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Olé España!

Postado em 12 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

A Espanha finalmente é campeã do mundo. A Seleção que sempre amarelava desta vez honrou a camisa vermelho-fúria e levou seu primeiro título mundial. Na Copa que será lembrada mais pela bola Jabulani, pelo zumbido das vuvuzelas, pelo decote da Larissa Riquelme e pelas ferraduras do Dunga, a notícia é que o futebol, sim, simplesmente o futebol bem jogado, ainda pode vencer o maior campeonato de futebol de todos.

Futebol que aliás não sai das manchetes policiais também. Seja por causa das investidas do Vágner Love em bailes funk do tráfico, seja por causa das estranhas associações do Adriano com traficantes da Vila Cruzeiro, seja por causa do goleiro-psicopata Bruno, curiosamente todos do Flamengo.

O que quer dizer o fato de todos serem do Flamengo? Nada. Só dá combustível para piadas dos adversários, de resto, nada relacionado ao clube da Gávea e sim ao nível intelectual rasteiro de 99% dos jogadores de futebol brasileiros, verdadeiros asnos com conta bancária recheada.

É o mesmo que dizer que a Holanda é o Vasco das Copas do Mundo. É um exagero e uma injustiça, porque também poderíamos dizer que a Holanda nas Copas é equivalente ao Corinthians na Libertadores, com um agravante: o Corinthians não consegue nem chegar nas finais.

Agora, o personagem marcante mesmo dessa Copa não foi o uruguaio Forlan, eleito o melhor jogador do torneio, não foi o Iniesta, o Villa, o Robben, nem mesmo o Mandela. O maior craque foi o polvo Paul, que acertou simplesmente 100% de suas previsões sobre os resultados dos jogos.

O molusco simplesmente cravou o campeão, o vice e até quem levaria o terceiro e o quarto lugar. Se estivesse num bolão, ficaria rico. Se fosse comentarista de TV, viraria lenda. Isso aliás me leva a pensar: para que tantos comentaristas falando tanta bobagem, sempre com aquele sorriso idiota na cara - os do Sportv então nem se fala - como se o telespectador fosse um idiotizado, se um polvo consegue fazer o trabalho deles melhor do que ninguém?

O polvo aliás seria um excelente substituto pro Galvão Bueno, outro personagem dessa Copa por causa do "Cala a Boca Galvão", que foi o assunto mais falado do Twitter por dias. Ele faz previsões mais corretas do que o Galvão e, como não entendemos um suposto idioma "polvês", não enche tanto o nosso saco com aquele falatório e pregação ufanista.

Mais inútil do que comentaristas de futebol no entanto são comentaristas de arbitragem, sério. Eu lá estou interessado no que diz a alínea b-336 do código disciplinar da FIFA? Alguém mais está? Sei não, aquilo pra mim é cabide de emprego pior do que esses de parente de deputado e senador. E a utilidade é mais ou menos parecida.

Assim como foi inútil o Dunga ter transformado a Seleção Brasileira numa espécie de Coréia do Norte do futebol. Fomos das orgias de Calígula em 2006 para uma espécie de Convento das Irmãs Enclausuradas em 2010.

Mas dizem que a culpa mesmo foi do Lula. Todo time que ele cumprimenta ou toca na camisa perde fragorosamente logo em seguida. Não sei se tem alguma coisa a ver, mas pra um político que adora metáforas sobre futebol e utilizar o futebol em benefício de sua popularidade, acho que seria melhor que ele passasse a se interessar por Golfe - ainda que seja coisa das "zelite" - ou então que passe a torcer pela Alemanha.

Falando de política, gol contra mesmo foi a tal candidata que assinou um programa de governo que previa ataques à propriedade, controle da imprensa e até "comissões da verdade". Só faltava prever "Campos de Reeducação" para quem não quisesse tatuar uma estrela do PT na testa daqui a uns anos.

