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E se fosse hoje?

Postado em 26 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

"Tiramos o site da França do ar!"

"Vamos fazer uma petição online contra os alemães!".

Imagina que palhaçada seria a 2ª Guerra Mundial se fosse hoje em dia.

Sério, fiquei pensando nisso um tempão. Imaginei velhas fábulas tomando direções totalmente opostas, como o Romeu se matando porque não recebeu o SMS da Julieta a tempo (ela estava sem crédito no celular) ou então os Correios não entregando o sapatinho de cristal comprado no Mercado Livre, porque no lugar veio uma caixa com um tijolo dentro.

Só que como essas histórias são de ficção, não teria nada demais que fossem adaptadas aos dias de hoje, mas e aquelas de verdade, como no exemplo da 2ª Guerra?

Na revolução francesa tentariam fazer uma postagem no Facebook: quem apóia a monarquia "curte", quem prefere a república "compartilha" e no final, adivinha? Não ia dar em nada.

Já os pais fundadores dos Estados Unidos ficariam envolvidos numa questão mais grave, afinal, a enquete online terminaria empatada: um terço preferiria que o novo país se chamasse "Estados Unidos da América", outro terço preferiria "União dos Estados da América" e o último acharia melhor "Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da América".


Depois de muita discussão eles provavelmente decidiriam que era melhor esquecer daquela briga com os ingleses, e todo mundo ia se juntar num encontro no Starbucks.

Noé, aquele da Bíblia, ao saber do dilúvio não ia correr para construir uma arca . Ao invés disso abriria uma ONG, um site, um blog e passaria as tardes pedindo doações e enviando fotos de filhotes de cachorro por email, em arquivos de Power Point com músicas do Kenny G. Depois que a chuva passasse e as águas baixassem, não teriam sobrado nem as baratas na face da terra (o que, no caso das baratas, de certa forma nem seria tão ruim).

Santos Dummont e os Irmãos Wright travariam uma batalha feroz para decidir quem afinal inventou o avião, quem conseguisse seguidores mais rápido no Twitter levaria a batalha. No final o inventor do avião seria conhecido para sempre como Charlie Sheen, que foi expulso de um seriado de comédia, conseguiu 1 milhão de seguidores em um dia (isso são fatos reais) e...inventou o avião.

Os alemães criariam um evento no Facebook: a festa da reunificação. 200 mil pessoas confirmariam presença, 20 apareceriam e o muro estaria lá até hoje, mesmo porque, a turma do lado Oriental não possuiria internet e nem saberia do evento.

E o Brasil? Provavelmente ainda seríamos Reino Unido de Portugal e Algarve (ou qualquer coisa parecida), já que Dom Pedro até pensaria em dar o famoso "Grito do Ipiranga" mas no fim iria parar mesmo num grito de carnaval, que além de ter whisky com energético liberado a noite toda, ainda era parte de uma promoção desses sites de compra coletiva.

Tudo por R$19,99. Bem melhor do que esse negócio de ser independente, afinal de contas, o príncipe só tinha 23 anos e hoje em dia antes dos 40 ninguém precisa mesmo sair da casa dos pais.

Milk Shake de amigos

Postado em 19 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pouca coisa é tão constrangedora quanto misturar amigos.

Sei que ficou confusa a frase acima, mas você já vai me entender. Cada um de nós é um indivíduo único, mas ainda assim nos dividimos no que somos para nossa família, nossos amigos, nossos colegas de trabalho, a turma da rua, o pessoal do futebol, a namorada, os filhos.

Cada um nos vê de forma diferente e terminamos agindo mesmo diferente junto de cada um deles.

Essa estranha (e na maioria das vezes despercebida) esquizofrenia social - o sujeito que é bom moço em casa, coroinha na igreja e no final de semana vira party animal - é potencial usina de constrangimentos, que geralmente acontecem quando estes grupos se misturam.

Mais ou menos como se algum amigo que treina boxe contigo te pegasse depilando o peito ou a turma do seu fã-clube do Bolsonaro te ver numa aula de dança de salão.

Misturar amigos de épocas diferentes da nossa vida também gera esse tipo de situação.

Você rersolve sair com a turma da sua pós-graduação em psicologia e encontra o pessoal da rua que você morou há uns 15 anos atrás. Pro pessoal da pós você é aquele sujeito que senta na primeira fila, leva um iPad pra acompanhar a aula e namora uma socióloga que fala francês.

Mas pra turma da sua rua você é apenas o "Barraca", que vomitou na mesa do bolo de uma festa de debutantes e tinha a estranha mania de cuspir no seu copo de Coca-Cola só pra não ter que dar um gole pra ninguém.


Nota que rola um verdadeiro choque de "Eus"? E sempre algum cretino está ali para fazer com que seus dois "Eus" se choquem.

- Deixa eu apresentar aqui pra vocês o pessoal que morou comigo lá em Jacarepaguá: esse é o Paulinho, esse é o Marco Antônio, esse aqui é o Luciano. Esse é o pessoal que faz pós comigo.

- Porra, Barraca, nunca pensei que você conseguisse passar do 2º grau...

- Mas então, bom ver vocês, agora dá licença...

E assim como sempre tem um cretino para fazer seus "Eus" se chocarem, também sempre tem um do outro lado que fica curioso:

- Que negócio é esse de Barraca?

- Ah, ele não contou pra vocês isso não? É que a gente tinha uma professora de matemática muito boa e ele sempre ficava de pau duro na aula...sabe como é? Barraca armada?

Gargalhada geral, menos sua, é claro.

A meia hora seguinte é toda gasta com histórias sobre como você perdeu a virgindade com a empregada vesga do seu vizinho, sobre a vez em que você quase se afogou no mar e foi resgatado de helicóptero numa daquelas gigantescas puçás e sobre como ficou de recuperação em matemática, passando as férias inteiras na companhia da professora gostosa, que terminou te reprovando (daí a surpresa por você ter conseguido chegar na pós-graduação).

No final a experiência te lembra porque você resolveu estudar psicologia, já que, aos olhos dos outros, você lembra bastante um caso clínico.

Como ser VIP sem ser VIP

Postado em 9 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Todo mundo sabe que vivemos numa sociedade que se baseia na aparência, mas calma, não precisa parar de ler agora já imaginando que esse será mais uma defesa xarope sobre a necessidade de "valorizarmos o eu interior". Esqueça, eu posso ser cretino mas não tanto.

O fato é que nos importamos com aparência sim e a única coisa que muda são os parâmetros e os conceitos sobre uma "boa aparência". Se antes a sociedade prezava fartos bigodes e seios, hoje nos matamos nas academias como hamsters naquelas esteiras para ostentarmos a maior magreza ou o maior bíceps possível.

Imagino um dia, no futuro, os nossos tataranetos intrigados sobre como podíamos apreciar mulheres com as costas de um estivador ou homens que se depilam. Mas tudo bem, até lá eles provavelmente sentirão tesão por antenas ou coisa parecida.

E como gostamos muito mais do que algo se parece do que aquilo que é na realidade, é fácil usar esse tipo de coisa a nosso favor.

A avó de uma amiga minha tinha a maior pinta de importante. Sério, você batia o olho na velha e pensava que era uma prima da rainha Elizabeth ou pelo menos uma baronesa. Só que como não temos nobreza no Brasil, ela - esperta como boa brasileira - colocou um adesivo do Tribunal de Justiça no carro e quando passava numa blitz dizia pra quem estivesse na direção avisar que "a juíza estava com pressa".

Nunca foi parada em uma blitz sequer. Por via das dúvidas os PMs deixavam a "juíza" passar.

