rockers EMOcinhas, poucas surras de cinto, entre outras coisas, estão criando uma geração de imbecis, patetas que só prestam para poucas coisas como comer, defecar e teclar bobagens na internet utilizando português ruim.

Eles são a expressão - a materialização mesmo - de sua risadinha virtual favorita, aquela coisa mais ou menos assim: hauiahddhaodshaosjdahaiashs.

E assim o Twitter, queridinho da internet do momento - ainda que o momento já seja bem longo - vira este moedor de piadas, transformando algumas boas idéias em uma chateação, mais ou menos como tentar assistir um filme no período de férias e ter que aturar um bando de adolescentes fazendo barulho na sala de exibição.

Você até tenta ignorar, mas eles são tão aplicados na sua chatice que não permitem.

O ser e o parecer

Postado em 15 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Outro dia estava rodando blogs e perfis do Twitter em busca de assunto, em busca de inspiração. Tem gente que consegue nos dar esse empurrãozinho na criatividade, só com um rostinho bonito na foto ou com alguma frase espirituosa bem colocada.

Mas é raro. É raro porque talento para a escrita é tão difícil de se encontrar quanto para pintar ou compor músicas. A diferença é que, salvo esses semi-analfabetos miguxos, é bem mais fácil simular ou encenar qualidade escrevendo do que pintando ou tocando.

Me entregue um pincel e eu te apresentarei duas horas depois uma casinha daquelas com telhado em "V" invertido mais tosca do que a de uma criança de 7 ou 8 anos. Me empreste um violão e mostrarei todo meu virtuosismo no "Samba de uma nota só".

Entregue uma caneta, lapiseira ou teclado na mão de um embusteiro e em meia hora ele já terá leitores.

E chega a ser incrível a atração que personalidades "densas" exercem sobre um grande contingente de pessoas. Existem mais candidatos a Bukowski do que a Jorginho Guinle por aí, ainda que todos prefiram, se puderem, levar a vida do segundo ao invés do primeiro.

Minha biografia do Twitter traz a palavra "ácido" para me definir. Mas em minha defesa declaro que foi uma grande amiga que a escreveu. Só a utilizo ali porque foi alguém que convive comigo que achou por bem usar a expressão para definir um dos traços da minha personalidade. Aceito de bom grado e sem falsa modéstia, já que ela também me define com termos tão desiguais como "criativo", "primoroso", "mentiroso" e "grotesco".

Mas sinto vontade de rir de gente que se auto-define como "ácido" ou "denso" e fazem de tudo para que os outros os vejam assim o tempo todo. Foto com a mão no queixo ou olhar perdido no horizonte completam a "instalação".

Vão dizer que estou estereotipando, mas - ora bolas! - quem se estereotipa são eles.

É incrível como tudo se parece no limite da monotonia. Os piadistas são todos iguais, os densos não encontram felicidade se não houver fumaça e epifânias até sobre uma xícara de café, as "mulherzinhas" com seu despojamento milimetricamente calculado e fotos provocantes proferem suas lamentações de menina sortuda, "eles só querem me comer...", como se não devessem agradecer por ter alguém que queira. Existe quem não tenha nem isso.

Tem uns que se você acompanhar no dia a dia vai achar que faz vestibular para integrante do Pânico, que bebe mais do que o Nicolas Cage em "Despedida em Las Vegas", transa mais do que Rocco Siffredi e sofre mais do que mulher do Netinho de Paula.

Todo mundo esquece, é claro, a grande diferença que existe entre sarcasmo e falta de educação, entre acidez e pentelhação, entre ser denso e ser mala. Aceito que todos até certo ponto vivem um personagem na internet. O problema começa quando você já não sabe mais se está sendo autêntico ou se está apenas representando.

No fim encontramos páginas e mais páginas, frases e mais frases, de pessoas que falam muito, muito, muito. Mas quase todos curiosamente iguais. Eu particularmente adoraria saber o que toda essa gente que tanto fala tem pra realmente pra dizer e não esses personagens que, se encantam nas primeiras linhas, enfastiam depois de uns 4 ou 5 parágrafos.

Se Jerry Seinfeld já não tivesse inventado e executado tão bem o discurso sobre o nada, diria que eles estariam na fase empírica de um estilo que ainda seria aprimorado pelo comediante americano. Mas como não existe "evolução inversa", eles chegaram tarde.

A maioria, mas antes deixe-me ajoelhar aqui e pedir perdão compenetrado às exceções que existem e são muitas, fica só na pose.

Todo mundo quer parecer vivido, sofrido, cansado de guerra. Irônico, cético, cínico com tudo que se passa ao redor. Mas no final das contas prefere mesmo uma praia paradisíaca, uma sombra fresca e uma marguerita com guarda-chuvinha e tudo. Não conheço uma pessoa que respire e não deseje de verdade ser admirada, amada e ser o centro das atenções de vez em quando. Mas isso é possível sendo original, ainda que seja mais difícil.

E nunca é demais lembrar: cigarro, café e pose só garantem bafo e antipatia. Pra ser inteligente é preciso também pensar.

O Foursquare, a super-exposição e o futuro serviço "por favor, me roube/estupre/mate".

Postado em 23 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

De repente um dia eu comecei a receber atualizações no Twitter vindas de um amigo. As tais mensagens eram de um serviço chamado Foursquare, e avisavam que ele fazia "check-ins" em alguns lugares. Aterrorizado, eu notei que os tais lugares eram onde o cara se encontrava naquele momento e também que além do nome do local, eram fornecidas as cordenadas e um mapa(!!!) indicando precisamente como achá-lo.

