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Nossas escolhas

Postado em 1 de dez. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

"Seu" Paulo é torcedor do Flamengo, "Seu" Olavo é torcedor do Vasco, "Seu" Luiz é torcedor do Botafogo e "Seu" Manoel torce pelo Fluminense. A primeira estranheza é essa, um Olavo torcedor do Vasco enquanto um Manoel é tricolor.

Quando resolvem falar de futebol, cada um é uma enciclopédia mais infalível que o outro:

- Lembra aquela final que o Vasco ganhou com um gol do Cocada?

- Não era Cocada, era Cuscuz.

- Que Cuscuz nada! Era Cocada mesmo...você entende muito é daquele paraguaio, o Juancito!

- Romerito, Juancito foi aquele que jogou no Botafogo junto com o Túlio Maravilha...

- Nunca teve Juancito no Botafogo, no máximo tem um Loco Abreu.

- Nem quero saber, meu negócio mesmo é o Zico e o time de 81.

Entre confusões naturais e gozações futbolísticas, todos eles realmente tinham excelente memória (ou quase), isso porque é quase certo que nenhum deles saiba o nome do sujeito no qual votou para deputado.

Dizem por aí que o brasileiro tem memória curta, mentira. Experimenta dever dinheiro pra alguém e veja se nossa memória é mesmo curta. Nossa memória é seletiva e muito mal programada.

Certas coisas um homem tem a obrigação de lembrar. Seu endereço, seu telefone, sua identidade e o nome do primeiro amor. O resto a gente escolhe.

Uma pesquisa recente mostrou que mais de 20% dos brasileiros não conseguem lembrar o nome do deputado em que votaram na última eleição. Mas note que esta pesquisa foi realizada apenas um mês após a eleição, o que me leva a pensar que daqui a mais um mês esse número possa ser 40% ou quem sabe até 50%.


Em dois anos talvez existam mais brasileiros que saibam cantar de trás para frente do hino do Japão do que os que saibam o nome do "seu" deputado estadual, federal ou senador.

E isso transforma o Congresso numa espécie de massa amorfa de sem-vergonhas. São os "ladrões", os "corruptos", os "canalhas", os políticos. Tirando um ou outro que se empenha mais em aparecer num escândalo de maior proporção, todos ali tem mais ou menos a mesma feição perante o resto do país: são "eles".

"Eles não ligam para a gente", "eles só querem saber de roubar", "pra eles a coisa nunca está ruim", "eles vivem na maior mordomia às nossas custas".

Fala-se de políticos em bares, filas de banco e almoços de domingo como se fossem personagens de uma novela da televisão, uma história de ficção que está desconectada da realidade.

O brasileiro decora mais facilmente um bordão televisivo, uma piada, nomes de personagens de novela ou uma letra de axé - se bem de que decorar letra de axé não é tarefa que exija lá grande quantidade de neurônios - do que guarda o nome da pessoa que irá representá-lo na Brasília-Maravilha durante pelo menos quatro anos.

Tudo bem que não são pessoas exatamente agradáveis de se pensar diariamente, mas até no futebol - essa paixão do país monoesportivo - a gente faz questão de lembrar da derrota de 82, do penalty que o Sócrates perdeu em 86, do passe do Maradona para o Caniggia em 90 que afundou aquela Seleção do Lazaroni, da borboletada do Marcos jogando pelo Palmeiras no Mundial de 99.

Se dizem que todo brasileiro é um técnico de futebol, todo brasileiro também é ou será eleitor por força de lei. Talvez seja essa a diferença: ninguém obriga o outro a assistir um jogo, mas depois de certa idade todo mundo é obrigado a ir lá exercer o que chamam de direito.

Durante muitos anos eu só acompanhei jogos de tênis. Conhecia o Ivan Lendl, Boris Becker, John McEnroe e nunca mais esqueci as pernas da Steffi Graff. Futebol não era a minha nesse tempo e se você me perguntar quem era o goleiro da Seleção naquela época, não saberei responder nem se você me oferecer uma boa grana pra isso. Essa era minha escolha.

Assim como escolho ir votar em cada eleição, sei o nome do "meu" deputado, observo sua atuação e faço questão de não maltratar a urna dali a quatro anos.

E talvez a urna só não seja mais maltratada no dia em que todos os brasileiros puderem optar entre a praia e a urna, o pagode e a urna, a micareta e a urna, o nada e a urna.

E cada um continue lembrando do que bem quiser.

Uma má idéia nunca vira um bom plano

Postado em 15 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Em 1986, no meio da euforia causada pelo Plano Cruzado, o PMDB elegeu 22 governadores dos 23 possíveis na época, ganhou maioria no Senado, elegeu nada menos do que 260 deputados federais e mais uma enxurrada de deputados estaduais, todos, quase sem exceção, "candidatos do Sarney".

Logo adiante o Plano Cruzado revelou-se um embuste. O congelamento de preços - que espalhou pelas ruas os folclóricos "Fiscais do Sarney" - e a gastança desenfreada do governo levaram o país a um caos financeiro, político e administrativo.

Bombas de retardo ficaram esperando a eleição de 1986 se decidir para estourar logo depois do pleito e já no ano seguinte a inflação era ainda pior do que antes da alquimia econômica do governo Sarney. Foi criado assim o tão conhecido termo "estelionato eleitoral".
Houve revolta, quebra-quebra, e José Sarney - o presidente popular durante o breve sucesso do Cruzado - e que elegeu aquela montanha de políticos a reboque de sua popularidade - chegou ter uma picareta atirada em cima dele durante um tumulto no Rio de Janeiro (versão jamais confirmada). Mas de toda forma foi um evento emblemático sob todos os aspectos, já que o ônibus de Sarney foi apedrejado por militantes do PT, chegando inclusive a ter uma janela quebrada.

Lula não é Sarney e Dilma não é propriamente um "plano", ainda que seja uma idéia ruim, mas a gastança eleitoral de seu governo e as bombas de retardo que já começaram a estourar logo após as eleições - vide o caso Caixa-Banco Panamericano, o ENEM, a tentativa de retorno da CPMF e o deficit das contas públicas - estão aí para deixar pelo menos uma pulga atrás da orelha de cada brasileiro que pensa e presta: será Dilma o seu Plano Cruzado?

Em final de mandato, Lula não terá nem tempo de ganhar o Troféu Picareta que Sarney mereceu. Logo ele, que falava tanto dos "300 picaretas no Congresso" e elegeu uma renca de igual tamanho agora em 2010 graças a políticas voltadas mais para as urnas do que para o futuro, virando o presidente "mais popular da história destepaiz".

Vai acabar deixando a possível honraria de um picaretaço para a sua sucessora, o Plano Cruzado que ele tirou da cabeça e impôs ao Brasil.

A escolha mais fácil da história

Postado em 19 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Antes do dia 3 de Outubro, os institutos de pesquisa, os analistas isentos e as pitonisas do sufrágio, nos avisavam que era inútil comparecer às urnas. Nosso voto era uma espécie de penetra na festa da democracia deles. Já estava até escrito nas estrelas que a candidata do PT, aquele atentado ao Brasil chamado Dilma Rousseff, seria eleita "presidenta" no primeiro turno e tudo o que poderíamos fazer seria aceitar, digerir e curvarmo-nos perante a vontade soberana do "maior presidente que o Brasil já teve no universo".

O problema é que, como disse uma vez Garrincha, "esqueceram de combinar com os russos". E os russos nesse caso fomos nós, pobres eleitores-contribuintes, que teimamos em comparecer às nossas seções eleitorais e levar o pleito para o segundo turno.

E nada melhor do que um segundo turno - sem os ruídos estáticos de campanhas majoritárias e proporcionais nos estados, além de candidatos nanicos - para explicitar bem a escolha que se apresenta para cada brasileiro e brasileira que prestam.

Digo isso porque existem aqueles brasileiros homiziados em estatais, acochambrados em cargos de diversos escalões ou simplesmente arrolados em folhas de pagamento de centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e demais braços do lulo-petismo para dizer por aí o que convém ao partido, seja na imprensa ou seja na blogosfera. A estes, só um resultado interessa: a vitória de Dilma Rousseff, a candidata imposta Lula, a "mãe" do PAC, o Plano de Ascensão da Companheirada.

