Ah, o Rio de Janeiro! O Rio-de-Ja-ne-iii-ro!
Temos aqui o turismo favela. Além do brasileiríssimo turismo sexual, sabe como é, aqueles gringos que vem para cá arrumar namoradas de 30 reais, no Rio tem o turismo favela.
O cara compra um pacote com direito a ver pobreza na Rocinha, palafitas na Maré e lixões a céu aberto em Caxias. Rico acha pobreza exótica, nobre, romântica. Só pobre é que acha pobreza uma merda mesmo.
Sobe num jipe, sacoleja durante duas horas, sobe vielas, tira fotos, finge que acha o batuque dali diferente do batuque do ensaio de escola de samba da noite anterior e depois, claro, volta pro seu ar-condicionado antes de pegar o avião de volta pra civilização. É quase como um safari, só que nesse caso ele não atira em leões (mas espera ver alguém abatido no caminho).
O pacote básico provavelmente envolva só mesmo a visita, mas por alguns reais a mais você deve poder optar por um passeio de blindado até uma zona de conflito, ratazanas em tamanho real, acesso à rede wi-fi no morro Dona Marta e como brinde, chaveiros feitos com capsulas de fuzil deflagradas.
Não sei da existência de viagens semelhantes para a Faixa de Gaza, mas se ainda não tem, deveriam criar, porque o filão tem bastante saída.
Esse pessoal vem pro Brasil em busca do que não tem na terra deles, ou seja, desenvolvimento, uma temperatura mais amena, cultura de melhor qualidade. Logo, não adianta levar um gringo pra ver uma ópera no Municipal, porque isso tem aos montes na terra dele e muito melhor.
Eles vem pra cá ouvir batuque, ver favela, pobreza, beber cachaça, andar debaixo de sol num calor de 40 graus e depois voltar pras suas terras, porque afinal de contas ninguém muda pro parque de diversões só porque foi na Disney.
É por isso que quase ninguém - existem exceções, é claro - propõe que se ensine violino para garotos pobres de favela. Eles os ensinam a bater lata, fazer funk, rebolar até o chão, como se isso eles já não fossem aprender por osmose.
Para quem não precisa conviver com essas coisas diariamente, é muito mais peculiar mostrar um barraco com 300 crianças descalças dentro do que um bairro com gramados na frente das casas. É como olhar por cima do muro para espiar a mulher do vizinho e dar de cara com uma sósia da sua esposa ali.
Alguns gostam tanto que até ficam, mas e daí? Não existem americanos que se unem ao Talibã? O comum é que voltem para casa, no conforto de suas cidades bem servidas, contando suas experiências transcendentais que o contato direto com a miséria causou, mostrando as fotos dos garotos com o nariz escorrendo e colocando 10 euros por mês para alguma ONG no débito automático do banco. Estão fazendo sua parte.
Gringos são quase como moradores da Barra da Tijuca. Complexo do Alemão? Vila Cruzeiro? Que nada, na Barra da Tijuca você sempre está em Miami (com o pequeno detalhe de que Miami não deve ter aquele trânsito de Marginal Tietê que a Barra exibe).
Na Barra as pessoas compram pão na "bakery", remédios na "drug store", carnes no "butcher" e para completar, têm sua própria réplica em tamanho gigante da Estátua da Liberdade, num shopping chamado "New York".
O problema é que passam pelo resto da cidade para ir e voltar do Centro ou da Zona Sul e, diferente dos gringos, quando voltam pra casa, continuam no Brasil.
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Pacote "Pobreza Inesquecível" - 8 dias e 7 noites - Café da Manhã e cachaça incluídos
Postado em 14 de dez. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
A favelagem carioca
Postado em 3 de dez. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Essa cobertura extensa da tomada do "Complexo" do Alemão pela polícia e pelas forças armadas serviu para mostrar um monte de coisas, entre elas o estado de favelização completo em que se encontra o Rio de Janeiro.
Para se ter uma idéia do tamanho do problema, apenas esse conjunto de favelas do Alemão - que é um dentre muitos - se extende por 15 bairros da cidade, degradando o meio ambiente e emporcalhando a visão.
A cidade sempre sofreu com este problema, desde quando era capital federal e recebia trabalhadores de todo o Brasil até os dias atuais, onde o preço do metro quadrado atinge níveis inimagináveis para um lugar com tantos problemas de infra-estrutura como é o Rio de Janeiro.
Nos espaços onde hoje estão a UERJ (no bairro do Maracanã) e o Parque da Catacumba (na Lagoa Rodrigo de Freitas) antes existiam favelas. Outros locais hoje recuperados da cidade como o Planetário também eram tomados por barracos na década de 60.
A diferença é que os governos daquela época - hoje taxados de higienistas e "anti-pobres" pela indústria faveleira, porque na cabeça deles querer uma cidade mais bonita virou crime - faziam algo efetivo para diminuir o problema e achar soluções reais, que é a remoção e o reassentamento.
Hoje em dia as favelas se tornaram grande fonte de dinheiro, prestígio e votos. São associações de moradores, políticos que fazem currais eleitorais, milícias, empresas que vendem gás e outros serviços, vans e Kombis, gatos de luz, de net, de água, jogos ilegais, agiotagem e, claro, muita especulação imobiliária que se unem para garantir os seus negócios e que o Rio de Janeiro jamais se livre da montanha de barracos que enfeia o seu visual.
Dizem que não se pode tirar aquelas pessoas simplesmente, que é "obrigatório" que as coloquem em locais próximos de onde existe a favela atualmente, como se uma invasão fosse algum direito, como se um imóvel dado ou subsidiado pelo estado já não servisse para satisfazer o direito à moradia.
Uma coisa é morar, que realmente é um direito de todo cidadão, outra coisa é a localização, que é mérito.
Mora em Ipanema quem pode.
Mas como enfrentar essa indústria e esse pensamento padronizado que foi imposto à sociedade demanda riscos políticos, nossos governantes preferem se omitir e não fazer nada a respeito. E quando tentam, logo são lembrados dos prejuízos eleitorais que podem sofrer com isso.
Afirmações e loas cretinas como "favela não é problema, é solução", "Viva a Favela!", e também filmes e outras manifestações artísticas que tentam convencer pela repetição de que aquela degradação da cidade é na verdade um bem "cultural", tudo isso junto com ONGs que vivem muito bem da graninha que arrumam defendendo a favelagem e os sempre presentes "Movimentos Sociais", fazem do Rio de Janeiro um lugar que beira a insolvência urbanística.
Suas ruas apertadas, sua geografia peculiar e o paredão de barracos que sitiam a cidade são a prova disso.
Recentemente o prefeito resolveu remover uma favela chamada "Favela do Metrô", justamente porque fica colada à linha férrea, o que por si só já seria razão mais do que justificável para remover tudo dali. Mas some-se a isso oficinas mecânicas ilegais, desmanches de veículos, carros abandonados e áreas públicas invadidas. O local seria limpo e transformado em parte do novo Complexo Esportivo do Maracanã, que sediará a final da Copa do Mundo.
Pois bem, as tais ONGs, Movimentos Sociais e a indústria faveleira já se uniram e começaram a fazer escândalo contra isso. "Não podem tirar a 'comunidade' dali", "algumas pessoas estão ali há 40 anos!","isso é uma violência!".