Faça um teste se quiser (não dizendo que é juíza, é claro) mas, por exemplo, chegar bem vestido num lugar "fechado para convidados" e entrar sem perguntar nada a ninguém. É grande a chance de não te pararem para dizer nada, afinal, só quem é muito importante chega sem precisar ser anunciado.


A maior prova disso acontece no ambiente de trabalho. Será que o CEO da Coca-Cola ou o COO ou CFDPPQP (sei lá quantas siglas dessas existem) de uma grande multinacional precisa usar crachá? Ora, só quem precisa ser identificado é você, que é um Zé Ninguém. Essa gente chega perto e as portas se abrem sem nem precisar dizer "abre-te sésamo".

É capaz de você ainda terminar dando entrevista no Programa do Amaury.

Fotógrafos também entram em quase tudo que é lugar. Basta um colete e uma máquina com aparência de profissional que ninguém vai saber se você é do New York Times, do Globo ou só um maluco de câmera e colete. Você corre sério risco de te colocarem pra dentro, a menos que seja um casamento de celebridades, aí você talvez leve uma surra dos seguranças especializados em amaciar carne de paparazzi.

Outra coisa que funciona é dizer que "está com a banda". Você chega numa boate ou casa de shows, vai pra entrada dos fundos, faz cara de tédio e pressa e diz:

- Oi, eu estou com a banda.

Só tome cuidado de antes ver qual a programação do dia, pra não ouvir algo como:

- Você tem certeza de que faz parte do coral de freiras?

Seu álbum de fotos tem mais em comum com o estômago de um urso do que você imagina

Postado em 26 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Dizem, não sei se é verdade, que os esquimós tem uma estranha forma de hospitalidade. Quando um visitante chega lá no seu iglu, o esquimó oferece duas das coisas mais valiosas que possui para compartilhar com o visitante: um jantar à base de gordura de foca e a sua esposa, a Sra. Esquimó.

Na concepção dele, carnes cruas e banha, além da própria Sra Esquimó (que provavelmente passa alguns meses sem banho) são dois presentes irrecusáveis, desses que transformam uma negativa numa ofensa grave.

Tudo bem que seja raro alguém conhecer algum esquimó (A Bjork não conta), mas frequentemente nos vemos agraciados com honras que, se não fosse para não melindrar os outros, recusaríamos na maior felicidade.

Por exemplo: visitar recém-nascidos no hospital e responder coisas como "você acha parece mais com o pai ou com a mãe?". O que dizer numa hora dessas? "Porra, sei lá, bebê é tudo igual"? Aí vira aquele papo de deputado baiano "ah, parece com o pai, mas tem os olhos da mãe e o queixo do avô".

Provar da comida alheia é outra dessas honras que eu faço questão que me "incluam fora" delas.

Alguém te chama pra um almoço na casa da avó, que cozinha "melhor que a Nigella", mas quando você chega lá descobre que o mais próximo daquelas comidas da TV ali é o humor da velha, que é pior do que o do Gordon Ramsay.

E pra piorar ainda tem o bife de fígado com quiabo pra encarar, sem contar que no final você ainda tem que encenar aquele "hummmm", que só é completado mentalmente: "ummmma bosta".


Quer ver outra honraria dispensável? Formaturas. Ficam os formandos lá levantando cartazes com piadas internas cada vez que algum nome é chamado para pegar o diploma, as famílias tirando milhares de fotos, aquela fila interminável de nomes e você lá, de saco cheio, imaginando se pelo menos vai rolar algum coquetel depois (ainda que ele fosse útil mesmo é antes, porque só bêbado pra achar graça naquilo).

Mais chato mesmo só os álbuns de fotografia. Veja, não sou um monstro sem coração que despreza as memórias alheias, nada disso. Acho legal ver as fotos dos outros com 1, 2, 3, 4, 5 anos, aquela clássica foto sentado no vaso quando criança, os móveis, roupas e cortes de cabelo da época do mouse de bolinha, enfim, é legal e tal.

O mesmo vale para fotos daquela viagem à Europa, quando seu amigo visitou 14 países em 18 dias e no final nem ele mais lembra direito se aquela fonte que aparece na fotografia fica em Lisboa, Budapeste ou Amsterdã. Ainda assim é legal ver fotos aleatórias de lugares diferentes.

Mas tudo tem limite.

Depois de 100 fotos do baile de debutantes, depois de ver a tia bêbada, o avô bêbado e até a vizinha bêbada, você começa meio que encher o saco. O mesmo para aquelas 500 fotos de golfinhos em Fernando de Noronha. Sim, porque golfinhos são legais, Fernando de Noronha é lindo, mas ninguém tem saco para 500 fotos da mesma viagem, nem que fosse uma viagem ao centro da Terra.

Fico pensando no que o esquimó deve dizer:

- Gente esquisita...só mostram umas figuras sem parar e nem me oferecem uma gosma pra comer ou a esposa pra consumir durante o processo...

Viva a Juventude

Postado em 4 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

A busca pela fonte da juventude e, mais tarde, o gigantismo do mercado de cirurgias plásticas comprovam: bom mesmo é ser jovem.

Muita gente vai dizer que não, que na verdade ruim mesmo é ser velho, mas não vou entrar em polêmica, isto aqui é uma ode à juventude e não uma diatribe contra a velhice.

Uma ode ao tempo em que todas as amizades são para sempre, em que os sorrisos, teimosos, não saem da nossa cara. Um tempo em que ainda não descobrimos que não existe amizade eterna e que sorrir de tudo o tempo todo é meio retardado.

Nossa maior preocupação é passar de ano e contas, impostos, multas e mensalidades ainda não tiram nosso sono. Mais tarde vamos descobrir que talvez se nossa preocupação não fosse só passar de ano, mas aprender uma coisa ou outra, bem, esquece, ninguém fica rico mesmo trabalhando.

A juventude é um brigadeiro. Um gigante brigadeiro de colher, que devoramos sem o menor medo da balança, sim, porque a inocência termina no exato momento em que você descobre que brigadeiro engorda e começa a se preocupar com isso.


Os amores são todos que nem Romeu e Julieta, eternos, talvez num prenúncio do que se avizinha, que são alguns casamentos problemáticos com um tentando colocar chumbinho na comida do outro. Bom, pelo menos o veneno permanece na história.

Ser jovem é o primeiro sutiã, aquela coisa meio desengonçada colocada aonde um dia, provavelmente, haverão peitos, os mesmos peitos que um monte de gente vai tentar ver e/ou pegar durante um bom tempo antes de conseguir, ainda que esse tempo esteja ficando bem mais curto atualmente,

É quando pensamos que o sono é mera formalidade entre uma festa e a praia no dia seguinte e não o imperativo que é hoje em dia, entre a hora que o despertador toca, o café da manhã e o resto do dia.

Tem mais um monte de coisas boas, como poder usar bermuda em pleno centro da cidade ao meio-dia durante a semana e ninguém achar que você é turista, vagabundo ou surfista (ou os três juntos) e poder gostar de videogame sem que pensem que você tem algum atraso mental.

Ser jovem é não ter vergonha de ser ridículo, como essas multidões que hoje são fãs de bandas adolescentes e choram por cantores de sertanejo universitário. Ela, a vergonha, chega mais ou menos quando a juventude vai embora.

Pergunte para quem já usou pochete, mullet ou ombreiras se estou mentindo.

Mas ainda que não existissem as amizades eternas, os amores épicos, os sutiãs complacentes, os brigadeiros de colher e as fases do videogame, tem mais uma coisa que é muito legal no fato de ser jovem: não precisamos correr atrás da juventude.

Nada de plásticas, academias, cremes, injeções de extrato de berinjela asiática, massagem javanesa, comprimidos de sal do mar morto, preocupações com sódio ou gordura trans, nada disso.

