Tenha muito respeito por quem tem o poder de cuspir na sua comida
Postado em 16 de fev. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário
O bife mal passado pode estar tão cru que vem com pêlos e mugindo, a comida pode ter uma aparência menos apetitosa do que uma tijela de Bonzo, mas eu jamais, sob hipótese alguma, chamo o garçom e peço pra levar de volta e trazer do jeito que eu queria.
Um garçom nada mais é do que um atravessador. A sua existência se baseia no fato de que um cliente não deseja ir até a cozinha do restaurante, abrir as panelas e pegar sua própria comida, como se estivesse na casa da sua tia num almoço de final de semana. Ele está ali para nos fazer sentir importantes, para dar a ilusão de que aquele almoço de terça-feira é um repasto imperial e, claro, para nos tomar 10% no final.
Outra função é evitar que você conheça as entranhas do restaurante. Notou como usei o termo "entranhas", que não remete a algo propriamente aconchegante? Sim, porque apesar daqueles avisos que dizem que a cozinha está "franqueada para a sua visita", acredite, na maioria das vezes ela não está.
E acredite também que nem você gostaria de fazer essa visita. Imagine a cena - não totalmente impossível - do cozinheiro com um esparadrapo no polegar, um avental mais sujo do que macacão de gari, monocelha, camiseta regata, suando e coçando a orelha com uma tampa de caneta Bic enquanto mexe num caldeirão de sopa. Perdeu o apetite, não é? Está aí mais uma explicação para a existência do garcom.
É aí que começam seus problemas (e os dele). Como já disse, o sujeito que serve a sua mesa é um intermediário. Ele vai até você, fica sabendo o que você precisa, vai até a pessoa que fornece o que você precisa e volta trazendo o que você precisa, ou seja, a comida.
Ele não está na sua cabeça para adivinhar que você gosta do seu peixe fresco, mas não tão fresco a ponto de vir num balde nadando, e não faz a sua comida, a ponto de ter culpa porque o seu omelete não veio tão bonito quanto o da foto do cardápio. Mas como é a parte visível de tudo o que ocorre longe do seu olhar, ele é que vai ouvir seus desaforos.
Isso sem contar clientes que dão xilique por tudo:
- Nunca fui tão humilhado na minha vida! Pedi calda de chocolate e colocaram de caramelo!
Numa situação dessas, você estará lidando com a frustração de alguém que não fez a cagada (no caso a comida), mas que está levando toda a culpa pelo ocorrido. Não esqueça que ele não pode te mandar para onde deseja, já que o cliente "tem sempre razão", nem brigar com o cozinheiro, que pode ostantar um título de "chef" ou pelo menos andar com facas por aí o dia inteiro, o que o transforma em alguém com quem não convém muito se meter.
Por isso, durante todo o trajeto de volta para a cozinha, o garçom estará puto, chateado e sem tempo para uma sessão de análise onde descarregaria toda a sua raiva. O que sobra para ele então?
Sua comida. Já se perguntou o que pode acontecer com ela numa situação dessas? Vai por mim, de tudo o que já imaginei, cuspe é lucro.
Por isso um conselho - que se fosse bom venderiam - mas que te dou mesmo assim, sem nem cobrar gorjeta: jamais irrite um garçom.
O chato gente boa e o chato gente ruim
Postado em 11 de out. de 2011 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário
O chato gente ruim é mais fácil de se lidar, porque sua chatice é unânime. Ele olha pra bunda da sua mulher, pede dinheiro emprestado e não paga, conta piada sobre a tia doente da própria namorada, faz montagem com a foto da mulher do chefe dançando macarena na festa de fim de ano da firma.
Ele é o cara que finge que conhece aquela velhinha de 90 anos só pra furar a fila de idoso no banco, que pára o carro pra ver acidente de trânsito e ainda pergunta "é ketchup?", que constrói frases usando as expressões "sexo oral", "engasgo" e "pentelhos" durante o jantar.
O chato gente ruim chega numa festa de casamento (de penetra), entra na fila dos cumprimentos e oferece o indicador pra noiva dizendo "puxa aqui". É de bom tom não gostar dele, falar mal dele, chega a dar status social. Você pode odiá-lo à vontade, é até incentivado a isso pelas pessoas numa rodinha de conversa.
O chato gente boa não. Ele é tão chato quanto o outro, mas é de um tipo bem pior, porque ainda por cima você se sente culpado por não gostar dele.
É aquele cara que chega te dando uma porrada nas costas e depois entrega uma lembrança que trouxe da Europa pra sua irmãzinha de 2 anos. E tudo nele é sempre assim, binário: uma encheção de saco, uma gentileza.
Ele sempre tem admiradores. Se você fala que ele é chato, logo aparece alguém pra dizer "que nada, ele é tão bonzinho". É voluntário no escotismo, corre a meia maratona e muita gente acha que ele é um cara muito "animado", o que é só o outro nome pra "chato".
Se vem andando na sua direção e você pensa "porra, detesto esse cara", ele se aproxima te dá a xerox do texto da aula que você faltou, te oferece um gole do que estiver bebendo, e fatalmente te deixando com cara de cu.
Sem contar que ainda adora mandar emails de cachorrinhos, gatinhos e coelhinhos em Power Point. Porra, como alguém vai xingar aqueles bichos filhos da puta que entopem sua caixa postal ao som de "We Are The World" sem ser chamado de insensível?
Por isso mesmo é que se você tiver opção, prefira a companhia da reencarnação de Hitler ou Stalin, do Darth Vader, de vendedores de Herbalife, de uma rodinha de violão inteira e até do chato vacilo, mas fuja do chato gente boa.