O objetivo da coisa toda é você descobrir e indicar locais, ganhando pontos por isso e merecendo "brasões" de reconhecimento. O "ápice" para o usuário é realizar o maior número de chek-ins possível e tornar-se assim o "prefeito" do lugar.

Não sei quanto a vocês, mas a idéia de um serviço que indica precisamente onde estou em tempo real e que registra meus hábitos diários, disponibilizando para qualquer um na internet fez soar aquele conhecido alarme "perigo! perigo!" internamente.

Tudo bem que no Twitter, por exemplo, a gente fala da nossa vida, de coisas que fazemos, etc. Quem me acompanha lá sabe que adoro ir no Starbucks pelo menos uma vez por semana e que sou viciado em cinema. Mas pera aí, quem lê essas coisas sabe no máximo que gosto de café e filmes e dificilmente fará idéia de qual Starbucks ou sala de exibição eu frequento ou estou naquele momento.

Uma "padaria", um "shopping" ou até mesmo uma "Igreja" é algo muito genérico e ninguém vai me achar contra minha vontade usando essas informações a menos que eu more numa cidadezinha do tamanho de Ritápolis.

Agora com um serviço desse tipo, qualquer um vai saber exatamente tudo o que eu faço, meus horários, rotina e basta acessar a internet e utilizar os dados que eu mesmo forneço para fazer o que bem entender, desde ir na minha casa roubar na minha ausência, me esfaquear numa calçada e até me oferecer algum pacote da Herbalife.


Já existe inclusive um site chamado Please Rob Me, que até como forma de alerta(apesar de ser uma brincadeira de mau gosto), expõe os dados que as pessoas postam em redes sociais como o Twitter e o Facebook, dizendo se estão em casa ou não, entre outras coisas.

Todo cuidado é pouco quando se trata desse tipo de informação e a falsa proteção que uma tela de computador sugere acaba facilitando que as pessoas abram a guarda e digam ali coisas que jamais diriam normalmente. Ou você contaria a um caixa de supermercado que todo dia seu filho sai da escola tal, na hora tal e anda pelas ruas X, Y e Z?

Fico imaginando a felicidade de tarados, estupradores, serial killers, ladrões de casas, vendedores de assinaturas de revistas e testemunhas de jeová ao saber que tem alguém em casa ou que podem encontrar as pessoas onde bem entenderem, na hora que quiserem e bem, fazer com elas seja qual lá for o seu "negócio". É um verdadeiro dial-a-psycho.

Infelizmente, e torço aqui para estar errado, acho que em breve teremos notícias de algum crime bárbaro ou situação esdrúxula ocorrida por conta de aproveitarem esses dados que alguns patos deixam espalhados por aí, acreditando que o mundo virou a Disneylandia só porque estão num ambiente virtual.

Seria mais fácil deixarmos um bilhete na porta de casa, preso com fita durex e bem visível escrito assim: "as chaves reserva estão escondidas sob o capacho, por favor não mexa nas jóias que estão na segunda gaveta da cômoda do quarto do meio".

Não esqueçam amigos: no mundo real, Mickey Mouse continua sendo um rato.

O Twitter não é wysiwyg

Postado em 23 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 24 Comentários

Pra quem ainda não atingiu o grau de nerdice suficiente para saber o que é "wysiwyg", primeiro eu explico e aí continuo. Essa expressão, traduzida para o português como "O que você vê é o que você tem", define programas de computador, inicialmente editores de texto e hoje em dia qualquer programa, que permitam ao usuário ver na sua tela algo muito similar ao resultado final, real.

E porque o Twitter não é assim? Simples, porque sinto que as pessoas tem a necessidade de inflar tudo o que fazem e enfeitar seu cotidiano para impressionar quem os lê ali.

Conto isso porque passei o Carnaval em Penedo, localidade no Rio de Janeiro onde o modem 3G que levei emprestado não acessa nem com velocidade de discada, e precisei recorrer aos serviços de uma populachesca lan-house para atualizar o blog.


Esperei minha vez (já que estava cheio de adolescentes trocando fotos do primo mais velho com ninfetas do Paraná) e quando finalmente pude ir lá mexer no blog, eis que senta-se ao meu lado um rapaz com os cabelinhos compridos, jeito de playboy, roupas de doidão de boutique e um trejeito característico dos sebosos, que é ficar passando a mão por trás das orelhas para colocar os cabelos longos presos ali.

Pois bem, sou enxerido mesmo e dei uma pescoçada no que ele estava escrevendo, e qual foi minha surpresa?!
  1. Ele estava acessando o Twitter! Na hora observei que as únicas redes sociais abertas nos monitores que tinha à vista eram o Orkut e o Twitter e pensei "Putz, não tem mais diferença".


  2. Pude ler a tuitada que ele estava escrevendo, algo assim: "E aí, galera! Estou aqui na roça passando o Carnaval mas consegui entrar na net pra dar um alô.Viva o Wi-Fi de restaurante!".
Na mesma hora olhei em volta outra vez, meio com medo de algum gênio da lâmpada ou máquina do filme "A Mosca" ter me teletransportado para outro lugar.

