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Céu, inferno e reencarnação

Postado em 17 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Se tem uma coisa que todo mundo morre de medo, quer dizer, todo mundo menos esses neo-ateus que passam o dia fazendo pregação ao contrário na internet, é de morrer e ir parar no inferno.

Sabe aquela coisa meio desagradável que é cheiro de enxofre, óleo fervente, espadas espetando seu corpo, navalhas, calor, um fogaréu danado e ainda por cima um sujeito chifrudo berrando coisas com voz fantasmagórica? Pois é, não é algo que ninguém vá querer para si.

Mas se você pensar um pouco, pode concluir que o inferno pode ser a Central do Brasil, por exemplo. Aquele cheiro de jaula emanando de banheiros públicos e bueiros entupidos, empurra-empurra, calor, larápios com navalhas cortando sua mochila para roubar aquele seu Subway Melt que você comprou para viagem esperando comer em casa enquanto assiste CSI Special Victims Unit, aquele monte de sujeitos berrando com voz fantasmagórica coisas como "3 por 1 real" ou "Chip da Oi, Claro, Vivo e Tim". Só faltam mesmo os chifres.

E assim chego no meu ponto: e se realmente existir reencarnação e o país onde você nasce é determinado pelo seu carma? Tudo bem, entendo que você tenha até começado a sentir um aroma de incenso ao ler essa última frase, deve estar pensando que um careca de túnica laranja está escrevendo esse texto, mas é sério, e se, por exemplo, meninas boazinhas nasçam suecas na próxima encarnação, só para aprontarem horrores e voltarem iranianas na encarnação subsequente?

Pensei nisso vendo uma reportagem sobre presídios na Noruega. Um cara, digamos, cumprindo o final de uma sentença por assassinato naquele país vai apra uma ilha-prisão chamada Bastøy. Esqueça o nome que lembra Bastilha e esqueça que ilha lembra Alcatraz.

Este cara é um presidiário norueguês sendo punido pelo sistema, é sério.

Os presos neste lugar vivem em bangalôs que eles mesmos decoram. Trabalham durante um período nas atividades relacionadas à manutenção da ilha (como conduzir ferry boats, por exemplo) e no seu período livre podem tomar sol no terraço de suas casas, assistir TV a cabo, nadar em piscinas, usar câmaras de bronzeamento artificial e está em estudo o acesso à atrizes pornô suecas.

Mentira, claro, mas só a parte das suecas. O resto todo é verdade.

Pois bem, não é difícil concluir que um homicida norueguês encarcerado tenha uma vida muito melhor do que um trabalhador da construção civil em São Paulo.

E nisso se baseia a minha teoria: e se não existir céu ou inferno? E se, como diz muita gente, o céu e o inferno forem aqui mesmo e estejam numa vila na Suécia, num bairro de classe média dinamarquês, numa favela da África ou num campo de refugiados no Sudão?

Claro que tudo isso pode ser uma grande viagem da minha cabeça, afinal, onde já se viu alguém ser tão ruim numa encarnação a ponto de merecer reencarnar como aquele sujeito que segura corda de trio elétrico ou um vassourinha de time de curling na outra?

Também não acredito que alguém consiga ser bom o suficiente para reencarnar como o sabonete da Kirsten Dunst, a menos que se mate para doar todos os órgãos para pesquisa científica.

Só sei que maluquice ou não, convém se comportar. Ajudar velhinhas a atravessar a rua, segurar a porta do elevador para aquele seu vizinho chato, assinar o livro de ouro da portaria no Natal e, claro, evitar ser visto por aí na companhia de políticos.

Porque vai que minha está certa e você perca a oportunidade de morar numa ilha presídio norueguesa na próxima vida?

O templo da discórdia

Postado em 1 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Nas últimas semanas a já conturbada política americana ganhou mais um elemento literalmente explosivo: a proposta por parte de uma sociedade islâmica de construir uma mesquita a poucos metros do Marco Zero, o local onde estavam as duas torres do World Trade Center.

Obviamente isso gerou uma gritaria por parte dos conservadores e uma gritaria de igual tamanho por parte da turma da tolerância. Até o aiatolá, quer dizer, presidente Hussein Obama, já declarou seu apoio ao "direito" dos muçulmanos erguerem seu templo ali.

O que eu não consigo entender, sob nenhum aspecto, é onde se esconde o pessoal da "diversidade" quando um cristão é preso em algum país árabe pelo crime hediondo de portar uma Bíblia, ou porque eles não se chocam com o fato de outras religiões que não o islamismo serem proibidas em vários desses países, a despeito de gozarem de toda liberdade de culto no Ocidente.

Essa semana mesmo o ditador Líbio, Muammar Khadafi, recrutou 500 jovens italianas ao preço de 70 euros cada para tentar "converte-las" ao islã. Presenteou cada uma com um exemplar do alcorão e convidou-as a tornarem-se muçulmanas. Tudo isso em Roma, cidade onde está localizado do Vaticano.

