Sempre achei esses finais de histórias infantis e filmes meio irritantes. Aquele monte de gente abraçada, casais se beijando, pássaros voando, o E.T. vontando para casa, os vilões se dando mal, os heróis sorrindo com o topete engomado, uma coisa meio livro de auto-ajuda, meio música da Tropicália.
Mas a verdade é que todas essas lições que os estúdios tentam passar são grandes furadas. A vida real muitas vezes se parece mais com o início dessas sequências de filme, onde o que termina bem na primeira edição o diretor resolve bagunçar na segunda.
A Rainha do Gelo volta para atormentar os bichos falantes de Nárnia, o Jason do Sexta-Feira 13 consegue fugir de dentro de um cofre no fundo do lago, alguém implanta uma mão robótica no Dath Vader e tudo começa outra vez.
Só mesmo em um filme de Hollywood é possível você entrar numa loja, conhecer um japonês que te leva para a casa dele e te bota para lavar o carro, pintar a cerca, lixar o assoalho e você sai dali faixa-preta de caratê. Se fosse nessa sua vidinha aí, isso terminaria mesmo num emprego de carteira assinada, ganhando salário mínimo, vale transporte e um PF de arroz com feijão na hora do almoço.
Afinal, alguém acredita mesmo que um sujeito milionário solteirão ficaria passeando pela rua, pegaria uma prostituda de calçadão, levaria pro seu hotel e no final casaria com ela como fez o Richard Gere com a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher"?
Na vida real ele seria casado e contrataria uma oriental e uma africana para fazerem parte de um bacanal envolvendo ornitorrincos, corcundas, um mágico, dois equilibristas e 37 pombos mortos e no final voltaria para casa levando um presente para a esposa, contando como sentiu sua falta.
E ainda que seja comum alguém sair do cinema ou desligar a TV se perguntando "será que eles continuaram vivendo felizes naquela fazenda mesmo?", já cheguei também a imaginar coisas bem menos normais como "acho que a Cinderela abusou dos rodízios de pizza, embarangou depois do segundo filho e o príncipe virou amante da Branca de Neve, que separou do marido depois que descobriu que ele era pedófilo e tinha um caso com o Peter Pan".
Se você pudesse saber mesmo o que acontece depois que aparece o "The End" na tela, veria que os Goonies foram presos pela Capitania dos Portos por navegarem com aquele navio pirata sem autorização, que Thelma e Louise realmente se esborracharam naquele penhasco e só foram reconhecidas através de exame de DNA e que aquela turma da "Escola do Rock" montou uma banda que teve um só sucesso e ainda se desfez, depois de muitas brigas e problemas com drogas.
Isso sem contar com todos os personagens de "Se Beber Não Case", "Porky´s" e "American Pie" que estariam hospedados em alguma penitenciária federal ou então fritando hamburgers no Mc Donald's.
Talvez seja por isso que essas histórias com finais felizes façam sucesso há tanto tempo, afinal, pra ver gente se fodendo você não precisa ler um livro ou ir ao cinema, basta acordar numa segunda-feira de manhã, ir de metrô até o trabalho, voltar para casa à noite e ligar no telejornal.
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Eu tive um sonho...
Postado em 13 de mar. de 2012 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários
Acordei num dia em que os tablóides de 0,50 centavos não traziam nenhum escândalo ou frase de duplo sentido estampados, a Luciana Gimenez resolveu fazer medicina na Universidade Estácio de Sá e abandonou seu programa de variedades, a turma do Pânico cansou de fazer sempre a mesma coisa e foi apresentar um programa sobre hermenêutica na TV Cultura e a novelinha Malhação saiu do ar, depois que um dos atores de sua primeira temporada teve o primeiro neto.
Era um Brasil diferente, o Magazine Luiza vendia estantes para livros e as crianças não entendiam como alguém um dia realmente pôde gostar de "Ai, se eu te pego", sem falar em micaretas, que hoje só podiam ser vistas no Museu do Mau Gosto, junto com uma reconstrução cenográfica da Gaiola das Popozudas.
Curiosamente, o brasileiro não ficou menos brasileiro por isso, continuava com essa tendência genética a falar alto e trazer sempre uma gargalhada histérica pronta para ser disparada a qualquer momento, mas pelo menos parou de consumir toneladas de entulho no café, almoço e jantar, o que já era grande coisa.
Tiriricas ainda passeavam pelo Congresso, afinal, velhos hábitos não morrem facilmente, mas o cidadão médio cansou de ver sempre a mesma coisa, num loop de "É o Tchan", "Rebolation", "Bonde do Vinho", "Brasil Urgente" e "A Fazenda".
Das novelas, sobrou só a das oito, mesmo assim a título de preservação do patrimônio, já que apenas senhorinhas que já passaram dos 70 anos ainda assistiam aquilo.
Diziam que foi algo que os americanos colocaram na água, alguns suspeitaram de vazamento na usina de Angra, mas o fato é que eu achei bem legal o que vi.
Mas o mais pitoresco, o que mais chamou minha atenção, foi a velha casa do BBB. Algumas pessoas moravam ali, paredes de vidro e pequenas passarelas guiavam os visitantes sobre aquele zoológico humano.