Se conseguir, é claro.
Até que seu celular te salve
Postado em 21 de ago. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Pena que cretino que é cretino parece ter alergia à fones de ouvido. Você entra num trem, ônibus, metrô, seja o que for, e lá está o animal ouvindo funk ou Banda Calypso no talo. Eles parecem querer compartilhar seu maravilhoso gosto musical com o mundo e educar as pessoas sobre o que é "sonzêra de verdade".
Mas o fato é que de qualquer maneira fones de ouvido nos salvam, e você nem precisa plugá-los em nada, basta colocar que já afasta 90% dos aborrecimentos diários, que geralmente chegam no formato de uma singela pergunta como "pode me dar uma mãozinha?". Usando fones você pode fazer um sinal com as mãos de que não ouve nada ou simplesmente berrar um "quê?", que já afasta o perigo.
Foi pensando nisso que lembrei de outros ítens desse kit de sobreviência na selva dos chatos, que são objetos ou atitudes que nos livram, ainda que momentaneamente, da influência deles.
Uma grande ferramenta é o celular. Seja aquele amigo mala dos tempos do colégio que está prestes a cruzar contigo numa calçada, seja o flanelinha insuportável que vem te pedir "cinquinho", o vendedor de loja de sapatos que insiste em andar atrás de você ainda que você já tenha dito umas 17 vezes que só está "dando uma olhadinha", seja o que for, basta uma ligação falsa e todo o aborrecimento vai embora.
- Pode deixar o carro solto que eu tomo conta, doutor.
(ligação falsa)
- Alô? O que? Você não vai me pagar o que deve? Vou aí agora te encher de tiro, seu filho da puta!
(Desliga a ligação falsa)
Vira pro flanelinha e diz:
- O que foi que você disse?
- Nada não doutor...
É tiro e queda. Pra você ter uma idéia do quanto ligações falsas ajudam, existe até um aplicativo do iPhone que gera um monte delas, até vindas do Darth Vader.
Se for smartphone ainda tem a vantagem de você fingir que checa e-mails ou faz algo muito importante, afastando assim o risco de puxarem assunto contigo em filas de banco ou supermercado.
Agora se você não tem um celular em mãos, não se desespere: folhear papéis também ajuda que é uma beleza. Funciona mais ou menos como se fingir de ocupado no trabalho. Você pode não estar fazendo nada, mas se andar de um lado para o outro com cara de quem acabou de descobrir que Papai Noel não existe que vão dizer no final do dia "Fulaninho sim, aquele rala o dia inteiro".
Mexa em papéis, procure coisas na carteira, abra o jornal na parte que fala do mercado financeiro, balance a cabeça negativamente (como se tivesse acabado de perder 10 milhões na bolsa) e depois olhe em volta: não sobra um mala te olhando com a perigosa intenção de vir pedir ou falar alguma coisa.
E como você não vive num filme e nem sempre tem um táxi passando na sua frente no exato momento em que precisa dele, o último objeto do kit é uma chave de automóvel. Você nem precisa ter um automóvel, compre só a chave num chaveiro e ande com ela no bolso.
Aí quando estiver passando na frente de um botequim imundo e um amigo te puxar lá pra dentro para beber cerveja, comer ovo colorido e falar do Corinthians, ou quando você estiver naquela festa chata, cheia de gente estranha e que ainda por cima anunciam um karaokê ou rodinha de violão, você finge que ouviu um barulho, tira a chave do bolso e fala com ar de desespero:
- É o alarme do meu carro, deixa eu correr lá senão roubam!
Coé? Belezinha, bróder?
Postado em 11 de mai. de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Naquele tempo, mais ou menos como funciona hoje com os smartfones, se você não tivesse pelo menos alguma peça de roupa da Redley, da Company ou da Cristal Graffiti, você não era ninguém.
E a moda faz a gente se sujeitar a coisas que depois vão depor contra nós mesmos no futuro, como usar pochetes, ombreiras e ter aturado vendedores de lojas "pra jovem". Sempre achei estranho o formato de certos programas de TV direcionados a este público, porque mesmo na época em que eu fazia parte dele, nunca vi nenhum amigo meu se comportando como os personagens e apresentadores daqueles programas.
Tudo muito frenético, alto, cheio de gírias forçadas e aquele ar de "coé, bróder" me deixavam meio nauseado. Assistia aquilo e pensava: "me dêem um tiro caso eu me comporte desse jeito sem notar".
Mas nada superava (e ainda supera) certas lojas de roupas e acessórios.
Não é porque entrou ali querendo comprar um tênis "da moda", que o vendedor precisa tratar o cliente como se ele fizesse parte desta tribo que não consegue pronunciar uma frase que não contenha "massa", "sacoé?", "véio", "doideira", "show de bola", "loucura", "neurótico" ou "bombando".
Não sei se isso consta em algum manual de instruções ou se eles encarnam um personagem quando estão ali, mas o fato é que, dependendo da loja, todos agem como um doidão de rave que acabou de ingerir 1kg de ecstasy.
Eu até acredito que seja só personagem mesmo, que eles saiam dali e desencarnem o Paulinho Cintura, e fico imaginando um cliente identificado com o "estilo" de venda ao encontrá-los na rua, numa situação normal:
- Coé, Riquinho, beleza, véio? Show te encontrar aqui, hein, mano? Vô lá na loja essa semana, valeu meu camaradinha?