Ser jovem é não precisar colocar máscaras de lama na cara, ficando com aquela aparência de que um ET vomitou em cima de você.

E só por isso, já merece essa exaltação.

Me engane, por favor

Postado em 20 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Quase todo mundo adora comprar coisas. Mas todo mundo que adora comprar coisas prefere que estas coisas tenham alguma história. Já explico.

Você está andando pela calçada e encontra um vendedor de frutas e verduras. O carrinho caprichosamente arrumado, as hortaliças devidamente pulverizadas com água para parecerem mais frescas do que uma Halls preta e até o sujeito devidamente paramentado com um chapeuzinho de palha.

É quase instintiva a pergunta "de onde vêm estas frutas?" e ele quase certamente responderá "ah, é de uma roça que eu tenho lá em Ribanceira".

É muito melhor comprar alimentos plantados pelo próprio vendedor lá em Ribanceira do que alimentos que ele pega ali na esquina e revende.

Você pode sentir o cheiro de terra pela manhã, o café e o leite quente que ele toma às 4:00 horas antes de ir pegar na enxada e cuidar da roça, o sol da manhã na sua fronte, o suor do trabalho pesado, a colheita feita junto com a esposa e os filhos e, pronto, o que era simplesmente um ramo de chicória ou um amarrado de alfaces vira um capítulo de Ana Raio e Zé Trovão.

Talvez até o verdureiro plante o que vende e traga para a cidade grande naquele carrinho, mas a maior probabilidade é que ele compre tudo num Ceasa mesmo e saia por aí revendendo. Mas como as pessoas gostam de comprar coisas com história, bem, ele que não é bobo entra na onda e faz o teatro.


Imagino o cara no final do dia tirando o chapéu, colocando uma camisa da Oakley e indo pro seu apartamento num subúrbio qualquer, tomar um choppinho enquanto ouve pagode no rádio.

Isso tudo me lembra um episódio daquele seriado Friends, quando uma das personagens resolve comprar uma mesa de centro numa dessas lojas de móveis gigantes tipo a Tok&Stok. A sua companheira de casa, mais natureba, tem verdadeiro horror deste tipo de coisa produzida em série, preferindo comprar móveis e utensílios usados, porque "eles tem história".

Quando a mesa chega, a amiga precisa inventar uma "história" para a tal mesinha e aí diz que era a mesa de um boticário, que vivia numa cidade onde queimavam bruxas ou algo assim. Quando perguntada sobre a época da mesa ela simplesmente responde "ah, de antigamente".

A natureba ainda vira e diz "consigo sentir até o cheiro das ervas medicinais que ele guardava aí, nossa, muito melhor do que aquelas horríveis mesinhas fabricadas em série". Pronto, era a história.


E tal qual quem compra verduras "da roça" ou a personagem que adorou a mesa de "antigamente", nós adoramos essas histórias.

É o hippie que vende pulseirinhas de concha mas diz que são "corais australianos" ou aquele velho telefone que o sujeito do antiquário jura que foi de uma "vizinha de Rui Barbosa".´

Funciona mais ou menos como essas réplicas chinesas de produtos famosos: compramos uma idéia e não a coisa propriamente dita.

Só que nesse caso, corremos menos risco da coisa parar de funcionar dali a uma semana.

O download da sua piada não foi concluído

Postado em 6 de jun. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

- Você me acha gorda?

- Não, na boa, não acho mesmo.

- Então me acha cheinha?

- Na verdade pra mim você está muito bem.

- Dizem que eu sou voluptuosa...

- Voluptuosa é eufemismo pra quem quer te chamar de gorda, não curto isso não, me lembra do Botero.

- Ainda bem que você não me acha digna do Botero.

- Na verdade, eu acho que você tem grip.

- Hahahahaha, grip? Taí, adorei essa. Isso mesmo, eu sou mulher com grip.

- E eu adoro gente que entende piada, sabia? Pra 90% eu teria que mostrar uma raquete de tênis, explicar o que é grip, associar isso ao corpo da pessoa, etc, etc etc.

- Ah, é?

- É sim, vem cá, vem...

Não vou falar do que aconteceu depois, afinal, o diálogo acima é semi-fictício, mas serve muito bem para mostrar como a piada é uma espécie de transmissão de arquivo. Se os dois envolvidos - quem envia e quem recebe - não tiverem uma boa conexão, a transferência não se completa, o arquivo vai truncado e perde-se o objetivo.

Porque nada é mais cretino e irritante do que precisar explicar uma piada para alguém. Mas pouca coisa é tão constrangedora quanto simular riso para uma piada sem graça.


Sei que tem gente que faz de sacanagem, mas a maioria é lenta no pensamento mesmo ou então o contador de piadas é que tem problemas nas sinapses:

- O cara entra no avião, vira pra aeromoça e começa: "Me dá uma porra de um travesseiro!", "Eu quero uma merda de uma dose de whisky!", "Acabou o cocô do gelo!".

- Hum, e aí?

- Aí a aeromoça vira pra ele e pergunta: "Vamos servir o jantar, o senhor vai querer as putas das batatinhas fritas ou cozidas?".

- Putas das batatinhas? Porque a aeromoça falou palavrão?

- Pô, cara, é que o sujeito estava xingando e tal, enchendo o saco dela e ela resolveu devolver a grosseria.

- Mas porque batatinhas putas? Uma aeromoça jamais falaria isso.

- Ah, vai à merda.

Contar piadas é uma arte mas se você não tiver muito talento ou um interlocutor que te entenda, nem a beleza das "putas das batatinhas" vai ajudar muito:

- O cara entra num ônibus, né? Não, pera aí, não era ônibus, era avião. Bom, aí ele vira pra enfermeira lá, e pede uma dose de whisky com gelo.

- Enfermeira num avião?

- Enfermeira não, aeromoça, mas então, o cara xingava pra caralho, né? Aí rola um negócio lá e ele pede as putas das batatinhas.

- Cara, isso é uma piada, é uma história ou você está tendo um derrame?

Sabe o que é? É que eu estou com uns projetos...

Postado em 27 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Não existe algo como o "melhor emprego do mundo". Não é possível que um "emprego" tão bom a ponto de ser "melhor". Se é emprego, potencialmente é uma bosta.

A menos que seja o de fotógrafo da Playboy.
Empregos nada mais são do que você vendendo suas horas de vida, e mesmo não querendo soar tão dramático, afinal não é como vender um rim ou um dos pulmões, devo admitir que dependendo do trabalho que você exerça, será quase isso.

Bom mesmo é ser patrão e, melhor ainda, ser rico. Mas parece que as vagas para essas funções são um pouco mais concorridas do que as de vendedor de enciclopédia, operador de telemarketing e promotor da Herbalife.

Nunca vi emprego bom anunciado em jornal, você já viu algum? Aliás, até vi, mas geralmente tinha mais pré-requisitos do que os necessários para ser escolhido Papa.

Por isso mesmo um monte de gente fica à toa por aí, entregue ao passar dos dias, à contemplação e à Sessão da Tarde.  Não é por nada também que o sonho de muita gente é viver de renda ou, para aqueles mais desconectados da realidade, ganhar na Mega Sena (dizem que milionário da Mega Sena é o emprego com maior proporção candidato-vaga do mundo).

Mas a sociedade exige satisfações de quem não faz rigorosamente nada, afinal de contas, todo mundo raciocina da seguinte maneira: se eu acordo cedo, luto contra a soneca do despertador, pego engarrafamento, enrolo a manhã inteira, vou almoçar num restaurante a quilo, passo a tarde toda carregando 10 vezes o peso do meu corpo na forma de sono e preguiça, pego outro engarrafamento e já sei que no dia seguinte tudo vai começar de novo, preciso pelo menos fazer com que alguém que não passe por isso se sinta culpado.