Alguns atiravam um contrato para a capa da Playboy para uma moça, que em troca fazia gracinhas dentro de uma piscina, tal qual uma foca ou um golfinho em troca de um peixe.
O impacto foi tanto, que tive que perguntar a uma daquelas pessoas que observavam o porque daquilo tudo, e a explicação mostrou que eu estava realmente sonhando:
- Sabe o que é, moço, é que a audiência do BBB caiu, ninguém mais votava em paredões, ninguém comprava o pay-per-view, então resolveram tirar o programa do ar, só que esqueceram os BBBs presos aí dentro da casa.
- Que isso, e ninguém soltou?
- Nada, o Eike Batista comprou a casa de porteira fechada, com os participantes dentro e tudo, cercou e começou a cobrar ingresso, dizem até que foi por isso que passou o Carlos Slim como o homem mais rico do mundo.
Era um Brasil diferente, o Magazine Luiza vendia estantes para livros e as crianças não entendiam como alguém um dia realmente pôde gostar de "Ai, se eu te pego", sem falar em micaretas, que hoje só podiam ser vistas no Museu do Mau Gosto, junto com uma reconstrução cenográfica da Gaiola das Popozudas.
Curiosamente, o brasileiro não ficou menos brasileiro por isso, continuava com essa tendência genética a falar alto e trazer sempre uma gargalhada histérica pronta para ser disparada a qualquer momento, mas pelo menos parou de consumir toneladas de entulho no café, almoço e jantar, o que já era grande coisa.
Tiriricas ainda passeavam pelo Congresso, afinal, velhos hábitos não morrem facilmente, mas o cidadão médio cansou de ver sempre a mesma coisa, num loop de "É o Tchan", "Rebolation", "Bonde do Vinho", "Brasil Urgente" e "A Fazenda".
Das novelas, sobrou só a das oito, mesmo assim a título de preservação do patrimônio, já que apenas senhorinhas que já passaram dos 70 anos ainda assistiam aquilo.
Diziam que foi algo que os americanos colocaram na água, alguns suspeitaram de vazamento na usina de Angra, mas o fato é que eu achei bem legal o que vi.
Mas o mais pitoresco, o que mais chamou minha atenção, foi a velha casa do BBB. Algumas pessoas moravam ali, paredes de vidro e pequenas passarelas guiavam os visitantes sobre aquele zoológico humano.
Alguns atiravam um contrato para a capa da Playboy para uma moça, que em troca fazia gracinhas dentro de uma piscina, tal qual uma foca ou um golfinho em troca de um peixe.
O impacto foi tanto, que tive que perguntar a uma daquelas pessoas que observavam o porque daquilo tudo, e a explicação mostrou que eu estava realmente sonhando:
- Sabe o que é, moço, é que a audiência do BBB caiu, ninguém mais votava em paredões, ninguém comprava o pay-per-view, então resolveram tirar o programa do ar, só que esqueceram os BBBs presos aí dentro da casa.
- Que isso, e ninguém soltou?
- Nada, o Eike Batista comprou a casa de porteira fechada, com os participantes dentro e tudo, cercou e começou a cobrar ingresso, dizem até que foi por isso que passou o Carlos Slim como o homem mais rico do mundo.
O algorítimo da teledramaturgia
Postado em 11 de fev. de 2011 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários
Você também pode ser um autor de novelas.
Talvez não hoje, talvez isso nem ocorra realmente, mas baseado num breve olhar sobre os roteiros das novelas de TV, é possível a cada simples mortal escrevê-las sem muito esforço, basta que uma alma caridosa crie o Novela-Maker ou Noveloshop.
O nome não importa, mas um software criador de capítulos ajudaria cada um de nós a concorrer com o Manoel Carlos, o Sílvio de Abreu e até com a Glória Perez.
Entra ano, sai ano, e não cessa o desfile de clichês como a bonitona que deseja subir na vida, a mocinha boazinha que sofre mais do que biscoito de maizena em boca de velho, a coroa desgovernada que separa do marido e passa a colecionar garotões, o núcleo suburbano, as esposas ciumentas, os maridos paus-mandados, o comedor de esposas, os pobres que ficam ricos, os ricos que ficam pobres, enfim, não é difícil imaginar a composição da próxima novela quando você já assistiu uma ou duas antes dela.
O que muda basicamente são os cenários.
Você assiste uma novela e acompanha a história de vendedores de empadinha árabes que estão envolvidos numa trama de tráfico de órgãos junto com russos que dançam axé.
Em outra novela, a história gira em torno de uma família de holandeses que veio para o Brasil fugindo do nazismo mancomunados num esquema de tráfico de órgãos com hackers japoneses que tocam pagode.
E quando falta assunto, sempre se pode recorrer aos italianos. Novela de italianos é uma espécie de "ôôô" e "lá-laiá" de letra de samba: quando você não sabe mais o que colocar ali para tapar um buraco, recorre a eles.