Vai que eu estivesse em um restaurante com Wi-Fi numa cidade com acesso fácil à internet e algum problema com a realidade me impedisse de enxergar isso, me fazendo pensar que eu estava em um lan house em Penedo, onde acessar a internet é tão difícil quanto no Pantanal?

Mas aí me belisquei, ouvi a Laura me chamando lá fora com pressa, afinal ela queria tomar sorvete, e me dei conta que o problema com a realidade era do rapaz, que estava ali contando uma mentirinha para se fazer de cool no Twitter.

Sabe como é, acessar de um laptop ou smartphone insivível uma rede Wi-Fi inexistente é muito mais legal para impressionar seus seguidores do que estar numa cadeira de lan house, com um ventilador soprando vento quente na sua cabeça e um monte de adolescentes espinhentos contando mentiras pra suas namoradinhas virtuais. Aliás, vamos combinar: os adolescentes não eram os únicos contando mentirinhas ali, né?

Notem, não estou falando de mentiras bobas, que a gente conta pra impressionar uma mina que quer pegar ou para inflar qualidades, mas mentiras desnecessárias tipo enganar seguidores do Twitter para não dizer que está numa lan house. É bobeira demais pro meu gosto.

Por isso comecei a desconfiar de tudo que me contam no Twitter. Se o cara diz que está no Mc Donald's, penso que está numa Kombi de cachorro-quente. Se fala que foi ao cinema, já acho que comprou um CAMRip pirata em algum camelô. Se diz que está na praia com a namorada, tenho quase certeza de que está numa piscininha de montar, fazendo sua boneca inflável de patinho de borracha.

Já disse uma vez: no Twitter todo mundo é espirituoso, criativo, irônico, "ácido" e cool. Mas acho que podemos acrescentar mais uma: tem um monte de gente que também é mentirosa.

A idéia não é ruim, vocês é que não entenderam

Postado em 22 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Quem, principalmente aqueles que navegam com maior constância pela blogosfera, nunca se deparou com esse tipo de afirmação?

O cara faz uma charge, uma piada ou um texto horrível, as pessoas criticam e o que vem em seguida é a conclusão por parte do criador e "superior intelectualmente" de que as pessoas simplesmente não o entenderam e por isso criticam.

Fato que é impossível agradar a todos sempre. Quem tenta isso invariavelmente torna-se desagradável para todos e está fadado ao enfado (rimou, mas não é tautologia) no que exerce.

Blogs são principalmente, como já disse aqui antes e não é nenhuma epifânia, o espelho de seu autor. Portanto, a menos que você seja um vampiro e não tenha reflexo no espelho (e alergia a vaginas como o Robert Pattinson) é melhor que você tome algum lado sim.

Eu por exemplo sou anti-cota, detesto esquerdocanalhas, não gosto do que o PT se tornou, votarei em qualquer um para que a Dilma não seja o próximo presidente, não gosto de 99% das ONGs, acho o MST um bando de marginais, prefiro republicanos a democratas, não acho que exista um "lado bom" ou "justificável" em países e pessoas que façam terrorismo e, principalmente, estou sujeito a mudar de opinião a respeito disso tudo, já que meu compromisso é com a minha verdade e com a opinião que emito diariamente aqui.

Simples.

Só que como qualquer um, estou sujeito a piadas ruins, a textos menos inspirados e a momentos de inconveniência. Fazer o que? Isso é normal, e as pessoas podem criticar à vontade, desde que de uma maneira que não me ofenda, porque aí terão sua resposta à altura (ou seja, abaixo da linha da cintura).

Só que o que vemos por aí e exemplos não faltam, são pessoas que confundem idiotice com humor, grosseria com ironia, estupidez com sarcasmo, "sebosice" com superioridade.

Querem um exemplo? Aquele Gentilli do CQC. Querem outro exemplo? O Cardoso da bostosfera. Quem não ri, é "certinho demais", quem não entende o porque de tanta baboseira propalada como se fosse algum elixir da verdade, é "burro e não entendeu".

Mas quem dera fossem só esses dois. A grande maioria simplesmente recusa-se a acreditar que tem gente que simplesmente não gosta do que eles falam ao contrário de "não entender", "ser pudico", "ser burro" ou a melhor de todas, "não atingir o nível de esclarecimento suficiente pra achar graça naquilo".

É a tática da "rejeição preventiva", algo como "azar se você não gosta de mim, já que eu não gosto de você primeiro porque você é bobo e tem cara de melão".

Follow, Unfollow, Follow, Unfollow

Postado em 9 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 15 Comentários

Hoje falarei do onanismo tuiteiro do follow, unfollow, follow, unfollow, que acompanho quase diariamente.

Resolvi escrever isto depois que recebi uma mensagem no Twitter (não vou contar o nome do usuário pra não personalizar demais a coisa) dizendo algo como "dei unfollow no @mvsmotta e voltei a seguir, mas tô dando unfollow de novo porque não gosto do que ele escreve".

Achei engraçado porque não foi a primeira vez que li algo desse teor. É mais ou menos assim: o cara te segue, fica puto com algo que você diz ali (sobre política, sacaneando algum time de futebol, qualquer coisa) e aí resolve te dar unfollow. Beleza, direito dele, follow é concessão e não obrigação, mas aí ele meio que sente falta de te ler na timeline e manda o aviso: "parei de te seguir, mas tô seguindo de volta, vê lá hein!".

