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Como agir como um perfeito cretino e ainda dizer que tem razão

Postado em 10 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Seja um defensor dos animais, dos partidos de esquerda (o que dá quase no mesmo), da comissão da verdade, da legalização da maconha, da “causa gay”, do estado laico ou do que for, basta seguir um modelo de comportamento bem simples que você será um militante de primeira e estará pronto para participar de qualquer debate em fóruns da internet.

Sempre que se deparar com a figura ameaçadora de um não-doutrinado, comece dizendo a ele suas idéias. Explique tudo o mais detalhadamente possível e seja didático, de preferência tratando o outro como se fosse uma criança de 7 anos numa aula de pintura em guache.

Quando terminar sua explanação, dê espaço para que ele diga o que pensa, mas caso ainda assim a resposta não seja uma “verdade, você tem razão”, afirme que ele não te entendeu bem e que talvez seja esse o motivo de discordar de você. Reinicie então a explicação inicial - repetindo tudo o que já disse - só que desta vez tratando-o como se fosse uma criança de 3 anos que misturou o cocô com a massinha e está fazendo um boneco do Saci Pererê.

Na eventualidade do sujeito teimar em discordar, chegou a hora de assumir um tom mais professoral e dizer a ele para se informar melhor, ler mais ao invés de assistir BBB, enfim, implicitamente sugerir que ele seja menos ignorante e estude mais, porque com toda certeza se ele tivesse uma capacidade intelectual e uma bagagem cultural como a sua, ele concordaria contigo.

Este é um momento crucial, pois ele pode te lembrar de coisas inconvenientes e sem importância, como o fato de fazer parte da mesma turma que a sua na faculdade ou de ter uma formação melhor. Não desanime, basta dizer que o problema é que ele utiliza mal o que sabe, ignorando questões importantes, se deixando influenciar pela Globo e adotando uma postura de burrice voluntária, precisando abrir mais a mente.


É possível que todas essas inferências à suposta estupidez do seu interlocutor e uma ou outra afirmação de que ele “fala merda demais” faça com que ele fique um pouco na defensiva, bem, nesta hora o seu debate está prestes a virar um embate e aí você fica liberado para deixar toda a sua suavidade revolucionária de lado e endurecer sem nenhuma ternura.

Mas antes de incorporar o Maçaranduba Guevara, faça uma última tentativa de estabelecer a paz e melhorar o clima debochando do que ele diz, sugerindo que ele seja um gorila direitista, um fascista caricato ou mesmo enumerando algumas das suas características físicas "muito" pertinentes ao tema como "cabeção" e "orelha de abano".

Se ainda assim não funcionar, é hora daquele argumento destruidor: diga que ele é um grandessíssimo filho da puta, escroto, cara de cu, que caga pela boca e provavelmente é viado.

Torça para ele responder que viado é você, porque este é o momento exato de se fazer de ofendido e dizer coisas como “e se eu fosse, qual o problema, você é homofóbico também?” ou então “olha aí, me chamou de viado, não sabe argumentar, perdeu a razão!”.

E finalmente, já que a conversa descambou para a briga de puteiro mesmo, chame alguns amigos para xingar o cara, acuse-o de ser neo-nazista, fã de Sertanejo Universitário, diga que a avó dele certamente trabalhou num bordel como amante de Goebbels e o ameace de dar umas porradas na rua.

Provavelmente depois de tudo isso ele vai baixar o nível também, então você poderá dizer com toda a calma do mundo e aquele ar zen que aprendeu a fazer quando foi fumar maconha numa rave na Bahia:

- Tá vendo? Desde o início sabia que debater com alguém como você ia acabar em baixaria.

Marx no capitalismo dos outros é refresco

Postado em 3 de abr. de 2012 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários


Pedrinho estava revoltado, sua raiva era tanta que ele seria capaz até de jogar seu iPhone na parede, caso ainda tivesse um. Aliás, o motivo da revolta era justamente esse: seu progenitor resolveu confiscar o mimo eletrônico, entregando-lhe um cartão para ser usado no orelhão em caso de necessidade.

Bem nascido, frequentador da trinca colégio particular-cursinho de inglês-férias na Disney, Pedrinho ficou embasbacado quando começou a ter aulas de história no Ensino Médio com o Professor Zeca, um porra louca que morou numa comunidade hippie, é socialista, filiado ao PSOL e odeia a burguesia, ainda que não dispense o salário bem acima da média que aquele colégio de burguês paga.

Nas suas aulas Pedrinho aprendeu que o capitalismo é praticamente coisa do demônio, que a burguesia fede, que a elite é insensível e que a classe média tem nojo de povo. Ficou com tanta raiva quando descobriu isso que quase pediu para deixar de ir de carro com motorista pra escola, mas desistiu quando viu como os ônibus vivem lotados e não têm nem um mísero ar-condicionado.

Em compensação colou um adesivo do PCO no pára-choques do Peugeot da mãe, já que o PSOL é muito light pro seu gosto. E tudo ia correndo desse jeito até que o pai dele resolveu dar um basta naquilo.

Acampar na praça tudo bem. Andar com aquelas roupas com aparência de que não eram lavadas desde Woodstock, OK. Mas usar o cartão de crédito para fazer assinatura da Carta Capital foi demais.
  

Só que a dolorosa perda do iPhone não foi nada comparado às privações de fazer inveja à protagonista de novela mexicana que o rapaz estava sofrendo.

O computador (iMac, claro) foi retirado do seu quarto. A TV da sala ganhou uma senha para os canais a cabo, deixando o nosso Che Guevara da Apple Store com acesso somente à Globo, RedeTV!, SBT, Band e Record, sabe como é, essas emissoras do populacho.

Seu armário foi trancado a cadeado e o informaram que teria R$50,00 para gastar em roupas e sapatos. Podia escolher uma loja de mercado popular ou um bazar de igreja, tanto faz. O ar-condicionado do quarto foi substituído por um ventilador de 30cm, que só funcionava durante 6 horas por dia, já que a energia seria racionada.

Junto com o cartão telefônico também ganhou um vale transporte com carga suficiente para metade dos dias do mês. O rapaz poderia escolher ir e voltar da escola de ônibus durante 15 dias ou fazer um dos trechos a pé.

Em casa a empregada foi instruída a só fornecer o que continha numa caderneta de racionamento, que listava uma cota mensal de 12 pãezinhos, meia dúzia de ovos, 200gr de carne moída, 100gr de sardinha, 2 latas de salsicha, um envelope de sopa de pepino em pó e um pacote de biscoito de maizena. Fora das quantidades listadas, nada mais seria fornecido.

Para terminar o pai estabeleceu que qualquer deslocamento que ele tivesse que fazer a mais de 100km de casa deveria ser autorizado previamente. Passeio na casa do avô em Campos do Jordão ou churrascos de final de semana na casa do tio em Búzios entravam nessa restrição. Um formulário com 30 páginas deveria ser preenchido com 30 dias de antecedência e a resposta seria dada em 60 dias úteis. Tal qual cubanos precisam de permissão para deixar o país, frisou o pai.
 
Não aguentando mais aquela vida de cão, ele resolveu juntar todo seu furor revolucionário e exigir sua antiga vida de volta. Expôs toda a humilhação, falta de conforto e indignidade de tudo o que estava passando e obteve como resposta uma declaração simples:

- Ué, você não é comunista? Só estou te dando a vida que você deseja para os outros.

O garoto ouviu aquilo e saiu dali correndo. Foi procurar as camisas do Che, as fotos do Fidel e os Grundrisse do Marx para botar fogo o mais rapidamente possível.

O Brasil é assim, muito legal, sabe? Menos nas férias

Postado em 12 de jan. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Nunca entendi essa turma muito bem definida pelo Antônio Prata como "meio intelectual, meio de esquerda". Sério, porque até desculpo o gosto deles por botequins imundos, afinal é uma opção pessoal, mas o que me deixa meio intrigado é a preferência deles por transformar o mundo num botequim ruim.

Pode notar: sempre que alguma prefeitura de qualquer lugar do Brasil resolve ordenar alguma área, eles aparecem. Se é uma operação para coibir camelôs, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer destruir o "comércio popular".

Se é uma ação para transformar algum pedaço de chão chamado de "Cracolândia" num conjunto de praças e prédios, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer fazer uma gentrificação da área.

Quando a polêmica gira em torno da remoção de alguma favela, bem, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer promover higienismo. Se for retirada de população de rua, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer atentar contra o sagrado direito de morar e defecar na calçada.

Se é para coibir a prostituição em algum rua, claro! Será o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques querendo sequestrar nossas prostitutas para trabalhar como missionárias mórmon nos EUA.

É curiosa essa fixação deles pela manutenção do lixo, ratos, depententes químicos, barracos, valas negras, prostituição, como se fossem bens antropologicamente intocáveis. Afinal, se isso é que faz o Brasil ser Brasil,  essa "mistura" que deu certo (???), a terra da "tolerância", porque não deixar como está?


Gente boa, esclarecida, assim "meio intelectual, meio de esquerda", curte é pobreza, mas não o pobre que trabalha na portaria do seu prédio ou o que lava o seu carro importado em troca de 5 reais, tem que ser aquela pobreza alegórica, de pés no chão, casa de sapê, aquela coisa vanguardista, social, engajada.
 

Um lixão jamais pode deixar de existir, favelas então nem pensar, afinal, rendem umas fotos maneiras, uns curta-metragens legais para apresentar por aí em algum festival. Gera debate e, acima de tudo, proporciona uma forma deles se mostrarem moralmente superiores aos outros (esses insensíveis que não curtem lixo na calçada, vala negra, essas coisas tão brasileiras).