Imaginem cena parecida, só que trocando o tiranete líbio por algum presidente de país ocidental em viagem ao Oriente, e substituindo os exemplares do alcorão por exemplares da Bíblia ou da Torah. Imaginem agora os protestos, xingamentos, badernas e sentenças de morte que isso não geraria.


Perguntem se o Papa Bento XVI, algum patriarca da Igreja Ortodoxa ou algum rabino tem permissão para fazer o mesmo convite para jovens iranianas, sauditas ou líbias. Que tolerância é essa que obriga alguém a se render àqueles que pregam sua destruição?

A religião islâmica historicamente constrói  mesquitas em locais conquistados. Será esse o simbolismo desse tipo de templo perto do local onde extremistas religiosos derrubaram as duas Torres Gêmeas?

Ainda mais sabendo que nenhum líder muçulmano esconde que sua religião converteria o Ocidente à força caso pudesse? Ora, a Igreja Católica abandonou um convento perto de Aushwitz para não ofender a memória dos judeus mortos ali. Isto não foi uma "rendição", mas um gesto de bom senso, num campo já tão carente dele quanto é o religioso. Porque os maometanos não podem fazer o mesmo?

Pelo mesmo motivo de proibirem crucifixos em seus países e reclamarem da proibição do uso do véu na França, e quererem construir perto de um local onde morreram brutalmente milhares de pessoas um templo em honra da religião dos seus algozes:  falta de sensibilidade, falta de um mínimo de respeito pela dor dos parentes daquelas pessoas.

Mas parece quem em nome da tolerância o Ocidente terá que suportar até mesmo o culto dos seus assassinos, até o dia em que a tolerância não se fizer mais necessária, já que eles terão imposto suas vontades através da força.

A partir daí, esse apedrejamento ideológico estará definitivamente substituído por aquele propriamente dito, tão difundido nos países que a turma da tolerância defende.

O véu do preconceito

Postado em 27 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

O termo acima pode querer dizer tudo - desde um trocadilho pra lá de batido até uma forma de traduzir o drama das mulheres no assim chamado "mundo muçulmano" - mas também pode significar a forma como essa palavra foi estuprada pelo uso com o decorrer do tempo.

Poucas palavras foram tão violadas pelo uso indiscriminado quanto "preconceito", repetido e urrado como tábua de salvação para "ganhar" qualquer discussão, o que acabou encobrindo, esvaziando seu significado. E como todo mundo sente verdadeiro pavor de ser "preconceituoso", admite-se que tudo é tolerável, botamos tudo na conta da "diversidade".

Outro dia estava conversando com uma boa amiga sobre os direitos dos gays e disse a ela que não deveria haver nenhum direito "dos gays". Mas antes de me xingar de homofóbico, espere a explicação: "ser gay" pra mim não define uma pessoa, assim como "ser negro", "ser vascaíno", "ser casado" ou até mesmo "ser branco". As pessoas são filhos, pais, irmãos, tios, primos, amigos, profissionais, vizinhos, adoradores de sorvete de menta, cidadãos, enfim, pessoas, indivíduos com diversas características e, dentre elas, sua sexualidade. Portanto, não se justifica criar leis que protejam um segmento específico de cidadãos.

Somos tribais. O estranho, como o próprio nome já diz, nos causa estranhamento e isso é normal, é do ser humano. A tal globalização aliada ao ataque de gafanhotos do "politicamente correto" diz que as pessoas não podem torcer o nariz para nada. Só que cada um deve ter direito à sua cota de estranhamento - que alguns dirão "preconceito" - geralmente associada à sua formação cultural.

O que é normal nos grotões da África, não é em Nova Iorque. O que é inaceitável no interior do México, será perfeitamente comum na Suécia e o que é algo corriqueiro na Itália, será intolerável no Japão.

Assim somos nós, ainda que insistam que devamos lutar contra isso. Uma coisa, porém é você se espantar com o que é diferente, outra coisa é você usar esse espanto para agir à margem da lei.

Sair às ruas e espancar pessoas é crime sejam elas gays ou heteros. Injuriar alguém é errado independente do xingamento ser "crioulo!", "gay!" ou mesmo "branquelo nojento!". Agir com civilidade, dentro dos limites da lei, não é algo "opcional", é mandatório por mais redundante que isso seja, e as punições estão aí para isso.

E aí chego no ponto onde queria, que é a tal "Lei do Véu". A lei, aprovada pelo parlamento francês, proíbe o uso do véu islâmico integral em qualquer espaço público.

Óbvio que a turma da "tolerância" correu para condenar a medida, dizendo que era "perseguição religiosa" e "um absurdo", entre outros termos. Mas afinal, será mesmo? Muçulmanos não são muito conhecidos pela sua tolerância religiosa ou civil, sendo assim, não é difícil imaginar daqui a algum tempo "bairros" ou redutos muçulmanos em Paris onde mulheres, mesmo ocidentais, sejam hostilizadas por não cobrir a cabeça. A lei previne isso e também garante o direito à cultura ocidental do país.