Depois a dita cuja, uma espécie de Felipe Melo da política, disse que não assinou nada, apenas rubricou. Primeiro não soube dizer a um jornal porque queria ser presidente, depois disse que não assinou algo que havia assinado por puro e simples desconhecimento da língua portuguesa. Eu só me pergunto: quem diz que vai votar numa coisa dessas pra presidente, tem o que contra o Brasil? É o mesmo que o Dunga deixar o Ganso em casa e levar o Felipe Melo para a África. É quase um atentado ao pudor.

Mas a eleição vem aí com força total a partir de agora, para nos incomodar mais do que as vuvuzelas, então pelo menos por enquanto vamos curtir o novo membro do clube dos Campeões Mundiais, um merecido novo sócio.

Foi uma Copa de poucos gols e de jogos entediantes, mas no final das contas venceu o time que não foi para lá testar "táticas de guerra" e nem brincar de inspetor de colégio interno na concentração. Venceu o time que simplesmente foi para jogar futebol.

E provou que esta ainda é a melhor maneira de vencer uma Copa do Mundo.

D10S

Postado em 5 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Esperei até que a Argentina concluísse sua participação no Mundial da África do Sul para escrever isso. Certamente não foi como eu esperava, uma final entre Brasil e Argentina, mas também não foi nenhuma surpresa.

Maradona não armou uma equipe, armou um time de craques que poderiam ou não resolver tudo sozinhos. Dunga armou uma equipe, mas se esqueceu de que o Brasil sempre foi um time de craques, alheio à nivelação mediana que sempre permeou em outras Seleções nacionais.

O Brasil foi um batalhão fazendo ordem unida rumo a uma eliminação que representou um dano controlado. A Argentina foi um exército de Brancaleone marchando gloriosamente para o abismo. Perdeu, perdeu de maneira fantástica, épica, gigantesca. Mas que triste foi essa derrota!

Triste, mas não deprimente como a do Brasil. Foi uma derrota de gigante.

E está aí a origem da minha admiração por esse gênio indomável que é Diego Armando Maradona. Este anjo que ora voa no céu, em ares dos mais rarefeitos, ora cai até o inferno, tragado por um fatalismo digno da terra do tango.

Diego foi, para mim, o maior de todos. Desculpe quem acha que porque sou brasileiro tenho que preferir Pelé. Pelé foi um gênio em campo, não há duvida, mas Maradona tem a dose de dramaticidade e humanidade que paradoxalmente o transforma no "dios" que os argentinos tanto cultuam. Somente um "deus" passa por tantas provas, por tão humanas provas, e sai ileso, cada vez maior, cada vez mais divinal.

É por isso que eu gosto tanto do Romário, o maestro que me proporcionou assistir o Brasil vencer a primeira Copa do Mundo. 1958, 1962 e 1970 eu só vi em video-tape. Ao vivo, a cores e gritando de emoção, foi em 1994, a Copa do Romário, talvez o mais argentino dos jogadores brasileiros.

Outra heresia minha? Não mesmo. Somos o país dos craques que retiram o manto da glória dos seus ombros para "dividir com o grupo e o professor", somos o país em que a genialidade para ser admirada precisa ser "humilde", somos o país que abomina que "o cara" diga que Deus apontou para ele e disse "você é o cara", como Romário declarou.

Abominamos quem se destaca, abominamos quem sabe que é bom no que faz, temos vergonha e culpa de sentir orgulho. Os argentinos não. Venceram três Mundiais a menos do que nós, mas quem os vê torcendo por sua Seleção, cantando o amor pela sua Seleção, enaltecendo seus craques, pensa que eles tem umas 10 Copas do Mundo. E por isso eles são rotulados de "arrogantes" no Brasil.

O Brasil é o país da pena. Sentimento bom aqui é pena. Admiração, orgulho, paixão, tudo é condenável, precisa de justificativa, só a pena não. Por isso o argentino, com seu orgulho por vezes até quixotesco, é a antítese do brasileiro, com sua humildade de vira-lata, como já dizia o mestre Nelson Rodrigues, com a sua falsa modéstia sempre soterrando o orgulho.

E Maradona - agora a heresia que cometo é para os argentinos - com seu futebol imprevisível, com suas jogadas de artista, com sua genialidade única, foi um jogador que muito bem poderia ter sido brasileiro, pois possui todas as qualidades do futebol pentacampeão mundial.