Um programador mais descoladinho e sacana pode muito bem inventar então o tal software, onde você lança alguns dados e no final tem uma novela prontinha, bastanto para isso fazer o teste do sofá com algumas aspirantes a modelo e atriz.
Você pode inventar as situações mais absurdas do mundo, desde que sempre respeite a presença obrigatória de ricos que servem para mostrar ao telespectador como a vida dele é uma bosta, e dos pobres que o permitam saber que tem gente por aí pior do que ele.
De um vilão ou vilã onde todos os noveleiros possam exercitar seu sentido ético e odiar sem peso na consciência e, claro, de um herói ou heroína que seja uma espécie de alter-ego dos fãs.
A partir daí, gêmeos que lançam raios-laser pelos olhos e a probabilidade do seu (sua) namorado (a) ser um irmão que você não sabia da existência é maior do que pegar uma gripe serão apenas elementos para encher lingüiça (sim, a minha tem trema) e garantir o tamanho dos capítulos.
Aí, entre gêmeos que obrigatoriamente serão mais diferentes do que o Jô Soares e o Tiririca, entre pessoas que nunca trabalham mas sempre tem dinheiro, donas de casa que comem o pão que o diabo amassou mas se preocupam mesmo é se o feijão vai queimar e indianos que vivem no Brasil e comem churrasco, o sucesso é garantido.
Restará a você aparecer na revista Caras e no Faustão, sempre reforçando o bordão do momento:
- Mamma Mia! Hare Baba! Inshalá!
Arigatô.
Talvez não hoje, talvez isso nem ocorra realmente, mas baseado num breve olhar sobre os roteiros das novelas de TV, é possível a cada simples mortal escrevê-las sem muito esforço, basta que uma alma caridosa crie o Novela-Maker ou Noveloshop.
O nome não importa, mas um software criador de capítulos ajudaria cada um de nós a concorrer com o Manoel Carlos, o Sílvio de Abreu e até com a Glória Perez.
Entra ano, sai ano, e não cessa o desfile de clichês como a bonitona que deseja subir na vida, a mocinha boazinha que sofre mais do que biscoito de maizena em boca de velho, a coroa desgovernada que separa do marido e passa a colecionar garotões, o núcleo suburbano, as esposas ciumentas, os maridos paus-mandados, o comedor de esposas, os pobres que ficam ricos, os ricos que ficam pobres, enfim, não é difícil imaginar a composição da próxima novela quando você já assistiu uma ou duas antes dela.
O que muda basicamente são os cenários.
Você assiste uma novela e acompanha a história de vendedores de empadinha árabes que estão envolvidos numa trama de tráfico de órgãos junto com russos que dançam axé.
Em outra novela, a história gira em torno de uma família de holandeses que veio para o Brasil fugindo do nazismo mancomunados num esquema de tráfico de órgãos com hackers japoneses que tocam pagode.
E quando falta assunto, sempre se pode recorrer aos italianos. Novela de italianos é uma espécie de "ôôô" e "lá-laiá" de letra de samba: quando você não sabe mais o que colocar ali para tapar um buraco, recorre a eles.
Um programador mais descoladinho e sacana pode muito bem inventar então o tal software, onde você lança alguns dados e no final tem uma novela prontinha, bastanto para isso fazer o teste do sofá com algumas aspirantes a modelo e atriz.
Você pode inventar as situações mais absurdas do mundo, desde que sempre respeite a presença obrigatória de ricos que servem para mostrar ao telespectador como a vida dele é uma bosta, e dos pobres que o permitam saber que tem gente por aí pior do que ele.
De um vilão ou vilã onde todos os noveleiros possam exercitar seu sentido ético e odiar sem peso na consciência e, claro, de um herói ou heroína que seja uma espécie de alter-ego dos fãs.
A partir daí, gêmeos que lançam raios-laser pelos olhos e a probabilidade do seu (sua) namorado (a) ser um irmão que você não sabia da existência é maior do que pegar uma gripe serão apenas elementos para encher lingüiça (sim, a minha tem trema) e garantir o tamanho dos capítulos.
Aí, entre gêmeos que obrigatoriamente serão mais diferentes do que o Jô Soares e o Tiririca, entre pessoas que nunca trabalham mas sempre tem dinheiro, donas de casa que comem o pão que o diabo amassou mas se preocupam mesmo é se o feijão vai queimar e indianos que vivem no Brasil e comem churrasco, o sucesso é garantido.
Restará a você aparecer na revista Caras e no Faustão, sempre reforçando o bordão do momento:
- Mamma Mia! Hare Baba! Inshalá!
Arigatô.
Mediocridade com mediocridade se paga
Postado em 26 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários
A história muda muito pouco: um sujeito acha tudo o que acontece na televisão, no mundo da música e no showbiz em geral um lixo, adota uma postura mais alternativa, underground, contestadora, mas basta entrar no mainstream, que só contribui para aumentar o monte de entulho.
Soa bastante indie isso, eu sei, mas são ossos do ofício de falar mal das coisas: uma hora, você se torna aquele chato que você sempre criticou porque não gostava de quase nada.