Imagina só: sem uma favela para comer uma feijoada e bater palmas num "samba de raiz", como essa gente ia se mostrar assim...de raiz? Como iriam esfregar na cara da sociedade elitista que eles são tão bons que até se misturam com o populacho? Claro que na hora de fazer um mestrado eles preferem a Europa, afinal, virar advogado com diploma de uma faculdade de fundo de quintal financiado pelo crédito educativo é coisa de pobre metido a besta e eles não são nem uma coisa nem outra.

Mas quando voltam da Europa eles chegam cheios de saudade. Correm logo pro botequim pra se empanturrar com caipirinha e farofa, botam o CD de forró pra tocar sem parar no Citröen, se envolvem com alguma ONG que luta contra a construção de um shopping center onde antes existia um cortiço e se dedicam sem pausa à manutenção de todas essas coisas tão legais que fazem o Brasil ser Brasil, como trocar o Halloween pelo Dia do Saci.

Porque o Brasil é assim, muito legal, sabe? Menos nas férias, porque aí eles vão visitar os velhos amigos que fizeram durante o mestrado na Europa.

O revolucionário de shopping center e o mendigo da praça

Postado em 1 de dez. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Os jovens do mundo estão possessos. Ocuparam praças e exigem: que caia o sistema! E um dos companheiros já estava acampado ao lado daquele chafariz há três semanas. Deu sorte, já que não ficou perto do exaustor da pizzaria. Todo mundo que montou a barraca ali acabou ficando com cheiro de fetuccini.

Ele estava indignado. Muito.

Sabe como é, a fome na África, os magnatas cada vez mais ricos, os impostos sobrecarregando o preço do iPad, o fato de terem colocado maçã como acompanhamento do Mc Lanche Feliz, a fome na África, a fome...bem, muita coisa pra ficar indignado e ainda por cima tinha a Daniela, aquela riponga do terceiro período da faculdade que prometeu que ia dar uma indignada com ele na barraca caso ele a ajudasse no Occupy a Praça.

A única coisa ruim era essa tenda apertada. Pediu dinheiro pro pai para comprar uma com ar-condicionado e frigobar mas quando o burguês progenitor soube o motivo, o mandou ir ocupar a putaquepariu.

Se ainda fosse um resort em Maresias ou Búzios, mas acampar? Numa praça?

Pegou emprestado a cabaninha da Turma da Mônica da irmã mesmo.

Chegou cedo, montou tudo ao lado do tal chafariz (o pessoal da "acampada" brincava dizendo que ali era a Ipanema da praça, a Vieira Souto dos indignados). E repetiram tanto a brincadeira que a turma do Chafariz resolveu parar de andar com a do exaustor, sabe como é, não iam se misturar com aquela ralé fedendo a queijo ralado.

A turma do exaustor por sua vez até pensou em fazer uma ocupação dentro da ocupação e invadir o chafariz, mas deixaram pra lá, afinal Vieira Souto é coisa de burguês.

Nesse dia ele já estava meio de saco cheio da barraca da Turma da Mônica e pensou seriamente em protestar contra aquela situação, recorreria a uma ameaça: enquanto não ganhasse uma barraca nova em formato de iglu não sairia mais do acampamento todo dia para ir em casa tomar banho e comer sucrilhos no café da manhã e nem passaria mais fio dental.

Ia se banhar no chafariz junto com o populacho e tomaria a revolucionária decisão de negligenciar sua higiene bucal. Mas a revolta tinha que ficar para o dia seguinte, já que a riponga deu um toque nele que essa noite ia passar lá na barraca para eles descabelarem o Che Guevara.


Participou o dia inteiro de reuniões importantíssimas onde votaram uma moção de repudio ao Kadafi (que devido à falta de consenso só pode ser aprovada depois que o povo líbio já tinha liquidado o ex-coronel com um balaço) e deixaram bem encaminhada (depois de 11 horas de importantes deliberações) uma declaração de apoio à Trotski contra os stalinistas.

Saiu dali cansado de tanto trabalho, mas ainda conseguiu correr para comprar um vinho e uns pedaços de queijo de Minas (preferia camembert, mas a riponga poderia achar isso coisa de almofadinha).

Estava tudo preparado quando alguém o chamou do lado de fora da barraca. Era um companheiro de acampamento, trazendo pela mão um morador de rua.

- Beleza, companheiro, tudo bem? Será que você pode acolher o companheiro mendigo aqui na sua barraca?

- Pô, cara, essa barraca é minha e já está apertada...

- Mas companheiro, é justamente contra isso que nos indignamos! O sistema é apertado!

E por aí foram, um defendendo seu direito à propriedade da tenda da Turma da Mônica e o outro querendo fazer a reforma social naquele metro e meio quadrado de pano.

Depois uns 20 minutos de deliberação sem a "construção de um consenso",  o cara resolveu se abrir:

- Sabe o que é? Ele ia dormir na minha barraca, mas é que a Daniela, sabe quem é? Uma hippiezinha? Então, ela vai dar uma passada lá hoje e o mendigo vai atrapalhar...

- Pera aí, mas a Daniela disse que ia na minha barraca hoje!

- Nessa pobreza de Turma da Mônica aí?

- Pelo menos é no Chafariz...

- Melhor uma barraca espaçosa perto do exaustor da pizzaria do que um cubículo nessa Vieira Souto de araque, seu burguês!

E começaram a sair na porrada ali mesmo. Enquanto isso, o mendigo foi embora procurar um abrigo da prefeitura.

Lá é menos animado, mas pelo menos ele ganha uma sopa.

A estatização do Canecão foi um show...de incompetência.

Postado em 5 de set. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

No Brasil falar em privatização pega mais mal do que dizer que o Maradona foi melhor do que o Pelé.

Aos olhos de muita gente, privatizações nada mais são do que tubarões do poder econômico se utilizando de governantes "entreguistas" para se apoderar daquilo que era do estado, logo, "do povo".

Esquecem que no país da economia estatal, hoje não teríamos mais telefones celulares do que habitantes. E isso é apenas um exemplo de como o tripé iniciativa privada-concorrência-fiscalização pode fazer bem a qualquer atividade.

Mas pra quem ainda duvida disso, conheço um belo exemplo prático acontecendo no Rio de Janeiro, que é a história do Canecão, uma das mais antigas casas de espetáculos da cidade.

Depois de 40 anos de "luta", a Universidade Federal do Rio de Janeiro conseguiu recuperar o terreno em que foi erguido o Canecão. O reitor comemorou a "retomada do espaço", os alunos comemoraram, a guerra finalmente foi vencida e todos puderam dizer "o Canecão é nosso!".

Uma notícia publicada no site G1 no dia 10/05/2010 contava tudo em detalhes. Os defensores do patrimônio público tinham vencido mais uma contra os entreguistas.


Só que no dia 20/12/2010, ou seja, pouco mais de sete meses após a reconquista do território, uma reportagem do jornal O Globo mostrava que o Canecão estava "abandonado e sem previsão de reabertura".

Procurado pelo jornal, o diretor de gestão patrimonial da UFRJ declarou que "este assunto passa por várias instâncias da universidade até que se decida o que vai ser feito com a casa. Diversos setores serão consultados para se chegar a um consenso, que será submetido aos órgãos colegiados da universidade".

Ou seja, tudo o que o poder público sabe fazer de melhor: abandonar imóveis, deixar um patrimônio subutilizado e formar comissões para estudar o assunto. De efetivo, nada.

No meio de 2011, ou seja, mais de um ano depois, o Canecão continuava lá: esperando os "consensos" dos "colegiados". Show mesmo só dos ratos passeando pelos entulhos.

Assim, onde antes existia um estabelecimento que promovia a cultura e a economia da cidade, hoje existe um galpão abandonado no meio de um terreno baldio, mas pelo menos o terreno agora "pertence ao estado".

O Canecão assim foi tomado das mãos dos "porcos capitalistas" para ser transformado nisso nisso aí: mais um exemplo do porque o poder público não existe para controlar telefonia, TV a cabo, lanchonetes, aeroportos, carrocinhas de pipoca e nem casas de show.

As ratazanas que hoje moram no que foi o velho Canecão também devem detestar privatizações.

A Comissão

Postado em 8 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Todo mundo reunido no diretório (mas poderia ser sindicato ou partido ou clube ou assembléia ou qualquer outra reunião que tenha malas-sem-alça presentes) e eis que surge a proposta:

- Precisamos formar uma comissão!

- Mas qual o objetivo?

- Justamente isso, precisamos definir os objetivos dessa comissão primeiro.

- Tudo bem, vamos então formar uma comissão para decidir quais os objetivos da comissão que queremos formar, beleza?

- Beleza, mas como vamos escolher os membros da comissão?

- De qual das duas? Da comissão principal ou da comissão que vai decidir os objetivos da comissão principal?

- O da que vai decidir os objetivos, porque não adianta nada formarmos a principal sem saber pra que ela vai servir, não é?

- É verdade, então vamos primeiro formar a comissão do objetivo.

- Tá, mas como vamos formar essa comissão? Quem vai fazer parte dela?

- Não sei, a gente pode formar uma comissão que vai decidir como vamos escolher os membros da comissão que vai decidir os objetivos da comissão principal, é o caminho mais democrático.

- Isso é. Não podemos impor nada a ninguém.

- De forma alguma, inclusive a última vez que tentaram isso foi todo mundo parar na comissão disciplinar.

- Cruz credo, tenho pavor da comissão disciplinar, você chega ali e eles ficam anos ali votando resoluções, mas nunca concluem nada.


- Melhor não se meter com eles. Mas então, vamos formar a comissão que vai decidir como vamos escolher os membros da comissão que vai decidir os objetivos da comissão principal?

- Vamos sim, precisamos fazer isso pra ontem, senão essa comissão principal não sai e a gente não consegue lutar por nossos objetivos.