Maradona é um gênio atemporal, mundial, um verdadeiro deus do futebol. Ele poderia ser titular em cada uma das grandes seleções que fizeram história. Seja a Hungria de Puskas, a Holanda de Cruyff, a França de Zidane, o Uruguai do Maracanazzo, a Alemanha de Beckenbauer, sejam todos os Brasis campeões. E no entanto ninguém jamais ousaria dizer que ele não é o mais argentino de todos, a personificação da força do futebol daquele país.

Belo, forte, glorioso e trágico, como um legítimo tango argentino, como uma tragédia grega, verdadeiramente digna de um deus do Olimpo. El D10S, Diego Armando Maradona.

Dunga, convoca o Romário!

Postado em 11 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Hoje finalmente saiu a convocação da SeleDunga. Podem chamar também de Selenike se preferirem, pra mim é indiferente, porque nesta Copa eu vou torcer pra Argentina. Um time burocrático e de "operários", ainda que levar craques-vagabundos não fosse também uma grande solução.

Mas tenho certeza que muita gente vai xingar o Dunga por mim, prefiro falar de um assunto mais agradável. Outro dia meu amigo @luckfaber me chamou no MSN pra falar da participação do Romário num programa de TV. Comentou comigo sobre como era bom vê-lo em campo, o gênio da grande área, e como era melhor ainda ouvi-lo falar fora do campo.

Ainda recordo a véspera da Copa de 1994 e o clamor nacional pela sua convocação. O Brasil aos trancos e barrancos nas eliminatórias até que na última partida, contra o Uruguai, o teimoso da vez Carlos Alberto Parreira resolve ceder (não ao clamor, mas ao medo de não se classificar) e convoca aquele que sem dúvida alguma era o melhor jogador em atividade no mundo.

Show naquela partida, show na Copa, 24 anos de fila terminavam e ninguém duvidava: aquela era a vez do Romário. Naquele futebol burocrático da Seleção de 94, ele foi o lampejo de genialidade, de arte, de leveza.

Não me entendam mal! Eu não desprezo aquele time como fazem os "comentaristas" esportivos. Pra mim aquela foi a melhor Seleção Brasileira que eu já vi, simplesmente porque foi a primeira que eu vi ser campeã e que tirou da nossa boca o gosto amargo das derrotas de 82, 86 e 90. Foi por ela que vibrei em frente a um aparelho de televisão no quisque Viajandão, na Barra da Tijuca, o mesmo que o Romário ia pra jogar futvolei.

Mas o time de 94 não teria sido o que foi sem o seu craque, sem o seu futebol objetivo e refinado e sem a sua personalidade única.

E é aí que Romário se distancia anos luz dos jogadores que foram seus contemporâneos e dos que o sucederam. Ele é um cara verdadeiro, sem essa falsa máscara da humildade e do "coletivismo" que nivelam tudo por baixo.

"Não fui eu que ganhei nada, foi o grupo". Mas pera aí! O time fez 20 gols no campeonato e você foi responsável por 19! "Não sou melhor do que ninguém, o grupo e o professor é que são importantes". Assim falam os bagres de hoje em dia, que se não são totalmente bagres com a bola nos pés, são verdadeiros pernas de pau quando abrem a boca.

Ele não. Romário teve a ousadia de dizer que Deus apontou o dedo para ele e disse "você é o cara!". Todo mundo tem direito de achar isso, afinal das contas, todos nós vencemos uma luta contra alguns milhões de outros espematozóides, mas quem tem coragem pra dizer isso? O Baixola tinha e ainda tem.

Suas histórias e suas frases antológicas provam isso.

"Se eu for à Copa do Mundo, deve ser pelo que estou fazendo, não por aquilo que fiz. E por isso penso que é normal que eu vá, já que agora sou o melhor."

"Estou com 72 quilos, sim, e daí? O elefante é gordo, mas quando tem incêndio na floresta ninguém ganha dele na corrida"

"Parar? Nunca! Quando vejo em campo esses garotos de 19, 20 anos... Eles são muito ruins. Aí eu penso: não vou parar de jogar tão cedo"

Não consigo imaginar nenhum desses jogadores robotizados dos dias de hoje tendo cojones para dizer nada disso aí em cima.