E o que os escandalizados com a "Lei do Véu" talvez não saibam - ou ignorem - é que em países como a Arábia Saudita, por exemplo, o uso do véu é obrigatório mesmo para mulheres ocidentais, que estão sujeitas a uma surra de chicote no meio da rua caso não obedeçam à regra. No mesmo país - e em outros como o Irã - o simples ato de portar uma Bíblia é considerado crime passível de penas severíssimas.

Onde está a tolerância? Argumentarão que isso ocorre porque tais países são ditaduras, mas isso apenas confere uma legitimidade ainda maior à lei francesa, que foi fruto de votação em um parlamento democraticamente eleito, e não da vontade de um rei, imã ou aiatolá.

E cabe também lembrar que a tal "tolerância" é uma via de mão dupla (ou deveria ser). Os direitos individuais devem ser de todos e não dos negros e suas cotas, dos gays e suas passeatas, das pessoas do oriente que precisam emigrar para dar seguimento às suas vidas e seus véus.

Os brancos, heteros, cristãos e ocidentais também tem esse direito, inclusive o direito de proteger e preservar sua herança cultural.

Caso contrário, os "discriminados" serão eles.

A flotilha da paz

Postado em 1 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

No último dia 31 de Maio uma ONG (sempre elas) chamada Free Gaza organizou uma flotilha com 6 embarcações com intenção de furar o cerco à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária. Israel abordou essas embarcações para não permitir que chegassem ao seu destino e, durante a luta que ocorreu, o saldo foi de 10 mortos, 25 feridos e 600 pessoas detidas.

O mundo em peso condenou a ação israelense, ocorreram protestos em várias cidades e rapidamente países anti-americanos e anti-israelenses como Irã e Venezuela et caterva apareceram para dizer o já conhecido "eu avisei", como se aquilo tudo fosse a confirmação de que eles são o "bem" na eterna luta do bem contra o mal.

Confesso que não concordo com o embargo à Gaza. Não que eu considere digno de interlocução um governo liderado pelos terroristas do Hamas, mas simplesmente porque acredito que a pobreza, a ignorância e principalmente, a desesperança, são insumos para o extremismo e o terrorismo. Aquela gente passando fome, sem direitos básicos, sem possibilidade de planejar qualquer coisa no futuro só tem um sentimento: o ódio. E o ódio reprimido leva qualquer um a fazer coisas que não faria normalmente.

Mas entendo também o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, homem prolixo e fértil em dizer asneiras que incendeiam ainda mais a fogueira do conflito árabe-israelense, mas que está coberto de razão quando diz que Israel já cedeu mais territórios aos palestinos do que os que ainda sobram para serem devolvidos, e ainda assim o conflito só piorou.

A Faixa de Gaza foi devolvida aos palestinos integralmente, até os famigerados assentamentos foram retirados, mas ainda assim ela serve como plataforma de lançamento de foguetes palestinos contra as cidades israelenses próximas.

Durante as conferências em Camp David, foi oferecida aos palestinos a devolução total de Gaza e da Cisjordânia, além de Jerusalém Oriental como capital do seu estado independente. Eles recusaram, porque queriam também a volta de exilados que estavam em outros países.

A cada concessão, nova exigência. Porque isso? Simples, porque toda essa luta palestina gera fundos de ONGs e governos estrangeiros, que enriquecem os líderes daquele povo, enquanto seus liderados são mantidos na miséria.

Mas não existe ninguém totalmente "bonzinho" ali. Israel faz questão de alimentar seus críticos e detratores com medidas impopulares, inumanas e truculentas. Um muro que cerca a Cisjordânia e ajudou a impedir ataques suicidas espertamente tungou 10% do território palestino. A cada foguete caseiro lançado contra o país, as Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês) lançam ataques poderosíssimos, que deixam um rastro de mortes.

Postos de controle que garantem a segurança interna também infernizam o ir-e-vir dos palestinos. Sem contar o fato de ser a única democracia real do Oriente Médio e ainda assim conviver com a incômoda realidade dos campos de refugiados.

Tudo isso dificulta a tarefa de quem deseja defender Israel no campo das idéias, porque à primeira vista o país faz muito para justificar a cota de ódio da qual é objeto.

Mas aí eu lembro que em países islâmicos sem ocupação alguma, o povo é oprimido por seus próprios governantes do mesmo jeito. Irmãos atacam irmãos, pais tratam suas filhas como animais, sociedades criam monstros como os Talibãs, enviam terroristas para atacar pessoas do outro lado do mundo com a simples justificativa de que são "infiéis". E tudo isso sem ocupação alguma que justifique tanto ódio, tanta violência.

Convenhamos: não existem terroristas israelenses explodindo bombas em metrôs. Eles usam violência exacerbada em várias ocasiões, mas o fazem na intenção de defender seu país de pessoas que afirmam para quem quiser ouvir que seu objetivo é "destruir Israel, varrer o país do mapa e jogar os judeus no Mediterrâneo".

Não existem israelenses surrando mulheres porque saíram às ruas sem usar um véu e também não vemos um presidente ou premier israelense há tanto tempo no cargo quanto os presidentes do Egito e da Síria, os aiatolás iranianos ou o "comandante" Fidel.