E assim surgem as desculpas mais engraçadas do mundo, que as pessoas que não estão fazendo nada criam para se justificar perante à sociedade.

Primeiro tem o mais popular de todos atualmente, que é "estudar pra concurso".

- E aí? Quanto tempo, está trabalhando em que?

- Ah, tô parado, só estudando pra concurso...

Ele não menciona que passear com o cachorro, ler os jornais, assistir desenhos na TV, dar uma corridinha na praia de tarde e passar metade da aula do cursinho de "Direito Constitucional I" do lado de fora da sala dando em cima daquela loirinha de mini-saia não é bem "estudar pra concurso".

Existem outras desculpas interessantes, como "tô esperando saírem umas coisas aí", que soa como se algo importante estivesse para acontecer na vida da pessoa, mas que quer dizer somente que ela espera que na semana que vem aquelas 6 dezenas sejam sorteadas, senão vai ficar difícil até pagar os cinquentinha que pegou emprestado com o porteiro na semana passada.

Gosto também dos classicos-intelectuais, como "estou escrevendo um livro" e "vou fazer uma tese de mestrado".

- Pô, cara, legal, escrever um livro é meu sonho também, mas sobre o que será esse seu livro?

- Tipo, eu não comecei ainda, tenho umas idéias que preciso amadurecer primeiro. Estou em dúvida entre um romance sobre dois irmãos apaixonados pela mesma garota ou uma comédia sobre um cachorro falante.

Mas a melhor de todas é aquela que todo ex-BBB, sub-celebridade e ex-namorada de jogador de futebol fala quando perguntam o que andam fazendo da vida: ah, tô com uns projetos aí, sabe?

"Ter projetos" talvez seja o único que ganhe de "estudar pra concurso".

O que seriam estes projetos? Toda vez que vejo um ex-BBB dizendo isso me pergunto: será que um Shakespeare ou uma Fernanda Montenegro estava adormecida debaixo de toda aquela futilidade e silicone nos peitos?

O problema disso tudo é ninguém assumir que não faz nada e que adora não fazer nada, como se fosse um grande pecado não querer passar a vida trabalhando e só poder aproveitar um pouco de tempo livre quando todo esse tempo será gasto basicamente com visitas ao médico e banhos de sol.

Vivemos no tempo dos "workaholics" que nada mais são do que indivíduos que conseguem ser chatos 12, 14, 16 horas por dia, daí fica feio você dizer que prefere mesmo é ser aposentado.

E também tem aquele negócio de ficar meio chato pedir dinheiro emprestado pros amigos ou uma ajudinha dos pais quando o único esforço que você demonstra é o de caminhar lentamente até a praia, carregando aquela cadeira de montar e a última edição da Rolling Stone pra ler.

Pensando bem, taí uma coisa que só mesmo um prêmio da Mega Sena poderia resolver.

Arara no bafo

Postado em 25 de mar. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

No final do ano eu fui num almoço de confraternização -daqueles em que todo mundo que se detesta o ano inteiro finge que foi tomado pelo espírito de Natal só pra comer de graça - realizado numa dessas churrascarias que cobram o rodízio em arrobas de boi gordo.

Acostumado com praças de alimentação e restaurantes a quilo, confesso que cheguei lá munido da mais prosaica das ambições: várias fatias de picanha sangrando, daquelas que você espeta o garfo e ouve o boi mugindo.

Só que depois que os pãezinhos de queijo regulamentares foram embora, os garçons começaram uma espécie de safari gastronômico.

- Uma fatia de picanha de javali, Senhor?

- Aceita um quitute de avestruz?

- Essas coxas de marreco estão especiais, o Senhor deseja provar?

- Capivara?

De uma hora pra outra eu achei que estava no Serengueti e que a qualquer momento me ofereceriam iscas de Leopardo ou Babuíno a passarinho. O que aconteceu com as coxas de frango,  os corações de galinha e a picanha maturada argentina? Viraram coadjuvantes.

Soube que já existem churrascarias finas que servem jacaré e tatu. Não confirmei a informação, mas não duvido.


Foi difícil não lembrar daquelas reportagens sobre a China e seus espetos de escorpião e sopas de inseto que passavam durante a Olimpíada de 2008. A diferença talvez seja que lá isso é hábito, aqui é excentricidade.

No meio do almoço, já rindo daquela profusão de excentricidades, resolvi entrar na brincadeira e dar uma sacaneada no garçon. Mas antes que eu perguntasse se tinha caldo de arraia eles interromperam meu almoço pedindo gentilmente que eu fosse embora.

Calma, não me expulsaram literalmente de lá, mas todo mundo sabe o código para quando querem que a gente vá embora do restaurante, né? É mais ou menos quando chegam perto de você e perguntam "O Senhor deseja mais alguma carne em especial?".

É uma senha para dizer: "E aí? Vamos pagar a conta e liberar a mesa?".

Respondi:

- Vocês tem arara no bafo?

E ele:

- Como?

- Arara no bafo, é uma delícia, comi lá em São Paulo.

- Por enquanto não temos, mas vou falar com o gerente e na próxima vez que o Senhor vier talvez já tenhamos alguma novidade.

Pobres das araras...

O Zé das Tralhas

Postado em 21 de fev. de 2011 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Atualmente dão nome para todas as manias que sempre existiram. É síndrome disso, fobia daquilo, mania de não sei o que. Não estou duvidando das terminologias, só acho engraçado essa catalogação de esquisitices.

Uma delas é a síndrome de Diógenes, caracterizada pela "autonegligência involuntária e acumulação de objetos". Tudo bem que os casos extremos levam a pessoa a catar lixo pela rua e viver cercada de insetos e roedores, mas descobrir que a tendência de acumular velharias é motivo de estudo não deixa de ser curioso para alguém que era conhecido na infância como "Zé das Tralhas".

Tenho pena mesmo de me livrar de objetos e coisas que me lembrem alguma coisa. Mas precisa ser necessariamente alguma coisa boa. Contas, multas de trânsito e velhas estrelas do PT vão parar no lixo sem a menor dor na consciência.

Mas se aquilo me lembrar de algum momento feliz, alguma viagem, uma pessoa querida, fica difícil mesmo jogar fora. Uma foto da primeira namorada, um panfleto de um hotel em que me hospedei, um cartão postal que mostra Nova York ainda com as Torres Gêmeas tocando as nuvens, estão todos enfurnados em alguma caixa, em algum canto de algum armário.

E esse é outro aspecto hilário desse negócio de guardar velharias: na maioria das vezes, além de não prestar para nada, elas ainda ficam fora do nosso alcance. É como aquele tio que só aparece na festa de Natal, sabemos que ele está por aí, mas onde, não fazemos a menor idéia.


Para você ter uma noção, eu não consigo nem mesmo me livrar de uma terrível piranha empalhada, só porque ela me lembra uma viagem que fiz ao Amazonas há uns dez anos atrás.

Torcedor de futebol é outro tipo de ser que adora guardar tudo relacionado ao seu time. Camisas velhas - qual vascaíno que não tem uma camisa que, de tão velha, deixou de ser preta e virou azul marinho? Ou Flamenguista com uma camisa tão desbotada que ficou cinza e rosa? - posters de times campeões, jogos de botão dos tempos de colégio, tudo vira museu.

Vivemos acumulando certas quinquilharias, algumas inclusive só na nossa cabeça. Caso contrário, porque acharíamos que o passado sempre foi melhor do que é o presente?

Tenho uma notícia pra vocês: o passado só parece melhor porque o mundo era menos populoso, logo, haviam menos cretinos sobre a face da terra.