E isso nos traz de volta a essas convocações do Dunga, nessa Seleção sem graça e tão contestada que o Brasil possui atualmente. Essa opção pelo "coletivo", pela "aplicação", pelo "sacrifício" é explicada pelos tipos de jogadores que existem. Uns, ruins de bola porém dedicados, os populares carregadores de piano. Outros que são bons de bola, mas verdadeiros vagabundos, moleques no que diz respeito à postura profissional.

Faltam, jogam mal, prejudicam suas equipes e acham que isso é "malandragem". Eis aí a grande diferença entre essa turma da bebedeira e da balada e o Romário: ele ia pra noitada sim, tinha um monte de mulheres no pé, chegava tarde nos treinos, mas quando entrava em campo resolvia a parada. Foi artilheiro do Campeonato Brasileiro com 39 anos. Ele funcionava.

E ainda que não jogue mais, ainda que não tenha condições físicas para entrar em campo como em outras épocas, bem que o Dunga podia convocá-lo para, quem sabe, a sua presença lembrar a todos ali, inclusive ao próprio Dunga, do porque o Brasil ser Brasil no futebol.

A diferença entre humildade e falsa humildade é essa: uma distingue o vencedor, a outra o apequena.

Futebol e Crime

Postado em 15 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Outro dia após uma partida entre Palmeiras e São Paulo pelo Campeonato Paulista de 2010, um torcedor morreu, vários foram espancados e uma renca de gente terminou presa devido às confusões que ocorreram na saída.

Semanas mais tarde, já no Rio de Janeiro, um torcedor morreu e vários foram identificados e são procurados pela polícia devido a uma briga entre vascaínos e flamenguistas.

Já do lado de quem atua no esporte, não são raras as confusões e comportamentos no mínimo estranhos que observamos por parte de certos jogadores. Não falo das agressões em campo, coisa de cabeças de bagre e homens de caráter falho e anti-esportivo, mas sim de atitudes extra-campo, como frequentar favelas, andar na companhia de bandidos e às vezes até sob a proteção destes, abusar de álcool e comportar-se como se fosse alguém sempre acima da lei.

Nos salões refrigerados dos clubes encontramos os dirigentes, empresários de jogadores, "managers" e toda raça de indivíduos que fariam inveja e concorrência pesada à turma do Congresso Nacional.

Clubes falidos, dirigentes milionários, desvios de dinheiro, negócios mal-explicados, depósitos em paraísos fiscais, divisões de base tratadas apenas como uma espécie de Serra Pelada do talento futbolístico, sobrando no final um grandioso buraco, tal qual naquela mina de ouro no Pará.

E no meio disso tudo, sem que ninguém olhe por ele, está o torcedor comum, aquele esquecido cidadão que não ganha um salário indecoroso por mês como jogadores e técnicos, que paga seus impostos, que vai todo dia para o seu trabalho executar sua função com igual dedicação sem apelar para "problemas pessoais" ou "psicológicos" para fugir de suas responsabilidades, como fazem os jogadores.

Ele é apenas um torcedor, que vê o esporte como diversão, que gasta dinheiro com ele ao invés de faturar como os dirigentes, que compra camisas, bandeiras, ingressos cada vez mais caros para frequentar nossos estádios fedidos, mal equipados, com péssimos serviços. É achacado por flanelinhas na entrada, por cambistas na bilheteria e quando finalmente consegue chegar no seu assento de concreto para assistir a partida, ainda tem que se preocupar com os marginais de organizadas e seus cantos agressivos, seu consumo de drogas nas barbas da polícia, sua violência.

Minha enteada de 7 anos torce pelo Fluminense (não entremos nesse mérito - risos) e planejei levá-la para assistir a um jogo do time. Aí percebi o surrealismo da coisa. Pensei: tem que ser um jogo contra time menor, que não tenha torcida adversária, senão sai confusão. E ainda: precisa ser em cadeira especial, porque de arquibancada é muito perigoso e não vai dar pra ir de metrô como faço normalmente, porque naquelas ruas mal iluminadas, mal policiadas e cheias de ladrões como são as do entorno do Maracanã não dá pra andar com uma menininha dessa idade, vou de carro, paro num estacionamento em frente e corremos pro estádio.