É quase uma censura prévia. Num primeiro momento eu chego até a pensar "pô, vou me policiar no que digo...", mas esse primeiro momento dura uns 5 segundos, até que chega o segundo momento. E o segundo momento é o que gosto mais, porque ele é o momento do "f*da-se ele, fica se quiser".

Mas aí fica aquela tocação de "corneta" eterna. O cara segue, pára de seguir, segue de novo, aí não gosta de algo que você fala e lá se vai ele outra vez e de novo, de novo, de novo...

É uma atitudezinha tão escrota quanto anunciar que vai dar unfollow em alguém. Parar de seguir é um direito de qualquer um, mas recomenda-se que seja feito silenciosamente, caso contrário soa como uma tia lavadeira querendo polemizar com o outro.

Tem um famoso troll que uma vez me mandou uma mensagem mais ou menos assim "Lulz, man, você só tuita coisas que os outros falam? Unfollow, Abs", aí uma meia hora depois leio ele falando assim pra outro "Anunciar unfollow é coisa de p*u no c*, mano".

Do the talk but doesn't walk the walk, sabe como é?

Comigo não. Eu não anuncio unfollow (se já o fiz, me auto-comisero nesse momento por isso), raramente anuncio block (isso sim, tem gente que merece, mas não como faz o Cardoso, que utiliza o anúncio de block como forma de compensar a ausência de orgasmos) e principalmente: sigo quem me interessa, não sigo quem não quero e faço isso independente da pessoa falar ou não o que eu gosto.

E aconselho sempre o mesmo no meu Twitter: esteja à vontade para me acompanhar, mas saiba que sou anti-esquerdista, anti-petralha, não gosto de movimentos sociais, faço humor ácido beirando o rude várias vezes, não tenho paciência com miguxo, tenho pontos de vista radicais e não mudo uma vírgula para agradar a ninguém que não esteja disposto a me pagar uma boa quantia de dólares americanos por isso. E mesmo assim, existem limites que nem isso me fará cruzar.

Agora, ficar fazendo mimimi pra cima de mim achando que isso será alguma grande ameaça, sinceramente, merece unfollow na hora (e sem anunciar).

Post pago: um questionamento

Postado em 15 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Antes de mais nada não estou nem pensando em iniciar nenhum tipo de cruzada contra a prática do post pago, pelo contrário, acho que uma pessoa que curta escrever num blog e é convidada para emitir sua opinião sobre um assunto ou produto em troca de algum dinheiro deve mais é agarrar a chance, afinal, é bom fazer o que se gosta e ainda receber por isso, logo, quem for "anti-dinheiro" não espere encontrar aqui uma defesa apaixonada do seu purismo, porque não vai rolar.

Talvez essa confusão possa acontecer porque sempre que posso ridicularizo os tais "probloggers". O que as pessoas precisam entender é que minha diferença com essa gente não está relacionada ao fato deles ganharem dinheiro blogando e sim ao fato de levarem-se a sério demais, acharem-se muito melhores do que são por causa disso e defenderem esse pequeno naco de "mercado" que possuem com os mesmos recursos baixos e, desculpem a expressão, escrotos com que certos cartéis e associações defendem seus monopólios.

Se o cara quer ganhar uns trocados escrevendo, gosta de receber brindes, adora quando vai pra algum evento comer e beber às custas dos outros (porque de graça não existe nada), parabéns! Eu também, pasme, já ganhei meus brindezinhos com apenas 5 meses de blog, mas camaradinha, não pense que você é nada demais por isso, porque não é.

Rio muito, por exemplo, das tentativas de certos blogueiros em rivalizar com a "grande mídia", como ratos que rugem, ainda que muitas vezes sejam mais ágeis, até mesmo pelo menor compromisso com a apuração que uma audiência restrita traz.

Me enojo com essa panelinha que se une tal qual um bando de hienas para garantir a "carniça nossa de todo dia" e marcar território.

Mas toda essa gente com seus Ad Senses, seus testemunhais e publieditoriais são, inegavelmente, o melhor exemplo da tão falada e prostituída (use aí qualquer sentido que puder pensar para o termo) monetização.

Ganham dinheiro, arrumam uns brindes e até passeiam às custas de prefeituras do interior de estados pobres do Nordeste. Tudo muito legal, nada contra (com algumas exceções), mas a dúvida que fica sobre todo esse processo de envolver blogs na "venda" de produtos e campanhas é: será que funciona?

Os equivalentes a modelo-aspirante-a-ator-atriz-cantor-cantora da internet são os "analistas de mídias sociais". Assim como tem muito modelo que realmente é aspirante a cantor ou ator, existem realmente alguns analistas de mídias sociais sérios. A grande maioria no entanto só se diz isso por falta de outra coisa melhor para colocar no currículo.

Bom, esses "analistas" podem atestar melhor do que eu, "achista", se cientificamente tudo isso traz resultado (e acredito que traga, caso contrário não haveria tanta gente dedicando-se a fazer esse trabalho), mas e o leitor?

Será que um blog ao vender seu espaço e sua letra para algum produto perde um pouco da credibilidade que a sua "liberdade original" de não ter nenhum vínculo traz?

Um blog é, na essência, o seu autor. Ele não é uma empresa, um veículo, ele é a tradução daquela ou daquelas pessoas que o escrevem, então será que os leitores páram para ler um post pago com o mesmo interesse com que lêem os posts habituais?