Numa equação simples, numa escolha entre o preto e o branco, eu tendo a dizer que preferiria muito mais ser um israelense a ser um cidadão de qualquer outro país árabe, pelo simples fato de que, em Israel, as pessoas possuem dois ítens raros naquela região tão rica em petróleo: liberdade e democracia.

Mas chega a ser uma pena que um povo que sofreu tanto durante a Segunda Guerra não tenha a sensibilidade de poupar alguns inocentes de tanto sofrimento, de evitar assim que se criem cobras que tentarão mordê-los mais adiante, e que forneçam tanta munição para extremistas, autoritários e terroristas nessa "guerra ideológica".

O problema é que por mais concessões que Israel faça, o país jamais poderá dar aos palestinos e ao mundo árabe o que estes realmente desejam que é a sua destruição. E ninguém pode exigir de um povo que este se ofereça ao sacrifício em nome de qualquer coisa, nem mesmo da paz, porque isso não seria paz, seria rendição.

Chego a conclusão de que o homem, o ser-humano, não deu muito certo.

O ateu praticante

Postado em 2 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 19 Comentários

Como diziam os antigos, é "batata", basta um desastre natural, algum avião cair, um terrorista explodir uma lanchonete, chover mais de 10 dias seguidos ou fazer seca mais de 30 que logo aparecem os ateus e agnósticos com sua pregação anti-deus.

Por mais esquisito que possa parecer usar o verbo "pregar" em relação a estas pessoas, o exagero e a licença poética nesse caso são quase obrigatórias, porque o que leio de vez em quando assemelha-se muito no fanatismo e na repetição enfadonha ao que esses pastores evangélicos fazem na TV, com a diferença de que uns falam de "deus" sem parar, buscando arrumar uns trocados e outros falam da não-existência deste, procurando impor seu ponto de vista.

Tanto uns quanto os outros são chatos de doer.

Tem aquele sujeito que qualquer coisa que você fale com ele, desde sua dor de cabeça até algum amor não correspondido, e ele atribuirá tudo a "deus". Todos os caminhos levarão a Roma.

Outros são aqueles evangélicos que antes de serem somente evangélicos são anti-católicos. É um tal de "idólatra" pra cá e "papa-hóstia" pra lá que concluímos que sem um antagonista de respeito, eles nem seriam tão religiosos assim.

Existem ainda os que acreditam em Deus, este sim merecendo a maiúscula que tanto incomoda os ateus, mas o fazem quase in pectore, não importunando ninguém com sua crença, praticando-a na intimidade e nos momentos oportunos e que lhe são reservados, não enchendo a paciência de outrem com isso.

Estes são bem menos "fanáticos" e chatos do que o ateu praticante.

Este se pudesse e não fosse totalmente contra os seus princípios ergueria até uma igreja para adorar o seu não-deus. Quem frequenta e lê constantemente o Twitter vai se deparar com vários deles por lá, com sua pregação anti-credo.

"Aonde estava deus na hora do terremoto do Haiti?", "Porque deus não matou o terrorista antes da bomba explodir?", "Rezem e peçam frio ao invés de comprar ar-condicionado, afinal, deus não existe?", "O seu deus gosta mais de suecos do que de senegalezes, já que uns são ricos e outros miseráveis?", "Porque tanta doença no mundo se existe um deus bom por aí?".

Não vou entrar aqui em explicações ou justificativas religiosas, bíblicas para todas estas questões, que são válidas e qualquer um tem todo o direito de fazer, mas na realidade quem as faz repetidamente não questiona nada, apenas lança perguntas retóricas que "provam seu ponto".

O objetivo aí não é esclarecer e nem debater, é rotular aqueles que preferem crer que exista um Deus de "idiotas", "ignorantes", "teimosos" e colocar-se acima desses reles mortais, apresentar-se como detentor de uma verdade e um segredo maiores até do que os supostamente escondidos nos arquivos do Vaticano.

A moral da história aqui, é que esse tipo de gente é tão fundamentalista, ainda que vários destes termos sejam teoricamente inaplicáveis a ateus, que agem como inquisidores da Idade Média, como Mulás emitindo suas fatwas condenando Deus e os que acreditam nele à morte intelectual e, talvez, até mesmo de fato.

Consideram-se tão "iluminados" quanto os pastores evangélicos televisivos ou padres do Século XIII, condenando os que escolhem ter religião a uma espécie de "inferno", onde no fim sobrará o vazio de ter acreditado em algo que eles acreditam não existir. Notam a ironia?

No final das contas, aquela prática de cada um cuidar da sua vida fica mais uma vez esquecida e agora além de temer que minha campainha toque e seja alguma Testemunha de Jeová querendo me vender revistas, precisarei olhar com cuidado pra ver se não é algum ateu-praticante querendo me converter à sua não-religião.