Perceberam? É tarefa inglória conseguir se divertir num estádio sem cercar-se de preocupações.

E no meio disso tudo o clube tal anuncia que deve não sei quantos milhões enquanto seus dirigentes andam de carro importado, moram em coberturas e freqüentam restaurantes que cobram R$1 mil reais por um jantar.

E o Adriano e o Vagner Love são pegos numa favela, confraternizando com traficantes portando fuzis.

E as torcidas organizadas destroem mais alguma coisa, causam mais algum tumulto na rua, protagonizam mais alguma cena deplorável.

E os flanelinhas estão lá, esperando seu carro e seu dinheiro, assim como os cambistas.

E a polícia está lá, mas para multar e rebocar seu carro, caso você pare aonde não pode.

E você está sozinho, porque tirando você mesmo, parece que pouca gente se preocupa com o velho esporte bretão, a não ser pelo (muito) dinheiro que ele pode proporcionar.

Rock and Roll all night and party everyday

Postado em 18 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Não sei porque ainda não tinha falado do Kiss aqui, mas outro dia estava escutando um show deles enquanto malhava na academia e lembrei exatamente o porque dessa banda que é considerada poser por alguns, circense por outros e clássica pela maioria estar entre as minhas 3 bandas favoritas de todos os tempos desde que eu me entendo por gente: eles sabem fazer rock and roll.

Você pode até não gostar do som dos caras, mas é inegável que antes de ser apenas uma banda longeva, o Kiss é uma banda respeitada. Não existe rockeiro no mundo que não saiba que eles são influentes e deixaram sua marca no mundo do rock.

Gente tão diferente quanto Lenny Kravitz, The Replacements, Mötley Crüe, Cheap Trick, Julian Lennon, Nirvana, AC/DC e Van Halen (ambos já abriram shows do Kiss), Blind Guardian, Pantera (Dimebag Darrell tinha Ace Frehley tatuado no peito), Skid Row, Anthrax, Garth Brooks, Pearl Jam, Poison, Extreme, Dr. Sin, The Donnas, Iron Maiden (também abriu shows do Kiss), todos já admitiram publicamente serem fãs e/ou terem sidos influenciados de alguma forma pelo Kiss em suas carreiras.

Querem mais um exemplo? Acho o maior barato como fã ouvir o Weezer, que tem muito pouco a ver com o estilo do Kiss, cantando "I've got posters on the wall, my favorite rock group, Kiss. I've got Ace Frehley. I've got Peter Criss waiting there for me. Yes I do, I do", na música "In the garage". Porra! É muito legal isso!

Lembro bem que ainda era criança, mais ou menos naquela fase onde ainda não temos gostos muito definidos e se nossos pais disserem que o Reginaldo Rossi é o maior cantor do mundo nós acreditamos (os meus jamais fariam isso, é claro), foi quando conheci o Kiss.

Eles vieram pela primeira ao Brasil e foram recebidos com histeria pelos fãs enlouquecidos e pelos "conservadores" e religiosos que os acusavam de tudo, desde matar pintinhos com seus enormes saltos de sapato até possuir iniciais que diriam algo como "Kids (ou Knights) In satan Service" (Garotos ou Cavaleiros à serviço de satã).

Sabe como é, muito mais fácil pensar nisso do que acreditar que uma banda composta por caras que não escondem em nenhuma entrevista que sua motivação inicial era (e continua sendo) "pegar mulher" se chame simplesmente "Beijo".

O Kiss foi a primeira banda de rock que eu realmente me interessei, a ponto de ser deles o meu primeiro disco ever, um "Creatures of the Night" em vinil. Depois vieram outros discos deles e também o interesse por outras bandas tão diversas quanto Iron Maiden, The Cure, The Smiths, Marillion, U2...

Mas dentre tantas novas e antigas que eu curti na vida, o Kiss sempre estava lá, não apenas com seu lugar de direito como "a primeira de todas", mas como uma das minhas preferidas.