Penso que uma boa fórmula é o blogueiro só aceitar esse tipo de trabalho caso ele realmente aprove o produto em questão, caso ele fosse capaz de escrever sobre ele mesmo que não estivesse recebendo nenhum tostão ou mimo para isso.

Eu mesmo já elogiei a Canon aqui, alguns filmes que vi no cinema, vivo falando bem da Starbucks no Twitter e nunca ganhei nem um cafezinho por isso, logo, porque não o faria sendo pago?

Mas a pergunta que fica é: será que todos tem esse tipo de coerência? O que você leitor pensa disso?

Se mal feito e mal encaixado, posts pagos podem prejudicar a credibilidade do blog e minar definitivamente suas chances de vender qualquer produto ou idéia, ainda que vez ou outra ele acredite verdadeiramente naquilo que diz.

Esse post faz parte do sorteio que estou realizando. Faça seu comentário e concorra a um calendário 2010. :)

Seremos robôs?

Postado em 30 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 19 Comentários

Quem já me conhece sabe, mas pra quem não conhece muito permita-me começar este texto com meu segredo de Polichinelo: sou usuário do Twitter. Assim mesmo, com essa conotação de usuário de substância ilícita.

Adoro o vai-e-vem de informações que acontecem ali e posso dizer que o Twitter ajudou em vários aspectos da minha vida, inclusive me dando a motivação suficiente para começar este blog.

Só que passear pelo Twitter também proporciona aquele gosto amargo de deparar-se com a idiotice, a incipiência cultural, o espírito de gado da maioria das pessoas e, finalmente, a constatação de que quanto mais o tempo passa, mais a nossa assim chamada juventude vai ficando idiotizada.

Antes um serviço pouco acessado pelo grande público e mais restrito à "turma" da comunicação, o Twitter viu seu perfil mudar de "gente informada, descolada, acima da média" para o "povão, miguxo, pré-adolescente, jogo do add".

Sei que vão me chamar de chato, elitista, rabugento e, claro, "preconceituoooooso!", mas tudo bem, é um preço que pago por não me sujeitar à ditadura da estupidez. Para estes deixo o meu "dane-se" e só porque evito utilizar aqui os termos que utilizaria normalmente.

O maior medo dos early adopters do Twitter era que este virasse um Orkut. Particularmente não acho que o Orkut só tenha coisas ruins, mas compartilhei do medo de que os "joguinhos", "brincadeiras" e demais comportamentos repetitivos orkutianos acabassem tomando conta do site.

E foi o que ocorreu. Vou citar somente os que consiga lembrar, mas vamos lá: Buytter, Vampire Twitt, as infernais Quizzes e agora mais recentemente o tal do Formspringme (um site no qual as pessoas perguntam anonimamente e o dono do perfil responde).

Todas essas imbecilidades funcionam a partir de um pensamento básico: ajudar um cabeça oca incapaz de produzir qualquer conteúdo a rechear sua timeline (o espaço onde ficam as tuitadas da pessoa arquivadas para que os demais possam ler) de porcarias que dêem ao cérebro de vento a ilusão de que ele é "ativo".

Aí o cara passa o dia respondendo babaquices como "Onde ce vai passar a virada?R:passa ano novo acho q aqui msm" ou "Took the "Que personagem/famoso voce se parece?" quiz & got: Cristiane F!" e pensa que está arrebentando. Assim mesmo com essa grafia de "alto" nível.

Além disso, temos as campanhas imbecilóides do tipo "Vamos colocar a Lady Gaga/NX Zero/Meu Atual Idolo Emo-Gay nos Trending Topics!".

Pra quem não sabe os trending topics são os assuntos mais "populares" do Twitter e ficam expostos em sua página principal. Por alguma razão, os brasileiros acham que colocar um termo ali pela sua repetição enfadonha pura e simples (digo isso pra não chamar de flood ou spam) é uma "demonstração de força e importância".

Vai entender.

E assim o fato é que, infelizmente, 80% dos brasileiros que usam o Twitter podem ser muito bem resumidos pelo português idiótico que eles utilizam em pérolas como "só sigu qm eu conhesso" ou "o formspring ta temçoooo" e se eu tivesse que escolher uma imagem representativa desse pessoal, essa imagem seria a risadinha que eles vez por outra postam: KAOSKASOPKASOPKASOKAS.

Sim, esse amontoado de consoantes é uma risada. Imaginem a baba escorrendo da boca de um indivíduo enquanto ele ri dessa forma. Essa é a imagem desse pessoal.

O mais incrível de tudo é que esse é um comportamento quase padronizado, me fazendo até pensar que não são pessoas, mas algum tipo de andróide programado para agir o tempo inteiro como um misto de personagem do Chapolin com o filme Debi & Lóide.

Tem que rir mesmo, porque do contrário só chorando.

Quem sou eu

Postado em 26 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius

Cansei de ver aquele "About me" completamente tosco no alto do blog e resolvi tomar vergonha na cara e escrever sobre o que vocês que me lêem podem ter vontade de saber. Bom, se não têm, azar, porque vou contar mesmo assim.

Primeiro de tudo, esse sou eu:

Nasci no Rio de Janeiro, num hospital chamado Sírio e Libanês, num quente dezembro da década de 70. O ano especificamente não contarei pra vocês nem sob tortura, tendo certeza que me agradecerei por isto depois que passar dos 50.