Quer dizer então que se eu roubar um carro e conseguir ficar com ele durante 40 anos ele passa a ser meu? Sei que o exemplo é extremo, mas tudo nessa história o é. Não podem tirar a "comunidade" porque? Porque compraram terrenos invadidos da mão dos invasores? Isso é uma "violência" porque? Porque remover pessoas de um local infestado de barracos para colocar em imóveis populares ofende o princípio básico da indústria faveleira que é "depois que invadiu, ninguém mais tira"? Até em áreas de risco comprovado a tarefa da remoção é quase impossível por conta de tanta pressão política.
E a violência contra a cidade que esse monte de favelas representa? A sujeira, a feiúra, a degradação, a informalidade? Isso tudo merece ser premiado?
E tome urbanização, teleférico, maquiagem, porque isso tudo dá voto e perpetua a dinheirama que essas "comunidades" fazem girar diariamente. Solução mesmo que é bom, nada.
E o Rio de Janeiro, que um dia já foi realmente a tal "Cidade Maravilhosa", segue na sua triste sina de violência, caos urbano e descida da ladeira.
Para se ter uma idéia do tamanho do problema, apenas esse conjunto de favelas do Alemão - que é um dentre muitos - se extende por 15 bairros da cidade, degradando o meio ambiente e emporcalhando a visão.
A cidade sempre sofreu com este problema, desde quando era capital federal e recebia trabalhadores de todo o Brasil até os dias atuais, onde o preço do metro quadrado atinge níveis inimagináveis para um lugar com tantos problemas de infra-estrutura como é o Rio de Janeiro.
Nos espaços onde hoje estão a UERJ (no bairro do Maracanã) e o Parque da Catacumba (na Lagoa Rodrigo de Freitas) antes existiam favelas. Outros locais hoje recuperados da cidade como o Planetário também eram tomados por barracos na década de 60.
A diferença é que os governos daquela época - hoje taxados de higienistas e "anti-pobres" pela indústria faveleira, porque na cabeça deles querer uma cidade mais bonita virou crime - faziam algo efetivo para diminuir o problema e achar soluções reais, que é a remoção e o reassentamento.
Hoje em dia as favelas se tornaram grande fonte de dinheiro, prestígio e votos. São associações de moradores, políticos que fazem currais eleitorais, milícias, empresas que vendem gás e outros serviços, vans e Kombis, gatos de luz, de net, de água, jogos ilegais, agiotagem e, claro, muita especulação imobiliária que se unem para garantir os seus negócios e que o Rio de Janeiro jamais se livre da montanha de barracos que enfeia o seu visual.
Dizem que não se pode tirar aquelas pessoas simplesmente, que é "obrigatório" que as coloquem em locais próximos de onde existe a favela atualmente, como se uma invasão fosse algum direito, como se um imóvel dado ou subsidiado pelo estado já não servisse para satisfazer o direito à moradia.
Uma coisa é morar, que realmente é um direito de todo cidadão, outra coisa é a localização, que é mérito.
Mora em Ipanema quem pode.
Mas como enfrentar essa indústria e esse pensamento padronizado que foi imposto à sociedade demanda riscos políticos, nossos governantes preferem se omitir e não fazer nada a respeito. E quando tentam, logo são lembrados dos prejuízos eleitorais que podem sofrer com isso.
A Lagoa da qual hoje o carioca se orgulha tanto era assim, se fosse hoje,
na era do "direito", imaginem que gracinha seria...
Afirmações e loas cretinas como "favela não é problema, é solução", "Viva a Favela!", e também filmes e outras manifestações artísticas que tentam convencer pela repetição de que aquela degradação da cidade é na verdade um bem "cultural", tudo isso junto com ONGs que vivem muito bem da graninha que arrumam defendendo a favelagem e os sempre presentes "Movimentos Sociais", fazem do Rio de Janeiro um lugar que beira a insolvência urbanística.
Suas ruas apertadas, sua geografia peculiar e o paredão de barracos que sitiam a cidade são a prova disso.
Recentemente o prefeito resolveu remover uma favela chamada "Favela do Metrô", justamente porque fica colada à linha férrea, o que por si só já seria razão mais do que justificável para remover tudo dali. Mas some-se a isso oficinas mecânicas ilegais, desmanches de veículos, carros abandonados e áreas públicas invadidas. O local seria limpo e transformado em parte do novo Complexo Esportivo do Maracanã, que sediará a final da Copa do Mundo.
Pois bem, as tais ONGs, Movimentos Sociais e a indústria faveleira já se uniram e começaram a fazer escândalo contra isso. "Não podem tirar a 'comunidade' dali", "algumas pessoas estão ali há 40 anos!","isso é uma violência!".
Quer dizer então que se eu roubar um carro e conseguir ficar com ele durante 40 anos ele passa a ser meu? Sei que o exemplo é extremo, mas tudo nessa história o é. Não podem tirar a "comunidade" porque? Porque compraram terrenos invadidos da mão dos invasores? Isso é uma "violência" porque? Porque remover pessoas de um local infestado de barracos para colocar em imóveis populares ofende o princípio básico da indústria faveleira que é "depois que invadiu, ninguém mais tira"? Até em áreas de risco comprovado a tarefa da remoção é quase impossível por conta de tanta pressão política.
E a violência contra a cidade que esse monte de favelas representa? A sujeira, a feiúra, a degradação, a informalidade? Isso tudo merece ser premiado?
E tome urbanização, teleférico, maquiagem, porque isso tudo dá voto e perpetua a dinheirama que essas "comunidades" fazem girar diariamente. Solução mesmo que é bom, nada.
E o Rio de Janeiro, que um dia já foi realmente a tal "Cidade Maravilhosa", segue na sua triste sina de violência, caos urbano e descida da ladeira.
O desastre do Brasil é o brasileiro
Postado em 20 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Que ninguém me acuse de dizer que o Brasil é um país feio. Não seria louco de afirmar isso, mesmo porque conheço várias partes dele e acho cada uma delas linda de forma particular. Só que o Brasil é um país de cenários exuberantes, com paisagens de tirar o fôlego de qualquer um, e aí reside a minha diferença com a maioria dos brasileiros, que se acham herdeiros naturais de toda essa beleza.
Quando vejo algum cidadão daqui dizer "meu país é lindo!", não posso deixar de concordar, mas ao mesmo tempo penso numa pergunta silenciosa "e o que você fez para ele ser bonito assim?". 99% dos cidadãos - caso fossem honestos- poderiam responder: nada.
Algumas cidades do mundo não são tão favorecidas pela natureza, no entanto as pessoas que ali viveram foram - ano a ano, década a década, século a século - construindo uma beleza "human made".
Prédios, pontes, ruas, monumentos, vão formando o que acaba se tornando uma linda cidade, fruto do que seus cidadãos criaram. Seja no meio de uma planície sem graça, seja no meio de um deserto inclemente, seja em locais onde o meio-ambiente é selvagem.
O Brasil não. Exceção à sua capital, Brasília - que alguns acham de mau gosto, mas eu acho bonita - o que existe aqui foi a natureza que criou ao seu modo. Se formos analisar friamente só o que o povo daqui construiu, encontraremos em sua absoluta maioria cidades abaixo da crítica.
Favelizadas, caóticas, ruas apertadas, calçadas estreitas, prédios gigantescos em formato de caixotes bem ao gosto da especulação imobiliária, rios poluídos, transportes sucateados, lixo espalhado. Vamos admitir: a obra do brasileiro não está a altura daquilo que ganhou de mão beijada.