No fundo, tudo o que passa só parece melhor porque a gente não lembra direito, mais ou menos como acontece quando a gente abre uma caixa guardada no sótão e se pergunta: porque foi que eu guardei esse negócio aqui mesmo?

O que você faria por...

Postado em 5 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Outro dia um cara fez uma pergunta bizarra no Twitter, era mais ou menos o seguinte: se uma zumbi gostosa como a Carla Perez te desse mole, você pegaria mesmo sabendo que é uma zumbi?  Esqueça a bizarrice de alguém pensar que a Carla Perez é gostosa e também em fazer sexo com zumbis (nessa ordem), mas esse tipo de pergunta é mais comum do que seria aceitável.

Coisas como "você comeria um prato de merda em troca de uma Ferrari?" ou "você aceitaria ser abusado pelo Mike Tyson se pudesse pegar a Jennifer Lopez depois?".

Nunca entendi direito esse tipo de relação, de associação de uma coisa boa com outra detestável - partindo do princípio de que você não gostaria de ser abusado pelo Mike Tyson, é claro, e que não aprecie "comidas" exóticas.

Isso me lembra sempre aquela famosa frase cretina que diz que "é melhor ser pobre e ter saúde do que ser rico e ser doente", como se - contrariando a realidade - só existissem pobres saudáveis e ricos doentes.

Eu prefiro ser rico - podre de rico se possível - e saudável - mais do que o Paulinho Cintura. Me recuso a entrar nesse foguetinho do Sílvio Santos.

Não troco uma câmara de ar por um Atari e nem uma meia usada por uma caixa de Playmobils.

Mas o fato é que temos verdadeira obsessão pelas pegadinhas da vida, como se a velha maldição cigana - "que você consiga tudo aquilo que desejar" - vivesse sempre à espreita.


"Quero conhecer uma loira peituda", cuidado, poderá vir um travesti.

"Quero ganhar muito dinheiro", Bú! Servirá para pagar um divórcio.

"Quero viajar pra uma praia", certeza de que vai chover o tempo todo ou então estará infestada de tubarões.

"Quero um emprego numa multinacional", vão te contratar como faxineiro.

E por aí vai.

Note bem que não defendo o tal "pensamento positivo". Na vida a maior chance é de dar merda em tudo mesmo, assim é a realidade, mas às vezes - quando você está se dando bem - é melhor aproveitar porque talvez não dure muito.

E de preferência sem fazer muitas perguntas.

Pense numa festa de ricaços, você está passando pela porta, o segurança te saúda chamando de "senhor", abre a cordinha para você passar, assim que entra te dão uma taça de prosecco, uma morena de olhos verdes aparece te chamando de "querido", senta no seu colo, te faz carinho e o Eike Batista aparece te oferecendo um cartão e dizendo pra você ligar no dia seguinte porque tem planos para você. O que você faz?

Pensa que vai levar um "Boa Noite Cinderela" da morena e que o Eike vai te pedir um boquete embaixo da mesa, grita para todos "estão me confundindo com outra pessoa!" ou aproveita a situação?

Tudo bem que o surrealismo disso tudo fatalmente terminará com o despertador tocando e você caindo da cama atrasado pro trabalho no seu empreguinho de bosta, mas e daí? Sonhar, além de não adiantar nada, também não custa nada (se adiantasse seria cobrado em dólar e por minuto).

E convenhamos: a vida não te oferece esse tipo de escolha. A realidade normalmente é o Mike Tyson, o "Boa Noite Cinderela", o prato de bosta e você no foguetinho do Sílvio Santos trocando uma coleção de gibis da Turma da Mônica por uma bóia de braço furada.

Eu ainda prefiro o Axl Rose

Postado em 30 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Quando eu era criança os rádios de pilha tinham um acessório chamado "egoísta", que consistia basicamente de um único fone de ouvido que a pessoa colocava para ouvir as músicas sozinho.

Um pouco depois apareceu o Walkman, que já permitia que o cara gravasse suas músicas preferidas em fitas cassete. Estes já contavam com fones de ouvido duplos, tipo desses que um DJ usa e, em seguida, veio o Diskman que obrigava o sujeito a andar com um saco de pilhas de tanto que gastavam. Mais ou menos nessa época os fones começaram a diminuir, porque passou a ser "mico" usar aquelas duas orelhas gigantes na rua.

E enfim chegou o iPod e suas imitações. O fone cobiçado passou a ser o "in ear", um treco que vai enfiado (opa!) no canal (opa!) auditivo (ahhh, bem!) da pessoa.

Os fones agora voltaram a crescer, mas isso não importa, o que importa após essa extensa intrudução é como se comportam as pessoas quando usam um desses fones, ligados a qualquer um desses aparelhos.

A turma do "egoísta" era mais discreta, primeiro porque era em um ouvido só e depois porque programação de rádios AM não é lá algo muito animado, mas já padeciam de problema que dura até hoje, que é a surdez do fone de ouvido.


Você fala com a pessoa e ela responde um "QUE???", repete o que tinha pra dizer e ela e a resposta é "AHHH, PODE IR SIM!", detalhe: você tinha perguntado as horas. Isso pra não falar de quando é você que está usando o fone e começa a gritar sem perceber, até que o interlocutor passe a fazer aqueles gestos de "fala baixo", te fazendo tirar o fone às pressas, mas ainda a tempo de ouvir seu último urro, seguido do silêncio geral em torno. Sério, são segundos que podem durar bastante.

Aliada à surdez, tem a empolgação com a música que está tocando. Você está na calçada, voltando do trabalho e de repente começa a tocar aquela música que te lembra o primeiro beijo na sua primeira namorada. Você acha que ninguém te ouve, aliás, nem você se ouve e então pensa que está apenas balbuciando, mas com certeza aquela menina que parece que sorri para você está na verdade rindo de você, porque talvez seja a melhor imitação do Pato Donald cantando Elvis que ela já viu.

Outro caso sério é quando, dependendo do ritmo, você pensa que ninguém perceberá se acompanhá-lo com movimentos do corpo.  Em segundos você estará fazendo fazendo papel ridículo tocando guitarra no próprio antebraço e  inventando passinhos, virando a partir desse momento o "doido da academia" ou então o "doentinho do curso de espanhol".

Irritante também é o cara que apesar de usar fones acredita que aquela bolha sonora particular o protege de ser um mala. Nessa hora ele subverte toda a função do fone de ouvido que é restringir o alcance do que está tocando aos ouvidos de quem o utiliza e coloca o som no volume máximo, o que não permite que as pessoas ouçam claramente o que está tocando mas enche o ambiente próximo com aquele barulho que mistura uma frigideira e um pneu de carro furado, algo próximo de um "tsss tsss tsss tsss".

Mas o mais degradante certamente é quem se acha, ainda que inconscientemente, um artista injustiçado. Coloca rock'n'roll pra tocar, vai correr na praia e de repente, protegido da sua própria voz desafinada pelos fones, vira o Gene Simmons ou o Axl Rose,  repetindo todos os agudos e sons guturais que tem na música, cantando num palco imaginário para uma platéia formada por criancinhas assustadas, velhos preocupados com "o problema das drogas" e vira-latas que correm atrás de motos e malucos.

Na boa, grito por grito, ainda prefiro os do Axl Rose.

Colírio de vodka, supositório de pimenta

Postado em 15 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Quando você pensa que bandas de "happy rock" são o ponto mais baixo no qual podem chegar adolescentes e pós-adolescentes - categoria que inclui retardados de 20 até, sei lá, uns 50 anos - eles mostram pra você que no fundo desse poço existe um buraco de metrô, sempre indo mais pra baixo.