Seu som forte, suas letras poderosas, alegres e interessantes, seus shows que são verdadeiros espetáculos, eventos produzidos não só para ouvir, mas também para ver, as máscaras que impedem tanto que as eventuais trocas de músicos sejam sentidas assim como que a idade dos integrantes seja percebida (no Kiss, todos são eternamente jovens enquanto estão no palco), tudo isso contribui para a longevidade e para a legião de fãs que os acompanha por onde vão e compram de tudo, desde chaveiros até caixões (sim, caixões, é sério), enchendo os bolsos deles de dinheiro (outro grande interesse assumido pelo pessoal da banda sem falso moralismo algum).


"You wanted the best, you got the best! The hottest band in the world: Kiss!".

Como bem diz esta nada modesta frase de abertura dos seus shows, em 2009 eles finalmente retornaram ao Rio de Janeiro e eu então pude assistir a minha banda preferida ao vivo. Foi um momento não só de retorno à época em que eu passava noites com os amigos ouvindo seus discos e comprando revistas sobre eles, mas também ao mais puro e simples rock'n'roll, sem "climas intimistas" e nem arranjos complicados, apenas duas guitarras, o poderoso baixo de Gene Simmons e uma bateria.

Quatro caras tocando e um monte de loucos, de 15 até uns 60 anos ou mais, ali embaixo cantando e pulando debaixo de chuva.

O show deles terminou com a música que dá título a este post e que eu gosto tanto que tenho até esse refrãozinho gravado na carcaça do meu iPod, e toda vez que essa música toca onde eu estiver, eu me sinto como se estivesse novamente ali embaixo do palco, sob a chuva de papel picado que acompanha a sua execução.

E talvez esteja aí o maior segredo do sucesso desses mascarados: seus fãs tem sempre um beijo dentro do carro, uma transa inesquecível, um show fodástico, uma viagem alucinante, uma boa experiência relacionada às suas músicas e ao que o seu som produz em cada um deles.

Assim, não tem como ser diferente, é rock and roll all night and party everyday, há exatos 37 anos.

Esse post faz parte do sorteio que estou realizando. Faça seu comentário e concorra a um calendário 2010. :)

Craque de bola, cabeça-de-bagre no resto

Postado em 25 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Uma amiga veio comentar os resultados dos jogos de futebol na Europa no final de semana (olha que sorte, tenho amigas que adoram futebol) e começou, meio sem querer, a citar alguns nomes de jogadores brasileiros em atividade por lá.

Foi natural que comentássemos sobre o estilo de jogo de cada um deles e no final, sobre a personalidade de cada um.

Houve um tempo em que os craques eram bêbados, tinham problemas com drogas, confusões, mas dentre estes existiam os bem articulados, inteligentes, perspicazes, espirituosos. Podiam não ser santos, mas...

Quem não se deleita ao ler ou ouvir uma entrevista do Roberto Dinamite, Zico, Paulo César Caju, Romário, Renato Gaucho, Tostão? Podem ter maior ou menor educação formal entre si, mas são todos, sem exceção, pessoas inteligentes e interessantes de se ouvir, principalmente quando o assunto é aquele no qual são catedráticos: o futebol.

Isso me fez pensar também sobre o porque da maioria dos craques de hoje em dia, alguns do Brasil e outros de fora, parecerem mais com pessoas que foram expostas à radiação quando bebês.

Sério.Uns parecem completamente idiotizados em palavras e atitudes, outros não conseguem concatenar mais de duas frases coerentemente e acaba que a pessoa que acompanha o esporte acha que é tudo um grande circo ou um hospício.

Será que tudo o que era distribuido de maneira equilibrada entre os pés e a cabeça acabou indo parar, por algum acidente genético, somente nos pés? Discursos prontos e iguais, falsa humildade, idiotices que beiram o retartamento mental e, para piorar, os que tem um pouco mais de massa cinzenta usam-na para propagar lixos que vão desde seitas religiosas até bandas de axé.