- Mas pera aí, se não formamos a comissão para definir os objetivos, como é que você pode já estar falando em lutar por eles? Tá querendo passar por cima dos companheiros da comissão do objetivo?

- Claro que não! Só dei um exemplo lúdico para ilustrar como precisamos correr para escolher os membros comissão que vai decidir os objetivos da comissão principal, porque senão saímos daqui sem decidir nada.

- Tá, mas quem vai fazer parte dessa comissão que vai decidir quem serão os membros da comissão que vai decidir os objetivos da comissão principal?

- Não sei, acho que só mesmo formando outra comissão...

- Porra, mas não temos gente pra preencher tantas vagas.

- Como não? Cadê todo mundo?

- Metade está ali dormindo, a outra metade foi embora pro bar.

O assunto mais mala do mundo (ou não)

Postado em 3 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Rolou a maior confusão no Twitter, ainda que frente ao aspecto "feira de peixe" do microblog isso pareça redundante. E se o site como um todo é local de habituais confusões, o nicho brasileiro dele é uma verdadeira penteadeira de puta.

Todos os joguinhos, correntes, piadas toscas e cacoetes da geração O.L.H. (Orkut e Lan House) estão presentes ali. Tudo isso e, claro, as polêmicas (mamilos!).

Tenho certeza que se fizessem a menor idéia de onde tudo isso ia parar, os ancestrais da raça humana jamais teríam saído das cavernas. Mas vamos lá.

O novo novo motivo para a mamilização (polêmica!) do Twitter é o tal "Orgulho Hétero", xiiii!, confusão na certa. Pouca coisa é tão militante quanto gays e simpatizantes. Nem uma zonal do PT concentra tantos xiitas quanto na tal militância gay. Se você acha exagero, experimente discutir com militantes da tal "causa gay", defensores de cotas, associações de favelas, antropólogos e lésbicas vegetarianas e você conhecerá o que é terror e pânico ideológico.

Mas tudo bem, como ainda não vivemos na democracia "deles", "eles" ainda podem se manifestar. Caso o mundo ideal "deles" já fosse o real, bem, você teria que ser cotista-quilombola-antropólogo-defensor-duzoprimido-lésbico-vegetariano para poder falar alguma coisa.

Brancos, héteros, de classe média são meio que a Geni. Só prestam para tacar pedra, bosta e dar dinheiro para sustentar a profusão de ONGs e parasitas que só a esquerda pode nos proporcionar. É aquela velha história, "são reacionários, retrógrados, insensíveis e malditos, mas os quatro meses de trabalho por ano que pagam em impostos são muito bem vindos".


E no meio da tal polêmica sobre o "Orgulho Hétero" no Twitter, uma coisa me chamou a atenção: defensores da "causa gay" (o dia que conseguir levar a sério tiro as aspas) atacavam a idéia com argumentos como "são enrustidos", "orgulho hétero não dura três tequilas", "isso é gente que queria dar", "é coisa de crente da bunda quente".

Imagine você, que conseguiu me ler até aqui sem despertar o Che Guevara adormecido dentro de você e começar a me xingar, se presenciasse o seguinte diálogo:

- Boa tarde, você quer ajudar a nossa causa assinando essa petição pela lei da homofobia?

- Não, não quero.

- Você então é a favor do espancamento e discriminação de homossexuais?

- Não, não sou.

- E porque não assina?

- Porque você não é gay nada, cara, você só diz isso porque não bebeu uma sangria, não está doidão na noitada com uma loira siliconada boazuda no colo, na boa, pára com essa merda de gayzice que isso não existe.

- Existe sim, meu amigo, saiba que sou gay assumido e orgulhoso.

- Orgulhoso de quê? De não sair do armário? Corta essa, eu sei que isso tudo aí é fachada, teu negócio é uma mulherzinha pelada na cama...

Aposto que ia rolar uma certa confusão, afinal de contas, seria um "a-b-s-u-r-d-o" considerar um cara gay como apenas um "hétero até que se prove o contrário", mas o "versa" desse vice-versa vira argumento engraçadinho em discussão.

Pra mim esse papo de "Orgulho Hétero" x "Orgulho Gay" é o novo "100% Negro" x "100% Branco", ou seja, um verdadeiro duelo de titãs pelo título de assunto mais mala do mundo.

Só perde mesmo pra um debate entre lésbicas vegetarianas e antropólogos carnívoros, se é que isso existe.

Já fui a Nova York, claro, mas sou mais assim, de esquerda

Postado em 13 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Um fenômeno estranho acontece com seres humanos, não sei se em todo o mundo, mas em boa parte do mundo que eu conheço, que é a nostalgia de coisas que passaram e, algumas, até de um período que o próprio nostálgico nem viveu, mas "sabe" que era muito bom.

Em "Meia Noite em Paris", o Woody Allen fala sobre isso muito bem. O protagonista é um roteirista que se lamenta por não ter vivido na capital da França durante os anos 20, considerados por ele como a "era de ouro". Só que quando finalmente conhece uma estudante de moda que viveu nesse período (não pergunte como, veja o filme), ele descobre que, para ela, a "era de ouro" não estava nos anos 20, período que considerava "chato e sem criatividade", e sim na Belle Époque.

Cada um nostálgico daquilo que não viveu.

Tudo isso não faz muito bem, afinal, não devemos desprezar tanto o tempo em que vivemos, ainda que eles sejam muitas vezes desprezíveis.

Mas até aqui só falei de arte, da Belle Époque, da Paris de artistas e filmes. O que dizer então de pessoas que sentem nostalgia por Gulags, expurgos, guerrilheiros e ditadores barbados fazendo discursos de 8 horas?

Nunca entendi muito bem o esquerdista de butique. Na verdade até entendo, mas confesso que não engulo muito.

Todos preocupados com a justiça social, com o direito à propriedade de quem invadiu terrenos em favelas, com os quilombolas, os oprimidos, os discriminados e, claro, o aquecimento global.

Nada contra acabar com a fome do mundo, diminuir desigualdades, respeitar diferenças, blá blá blá.

Mas esse pessoal  é o mesmo que dá um chilique se ouve uma piada que considera "racista" ou "homofóbica" mas declara em pleno almoço de domingo que adoraria ver "Bush e toda a sua família serem mortos numa jaula de javalis".

É um povo intelectualizado mas que prefere ler uns resumos na Super Interessante do que se debruçar sobre um livro, senão pode faltar tempo pra ir beber um ice na loja de conveniência com a turma do condomínio.


Curtem uma sandália de couro, um forró pé de serra e são completamente "de raiz", tudo pra justificar o hábito de fumar um baseadinho de vez em quando, já que a maioria só pisou no Nordeste quando foi num resort em Porto de Galinhas ou no Carnaval em Porto Seguro.

São comunistas roxos, possuem toda a obra de Marx pronta para ler no iPad, mas ainda não conseguiram passar da primeira linha, porque preferem usar o tablet pra ver os episódios antigos de Gossip Girl.

Admiram Cuba e fazem questão de repetir para qualquer um que ouse chamar o regime castrista de ditadura que "não existem crianças de rua e nem analfabetos" na ilha. Esquecem do resto, mas o que é o "resto" para alguém que acha Che Guevara um herói, ainda que ele executasse pessoas por motivos tão sérios quanto roubar um pedaço de pão?

É um pessoal assim, meio de esquerda, pero no mucho sabe? Eles não chamariam o moleque de rua que eles defendem quando rouba o dinheiro de uma aposentada para tomar banho na piscina da casa deles, por exemplo.

E entre um período em Miami (o mais perto que já chegaram de Havana) e uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para combater doenças na Somália, eles não hesitam em levar seu espírito revolucionário ao encontro do Mickey Mouse, com um pulinho para compras em Nova York se possível.

Já estudaram fora, moram em bons bairros, possuem todos os bens de consumo que o dinheiro pode comprar, falam inglês, francês e quando resolvem entrar pro mercado de trabalho, arrumam logo uma bolsa do governo ou um trabalho numa ONG, mas no entanto detestam elite e chamam todo mundo de "burguês".

Sua vontade de mudar o mundo é tanta, que não hesitam em participar de eventos do Facebook e de campanhas pelo Twitter. E sentem que o mundo capitalista treme nas bases quando lê coisas como:

"Ianques go home! Morte à #Burguesia! Proletários: uni-vos! - 

Cale-se! É para o seu bem.

Postado em 13 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

"De todas as tiranias, uma tirania sinceramente exercida para o bem de suas vítimas pode ser a mais opressiva. Pode ser melhor viver sob barões ladrões do que sob moralistas onipotentes. A crueldade do barão ladrão pode às vezes adormecer, sua cupidez pode em algum ponto ser saciada; mas aqueles que nos atormentam para nosso próprio bem nos atormentarão sem cessar, pois eles o fazem com a aprovação de sua própria consciência." (C.S.Lewis)

Vivemos em tempos muito estranhos. A idéia de um mundo globalizado e sem fronteiras terminou por produzir uma sociedade com fixação em homogeneidade.

É feio pensar diferente, é feio achar qualquer coisa que o "resto" das pessoas não ache. Isso já seria um problema caso a coação ao antagônico fosse apenas a boa e velha pressão social difusa, só que o buraco é mais embaixo, porque em países com menos tradição democrática como o Brasil, corre-se logo para criminalizar tudo o que destoar do que é considerado "bom".

Nossa sociedade vem sendo bombardeada ultimamente com dois dos assuntos mais caros à tropa do "bem" - essa gente boazinha que procura livrar a sociedade de uma perigosa liberdade que seja muito incômoda - que são a luta pelo desarmamento e contra a tal "homofobia".

Essas duas bandeiras são muito boas para demonstrar como o monopólio do "bem" e da "diversidade" pode ser tão perigoso quanto tanques, fuzis, coturnos e censores, afinal, se eles são "bons" e só querem o "bem", aquele que pensa diferente só pode ser, por associação, o "ruim", que quer o "mal".