Agredindo e louvando o Senhor

Postado em 5 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 42 Comentários

Hoje li uma tuitada da @giovanaduarte contando que um vizinho seu, membro de uma dessas seitas evangélicas radicalizadas, foi flagrado pelas câmeras de segurança do seu condomínio retirando e destruindo decorações de Natal.

Quando apanhado com a boca na botija, justificou-se dizendo que "sua igreja não permite que se comemore" a data religiosa em questão.

Ato isolado como muitos gostam de dizer? Não. Pode não ser prática da maioria dos membros destas igrejas evangélicas pentecostais, mas é uma prática que se concentra neles. Digamos que nem todo evangélico chute santas, mas todos que chutam santas geralmente são evangélicos.

Primeiro de tudo quero dizer que considero, parafraseando o ex-deputado e jornalista já falecido Márcio Moreira Alves, que tudo que só existe no Brasil e não é jaboticaba, normalmente é besteira.

Sendo assim, aberrações como "Renascer", "Deus é Amor", "Universal", aquela outra do "missionário" R.R. Soares (que até ainda agora eu achava que era J.J.) e mais tantas outras igrejas que crescem em regiões favelizadas das metrópoles ou em grotões do interior são, para mim, só e somente expoentes do nosso subdesenvolvimento e do desamparo que parte da sociedade sente, precisando recorrer a este tipo de charlatanismo para "ter fé".

Não dá pra levar a sério seitas que promovem espetáculos ridículos como este, este e este.

Mas não deixa de ser reveladora e perturbadora esta história que a Giovana, ela mesma protestante e batista conforme me disse, contou.

Isso mostra o grau de intolerância que pregam estas igrejas, numa tentativa de "mobilizar" e "eletrizar" seus fiéis, seja com objetivos pecuniários, seja por pura e simples manipulação espiritual.

É comum lermos noticiários contando agressões por parte de evangélicos neo-petencostais contra umbandistas, católicos, espíritas, homosexuais e outros grupos que eles consideram "desviados".

Lembro uma vez na entrada do Sambódromo, em pleno Carnaval, de um grupo de evangélicos tentando "convencer na boa" alguns foliões a "saírem daquele caminho" e insultando com gritos de "endemoniado!" e "satanás!" os que não queriam perder tempo ouvindo aquela cantilena deles.

Esse tipo de gente dá razão aos ateus e pseudo-ateus, quando estes dizem que "religião emburrece" ou que "toda religião acaba causando conflitos". Assim como as antigas posturas da Igreja Católica na idade média, estes evangélicos de hoje pensam que devem impor a Bíblia na base da força.

Aí abordam as pessoas em pontos de ônibus, calçadas, vão bater de porta em porta, não respeitam sua opinião e sua crença, ofendem as demais religiões, consideram-se portadores de uma "verdade única e incontestável".

Chega ser impossível estabelecer qualquer grau de conversa com alguns deles, porque parece que você é alguém que "deve ser convertido" até que prove o contrário e vá para o inferno.

Não cedo ao politicamente correto, mas também não quero generalizar. Existem igrejas protestantes tradicionais como a Batista e a Presbiteriana que tem um grau de tolerância mil vezes maior do que essas igrejinhas de laje, ainda que também falem muito mal de católicos em certas ocasiões.

O ponto disso tudo é que, seja qual for a religião (até mesmo aquela fábrica de psicopatas, assassinos e terroristas que é o Islã), todas pregam a paz, o respeito ao próximo e a harmonização da vida de quem a pratica.

É uma contradição imperdoável, quase um "pecado mortal" para utilizar linguagem religiosa, que você pregue isso no templo, traga isso consigo nas suas leituras e preces e falhe justamente na hora que mais importa, que é a hora de pôr em prática aqueles ensinamentos.

Boas palavras só valem se acompanhadas de atos concretos, creia você em Deus ou não.

Mandingas de ano novo

Postado em 31 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Chega o dia 31 de Dezembro e como diziam os antigos "é batata": começam a aparecer reportagens e conversas sobre simpatias para fazer na virada do ano.

Todo mundo, inclua-se aí alguns ateus, querendo uma forcinha do sobrenatural para atravessar o ano seguinte com dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender.

Tive uma namorada que a mãe começava a rezar mais ou menos umas 5 horas da tarde e só parava depois da meia noite, conheço outros que só comem alimentos da cor branca e outros ainda que acham que estourar 300 morteiros de 12 tiros por hora, incomodando os vizinhos e causando problemas auditivos em cachorros, gatos, periquitos e crianças trará sorte para ele no ano novo.

Acho que se o cara conseguir estourar essa morteirada toda sem se machucar, sem que chamem a polícia ou sem a esposa fazer uma resolução de final de ano para arrumar um "Ricardão", ele terá gasto toda a sua cota de sorte para o ano vindouro apenas nos primeiros minutos dele, mas vamos adiante.

Com o nosso horário de verão, o Brasil virou um país sui generis: soltamos fogos e desejamos felicidades uns aos outros na incrível e cabalística virada de 22:59 para 23:00 (no horário real).