E a escolha que se espraia ao Brasil que presta nesse segundo turno nunca foi tão simples.

A candidata inventada por Lula, aquela que não consegue articular mais de duas frases sem assassinar o português, a concordância, a lógica e a inteligência do interlocutor, nada mais é do que um prontuário. Mas não só ela, os que a acompanham também.

Naquele balaio de gatos existem mensaleiros, aloprados, a Família Guerra e o Cardeal que tomou à força o dízimo do banco alemão. Naquele balaio de gatos deposita-se um numerário inimaginável, subtraído das mais diversas formas dos cofres públicos.

Ali também se depositam ONGs obscuras, o MST, a pelegada sindicalista que faz sabe-se lá o que com o dinheiro daquele imposto sindical tão bem defendido (e mantido numa caixa preta) por um personagem da estirpe de Carlos Lupi, além de dois ex-presidentes cujos nomes falam por si: Sarney e Collor.


Chocado, o pobre cidadão perceberia ao lado da Laranja Eleitoral de Lula as falanges que vão para portas de gráficas impedir a circulação de materiais que não lhes agradam, a TV Brasil transformada em bunker de campanha, o presidente fugindo do Palácio do Planalto - e abdicando do mandato para o qual foi eleito - para assumir o papel de chefe de facção, de palanqueiro pago pelo contribuinte.

O brasileiro que presta veria ainda que ao lado de Dilma estão José Dirceu e Erenice, que junto com ela formaram o trio de ferro que fez da Casa Civil capitania hereditária, transformando em maninhos a Anac, a Infraero, o Ministério de Minas e Energia e os Correios.

Finalmente veriam o partido vítima, como o PT sempre se apresentou à sociedade, fabricando dossiês, invadindo sigilos fiscais, atacando as famílias de seus opositores, ameaçando "extirpar" adversários.

Ouviria o alarido da festa da turma do "não sei", do "eu não sabia",  dos que classificam crimes seríssimos cometidos pela companheirada como simples "erros".

Com tudo isso de um lado da balança, o eleitor poderia olhar para o outro e não enxergar nada, que ainda assim ficaria inclinado a votar no vácuo, mas nem isso o PT parece deixar impune, pois é justamente um vácuo que ele apresenta como candidata à presidência da república.

Como disse antes, é a escolha mais fácil da história.

É preciso extirpar a imbecilidade da política brasileira

Postado em 14 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

O presidente Luis Inácio da Silva, retirando de vez a faixa presidencial e assumindo o papel de líder de gangue, declarou que é preciso "extirpar o Democratas da política brasileira". Nada mais característico vindo de uma pessoa que parece cada dia mais desconectada da realidade.

80% de aprovação não fazem bem a ninguém. A tendência é que a pessoa passe a buscar os 90%, quem sabe até os 99%, tal qual Saddam Hussein. A obsessão passa a ser "esses teimosos que não gostam de mim".

E não falta - ainda - quem não goste das atitudes de Lula. Só que sempre que algum destes se refere a ele como "o analfabeto", exagera na crítica e municia aqueles que ainda hoje vivem de espalhar e perpetuar a imagem do "metalúrgico pobre e perseguido que venceu na vida".

Vamos ser honestos: Lula não é pobre, metalúrgico ou perseguido há bastante tempo. Desde bem antes da sua chegada à presidência ele já era um homem de posses, sustentado por uma máquina partidária, fumando charutos cubanos e passeando pelo Brasil de jatinho. Convenhamos que essa não é a realidade de nenhum metalúrgico.

O problema é que o tempo em que Lula se dedicou a fazer política, ele deixou de dedicar à própria instrução.



Não que isso tenha lhe feito alguma falta, pelo contrário, seu instinto político aguçado e sua inteligência - sim, ele é inteligente, uma inteligência usada para afundar a política do país no charco, mas que é inegável - deixaram nele a impressão de que "já sabe de tudo", quando na verdade o máximo que ele sabe é isso que demonstrou em seu governo: ser esperto - no pior sentido da palavra - para se apropriar de méritos e obras alheias, para negar e se livrar de denúncias e para comandar o PT e o Brasil como se fossem uma assembléia de porta de fábrica.

Os antigos dizem que "quem nunca come melado, quando come se lambuza", e por mais batido que seja esse ditado, ele se aplica muito bem à figura de Lula. Historicamente o PT sempre teve algo em torno de 30% dos votos no país. Outros 30% eram anti PT e os 30 e  poucos por cento que sobravam eram o fiel da balança, trazendo equilíbrio e pacificando a política, obrigando os partidos a se manterem afastados do radicalismo, sob pena de espantá-los.

O problema é que Lula, através de um crescimento econômico que não é só obra sua, dos programas de transferência de renda, de um aparelhamento do estado sem precedentes e do domínio completo dos tais "movimentos sociais" e sindicatos conseguiu encurralar seus opositores, trazer muitos "isentos" para seu curral eleitoral, exibindo hoje estas altas taxas de popularidade.

E esta popularidade vai, pouco a pouco, rompendo as amarras que ainda prendiam seu discurso e suas ações ao estado de direito. Não se enganem: se Lula soubesse que o Congresso lhe daria a possibilidade de disputar um terceiro mandato, sem um processo de final incerto que poderia manchar sua biografia, ele tentaria a manobra e não estaria presenteando o país agora com esta criatura eleitoral, esta ameaça ao Brasil chamada Dilma Rousseff.

E é por isso que ele se dedica com especial atenção a destruir um a um seus adversários nos estados, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e o DEM de Santa Catarina. O que Lula deseja é um Senado domesticado, como já foi domesticada a Câmara dos Deputados.

Porque o que mantém o presidente num caminho distante do chavismo mais abjeto não é sua consciência democrática, que é inexistente, mas amarras legais, que um Congresso "petizado" transformará em pó, tal qual sua alta popularidade transformou em pó o pouco juízo que tinha.

O que o Brasil precisa não é extirpar nenhum partido da política, é extirpar a corrupção, o aparelhamento do estado, a desmoralização do Congresso e, principalmente, esta imbecilização que domina o atual cenário e que o PT parece fazer questão de perpetuar.

Lula e Chávez: dois lados do mesmo tostão furado

Postado em 31 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Chávez: "Golf é esporte de burguês gordo"


Lula: "Tênis é esporte da burguesia, porra"


Como podem notar, tanto no quesito idiotice quanto na truculência e falta de educação, ambos os tiranetes são iguais. O que difere? É que um vive num país com instituições democráticas mais frágeis como é a Venezuela, e conseguiu "tomar conta" mais rápido.

O outro apenas cuida - diariamente - de enfraquecer estas mesmas instituições no Brasil, talvez já na intenção de aprontar o mesmo por aqui. O "pensamento" - se é que podemos chamar qualquer coisa que sai dessas duas cabeças de pensamento - é bem parecido. O "nós" contra "eles", o estado forte e aparelhado, o controle da mídia, o roubo de fatos históricos para transformá-los em mérito pessoal do "grande líder"
.
Lá, Chávez já roubou até mesmo Simon Bolívar. Aqui, Lula ainda não se disse a reencarnação de Tiradentes, talvez por medo de, quem sabe, ter o mesmo destino, ou talvez porque ache muito pouco. Afinal porque ser apenas um mártir se pode ser um deus?

O que os petralhas não entendem - talvez por falta de inteligência, talvez por mau-caratismo ou talvez porque estejam ocupados demais tentando dizimar qualquer coisa que se oponha a eles - é que os seus opositores não querem que eles se calem ou sejam varridos do mapa, querem é não ter que se calar e não sucumbir diante dessa nova modalidade de ditadura do Século XXI, que é a turba emburrecida, abrindo mão de ser indivíduo para aderir à manada, esmagando qualquer coisa que se coloque à sua frente em nome da "maioria". Não existe democracia plebiscitária.

Isso não é democracia, e está longe de ser liberdade.