Dessa forma, retira-se do outro até mesmo o direito de contra-argumentar.

Ninguém normal acha que todo mundo deva andar armado por aí dando tiros em quem bem entender. Ninguém com a mente equilibrada pensa que um homossexual deva levar uma surra só porque gosta de se relacionar com outro homem. 

Mas muita gente boa (e normal) acha que um cidadão que cumpra certas exigências e seja objeto de fiscalização por parte do governo pode possuir armas, e também que homossexualismo não é algo que esteja de acordo com a sua idéia de "viver bem".

Tudo isso seria muito normal num ambiente democrático, mas o Brasil padronizado pelo esquerdopatismo não funciona assim. Você precisa pensar igual ou pelo menos repetir que pensa igual (ainda que, internamente, não concorde), caso contrário será alvo de perseguição e, quem sabe, até de projetos de lei.

Pergunte a qualquer pessoa que conviva num ambiente universitário o que acontece se alguém defender ali idéias conservadoras, que o pessoal do "bem" chama de reacionárias. Será alvo de deboche, escárnio, indiferença e, finalmente, de ofensas. O sujeito pode até pensar aquilo, desde que não diga nada.

Criamos uma nova espécie de "armário", o ideológico. E ai de quem sair desse armário.

Se alguém acha que gays têm direitos como todo cidadão, mas não acha "bonito" ser gay, é homofóbico.

Se alguém acha que um eventual desarmamento só desarmaria gente que normalmente não comete crimes, deixando armada apenas a bandidagem - que é abastecida com armas que passam pela fronteira negligenciada pela Polícia Federal e pelas Forças Armadas - com certeza é um maníaco a favor do "assassinato de inocentes".


Qualquer um pode discordar da opinião dos outros, pode considerá-la perversa, degradante, errada, equivocada, mas ninguém tem o direito de cercear a liberdade desta pessoa emiti-la apenas em nome de um conforto social, de um higienismo intelectual.

Se alguém diz que não gosta de gays, que não gosta de negros, que é a favor do porte legal de armas ou que apóia uma missão terrestre de invasão à Marte, sua idéia será filtrada naturalmente no campo do que é plausível, aceitável e digno de atenção e, se for o caso, o ostracismo será seu destino.

É uma seleção natural de idéias, onde tudo aquilo que for tosco, será relegado a um gueto minoritário, que nem por isso deixará de ter o direito de existir e dizer o que pensa. Isto é o que se chama liberdade e não o direito de um grupo (majoritário ou não) de só ouvir o que gosta.

Se um sujeito destes agredir um homossexual, injuriar um negro, atirar em alguém ou se amarrar num foguete para tentar chegar à Marte, as leis irão ao seu encontro, levando-o a pagar multas, ser preso ou então a se esborrachar no chão, já que a gravidade também é uma lei.

Em 2005 o Brasil realizou uma votação onde mais de 60% dos votantes achou que não era uma boa idéia proibir o comércio de armas no país. Hoje, menos de 10 anos depois, tenta-se realizar nova votação.

A idéia parece ser perguntar ao povo a mesma coisa até que ele finalmente diga o que eles querem ouvir. Hugo Chávez tem experiência nisso, os petralhas e a turma do "bem" parecem ter aprendido com ele.

O que não entendo é que, já que a população é tão sábia, porque não submeter à ela opções sobre a reforma política, reforma tributária, novo Código Penal, maioridade penal, descriminalização do aborto, entre outros temas?

Porque não criamos um plebiscito revogatório no meio de todos os mandatos, onde os eleitores poderiam decidir se o indivídio encastelado no poder teria direito à outra metade do mandato ou se seria mandado sumariamente para casa?

Simples: porque essa gente só gosta de ouvir o que quer e só aprecia a democracia e a liberdade enquanto podem controlá-las. Por isso a ânsia por leis que criminalizem a opinião está tão na moda no Brasil.

Um sujeitinho que representa bem esta linha de pensamento é o presidente da UBES (Uma associação de estudantes secundaristas), Yann Evanovick, que disse a seguinte pérola:

- "Não dá pra se falar o que quer, algumas opiniões são crimes".

Isto mesmo, segundo esta mente brilhante - e que não está sozinha nesse pântano que é o campo das idéias no Brasil - a opinião deve ser rebaixada ao mesmo nível de um assassinato, de um estupro, de um estelionato, de corrupção (tipo a dos mensaleiros do PT, que a mesma UBES ignora a existência). Já não lhes basta aparelhar o estado, querem agora a nossa mente.

Uma opinião é incômoda? Proíba-se a opinião! Um louco sai por aí atirando nas pessoas? Proíba-se as armas!

Nessa levada, qualquer dia a sua liberdade se restringirá a decidir qual sabor de sorvete você prefere (desde que não tenha gordura trans, é claro) e facas, chaves de fenda, martelos, alcool e fósforos, tesouras e até bicicletas terão sua comercialização proibida, já que a rigor qualquer coisa pode ser usada para ferir e matar outra pessoa.

No final disso tudo, só quem morre mesmo é a liberdade.

Malditas elites!

Postado em 26 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 23 Comentários

Imagine uma cena: alguém está caminhando na rua voltando da praia, está descalço e anda apressadamente porque o chão está quente, de repente o chão fica mais quente ainda e curiosamente mais mole, a pessoa olha pra baixo e constata que atolou o pé num monte de bosta de cachorro.

Muito bem, na cabeça do Brasil "progressista", "humanista" e "gente boa" essa cena tem duas explicações possíveis. Se a pessoa que atolou o pé na m* for um flanelinha que estava tomando conta de carros - leia-se: extorquindo proprietários de veículos - o monte de merda só pode ser de algum cachorro de madame insensível (prepare-se, essa palavra vai aparecer muito neste texto), que mora num prédio chique e acha que as calçadas são banheiros do seu totó que escandalosamente deve ser mais bem tratado do que muita criança pobre e que não liga para o sofrimento do povão, que é obrigado a andar descalço porque não pode comprar um sapato.

Porém, se quem pisou na bosta for uma patricinha moradora de um prédio de "classe média" e ela reclamar, com certeza o cachorro deve ser algum vira-latas de um "menino de rua", que não tem nada na vida além da companhia do doce cachorrinho, e a cena serve pra mostrar como a mocinha é insensível porque acha que o seu "pé da elite" não pode pisar na merda de um cachorro de alguém do "povo" e, claro,  é bem feito que tenha acontecido isso para ela ter noção da realidade.

Pensei nessa historinha no dia em que disse no Twitter que estava acompanhando a passeata de militantes de José Serra durante a campanha eleitoral, e inocentemente me referi a eles como "gente do bem", me aproveitando do slogan da campanha "Serra é do bem". Pra que!? Bastou que eu dissesse isso que logo veio uma "progressista", "humanista" e "gente boa" me repreender: "gente do bem não, gente de bens".

Digamos que só estivessem presentes ali milionários que chegaram de helicóptero - o que obviamente é apenas um exagero meu, mas que fosse - por acaso essas pessoas teriam menos direito de expor suas opiniões e preferências políticas?


Lembro disso também quando ouço qualquer discussão sobre o estado de caos, desordem e violência em que o Rio de Janeiro encontra-se permanentemente afundado. Entre todos os bordões esquerdóides dignos de um vômito como "favela não é problema, é solução", "isso só incomoda quando afeta a elite" ou então "bandidos mesmo são os de gravata", os que mais me enojam são especialmente dois: "quero ver invadir condomínio de rico" e "é bom pra essa classe média insensível ver a realidade".

Acho isso tudo incrível porque quem diz isso deve morar em outro lugar que não o Rio de Janeiro, onde a "realidade" infesta os morros de barracos, as ruas de flanelinhas, camelôs, pivetes, mendigos, uma cidade que se inunda de "realidade" em cada chuva pesada que cai, em cada transporte coletivo medíocre que oferece aos seus habitantes, em cada quilômetro de engarrafamento infernal, enfim, essas pessoas dizem isso como se a tal "realidade" não batesse diariamente à porta das pessoas, independente delas quererem vê-la ou não.

Quem vive no Brasil convive com pobreza, miséria, feiúra, impotência diante de absurdos variados o tempo todo, mas só quem reclama disso são pessoas de "bens".

Aliás, só quem é rico e não é "insensível" na cabeça dessa gente são os traficantes do morro - cheios de dinheiro por conta da venda do pó - esses são "vítimas" da "insensibilidade" (eu avisei que a palavra apareceria ad nauseam) da "classe média" que os esqueceu.

Incrível também que a "elite insensível" seja aquela que pague os impostos mais altos do mundo, taxas imorais, cobranças em cascata, sem receber nada em troca, e ainda assim seja sacudida de cabeça pra baixo de tempos em tempos para "fazer sua parte" e doar mais, mais, mais em "Crianças Esperanças", "Teletons" e outras campanhas do gênero.

Com tudo isso, esta ainda é a parcela da sociedade a quem é negado até mesmo o direito de se indignar, de se expressar, de exigir algum direito.

Pra ser "bom" no Brasil, pelo menos na visão da turma "progressista", que chama ironicamente os que discordam deles de "elite" e "gente cheirosa", você precisa gostar do fedor, da feiúra, de pisar na merda ou pelo menos aturar tudo isso quieto, não esquecendo de pagar a conta, é claro.

Querer remover favelas é "higienismo", combater a mendicância é "eugenia", não ficar satisfeito com a festa da ilegalidade de camelôs, flanelinhas, vans et caterva é ser "contra pobre", pretender que seus impostos vão para algo além de um imenso buraco negro de ineficiência estatal e assistencialismo barato é ser "insensível".