Quem lembra do Fausto Silva durante a sua fase no "Perdidos na Noite", vai me dar razão. O padrão global serviu para engordar a conta bancária dele (sem trocadilhos com a sua forma física, até mesmo porque ele andou emagrecendo), e fazer desaparecer como que por milagre toda a graça que ele já teve.
Só que o Faustão perdeu algo que tinha, existem aqueles que nem tem o que perder.
Alguém em sã consciência diria que têm algum valor esses atores coadjuvantes de novelas, apresentadores de programas de humor de quinta categoria, gênios do videolog alçados à condição de meninos prodígio, autores de livros de auto-ajuda, músicos de funk ou axé, e toda essa fauna da medíocridade artística brasileira?
No entanto existem pessoas talentosas nesse meio. Pessoas que também consideravam esse "Mundo de Caras" ridículo antes de entrar nele e que só mudaram de opinião às custas de jabás, contratos e muita bajulação.
Quantos cantores de axé com letras de duplo sentido, quantos funkeiros semi-analfabetos cantando na língua das "comunidades", quantos engraçadinhos fazendo esquetes iguais às dos engraçadinhos do outro canal, quantos modelos-atores-manequins-apresentadores, quantos ex-BBBs serão necessários para que alguém chegue e diga: não precisamos mais disso, chegou a hora de usar toda essa energia para produzir outra coisa, de preferência que preste.
Porque se tem algo que o mundo não precisa mais, são políticos, armas nucleares e artistas medíocres.
Mas a história pouco muda, quem sabe até não seria igual com você ou comigo? Uma vez assinado o primeiro contrato, todo mundo começa a parecer que saiu da mesma fábrica. É como a Barbie ou a Polly com seus acessórios.
O cara critica todo esse lixo muito propriamente, esses ídolos adolescentes, esses atores e atrizes que vivem interpretando a si mesmos, seja como uma freira italiana ou uma prostituta sueca, esse imenso mar de nada no qual bóia a "classe artística" brasileira, mas quando faz sucesso, passa a produzir coisas até piores do que as que estão aí.
E ai de quem falar mal. Será "inveja do sucesso". É como se aquela merda toda só não servisse quando os outros faziam.
Não vou mentir, sinto vários tipos de inveja, quem não sente? Só os mentirosos.
Mas invejo grandes fortunas, inteligências geniais, arroubos de coragem, belezas avassaladoras.
Não invejo desperdício de papel impresso, de acordes e notas musicais, de tempo na televisão. Sinto vergonha alheia, algum desprezo e uma boa dose de chateação por ver tanto barulho sendo feito por nada.
Porque no final, sobra o que? Você lembra da musa do verão de 2007? Ou do galã de "Malhação" de 2003? Lembra quem foi o apresentador daquele programa de viagem no Multishow ou no GNT em 1999?
Vou facilitar: você lembra os nomes de quantos BBBs do ano passado?
Parece até que foram feitos para serem esquecidos, mas esses ainda são os bons, porque cumprem seu ciclo de aparição-apogeu-sumiço em pouquíssimo espaço de tempo.
Pior mesmo, o que me causa arrepios, são os que fazem hora extra nos tais 15 minutos de fama.
Soa bastante indie isso, eu sei, mas são ossos do ofício de falar mal das coisas: uma hora, você se torna aquele chato que você sempre criticou porque não gostava de quase nada.
Quem lembra do Fausto Silva durante a sua fase no "Perdidos na Noite", vai me dar razão. O padrão global serviu para engordar a conta bancária dele (sem trocadilhos com a sua forma física, até mesmo porque ele andou emagrecendo), e fazer desaparecer como que por milagre toda a graça que ele já teve.
Só que o Faustão perdeu algo que tinha, existem aqueles que nem tem o que perder.
Alguém em sã consciência diria que têm algum valor esses atores coadjuvantes de novelas, apresentadores de programas de humor de quinta categoria, gênios do videolog alçados à condição de meninos prodígio, autores de livros de auto-ajuda, músicos de funk ou axé, e toda essa fauna da medíocridade artística brasileira?
No entanto existem pessoas talentosas nesse meio. Pessoas que também consideravam esse "Mundo de Caras" ridículo antes de entrar nele e que só mudaram de opinião às custas de jabás, contratos e muita bajulação.
Quantos cantores de axé com letras de duplo sentido, quantos funkeiros semi-analfabetos cantando na língua das "comunidades", quantos engraçadinhos fazendo esquetes iguais às dos engraçadinhos do outro canal, quantos modelos-atores-manequins-apresentadores, quantos ex-BBBs serão necessários para que alguém chegue e diga: não precisamos mais disso, chegou a hora de usar toda essa energia para produzir outra coisa, de preferência que preste.
Porque se tem algo que o mundo não precisa mais, são políticos, armas nucleares e artistas medíocres.
Mas a história pouco muda, quem sabe até não seria igual com você ou comigo? Uma vez assinado o primeiro contrato, todo mundo começa a parecer que saiu da mesma fábrica. É como a Barbie ou a Polly com seus acessórios.