Cabe apenas perguntar à Lula se o seu filho, que enriqueceu depois que ele entrou para o governo, é um burguês ou não. Perguntar o que seria afinal essa elite companheira, essa burguesia do capital alheio surgida no mandarinato petista. Esses empreenderores que curiosamente só ficam ricos nas diretorias de algum sindicato, partido ou depois que chegam ao governo.

Porque o conceito de "elite" e "burguesia" dessa gente é bastante deturpado, ainda mais quando se tem notícia de que um dos "grandes" ídolos de todos eles, o assassino chamado Che Guevara, adorava jogar um golfzinho e de que todo grão-petralha que se preze adora um vinho ou whisky importado.

A Síndrome da Criatura

Postado em 17 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

É um direito legítimo de um governante buscar sua reeleição. Sempre que a lei assim permitir e respeitados os limites da convivência democrática, a busca da manutenção de um projeto político - se for aliado a um projeto de país então é melhor ainda - não se configura em tendência autoritária e muito menos em salto rumo ao fracasso.

Mas é preciso, antes de tudo, que o tal governante saiba o que fazer com o poder em mãos, é preciso ter um plano. "Permanecer na cadeira" não é um plano. "Não mexer em time que está ganhando" também não é um plano. O passado serve como guia do futuro, mas não se pavimenta um metro de estrada com o asfalto que já foi derramado.

Essa situação passou a ser muito comum no Brasil após o advento da reeleição. O governante passa o primeiro mandato potencializando suas conquistas e dourando a pílula de seus fracassos, tudo na intenção de conseguir os desejados "mais quatro anos". Depois que consegue, vem o desastre. Não existe mais aquele grande prêmio ali adiante, já que uma terceira eleição consecutiva é vedada por lei, então ele simplesmente passa os dias esperando a morte chegar, realizando um governo de qualidade bem inferior ao que realizou anteriormente.

Mas existem os que governam razoavelmente bem em ambos os mandatos e ainda aqueles que precisam sair do cargo para disputas maiores antes do tempo - caso de prefeitos que concorrem ao governo e governadores que concorrem à presidência - deixando ali seu lugar-tenente.

Nesse caso as situações são bem parecidas: eles precisam garantir ao eleitorado que aquele substituto na verdade é uma imagem refletida deles mesmos. Eles precisam garantir a tão conhecida "transferência de votos" e transformar o que muitas vezes não passa de um estafermo em seu herdeiro político. E aí o potencial para desastres aumenta exponencialmente.

Isso acontece porque ainda que seja possível criar uma imagem à semelhança de um criador, o normal é que a criatura seja sempre inferior. Existem exceções, é claro, mas como o próprio nome já diz, não é o devemos esperar.

O que podemos esperar é que a incompetência e a indecisão naturais do títere façam ruir até mesmo a popularidade antes inabalável do titereiro, ou então que a criatura se rebele, corte as cordas e inicie uma luta fratricida no seio daquele grupo político

Não faltam exemplos - tanto da incompetência quanto da traição das criaturas - na política nacional e internacional.

Celso Pitta terminando de destroçar o nome já não menos destroçado de Maluf é um bom exemplo. Rosinha rebaixando Anthony Garotinho dos 15% de votos numa eleição presidencial em 2002 de volta para ser apenas um cacique regional de Campos (RJ) é outro. Cristina Kirchner abalando a popularidade do seu marido Néstor (que chegou a perder uma eleição na província de Buenos Aires para um empresário colombiano naturalizado chamado Francisco de Narváez) é um caso bem significativo. César Maia elegendo Luiz Paulo Conde prefeito do Rio de Janeiro e logo depois o grupo político de ambos rachando ao meio é outro exemplo clássico.

Tudo isso serve para provar que uma das maiores ruínas de um político é sua vaidade. A sensação de poder enfeitiça qualquer um, a saída deste mesmo poder pode ser traumática - dizem que na porta dos "ex" a grama cresce alta devido a falta de visitantes - e a tentação de manter este poder é imensa. Alguns tentam subverter as regras da democracia - como faz Hugo Chávez na Venezuela - outros procuram se manter no poder através dessas criaturas eleitorais,como faz agora Lula no Brasil.

E muitas vezes a falta de preparo, a falta de liderança e até mesmo a fadiga de material que qualquer grupo político sofre em anos de poder transforma essa experiência em desastre.

Isso quer dizer que pretendo fazer terrorismo eleitoral ou então que torço pelo fracasso de um eventual terceiro governo petista? Não, não mesmo. Isso quer dizer apenas que o mesmo passado que empurra alguns políticos a fazer campanha com os olhos no retrovisor, pretendendo "garantir a continuidade", também serve de advertência para o fato de que "continuidade" não é nada sem um plano e sem qualidade.

É preciso estar sempre atento à Síndrome da Criatura.

A "STFHC" ou Síndrome do Transtorno por Fernando Henrique Cardoso

Postado em 2 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Em 2000, os EUA realizaram uma controversa eleição presidencial. A condução do presidente George W. Bush ao seu primeiro mandato talvez tenha sido a eleição mais tumultuada de toda a história daquele país, com recontagens, protestos, e o resultado sendo referendado pela Suprema Corte após intenso debate nacional.

Lembro de ter acompanhado tudo ao vivo pela CNN. Os estados íam sendo colocados um a um na coluna de votos de cada candidato, o então vice-presidente, o democrata Al Gore, e o então governador do Texas, o republicano George W. Bush, sobrando ao final apenas a Florida.

Os eleitores do Partido Democrata até hoje consideram que aquela foi uma "eleição roubada", a despeito de Bush ter vencido todas as recontagens realizadas naquele estado sob todos os métodos possíveis. Fosse por 500 votos ou por 100 mil votos, ele nunca ficou atrás de Gore ali, mas os democratas jamais perdoaram aquilo.

Já em 2008, quando Bush sairia da Casa Branca ao final do seu segundo mandato, a eleição não parecia ser entre o atual presidente Barack Obama e o candidato republicano John McCain, mas entre os democratas e George W. Bush.

Mesmo sem concorrer a mais nada, ele permanecia presente nos debates, nas propagandas, nos ataques. O sentimento geral entre os eleitores de Obama é que eles deveriam "vingar" a derrota de 2000, a "eleição roubada", e fazer justiça. Não foi surpresa quando, já eleito, o presidente Obama e seu partido começassem a falar de uma "herança maldita". Este termo desperta alguma lembrança sobre a política brasileira?

Se não despertar deixe-me refrescar sua memória: foi assim que o atual presidente Lula batizou o legado de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. A despeito de ter mantido a política econômica, de ter mantido a política de privatizações e concessões, de ter mantido e ampliado o programa de Bolsas, transformando-0 em carro-chefe de seu governo, Lula e os petistas até hoje falam de FHC como se ele fosse o "coisa ruim". Porque?

Antes de mais nada, deixe-me dizer que não sou grande fã do governo de Fernando Henrique. Não foi um bom momento econômico porque o mundo não ajudou, e o Brasil ainda não tinha os fundamentos econômicos sólidos que o permitiram resistir àquela crise como resistiu à de 2008. Mas a cada dia me torno mais admirador da postura republicana que ele manteve durante a sua sucessão, bem diferente deste comportamento de caudilho que Lula exibe agora.

Cada vez que FHC diz algo, que aparece na TV ou emite uma opinião em sua coluna dominical nos jornais, os petistas reiniciam o linchamento moral e histórico a que se dedicam desde o primeiro dia em que se aboletaram no poder. Mas porque? Lula não é o mais popular de todos? Não é "O Cara"?

Simples: porque após o impeachment de Collor, o PT considerava que era direito seu eleger o próximo presidente. A eleição de 1994 seria apenas um ritual que conduziria o "líder metalúrgico" ao Planalto. Por isso foram contra o Plano Real, o qual chamavam de "eleitoreiro".

E foi justamente por causa do Plano Real que levaram uma coça nas urnas. E levaram outra coça em 1998, junto com outro populista sem nenhum cacoete para administrador como o ex-governador Leonel Brizola, o "arquiteto das favelas" do Rio de Janeiro. E eles não perdoam FHC por isso.