Não creio que dinheiro demais faça mal, este não é o problema deles, acho que é a incapacidade de usá-lo para exercitar um pouco a cabeça também, e não só se entupir de picanhas, que faz falta.

Triste época essa em que vivemos, na qual os craques valem tanto, sem no fundo valerem nada.

O que vi no Maracanã

Postado em 8 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Este domingo resolvi enfrentar o calor, os péssimos serviços do Metrô Rio e a curva descendente do Palmeiras e fui ao Maracanã.

Primeiro deixem-me registrar o comparecimento maciço e avassalador da torcida do Fluminense. O mestre Nelson Rodrigues certamente se orgulharia daquela apoteose tricolor e, caso a chuva fosse verde, branca e grená, com certeza aqueles 40 graus estariam amenizados pela torrente de torcedores que correu ao velho estádio para ajudar seu time a fugir da degola.

Todos os tricolores vivos, moribundos ou que já se foram com certeza estavam ali naquele dia de alguma forma.

Mas não foi só isso que vi no Maracanã.

Vi também um juiz irresponsável assaltar um time sem a menor vergonha, anulando um gol legal e deixando de dar um penalty claro, dois lances que poderiam ter decidido o jogo a favor do Palmeiras.

A visão deste juiz, desanuviou uma outra, a da total fraqueza do Palmeiras nos bastidores. Podem colocar a culpa, como sempre, no Mustafá. Mas ele já se foi da presidência fazem alguns anos e a pequenez continua a mesma.

Roubam o Palmeiras dentro e fora de casa com a maior tranquilidade, e nada acontece. Temos uma diretoria que ora promete, ora se esconde e de vez em quando lança bravatas vazias e só.

Isso demonstra que o aportuguesamento do clube não é um mito e que se nada for feito, o combalido clube do Palestra Itália será só mais um timinho de colônia.

O que vi também foi um time com jogadores abaixo da crítica como o Marcão. Não ganha uma jogada, não sabe dar um passe, não presta pra nada. Incrível como um sujeito desses seja titular.

Junto com isso vi uma calma, uma letargia, uma vagarosidade para executar jogadas e fazer as saídas de bola que, não soubesse eu o placar, acharia que o time estava vencendo por uns 4, quando na verdade já perdia por 1x0.

Uma coisa que não vi foi vontade real de vencer, traduzida num lance no segundo tempo quando o time estava com a bola no ataque, na lateral esquerda e ao invés de prosseguir a jogada, colocou a bola pra fora, atendendo a uma cera de um jogador do Fluminense.

Um time que desperdiça um ataque real em nome de um bom mocismo que as cotoveladas do Diego Souza renegam sistematicamente, não quer ser campeão e acho muito difícil que venha a ser.

Vi um time que está, rodada a rodada, entregando o campeonato mais fácil dos últimos anos, desperdiçando a chance de sair um pouco da irrelevância de paulistinhas, tentar voltar a ser grande, coisa que só é no passado.

Vi um clube que caminha a passos largos rumo à pequenez, ao contrário de sua torcida, que ainda é uma torcida de fibra, de honra e que tem muito mais paciência com o time do que deveria ter.

Finalmente, encontrei uma boa amiga até então só da internet, das cornetadas bem dadas nas comunidades alvi-verdes e encontrei também a imensa beleza das meninas da torcida tricolor.

Se algo valeu nesse domingo de derrota, vergonha e inconformismo alvi-verde, foram os sorrisos delas, primeira divisão de graciosidade e encanto, incontestavelmente.

Argentina, Brasil

Postado em 13 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Lembro muito bem a Copa de 1986, no México.

Assisti a mais um vexame do Brasil, consegui mais uma frustração na minha galeria de frustrações como amante do futebol (se bem de que 82 foi pior, muito pior) e tive que engolir o Maradona destruindo tudo em campo e dando o título para a Argentina.

Quatro anos mais tarde assisti o mesmo Maradona comandar a Argentina e implodir aquela seleção brasileira vagabunda do Lazaroni, tornando definitivamente o time hermano meu inimigo público futbolístico número 1.

No final das contas Argentina terminou vice-campeã e recordo que torci para que a Alemanha nos vingasse e metesse uma surra nos hermanos.