O cara critica todo esse lixo muito propriamente, esses ídolos adolescentes, esses atores e atrizes que vivem interpretando a si mesmos, seja como uma freira italiana ou uma prostituta sueca, esse imenso mar de nada no qual bóia a "classe artística" brasileira, mas quando faz sucesso, passa a produzir coisas até piores do que as que estão aí.
E ai de quem falar mal. Será "inveja do sucesso". É como se aquela merda toda só não servisse quando os outros faziam.
Não vou mentir, sinto vários tipos de inveja, quem não sente? Só os mentirosos.
Mas invejo grandes fortunas, inteligências geniais, arroubos de coragem, belezas avassaladoras.
Não invejo desperdício de papel impresso, de acordes e notas musicais, de tempo na televisão. Sinto vergonha alheia, algum desprezo e uma boa dose de chateação por ver tanto barulho sendo feito por nada.
Porque no final, sobra o que? Você lembra da musa do verão de 2007? Ou do galã de "Malhação" de 2003? Lembra quem foi o apresentador daquele programa de viagem no Multishow ou no GNT em 1999?
Vou facilitar: você lembra os nomes de quantos BBBs do ano passado?
Parece até que foram feitos para serem esquecidos, mas esses ainda são os bons, porque cumprem seu ciclo de aparição-apogeu-sumiço em pouquíssimo espaço de tempo.
Pior mesmo, o que me causa arrepios, são os que fazem hora extra nos tais 15 minutos de fama.
De um alienígena para o outro: "humanos são cruéis, expõem os medíocres na TV"
Postado em 17 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários
Ontem foi o dia da entrega dos prêmios do Video Music Brasil - VMB 2010 - promovido pela MTV.
Soube do prêmio por conta do Twitter, que faz questão de reverberar qualquer lixo até que suas ondas cheguem aos mais distantes grotões. Peça a um usuário do Twitter brasileiro para replicar um pedido de ajuda e você ouvirá piadas. Peça ao mesmo usuário para replicar uma piada idiota e ela chegará até Marte.
Eu não assisto a MTV. Nada contra quem assiste, mas já foi o tempo em que era um bom canal para conhecer algumas coisas novas, ver programas moderninhos e ouvir um som legal. Hoje a MTV é uma espécie de caixa de som daqueles rappers americanos medonhos, dessas cantoras que gritam mais do que uma gralha epilética - estilo Beyoncé - e de artistas medíocres do cenário pop musical brasileiro.
Quero dizer que todos são medíocres? Não. Mas que os medíocres são os que mais sobressaem. Se pensarmos bem, esse mundo pop nacional é formado basicamente por alguém que é filho de alguém, esposa ou marido de alguém, deu pra alguém ou comeu alguém. Novamente digo: pouca coisa escapa.
Razão pela qual o alienígena poderia não estar de todo errado.
Soube do prêmio por conta do Twitter, que faz questão de reverberar qualquer lixo até que suas ondas cheguem aos mais distantes grotões. Peça a um usuário do Twitter brasileiro para replicar um pedido de ajuda e você ouvirá piadas. Peça ao mesmo usuário para replicar uma piada idiota e ela chegará até Marte.
Eu não assisto a MTV. Nada contra quem assiste, mas já foi o tempo em que era um bom canal para conhecer algumas coisas novas, ver programas moderninhos e ouvir um som legal. Hoje a MTV é uma espécie de caixa de som daqueles rappers americanos medonhos, dessas cantoras que gritam mais do que uma gralha epilética - estilo Beyoncé - e de artistas medíocres do cenário pop musical brasileiro.
Quero dizer que todos são medíocres? Não. Mas que os medíocres são os que mais sobressaem. Se pensarmos bem, esse mundo pop nacional é formado basicamente por alguém que é filho de alguém, esposa ou marido de alguém, deu pra alguém ou comeu alguém. Novamente digo: pouca coisa escapa.
Não vou citar nomes, para não parecer que é pessoal, mas basta ler a lista de indicados e vencedores do Video Music Brasil ou mesmo do Prêmio Multishow que você entenderá o que digo. Bandas representantes desse estilo homo-retartado-colorido de rock, cantoras mirins, artistas que estão há 20 anos fazendo a mesma coisa - entenda-se: sem criar um sucesso novo desde quando ainda existia o Banco Nacional - e uma imensa profusão dos "filhos de quem", "maridos de alguém", "ex-namoradas de fulano".
Por isso eu digo que se um alienígena captasse por acidente as ondas da MTV, provavelmente diria para outro "como esses terráqueos são malvados, eles pegam os toscos, os desprovidos de talento, os medíocres e expõem ao ridículo na TV, como que para todo mundo ver aquilo e fazer questão de ser diferente, um verdadeiro horror!".
Porque a grande parte do jet set cultural brasileiro é bom mesmo para encher revistas de fofoca, aparecer em novelas para o populacho, encantar os idioteens, cantar músicas ridículas ou fazer cópias-pirata do que já existe lá fora, de cultural mesmo não tem quase nada.
Existem exceções? Claro! O Brasil possui artistas valorosos, gente que produz trabalhos de qualidade indiscutível, mas estes geralmente estão fora dessas premiações.