Tiveram a chance de levar seu "estimado líder" ao poder em 2002, coisa que os americanos não puderam fazer com Al Gore, já que a política daquele país até admite uma segunda candidatura, mas jamais admitiria um perdedor de 4 eleições sem trabalho fixo - a não ser o de candidato presidencial profissional - continuar tentando até conseguir.

Mas não foi o bastante. Porque não foi contra FHC, o cara que "roubou" o direito deles elegerem o presidente em 1994.

E quem sabe como seria caso tivessem conseguido o poder naquela época. Pelo empenho que demonstram em eleger uma inepta como presidente agora, não é de se espantar que caso o PT estivesse no poder já há uns 16 anos hoje seríamos uma república companheira, que escolhe seus sucessores como um Vaticano Sindicalista.

Mas isso não aconteceu. Não aconteceu porque o ex-presidente Itamar Franco não deixou que o país naufragasse após o impeachment de Fernando Collor. Não aconteceu porque o Plano Real tirou o Brasil da ciranda inflacionária e plantou a semente da inclusão de milhões de cidadãos na sociedade de consumo. Não aconteceu porque ainda não foi daquela vez que funcionou a política do "quanto pior, melhor", tão cara ao PT quando eles estão na oposição. Não aconteceu porque no meio do caminho da trupe palanqueira tinha uma eleição e porque eles perderam essa eleição.
O culpado? Fernando Henrique Cardoso, e ele precisava e ainda precisa ser punido. Seja com dossiês contra sua esposa, já falecida, seja com o linchamento histórico que sofre por parte dos bate-paus petistas.

Ele precisa-ser-punido.

Afinal, chutou a bunda do "Cara" nas urnas duas vezes e isso é mais do que eles podem suportar.

PT e FARC: uma negativa seria bem mais simples

Postado em 21 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Se por um acaso me acusarem, sei lá, de fazer parte de um grupo que tenta revogar a lei da gravidade ou então de ser favorável à disseminação da tuberculose, eu vou onde for possível e onde houver quem me escute e direi: sou totalmente favorável a Lei de Newton e juro por tudo que há de mais sagrado que eu quero que o Bacilo de Koch se exploda e que não tenho nada a ver com ele!

Pode ser que algumas pessoas - que já não vão com a minha cara - não acreditem e continuem pensando que eu desejo ver elefantes voando e o mundo habitado por tísicos, mas só o farão porque assim o querem, pois eu não terei me calado e, conseqüentemente, consentido com o malfeito.

E é justamente por isso que eu me incomodo com a postura do PT e de suas lideranças - incluindo aí sua criatura-candidata - em relação às "acusações" de que eles mantém ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, aquele agrupamento de narco-terroristas que seqüestram, matam e praticam outros crimes sob a proteção da imensidão amazônica.

Desde que o candidato à vice-presidente na chapa de José Serra, o deputado Índio da Costa, disse que o PT mantém ligações com as FARC e - aí nesse ponto passando do tom - com o narcotráfico, já vi os mais variados dirigentes, líderes e áulicos do petismo reclamando de baixaria, dizendo que não vão descer a este nível, ameaçando com processo, citando outros fatos relacionados ao candidato do PSDB e ao partido do candidato a vice, o Democratas, denunciando manobras eleitoreiras, enfim, fazendo toda sorte de atitudes histriônicas de quem se acha "injustiçado", menos a única atitude que alguém nessa posição tomaria de imediato: negar veementemente a acusação.

O próprio José Serra - muito acertadamente - corrigiu o rumo deste debate dizendo que o PT não tem nenhuma ligação com o narcotráfico, porém tem sim, ligações conhecidas com as FARC.

E isto é inegável.

O PT é um dos fundadores do Foro de São Paulo, entidade da qual as FARC faziam parte. Lula já sugeriu que as FARC abandonassem a luta armada e aderissem à luta política, já ofereceu o território brasileiro para "negociações" entre os narco-guerrilheiros e o governo constitucional colombiano, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil se nega a condenar as ações do grupo.

Dilma Rousseff, quando era ministra da Casa Civil, requisitou a mulher de Olivério Medina, representante das FARC no Brasil, para trabalhar no Ministério da Pesca. A Revista Cambio, da Colômbia, publicou uma série de e-mails que estavam no computador do terrorista Raul Reyes, morto por forças colombianas no Equador, listando aqueles que seriam “os amigos” das FARC no Brasil, entre eles José Dirceu, Gilberto Carvalho, Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Paulo Vannuchi, aquele dos "direitos humanos". Esta mesma ação do governo colombiano que matou Reyes, foi veementemente condenada pelo governo brasileiro na ocasião.

Enfim, reportagens e farta documentação sobre a ligação do PT com as FARC são públicas e notórias, porque então seus líderes fazem tanto estardalhaço? Nenhum político da oposição, jornalista ou outro cidadão qualquer sustentou a tese do envolvimento petista com o narcotráfico - o próprio Indio da Costa já voltou atrás, o que foi bom - então porque eles não se restringem ao esclarecimento - de uma vez por todas - sobre sua obscura relação com a guerrilha colombiana?

Seria tão simples o PT emitir um comunicado claro, direto, dizendo o seguinte: renunciamos e renegamos qualquer ligação com as FARC, repudiamos os atos terroristas daquele grupo e negamos qualquer tipo de relação com a guerrilha na atualidade.

E porque não fazem isso? Porque desta forma iriam contra a sua lei da gravidade particular, aquela em que tudo fica de ponta a cabeça e a vítima passa a ser a ré, um malfeito serve para explicar o outro, a negação ad nauseam termina por prevalecer sobre a verdade e a clareza é quase um pecado mortal.

Se alguém um dia acusar um petista de ser favorável a tuberculose, ele não vai negar e nem concordar, provavelmente vai ameaçar algum enfermo de processo ou então o próprio bacilo causador da doença.

Reescrevendo a história

Postado em 17 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Você esteve presente em algum evento histórico? Trocaria esse privilégio para ter uns 20 anos de idade a menos hoje? Esqueça. Talvez o que você tenha visto não existiu, talvez você nem tenha estado ali. Vai depender do interesse atual da turma das "esquerdas progressistas".

Em certas ocasiões, "reescrever a história" é bom. Quando se subverte o destino miserável de um povo em algo virtuoso é um belo exemplo. Mas infelizmente não é essa a norma. Quando um partido político com vocações anti-democráticas chega ao poder, ele tenta reescrever esta história apagando o que não lhe é conveniente dos livros e, se possível, até da memória das pessoas.

Por exemplo, é isso o que Lula faz há quase 8 anos com o seu "Nunca antes na história destepaiz". Ele nega cada conquista, cada avanço, cada coisa boa -ainda que insuficiente - que foi feita no decorrer da história. Apodera-se de programas iniciados no governo de Fernando Henrique - como o Bolsa Escola, Vale Gás, Bolsa Alimentação - amplia seu alcance, coloca todos sob o guarda-chuva do Bolsa Família e passa a dizer que tudo aquilo é criação sua.

Ao fazer isso, ele atenta não só contra a nossa inteligência, mas contra a história. Mistifica, distorce as verdades e cria - de maneira semelhante a qualquer outro ditadorzinho de meia pataca - uma releitura do passado que o glorifique. Não é a toa que vive por aí se apresentando como se fosse alguma divindade.

Basta procurar: qualquer regime autoritário, confesso ou não, trata logo de apagar seus adversários do mapa. Os petistas ainda não chegaram ao cúmulo de derrubar estátuas, remover placas de bronze ou mudar nomes de rua, mas se pudesem...e até quando será que não poderão?

Como já disse outras vezes, o PT - em seu imenso egoísmo histórico, em seu hábito de colocar sempre o partido na frente da nação - apresentou como candidata ao posto de sucessora de Lula a pessoa mais despreparada, não testada e inapta a ser presidente da república de que se tem notícia.

E para criar em torno da tal candidata uma história que ela não possui, conhecimentos que ela não possui e aptidões que nunca teve, o PT põe sua fábrica de mentiras em funcionamento e trata de reescrever a história.