Descobri recentemente uma nova modalidade de idiotice: usar vodka como colírio, para "potencializar a bebedeira". O primeiro fato curioso é a suposição de que algo além de acordar, levantar da cama e respirar seja necessário para que certas pessoas pareçam bêbadas, drogadas ou fora do seu juízo normal.

A segunda curiosidade é que, pelo que dá para entender baseado em relatos, a experiência não garante a potencialização do porre e ainda por cima é pra lá de desconfortável, o que só aumenta a imbecilidade da coisa toda.


"Não é legal", sentenciou o músico da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, ele mesmo um sério candidato à eterna adolescência, depois de fazer um auto-teste, como se isso fosse necessário para chegar a tal conclusão. "Não sei se deu algum barato a mais porque já estava bem louco na hora, mas meu olho ardeu por dois dias", completou o rockeiro, em entrevista ao FolhaTeen.

Aqui abro um parêntese: já perceberam que pouca coisa que começe ou termine com o termo "teen" serve para algo além de modismos e idiotices?

Mas voltando ao "colírio de vodka", médicos avisam que pode causar sérios danos aos olhos, inclusive levando a cegueira, mas o que seria perder os olhos para pessoas que já conseguem viver sem cérebro?

Não é de espantar o tipo de música que curtem, a língua escrita que exibem, o comportamento que ostentam como se fossem um cruzamento de hienas com hipopótamos, comendo dejetos e destruindo orgulhosamente tudo à sua frente. Mas a minha satisfação é que o fato de serem tão influenciáveis - até para o que lhes faz mal - torna plausível a possibilidade de um dia virem a "experimentar" um supositório de pimenta.

A sensação será mais do que merecida.

Hoje eu não fiz nada

Postado em 8 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Estava meio sem assunto, pensando em alguma coisa para escrever e lembrei de uma colega de escola que escrevia na sua agenda. Hoje em dia isso seria meio anacrônico, mas houve uma época em que meninas não escreviam no Twitter, não postavam fotos fazendo bicos e mostrando os decotes no Fotolog ou Orkut e definitivamente não escreviam suas particularidades em blogs.

Nesse tempo elas faziam diários escritos em agendas, onde contavam seu dia a dia, suas paixonites, suas dúvidas, colavam papéis de bala, guardanapos, lembranças. Aquilo geralmente só era lido por ela ou no máximo pela melhor amiga, isso caso os meninos do colégio não roubassem para ler e depois zuar com a cara dela. Mas no fim das contas se resumia a isso, uma prática íntima, quase solitária, feita mais para si do que para o mundo.

Mas se várias meninas faziam, porque então lembrei justamente dessa garota do meu colégio? Primeiro porque ela não tinha problema algum em mostrar a agenda dela pra todo mundo, depois porque ela não era lá muito boa com palavras - ou talvez não tivesse a paciência e a disciplina necessárias para escrever um diário - e em vários dias ao invés de contar algo interessante ela simplesmente escrevia "hoje eu não fiz nada".

Talvez por ser tão sem graça assim - e não conter relatos de paqueras, amassos, transgressões - é que ela permitia que qualquer um lesse aquilo, mas o fato é que desde aquela época eu achava isso curiosíssimo.


Como assim "não fez nada"? Eu sempre pensava nessa coisa filosoficamente, talvez até por não estar fazendo nada, e é aí que a coisa pegava. É impossível alguém não fazer nada. Até mortos, estamos fazendo alguma coisa, nos decompondo, por exemplo. Pensando no diário dela eu já faço alguma coisa.

Se você passar a tarde no quarto, deitado, olhando pro teto, você não "fez nada", você "passou a tarde no quarto, olhando pro teto". Dormindo, você dorme, o que é bem diferente de nada (pergunte a um insone), e às vezes até sonhamos ou temos pesadelos, o que transforma muitos períodos de sono em eventos bem produtivos.

A conclusão óbvia disso é que torna-se impossível você não fazer nada.Você pode fazer coisas inúteis, coisas idiotas, coisas chatas. Você pode ser um membro do Restart, um ex-BBB, um comentarista de arbitragem, um cantor de axé, uma dançarina de funk, pode fazer parte de um grupo de pagode, e tudo bem se acharmos que qualquer coisa que você produza nessas atividade é algo bem próximo do nada, mas ainda assim - e infelizmente - não será nada. Será algo. Ruim, péssimo pra dizer a verdade, mas ainda assim será algo.

E perceber coisas desse tipo me causa certo desespero, afinal desde os 15 anos mais ou menos o meu maior plano é ser aposentado. Sabe como é? Ganhar dinheiro, fazer o "pé-de-meia", garantir rendimentos e passar o resto da vida sem precisar "fazer nada para ninguém".

Pois é, descobri que não será possível.

Fama

Postado em 19 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Todo mundo que escreve regularmente recorre a um ou dois assuntos sempre que está sem inspiração. Creio que fazer pouco caso de "famosos" - assim mesmo, com aspas - é um desses assuntos-coringa universais.

Nome de filme, objeto de desejo de quase todo mundo que respira ou já respirou, ela, a "fama" sempre rende assunto.

Quando - por acaso - leio numa coluna social que aconteceu uma festa cheia de "famosos", me pergunto: mas famosos pelo que? Sim, porque ninguém duvida que Oscar Niemeyer seja famoso - ele, sem aspas - e ainda assim ainda nunca vi alguém apresentando o contemporâneo de Dom Pedro como "o famoso Oscar Niemeyer" e sim como "o arquiteto".

Assim como ele, existem "o músico", "o teatrólogo", "o escritor", "o ator", "o filósofo" - ainda que hoje em dia a filosofia que faz mais sucesso seja a de botequim mesmo - enfim, ninguém que tenha um "porque" de ser famoso é apresentado como tal.

Digo isso porque "fama" é algo muito relativo. Quem não quer sobressair no que faz? Ser conhecido e reconhecido, ser apontado como exemplo, ser "o cara" ou pelo menos um dos "caras"? Agora, acho difícil alguém desejar a fama do Alexandre Nardoni ou então trocar a fama que o goleiro Bruno tinha quando era apenas "goleiro" pela que ele tem hoje, quando é goleiro + suspeito-de-ser-um-psicopata-estilo-Jason-do-Sexta-Feira-13.

Aí você abre um jornal ou revista de variedades e vê um cara que é famoso porque "namorou uma cantora", o outro é famoso porque "bateu na namorada durante um reality show", uma moça que ficou famosa porque aparecia com o corpo coberto de folhas num programa dominical, outra porque engravidou de um ator de novela, outra porque foi vaiada ao usar um vestido de péssimo gosto, um outro que é famoso por ser gago e por aí vai.

É um desejo de fama tão grande que não duvido que essas pessoas não ligassem nem de ser famosas por ser "o maior corno de Botucatu" ou então "a bunda com mais celulite de Bangu".

E a internet é campo fértil para isso. Hoje em dia basta uma câmera de vídeo caseira, muita falta de noção do ridículo e o site You Tube no ar para que qualquer imbecil - desde uma moça que faça uma dancinha ridícula até alguém que passe vários minutos falando bobagens e platitudes - seja visto por milhares de pessoas.

Esta é a época em que vivemos, onde a fama vem antes da realização. Não é a toa que seja tão repleta dos famosos "quem?".

O que esse cara está fazendo aí mesmo?

Postado em 15 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Serginho, ex-BBB, é fotografado na festa de Joseane, ex-BBB.

Max, ex-BBB, toca no aniversário de Alemão, ex-BBB, e sai acompanhado de Priscila, ex-BBB, que esses dias terminou seu namoro com Alan, ex-BBB.