Tirando essa peculiaridade, algumas figuras políticas e demais "famosos" do nosso país devem ter seu estoque de simpatias personalizado e adaptado, afinal, VIP que se preze não se mistura com o populacho nem na hora de fazer mandinga.

Jogam orquídeas no mar e comem manjar feito pela Roberta Sudbrack, mas como seriam as tentativas de curimba deles?

Vou ver se adivinho algumas destas simpatias a seguir:

José Sarney - Provavelmente o "aiatolá do Amapá" já afanou as 7 ondas ano passado, então esse ano ele jogará moedas ao alto e ficará esperando com um lançol aberto embaixo.

Petralhas em geral - Já sabendo da recomendação de uso de roupas íntimas novas na virada, os proto-bolivarianos do PT comprarão cuecas 2 ou 3 números acima dos seus normais, dessa forma esperam caber mais dólares dentro delas no ano que se inicia.

Xuxa - À meia-noite desejará "Rápí Nu Íar" para sua filha alfabetizada em inglês.

Madonna - Quem tem Jesus literalmente ao seu lado não precisa de simpatia alguma.

Preta Gil - Comerá lentilhas...o caldeirão inteiro.

Dado Dolabella - Dará 3 pulinhos à meia-noite...só que talvez em cima do pescoço de quem estiver namorando atualmente.

Isis Valverde, Carolina Dieckmann, Alinne Moraes, Susana Vieira e demais "famosos" noveleiros - Avisarão à imprensa, aos sites de fofocas e a alguns paparazzis selecionados que pretendem acender uma vela na praia, porém querem que tudo seja bem íntimo, discreto e sem exposição, como suas idas ao shopping, seus banhos de mar e suas estadias na Ilha de Caras.

Geisy Arruda - A "Loira da Uniban" colocará um vestidinho branco, transparente, curtíssimo e irá para um culto da Igreja Universal torcendo para "não" levar outra vaia que a leve novamente para dar entrevista ao Fantástico.

Lady Gaga - Comerá alguns cachos de uvas quando der meia-noite. Só fará isso porque cachos de uvas em Portugal se chamam "bagos". (Entenderam o trocadilho?)

Any Winehouse - Logicamente ela beberá 20 garrafas de champagne inteiras, afinal, está se desintoxicando pela milésima vez e precisa pegar leve.

Barack Obama - O presidente americano convencerá as "forças do além" que merece tudo o que desejar em 2010 sem fazer simpatia alguma, mais ou menos como ele conseguiu um Prêmio Nobel da Paz sem fazer p*! nenhuma para merecer isso.

Luciana Gimenez - Vocês acham mesmo que alguém que conseguiu em uma trepada rapidinha engravidar do vocalista dos Rolling Stones já não vendeu a alma faz tempo e dispensa essas ajudinhas menores?

Lula - À meia noite, subirá o degrau de uma escada. E ele tem certeza que esse tal de "deus" ficará abaixo dele a partir desse momento.

Brincadeiras à parte, este dia mexe com o imaginário de todos nós, mas acreditem: ele nada mais é do que a passagem de mais um final de mês, de mais uma quinta para uma sexta-feira, do sinal da chegada das nossas contas que vencerão a partir do dia 5.

O que nós fazemos todos os dias é o que realmente conta e não existe simpatia mais eficaz do que tentar simplesmente fazer o nosso melhor possível, um dia de cada vez.

Feliz Ano-Novo para todos nós!

(Agora este blog só retorna em 2010. Comemorem, encham a cara mas por favor: sem "chamar o Raul" nos pés de ninguém!)

O Natal sem Jesus Cristo

Postado em 10 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Parece meio apelativo o título, né? Mas se você tiver paciência e me esperar contar o porque dele, garanto que vai entender.

Longe de mim ser ou parecer carola ou conservador, nada disso, muito pelo contrário, mas sempre que Dezembro chega, esse pensamento me assalta: o estabelecimento, ano a ano, de um Natal em que Jesus Cristo passa a ser só um detalhe.

Parece clichê falar aqui que todo mundo se preocupa mais em comprar, servir ceias no dia 24 que mais parecem banquetes de Trimalcião e se embebedar, do que em fazer qualquer tipo de reavaliação íntima sobre tudo que se passou durante aquele ano, mas isso é uma verdade.

O Natal atualmente remete mais à imagem de senhoras se acotovelando em Shopping Centers cheias de sacolas de compras e homens sacando o cartão de crédito, para compensar com presentes toda a ausência presencial durante o ano, do que uma simples celebração familiar.

Não estou aqui falando que as pessoas devem ir procurar padres, confessionários ou mesmo ir pra Missa do Galo, acho que essa conotação estritamente religiosa não é obrigatória, ainda que esta seja uma festa religiosa.

Os usos e costumes fizeram toda (ou quase toda) a nossa sociedade ocidental incorporar o Natal às suas festividades e dessa forma a festa se "democratizou", universalizando-se e "pegando" todos.

Montam presépios e decoram as casas mais como "enfeites" e "costume" do que por valorizar o significado real de tudo aquilo. É como acender aquelas velinhas do Chanuká só porque é "bonitinho", mas tudo bem, não acho que isso seja um pecado mortal.