Ela participou de grupos terroristas que mataram até civis durante o regime militar? Na leitura deles ela foi uma "corajosa guerreira" que "lutava pela democracia" - esqueça aqui que a democracia que pessoas como ela queriam era semelhante às que existem em Cuba e no falecido Bloco Soviético - e os exilados eram "covardes", que fugiram da luta.

Ela nunca administrou nada na vida? Inventam que ela foi "gerente do PAC", aquele plano de obras que não saiu nem 10% do papel e só existe em computação gráfica e maquetes.

Ela não sabe a diferença entre a Candelária e a Cinelândia? Já que falou que o comício das "Diretas Já" aconteceu na Cinelândia, quando na verdade foi na Candelária? Não tem problema, os petistas dizem que antes houve uma "passeata" saindo da Cinelândia e transferem o evento histórico de lugar com dois sofismas, três gritos e umas mil repetições, como convém a qualquer mentira que queira passar no vestibular para verdade.

Mestre pela UNICAMP? Mentira. Presa por crime de opinião? Mentira. Não participou da luta armada? Mentira. Não mandou espionarem Ruth Cardoso? Mentira. Nenhum dossiê ou tentativa de arapongagem saiu de seu comitê eleitoral? Mentira.

Mentira, mentira, mentira.

E assim este partido que aparelha o estado e se une à nova elite pelega vai contando mentira atrás de mentira, na sua tentativa de reescrever a história, enganar o eleitor e jogar o país neste salto no escuro.

Cabe a você, que vai às urnas em Outubro, decidir se quer pular nesse abismo e, principalmente, se é com essa gente que deseja estar abraçado.

Duas escolhas

Postado em 14 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

A eleição deste ano terá 12 candidatos a presidência. Destes, três contam com a maior fatia das intenções de voto. A verdade porém é que o eleitor brasileiro ficará frente a frente com uma escolha bem mais simples, resumida em duas visões, duas posturas, dois "planos" para o que será o país nos próximos anos.

Temos um grupo político que se reuniu em torno da pessoa mais despreparada que já concorreu à Presidência da República desde a sua proclamação. Uma ex-ministra de um "Plano de Aceleração" virtual, e que nunca concorreu - salvo grande surpresa - nem a síndica de um condomínio.

Como sustentáculo dessa candidatura observamos, além do PT, um partido gigantesco e fisiológico como é o PMDB, uma caterva de mensaleiros cassados e obscuros, Movimentos Sociais da pior espécie como o MST, sindicatos e radicais de todas as visões possíveis.

Esta candidatura do PT, o mesmo partido que sequestrou o Ministério das Relações Exteriores com a intenção de confraternizar com ditadores, genocidas e facínoras de todo o mundo, representa um passo adiante na radicalização das propostas de viés mais autoritário da agremiação política.

Controle social da imprensa, comissões da verdade, estímulo a invasões, violência no campo, jogar pobres contra ricos, perseguir opositores utilizando para isso de meios ilegais e/ou imorais como quebras de sigilo e arapongagem, dossiês, tudo isso faz parte do indigesto cardápio que o partido pretende fazer a sociedade engolir.

Se durante o governo Lula esse radicalismo foi domado pela personalidade do presidente, durante um eventual - e bato na madeira três vezes - governo Dilma, ela é que será domada pelos radicais.

O presidente do MST - aquele amontoado de bandoleiros do campo - já avisou que as invasões irão aumentar com a eleição da petista. Os sindicatos se empenham tanto em ajudá-la - e se um sindicalista está fazendo qualquer outra coisa além de greve e churrascos, saiba que é você que sairá perdendo - que já podemos imaginar que o aparelhamento do estado ocorrido no governo Lula será aprofundado.

Tudo isso somado à estreita amizade com ditadores e tiranetes, como os irmãos Castro e o imbecil - porém perigoso - Hugo Chávez.

Dito isto, sobra ao eleitor essa escolha que ao meu ver nem é tão difícil: o Brasil continuará sendo uma democracia, com direito ao contraditório, sem fazer associações com aiatolás atômicos iranianos, índios cocaleiros bolivianos e toda sorte de ditadores, um país que mantém uma normalidade democrática desde meados dos anos 1980, ou vamos nos tornar uma democracia plebiscitária, com cidadãos jogados contra cidadãos, com um estado policial ameaçando quem levanta a voz contra o que acontece, um simulacro de democracia triste e ridículo, como é o venezuelano?

A derrota do PT é muito mais do que uma simples transição de poder, saudável alternância democrática, a derrota do PT significará a manutenção da democracia no Brasil, da forma como a conhecemos hoje.

Não consigo imaginar escolha mais fácil.

Olé España!

Postado em 12 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

A Espanha finalmente é campeã do mundo. A Seleção que sempre amarelava desta vez honrou a camisa vermelho-fúria e levou seu primeiro título mundial. Na Copa que será lembrada mais pela bola Jabulani, pelo zumbido das vuvuzelas, pelo decote da Larissa Riquelme e pelas ferraduras do Dunga, a notícia é que o futebol, sim, simplesmente o futebol bem jogado, ainda pode vencer o maior campeonato de futebol de todos.

Futebol que aliás não sai das manchetes policiais também. Seja por causa das investidas do Vágner Love em bailes funk do tráfico, seja por causa das estranhas associações do Adriano com traficantes da Vila Cruzeiro, seja por causa do goleiro-psicopata Bruno, curiosamente todos do Flamengo.

O que quer dizer o fato de todos serem do Flamengo? Nada. Só dá combustível para piadas dos adversários, de resto, nada relacionado ao clube da Gávea e sim ao nível intelectual rasteiro de 99% dos jogadores de futebol brasileiros, verdadeiros asnos com conta bancária recheada.

É o mesmo que dizer que a Holanda é o Vasco das Copas do Mundo. É um exagero e uma injustiça, porque também poderíamos dizer que a Holanda nas Copas é equivalente ao Corinthians na Libertadores, com um agravante: o Corinthians não consegue nem chegar nas finais.

Agora, o personagem marcante mesmo dessa Copa não foi o uruguaio Forlan, eleito o melhor jogador do torneio, não foi o Iniesta, o Villa, o Robben, nem mesmo o Mandela. O maior craque foi o polvo Paul, que acertou simplesmente 100% de suas previsões sobre os resultados dos jogos.

O molusco simplesmente cravou o campeão, o vice e até quem levaria o terceiro e o quarto lugar. Se estivesse num bolão, ficaria rico. Se fosse comentarista de TV, viraria lenda. Isso aliás me leva a pensar: para que tantos comentaristas falando tanta bobagem, sempre com aquele sorriso idiota na cara - os do Sportv então nem se fala - como se o telespectador fosse um idiotizado, se um polvo consegue fazer o trabalho deles melhor do que ninguém?

O polvo aliás seria um excelente substituto pro Galvão Bueno, outro personagem dessa Copa por causa do "Cala a Boca Galvão", que foi o assunto mais falado do Twitter por dias. Ele faz previsões mais corretas do que o Galvão e, como não entendemos um suposto idioma "polvês", não enche tanto o nosso saco com aquele falatório e pregação ufanista.

Mais inútil do que comentaristas de futebol no entanto são comentaristas de arbitragem, sério. Eu lá estou interessado no que diz a alínea b-336 do código disciplinar da FIFA? Alguém mais está? Sei não, aquilo pra mim é cabide de emprego pior do que esses de parente de deputado e senador. E a utilidade é mais ou menos parecida.

Assim como foi inútil o Dunga ter transformado a Seleção Brasileira numa espécie de Coréia do Norte do futebol. Fomos das orgias de Calígula em 2006 para uma espécie de Convento das Irmãs Enclausuradas em 2010.

Mas dizem que a culpa mesmo foi do Lula. Todo time que ele cumprimenta ou toca na camisa perde fragorosamente logo em seguida. Não sei se tem alguma coisa a ver, mas pra um político que adora metáforas sobre futebol e utilizar o futebol em benefício de sua popularidade, acho que seria melhor que ele passasse a se interessar por Golfe - ainda que seja coisa das "zelite" - ou então que passe a torcer pela Alemanha.