- Tudo bem, cara? Sabe o que é? Eu saí lá da loja, meu nome é Ricardo e não Riquinho, isso era só um apelido escroto que me obrigavam a usar...
O resto desse diálogo você já pode imaginar.
Eu sei é que aquele tipo de tratamento "playsson" me incomodava bastante, primeiro porque eu achava exagerado e caricato, depois porque eu nunca tinha certeza se a pessoa estava fazendo aquilo pra me zuar ou não.
- Hahaha, viu que otário? Fiquei tratando ele que nem um apresentador da MTV e ele achou que estava abafando...
Já pensou se outros profissionais se comportassem assim?
O cirurgião:
- Beleza pura, Dona Odete? Tranquilex? Saca só, vou colocar uma ponte de safena neurótica na senhora, a senhora vai ficar show de bola, valew?
O diretor de criação:
- Pô, Aninha, que isso, gata! Chapuletou nessa logomarca, hein? Mandou muito! Toca aqui...
O arquiteto:
- Tiagão, mano! Firmeza aí, jão? Seguinte, aquele projeto da obra da sua casa que você pediu já tá quase pronto, segura as pontas que você vai ver como tua cachanga vai ficar doideira total!
O garçon:
- Dois espaguetes com molho de camarão pro rango e pra beber? Aí, vou dar uma idéia pra vocês que são meus chegados curtirem total, serinho, o vinho francês que chegou tá muito show, vocês vão ficar fissurados...
Tenho certeza que essa combinação meio Sérgio Mallandro, meio Evandro Mesquita é meio over em cada das profissões acima, assim como também é em qualquer outra profissão, se pensarmos bem, até mesmo na de vendedor de "loja pra jovem".
Né não, bróder?
Cinema, pipoca e guaraná
Postado em 20 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
E sempre que vou ao cinema, me chama a atenção a ligação praticamente siamesa que a telona tem com as guloseimas. Quase todo mundo sente necessidade de levar/comprar algo pra comer ali.
Até eu mesmo já me peguei caindo nessa armadilha e comprando aqueles M&Ms de 10 reais que a bomboniere dos cinemas usam para se aproveitar da nossa gulodice e nos extorquir.
É, como diziam os antigos, "batata". O cara sai de casa, encontra a namorada, os dois vão jantar. Se empanturram seja lá do que for, comem uma boa sobremesa e lá vão para o cinema, ver a nova barbicha/cavanhaque/barbona do Brad Pitt. Dirigem-se para a bilheteria, escolhem lugares, chegam na ante-sala e voi lá, aquele cheirinho de pipoca começa a penetrar até pelos fundilhos.
Até rola uma resistência inicial, mas passados alguns minutos, o desfile de baldes de pipoca vai ficando insuportável. Sei que ainda não chegamos à perfeição dos americanos, que vendem baldes de pipoca de 1kg ou mais e copos de refrigerante capazes de afogar um neném, mas nossas porções estão ficando mais generosas com o tempo.
Acabamos sucumbindo e convencendo até nossa companhia de que ela também está afim de um daqueles "combos", que carinhosamente chamo de troféus do desperdício, afinal, quem consegue comer sozinho uma quantidade de pipocas que alimentaria uma família na Somália? É tanta pipoca e guaraná que faria inveja a uma missão de paz da ONU.
Sou da época do pipoqueiro na porta do cinema. Cinema de rua, diga-se de passagem. Hoje quase todos foram parar nos shoppings, fugindo dos ladrões, da sujeira, dos pedintes e do calor que dominam as calçadas (igual fez a "classe média"). E com essa migração para os shoppings, apareceram os tais "combos".
Tente comprar um singelo saquinho de pipocas numa bomboniere de cinema que te mostrarão diversas opções, nenhuma delas envolvendo um saquinho de pipocas. É um tal de "compre o mega-giga-combo-cetáceo e leve um squeeze da Xuxa".
Mas tudo bem, não adianta resistir e a gente acaba aderindo. Confesso entretanto que nunca consegui passar do "Combo Kids", que já é coisa de gente grande e contém calorias que jogam pela descarga um dia e meio de malhação. Chega a ser engraçado um barbado de mais de 30 chegar no caixa e pedir "Um Combo Kids, por favor". Sinto o olhar da mocinha procurar a criança à minha volta quase que instantaneamente.
"Um chocolate para acompanhar, Senhor?".
"Não, não preciso aumentar mais nenhum centímetro da circunferência da minha cintura, mas sou-lhe muito grato por tentar".
Acabou que passamos a associar cinema à comida e a fila para a sala de exibição demonstra isso. São Prestígios, Diplomatas, Toblerones, M&Ms, pipocas, refrigerantes, todos perfilados aguardando para assistir aqueles 20 ou 30 minutos de comerciais e traillers (no meu tempo não passava de 10 minutos e ainda assim levava vaia), já que dificilmente os acepipes conseguem chegar ao filme propriamente dito, todo mundo come tudo antes do filme começar.
Mas fica aquele cheiro de no ar, atiçando a vontade dos que resistiram bravamente até ali, e deixando esta incrível sensação, que é a dos atores e atrizes, independente do gênero de filme em que estejam, cheirarem todos a pipoca.
"Estou entediado, acho que vou pra rua encher o saco dos outros"
Postado em 18 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
Outro dia estava comprando umas bobagens (já viu homem ir pro mercado comprar outra coisa que não seja bobagem?) e ao mesmo tempo lendo uns emails no celular. Não esbarrei em ninguém, não bloqueei a passagem de ninguém, não fazia nenhum tipo de atitude abominável típica de cell phone freaks como ouvir funk, Tiririca ou Los Hermanos com o volume no máximo, e mesmo assim passou uma velha do meu lado e disse, aliás, disse não, o melhor termo para a forma como ela falou é cuspiu: "malditos celulares!".