NO-vela
Postado em 6 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Não sei se admiro ou se tenho pena de quem realmente gosta de assistir novelas, sério, porque desde que me entendo por gente as histórias são as mesmas, só mudam os personagens e os artistas que os representam.
É um núcleo de ricos, um bairro de pobres, alguns personagens de ligação entre os dois universos, uma empregadinha gostosa (que pode ser substituída por uma secretária gostosa ou uma manicure gostosa), a heroína, a vilã, o galã, o coroa esperto que traça alguma gatinha mais nova, a gravidez por interesse e assim por diante.
Sei que dirão que tudo na vida é assim, repetitivo, e que essas situações são a matéria-prima de todas as histórias já contadas nos livros, teatro e cinema. Concordo. Mas nenhum deles leva meses se repetindo na TV, só para terminar e começar a contar a mesma história toda outra vez, apenas sob nova roupagem.
Porque se pensarmos bem, é assim que funciona. Saem os árabes, entram os orientais. Saem os filhos do sol nascente, entram os italianos (italianos aliás são uma espécie de Wilson Grey das novelas, volta e meia - quando você menos espera - eles aparecem de novo). Sai a turma do "dio mio!", entram os indianos. Saem os indianos, entram os ciganos, e por aí vai.
O problema é que se você se distrair um pouco é capaz de pensar que o cigano Igor vai aparecer de repente no meio de uma novela de italianos ou que o José Mayer vai aparecer fazendo o papel que sempre faz, ou seja, o de José Mayer.
Não consigo entender como alguém consegue acompanhar essa mesmice toda desde os tempos da Janete Clair até hoje. Antes eu compreendia, afinal estávamos afundados até a cabeça no charco da TV Aberta. Você que me lê - e que não nasceu na época em que se amarrava cachorro com lingüiça - fique sabendo que tínhamos estas excelentes opções de canais televisivos: TVE, Globo, Manchete, Bandeirantes, SBT e Record.
Sim, assim como sou da época em que as únicas coisas que funcionavam depois das 22:00 eram latido de cachorro e padres que davam a extrema-unção, também sobrevivi ao tempo em que somente existiam seis canais de televisão.
Aí você podia assistir animações com massinha na TV Educativa, novelas na Globo, imitações de novelas da Globo só que com gente pelada na Manchete, programas de auditório na Bandeirantes (que ainda não tinha abreviado o nome para Band), Bozo e Sílvio Santos no SBT e a Record, bem, desde aquela época ninguém assistia a Record.
Isso explica porque as produções mais caprichadas e os atores e atrizes canastrões da Globo faziam tanto sucesso, tanto quanto as madeixas grisalhas do Cid Moreira. Mas diferente do Cid, que hoje só aparece de vez em quando para falar "Miiiisteeeer Êmeeeeee" ou "Jaaaabulaaaaaaaani", as novelas continuam aí, em 4 horários diferentes. E o que me choca não é nem que elas existam, afinal, onde mais aquele monte de falta de talento iria trabalhar? No cinema? O impressionante é que ainda tem quem as assista.
Com tantos canais fechados e com as TVs por assinatura cada vez mais baratas, é como optar por andar de Chevette quando se pode comprar, pelo menos, um Celtinha.
Aqueles atores recitando diálogos decorados meia hora antes, com a expressividade de uma esponja de lavar louças, aquele monte de gente que só presta para rechear as edições da "Caras" e da "Quem" (antigamente era a revista "Amiga") me deprime.
Só não me deprime mais do que fã de novela declarado, desses que não perdem um capítulo e aderem às modas lançadas nos folhetins televisivos. Porque sei que não é um sentimento bonito, mas eu acho um pavor quem usa bordões de novela, tipo "inshala","hare-baba","ma che!!!","cada mergulho um flash", etc.
Com tanta porcaria nova pra ser cultuada, vamos pelo menos aposentar as antigas.
É um núcleo de ricos, um bairro de pobres, alguns personagens de ligação entre os dois universos, uma empregadinha gostosa (que pode ser substituída por uma secretária gostosa ou uma manicure gostosa), a heroína, a vilã, o galã, o coroa esperto que traça alguma gatinha mais nova, a gravidez por interesse e assim por diante.
Sei que dirão que tudo na vida é assim, repetitivo, e que essas situações são a matéria-prima de todas as histórias já contadas nos livros, teatro e cinema. Concordo. Mas nenhum deles leva meses se repetindo na TV, só para terminar e começar a contar a mesma história toda outra vez, apenas sob nova roupagem.
Porque se pensarmos bem, é assim que funciona. Saem os árabes, entram os orientais. Saem os filhos do sol nascente, entram os italianos (italianos aliás são uma espécie de Wilson Grey das novelas, volta e meia - quando você menos espera - eles aparecem de novo). Sai a turma do "dio mio!", entram os indianos. Saem os indianos, entram os ciganos, e por aí vai.
O problema é que se você se distrair um pouco é capaz de pensar que o cigano Igor vai aparecer de repente no meio de uma novela de italianos ou que o José Mayer vai aparecer fazendo o papel que sempre faz, ou seja, o de José Mayer.