Uma pessoa que queira uma cidade limpa, bonita e livre de pragas urbanas é ruim. Quem gosta (ou finge que gosta) de viver num lixão a céu aberto que mais parece cenário de um daqueles filmes "Mad Max" é bom.

Tem quem defenda tudo, desde que "traficante também tem família pra sustentar" até maconheiros "do bem", e também faveleiros profissionais, pobristas que lucram com a miséria que dizem combater e, claro, políticos que tem um belíssimo curral eleitoral nessas zonas de desordem e ausência de condições reais de dignidade.

E tome urbanização, teleférico, bolsa isso e bolsa aquilo. Tudo claro financiado pelo bolso dos outros.

Progressista que se preza precisa de pobre pra distribuir cupom, de favela - de preferência bem suja e feia - para poder mostrar como admira a "criatividade" que existe naquilo e que por isso é moralmente superior aos outros, de caos urbano para poder requisitar mais uma verbazinha para criar alguma "comissão" para "ordenar" as "atividades" e de preferência terminar criando algum sindicato, tipo de guardadores de automóveis, de camelôs, de vans e até de vendedores de bala em ônibus.

Essa coisa do governo proporcionar às pessoas maneiras delas melhorarem de vida por conta própria, de cidades limpas e bonitas, calçadas livres, isso tudo é coisa de direita.

Com toda essa onda de leis anti "homofobia", "racismo", "xenofobia" e o escambau, bem que poderiam criar uma lei contra a "classe-médio-fobia".

Sabe como é, essa gente branca (ou quase), hetero, trabalhadora, pagadora de impostos, que não recebe nada de ninguém, que não conta com ninguém além de si próprio e que ainda por cima não tem nenhuma ONG que a defenda.

Uma má idéia nunca vira um bom plano

Postado em 15 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Em 1986, no meio da euforia causada pelo Plano Cruzado, o PMDB elegeu 22 governadores dos 23 possíveis na época, ganhou maioria no Senado, elegeu nada menos do que 260 deputados federais e mais uma enxurrada de deputados estaduais, todos, quase sem exceção, "candidatos do Sarney".

Logo adiante o Plano Cruzado revelou-se um embuste. O congelamento de preços - que espalhou pelas ruas os folclóricos "Fiscais do Sarney" - e a gastança desenfreada do governo levaram o país a um caos financeiro, político e administrativo.

Bombas de retardo ficaram esperando a eleição de 1986 se decidir para estourar logo depois do pleito e já no ano seguinte a inflação era ainda pior do que antes da alquimia econômica do governo Sarney. Foi criado assim o tão conhecido termo "estelionato eleitoral".
Houve revolta, quebra-quebra, e José Sarney - o presidente popular durante o breve sucesso do Cruzado - e que elegeu aquela montanha de políticos a reboque de sua popularidade - chegou ter uma picareta atirada em cima dele durante um tumulto no Rio de Janeiro (versão jamais confirmada). Mas de toda forma foi um evento emblemático sob todos os aspectos, já que o ônibus de Sarney foi apedrejado por militantes do PT, chegando inclusive a ter uma janela quebrada.

Lula não é Sarney e Dilma não é propriamente um "plano", ainda que seja uma idéia ruim, mas a gastança eleitoral de seu governo e as bombas de retardo que já começaram a estourar logo após as eleições - vide o caso Caixa-Banco Panamericano, o ENEM, a tentativa de retorno da CPMF e o deficit das contas públicas - estão aí para deixar pelo menos uma pulga atrás da orelha de cada brasileiro que pensa e presta: será Dilma o seu Plano Cruzado?

Em final de mandato, Lula não terá nem tempo de ganhar o Troféu Picareta que Sarney mereceu. Logo ele, que falava tanto dos "300 picaretas no Congresso" e elegeu uma renca de igual tamanho agora em 2010 graças a políticas voltadas mais para as urnas do que para o futuro, virando o presidente "mais popular da história destepaiz".

Vai acabar deixando a possível honraria de um picaretaço para a sua sucessora, o Plano Cruzado que ele tirou da cabeça e impôs ao Brasil.

Democracia das bananas

Postado em 8 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Duas passagens do noticiário recente chamaram muito a minha atenção, tanto pelo surrealismo histérico da coisa, quanto pela forma como escancara o que o Brasil está se tornando em nome de uma "igualdade" que é desejável, porém que não deve servir para produzir distorções comportamentais em uma sociedade.

O Brasil é hoje cada vez mais uma democracia das bananas.

Antes de começar, deixe-me esclarecer que não acho que nenhuma raça, etnia ou grupo regional é naturalmente superior ou inferior ao outro. Não existe branco superior, judeu inferior, negro sub-desenvolvido, amarelo super-dotado só pelo fato destas pessoas serem brancas, judias, negras ou amarelas. O que diferencia um indivíduo do outro é sua formação, as oportunidades que teve, seu caráter, a sociedade em que se desenvolveu.

Dito isto - e certamente qualquer pessoa que tenha um mínimo de razoabilidade entende e concorda com isso - vou seguir para a parte que realmente pode ser polêmica, mas que precisa ser dita.

Uma estudante paulista disse no Twitter que "não gosta de nordestinos". Junto a isso também disse que estes mereciam ser "mortos". Na segunda parte, sim, existe um crime (ou talvez um comportamento moralmente reprovável) porque é impossível incitar agressões a quem quer que seja - judeus, nordestinos, pretos, brancos e até mesmo adversários do PT - e ser civilizado ao mesmo tempo.

Mas na primeira parte, onde ela diz - não exatamente com essas palavras - "não gostar de nordestinos", não existe crime. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e nenhuma democracia que não seja neurótica e incoerente pode obrigar um cidadão a engolir esse tipo de opinião em nome de uma suposta "igualdade" ou mesmo "pluralidade".

Não existe pluralidade onde existe supressão da liberdade, ainda que seja apenas a de opinião.

Ninguém pode proibir um preto, um branco, um verde de entrar pela porta social de um prédio baseado na cor da sua pele. Ninguém pode achar normal que se mate, prenda ou persiga pessoas por estas serem judias, católicas, protestantes ou muçulmanas.

Não entro no mérito disso ser agradável, "bonito" ou não, mas todos, repito, todos tem o direito de dizer que não gostam de pretos, brancos, verdes, judeus, católicos, protestantes e muçulmanos sem por isso serem alvo de perseguição pelo estado, pelas entidades sociais, pela imprensa e por qualquer outra pessoa.

Qualquer um deve ter o direito de dizer que não gosta de paulistas, que acha nordestinos feios, cariocas vagabundos, gaúchos arrogantes e o que mais bem entender sem que nada aconteça. Isso é uma opinião, isso é um sentimento pessoal - errado ou não - e não cabe à sociedade, ainda mais na forma de leis equivocadas, agir sobre esse direito.

Temos essa obsessão pela "unanimidade", obrigando o indivíduo a pensar - ou pelo menos fingir que pensa - igual à manada.


Opiniões patéticas são desprezadas, são alvo de escárnio, são desconsideradas, mas jamais devem ser tratadas como crime. Veja o caso ridículo de "nazistas americanos". Um país que lutou - e foi um dos maiores responsáveis pela derrota da Hitler - admite que seus cidadãos se digam "nazistas", sem que por isso parem na cadeia.

Vão para cadeia sim, se destruírem a propriedade alheia, se agredirem alguém, enfim, se cometerem crimes. De resto, recebem apenas o tratamento que um louco que se diga Napoleão recebe: a irrelevância. Para o resto, existe o código penal.

Qualquer coisa diferente disso pode ser tudo, menos democracia.

O outro evento, este ainda mais chocante, foi o caso envolvendo o livro de Monteiro Lobato "Caçadas de Pedrinho", denunciado por diversos órgãos governamentais - inclusive o MEC que para fazer censura de conteúdo é competente, mas para organizar o ENEM não é - sendo acusado de "racista", "perverso", entre outras imbecilidades por conta de trechos onde diz que "Tia Anastácia sobe numa árvore que nem uma macaca de carvão" e também “Não vai escapar ninguém – nem Tia Anastácia, que tem carne preta”.

O ministro da "Secretaria de Igualdade Racial" - coloco assim entre aspas porque esse ministério é uma aberração que não promove "igualdade racial" e sim "onguismo afro-brasileiro" - disse que o livro "fere a auto-estima dos negros".

Nem sei por onde começar dado o enorme festival de idiotices contido na história toda, mas penso que o melhor a dizer é que o negro brasileiro - esse cidadão de pele preta que descende de escravos - não é um "coitadinho" e nem um cidadão tutelável para ser tão protegido pelo estado assim.

Penso que um profissional negro, casado, com sua família e sua vida independente não tem mais ou menos problemas de auto-estima do que um branco que seja gordo, um asiático que seja careca ou um branco e um asiático que não sejam nem gordos e nem carecas. Todos são pessoas, com problemas de auto-estima mais ou menos parecidos.

O que se faz no Brasil com essas políticas equivocadas que ganharam força no governo do PT é criar no país uma tensão racial que não existia. É fato que o racismo era velado por estas bandas, mas também é fato que não existia esse ressentimento racial que vemos hoje, com estudantes brancos sentindo-se injustiçados por cotas, com estudantes negros precisando provar seu valor duas vezes, com a sociedade sendo alvo deste tipo de censura boçal que ataca até mesmo Monteiro Lobato.

Comparar um negro a um macaco é ridículo se a pessoa quiser dizer que a etnia é inferior. Mas comparar um negro subindo rapidamente numa árvore a um macaco não é. Afinal, parece mais com o que? Com um urso polar? E a parte visível da "carne da Tia Anastácia" era o que? Magenta?

Por esta lógica Machado de Assis mencionando "crioulos" em seus livros também pode ser considerado despiciendo para a formação de nossos jovens. Desse jeito, só restarão livros de auto-ajuda e o jornal da CUT para ler na escola.