O que o povo daqui fez foi simplesmente sabotar o que a natureza lhe deu de presente. Das águas da Baía de Guanabara, palco da chegada da corte portuguesa - e que já servia de penico para a população desde aquele tempo - até as dunas destruídas no Nordeste para abrigar condomínios de luxo (e gosto duvidoso), em cada município brasileiro veremos exemplos de como o povo que tanto se orgulha da beleza do "seu" país consegue atentar contra esta mesma beleza.
E não olhe pro sujeito ao lado com raiva, pensando "desgraçado, está destruindo tudo" ou comece a xingar os políticos, porque se você joga lixo no chão, você é outro responsável tal qual o cara aí do lado ou qualquer prefeitinho sem-vergonha que libere alvarás para a especulação imobiliária, permita a favelização em troca de votos ou não cuide dos rios de sua cidade.
Não sou ecochato, longe disso, mas acho que a evolução e o progresso podem - e devem - ser acompanhadas de bom gosto.
Todo país sofre com seus desastres naturais. O desastre do Brasil, até aqui, tem sido o brasileiro.
Quando vejo algum cidadão daqui dizer "meu país é lindo!", não posso deixar de concordar, mas ao mesmo tempo penso numa pergunta silenciosa "e o que você fez para ele ser bonito assim?". 99% dos cidadãos - caso fossem honestos- poderiam responder: nada.
Algumas cidades do mundo não são tão favorecidas pela natureza, no entanto as pessoas que ali viveram foram - ano a ano, década a década, século a século - construindo uma beleza "human made".
Prédios, pontes, ruas, monumentos, vão formando o que acaba se tornando uma linda cidade, fruto do que seus cidadãos criaram. Seja no meio de uma planície sem graça, seja no meio de um deserto inclemente, seja em locais onde o meio-ambiente é selvagem.
O Brasil não. Exceção à sua capital, Brasília - que alguns acham de mau gosto, mas eu acho bonita - o que existe aqui foi a natureza que criou ao seu modo. Se formos analisar friamente só o que o povo daqui construiu, encontraremos em sua absoluta maioria cidades abaixo da crítica.
Favelizadas, caóticas, ruas apertadas, calçadas estreitas, prédios gigantescos em formato de caixotes bem ao gosto da especulação imobiliária, rios poluídos, transportes sucateados, lixo espalhado. Vamos admitir: a obra do brasileiro não está a altura daquilo que ganhou de mão beijada.
O que o povo daqui fez foi simplesmente sabotar o que a natureza lhe deu de presente. Das águas da Baía de Guanabara, palco da chegada da corte portuguesa - e que já servia de penico para a população desde aquele tempo - até as dunas destruídas no Nordeste para abrigar condomínios de luxo (e gosto duvidoso), em cada município brasileiro veremos exemplos de como o povo que tanto se orgulha da beleza do "seu" país consegue atentar contra esta mesma beleza.
E não olhe pro sujeito ao lado com raiva, pensando "desgraçado, está destruindo tudo" ou comece a xingar os políticos, porque se você joga lixo no chão, você é outro responsável tal qual o cara aí do lado ou qualquer prefeitinho sem-vergonha que libere alvarás para a especulação imobiliária, permita a favelização em troca de votos ou não cuide dos rios de sua cidade.
Não sou ecochato, longe disso, mas acho que a evolução e o progresso podem - e devem - ser acompanhadas de bom gosto.
Todo país sofre com seus desastres naturais. O desastre do Brasil, até aqui, tem sido o brasileiro.
O mito da remoção das favelas
Postado em 8 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 17 Comentários
O temporal que caiu sobre o Rio de Janeiro levou bem mais do que lixo pelas correntezas imundas das enchentes que causou, levou muitas vidas também. Centenas de mortos, outras centenas de feridos, milhares de desabrigados, sua grande maioria habitante das muitas encostas da cidade.
O mesmo relevo exótico que presenteou o Rio com uma beleza natural que encanta qualquer um, também cobrou seu preço com a falta de espaços urbanos e com a utilização deste relevo para um processo de favelização que terminou por roubar em muito esta mesma beleza.
Já falei disso aqui antes. Favelas são não apenas bolsões de miséria, sujeira, áreas sujeitas ao avanço do crime a reboque da ausência do estado. Favelas são horrorosas esteticamente. Substituem-se árvores e vegetação nativa por barracos, vielas, biroscas, lixo.
A tal regra que impede a construção acima da "Cota 100"(acima de 100 metros) é jogada no mesmo lixão que os restos de comida dos barracos, com os ratos passeando por cima.
E sempre que uma remoção, ainda que mínima, é tentada, logo aparecem as ONGs, os defensores da favelização, a justiça garantindo liminares, os demagogos de plantão e toda sorte de gente interessada em manter aquela chaga aberta na cidade.
Aí quando ocorre um temporal, tudo desaba e as pessoas são vitimadas, essa mesma gente corre para perguntar porque o poder público nada faz, como é que aquela situação foi permitida. Há mais de 50 anos, após outro temporal que também destruiu a cidade, alguns urbanistas elencaram diversas soluções para que o Rio de Janeiro amenizasse seus sofrimentos com as chuvas.
Entre limpeza e canalização de rios, ampliação do sistema de captação das águas e outras sugestões, estava a remoção total das favelas e o reflorestamento das encostas. No entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas existia um desses amontoados de barracos. Esta foto mostra como era a área antes da remoção.
Imagine como seria um dos cartões postais da cidade hoje se aquela favela ainda estivesse ali. Infelizmente esse tipo de ação parou. A demagogia e a busca do voto fácil não só fizeram com que sucessivos governos deixassem de combater essas invasões como passassem a estimulá-las.
Invadem uma área, constróem barracos, destróem a natureza, alguns fazem gato de luz, de net, de água e no final são premiados com a posse do terreno e com algum PAC, que vai urbanizar (leia-se maquiar) todo aquele caos incorrigível e ainda ganham internet Wi-Fi grátis de brinde.
A solução verdadeira, que é a remoção total e reassentamento em outras áreas da cidade, é satanizada por todo lado. "Vão morar aonde?", "Vai botar essa gente toda em que lugar?".
Ora, amigos. Com certeza não será em Ipanema, no Leblon e nem em Copacabana. Mora nesses lugares quem pode. Eu mesmo não moro em nenhum desses bairros assim como muita gente que não quer arcar com os custos da habitação ali também não.
Mas nem por isso levantei um barraco à beira-mar, na esperança de darem posse depois.
E assim tem que ser com quem mora nas favelas. Vão morar aonde podem, aonde há espaço. O poder público, se fosse sério, colocaria transporte público de qualidade nesses locais de reassentamento e a mobilidade estaria garantida, assim como a qualidade de vida de toda a cidade.
Não são soluções fáceis, é claro. Mas são bem menos custosas do que as vidas que se perdem de vez em quando nesses desabamentos, vidas perdidas para se defender posições coitadistas, para perpetuar essa política e essa visão "faveleira" de urbanismo.
Vidas trocadas por votos.
O mesmo relevo exótico que presenteou o Rio com uma beleza natural que encanta qualquer um, também cobrou seu preço com a falta de espaços urbanos e com a utilização deste relevo para um processo de favelização que terminou por roubar em muito esta mesma beleza.
Já falei disso aqui antes. Favelas são não apenas bolsões de miséria, sujeira, áreas sujeitas ao avanço do crime a reboque da ausência do estado. Favelas são horrorosas esteticamente. Substituem-se árvores e vegetação nativa por barracos, vielas, biroscas, lixo.