Passei toda a minha infância e adolescência morando no bairro carioca de Jacarepaguá (ou seja,já morei onde Judas esqueceu as meias, porque as botas ele deixou na Barra), onde estudei num colégio que, diferente dos atuais, não se limitou me "adestrar" para provas de múltipla escolha.

Tive aulas de artes plásticas, música, folclore, programa de saúde, modalidades olímpicas (curiosamente não virei cabeleireiro, estilista ou bailarino) e considerei durante muito tempo a minha escola como uma segunda casa (sabe como é, só lá tinha menininhas de saia curta pra ficar de olho a tarde toda).

Como o colégio só tinha turmas regulares até a 8ª Série, quando fui para o 1º ano do antigo Segundo Grau (sei lá como se chama isso hoje) me transferi para o Colégio Anglo Americano, na Barra da Tijuca, onde tive a primeira experiência em uma turma com mais de 50 alunos (no meu antigo colégio elas tinham, no máximo, 12) e dentre estes uns 47 playboys, que com o tempo viraram bons colegas.

Pulei de galho em galho no Segundo Grau (e também perdi a virgindade, com uma moça que fique bem claro) até resolver cursar Odontologia na faculdade. Mudei para Nova Friburgo, cidade onde morei durante todo o curso e me formei em Dezembro de 19...acharam que ía contar, é?

Exerci a profissão durante 4 anos e brincava que "tudo aquilo que eu devia, eu devia à Odontologia", até que enchi o saco de dentes, baba, gente reclamando o dia inteiro e céus vermelhos (os da boca), bafo de onça, etc e resolvi mudar o rumo da minha vida.

Fui trabalhar numa convertedora de carros para Gás Natural, depois fui vendedor de auto-peças (e humilhado sendo chamado de "mecânico" pelos desafetos em cada discussão, ao que respondia mandando-os enfiar uma chave de fenda no rabo, como a boa educação de um "mecânico" manda), até que geneticamente caí na agência de publicidade que trabalho hoje. Geneticamente porque tenho avô e mãe publicitários, apesar de que algum tempo depois minha mãe desvirtuou, uniu-se ao lado negro da força e formou-se em Direito.

Nesse tempo todo que contei aí em cima também pude fazer o que mais gosto na vida: viajar.

Fui duas vezes aos EUA (e aprendi que bom mesmo é capitalismo, de preferência o mais selvagem possível), conheci a Amazônia (e as amazonenses) e o Pantanal, fui para o paraíso de Fernando de Noronha, conheci João Pessoa e Natal, estive na minha querida, amada Argentina (a Meca das mulheres bonitas e da comida barata, sem trocadilhos) e não fui à Europa, coisa que ainda quero fazer (Conheci Portugal em Dezembro de 2011, o que só me deu mais vontade ainda de voltar ao Velho Continente) assim com uma viagem para Machu Pichu (essa viagem ainda estou me devendo).

Sou uma pessoa de gostos antagônicos. Quer ver? Adoro praia mas odeio calor. Gosto de frio mas chuva demais me irrita. Sou carioca mas torço pro Palmeiras. Detesto cheiro de cigarro mas curto cigarrilhas de chocolate e narguilé. Coleciono cachimbos mas mal os fumo. Adoro ter carro, o que para mim é uma necessidade, mas não gosto de dirigir por muito tempo. Sou carioca (de novo essa) mas tenho uma paixão avassaladora por São Paulo. Não gosto de tomar cafezinho mas sou tarado pela Starbucks. Adoro rock mas barulho me incomoda.

A única coisa que sempre preferi sob qualquer aspecto é mulher. Sempre preferi ter amigas mulheres, porque se não rolassem uns amassos com elas durante alguma crise de TPM com certeza elas me apresentavam suas amigas, o que é bem melhor do que estar cercado de valetes falando sobre futebol e dando arrotos na cara um do outro.

Tenho bronquite alérgica, sequela de uma colquelche que quase me matou aos 2 anos (azar de quem não gosta de mim) mas não sou maníaco por remédios, na verdade tenho pavor de ir a médicos.

Adoro chocolate e sorvete, gosto de comer no Mc Donald's e de refrigerantes (salada não leva a nada, quem gosta de capim é jegue), apesar de tentar me controlar senão o embarangamento me pega (e consequentemente eu não pego ninguém). Também sou tarado por tatuagens (tanto por fazer em mim quanto por pessoas tatuadas) e meu animal predileto é o gato.

Não tenho um tipo preferido de mulher, porque acho que todas elas trazem em si uma beleza particular (e isso não é conversa mole de quem quer comer todo mundo, eu acho isso mesmo, por mais que soe piegas...OK, esse papinho também ajuda bastante a conquistar as mulheres).

Sou um bom amigo, desses que se doam (com limites, afinal, se o mundo é gay, o meu c* é one way) e fazem tudo e talvez por isso seja tão exigente, a ponto de me sobrarem poucas (e boas) amizades ao final de tudo. Resumindo: não sou mulher de malandro e nem namorada do Dado Dolabella, então se você for f.d.p. comigo, saiba que terei prazer em ser f.d.p. três vezes mais com você.

A vingança é um prato que se come frio, mas é melhor ainda se esse prato for quebrado na testa do seu inimigo.

Gosto de escrever, bastante, mas confesso que se soubesse pintar ou fazer músicas talvez não escrevesse tanto. Também adoraria ser amante de aluguel, mas acho que minha namorada não ia gostar muito disso.