Assim mesmo, do nada. Como se dissesse "malditos políticos!" ou "malditas aranhas!".
Fiquei na dúvida se fingia que não ouvi ou se mandava a anciã tirar a dentatura e ir fazer um boquete a laser no marido, mas preferi deixar pra lá.
É aquele cara que foi pra fila do banco brigar com os outros por causa do lugar, encher o saco do caixa porque quer receber os R$27,00 de troco somente em moedas de R$0,50 e ainda faz algum discurso em altos brados sobre o filho do banqueiro que mora em Miami enquanto ele está ali naquela agência nos Cafundós do Judas pagando seu carnê das Casas Bahia.
Ou então a coroa enxuta que vai na padaria comprar ricota com seu cachorrinho dentro da bolsa e faz questão de observar para o atendente que não pediu 207 gramas de queijo e sim 200, não entendendo porque essa gente do "populacho" tem tanto problema em entender um simples pedido, e que é por isso que "jamais subirão na vida".
Tem também quem tire o carro da garagem para dar uma voltinha até o shopping e brigue com o porteiro porque demorou a abrir o portão, brigue com o sinal de trânsito porque demorou a abrir, xingue outro motorista porque está devagar demais, arruma uma confusão por causa de uma vaga, entra, discute com o garçon porque demorou a trazer o cafezinho, bate-boca com a caixa do estacionamento porque acha o preço exorbitante, volta pra casa furando todos os sinais vermelhos que vê pela frente, briga com o porteiro outra vez por causa da demora em abrir o portão e vai dormir.
Todos esses e tantos outros parecem ser casos de transfusão de stress. Você está puto com alguma coisa e vai distribuindo esse sentimento por aí, diluindo por quem passa na sua frente e espera que no final do dia se veja livre do peso.
O problema é que existem outros cretinos iguais a você aos montes e eles fazem questão de te devolver tudo aquilo que você passou o dia "perdendo". Mais ou menos quando você joga um papel no chão e alguém pega, te chama e diz: acho que você deixou isso cair.
Na maioria das vezes são pessoas normais, cordatas, mas que por alguma razão se transformam de vez em quando. Mas ninguém tem nada a ver com isso, afinal, mesmo que você seja o maior mal-humorado do mundo, isso não quer dizer que você aprecie mau humor nos outros.
E ainda que você seja que nem eu e não goste de dar nem esporro de graça, não é porque você resolveu abrir exceção que os outros são obrigados a gostar de receber.
Niterói: uma cidade em decomposição
Postado em 24 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
E enquanto a qualidade de vida na cidade é destroçada pelo inchaço populacional, as imobiliárias comemoram.Exageros de Gourmet
Postado em 10 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário
Só que uma vez fui numa diferente, nem melhor e nem pior, mas realizada numa dessas casas moderninhas com menus estilosos. O que aconteceu foi que ao invés das coxinhas, bolinhas de queijo e pastéis feitos com a carne assada que sobrou do almoço, eles serviram chutney de acaí, graviola e cupuaçu, canapés de banana com siri (por mais bizarro que isso possa parecer, foi o que consegui identificar), pãezinhos ciabatta miniatura com geléia de pimenta, entre outros acepipes. Não vou dizer que os salgadinhos seriam melhores, mas estaria mentindo se não dissesse que achei esse cardápio, no mínimo, estranho
E isso me fez pensar sobre os exageros que certos restaurantes cometem quando querem ousar demais, porque uma coisa é você pegar ingredientes do dia a dia e "enfeitar" cada um deles, dar um toque regional, especial, e apresentar sabores diferentes ao seu cliente.
Talvez por isso eu nunca vá esquecer de uma rabada já recheada com o agrião - imagine o trabalho que não deve ter dado desossar aquilo tudo e rechear depois - que chegou a vencer um concurso de gastronomia. E quem já foi ao Ateliê Culinário com certeza pôde descobrir que um caldinho de feijão, um cachorro quente e um bolo de laranja podem assumir conotações totalmente diferentes e novas com capricho e inovação.
Já provei pratos inovadores que eram deliciosos. Como um risoto ao brie, com presunto parma e rúcula. Não tem nada mais prosaico do que um risoto, no entanto pequenos toques o transformam em algo sem igual. E isso vale para tudo, desde berinjelas ao mel até uma simples mousse de chocolate meio amargo com umas folhinhas de hortelã e amêndoas por cima.
Mas outra coisa bem diferente é você praticamente chocar seu cliente. Não sou expert em haute cuisine, logo as opiniões que emito são de um mero curioso, ou mais precisamente do sujeito que entra num estabelecimento com fome e quer comer bem, então creio que posso dizer que um "quibe de camarão com nozes" é muito, muito estranho. Podem me chamar de ignorante, mas batizar algo de "quibe", seja lá o que for, não transforma aquilo automaticamente num quibe. É preciso algo que remeta, ainda que de longe, ao sabor de um quibe.
E isso vale para tudo, na minha opinião, claro.
Alem disso esses restaurantes honram a fama de serem lugares para provar comida, ou seja, nem pense em sair de muitos deles com a barriga cheia, não é esse o objetivo. O objetivo é entrar lá com o bolso cheio, porque os preços geralmente valem uma compra quinzenal. Já saí de um restaurante francês onde comi o que seria um steak au poivre vert, direto para uma pizzaria e com a sensação de ter comido meio churrasquinho de gato.