A tal regra que impede a construção acima da "Cota 100"(acima de 100 metros) é jogada no mesmo lixão que os restos de comida dos barracos, com os ratos passeando por cima.
E sempre que uma remoção, ainda que mínima, é tentada, logo aparecem as ONGs, os defensores da favelização, a justiça garantindo liminares, os demagogos de plantão e toda sorte de gente interessada em manter aquela chaga aberta na cidade.
Aí quando ocorre um temporal, tudo desaba e as pessoas são vitimadas, essa mesma gente corre para perguntar porque o poder público nada faz, como é que aquela situação foi permitida. Há mais de 50 anos, após outro temporal que também destruiu a cidade, alguns urbanistas elencaram diversas soluções para que o Rio de Janeiro amenizasse seus sofrimentos com as chuvas.
Entre limpeza e canalização de rios, ampliação do sistema de captação das águas e outras sugestões, estava a remoção total das favelas e o reflorestamento das encostas. No entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas existia um desses amontoados de barracos. Esta foto mostra como era a área antes da remoção.
Imagine como seria um dos cartões postais da cidade hoje se aquela favela ainda estivesse ali. Infelizmente esse tipo de ação parou. A demagogia e a busca do voto fácil não só fizeram com que sucessivos governos deixassem de combater essas invasões como passassem a estimulá-las.
Invadem uma área, constróem barracos, destróem a natureza, alguns fazem gato de luz, de net, de água e no final são premiados com a posse do terreno e com algum PAC, que vai urbanizar (leia-se maquiar) todo aquele caos incorrigível e ainda ganham internet Wi-Fi grátis de brinde.
A solução verdadeira, que é a remoção total e reassentamento em outras áreas da cidade, é satanizada por todo lado. "Vão morar aonde?", "Vai botar essa gente toda em que lugar?".
Ora, amigos. Com certeza não será em Ipanema, no Leblon e nem em Copacabana. Mora nesses lugares quem pode. Eu mesmo não moro em nenhum desses bairros assim como muita gente que não quer arcar com os custos da habitação ali também não.
Mas nem por isso levantei um barraco à beira-mar, na esperança de darem posse depois.
E assim tem que ser com quem mora nas favelas. Vão morar aonde podem, aonde há espaço. O poder público, se fosse sério, colocaria transporte público de qualidade nesses locais de reassentamento e a mobilidade estaria garantida, assim como a qualidade de vida de toda a cidade.
Não são soluções fáceis, é claro. Mas são bem menos custosas do que as vidas que se perdem de vez em quando nesses desabamentos, vidas perdidas para se defender posições coitadistas, para perpetuar essa política e essa visão "faveleira" de urbanismo.
Vidas trocadas por votos.
Favela é problema e nunca será solução
Postado em 3 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Já em 1930 o arquiteto francês Alfred Agache reclamou da burocracia urbana do Rio de Janeiro, que levava o operário pobre a erguer choupanas junto aos sem-teto. As favelas, mais ou menos no mesmo período, foram muito bem definidas como um flagelo, a lepra da estética.
Infelizmente nos dias de hoje, já no século XXI, cá estou eu ainda falando deste assunto e para dar uma triste notícia aos que viveram naquela época, estejam onde estiverem: a lepra se alastrou e como remédio, o máximo que a cidade conseguiu produzir foi passar maquiagem por cima dela.
Virou moda governante dar certificado de propriedade à ocupação ilegal de favelas. Muitas até mesmo acima da tal cota 100. Gastam-se milhões com um PAC das Favelas que, a rigor, fará maquiagem nas invasões e distribuirá títulos de propriedade, perpetuando o problema e delegando às futuras gerações essas cidades feias que vemos por todos os lados.
Ao invés de remover este cancro dos morros e dos bairros populosos, adotam este paliativo ridículo de urbanizar, o tal "favela-bairro". Populismo barato e covardia de governantes que não querem se indispor com a baderna generalizada somente para não terem custos políticos.
Alegam que como aqueles amontoados de barracos estão ali há vários anos, a favela é fato consumado e é "direito" de quem mora ali assim permanecer.
São agressões para a estética e o meio-ambiente e encubadoras do crime, porque aquele ambiente claustrofóbico e caótico é ideal para servir de esconderijo para marginais que acabam ganhando um ponto elevado e privilegiado para defender suas empresas do crime.
Aliás, permanecerem nas encostas é somente mais uma das excrescências deste fenômeno das favelas, já que na maioria das cidades do mundo as encostas são terrenos valorizados enquanto que por aqui são tomados por invasões que destróem a natureza e a estética das cidades.
É claro que 100% dos moradores de favelas não são "bandidos"como os coitadistas adoram falar, generalizando e tentando colocar quem critica esse monumento ao horror do caos urbano e do estupro urbanístico na defensiva, mas não é esse o ponto, o ponto é que partindo do princípio da organização das cidades e da qualidade de vida do cidadão, contribuinte que paga impostos e sustenta direta ou indiretamente grande parte dos moradores das favelas com seus gatos de luz, TV a cabo, furto de água e assistem à desvalorização dos bairros onde moram, a favela é um crime primário, originário de todos os outros, quase um "pecado original".
Deixar ocupar uma área, permitir impassível a sua favelização e depois "legalizá-la" é a cultura do jeitinho, do arranjo, é o mesmo que o cara estuprar uma mulher todo dia e num dado momento o estado resolver casá-la com o estuprador, afinal, o estupro já é "fato consumado"mesmo e este é o remédio mais fácil.
A favelização é um estupro da cidade enquanto ambiente coletivo, a lepra urbanística e até aqui nosso remédio tem sido casar a vítima com o estuprador e passar pó compacto nas feridas.
Infelizmente nos dias de hoje, já no século XXI, cá estou eu ainda falando deste assunto e para dar uma triste notícia aos que viveram naquela época, estejam onde estiverem: a lepra se alastrou e como remédio, o máximo que a cidade conseguiu produzir foi passar maquiagem por cima dela.
Virou moda governante dar certificado de propriedade à ocupação ilegal de favelas. Muitas até mesmo acima da tal cota 100. Gastam-se milhões com um PAC das Favelas que, a rigor, fará maquiagem nas invasões e distribuirá títulos de propriedade, perpetuando o problema e delegando às futuras gerações essas cidades feias que vemos por todos os lados.
Ao invés de remover este cancro dos morros e dos bairros populosos, adotam este paliativo ridículo de urbanizar, o tal "favela-bairro". Populismo barato e covardia de governantes que não querem se indispor com a baderna generalizada somente para não terem custos políticos.
Alegam que como aqueles amontoados de barracos estão ali há vários anos, a favela é fato consumado e é "direito" de quem mora ali assim permanecer.
São agressões para a estética e o meio-ambiente e encubadoras do crime, porque aquele ambiente claustrofóbico e caótico é ideal para servir de esconderijo para marginais que acabam ganhando um ponto elevado e privilegiado para defender suas empresas do crime.
Aliás, permanecerem nas encostas é somente mais uma das excrescências deste fenômeno das favelas, já que na maioria das cidades do mundo as encostas são terrenos valorizados enquanto que por aqui são tomados por invasões que destróem a natureza e a estética das cidades.
É claro que 100% dos moradores de favelas não são "bandidos"como os coitadistas adoram falar, generalizando e tentando colocar quem critica esse monumento ao horror do caos urbano e do estupro urbanístico na defensiva, mas não é esse o ponto, o ponto é que partindo do princípio da organização das cidades e da qualidade de vida do cidadão, contribuinte que paga impostos e sustenta direta ou indiretamente grande parte dos moradores das favelas com seus gatos de luz, TV a cabo, furto de água e assistem à desvalorização dos bairros onde moram, a favela é um crime primário, originário de todos os outros, quase um "pecado original".