Não consigo entender como alguém consegue acompanhar essa mesmice toda desde os tempos da Janete Clair até hoje. Antes eu compreendia, afinal estávamos afundados até a cabeça no charco da TV Aberta. Você que me lê - e que não nasceu na época em que se amarrava cachorro com lingüiça - fique sabendo que tínhamos estas excelentes opções de canais televisivos: TVE, Globo, Manchete, Bandeirantes, SBT e Record.
Sim, assim como sou da época em que as únicas coisas que funcionavam depois das 22:00 eram latido de cachorro e padres que davam a extrema-unção, também sobrevivi ao tempo em que somente existiam seis canais de televisão.
Aí você podia assistir animações com massinha na TV Educativa, novelas na Globo, imitações de novelas da Globo só que com gente pelada na Manchete, programas de auditório na Bandeirantes (que ainda não tinha abreviado o nome para Band), Bozo e Sílvio Santos no SBT e a Record, bem, desde aquela época ninguém assistia a Record.
Isso explica porque as produções mais caprichadas e os atores e atrizes canastrões da Globo faziam tanto sucesso, tanto quanto as madeixas grisalhas do Cid Moreira. Mas diferente do Cid, que hoje só aparece de vez em quando para falar "Miiiisteeeer Êmeeeeee" ou "Jaaaabulaaaaaaaani", as novelas continuam aí, em 4 horários diferentes. E o que me choca não é nem que elas existam, afinal, onde mais aquele monte de falta de talento iria trabalhar? No cinema? O impressionante é que ainda tem quem as assista.
Com tantos canais fechados e com as TVs por assinatura cada vez mais baratas, é como optar por andar de Chevette quando se pode comprar, pelo menos, um Celtinha.
Aqueles atores recitando diálogos decorados meia hora antes, com a expressividade de uma esponja de lavar louças, aquele monte de gente que só presta para rechear as edições da "Caras" e da "Quem" (antigamente era a revista "Amiga") me deprime.
Só não me deprime mais do que fã de novela declarado, desses que não perdem um capítulo e aderem às modas lançadas nos folhetins televisivos. Porque sei que não é um sentimento bonito, mas eu acho um pavor quem usa bordões de novela, tipo "inshala","hare-baba","ma che!!!","cada mergulho um flash", etc.
Com tanta porcaria nova pra ser cultuada, vamos pelo menos aposentar as antigas.
O que esse cara está fazendo aí mesmo?
Postado em 15 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Serginho, ex-BBB, é fotografado na festa de Joseane, ex-BBB.
Max, ex-BBB, toca no aniversário de Alemão, ex-BBB, e sai acompanhado de Priscila, ex-BBB, que esses dias terminou seu namoro com Alan, ex-BBB.
Juliana, ex-BBB, faz evento para lançar seu novo disco e conta com a presença de Rafinha, ex-BBB, Marcela, ex-BBB e Rafael, ex-BBB, todos muito animados em uma boate da Barra da Tijuca. Eles já confirmaram novo encontro no lançamento do livro de Elenita, ex-BBB.
A cada ano a Globo despeja no mercado nova leva de ex-BBBs. Tirando faculdades de Direito, acho que é o mercado mais inflacionado do Brasil. Junto com a sócia honorária que é a Preta Gil, a única ex-BBB que nunca participou de nenhuma edição do programa, eles formam uma espécie de maçonaria das sub-celebridades.
Se algum deles lançar um livro, um disco, uma sessão de fotos ou qualquer novo "projeto", todos os demais estarão lá apoiando. E assim que termina uma edição o fenômeno se amplifica.
Ex-BBBs saem de todas as catacumbas da Rede TV, das páginas secundárias da revista Quem e das colunas sociais do David Brazil e voltam para as luzes da ribalta.
É quase impossível abrir um jornal ou acessar um site de notícias sem ser informado sobre a ida de um deles à praia, sobre uma noitada fervente em alguma boate ou sobre suas viagens de São Paulo para o Rio, do Rio para Brasília, de Brasília para Salvador e no final de tudo para New York, onde vão "estudar" alguma coisa no intervalo das fotos para a Caras.
Ser ex-BBB pelo visto inclui algum programa de milhagem.
Mas não estou crucificando-os não. Quem não quer ganhar o equivalente ao salário mensal de um alto funcionário do setor privado só para aparecer numa festa bebendo prosecco de canudinho e fazendo cara de Chiquinho Scarpa?
Talento não tem nada a ver com sorte, oportunidade ou esperteza e, se para alguns deles, falta muito talento, o resto eles tem de sobra. Alguns até demais.
Mas isso não tira o meu direito de achar esse microcosmo fútil, oco, um fim em si mesmo. Saber que existe um, vá lá, nicho que movimenta uma considerável quantia de dinheiro e chama a atenção de tanta gente se dedicando tão e somente a comentar o cabelo de alguém, a roupa de alguém, quem está comendo quem, qual ex-BBB da sub-classe dos coloridos faz o maior carão, enfim, toda essa mise en cene típica do métier, primeiro me diverte (rindo disso tudo, é claro), mas depois me deixa um pouco assustado com a idiotice das pessoas.