E sim, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Detesto calor, funk, pagode, axé e atententes de telemarketing. Não aprecio nem um pouco sensos comuns e filosofia de novela. A tal "sabedoria popular" tem para mim o mesmo valor de uma nota de 3 reais.

Não curto coisas "de povão" (até mesmo porque quem gosta de pobreza é ONG) e não consigo fingir que sou simplório, mas gosto de gente, tanto que tenho o estranho hábito de puxar papo com as pessoas na rua (dizem que quando eu ficar velho conhecerei o bairro inteiro, o que é melhor do que distribuir balinhas em porta de colégio).

Hoje moro sozinho, acompanhado de trocentos livros, CDs, meu computador e todos os gadgets que meu dinheiro conseguiu comprar. Gosto de camisetas espirituosas e detesto usar calça comprida.

Se pudesse instalava um ar-condicionado central no mundo.

Adoro comidas diferentes e triviais e se for falar de todas fico aqui até amanhã. Me acompanhe no Twitter que pouco a pouco você vai saber de tudo. Só nunca me convide para comer camarão (sou alérgico) e nem bife de fígado (que detesto) e nem açaí (porque sou capaz de te mandar ir tomar no...você entendeu).

Tenho o sonho de ser pai, um bom pai, um pai que faça a diferença na vida dos meus filhos.

Comecei a escrever esse blog depois de ver que tem muita gente incompetente por aí espalhando porcarias pela internet e, principalmente, porque adoro interagir com quem me lê. Gosto das reações, das respostas, gosto de provocar e receber em troca essa sinergia diária (e de com um clique deletar comentários de metidos a esperto). Isso pra mim é mais do que terapia, é puro prazer.

Enfim, esse sou eu. Uma pessoa que não é rasa mas que também não tem a menor pretensão de ser um desses "densos" chatos e complicados. Quer me conquistar? Me chama de bonito!

Espero que esse "about" tenha ficado mais decente. Com o tempo vou ampliá-lo (que horror!), editá-lo, modificá-lo. Esse post estará em eterna construção.

(Update em 2011: depois de "velho" resolvi voltar pros bancos escolares e agora estou cursando Ciência Política na Unirio. Viram? O post está mesmo em eterna construção).

Um abraço!

O que é Twitter? Pra que serve o Twitter? Quem é Twitter?

Postado em 21 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

"Muitas pessoas buscam na internet informações sobre seu microcosmo. Elas querem saber por que está faltando luz ou a razão do barulho na vizinhança e esperam que alguém saiba e coloque na rede."

A frase acima não é de algum dono de serviço de auto-falantes ou rádio comunitária e muito menos do dono de algum serviço de peixe-delivery, só que enrolado no jornal do dia, é de um dos criadores do Twitter, Biz Stone, dita em uma entrevista à revista Veja.

Outro dia falei aqui sobre a fixação que temos por criar listas dos "melhores" de tudo, não sou muito fã destas definições por achá-las superficiais e subjetivas, mas não tenho dúvidas que 10 entre 10 internautas apontariam o Twitter como o destaque, o fenômeno, a última bolacha do pacote da internet mundial (até que inventem outro biscoito, é claro).

Conheço muito pouca gente que tenha passado o ano de 2009 sem ouvir as perguntas do título.

E comigo não foi diferente. Há pouco mais de um ano atrás conheci o Twitter mais ou menos como a maioria das pessoas: ouvi falar em algum lugar, entrei e logo em seguida fiquei imaginando pra que diabos aquilo servia.

E creio que o processo que se deu comigo foi igual com todo mundo, ou seja, eu fui descobrindo a minha maneira de utilizar o Twitter, seja para absorver informação quanto para divulgar conteúdo ou simplesmente conversar fiado.

Fiz amizades e conheci pessoas que jamais teria conhecido se não fosse pelo site de microblog, algumas pessoas parece que conheço há bem mais do que esse ano que passou desde que cheguei.

Até este blog aqui, aconteceu e é levado a sério em muito pela divulgação que o Twitter me permite realizar e a consequente interação que posso desfrutar diariamente com quem me lê. Posso dizer que por causa do Twitter eu me interessei pelo blog e acabei vindo parar aqui.

O micro me trouxe ao macro.

O Twitter também trouxe ao nosso cotidiano expressões que nem imaginávamos que fossem se tornar tão corriqueiras como "retweet", "trending topics", "Follow Friday", os tão bem falados por uns quanto esculhambados por outros "scripts" e nos ensinou a outrora tão complicada diferença entre "followers" e "followings".

Sem contar que nos associou definitivamente ao símbolo da arroba, transformando-a quase em nosso prenome digital.

Virei o @mvsmotta , que segue e é seguido por outras tantas "arrobas".

Mas tirando este aspecto de "estilo", quem sabe até de comportamento, a frase do criador do Twitter que abre este post resume bem o segredo do sucesso e o porque da loucura que o site causou no mundo todo, este globalizado planetinha que agora pode mobilizar-se em razão das eleições no Irã, de uma cantora feiosa na Inglaterra ou simplesmente para demonstrar sua cabeça oca e emplacar um "chupa" nos Trending Topics.

O Twitter tornou-se não só algo "legal" de se usar, mas também necessário.