Deixar ocupar uma área, permitir impassível a sua favelização e depois "legalizá-la" é a cultura do jeitinho, do arranjo, é o mesmo que o cara estuprar uma mulher todo dia e num dado momento o estado resolver casá-la com o estuprador, afinal, o estupro já é "fato consumado"mesmo e este é o remédio mais fácil.
A favelização é um estupro da cidade enquanto ambiente coletivo, a lepra urbanística e até aqui nosso remédio tem sido casar a vítima com o estuprador e passar pó compacto nas feridas.
Pobreza vai mais além...
Postado em 20 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 19 Comentários
Li uma vez que o Adriano, jogador atualmente no Flamengo, declarou que só se sentia feliz "perto da favela onde foi criado", chegando até a abandonar seu time na Itália para retornar ao Brasil por causa disso.
O "imperador" não é o assunto principal que eu desejo falar hoje, foi somente um gancho já que é apenas um dos exemplares de "ricos-pobres" que existem no Brasil.
Explico o termo: rico-pobre é aquele sujeito que por alguma razão era um zé das couves e ganhou muito dinheiro fazendo alguma coisa.
Seja vendendo quentinhas, sucatas, agenciando modelos, jogando futebol, tocando axé, funk ou pagode, acertando na loteria, montando uma loja de qualquer coisa, seja como for, a primeira característica do rico-pobre é essa: tem que ter saído da m*! e ascendido de forma meteórica na vida, estilo 90% da Barra da Tijuca.
Outra característica marcante é que o rico-pobre geralmente mantém após a entrada da dinheirama na conta bancária basicamente os mesmos hábitos de quando era pé rapado.
Dizem que é pra "manter as origens", mas na realidade é porque nem sabem o que fazer com o dinheiro.
A churrascaria rodízio mais cara da cidade que passam a frequentar diariamente, nada mais é do que a única versão conhecida do churrasquinho de esquina que eles encontram e seja compatível com suas novas possibilidades orçamentárias.
Assim como as milhares de pulseiras e cordões de ouro que ostentam, quase como que para dizer "olha, me livrei do chapeado". E os automóveis? Cada carro caro, bom, que eles transformam num verdadeiro trio elétrico "enfeitado" por acessórios de mau gosto.
É mole identificar: cordões e pulseiras, carro com vidro espelhado ou filmado, tocando músicas de quinta categoria como funk, axé e pagode numa altura que é mais pra quem está na calçada ouvir do que para eles próprios.
Esta aliás é a última característica da qual quero falar sobre o rico-pobre: quase tudo o que faz é pra mostrar pros outros que pode. São capazes de colocar livros de madeira numa estante, já que a maioria acha que "ler é chato", mas no entanto precisam mostrar pros amigos que não são apenas ignorantes com tino pra negócios.
É incrível, mas é raro o jogador de futebol, pagodeiro, axezeiro ou emergente que se dedique a melhorar como pessoa, estudar, educar-se, melhorar seus gostos e descobrir que de repente ao invés de gastar milhares de reais no final do ano fazendo um "reveião" em Araruama "prus amigo todo", ele pode festejá-lo com a esposa ou um grupo mais seleto num lugar muito melhor.
Podem argumentar que é direito do cara gastar seu dinheiro como bem entender, afirmação da qual eu não discordo de forma alguma, afinal este é um país livre e o mau gosto não é proibido por lei.
Lei nesse caso só uma, que minha avó (que aliás saiu de Ramos, a terra do piscinão, e melhorou de vida em todos os sentidos) me dizia: "Meu filho, é muito mais fácil tirar uma pessoa de Ramos do que tirar Ramos de dentro da pessoa".
O "imperador" não é o assunto principal que eu desejo falar hoje, foi somente um gancho já que é apenas um dos exemplares de "ricos-pobres" que existem no Brasil.
Explico o termo: rico-pobre é aquele sujeito que por alguma razão era um zé das couves e ganhou muito dinheiro fazendo alguma coisa.
Seja vendendo quentinhas, sucatas, agenciando modelos, jogando futebol, tocando axé, funk ou pagode, acertando na loteria, montando uma loja de qualquer coisa, seja como for, a primeira característica do rico-pobre é essa: tem que ter saído da m*! e ascendido de forma meteórica na vida, estilo 90% da Barra da Tijuca.
Outra característica marcante é que o rico-pobre geralmente mantém após a entrada da dinheirama na conta bancária basicamente os mesmos hábitos de quando era pé rapado.
Dizem que é pra "manter as origens", mas na realidade é porque nem sabem o que fazer com o dinheiro.
A churrascaria rodízio mais cara da cidade que passam a frequentar diariamente, nada mais é do que a única versão conhecida do churrasquinho de esquina que eles encontram e seja compatível com suas novas possibilidades orçamentárias.
Assim como as milhares de pulseiras e cordões de ouro que ostentam, quase como que para dizer "olha, me livrei do chapeado". E os automóveis? Cada carro caro, bom, que eles transformam num verdadeiro trio elétrico "enfeitado" por acessórios de mau gosto.
É mole identificar: cordões e pulseiras, carro com vidro espelhado ou filmado, tocando músicas de quinta categoria como funk, axé e pagode numa altura que é mais pra quem está na calçada ouvir do que para eles próprios.
Esta aliás é a última característica da qual quero falar sobre o rico-pobre: quase tudo o que faz é pra mostrar pros outros que pode. São capazes de colocar livros de madeira numa estante, já que a maioria acha que "ler é chato", mas no entanto precisam mostrar pros amigos que não são apenas ignorantes com tino pra negócios.
É incrível, mas é raro o jogador de futebol, pagodeiro, axezeiro ou emergente que se dedique a melhorar como pessoa, estudar, educar-se, melhorar seus gostos e descobrir que de repente ao invés de gastar milhares de reais no final do ano fazendo um "reveião" em Araruama "prus amigo todo", ele pode festejá-lo com a esposa ou um grupo mais seleto num lugar muito melhor.
Podem argumentar que é direito do cara gastar seu dinheiro como bem entender, afirmação da qual eu não discordo de forma alguma, afinal este é um país livre e o mau gosto não é proibido por lei.
Lei nesse caso só uma, que minha avó (que aliás saiu de Ramos, a terra do piscinão, e melhorou de vida em todos os sentidos) me dizia: "Meu filho, é muito mais fácil tirar uma pessoa de Ramos do que tirar Ramos de dentro da pessoa".
"Salve Geral"
Postado em 24 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Este não é um post exclusivamente sobre o filme do mesmo nome, como fiz outro dia com "Se beber, não case", quero falar de mais coisas relacionadas a ele, mas começemos pelo dito cujo.
O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.
O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.
A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.
Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...
Eu sempre tenho um "mas", né?
Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.
O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.
Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.
O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.
O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.
O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.
A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.
Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...
Eu sempre tenho um "mas", né?
Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.
O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.
Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.
O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.
Vans, mosquitos, flanelinhas
Postado em 11 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Certamente quem mora no Rio de Janeiro acompanhou esta semana a polêmica da retirada de grande parte da frota de vans de circulação.
O governador resolveu fazer um edital e os vencedores receberam autorização para continuar circulando, com itinerários e pontos de parada determinados e os demais, que não participaram ou não atingiram as exigências, passaram à ilegalidade.