Mas não é porque a pessoa não vai passar a noite rezando o Pai Nosso à beira do presépio, que devemos transformar o feriado em uma data tão impessoal a ponto de negarmos até mesmo a sua origem.

Esse ano recebi um pedido para elaborar um cartão de final de ano de uma empresa. Tudo bem, adoro criar, adoro escrever e faço isso com certa facilidade. Só que tinha um detalhe: o cartão de Natal não poderia mencionar o Natal, porque poderia "ofender" quem fosse de outra religião que não o cristianismo ou ainda quem fosse ateu.

Noto esse tipo de comportamento, ainda que tênue, por aí afora: as festividades de final de ano tendem a ser "ecumênicas" atualmente.

É mais ou menos como fazer uma festa de aniversário pra alguém, mas não chamar o aniversariante porque pode ser que pessoas que "não gostem muito dele" estejam presentes.

Está aí explicado o Natal sem Jesus Cristo.

Como disse anteriormente, não é preciso fazer uma festa carola e nem alijar os "não-cristãos" da mesma, já que ela é uma festa ocidental e muito popular, mas fica a dica e, quem sabe, o pedido: que tal não alijarmos também quem é cristão dela?

La Mohammed poderia ser você

Postado em 1 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Lal Mohammed tentou votar para presidente no Afeganistão. Lal Mohammed foi pego pelos talibãs no caminho da seção eleitoral. Lal Mohammed foi espancado e teve seu nariz e orelhas cortadas, pelos "sagrados" guerreiros do Talibã.

Assim como Lal Mohhamed, vários manifestantes contrários ao resultado da eleição no Irã foram espancados. Não tiveram seus narizes cortados, mas foram estuprados e abusados em prisões fétidas. Tudo isso feito pelos "sagrados" guerreiros da Guarda Revolucionária iraniana.

O que existe em comum nestes dois casos, além da violência contra cidadãos que tentavam exercer seus direitos? Muitas coisas, mas duas que particularmente me chamam a atenção: em ambos os agressores acusaram os "estrangeiros e ocidentais" de conspirarem contra o islã. E em ambos esta tal conspiração contra o islã também atendia pelo nome de "democracia".

George W. Bush foi um presidente controverso. Aproveitou-se de um momento de união nacional devido aos ataques do 11 de setembro para perpetrar uma política bélica agressiva, a tal "ação preventiva".

Sua truculência e a de seus assessores e conselheiros acabou por criar uma onda de anti-americanismo e uma simpatia por regimes islâmicos que é totalmente descabida por parte de quem, na visão destes regimes islâmicos, representa todo o mal que possa existir no mundo, ou seja, nós ocidentais não-islâmicos.

George W. Bush falhou em transmitir esta idéia. Falhou em administrar seu país de forma que a sua economia não desmoronasse sobre ele, falhou em vários aspectos, mas foi bem sucedido naquela que foi a linha mestra do seu governo: a segurança.

Depois do 11 de setembro, nenhum, repito, nenhum, e sem pudor repito outra vez, nenhum terrorista islâmico explodiu sequer um traque nos EUA. Tentaram, mas tudo foi em vão. O país passou 7 anos sem sofrer nenhum outro atentado.

O resto do mundo claudicou no início e Espanha e Inglaterra tiveram o seu quinhão da "tolerância" islâmica. Passaram a adotar as medidas impopulares e "exageradas" da doutrina Bush.

Igualmente passaram a ser mais seguros.

Mas não é sobre o presidente Bush, que eu particularmente não tenho a menor vergonha de dizer que gosto, que eu quero falar, é sobre a tal "tolerância" que é ditada como obrigatória a todos nós.

Os países muçulmanos possuem com ocidentais, não-islâmicos e principalmente judeus e cristãos uma tolerância que somente vemos paralelo nos leões e zebras.

Sim, os senhores de turbante tem conosco a mesma tolerância que um leão tem com uma zebra no Serengeti. Se puderem nos traçam, sem pena. Caso não seja possível, nos observam ao longe, esperando uma oportunidade.

Todo país cristão ocidental possui mesquitas funcionando livremente. Entoam seus cantos e louvores a Maomé, aquele que disse que o islã deveria ser difundido na base da espada se necessário, com toda a liberdade que nos negam em seus países para louvar Cristo, Buda, Abraão ou qualquer outro.

Na Arábia Saudita, por exemplo, carregar uma Bíblia ou um crucifixo é crime passível de cadeia e punições severíssimas (conheço algumas ONGs e militantes brasileiros que devem adorar a idéia, mas não é sobre elas que quero falar também agora).

Convencionamos dizer que a "minoria atuante" islâmica é assim, que eles na verdade são um "povo de paz". Vou parar de usas aspas aqui mas coloquem-nas aonde convier, porque tudo que direi é relativo. Dizemos que eles são oprimidos, que apenas devolvem a violência que sofrem, que são incompreendidos, que são vítimas, enfim, tudo que faz parte do discurso vitimista para justificar violências que outras pessoas sofrem sem terem feito nada para merecer isto.