Toda vez que leio no Twitter a expressão "bafo!" ou "bapho!" já tenho um calafrio semelhante ao que o Dimmy Kieer deve sentir ao ver uma barata francesinha (ou uma mulher pelada).
Com raras exceções a impressão que fica é que primeiro alçam as pessoas à fama e depois tratam de descobrir o que possa justificar essa fama. É a inversão do mérito, prática tão confortável quanto corriqueira hoje em dia.
Como já disse antes, não acho que o BBB seja o pior dos mundos. Estão aí a Luciana Gimenez, o Ratinho, o Luciano Huck e o Galvão Bueno para provar isso. A exposição que qualquer um ganha ali é um ativo que se bem aproveitado alavanca carreiras e empurra talentos para a frente, só que essa não é a regra.
Infelizmente essa indústria das celebridades raramente pega um talento verdadeiro e lhe empresta a merecida fama que a "tchurma da jogación" possui. O normal é fazer qualquer um ficar famoso e depois verificar se presta para alguma coisa além de festas promocionais e fotos em colunas de fofoca.
É como se essas revistas e sites se perguntassem no final "O que esse cara está fazendo aí mesmo?".
Max, ex-BBB, toca no aniversário de Alemão, ex-BBB, e sai acompanhado de Priscila, ex-BBB, que esses dias terminou seu namoro com Alan, ex-BBB.
Juliana, ex-BBB, faz evento para lançar seu novo disco e conta com a presença de Rafinha, ex-BBB, Marcela, ex-BBB e Rafael, ex-BBB, todos muito animados em uma boate da Barra da Tijuca. Eles já confirmaram novo encontro no lançamento do livro de Elenita, ex-BBB.
A cada ano a Globo despeja no mercado nova leva de ex-BBBs. Tirando faculdades de Direito, acho que é o mercado mais inflacionado do Brasil. Junto com a sócia honorária que é a Preta Gil, a única ex-BBB que nunca participou de nenhuma edição do programa, eles formam uma espécie de maçonaria das sub-celebridades.
Se algum deles lançar um livro, um disco, uma sessão de fotos ou qualquer novo "projeto", todos os demais estarão lá apoiando. E assim que termina uma edição o fenômeno se amplifica.
Ex-BBBs saem de todas as catacumbas da Rede TV, das páginas secundárias da revista Quem e das colunas sociais do David Brazil e voltam para as luzes da ribalta.
É quase impossível abrir um jornal ou acessar um site de notícias sem ser informado sobre a ida de um deles à praia, sobre uma noitada fervente em alguma boate ou sobre suas viagens de São Paulo para o Rio, do Rio para Brasília, de Brasília para Salvador e no final de tudo para New York, onde vão "estudar" alguma coisa no intervalo das fotos para a Caras.
Ser ex-BBB pelo visto inclui algum programa de milhagem.
Mas não estou crucificando-os não. Quem não quer ganhar o equivalente ao salário mensal de um alto funcionário do setor privado só para aparecer numa festa bebendo prosecco de canudinho e fazendo cara de Chiquinho Scarpa?
Talento não tem nada a ver com sorte, oportunidade ou esperteza e, se para alguns deles, falta muito talento, o resto eles tem de sobra. Alguns até demais.
Mas isso não tira o meu direito de achar esse microcosmo fútil, oco, um fim em si mesmo. Saber que existe um, vá lá, nicho que movimenta uma considerável quantia de dinheiro e chama a atenção de tanta gente se dedicando tão e somente a comentar o cabelo de alguém, a roupa de alguém, quem está comendo quem, qual ex-BBB da sub-classe dos coloridos faz o maior carão, enfim, toda essa mise en cene típica do métier, primeiro me diverte (rindo disso tudo, é claro), mas depois me deixa um pouco assustado com a idiotice das pessoas.
Toda vez que leio no Twitter a expressão "bafo!" ou "bapho!" já tenho um calafrio semelhante ao que o Dimmy Kieer deve sentir ao ver uma barata francesinha (ou uma mulher pelada).
Com raras exceções a impressão que fica é que primeiro alçam as pessoas à fama e depois tratam de descobrir o que possa justificar essa fama. É a inversão do mérito, prática tão confortável quanto corriqueira hoje em dia.
Como já disse antes, não acho que o BBB seja o pior dos mundos. Estão aí a Luciana Gimenez, o Ratinho, o Luciano Huck e o Galvão Bueno para provar isso. A exposição que qualquer um ganha ali é um ativo que se bem aproveitado alavanca carreiras e empurra talentos para a frente, só que essa não é a regra.
Infelizmente essa indústria das celebridades raramente pega um talento verdadeiro e lhe empresta a merecida fama que a "tchurma da jogación" possui. O normal é fazer qualquer um ficar famoso e depois verificar se presta para alguma coisa além de festas promocionais e fotos em colunas de fofoca.
É como se essas revistas e sites se perguntassem no final "O que esse cara está fazendo aí mesmo?".
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