O que houve foi muita gritaria, manifestações, oportunistas dizendo que isso é pra "favorecer a Zona Sul" (como se promover a ordem não favorecesse a todos), e um trânsito um pouco menos caótico ao final do primeiro dia de implantação do novo sistema.
Não conheço mudança de paradigma que ocorra sem tensão e o paradigma do Rio de Janeiro é esse: a desordem urbana.
A um dia chamada Cidade Maravilhosa é infernizada por kombis, vans, camelôs, flanelinhas, moleques de rua, favelização. Tudo isso passou a fazer parte do cotidiano de quem mora no Rio, tanto que são pragas vistas como fato consumado, aquele popular "ah, mas é assim mesmo...".
É assim mesmo, mas não precisa continuar sendo.
Retirar as vans que promoviam caos é um bom começo, mas ainda é muito pouco. O Centro do Rio é imundo. Fezes de mendigos, trombadinhas, camelôs, estacionamento irregular, feiura por onde se olhe. Tudo isso precisa ser posto dentro dos limites da civilidade.
E pros que falam que na Zona Sul tudo é azul, aconselho-os a tentar estacionar seu carro em qualquer rua dos bairros desta região.
Se não for abordado por um marginal exigindo pagamento adiantado por um pedaço de terreno público, terá seu toca-fitas roubado por algum cheirador de cola sem-vergonha.
Pra quem desejar ir mais longe, pode ir até a Barra da Tijuca, templo dos new-rich-emergentes-detergentes. Você ali provavelmente não será importunado por flanelinhas, já que nem calçadas o bairro tem direito: na Barra tudo foi inventado pra ser feito de carro.
Provavelmente exista até sapataria drive-thru no bairro, mas não é sobre isso que quero falar.
O que quero dizer é: não pense que lá tudo é igual os EUA só por causa daquela Estátua da Liberdade fake e das loiras siliconadas. Não. Além de suburbanos que encheram o pote de dinheiro com suas lojas de material de construção, imobiliárias e empresas de quentinhas, a Barra e o Recreio também são infestados por mosquitos.
O atual inferno é vivido pelo pessoal do Recreio, mas a Barra também é privilegiada, com suas lagoas e rios podres.
Li nos jornais que além dos pagodes, axés e funks que os jogadores de futebol que vivem ali ouvem em casa, a outra "música" que ecoa ao final de tarde é o som dos estalos das raquetes elétricas matando mosquitos.
Não é um som pior do que a música de nossos "boleiros", mas com certeza o animalzinho que elas matam é.
E o que o poder público fala? Praticamente que a culpa disso tudo é do mosquito e que o mosquito não é sua jurisdição a menos que esteja provocando uma epidemia.
Ao que parece, a partir da milésima morte por dengue ou febre amarela é que o mosquito entra na alçada do governo.
Mas porque falei disto tudo? Simples: para mostrar que nossa Cidade Maravilhosa precisa de muito mais do que músicas e loas para merecer este título, ela precisa de ação.
É necessário que esta vontade política toda que limpou as ruas de vans e providencialmente ajudou os donos de empresas de ônibus, também limpe os flanelinhas, camelôs, moleques de rua e, porque não, os mosquitos.
Ou então que o governo distribua logo raquetes elétricas para todos e que permita utiliza-las para, pelo menos, abatermos os flanelinhas também.
O governador resolveu fazer um edital e os vencedores receberam autorização para continuar circulando, com itinerários e pontos de parada determinados e os demais, que não participaram ou não atingiram as exigências, passaram à ilegalidade.
O que houve foi muita gritaria, manifestações, oportunistas dizendo que isso é pra "favorecer a Zona Sul" (como se promover a ordem não favorecesse a todos), e um trânsito um pouco menos caótico ao final do primeiro dia de implantação do novo sistema.
Não conheço mudança de paradigma que ocorra sem tensão e o paradigma do Rio de Janeiro é esse: a desordem urbana.
A um dia chamada Cidade Maravilhosa é infernizada por kombis, vans, camelôs, flanelinhas, moleques de rua, favelização. Tudo isso passou a fazer parte do cotidiano de quem mora no Rio, tanto que são pragas vistas como fato consumado, aquele popular "ah, mas é assim mesmo...".
É assim mesmo, mas não precisa continuar sendo.
Retirar as vans que promoviam caos é um bom começo, mas ainda é muito pouco. O Centro do Rio é imundo. Fezes de mendigos, trombadinhas, camelôs, estacionamento irregular, feiura por onde se olhe. Tudo isso precisa ser posto dentro dos limites da civilidade.
E pros que falam que na Zona Sul tudo é azul, aconselho-os a tentar estacionar seu carro em qualquer rua dos bairros desta região.
Se não for abordado por um marginal exigindo pagamento adiantado por um pedaço de terreno público, terá seu toca-fitas roubado por algum cheirador de cola sem-vergonha.
Pra quem desejar ir mais longe, pode ir até a Barra da Tijuca, templo dos new-rich-emergentes-detergentes. Você ali provavelmente não será importunado por flanelinhas, já que nem calçadas o bairro tem direito: na Barra tudo foi inventado pra ser feito de carro.
Provavelmente exista até sapataria drive-thru no bairro, mas não é sobre isso que quero falar.
O que quero dizer é: não pense que lá tudo é igual os EUA só por causa daquela Estátua da Liberdade fake e das loiras siliconadas. Não. Além de suburbanos que encheram o pote de dinheiro com suas lojas de material de construção, imobiliárias e empresas de quentinhas, a Barra e o Recreio também são infestados por mosquitos.
O atual inferno é vivido pelo pessoal do Recreio, mas a Barra também é privilegiada, com suas lagoas e rios podres.
Li nos jornais que além dos pagodes, axés e funks que os jogadores de futebol que vivem ali ouvem em casa, a outra "música" que ecoa ao final de tarde é o som dos estalos das raquetes elétricas matando mosquitos.
Não é um som pior do que a música de nossos "boleiros", mas com certeza o animalzinho que elas matam é.
E o que o poder público fala? Praticamente que a culpa disso tudo é do mosquito e que o mosquito não é sua jurisdição a menos que esteja provocando uma epidemia.
Ao que parece, a partir da milésima morte por dengue ou febre amarela é que o mosquito entra na alçada do governo.
Mas porque falei disto tudo? Simples: para mostrar que nossa Cidade Maravilhosa precisa de muito mais do que músicas e loas para merecer este título, ela precisa de ação.
É necessário que esta vontade política toda que limpou as ruas de vans e providencialmente ajudou os donos de empresas de ônibus, também limpe os flanelinhas, camelôs, moleques de rua e, porque não, os mosquitos.
Ou então que o governo distribua logo raquetes elétricas para todos e que permita utiliza-las para, pelo menos, abatermos os flanelinhas também.
Afinal, o que é o funk?
Postado em 2 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 15 Comentários
"69 Frango Assado de ladinho a gente gosta se tu não tá aguentando para um pouquinho tá ardendo assopra!"
"Mete, mete, mete até goza que eu to pegando fogo quero ver tu apagar tah ligado neh"
"Pras amantes eu mando assim óóóó o namorado é meeeeeeu quando voce tiver disposição Tu vai encontrar u seu"
"Turano mais bolado aê...Fundamento do CV(Comando Vermelho) É "fé em Deus", Colômbia é muita pureza É só relíquia, Bolado Pantera Negra Se liga então, 157 só boladão"
"Eu vou tocar uma siririca eu gozar na tua cara. Vai mamada Vai mamada"
"Piririn, piririn, piririn alguém ligou pra mim vai me enterrar na areia? Não, não vou atolar tô ficando atoladinha"
Pra você, o que são essas letras de "música" aí em cima? Grosserias? Erotização extrema? Mal gosto? Apologia ao crime? Lixo? Embuste musical? Cacofonia? Assassinato da última flor do Lácio?