Falando de política, gol contra mesmo foi a tal candidata que assinou um programa de governo que previa ataques à propriedade, controle da imprensa e até "comissões da verdade". Só faltava prever "Campos de Reeducação" para quem não quisesse tatuar uma estrela do PT na testa daqui a uns anos.

Depois a dita cuja, uma espécie de Felipe Melo da política, disse que não assinou nada, apenas rubricou. Primeiro não soube dizer a um jornal porque queria ser presidente, depois disse que não assinou algo que havia assinado por puro e simples desconhecimento da língua portuguesa. Eu só me pergunto: quem diz que vai votar numa coisa dessas pra presidente, tem o que contra o Brasil? É o mesmo que o Dunga deixar o Ganso em casa e levar o Felipe Melo para a África. É quase um atentado ao pudor.

Mas a eleição vem aí com força total a partir de agora, para nos incomodar mais do que as vuvuzelas, então pelo menos por enquanto vamos curtir o novo membro do clube dos Campeões Mundiais, um merecido novo sócio.

Foi uma Copa de poucos gols e de jogos entediantes, mas no final das contas venceu o time que não foi para lá testar "táticas de guerra" e nem brincar de inspetor de colégio interno na concentração. Venceu o time que simplesmente foi para jogar futebol.

E provou que esta ainda é a melhor maneira de vencer uma Copa do Mundo.

O dia seguinte

Postado em 25 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

O Brasil passará esse ano por dois eventos que prenderão a atenção de toda a sua população, um é a Copa do Mundo que se realizará na África do Sul e o outro são as eleições em Outubro.

A Copa é quase uma unanimidade, todos sabem por quem vão torcer. A eleição não e, no entanto, infelizmente vejo em torno dela também apenas isso: torcida.

Temos um presidente da república que há muito abdicou da liturgia do cargo para se transformar em cabo eleitoral. Nada contra um mandatário no exercício da função ter um candidato próprio para sucedê-lo, mas existem limites que a prática republicana impõe e estes já foram chutados lá pros confins do Maranhão faz tempo.

Essa postura não-presidencial de Lula é notória e três ou quatro multas do TSE à sua pessoa estão aí para não me deixarem mentir, mas o que mais me incomoda em todo esse processo carnavalesco que se tornou a eleição de 2010 é a falta de preocupação total com o que acontecerá no dia seguinte a ela.

Dilma Rousseff não tem biografia e nem cacoete de presidente. Passa diariamente por um processo de modelação, tal qual uma alegoria de escola de samba. Os dias passam e o "carnavalesco" vai ordenando à sua equipe que coloque um paetê aqui, uma miçanga acolá, um jogo de luzes num canto, uma fumaça pra causar ilusão de ótica no outro e a alegoria vai tomando forma para o "grande espetáculo". Tudo feito sob medida para impressionar os jurados.

Só que todo carnaval tem a sua quarta-feira de cinzas e o Brasil não vai terminar no dia 3 de Outubro. O sol vai nascer no dia 4 e sob as toneladas de confetes e serpentinas da "festa da democracia" restará a pergunta fatal: e agora?

Bom, se a vontade imperial de Lula valer ele terá batizado sua sucessora. Haverá festa nas hostes petistas, os movimentos sociais vão se ouriçar, a "militância" vai se declarar vitoriosa e um país estará aguardando o seu destino.

O problema é que este "país" não parece estar nos planos do partido. O partido, que aparentemente está acima do país para os petistas, terá sim um destino, um futuro, que é o poder pelo qual ele existe, que é um fim em si mesmo. Mas o país não. O país estará aí, órfão de algo que vá além do dia da eleição.

Porque não tem muito mais para sair de onde veio essa candidatura da Sra. Dilma Rousseff. A candidatura é o plano em si. Uma vez feito vencedor, estará concluído.

Seria então uma continuidade da obra de Lula? Que continuidade, se a sua obra em já é uma continuidade do que foi feito em anos anteriores? Dilma não está se apresentando para dar continuidade ao que é feito no país e sim para dar continuidade a um mandato que foi impossível para seu chefe estender legalmente. Ela é a tentativa do terceiro mandato que não pôde vir.

A partir do momento que sentar na cadeira de presidente não terá mais o que fazer além de ser guardiã do legado pessoal de alguém a quem sucedeu, ser uma espécie de meirinho para que seu partido leve a termo uma guinada à esquerda que a sociedade não apóia e ser também um "entre - Lulas". E tudo isso nada tem a ver com o que será feito do Brasil nos anos que se seguirão. É tudo voltado pra dentro da cúpula, do politburo das bananas.

E algo de tal importância parece que será decidido como numa torcida de Copa do Mundo. Não vejo muita gente preocupada realmente com o país e sim com o seu "time". É um tal de "venceremos!" ou "vamos ganhar e mostrar pra eles no dia da eleição!".

Será que alguém que esteja fora da máquina partidária, do colchão assistencialista das "bolsas" e ainda assim se declara eleitor de Dilma Rousseff parou sequer cinco minutos para pensar nos quatro anos seguintes que terá para conviver com a culpa e as conseqüências de ter ajudado a alçar ao posto máximo de seu país alguém que provavelmente será um mero veículo de execução de idéias de gente como Antônio Palocci, José Dirceu, José Sarney, Renan Calheiros e outros tantos?

Porque esse tipo de "vitória" não é igual à de uma escola de samba ou de um time de futebol, que a pessoa vai comemorar com bandeiras na rua e no dia seguinte vai seguir sua vida normalmente, como se nada tivesse acontecido. Esse dia seguinte é bem mais longo.

Mas parece que não tem muita gente se dando conta disso.

Dilma e a "Operação Cavalo de Tróia"

Postado em 8 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Através do Twitter do @Gravz recebi este vídeo retirado daqui, que exibo abaixo.

Assistindo isso, fico impressionado com a vaidade de Lula, que entendeu que mesmo ao arrepio da lei, da ética e da liturgia do cargo de Presidente da República tentará batizar essa mulher como sua sucessora. "Sou popular, renego o passado, brinco de descobridor do Brasil, porque não? Dane-se o país".

Só mesmo o PT na sua inesgotável pusilanimidade para se sujeitar a isso e somente um indivíduo já sem a menor noção da realidade para apresentar uma pessoa tão desqualificada e despreparada para ser candidata a presidência.

Espero estar errado, afinal é apenas uma teoria, porém não acho que seja tão mirabolante assim: só consigo enxergar essa mulher como um Cavalo de Tróia. Sério.

Trata-se de uma pessoa que não tem história política e nem biografia para preservar e que muito bem pode vir a servir como o veículo para a guinada à esquerda radical e ao chavismo mais nefasto.

Reinaldo Azevedo já utilizou esse termo para uma outra teoria sobre Lula, Dilma e o PMDB, mas ele é tão apropriado ao que penso, que não o sacrificarei em nome da originalidade.

Se tudo correr como eles planejam, depois de 4 anos de uma presidência fraca, volta o "Grande Mestre", aí sim, do jeito que ele tanto sonha, como um Fidel Castro do acarajé com farofa.

Os veículos de imprensa e a política

Postado em 6 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Faz um tempo que eu escrevi aqui sobre a postura de blogs, portais, jornais e revistas frente a qualquer eleição que aconteça em qualquer país. Contei (e demonstrei com fotos) que nos EUA os jornais declaram apoio abertamente e que isso é uma coisa boa, visto que os leitores e eleitores não são enganados com a falsa neutralidade que vemos aqui no Brasil.

Hoje, 5 de Maio de 2010, é dia de eleições gerais no Reino Unido. Eles votarão a nova composição do Parlamento e o partido que conseguir maioria ou formar uma coalizão, indicárá o primeiro-ministro.