Não sejamos hipócritas, não sejamos histéricos e resistamos, sim, a esta ditadura cultural e de opinião em que o Brasil está se tornando.

Porque a cada dia que passa, o ar fica mais irrespirável.

A escolha mais fácil da história

Postado em 19 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Antes do dia 3 de Outubro, os institutos de pesquisa, os analistas isentos e as pitonisas do sufrágio, nos avisavam que era inútil comparecer às urnas. Nosso voto era uma espécie de penetra na festa da democracia deles. Já estava até escrito nas estrelas que a candidata do PT, aquele atentado ao Brasil chamado Dilma Rousseff, seria eleita "presidenta" no primeiro turno e tudo o que poderíamos fazer seria aceitar, digerir e curvarmo-nos perante a vontade soberana do "maior presidente que o Brasil já teve no universo".

O problema é que, como disse uma vez Garrincha, "esqueceram de combinar com os russos". E os russos nesse caso fomos nós, pobres eleitores-contribuintes, que teimamos em comparecer às nossas seções eleitorais e levar o pleito para o segundo turno.

E nada melhor do que um segundo turno - sem os ruídos estáticos de campanhas majoritárias e proporcionais nos estados, além de candidatos nanicos - para explicitar bem a escolha que se apresenta para cada brasileiro e brasileira que prestam.

Digo isso porque existem aqueles brasileiros homiziados em estatais, acochambrados em cargos de diversos escalões ou simplesmente arrolados em folhas de pagamento de centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e demais braços do lulo-petismo para dizer por aí o que convém ao partido, seja na imprensa ou seja na blogosfera. A estes, só um resultado interessa: a vitória de Dilma Rousseff, a candidata imposta Lula, a "mãe" do PAC, o Plano de Ascensão da Companheirada.

E a escolha que se espraia ao Brasil que presta nesse segundo turno nunca foi tão simples.

A candidata inventada por Lula, aquela que não consegue articular mais de duas frases sem assassinar o português, a concordância, a lógica e a inteligência do interlocutor, nada mais é do que um prontuário. Mas não só ela, os que a acompanham também.

Naquele balaio de gatos existem mensaleiros, aloprados, a Família Guerra e o Cardeal que tomou à força o dízimo do banco alemão. Naquele balaio de gatos deposita-se um numerário inimaginável, subtraído das mais diversas formas dos cofres públicos.

Ali também se depositam ONGs obscuras, o MST, a pelegada sindicalista que faz sabe-se lá o que com o dinheiro daquele imposto sindical tão bem defendido (e mantido numa caixa preta) por um personagem da estirpe de Carlos Lupi, além de dois ex-presidentes cujos nomes falam por si: Sarney e Collor.


Chocado, o pobre cidadão perceberia ao lado da Laranja Eleitoral de Lula as falanges que vão para portas de gráficas impedir a circulação de materiais que não lhes agradam, a TV Brasil transformada em bunker de campanha, o presidente fugindo do Palácio do Planalto - e abdicando do mandato para o qual foi eleito - para assumir o papel de chefe de facção, de palanqueiro pago pelo contribuinte.

O brasileiro que presta veria ainda que ao lado de Dilma estão José Dirceu e Erenice, que junto com ela formaram o trio de ferro que fez da Casa Civil capitania hereditária, transformando em maninhos a Anac, a Infraero, o Ministério de Minas e Energia e os Correios.

Finalmente veriam o partido vítima, como o PT sempre se apresentou à sociedade, fabricando dossiês, invadindo sigilos fiscais, atacando as famílias de seus opositores, ameaçando "extirpar" adversários.

Ouviria o alarido da festa da turma do "não sei", do "eu não sabia",  dos que classificam crimes seríssimos cometidos pela companheirada como simples "erros".

Com tudo isso de um lado da balança, o eleitor poderia olhar para o outro e não enxergar nada, que ainda assim ficaria inclinado a votar no vácuo, mas nem isso o PT parece deixar impune, pois é justamente um vácuo que ele apresenta como candidata à presidência da república.

Como disse antes, é a escolha mais fácil da história.

É preciso extirpar a imbecilidade da política brasileira

Postado em 14 de set. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

O presidente Luis Inácio da Silva, retirando de vez a faixa presidencial e assumindo o papel de líder de gangue, declarou que é preciso "extirpar o Democratas da política brasileira". Nada mais característico vindo de uma pessoa que parece cada dia mais desconectada da realidade.

80% de aprovação não fazem bem a ninguém. A tendência é que a pessoa passe a buscar os 90%, quem sabe até os 99%, tal qual Saddam Hussein. A obsessão passa a ser "esses teimosos que não gostam de mim".

E não falta - ainda - quem não goste das atitudes de Lula. Só que sempre que algum destes se refere a ele como "o analfabeto", exagera na crítica e municia aqueles que ainda hoje vivem de espalhar e perpetuar a imagem do "metalúrgico pobre e perseguido que venceu na vida".

Vamos ser honestos: Lula não é pobre, metalúrgico ou perseguido há bastante tempo. Desde bem antes da sua chegada à presidência ele já era um homem de posses, sustentado por uma máquina partidária, fumando charutos cubanos e passeando pelo Brasil de jatinho. Convenhamos que essa não é a realidade de nenhum metalúrgico.

O problema é que o tempo em que Lula se dedicou a fazer política, ele deixou de dedicar à própria instrução.



Não que isso tenha lhe feito alguma falta, pelo contrário, seu instinto político aguçado e sua inteligência - sim, ele é inteligente, uma inteligência usada para afundar a política do país no charco, mas que é inegável - deixaram nele a impressão de que "já sabe de tudo", quando na verdade o máximo que ele sabe é isso que demonstrou em seu governo: ser esperto - no pior sentido da palavra - para se apropriar de méritos e obras alheias, para negar e se livrar de denúncias e para comandar o PT e o Brasil como se fossem uma assembléia de porta de fábrica.

Os antigos dizem que "quem nunca come melado, quando come se lambuza", e por mais batido que seja esse ditado, ele se aplica muito bem à figura de Lula. Historicamente o PT sempre teve algo em torno de 30% dos votos no país. Outros 30% eram anti PT e os 30 e  poucos por cento que sobravam eram o fiel da balança, trazendo equilíbrio e pacificando a política, obrigando os partidos a se manterem afastados do radicalismo, sob pena de espantá-los.

O problema é que Lula, através de um crescimento econômico que não é só obra sua, dos programas de transferência de renda, de um aparelhamento do estado sem precedentes e do domínio completo dos tais "movimentos sociais" e sindicatos conseguiu encurralar seus opositores, trazer muitos "isentos" para seu curral eleitoral, exibindo hoje estas altas taxas de popularidade.

E esta popularidade vai, pouco a pouco, rompendo as amarras que ainda prendiam seu discurso e suas ações ao estado de direito. Não se enganem: se Lula soubesse que o Congresso lhe daria a possibilidade de disputar um terceiro mandato, sem um processo de final incerto que poderia manchar sua biografia, ele tentaria a manobra e não estaria presenteando o país agora com esta criatura eleitoral, esta ameaça ao Brasil chamada Dilma Rousseff.

E é por isso que ele se dedica com especial atenção a destruir um a um seus adversários nos estados, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e o DEM de Santa Catarina. O que Lula deseja é um Senado domesticado, como já foi domesticada a Câmara dos Deputados.

Porque o que mantém o presidente num caminho distante do chavismo mais abjeto não é sua consciência democrática, que é inexistente, mas amarras legais, que um Congresso "petizado" transformará em pó, tal qual sua alta popularidade transformou em pó o pouco juízo que tinha.

O que o Brasil precisa não é extirpar nenhum partido da política, é extirpar a corrupção, o aparelhamento do estado, a desmoralização do Congresso e, principalmente, esta imbecilização que domina o atual cenário e que o PT parece fazer questão de perpetuar.

Lula e Chávez: dois lados do mesmo tostão furado

Postado em 31 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Chávez: "Golf é esporte de burguês gordo"


Lula: "Tênis é esporte da burguesia, porra"


Como podem notar, tanto no quesito idiotice quanto na truculência e falta de educação, ambos os tiranetes são iguais. O que difere? É que um vive num país com instituições democráticas mais frágeis como é a Venezuela, e conseguiu "tomar conta" mais rápido.

O outro apenas cuida - diariamente - de enfraquecer estas mesmas instituições no Brasil, talvez já na intenção de aprontar o mesmo por aqui. O "pensamento" - se é que podemos chamar qualquer coisa que sai dessas duas cabeças de pensamento - é bem parecido. O "nós" contra "eles", o estado forte e aparelhado, o controle da mídia, o roubo de fatos históricos para transformá-los em mérito pessoal do "grande líder"
.
Lá, Chávez já roubou até mesmo Simon Bolívar. Aqui, Lula ainda não se disse a reencarnação de Tiradentes, talvez por medo de, quem sabe, ter o mesmo destino, ou talvez porque ache muito pouco. Afinal porque ser apenas um mártir se pode ser um deus?

O que os petralhas não entendem - talvez por falta de inteligência, talvez por mau-caratismo ou talvez porque estejam ocupados demais tentando dizimar qualquer coisa que se oponha a eles - é que os seus opositores não querem que eles se calem ou sejam varridos do mapa, querem é não ter que se calar e não sucumbir diante dessa nova modalidade de ditadura do Século XXI, que é a turba emburrecida, abrindo mão de ser indivíduo para aderir à manada, esmagando qualquer coisa que se coloque à sua frente em nome da "maioria". Não existe democracia plebiscitária.

Isso não é democracia, e está longe de ser liberdade.


Cabe apenas perguntar à Lula se o seu filho, que enriqueceu depois que ele entrou para o governo, é um burguês ou não. Perguntar o que seria afinal essa elite companheira, essa burguesia do capital alheio surgida no mandarinato petista. Esses empreenderores que curiosamente só ficam ricos nas diretorias de algum sindicato, partido ou depois que chegam ao governo.