Na minha opinião, sim. É tudo isso e mais um pouco. Arte e cultura é que não é.
Pode enumerar quantas expressões depreciativas conseguir, pra mim, todas se encaixam perfeitamente em relação ao funk.
Mas para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro não. Para eles esse amontoado de grosserias e idiotices é cultura. Isso mesmo, cultura. Tanto, que tem deputado defendendo um tal "Dia Nacional do Funk".
Sugiro ao "nobre" deputado que neste dia, peça à sua esposa, mãe, irmãs e filhas, se tiver, que vistam-se com aquelas roupas que valorizam a dignidade da mulher, iguais as que são propagandeadas como "da moda" pelos artistas do funk, e dancem estas letras aí em cima, "rebolando até o chão".
O que é bom pra família dos outros, deveria ser bom para a do demagogo ordinário que, atrás de votos fáceis e apoio de equipes de som que faturam milhões por mês, e sobre as quais pairam até suspeitas de receber dinheiro do tráfico de drogas para realizar seus bailes, vem prejudicar o trabalho que a polícia estava fazendo ao coibir bailes que tinham ligação com criminalidade, desordem e desrespeito às normas mais básicas de civilidade.
A ALERJ aliás é um caso a parte. A Assembléia Legislativa do Rio tem entre seus membros dezenas de indivíduos que respondem aos mais variados tipos de processos, alguns já condenados e esperando recurso, outros réus, diversos indiciados e até gente que saiu do plenário direto para um presídio.
Não pode sair nada que preste mesmo de um lugar assim.
Existem as exceções, mas pobre deles, estão soterrados naquela embaixada da Chicago dos anos 30 em plena "cidade maravilhosa".
Os defensores do funk argumentam que o "samba também foi perseguido um dia".
Balela. Impostura.
Na época em que o samba foi perseguido, o era por ser "coisa de preto". Só. Em tempos de cota racial, movimentos afro, camisas "100% negro" e o escambau, é imbecilidade achar que o tal "preconceito" contra o funk tem algo a ver com algum contexto racial. Não tem.
As letras aí em cima, a "cena" que cerca os bailes, a tal sub-cultura que caracteriza o funk é que são manifestação cultural de quinta categoria, porcaria mesmo.
Comparar algo escrito por Cartola, Noel, Paulinho da Viola com letras do Bonde do Tigrão, Tati Quebra-Barraco e quejandos chega a ser digno de psiquiatria. Só mesmo uma mente disposta a distorcer a realidade à sua frente pode tecer tal paralelo.
Assim como as favelas, que a todo custo tentam empurrar como fato consumado para a sociedade, formadores de opinião, empresários que lucram com este universo do funk e demagogos de ocasião procuram dizer para quem ouve esse lixo o seguinte: "isso que você está ouvindo é cultura, entendeu? Esqueça os palavrões, a erotização da infância, a degeneração moral, a falta de respeito com a mulher, a apologia ao crime, o assassinato da língua portuguesa, esqueça isso tudo e entenda: isso é cultura".
Favelas são uma ferida aberta nas grandes cidades brasileiras. Especialmente no Rio de Janeiro, onde todos os cidadãos sofrem com sua presença.
Destróem a mata atlântica, emporcalham a visão, favorecem a informalidade, a contravenção, a criminalidade e quase todo tipo de praga urbana que se conhece, desde camelôs, passando por flanelinhas, trombadinhas, Kombis, Vans, Milícias, bocas-de-fumo, tudo isso encontra caldo de cultura naquele ambiente degradado que são as favelas.
99% do povo que mora ali é gente boa, honesta e até mesmo por estes é que as favelas deveriam ser removidas.
O cidadão não deve morar onde quer e sim onde pode. É mole emporcalhar o final da Teixeira de Mello em Ipanema, não pagar impostos, jogar lixo lá de cima e achar que isso é um "direito".
Não é.
Deveriam ser removidos para bairros planos, planejados aonde houver espaço, com linhas de ônibus fartas e disponíveis 24 horas por dia e as árvores deveriam retornar àquelas encostas.
Isso sim seria solução e não essa palhaçada de "Favela-Bairro" ou de "PAC das Favelas". Fazer maquiagem e dar internet wi-fi para quem mora nesses lugares é o tipo de demagogia e gambiarra que as pessoas que dizem que funk é cultura fazem.
Não adianta me apresentar um caminhão de entulho e falar assim "está vendo este caminhão cheio de tulipas?".
Não são tulipas, são restos de obra. Não é cultura, é lixo.
Como sempre digo aqui, o que falta é educação, é fazer com que o cidadão possa estudar e ampliar seus horizontes. Se isso ocorresse, ele poderia até ouvir funk como galhofa, mas jamais acharia que isso acrescenta algo à sua vida e jamais entraria de cabeça nessa sub-cultura.
Mas a quem interessa um cidadão que conhece a diferença entre o Latino e Lamartine Babo? Certamente não interessa aos políticos que só sobrevivem porque este mesmo cidadão não sabe a diferença entre um escroque e uma "excelência".
É muito mais difícil contrariar a massa bestializada hoje, para que ela seja um contingente de cidadãos amanhã do que atirar pão e dar circo.
É o que faz quem defende que funk é cultura.
Políticos tem medo da impopularidade, outros artistas que não atuam nesta seara temem ser taxados de "elitistas" ou "preconceituosos" e o grande público em geral prefere ignorar, já que tirando aquelas moças e rapazes de classe média que querem bancar "do povão", ninguém ouve esta porcaria mesmo (menos quando é obrigado).
Não podemos proibir nada. Se palavrão fosse, por si só, passível de censura, o Costinha não teria feito um só show na vida e nem vendido nenhum disco. O problema não é esse.
Mas tapar o sol com a peneira é errado.
O problema é querer elevar isso a grau de "manifestação cultural", como se este amontoado de entulho fosse realmente um jardim de tulipas.
Onde houver associação com o tráfico deve ser proibido sim. Onde não respeitar as regras da convivência social, deve ser proibido sim. Tanto quanto se fizer apologia ao crime. E quando envolver menores de idade, quando favorecer a informalidade...
Quem quiser ouvir, que ouça. Desde que não peça meus ouvidos emprestados, pra mim tanto faz.
Mas não tente, jamais, sob hipótese alguma, me dizer que isto é arte, cultura ou que tem algum valor e muito menos comparar com samba, soul, jazz, rock, porque é forçar demais a barra.
James Brown, Michael Jackson, Billy Paul podem até sair do mesmo "tronco" musical, mas não tem nada a ver com MC Créu.
Nem a pau.
Deixo para o final uma letra de Noel, até para limpar a sujeira que eu coloquei lá em cima e para deixar um recado para aqueles que insistem nas comparações:
"No tribunal da minha consciência o teu crime não tem apelação debalde tu alegas inocência mas não terás minha absolvição..."