Só que depois da derrota deles ser consumada e de assistir a uma triunfal chegada da seleção argentina em Buenos Aires logo após a decisão, confesso que senti uma empatia enorme por eles a ponto de comprar uma camisa da seleção alvi-celeste pra mim.

Foi nesse ponto que começou a inflexão positiva porteña para mim.

Argentinos são sofridos, não porque o sejam naturalmente, mas porque gostam da coisa sofrida, suada, carregada de significado. Eles são mais frios que os brasileiros, porém tão quilomberos quanto, só que cada um ao seu modo.

Eles, protestam, quebram tudo, fazem o diabo pelos seus direitos. Nosso quilombo é outro. O brasileiro festeja.

Festeja sua pobreza, seus problemas, suas deficiências, passa a vida de uma festa a outra, meio que "esquecendo" a maioria das coisas que lhe aflige.

Somos tão próximos e tão diferentes e temos a nos separar ainda mais, nessa fronteira imaginária bem mais distante do que a real, este rio caudaloso e violento que é o futebol.

Só que por incrível que pareça, para eles a questão parece bem menos incomoda do que para nós, insuflados por idiotas na mídia e nas narrações de TV que transformam "catimba" futbolística em quase uma deficiência moral de um povo.

Passei férias em Cabo Frio e Búzios quase a minha adolescência inteira e a maior recordação que tenho é de argentinos sendo destratados. "Sujos", "abusados", isso e aquilo.

Daí, qual não foi minha surpresa ao chegar pela primeira vez em Buenos Aires e saber que eles simplesmente adoram brasileiros.

Sério, não é figura de linguagem e nem exagero estilístico, eles nos adoram!

Óbvio que tem as brincadeiras sobre futebol, mas a forma com que eles me tratavam lá me causava vergonha pela forma com que eles são tratados aqui, na maioria das vezes.

Por isso mesmo eu acho que os brasileiros deveriam ouvir menos o Galvão Bueno e concentrar-se mais nas qualidades e belezas que nossos hermanos tem para oferecer, porque acreditem, são muitas.

Mudança

Postado em 19 de ago. de 2009 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Tenho vários assuntos de interesse, mas nenhum deles individualmente serve para me definir. Sou política, poesia, futebol. Sou geek, sou nerd, sou badboy, sou ranzinza e mal-humorado. Sou apaixonado e apaixonadamente irado com certas coisas.

Quando resolvi fazer meu primeiro blog, queria apenas organizar poesias e textos que tinha perdidos pelo meu computador. Daí quis falar de política e surgiu o À Margem do Gado.

Minha teimosia e necessidade de remar contra a correnteza (daí o nome deste blog) me fizeram nascer carioca e escolher ser palmeirense. O Palmeiras não foi influência familiar e nem mesmo de época (já que nasci e vivi quase o tempo todo na "fila" de títulos) e sim de outra escolha.

A mesma escolha que facilitou com que eu me apaixonasse pelo futebol argentino, pelo Boca Juniors e sua hichada. Sou Palmeirense antes e acima de tudo, mas adoro passear por La Boca e torcer e vibrar nas Plateas da Bombonera.

Exigente, reclamão e cornereiro assumido, criei o Platea Alta aonde cornetava forte o Palmeiras e falava de esportes quando conseguia.

Tenho ainda um Flickr e escrevo diaria e compulsivamente no Twitter.

Convenhamos, é conteúdo pulverizado demais para dar atenção devida.

Por isso resolvi criar este blog, que batizei de "Contra a Correnteza". Eu queria "Contra Corrente", mas algum salafrário registrou esse nome em 2001 só para nunca mais usa-lo, mas a idéia permanece: alguém que se recusa terminantemente a caminhar junto ao lugar-comum, ao "senso comum", ainda que por isso colecione antipatias vida afora.

O Contra Correnteza é o resumo de tudo que penso e escrevo, com a variedade dos assuntos que me interessam, seja política, esportes, viagens, fotografia, gadgets entre outros, sempre com a minha visão batizada a muito suco de limão do mundo.

Quem ler, verá.



 
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