É a maldita "divida histórica", paga com suor e sangue de inocentes.

Não são minoria. Se são, contam com a simpatia ou pelo menos a cumplicidade da tal "maioria" e por isso representam, sim, um aspecto determinante desta cultura.

Explodem bombas, cortam narizes, fazem ataques terroristas, vivem em outros países quando imigram para eles em guetos como se ainda estivessem na sua terra e, pior, tentam impor sua cultura até onde são imigrantes.

Conheço um austríaco que teve problemas quando sua filha quis casar-se com um turco. Ele não via nada demais nisso, a família turca sim. Não queriam "misturar-se".

Funciona assim: os euros austríacos são bem vindos, os genes, não.

Essa tendência de tolerância excessiva ocidental vem da tal "culpa" histórica sabe-se lá pelo que. Pelo período colonial? Pelas cruzadas? Pelas guerras? Ora, o islã ocupou a Europa, matou muita gente e até hoje acusa o ocidente por tudo de mal que lhes aflige.

Condenaram o presidente Sarkozy por proibir o uso do véu nas escolas, mas esquecem-se que no início seria apenas a "permissão" do uso, dali a pouco todas as meninas muçulmanas seriam obrigadas a usa-lo caso contrário sofreriam punições na sua comunidade, e mais a frente até as não-muçulmanas acabariam sendo obrigadas a usa-lo, caso eles pudessem fazer isso.

Não se esqueçam: falamos aqui de uma religião e uma cultura que proibem a livre manifestação religiosa em seus países. Tudo o que eu disser sobre eles aqui não será exagero.

Não digo que deveríamos fazer igual. Devemos manter a liberdade de culto sempre, pois essa é a essência de nossa civilização (Quem vier falar de inquisição levará uma espada da idade média enfiada no nariz, falo de hoje, dos dias de hoje).

Não adianta nada, pois eles continuam sendo intolerantes, mas não nos iguala, o que já é muito bom.

Israel (contra quem tenho milhares de diferenças, diga-se de passagem, mas que é a única democracia real no Oriente Médio) é a prova que não adianta ser tolerante. Lá funcionam mesquitas, existem árabes que são cidadãos do país, mas eles continuam sendo acusados de "tirania", quando na Palestina ocupada, por exemplo, ainda se apedreja mulheres que não submetem-se aos ditames do Alcorão.

Não devemos modificar a essência de nossa cultura para fazer um "olho por olho", mas devemos ser mais incisivos na sua defesa e em não permitir que nos satanizem desta forma.

Os "bandidos" no Afeganistão são os talibãs e não os marines.

Essa tolerância excessiva é que cria espaço para que, por exemplo, um jornal europeu tenha jornalistas ameaçados de morte porque fez uma caricatura com a imagem de Maomé. Caricatura de Jesus pode, de Buda pode, de qualquer um pode, Maomé não pode porque é mais "sagrado'?

Não, não é. Apenas tem entre seus seguidores os religiosos mais fanáticos, violentos e fundamentalistas que existem.

Alguém pode argumentar que todas as religiões só servem ao mal, que se não existissem o mundo estaria bem melhor. Respeito essa opinião apesar de não concordar com ela.

Se fosse tão simples assim, acho que veríamos monges budistas perseguindo judeus com espadas ou padres catolicos trocando tiros com evangélicos, só para citar algumas das maiores religiões monoteístas e algumas sub-divisões.

Não vemos. Só existe terrorismo islâmico, só existe intolerância religiosa oficial em países islâmicos e somente estes países lutam tão ferozmente contra coisas como tecnologia, informação, liberdade, democracia.

Em nenhum outro país do mundo persegue-se tanto a liberdade das mulheres, da individualidade, da livre escolha quanto nos países muçulmanos. 689 livros como "O Caçador de Pipas" ou "Desonrada", que falam sobre a repressão, estupros e violências nos regimes e na sociedade islâmicas não me deixam mentir.

Vamos perder o pudor de falar que são sociedades piores neste aspecto sim, que precisam mudar de um jeito ou de outro, não devemos nos curvar ante a sua violência em nome de uma suposta tolerância que acabará nos soterrando.

Devemos ter noção que, no patamar atual, nossa sociedade ocidental capitalista, cheia de defeitos, diferenças, problemas e milhões de questões que devem ser melhoradas ainda é o que existe de melhor disponível.

Lembro sempre do que disse Churchill nestas horas, assim falou o velho premier inglês: "A Democracia é um mau regime; mas é o melhor que se conhece".

Isso é um fato e jamais devemos deixar esta idéia esvaecer de nossas mentes. É no campo das idéias que todo conflito é vencido primeiramente.

É cool ter ódio dos EUA e apoiar, digamos, a resistência árabe, mas pergunte a si mesmo por um instante: você preferiria viver sob um governo americano ou sírio?

Não sejamos mais zebras, pois isso é tudo o que os leões mais desejam.
 
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