O que é uma experiência bem diferente do tal menu degustação , que vai sendo servido aos poucos, em pequenas porções, e no final você tem a sensação de que comeu um bezerro.
Mas no final das contas, o que importa é o prazer de se estar à mesa, com bons amigos e uma conversa agradável. Sou de família portuguesa e apesar de saber que isso muda nossa percepção em relação à quantidade de comida, já que lusitanos gostam de muita, também me fez associar as refeições a diversão, reunião, confraternização e, claro, boa comida. Exageros de gourmet à parte, esse é certamente um dos maiores prazeres da vida.
Por isso costumo dizer que um bom chocolate para ser melhor do que sexo, só depende da qualidade do sexo, e não do chocolate.
Se for mandar buscar a morte, mande vir no SAMU
Postado em 8 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários
Essa é apenas uma forma de dizer que desejo que ela demore muito, e se for depender do SAMU é capaz de termos aí um problema de superpopulação, porque a temida senhora não virá nunca. E faço questão de explicar o porque em duas rápidas cenas do cotidiano que eu mesmo tive o (des)prazer de presenciar.
Na primeira eu tinha almoçado num restaurante, era sábado e a casa estava cheia, era um desses estabelecimentos de dois andares, um desses templos de gulodice a quilo, já estava indo embora quando ouço por trás de mim o som de um pinguim rolando escada abaixo. Pensei na hora "pinguins não curtem comida a quilo, como pode?" e olhei para conferir: era uma senhorinha terminando uma cena de pastelão.
Lembrei de todos os episódios de E.R. que já assisti e disse: ela precisa ir para um hospital, pode ter que fazer uma tomografia (falar CT Scan é muito mais cool, mas fazer o que..) e resolvi ligar para o tal 192 do meu celular. O diálogo que veio em seguida é kafkiano:
-Alô? Quero pedir uma ambulância para socorrer uma senhora que caiu de uma escada.
- Pois não Senhor, qual o endereço?
- Rua tal, número tal, em frente ao colégio tal.
- O Senhor pode me dar um ponto de referência?
- EM FRENTE AO COLÉGIO TAL.
- Peço que tenha calma Senhor, essa escada onde ela caiu, está localizada em que lugar?
- Na rua tal número tal, dentro do restaurante tal e qual.
- Mas a escada é dentro do restaurante ou é saindo do restaurante e chegando na rua?
- É dentro do restaurante.
- Entendo. O Senhor pode me dizer a altura da escada?
- Eu não tenho fita métrica aqui, esqueci no meu outro cinto de utilidades, mas calculo que seja algo entre três e quatro metros.
- Três ou quatro metros Senhor?
- Quatro, quatro.
- Muito bem. Essa Senhora, qual a idade dela?
- Não sei, aparenta ter uns 60 anos.
- Ela está acompanhada?
- Sim, o filho está junto dela, socorrendo.
- E qual a idade do filho dela?
- Desculpa, mas isso é realmente relevante?
- Senhor, tudo o que eu pergunto é relevante.
- Não sei, uns 40 anos.
- E o Senhor tem o telefone dele?
- Se você quer um encontro, porque você mesma não pede? Que tal mandar uma ambulância logo?
- Senhor, eu preciso fazer todas essas perguntas, tenha paciência.
- Eu tenho paciência, só não sei se a cabeça dela que bateu no chão umas duzentas vezes enquanto ela rolava escada abaixo vai ter a mesma paciência.
- Ela está acordada?
- Está.
- Lúcida?
- Está tão lúcida quanto alguém de 60 anos, com um filho de 40, que possui o número de celular 9999-9999, que caiu de uma escada de uns quatro metros, dentro do restaurante tal, na rua tal, em frente ao colégio tal poderia estar 15 minutos depois da queda e sem nenhum tipo de socorro.
Foi quando o gerente do restaurante me procurou e disse:
- Amigo, outro dia eu fiquei meia hora com eles e a ambulância não veio. Eu vou pegar o carro do restaurante e levar a senhorinha acidentada para o hospital.
Só tive tempo de dizer para a atendente do 192:
- Muito obrigado pelo quiz. Não precisa mais mandar nada, porque como sempre as pessoas já se viraram sozinhas.
Da outra vez foi em Botafogo, em frente ao Espaço de Cinema. Ouvi aquele barulho característico de uma colisão de automóveis, só que ao invés de frear, o carro continuava acelerando. A mulher ao lado do motorista berrava "Ele está infartando! Ele está enfartando" (coloquei as duas formas "infartando" e "enfartando" para ninguém ficar chateado), fingindo que não lembrava da história da mulher da escada disquei para o 192 de novo.
Mas como seguro morreu de velho - porque nunca dependeu do SAMU - e eu sei que tem uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ali perto, corri pra lá enquanto respondia ao questionário sócio-econômico-e-até-de-vidas-passadas que a atendente do 192 fazia.
Chegando na UPA, recebi a notícia que os médicos e enfermeiros ali lotados não pode ir nem na esquina caso alguém esteja morrendo lá. É preciso trazer o indivíduo até eles. Tudo bem, pelo menos eles devem ter alguma influência e abreviar o atendimento do 192, não é?
Não.
O Cabo do Corpo de Bombeiros estava já há 12 minutos - cronometrados no meu celular - com a atendente num debate interessante: a vítima bateu e desmaiou ou desmaiou e bateu?
Porque se tivesse batido e desmaiado, seria caso de ligar para o 193. Se tivesse desmaiado e batido, aí sim, seria 192.