Juliana, ex-BBB, faz evento para lançar seu novo disco e conta com a presença de Rafinha, ex-BBB, Marcela, ex-BBB e Rafael, ex-BBB, todos muito animados em uma boate da Barra da Tijuca. Eles já confirmaram novo encontro no lançamento do livro de Elenita, ex-BBB.

A cada ano a Globo despeja no mercado nova leva de ex-BBBs. Tirando faculdades de Direito, acho que é o mercado mais inflacionado do Brasil. Junto com a sócia honorária que é a Preta Gil, a única ex-BBB que nunca participou de nenhuma edição do programa, eles formam uma espécie de maçonaria das sub-celebridades.

Se algum deles lançar um livro, um disco, uma sessão de fotos ou qualquer novo "projeto", todos os demais estarão lá apoiando. E assim que termina uma edição o fenômeno se amplifica.

Ex-BBBs saem de todas as catacumbas da Rede TV, das páginas secundárias da revista Quem e das colunas sociais do David Brazil e voltam para as luzes da ribalta.

É quase impossível abrir um jornal ou acessar um site de notícias sem ser informado sobre a ida de um deles à praia, sobre uma noitada fervente em alguma boate ou sobre suas viagens de São Paulo para o Rio, do Rio para Brasília, de Brasília para Salvador e no final de tudo para New York, onde vão "estudar" alguma coisa no intervalo das fotos para a Caras.

Ser ex-BBB pelo visto inclui algum programa de milhagem.

Mas não estou crucificando-os não. Quem não quer ganhar o equivalente ao salário mensal de um alto funcionário do setor privado só para aparecer numa festa bebendo prosecco de canudinho e fazendo cara de Chiquinho Scarpa?

Talento não tem nada a ver com sorte, oportunidade ou esperteza e, se para alguns deles, falta muito talento, o resto eles tem de sobra. Alguns até demais.

Mas isso não tira o meu direito de achar esse microcosmo fútil, oco, um fim em si mesmo. Saber que existe um, vá lá, nicho que movimenta uma considerável quantia de dinheiro e chama a atenção de tanta gente se dedicando tão e somente a comentar o cabelo de alguém, a roupa de alguém, quem está comendo quem, qual ex-BBB da sub-classe dos coloridos faz o maior carão, enfim, toda essa mise en cene típica do métier, primeiro me diverte (rindo disso tudo, é claro), mas depois me deixa um pouco assustado com a idiotice das pessoas.

Toda vez que leio no Twitter a expressão "bafo!" ou "bapho!" já tenho um calafrio semelhante ao que o Dimmy Kieer deve sentir ao ver uma barata francesinha (ou uma mulher pelada).

Com raras exceções a impressão que fica é que primeiro alçam as pessoas à fama e depois tratam de descobrir o que possa justificar essa fama. É a inversão do mérito, prática tão confortável quanto corriqueira hoje em dia.

Como já disse antes, não acho que o BBB seja o pior dos mundos. Estão aí a Luciana Gimenez, o Ratinho, o Luciano Huck e o Galvão Bueno para provar isso. A exposição que qualquer um ganha ali é um ativo que se bem aproveitado alavanca carreiras e empurra talentos para a frente, só que essa não é a regra.

Infelizmente essa indústria das celebridades raramente pega um talento verdadeiro e lhe empresta a merecida fama que a "tchurma da jogación" possui. O normal é fazer qualquer um ficar famoso e depois verificar se presta para alguma coisa além de festas promocionais e fotos em colunas de fofoca.

É como se essas revistas e sites se perguntassem no final "O que esse cara está fazendo aí mesmo?".

O que dizer quando não se tem do que falar

Postado em 13 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Até alguém como eu, que consegue com relativa facilidade escrever todo santo dia, enfrenta essas secas de idéias de vez em quando.

Tentando resolver o problema, primeiro o pobre coitado abre todos os jornais que recebe em busca de algo que salte aos olhos, mas fica difícil escolher entre mais um escândalo político, mais um bandido posto nas ruas por algum juiz, mais um famoso casando/separando/pagando mico, mais algum gol ilegal do Flamengo validado ou o mais novo "projeto" da Preta Gil.

Falar sobre a inexistência de uma divisão direita/esquerda na política brasileira também é impossível, já que o assunto demanda a criatividade de alguém que consegue vender Amway e ser pastor da Igreja Universal ao mesmo tempo, caso contrário o leitor dorme no meio.

Saio às pressas em busca da primeira banca de jornal e compro um JB. Leio na manchete que o Rio de Janeiro ganhou 279 favelas com César Maia na prefeitura.

Alguns momentos de silêncio não são suficientes para entender porque isso só é noticiado agora, já que "César Maia" pra mim (e já faz tempo isso) é um nome que pode ser usado facilmente pra definir o conjunto de pragas que infernizam a cidade, como favelas, camelôs, flanelinhas, entregadores de panfletos e vereadores.

Ao invés de dizer que o Rio sofre com "favelas, camelôs, flanelinhas, entregadores de panfletos e vereadores" é mais fácil falar "O Rio não aguenta mais esse monte de César Maia".

Desisti das "velhas mídias" e fui pesquisar na blogosfera, quem sabe não encontraria ali algum assunto para reciclar e apresentar como meu. Rodei quase todos os sites que consegui lembrar (menos o Kibeloco, porque aí já seria re-re-reciclagem) e descobri que se criação de listas de "10 mais" e afins for incluído pela igreja como o oitavo pecado capital, 90% dos blogueiros vão estudar mídias sociais no inferno.

O Twitter não ajuda muito. Quem lê um pouco do que se passa por lá atualmente só vai conseguir comentar algo sobre o paredão estilo BBB que acontece entre Serra e Dilma (com o Lula querendo fazer o papel de Bial e público ao mesmo tempo) e aqueles formulários de perguntas e respostas de adolescentes, dizendo qual dos irmãos Jonas eles seriam ou se paquerar o primo na Missa de domingo é "feio".

Um assunto que talvez rendesse "pano pra manga" seria a polêmica envolvendo as tais pulseirinhas do sexo. Mas não me animo, juro. Sou da época em que pra fazer sexo precisávamos conhecer, beijar, conseguir encostar a mão em algum lugar "proibido" e aí sim, naturalmente, o sexo acontecia.

Esse negócio de perseguir meninas, arrancar uma pulseira de determinada cor para que ela seja "obrigada" a fazer o que a tal cor determina (preto é sexo, vermelho é beijo, rosa seria fazer um passo de dança do Rick Martin) pode até facilitar a vida dessa geração que parece ter nascido com um lado do cérebro faltando, mas não passa de uma brincadeira de salada mista que foi longe demais.

E enquanto peno para encontrar mais algumas frases, entra uma pessoa na minha sala perguntando como pode dizer que deseja "aproveitar uma oportunidade" numa carta para um cliente. Minha falta de idéias impediu até que eu desse a resposta cretina que com certeza daria em outro dia qualquer.

Um grande mestre já disse que todo escritor possui uns cinco ou seis assuntos recorrentes que utiliza sempre que lhe dá um branco, mas como não me considero um "escritor" e sim um "projeto de escritor", creio que esse contingente fica reduzido a uns dois ou três.

E dentre estes assuntos recorrentes, "não ter assunto" é convocação mais garantida do que a de algum cabeça-de-bagre para a seleção do Dunga. Por isso o assunto hoje foi assunto nenhum, e convenhamos, até que cheguei mais longe do que pensava quando comecei.