"Mete, mete, mete até goza que eu to pegando fogo quero ver tu apagar tah ligado neh"
"Pras amantes eu mando assim óóóó o namorado é meeeeeeu quando voce tiver disposição Tu vai encontrar u seu"
"Turano mais bolado aê...Fundamento do CV(Comando Vermelho) É "fé em Deus", Colômbia é muita pureza É só relíquia, Bolado Pantera Negra Se liga então, 157 só boladão"
"Eu vou tocar uma siririca eu gozar na tua cara. Vai mamada Vai mamada"
"Piririn, piririn, piririn alguém ligou pra mim vai me enterrar na areia? Não, não vou atolar tô ficando atoladinha"
Pra você, o que são essas letras de "música" aí em cima? Grosserias? Erotização extrema? Mal gosto? Apologia ao crime? Lixo? Embuste musical? Cacofonia? Assassinato da última flor do Lácio?
Na minha opinião, sim. É tudo isso e mais um pouco. Arte e cultura é que não é.
Pode enumerar quantas expressões depreciativas conseguir, pra mim, todas se encaixam perfeitamente em relação ao funk.
Mas para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro não. Para eles esse amontoado de grosserias e idiotices é cultura. Isso mesmo, cultura. Tanto, que tem deputado defendendo um tal "Dia Nacional do Funk".
Sugiro ao "nobre" deputado que neste dia, peça à sua esposa, mãe, irmãs e filhas, se tiver, que vistam-se com aquelas roupas que valorizam a dignidade da mulher, iguais as que são propagandeadas como "da moda" pelos artistas do funk, e dancem estas letras aí em cima, "rebolando até o chão".
O que é bom pra família dos outros, deveria ser bom para a do demagogo ordinário que, atrás de votos fáceis e apoio de equipes de som que faturam milhões por mês, e sobre as quais pairam até suspeitas de receber dinheiro do tráfico de drogas para realizar seus bailes, vem prejudicar o trabalho que a polícia estava fazendo ao coibir bailes que tinham ligação com criminalidade, desordem e desrespeito às normas mais básicas de civilidade.
A ALERJ aliás é um caso a parte. A Assembléia Legislativa do Rio tem entre seus membros dezenas de indivíduos que respondem aos mais variados tipos de processos, alguns já condenados e esperando recurso, outros réus, diversos indiciados e até gente que saiu do plenário direto para um presídio.
Não pode sair nada que preste mesmo de um lugar assim.
Existem as exceções, mas pobre deles, estão soterrados naquela embaixada da Chicago dos anos 30 em plena "cidade maravilhosa".
Os defensores do funk argumentam que o "samba também foi perseguido um dia".
Balela. Impostura.
Na época em que o samba foi perseguido, o era por ser "coisa de preto". Só. Em tempos de cota racial, movimentos afro, camisas "100% negro" e o escambau, é imbecilidade achar que o tal "preconceito" contra o funk tem algo a ver com algum contexto racial. Não tem.
As letras aí em cima, a "cena" que cerca os bailes, a tal sub-cultura que caracteriza o funk é que são manifestação cultural de quinta categoria, porcaria mesmo.
Comparar algo escrito por Cartola, Noel, Paulinho da Viola com letras do Bonde do Tigrão, Tati Quebra-Barraco e quejandos chega a ser digno de psiquiatria. Só mesmo uma mente disposta a distorcer a realidade à sua frente pode tecer tal paralelo.
Assim como as favelas, que a todo custo tentam empurrar como fato consumado para a sociedade, formadores de opinião, empresários que lucram com este universo do funk e demagogos de ocasião procuram dizer para quem ouve esse lixo o seguinte: "isso que você está ouvindo é cultura, entendeu? Esqueça os palavrões, a erotização da infância, a degeneração moral, a falta de respeito com a mulher, a apologia ao crime, o assassinato da língua portuguesa, esqueça isso tudo e entenda: isso é cultura".
Favelas são uma ferida aberta nas grandes cidades brasileiras. Especialmente no Rio de Janeiro, onde todos os cidadãos sofrem com sua presença.
Destróem a mata atlântica, emporcalham a visão, favorecem a informalidade, a contravenção, a criminalidade e quase todo tipo de praga urbana que se conhece, desde camelôs, passando por flanelinhas, trombadinhas, Kombis, Vans, Milícias, bocas-de-fumo, tudo isso encontra caldo de cultura naquele ambiente degradado que são as favelas.
99% do povo que mora ali é gente boa, honesta e até mesmo por estes é que as favelas deveriam ser removidas.
O cidadão não deve morar onde quer e sim onde pode. É mole emporcalhar o final da Teixeira de Mello em Ipanema, não pagar impostos, jogar lixo lá de cima e achar que isso é um "direito".
Não é.
Deveriam ser removidos para bairros planos, planejados aonde houver espaço, com linhas de ônibus fartas e disponíveis 24 horas por dia e as árvores deveriam retornar àquelas encostas.
Isso sim seria solução e não essa palhaçada de "Favela-Bairro" ou de "PAC das Favelas". Fazer maquiagem e dar internet wi-fi para quem mora nesses lugares é o tipo de demagogia e gambiarra que as pessoas que dizem que funk é cultura fazem.
Não adianta me apresentar um caminhão de entulho e falar assim "está vendo este caminhão cheio de tulipas?".
Não são tulipas, são restos de obra. Não é cultura, é lixo.
Como sempre digo aqui, o que falta é educação, é fazer com que o cidadão possa estudar e ampliar seus horizontes. Se isso ocorresse, ele poderia até ouvir funk como galhofa, mas jamais acharia que isso acrescenta algo à sua vida e jamais entraria de cabeça nessa sub-cultura.
Mas a quem interessa um cidadão que conhece a diferença entre o Latino e Lamartine Babo? Certamente não interessa aos políticos que só sobrevivem porque este mesmo cidadão não sabe a diferença entre um escroque e uma "excelência".
É muito mais difícil contrariar a massa bestializada hoje, para que ela seja um contingente de cidadãos amanhã do que atirar pão e dar circo.
É o que faz quem defende que funk é cultura.
Políticos tem medo da impopularidade, outros artistas que não atuam nesta seara temem ser taxados de "elitistas" ou "preconceituosos" e o grande público em geral prefere ignorar, já que tirando aquelas moças e rapazes de classe média que querem bancar "do povão", ninguém ouve esta porcaria mesmo (menos quando é obrigado).
Não podemos proibir nada. Se palavrão fosse, por si só, passível de censura, o Costinha não teria feito um só show na vida e nem vendido nenhum disco. O problema não é esse.
Mas tapar o sol com a peneira é errado.
O problema é querer elevar isso a grau de "manifestação cultural", como se este amontoado de entulho fosse realmente um jardim de tulipas.
Onde houver associação com o tráfico deve ser proibido sim. Onde não respeitar as regras da convivência social, deve ser proibido sim. Tanto quanto se fizer apologia ao crime. E quando envolver menores de idade, quando favorecer a informalidade...
Quem quiser ouvir, que ouça. Desde que não peça meus ouvidos emprestados, pra mim tanto faz.
Mas não tente, jamais, sob hipótese alguma, me dizer que isto é arte, cultura ou que tem algum valor e muito menos comparar com samba, soul, jazz, rock, porque é forçar demais a barra.
James Brown, Michael Jackson, Billy Paul podem até sair do mesmo "tronco" musical, mas não tem nada a ver com MC Créu.
Nem a pau.
Deixo para o final uma letra de Noel, até para limpar a sujeira que eu coloquei lá em cima e para deixar um recado para aqueles que insistem nas comparações:
"No tribunal da minha consciência o teu crime não tem apelação debalde tu alegas inocência mas não terás minha absolvição..."
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