No meio da discussão filosófico-matemática sobre qual era o número responsável pelo Senhor que agonizava a uns 800 metros dali, eis que chega o enfartado, trazido por um segurança que trabalhava na rua e resolveu ir até a UPA dirigindo o carro da vítima.
O cabo dos bombeiros devolveu o telefone, agradeceu meu "gesto de cidadão" e me confessou ao pé do ouvido "Esse 192 é uma m*!".
Não sei qual foi o destino da senhorinha da escada ou do senhor que desmaiou, mas sei de uma coisa: o cabo estava coberto de razão.
Mais um temporal pára o Rio de Janeiro
Postado em 6 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Pra começar, no Rio só faz frio mesmo durante uns três dias e 12 horas por ano. No resto do tempo a cidade se divide entre o calor infernal e a chuva torrencial. Sabendo disso, todo carioca sabe que seu guarda-roupa precisa de menos agasalhos e mais galochas.
Quem vier morar no Rio de Janeiro deve ter em mente que de três coisas ele jamais escapará: suar feito um maratonista queniano mesmo que caminhe a passos de tartaruga, molhar seus pés nas águas fétidas de alguma enchente durante um temporal e ouvir a infame piadinha de "ver a Mangueira entrando" quando chega o Carnaval.
Se eu sei disso e certamente o prefeito da cidade (por prefeito entenda-se qualquer indivíduo que já ocupou ou ainda ocupará este cargo nos últimos e nos próximos 20 anos) também sabe.
Como no Rio o calor é tão inevitável quanto guardadores de automóveis e bailes funk, melhor então que o alcaide se preocupe com as chuvas. E não acho que a presença do prefeito na imprensa dizendo platitudes como "não tentem atravessar ruas alagadas" ou "não saiam de casa se o seu carro não for anfíbio" seja uma ação efetiva contra o caos que se instala.
Desde que Getúlio Vargas ouvia discos da Xuxa todo mundo sabe que a Praça da Bandeira alaga quando chove. Desde que a Praça da Bandeira existe ela é a principal via de ligação entre a Zona Norte da cidade e o Centro. Dessa forma, sempre que chove estas duas partes da cidade ficam isoladas uma da outra.
Não é possível que um país que tem a criatividade para produzir tantos mensalões e impostos diferentes não consiga imaginar uma solução viável para a Praça da Bandeira. Garanto que a população não se importaria caso essa solução fosse superfaturada tal qual a Cidade da Música do César Maia, que sozinho mandou na cidade por uns 17 anos e nada fez contra os problemas causados pelas chuvas.
Todo mundo sabe que bueiro entupido vira alagamento. Todo mundo sabe que casa construída em encosta de morro, bah vamos parar com esse "politicamente correto" e dizer favela mesmo, todo mundo sabe que as favelas desabam na cabeça dos próprios favelados quando chove, qualquer indivíduo com mais de 10 anos de idade conhece todos os pontos críticos em dias de chuva da cidade onde mora, e como é que um prefeito sabendo disso tudo, nada faz?
Digamos que a dinheirama que vai ser gasta para promover 15 dias de Jogos Olímpicos e construir estádios e arenas que depois virarão criadouro de mosquito da dengue fosse usada para algo um pouco mais útil como, por exemplo, garantir que os cidadãos não gastem 5 horas para voltar para seus lares caso chova mais de 30 minutos na cidade. Não seria mais inteligente?
Mas quem disse que político brasileiro é inteligente? Eles são é espertos, o que é bem diferente, ainda que pareça igual. São todos medalha de ouro em pilantragem.
Pelo menos uma obra eu já vejo concluída para a tal Olimpíada 2016: basta rezar para chover bastante que o Parque Aquático estará ali, prontinho para as competições de "fuga do engarrafamento", "salve-se quem puder" e "desafio à leptospirose".
O Foursquare, a super-exposição e o futuro serviço "por favor, me roube/estupre/mate".
Postado em 23 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Agora com um serviço desse tipo, qualquer um vai saber exatamente tudo o que eu faço, meus horários, rotina e basta acessar a internet e utilizar os dados que eu mesmo forneço para fazer o que bem entender, desde ir na minha casa roubar na minha ausência, me esfaquear numa calçada e até me oferecer algum pacote da Herbalife.
Eu sou o que vendo
Postado em 17 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários
Mas o dado curioso que quero contar aqui com certeza não são pessoas comprando laticínios, e sim o caprichado sotaque de mineiro que o vendedor ostenta. Tudo bem que ele seja mineiro mesmo, mas posso afirmar que nem em Barbacena ele bota tanta força naquela toada.
E isso me fez pensar nesse fenômeno que não é privilégio do mineiro vendedor lá do meu trabalho, quase todo mundo que trabalha com determinados produtos e serviços termina compondo seu visual e seu modo de agir e falar de acordo com o que vende.
Nos meus tempos de faculdade, eu e meus colegas de turma frequentávamos um restaurante japonês maravilhoso em Nova Friburgo, onde morávamos. O proprietário era um simpático senhor japonês muito assemelhado com o Miyagi do "Karatê Kid". Sua esposa, também japonesa, vivia no restaurante ajudando e o sushiman era um sujeito muito gente boa vindo de João Pessoa.
Sabem que o maior "sotaque" de japonês era justamente do sushiman? Falava as palavras naquele ritmo japonês, sílaba a sílaba, e não fosse os olhos redondos todo mundo acharia tratar-se de um japa real-thing.