Porque o conceito de "elite" e "burguesia" dessa gente é bastante deturpado, ainda mais quando se tem notícia de que um dos "grandes" ídolos de todos eles, o assassino chamado Che Guevara, adorava jogar um golfzinho e de que todo grão-petralha que se preze adora um vinho ou whisky importado.

PT e FARC: uma negativa seria bem mais simples

Postado em 21 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Se por um acaso me acusarem, sei lá, de fazer parte de um grupo que tenta revogar a lei da gravidade ou então de ser favorável à disseminação da tuberculose, eu vou onde for possível e onde houver quem me escute e direi: sou totalmente favorável a Lei de Newton e juro por tudo que há de mais sagrado que eu quero que o Bacilo de Koch se exploda e que não tenho nada a ver com ele!

Pode ser que algumas pessoas - que já não vão com a minha cara - não acreditem e continuem pensando que eu desejo ver elefantes voando e o mundo habitado por tísicos, mas só o farão porque assim o querem, pois eu não terei me calado e, conseqüentemente, consentido com o malfeito.

E é justamente por isso que eu me incomodo com a postura do PT e de suas lideranças - incluindo aí sua criatura-candidata - em relação às "acusações" de que eles mantém ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, aquele agrupamento de narco-terroristas que seqüestram, matam e praticam outros crimes sob a proteção da imensidão amazônica.

Desde que o candidato à vice-presidente na chapa de José Serra, o deputado Índio da Costa, disse que o PT mantém ligações com as FARC e - aí nesse ponto passando do tom - com o narcotráfico, já vi os mais variados dirigentes, líderes e áulicos do petismo reclamando de baixaria, dizendo que não vão descer a este nível, ameaçando com processo, citando outros fatos relacionados ao candidato do PSDB e ao partido do candidato a vice, o Democratas, denunciando manobras eleitoreiras, enfim, fazendo toda sorte de atitudes histriônicas de quem se acha "injustiçado", menos a única atitude que alguém nessa posição tomaria de imediato: negar veementemente a acusação.

O próprio José Serra - muito acertadamente - corrigiu o rumo deste debate dizendo que o PT não tem nenhuma ligação com o narcotráfico, porém tem sim, ligações conhecidas com as FARC.

E isto é inegável.

O PT é um dos fundadores do Foro de São Paulo, entidade da qual as FARC faziam parte. Lula já sugeriu que as FARC abandonassem a luta armada e aderissem à luta política, já ofereceu o território brasileiro para "negociações" entre os narco-guerrilheiros e o governo constitucional colombiano, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil se nega a condenar as ações do grupo.

Dilma Rousseff, quando era ministra da Casa Civil, requisitou a mulher de Olivério Medina, representante das FARC no Brasil, para trabalhar no Ministério da Pesca. A Revista Cambio, da Colômbia, publicou uma série de e-mails que estavam no computador do terrorista Raul Reyes, morto por forças colombianas no Equador, listando aqueles que seriam “os amigos” das FARC no Brasil, entre eles José Dirceu, Gilberto Carvalho, Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Paulo Vannuchi, aquele dos "direitos humanos". Esta mesma ação do governo colombiano que matou Reyes, foi veementemente condenada pelo governo brasileiro na ocasião.

Enfim, reportagens e farta documentação sobre a ligação do PT com as FARC são públicas e notórias, porque então seus líderes fazem tanto estardalhaço? Nenhum político da oposição, jornalista ou outro cidadão qualquer sustentou a tese do envolvimento petista com o narcotráfico - o próprio Indio da Costa já voltou atrás, o que foi bom - então porque eles não se restringem ao esclarecimento - de uma vez por todas - sobre sua obscura relação com a guerrilha colombiana?

Seria tão simples o PT emitir um comunicado claro, direto, dizendo o seguinte: renunciamos e renegamos qualquer ligação com as FARC, repudiamos os atos terroristas daquele grupo e negamos qualquer tipo de relação com a guerrilha na atualidade.

E porque não fazem isso? Porque desta forma iriam contra a sua lei da gravidade particular, aquela em que tudo fica de ponta a cabeça e a vítima passa a ser a ré, um malfeito serve para explicar o outro, a negação ad nauseam termina por prevalecer sobre a verdade e a clareza é quase um pecado mortal.

Se alguém um dia acusar um petista de ser favorável a tuberculose, ele não vai negar e nem concordar, provavelmente vai ameaçar algum enfermo de processo ou então o próprio bacilo causador da doença.

Reescrevendo a história

Postado em 17 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Você esteve presente em algum evento histórico? Trocaria esse privilégio para ter uns 20 anos de idade a menos hoje? Esqueça. Talvez o que você tenha visto não existiu, talvez você nem tenha estado ali. Vai depender do interesse atual da turma das "esquerdas progressistas".

Em certas ocasiões, "reescrever a história" é bom. Quando se subverte o destino miserável de um povo em algo virtuoso é um belo exemplo. Mas infelizmente não é essa a norma. Quando um partido político com vocações anti-democráticas chega ao poder, ele tenta reescrever esta história apagando o que não lhe é conveniente dos livros e, se possível, até da memória das pessoas.

Por exemplo, é isso o que Lula faz há quase 8 anos com o seu "Nunca antes na história destepaiz". Ele nega cada conquista, cada avanço, cada coisa boa -ainda que insuficiente - que foi feita no decorrer da história. Apodera-se de programas iniciados no governo de Fernando Henrique - como o Bolsa Escola, Vale Gás, Bolsa Alimentação - amplia seu alcance, coloca todos sob o guarda-chuva do Bolsa Família e passa a dizer que tudo aquilo é criação sua.

Ao fazer isso, ele atenta não só contra a nossa inteligência, mas contra a história. Mistifica, distorce as verdades e cria - de maneira semelhante a qualquer outro ditadorzinho de meia pataca - uma releitura do passado que o glorifique. Não é a toa que vive por aí se apresentando como se fosse alguma divindade.

Basta procurar: qualquer regime autoritário, confesso ou não, trata logo de apagar seus adversários do mapa. Os petistas ainda não chegaram ao cúmulo de derrubar estátuas, remover placas de bronze ou mudar nomes de rua, mas se pudesem...e até quando será que não poderão?

Como já disse outras vezes, o PT - em seu imenso egoísmo histórico, em seu hábito de colocar sempre o partido na frente da nação - apresentou como candidata ao posto de sucessora de Lula a pessoa mais despreparada, não testada e inapta a ser presidente da república de que se tem notícia.

E para criar em torno da tal candidata uma história que ela não possui, conhecimentos que ela não possui e aptidões que nunca teve, o PT põe sua fábrica de mentiras em funcionamento e trata de reescrever a história.

Ela participou de grupos terroristas que mataram até civis durante o regime militar? Na leitura deles ela foi uma "corajosa guerreira" que "lutava pela democracia" - esqueça aqui que a democracia que pessoas como ela queriam era semelhante às que existem em Cuba e no falecido Bloco Soviético - e os exilados eram "covardes", que fugiram da luta.

Ela nunca administrou nada na vida? Inventam que ela foi "gerente do PAC", aquele plano de obras que não saiu nem 10% do papel e só existe em computação gráfica e maquetes.

Ela não sabe a diferença entre a Candelária e a Cinelândia? Já que falou que o comício das "Diretas Já" aconteceu na Cinelândia, quando na verdade foi na Candelária? Não tem problema, os petistas dizem que antes houve uma "passeata" saindo da Cinelândia e transferem o evento histórico de lugar com dois sofismas, três gritos e umas mil repetições, como convém a qualquer mentira que queira passar no vestibular para verdade.

Mestre pela UNICAMP? Mentira. Presa por crime de opinião? Mentira. Não participou da luta armada? Mentira. Não mandou espionarem Ruth Cardoso? Mentira. Nenhum dossiê ou tentativa de arapongagem saiu de seu comitê eleitoral? Mentira.

Mentira, mentira, mentira.

E assim este partido que aparelha o estado e se une à nova elite pelega vai contando mentira atrás de mentira, na sua tentativa de reescrever a história, enganar o eleitor e jogar o país neste salto no escuro.

Cabe a você, que vai às urnas em Outubro, decidir se quer pular nesse abismo e, principalmente, se é com essa gente que deseja estar abraçado.

Duas escolhas

Postado em 14 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

A eleição deste ano terá 12 candidatos a presidência. Destes, três contam com a maior fatia das intenções de voto. A verdade porém é que o eleitor brasileiro ficará frente a frente com uma escolha bem mais simples, resumida em duas visões, duas posturas, dois "planos" para o que será o país nos próximos anos.

Temos um grupo político que se reuniu em torno da pessoa mais despreparada que já concorreu à Presidência da República desde a sua proclamação. Uma ex-ministra de um "Plano de Aceleração" virtual, e que nunca concorreu - salvo grande surpresa - nem a síndica de um condomínio.

Como sustentáculo dessa candidatura observamos, além do PT, um partido gigantesco e fisiológico como é o PMDB, uma caterva de mensaleiros cassados e obscuros, Movimentos Sociais da pior espécie como o MST, sindicatos e radicais de todas as visões possíveis.

Esta candidatura do PT, o mesmo partido que sequestrou o Ministério das Relações Exteriores com a intenção de confraternizar com ditadores, genocidas e facínoras de todo o mundo, representa um passo adiante na radicalização das propostas de viés mais autoritário da agremiação política.

Controle social da imprensa, comissões da verdade, estímulo a invasões, violência no campo, jogar pobres contra ricos, perseguir opositores utilizando para isso de meios ilegais e/ou imorais como quebras de sigilo e arapongagem, dossiês, tudo isso faz parte do indigesto cardápio que o partido pretende fazer a sociedade engolir.