As pessoas passaram a procurar nele notícias sobre seu país, sua cidade e até seu bairro. Ele, em sua imensa e esmagadora universalidade, contribuiu para que os seus usuários voltassem para o seu microcosmo, por mais paradoxal que possa parecer e, no fim, a globalização levada às últimas consequências que o Twitter trouxe nos remeteu de volta à paróquia, à vizinhança, ao aspecto mais minimalista do nosso dia a dia.

Um cafezinho num bar agradável virou notícia, uma compra ou uma pechincha virou assunto, a feirinha da esquina que tem lichias em promoção virou manchete.

Buscamos o Twitter para saber do trânsito, das ridículas blitzes da tal Operação Lei Seca, dos novos escândalos políticos, dos últimos micos das subs-pseudos-protos-celebridades-lixão, para saber o que houve quando toda nossa cidade apagou e terminamos por descobrir que o país inteiro estava às escuras.

Barack Obama foi enaltecido por usá-lo, depois confessou que outros usavam por ele, mas tudo bem, o Twitter é esse sucesso todo também por isso: trouxe as "estrelas", os "famosos" e os "VIPs" para a praça, para o "pé-de-igualdade" com o anônimo, o "transeunte", o "comum".

No Twitter todos tem voz, todos podem fazer sua voz reverberar, tanto para o bem, quanto para o mal (a Xuxa que o diga).

Ele passou a pautar jornais, televisões, "orkutizou-se" e se transformou numa forma de comunicação rápida, eficaz, democrática e necessária.

E isto me leva à outra frase de Biz Stone, dita na mesma entrevista: "Nosso serviço é aquele tipo de coisa de que ninguém sabia que precisava até começar a usá-lo" .

Quando diz isso, ele sabe muito bem do que fala.

Os famosos da internet ou Big Brother Brasil virtual: o mundo de Caras fica aqui!

Postado em 3 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Nestes tempos modernos a internet virou quase uma necessidade na vida das pessoas. Seja para pagar contas, fazer compras, enviar memorandos, encontrar amigos, marcar alguma saída ou simplesmente jogar tempo e conversa fora, a rede mundial de computadores de uns anos para cá é quase como o telefone, o carro ou a televisão: imprescincível para qualquer pessoa que viva onde também exista eletricidade (risos).

Excetuando-se o fato dela, a internet, ser também um pára-raios de vodu; no sentido de atrair tudo quanto é maluco, pentelho e gente esquisita que estava escondida seja lá aonde for; realmente fica até mais barato conversar com um amigo pelo msn ou skype do que fazer uma ligação interurbana ou internacional, por exemplo.

A rede aproximou as pessoas e transformou a manutenção de certas amizades, outrora bem difíceis, em algo simples e corriqueiro.

Mas como todo ambiente que reúne muitas pessoas e possui seus códigos sociais, jargões, regrinhas de etiquetas, a internet também tem as suas bolas fora.

O que dizer de alguém que expõe sua vida de maneira frenética on line? Essas pessoas que colocam em blogs todas as suas particularidades, brigas, com detalhes dignos de programa de televisão aberta em fim de tarde?

Um horror, mas o pior são aqueles que nos fornecem um "micro-diário" de suas vidas, como se fossem uma Jacqueline Kennedy de lanhouse.

Estão sempre lá no msn, seu nome, "Fulano", acompanhados do último bem de consumo que adquiriram, de algum lugar para onde vão ou simplesmente de algum programa que fizeram, algo como "Fulano- Iupi, comprei minha Sony Cybershot" ou "Cicrano- Nossa o banheiro da Disneylandia é lindo!"?

Não sei se é porque neste mundo das celebridades instantâneas as pessoas querem de todo jeito aparecer, se é a solidão das grandes cidades e da sociedade moderna ou se é porque a funcionalidade da internet já ultrapassou os limites saudáveis e alguns não conseguem mais compartilhar mesmo as coisas mais comezinhas "apenas" com seus familiares e amigos mais próximos, e precisam fazer este pequeno Big Brother virtual.

Com a chegada do Twitter isso não mudou nem um pouco, pelo contrário, o serviço de microblogging permite que as pessoas narrem até suas idas ao banheiro em 140 caracteres.

Tem muito blogueiro "bem-sucedido, popular e invejado" que ao invés de tomar seu banho de praia patrocinado pelo dinheiro público, beber seu prosecco bancado por alguma empresa de software ou simplesmente ir beber no seu boteco nos finais de semana, passa estes eventos inteiros tuitando, ao invés de vivendo.

Poderia comer seus churrascos de gato em paz, mas que nada, precisa postar até quantos nervos achou no bife com direito a foto no Twitpic e tudo.

E nessa tal solidão do mundo moderno, as pessoas acham mais fácil conversar com alguém via internet (no caso de alguns "monologar") do que com alguém bem ali na sua frente.

Nos transformam em paparazzis involuntários, atirando suas polaroids em nossas mãos e potando-se na frente das lentes.

É como se fossemos perseguidos na rua por uma revista Caras gigante, que corresse atrás de nós e se abrisse na nossa frente, na verdade se arreganhasse, nos obrigando a ler o que está escrito, nos empurrando sua coluna social de pobre pela goela abaixo.

Isso sem falar nas pessoas que entram num programa de troca de mensagens instantâneas e colocam assim "ocupadíssimo(a), por favor não incomodem", não seria mais fácil nem ligar o tal programa, pra começar?

Mas essa é outra história, estou meio ocupado para falar sobre isso agora...
 
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