Experimente entrar em loja de produtos exotéricos e não se deparar com nenhum "monge" ou "bruxa" lá dentro. Todo mundo é meio "bicho grilo" no Mundo Verde ou nessas lojas que vendem incenso. Ou então tente encontrar um vendedor de mel na rua que não use um chapéu de palha e também não capriche no sotaque "da roça".
Conhecia uma menina que era totalmente despojada e casual e virou uma dessas patricinhas de fazer inveja à turma das Gossip Girls depois de entrar para a PUC pra cursar direito.
Que nem cabeleireito desses salões "supermercado", já viram? Todos terminam usando calças de linho e cordões de ouro e roupas que o fazem ficar que nem cantor sertanejo.
Técnico de eletrônica também vai ficando meio maluco com o tempo, mas não sei se é a convivência, se é tendência no meio ou se é fruto da escolha profissional dele mesmo (mais ou menos como os publicitários).
Eu sei que ajuda nas vendas e dependendo do ramo, como lojas de discos e CDs (isso ainda existe?) contratarem rockers, DJs e outros experts para trabalhar ali, mas não deixa de ser um fato curioso essa espécie de fusão entre o imaginário que cerca determinados produtos e serviços, e a forma com que as pessoas que trabalham com eles acabam falando, se vestindo, agindo.
Por isso é muito bom a gente não se meter com lutador de boxe, evitar treta com amolador de faca, namorar uma stripper pelo menos uma vez na vida e verificar se o vizinho não trabalha em loja de caça antes de reclamar do som alto.
Histórias para contar ao telefone
Postado em 9 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Seja um corte de cabelo, seja conserto do carro, ligamos desesperados para os amigos pedindo "me indica um cara que seja boooooommmmm!" e eles respondem "putz, o meu era maravilhoso, mas foi morar em Floripa mês passado".
Eu já passei por isso, você certamente já passou por isso, todo mundo já passou por isso, mas como contornar o problema?
Telefonar para um estabelecimento e pedir pelo "melhor profissional disponível, já que você não conhece ninguém" é certeza de ser atendido pelo novato que não tem clientes.
Aí imaginei o que poderíamos dizer ao telefone para ter a garantia de que só o melhor nos atenderia.
Aí vai a lista, sinta-se à vontade para acrescentar suas idéias nos comentários:
Um cabeleireiro
- Alô! Eu quero marcar hora pra cortar meu cabelo, mas esqueci o nome dele, já fui aí uma vez e tive que esperar umas 3 horas pra ser atendido...é um rapaz estiloso, como é mesmo o nome?
Um médico
- É da clínica? É que preciso marcar uma consulta, mas esqueci o nome do médico, lembro que da última vez que fui aí ele tinha ido ministrar um curso no exterior...
Uma garota de programa
- Dial-a-Vagina? Boa tarde, eu preciso de uma moça, mas não me recordo como ela se chama, mas posso descrevê-la, ela parece um pouco com a Megan Fox e vocês aí diziam que os seios dela eram parecidos com os da Pamela Anderson, sabe quem é?
Um garoto de programa
- Gogo-Boys Inc.? Tudo bem? Estou a procura de um acompanhante, sei que ele vive trocando de nome, não sei qual usa agora, mas quem me indicou foi um amigo meu que é bombeiro e disse que ele lembra muito um de seus instrumentos de trabalho, poderia chamá-lo?
Uma faxineira
- Rent a Maid? Como vai? Preciso contratar uma faxineira, mas infelizmente perdi o papel que tinha o nome dela escrito, foi minha irmã obsessiva-compulsiva que me indicou, pode me ajudar?
Um mecânico
- É da oficina? Que bom! Estou tentando falar com vocês há horas! Eu preciso da ajuda de um mecânico daí, mas não lembro direito o nome dele, sei que vive sujo de graxa e que fazia meu antigo Fusca 62 andar como uma Ferrari Testarossa...
Um dentista
- Bom dia! Eu queria falar com o Dr...Dr...sabe o que é? Não consigo lembrar o nome dele! Ele tinha a mão tão leve que eu dormi a consulta inteira, como é mesmo que ele se chama?
Um técnico de informática
- Info Xing-Ling? Oi, amigo, pode me dar uma mãozinha? Procuro um técnico de informática que veio aqui na minha casa uma vez, ninguém dava jeito no meu 486 e ele deixou tão bom que funcionou até ontem, pode dizer que preciso falar com ele?
Um psicólogo
- Consultório? Estou ligando por indicação do Dado Dolabella, ele disse que só um psicólogo aí poderia me ajudar mas esqueci o nome da pessoa, você saberia?
Um arquiteto
- Escritório de arquitetura? Tudo bem? Tenho um problema: Oscar Niemeyer já tinha concordado em fazer a reforma da minha cozinha, mas eu não trabalho com comunistas. Você teria alguém aí que possa substituí-lo?
Alguns desses foram inclusive testados em condições reais e, acreditem, funcionaram! (Não, não foram nem a Call Girl e nem o Gogo Boy).
Eu vi um tsunami fake no You Tube!
Postado em 4 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Aí resolvi brincar com a notícia e tuitei que se fosse um tsunami, a repórter diria que a brasileira "acordou molhada".
Isso atiçou minha curiosidade mórbida por tsunamis e fui pro You Tube procurar vídeos que mostrassem os efeitos das ondas devastadoras.
Pois bem, o primeiro vídeo que encontrei foi, claro, de um brasileiro contando que aquele era um registro feito "algumas horas após sismo no Chile (2010) por turistas. Meu tio acabou de me enviar estas imagens de onde está hospedado em Hanauma Bay no litoral do Havaí".