Se durante o governo Lula esse radicalismo foi domado pela personalidade do presidente, durante um eventual - e bato na madeira três vezes - governo Dilma, ela é que será domada pelos radicais.

O presidente do MST - aquele amontoado de bandoleiros do campo - já avisou que as invasões irão aumentar com a eleição da petista. Os sindicatos se empenham tanto em ajudá-la - e se um sindicalista está fazendo qualquer outra coisa além de greve e churrascos, saiba que é você que sairá perdendo - que já podemos imaginar que o aparelhamento do estado ocorrido no governo Lula será aprofundado.

Tudo isso somado à estreita amizade com ditadores e tiranetes, como os irmãos Castro e o imbecil - porém perigoso - Hugo Chávez.

Dito isto, sobra ao eleitor essa escolha que ao meu ver nem é tão difícil: o Brasil continuará sendo uma democracia, com direito ao contraditório, sem fazer associações com aiatolás atômicos iranianos, índios cocaleiros bolivianos e toda sorte de ditadores, um país que mantém uma normalidade democrática desde meados dos anos 1980, ou vamos nos tornar uma democracia plebiscitária, com cidadãos jogados contra cidadãos, com um estado policial ameaçando quem levanta a voz contra o que acontece, um simulacro de democracia triste e ridículo, como é o venezuelano?

A derrota do PT é muito mais do que uma simples transição de poder, saudável alternância democrática, a derrota do PT significará a manutenção da democracia no Brasil, da forma como a conhecemos hoje.

Não consigo imaginar escolha mais fácil.

No tempo da chinelada, existiam bem menos "chinelos"

Postado em 13 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 15 Comentários

"Chinelo" é uma gíria para coisa que não presta, menor, de pouco valor, mais ou menos como essas gerações de dementes e analfabetos funcionais que estão sendo forjadas sob a sombra (ou o sol, como preferir) da globalização, da internet e da psicologia no lugar da educação pura e simples.

Ao invés de dar logo uma chinelada porque o moleque jogou uma pedra no telhado da vizinha, hoje os pais tem que perguntar para ele "o que o levou a desejar causar danos à residência de outra pessoa".

Digo isso porque existe um projeto de lei proposto para comemorar os 20 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no qual serão coibidos "castigos corporais" em crianças.

Quando você lê isso assim de primeira, até acha uma coisa excelente, afinal "castigos corporais" é uma expresão que remete ao que agentes penitenciários fazem com presos, inquisidores com bruxas, maridos violentos com esposas oprimidas, etc, mas olhando mais atentamente o texto, veremos que ele prevê que serão considerados como "castigos corporais" as velhas palmadas e, pasme, até colocar a criança de castigo.

Não sei como o Estado poderia se enfiar mais dentro da casa das pessoas do que isso. Talvez só falte aos politicamente corretos definir quais os dias em que os casais poderão fazer sexo e qual é o horário correto de ir ao cinema.

Não é exagero meu, apesar de parecer, porque tenho quase certeza de que o ideal do politicamente correto é chegar num ponto onde a liberdade de pensamento será substituída por uma cartilha, opinião se resumirá a dizer qual o nosso sabor preferido de sorvete e a indivualidade será coisa de gente ruim, muito ruim.

Sou do tempo em que se tirássemos nota baixa no colégio ficávamos sem ver televisão, se fizéssemos besteira levávamos umas palmadas e se a besteira fosse grande demais o cinto comia. Não sou traumatizado, não virei bandido, não tenho desvios sexuais e, acredite, morro de saudades da minha infância.

Amar e educar um filho é dar tudo o que puder a ele, inclusive educação, inclusive vários "nãos".

Pelo tal texto, serão considerados abusos, entre outros, "palmadas, tapinhas na mão, obrigar a criança a ficar em certo lugar", ou seja, você vai ter que fazer uma terapia de grupo com seus filhos mais ou menos a partir dos 2 anos de idade, ou então terá que educá-lo com base no que os "progressistas" acham que é devido.

O papel dos pais se resumirá basicamente a conceber uma criança e sustentá-la até a maioridade, quando provavelmente deverão pagar algum advogado para tirá-lo da cadeia, já que não conheço uma pessoa sequer criada sem limites que preste para qualquer outra coisa além de virar um delinquente.

Lógico que surras homéricas, dessas de deixar a criança roxa, abusos diversos, assédio moral, tudo isso é condenável, é coisa de covarde, de bandido, que merece é cadeia. Uma coisa é dar umas palmadas, colocar de castigo sem ler gibis durante uma semana ou sentado no sofá durante meia hora. Outra coisa bem diferente é espancar a criança, humilhá-la, deixar sem alimentação, ao relento.

E a tal proposta de lei peca justamente por isso, por tratar todas as situações como o excesso.

Conversar, orientar, propor, avisar, tudo isso é papel dos pais. Fazer uma criança é fácil e para isso basta um ato sexual (ou laboratorial, como preferir). Criar um filho, formar um ser humano, é tarefa bem mais complexa.

Mas na hora que a conversa não adianta, é salutar que os pais coloquem de castigo sim e dêem umas chineladas na bunda, porque isso nunca matou ninguém e na época em que o chinelo falava mais alto, não víamos tantos imbecis fazendo tantas imbecilidades quanto vemos hoje em dia.

Porque no final das contas, se você negligenciar o seu dever de educar seus filhos, será a vida que vai distribuir chineladas nele mais tarde, e as chineladas da vida machucam muito, muito mais, e não deixam nenhuma saudade.

O dia seguinte

Postado em 25 de mai. de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

O Brasil passará esse ano por dois eventos que prenderão a atenção de toda a sua população, um é a Copa do Mundo que se realizará na África do Sul e o outro são as eleições em Outubro.

A Copa é quase uma unanimidade, todos sabem por quem vão torcer. A eleição não e, no entanto, infelizmente vejo em torno dela também apenas isso: torcida.

Temos um presidente da república que há muito abdicou da liturgia do cargo para se transformar em cabo eleitoral. Nada contra um mandatário no exercício da função ter um candidato próprio para sucedê-lo, mas existem limites que a prática republicana impõe e estes já foram chutados lá pros confins do Maranhão faz tempo.

Essa postura não-presidencial de Lula é notória e três ou quatro multas do TSE à sua pessoa estão aí para não me deixarem mentir, mas o que mais me incomoda em todo esse processo carnavalesco que se tornou a eleição de 2010 é a falta de preocupação total com o que acontecerá no dia seguinte a ela.

Dilma Rousseff não tem biografia e nem cacoete de presidente. Passa diariamente por um processo de modelação, tal qual uma alegoria de escola de samba. Os dias passam e o "carnavalesco" vai ordenando à sua equipe que coloque um paetê aqui, uma miçanga acolá, um jogo de luzes num canto, uma fumaça pra causar ilusão de ótica no outro e a alegoria vai tomando forma para o "grande espetáculo". Tudo feito sob medida para impressionar os jurados.

Só que todo carnaval tem a sua quarta-feira de cinzas e o Brasil não vai terminar no dia 3 de Outubro. O sol vai nascer no dia 4 e sob as toneladas de confetes e serpentinas da "festa da democracia" restará a pergunta fatal: e agora?

Bom, se a vontade imperial de Lula valer ele terá batizado sua sucessora. Haverá festa nas hostes petistas, os movimentos sociais vão se ouriçar, a "militância" vai se declarar vitoriosa e um país estará aguardando o seu destino.

O problema é que este "país" não parece estar nos planos do partido. O partido, que aparentemente está acima do país para os petistas, terá sim um destino, um futuro, que é o poder pelo qual ele existe, que é um fim em si mesmo. Mas o país não. O país estará aí, órfão de algo que vá além do dia da eleição.

Porque não tem muito mais para sair de onde veio essa candidatura da Sra. Dilma Rousseff. A candidatura é o plano em si. Uma vez feito vencedor, estará concluído.

Seria então uma continuidade da obra de Lula? Que continuidade, se a sua obra em já é uma continuidade do que foi feito em anos anteriores? Dilma não está se apresentando para dar continuidade ao que é feito no país e sim para dar continuidade a um mandato que foi impossível para seu chefe estender legalmente. Ela é a tentativa do terceiro mandato que não pôde vir.

A partir do momento que sentar na cadeira de presidente não terá mais o que fazer além de ser guardiã do legado pessoal de alguém a quem sucedeu, ser uma espécie de meirinho para que seu partido leve a termo uma guinada à esquerda que a sociedade não apóia e ser também um "entre - Lulas". E tudo isso nada tem a ver com o que será feito do Brasil nos anos que se seguirão. É tudo voltado pra dentro da cúpula, do politburo das bananas.

E algo de tal importância parece que será decidido como numa torcida de Copa do Mundo. Não vejo muita gente preocupada realmente com o país e sim com o seu "time". É um tal de "venceremos!" ou "vamos ganhar e mostrar pra eles no dia da eleição!".

Será que alguém que esteja fora da máquina partidária, do colchão assistencialista das "bolsas" e ainda assim se declara eleitor de Dilma Rousseff parou sequer cinco minutos para pensar nos quatro anos seguintes que terá para conviver com a culpa e as conseqüências de ter ajudado a alçar ao posto máximo de seu país alguém que provavelmente será um mero veículo de execução de idéias de gente como Antônio Palocci, José Dirceu, José Sarney, Renan Calheiros e outros tantos?

Porque esse tipo de "vitória" não é igual à de uma escola de samba ou de um time de futebol, que a pessoa vai comemorar com bandeiras na rua e no dia seguinte vai seguir sua vida normalmente, como se nada tivesse acontecido. Esse dia seguinte é bem mais longo.

Mas parece que não tem muita gente se dando conta disso.
 
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