Como sou fissurado em processos eleitorais de forma geral (até eleições na Irlanda, na África e na Ucrânia), fui ler algumas notícias sobre o dia da eleição e me deparei com essas duas capas que reproduzo abaixo:




Pra quem não sabe inglês, explico rapidinho: o The Sun traz em sua manchete os dizeres "Em Cameron (líder do Partido Conservador) nós confiamos, é nossa única esperança". Já o Daily Mirror traz em sua primeira página a seguinte convocação: "Primeiro-Ministro? Tem certeza? Não deixe que David Cameron  engane você, vote no Partido Trabalhista".

Como vocês podem notar, nenhuma pessoa que possua pelo menos duas sinapses comunicantes terá dúvida alguma sobre qual partido este ou aquele jornal apóiam.

Aqui no Brasil temos esse apoio velado, essa coisa cínica da "isenção" que na verdade não existe. Alguns veículos são claramente opositores ao governo. Outros, fingem uma neutralidade.

Órgãos de imprensa, ou pelo menos muitos destes órgãos de imprensa, necessitam de verbas federais que chegam em forma de anúncios, logo não podem adotar postura independente em relação ao governo. Só que não podem exagerar no apoio, senão, quando e se houver uma troca no poder, a torneira fecha.
Então eles transitam naquele terreno meio doido em que para elogiar um, precisam elogiar o outro e para falar dos defeitos de um, precisam achar algum defeito no outro.

"Serra fez um ótimo discurso na pré-convenção do PSDB". "Dilma conseguiu concluir brilhantemente pelo menos uma das 300 frases que iniciou em seu pronunciamento para os líderes do MST".

"Ato de Centrais Sindicais pró-Dilma recebeu milhões de estatais em patrocínio e Lula discursou pedindo votos para ela". "Prefeito de Camboriú pagou uma coxinha para Serra e ele disse que fumantes são idiotas".
E por aí vai.

Não seria melhor que os jornais fizessem como nos EUA e no Reino Unido e tirassem de uma vez a máscara?

Tenho certeza que a democracia não precisa de simulacros para ser forte, precisa apenas de transparência.

Não existe partido de direita no Brasil

Postado em 26 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Direita x Esquerda: velha e interminável disputa.

Historicamente esses termos surgiram durante a Revolução Francesa. O chamado "Terceiro Estado", alta e média burguesia e setores mais "populares", sentava-se à esquerda do rei, enquanto os aristocratas e o clero sentavam-se à direita.

Somente após a revolução e a queda da monarquia é que essa divisão passou a ser usada para separar girondinos (a burguesia, temerosa de uma radicalização da revolução) e jacobinos (que desejavam esse aprofundamento revolucionário).

Talvez essa filigrana histórica sirva para explicar o porque da minha opinião sobre não existir partidos de direita no Brasil. No final das contas são todos esquerdistas que temem quase como um xingamento a palavra "direita". Fazendo o papel da derrotada "monarquia" francesa, podemos perfeitamente encaixar a ditadura militar, aquele indesejável e longo período de estagnação política e intelectual.

Carlos Lacerda talvez tenha sido o último grande político a representar a tal "direita" na forma como vemos em vários países europeus e nos EUA.

Após a queda da ditadura e a ascensão da "Nova República", todo mundo no Brasil virou "de esquerda" ou como eles adoram dizer "progressistas". Não temos em nosso amplo leque partidário nada parecido com a divisão Democratas x Republicanos, Trabalhistas x Conservadores, Democratas-Cristãos x Sociais-Democratas.

Isso é estimulado pela postura de nossa mídia, que se arvora em satanizar qualquer proposta política que ouse chegar sequer nas cercanias do outro lado do corredor. Ninguém quer ser associado ao que é quase um palavrão, uma ofensa, "direitista!".

E devido a esta excrescência, o que sobra como "direita" no Brasil são políticos corruptos que abraçam um falso conservadorismo, com viés mais de "moral e bons costumes" e religioso ou então o "rouba mas faz".

Nada que chegue perto do que realmente representa a direita mundo afora, que é a defesa do estado não mínimo, mas concessor e fiscalizador, das liberdades individuais, do mérito, do anti-peleguismo, de um governo voltado para o cidadão médio e não para essa "sindicatocracia" da qual a esquerda se utiliza para criar novas elites e aparelhar o poder público.

No Brasil isso se manifesta na postura coitadista de todas as esferas de governo, na tolerância com o informal, com a desordem. O melhor exemplo é o Rio de Janeiro, desde sempre afeito às "esquerdas" e governado por suas mais diversas matizes. Uma cidade favelizada, tomada pelo informal e pelas pragas urbanas, porque desde sempre satanizou a remoção de favelas, o combate à camelotagem, a aplicação mínima das posturas municipais.

Remover favelas, combater vans e camelôs é "lacerdismo", é coisa de "direita". Vive-se então com o caos e o desconforto de uma das cidades mais problemáticas do país. Esquecem que o tal "lacerdismo" evitou que a Lagoa hoje fosse tomada por favelas em seu entorno e construiu o sistema que até hoje, sem quase ampliação alguma, leva a água potável que chega às torneiras de todos os cariocas.

A eleição presidencial deste ano é outra prova disso. Teremos três representantes da esquerda concorrendo à presidência. Uma, ex-petista com forte apelo à ecologia, ao combate contra o aquecimento global, defensora de políticas que qualquer membro do Partido Democrata americano defenderia.

Outra, uma ex-terrorista de esquerda, concorrendo por um partido que aparelhou o estado, ampliou o famigerado e coitadista sistema de cotas raciais, que defende o mais espúrio controle da imprensa, a baderna no campo do MST, o onguismo, o pobrismo, a "sindicatocracia".

E o terceiro candidato um homem que foi exilado político, presidente da UNE, membro de um partido formado pela ala mais "progressista" que existia no PMDB. Um partido que defende também políticas que estão longe de um direitismo clássico, diferindo do PT apenas na condução responsável do estado e das políticas economica, social e de infra-estrutura.

Por isso eu digo: não existe direita no Brasil.

Não existe quem represente pelo menos 1/3 do eleitorado brasileiro, que erroneamente dizem ser "anti-PT", mas que na verdade é "anti-esquerda" e vaga por aí, de eleição em eleição, à procura de quem mais se aproxime da postura que acredita ser a melhor para sua cidade, seu estado e para o país.

É um contingente razoável de pessoas que, qualquer dia desses, acaba fundando o MSP: Movimento dos Sem Partido.

Os tubarões estão nos esperando para jantar

Postado em 20 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Ontem eu fiz um post ironizando as críticas do PT ao vídeo comemorativo dos 45 anos da Rede Globo. Ironizei porque achei tudo aquilo surreal demais, conspiratório demais e pensei, na minha inocência democrática, que ficaria apenas na gritaria de um partido que a cada dia mais se assemelha a um culto religioso.

Mas não. Horas mais tarde fui surpreendido com a notícia de que a Globo tirava a propaganda do ar, para não "ser acusada de ser tendenciosa". Ato contínuo, o homem-sanduíche do PT, o jornalista enjeitado pela Globo e acochambrado na TV do Bispo Macedo, Paulo Henrique Amorim, fazia a festa comemorando o sucesso da censura aplicada pela turma do Zé Dirceu à emissora.

Comentei no Twitter que o PT tem viés autoritário, por mais que queira disfarçar suas intenções. Quem não quiser acreditar na minha palavra pura e simples basta observar quem são seus aliados mundo afora.

Como muito bem observou Augusto Nunes em sua coluna do dia 17 de Abril, todas as vezes que o PT (atual titereiro deste vergonhoso Itamaraty de Celso Amorim) precisou tomar uma posição, ele optou por ditadores, genocidas e mitômanos.

Apontava muito bem o artigo que o PT escolheu "a Venezuela bolivariana ao invés dos Estados Unidos, os narcoterroristas das FARC e não o presidente reeleito Alvaro Uribe, o psicopata Muammar Khadaffi ao invés do Tribunal Internacional de Haia, a ditadura dos irmãos Castro no lugar dos presos de consciência, o terrorista italiano Cesare Battisti ao invés dos pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, o golpista Manuel Zelaya no lugar da Constituição hondurenha, o genocida Omar al-Bashir sobre Darfur dilacerado."