Terno, gravata, insolação e abacaxi no pescoço

Postado em 11 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Justo nessa semana em que fui assistir uma cerimônia de entrega de carteiras de advogado, e pensei na total imbecilidade que é a exigência do uso de terno e gravata por parte dos advogados e outros profissionais que padecem com isso nesse clima brasileiro, apareceu uma reportagem em um grande jornal, contando que a OAB foi ao CNJ (Conselho Nacional da Justiça) pedir que fosse dispensado o uso da vestimenta pelo menos durante este verão senegalesco que atravessamos.

Achei curioso porque sempre pensei que essa obrigatoriedade do uso de terno (e até mesmo de calça comprida) num país tropical cheio de cidades (como é o caso do Rio) que só possuem duas estações, o "quente" e o "muito quente", é uma coisa sórdida, ridícula, tupiniquim, inútil, sub-desenvolvida e desumana.

Sei que vão me criticar por dizer isso, mas na minha opinião essa é uma atitude muito mais colonizada e de rendição cultural do que comer no McDonalds, por exemplo.
É o equivalente a passear pela rua com abacaxis na cabeça ou no pescoço, para criar aquele clima "Carmem Miranda" que todos os gringos esperam dos brasileiros quando vem pra cá.

Porque vejam bem, os países onde o uso dessa vestimenta é obrigatória (ou pelo menos onde essas camisas de força da moda surgiram), são países com climas mais amenos e sensações térmicas bem abaixo dos 50º que fizeram no Rio de Janeiro nestes Janeiro e Fevereiro 2010.

É uma estética inclusive totalmente contrária ao conforto que todo indivíduo merece para ir trabalhar, porque convenhamos, né? Por opção todo mundo estaria na praia, na serra ou no shopping passeando, então já que somos obrigados a ir trabalhar para, como dizia o mestre Nelson, garantir o leite do caçula e os sapatos da esposa, que pelo menos seja de forma a não adicionar um sofrimento extra nisso através de uma sauna portátil.

Acho que seria o mesmo que exigir por força de norma que as mulheres usassem salto alto. Sei que a moda "exige" isso delas informalmente, mas o terno e gravata não, tem lugares que o sujeito não entra se não estiver usando aquilo.

Não consigo deixar de lembrar daquelas pinturas de Debret, com escravos servindo os senhores usando jaquetões europeus em pleno verão tropical e também de policiais e funcionários públicos de alguns países mais esclarecidos, que tem durante o período de calor a opção de ir trabalhar até usando bermudas.


Afinal de contas, qual o problema? Porque na minha opinião a roupa não "define a pessoa" como o frescos da moda gostam de dizer, o que define a pessoa é ela mesma e seus atos e se usar terno significasse alguma ética, seriedade e respeitabilidade, político por exemplo não usaria.

Mas aí tem o outro lado também e que o Pablo_Peixoto me chamou a atenção muito bem, que é o fato de muita gente que usa terno faze-lo para demosntrar superioridade social, e usaria mesmo que estivéssemos torrando sob 60º de temperatura.

Até concordo com ele, tem gente que parece mesmo que passou m* no bigode e vive com aquela cara de nojo pra tudo, querendo ser superior o tempo todo. Bem, para estes, acho que o castigo de usar um terno é mais do que merecido.

Que se deixe então os demais pobres mortais, que não fazem a menor questão de parecerem superiores a ninguém e querem só passar um dia sem ter vontade de se enforcar com a gravata, livrem-se dessa exigência ridícula.

Porque detesto "famosos"

Postado em 5 de fev. de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários

Eu gosto de ficar pegando notícias pela internet para comentar depois no meu Twitter. Quase sempre faço brincadeiras e comentários depreciativos sobre as idiotices que os seres humanos fazem e/ou noticiam.

Até criei a série "Notícias que merecem o selo f*da-se de qualidade" aqui no blog, série que posto quase diariamente e que invariavelmente traz manchetes bizarras sobre banalidades do dia a dia, transformadas em assunto só porque foram protagonizadas por algum "famoso".

É um tal de "Fulana toma sorvete na praia", "Cicrano mergulha no mar com seus filhos", "Beltrano foi fazer compras no shopping", que não me contenho sempre que leio isso e penso "porra, mas e o f*da-se?".

Sei que muitas vezes essas pessoas prefeririam não ter paparazzis na sua cola o dia inteiro, mas sei também que esses são minoria e geralmente tem algum talento sobressalente para acrescentar à ocupação de "famoso" ou "VIP ou ainda "filho/marido/namorada/amante de alguém".

Não creio, por exemplo, que o Mel Gibson deseje ser ridicularizado e tachado de retrógrado, troglodita, entre outras coisas pelos repórteres-fotoqueiros que o seguem pela rua, muito pelo fato de ser um católico apostólico romano declarado que não fica por aí pedindo "desculpas" por tudo o que a sua religião pode ter "feito de errado" sabe há quantos séculos atrás, mas também porque ele é um ator talentoso e o que faz, vira notícia querendo ou não.

Sabe como é, se ele fosse adepto da Cabala ou do Budismo, religiões mais "in" entre a mídia-fofoqueira, ele talvez recebesse um tratamento menos asqueroso por parte dela, mas isso é um outro assunto.

Voltando ao porque de detestar "famosos", o que claro muitos imbecis definem como "inveja", a explicação para isso vem justamente do fato dessas manchetes na internet, em jornalecos de formato tablóide ou mesmo na televisão nos impedirem de ignorá-los.

Queira ou não, olhe pro lado, troque o canal, aperte correndo o ctrl+alt+del, uma hora você se vê obrigado a saber que a Susana Vieira saiu de casa sem sutiã, que a Carolina Dieckmann deu beijos em seu novo namorado numa sessão de cinema, que a Ivete Sangalo lançou mais alguma "moda quentíssima" pro carnaval de Salvador, que a Gracyanne Barbosa comeu cereais no café da manhã, que algum ex-BBB torrou-se a tarde inteira numa clínica de bronzeamento artificial.

O que desejo explicar é que por mais que a gente tente ignorar, alguma hora uma dessas informações "úteis" nos pegam desprevenidos e são implantadas em nossa mente como um verdadeiro estupro noticioso.

Volto a dizer: não entro aqui no mérito do talento ou da qualidade, ainda que considere que metade desse pessoal de colunas de fofocas não possuem algum(a), mas no ridículo que são essas coberturas, ainda que mais ridículo ainda seja quem consome isso seriamente.

E falei tudo isso porque hoje estava lendo uma edição virtual de um grande jornal do Rio e me deparei com essa manchete: "Madonna não permitirá paparazzi no hotel em que vai se hospedar", que encabeçava uma matéria que dizia que "Os síndicos dos prédios em volta ao Hotel Fasano já foram avisados para que não permitam, em hipótese alguma, paparazzi entrar nos edifícios para tirar fotos de Madonna na piscina do hotel".

Quer dizer, uma porrastar (licença da expressão, por favor, porque popstar ela foi já faz tempo, hoje é apenas mais uma coroa desgovernada) quer mandar no que condomínios particulares fazem em suas dependências em nome de uma privacidade que ela mesma não faz a menor questão de manter, senão não noticiaria idas à praia, à academia, quantas águas de coco bebeu por dia, etc, etc, e nem fecharia o trânsito de quarteirões inteiros, com a patética colaboração da "Prefeitura da Ordem" do Sr. Eduardo Paes, somente para ir jantar com o namorado.

E como nada pode ser tão detestável que não possa piorar, a matéria ainda dizia que "Os assessores da material girl, inclusive, já entraram em contato com a equipe de Beyoncé para definir os detalhes do jantar entre as divas, que deve ser terça à noite".

Madonna e Beyoncé jantando na Zona Sul do Rio de Janeiro? Podem matar o Obama e toda a cúpula européia nesse mesmo dia, que a imprensa não vai querer nem saber.

Relevante mesmo só o que for totalmente inútil.
 
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