Como se nota, o autoritarismo está no DNA dessa gente. Não é à toa que a escolha da candidatura presidencial do partido caiu no colo de uma ex-terrorista que participava de um grupo armado que tinha como objetivo instaurar uma ditadura comunista do país.

Muitos podem argumentar que Lula e o PT perderam eleições e não optaram pelo golpismo. Que sofreram denúncias da oposição e de veículos de comunicação e nunca instauraram uma ditadura.

Eu respondo simplesmente que eles até hoje não fizeram nada disso porque não tem certeza do sucesso. Essa gente só dá um passo se souber o que os espera ali adiante.

Seu método é mais "garantido" ou será que ninguém percebe o aparelhamento do Estado com dezenas de milhares de cargos, o fortalecimento dos Sindicatos, o seu braço armado no campo representado pelo MST cada vez mais desafiador, a tentativa de criar "Comissões da Verdade" e "controle estatal da imprensa", a formação de um curral eleitoral assistencialista, a satanização dos meios de comunicação?

Tudo isso pode ser resumido na declaração de Lula, que cada dia mais parece enlouquecido pelo poder, de que na Venezuela ditadorial de Chávez "existe democracia até demais".

Um país que fecha redes de televisão opositoras, processa quem emite opiniões divergentes e chega ao descalabro máximo de prender uma juíza e mantê-la encarcerada porque esta concedeu um habeas-corpus para um opositor do Bandido-em-Chefe, é um modelo de "democracia até demais" para Lula.

A retirada do ar da propaganda da Globo pode ser explicada por diversos meios de pressão, inclusive os econômicos dos quais dispõe o Governo Federal. Goste-se ou não da empresa fundada por Roberto Marinho, qualquer pessoa normal sabe que ele não deve ter criado seu negócio em 1965 só para coincidir com uma eleição 45 anos depois, onde um presidente ensandecido e ególatra tentaria empurrar pela goela da nação abaixo uma pessoa desqualificada, despreparada e desequilibrada para sucedê-lo.

Esse pequeno episódio demonstra bem o espírito autoritário do PT. Quem não prestar atenção nisso hoje e ponderar se é este o futuro em que deseja viver, amanhã poderá ser perseguido porque emitiu alguma opinião contrária ao humor dos comissários petistas.

A democracia não morre de um dia para o outro. A democracia não é retirada das mãos das pessoas num ato único, tal qual faz um assaltante.

A democracia morre aos poucos, na construção de maiorias burras, na repressão ao contraditório, nas teorias de conspiração, na supressão lenta e contínua das liberdades, nos planos sorrateiros que são apresentados depois à sociedade como fato consumado. É um processo sutil que quando finalmente é revelado, já é tarde demais.

O ladrão da democracia age como punguista. Se aproxima, distrai e quando você percebe já perdeu o que possuía.

Não deixemos que batam nossa carteira, eles já nos roubaram demais.

O Terceiro Momento

Postado em 1 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Em seu discurso de despedida do governo, a agora ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, referiu-se ao presidente da república como "senhor" nada menos do que 28 vezes.

Nada demais, já que ele é seu "chefe", mas um pouco subserviente além da conta se formos pensar que trata-se da Criatura Eleitoral ungida por Lula para sucedê-lo na Presidência da República.

Ainda mais dentro do círculo íntimo de um governante que não é dado a protocolos como é o caso do cacique-mor do PT.

Mas este fato, que poderia passar desapercebido na montanha de descalabros que marca este final de governo petista, sinaliza para algo que pode muito bem ser verdade, que é o fato de um eventual governo Dilma ser apenas um período "entre-Lulas".

Nossas instituições, por mais maculadas, inertes e ineficientes que sejam, ainda tem força suficiente para evitar manobras chavistas, evitando assim a tentação de um terceiro mandato e, porque não, de um quarto, quinto, etc.

Mas vejam bem que eu disse ainda. Não sabemos até quando o Brasil ainda possuirá instituições que possam resguardar devidamente o processo democrático.

Mas porque terceiro momento? Porque ele seria o ponto culminante (ou pelo menos o momento de inflexão máxima) de um projeto bem maior que o PT parece estar ponto em prática. O primeiro momento foi a eleição de Lula e sua reeleição. É o "Lula I".

O PT precisou em 2002 divulgar a "Carta ao Povo Brasileiro", em que tranquilizava o eleitorado contra o maior medo deste: que o PT agisse como PT.

Duda Mendonça criou o personagem Lulinha Paz e Amor, que deixava de lado a barba desgrenhada, a fala cuspida e apresentava-se ao país mais como um projeto de estadista do que como um produto sindicalista.

Venceu. E teve como mérito manter as políticas econômicas que funcionavam e, questão de tempo, iriam ajudar o Brasil a crescer. Tanto não houve ousadia, que enquanto o mundo crescia a ritmos acelerados o Brasil patinava devido a uma criticada política de juros altos.

Houve o segundo mandato, conseguido na base do terrorismo privatista e apesar dos escândalos de corrupção que colheram quase toda a cúpula petista que havia chegado ao poder. Desde o publicitário criador do PT manso e vencedor até o seu "general", José Dirceu, todos foram estraçalhados pelas suas próprias atitudes.

Mas o líder ficou. Queimou um a um os seus acólitos e exerceu um segundo mandato com o tripé formado por uma base fisiológica, propaganda massiva e programas de transferência de renda. Atravessou a crise internacional muito bem e emergiu perante o mundo como "o cara".

Ajudou o Brasil a trazer a Copa do Mundo e a Olimpíada, exibindo índices de popularidade mais parecidos com as eleições que Saddam Hussein vencia no Iraque, quando concorria consigo mesmo.

Mas Lula tem um problema e o grande problema de Lula se chama PT. Um partido que foi domado para chegar ao poder, mas que nunca esqueceu o seu "instinto animal". Para um petista, primeiro existe o partido e depois exista a nação.

E se o problema de Lula é o PT, o problema do PT é a democracia, que segundo o próprio Lula "existe até demais" na Venezuela proto-ditatorial de Hugo Chávez.

Com esses índices de popularidade gigantescos e um partido faminto por mais e mais poder, Lula abandonou as incômodas amarras da moderação e voltou a agir como o líder sindical desafiador que não conseguia passar dos 30% de votos nas eleições, curiosamente o mesmo teto em que sua Criatura Eleitoral, Dilma Rousseff, bate com os chifres desde que se lançou.

Passou então a fazer propaganda desavergonhadamente, a fazer de tudo, ético ou não, para conseguir mandar na sucessão do seu "trono".

E caso consiga, virá mais radicalização. O MST já prometeu uma guerra no campo em favor de Dilma, os sindicatos não fazem a menor questão de esconder que farão de tudo para ajudar o PT, a base fisiológica mobilizará currais a seu favor e a partir daí, a ex-terrorista que não tem biografia alguma e nem legado com o qual se preocupar poderá "botar o bloco na rua" e dar a guinada tão desejada rumo ao chavismo.

As bases já estão plantadas com projetos de controle da imprensa, "Comissões da Verdade", poder cada vez maior para ONGs e "movimentos sociais" e tudo isso sustentado pelo oásis-econômico representado pelo petróleo que supostamente jorrará do pré-sal e fornecerá dinheiro para o governo dar Bolsa-Salário para a população inteira.

Este será o segundo momento.

A substituição total do Estado pelo Partido e seus chicaneiros. Conflitos, embates e a velha fórmula de jogar cidadão contra cidadão será aplicada ainda mais e tudo isso preparará o terreno para o terceiro momento que é a volta triunfal do "líder", do "cara" ao poder, com força de um quase-rei. É o "Lula II".

Nesse momento, as instituições é que já estarão domadas, o Partido estará mais forte do que nunca e nada, nada se colocará entre as reeleições sucessivas, o aparelhamento total do governo e o expurgo de tudo o que lhe fizer oposição.

Isso tudo, claro, é apenas uma teoria. Mas conhecendo os líderes petistas, o ideário do partido e a disposição de sua "militância" organizada, não sei se é tão mirabolante assim.

E você que me lê, colocaria sua mão no fogo por eles? Eu não.
 
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