O link do vídeo está disponível aqui. São imagens realmente impressionantes de uma grande onda que se aproxima rapidamente assustando as pessoas que estão na praia. Não chega a ser um tsunami devastador, mas se eu estivesse ali as pessoas me veriam cagar nas calças sem nenhum pudor.
E as esclamações de "holy crap" me deram razão e me fizeram pensar que o "tio" do sujeito, que aliás se auto-denomina muito apropriadamente de "Ascaris", fosse americano ou vivesse lá a bastante tempo. Mas isso não tem nada a ver, o que importava mesmo eram as imagens aterrorizantes do vídeo, postado em 27/02 (mesmo dia do terremoto), e que já tinha naquele momento 750.065 views e 64 comentários.
Bom, curioso que sou, continuei procurando vídeos mais antigos de tusunamis, até que cheguei nessa compilação, que trazia imagens do tsunami que em 2004 devastou a Ilha de Sumatra.
Estou lá inocentemente me abastecendo de imagens e informações na rápida teia da grande rede quando, opa! Pera aí! Eu acho que vi um gatinho, quer dizer, eu acho que já vi essa onda aí antes...
Deja vu de You Tube? Não.
Quando o vídeo de Sumatra estava em 3:39, percebi que o espertalhão que colocou o vídeo enviado pelo seu "tio" utilizou um outro vídeo do tsunami de 2004 para enganar 750.065 inocentes (não chamarei de idiotas porque fui um deles) que acessaram sua página do You Tube.
Aí embaixo estão destacados detalhes dos dois vídeos e a incrível semelhança entre eles (clique nas imagens para que aumentem):
Vídeo do Espertalhão
Vídeo de 2004
Pensei: ou este barco, aquela árvore e a rede de volei são turistas muito azarados mesmo, a ponto de estarem presentes em dois tsunamis ocorridos em locais diferentes, ou então o tal micróbio (Ascaris) honrou o seu nome e conseguiu a atenção tão desejada através do primeiro tsunami fake da história da internet.
Isso me leva a concluir que: continuar desconfiando mesmo quando vemos a imagem na nossa frente é saudável nestes tempos de digitalização total e que sempre tem um pentelho (nesse caso específico, o pentelho fui eu) que vai pegar sua mentirinha.
E finalmente, tinha que ser brasileiro, né?
Comprar xingling vale a pena?
Postado em 28 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários
Não interessa quanto custa. Se custar R$1,00 e o iPod R$501,00, essa economia de 500 reais não compensará as orelhas de burro que você sentirá crescer depois que começar a mexer naquela joça.
Metrô Rio, o trem que engarrafa
Postado em 26 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Quem anda de metrô diariamente no Rio de Janeiro provavelmente já ouviu essa frase dita por aquela mesma voz feminina que passa a viagem inteira nos dando ordens, "Ceda o lugar", "Não ande com a mochila nas costas", "Respeite o 'Carro das Mulheres'", "Ajude os idosos", "Vá para o meio do carro", "Não segure as portas", etc, etc.
Se você não anda diariamente também ouvirá, porque é praticamente impossível usar o serviço e não ficar preso entre uma estação e outra nesse bizarro e escandaloso "engarrafamento" de trens.
Outro adicional que a concessionária de Daniel Dantas (que cobra uma das passagens proporcionalmente mais caras do mundo) te oferecerá são as paradas bruscas, duas, três e até mais por viagem, dependendo da distância que você percorra.
Mas tudo isso seria fichinha caso o Metrô Rio não tivesse se esmerado nos últimos meses para avançar ainda mais no seu padrão de (não) qualidade. Some-se a estes problemas citados outros como plataformas entupidas de gente devido ao aumento do intervalo entre os trens, a consequente superlotação das composições e, cereja no bolo, o calor infernal que passou a fazer dentro delas porque o ar-condicionado não funciona direito.
Eles dizem que é porque esse sistema de ar foi feito para refrigerar trens que andam sob a terra (duh) e que como a Linha 2 do metrô carioca é toda sobre a superfície, o ar-condicionado não suporta o calor.
Estranho por duas razões muito simples:
- Isso não acontecia antes, mesmo na Linha 2.
- Esse calor infernal também vem como brinde para quem usa a Linha 1, toda debaixo da terra como um bom metrô pede.
E aí? E aí nada. O que temos é o "diretor de relações institucionais" do Metrô Rio, senhor Joubert Flores, dizendo que não é bem assim e que tudo isso vai melhorar, um dia, mas só a partir de 2011 que é quando começam a chegar os novos trens que eles compraram.
Este senhor é, como bem lembrou o Artur Xexéo em sua coluna semanal, uma espécie de ilusionista que trabalha para a concessionária. A plataforma está entupida de gente e ele é capaz de dar uma entrevista ali mesmo dizendo que tudo está dentro do limite. Algum jornalista pega um termômetro e registra 35º dentro de um vagão e ele declara que "o ar-condicionado está funcionando muito bem". Os atrasos são constantes e irritantes, mas ele diz que "tudo funciona somente com pequenos atrasos".Talvez seja mesmo uma questão de ponto de vista. Talvez a culpa seja mesmo dos usuários que ao invés de pensarem na temperatura dentro dos trens como "sauna gratuita", na superlotação do sistema como "oportunidade de fazer novas amizades" e nos constantes atrasos como "excelente hora para pensar na vida", ficam aí reclamando de barriga cheia porque tem o privilégio de pagar uma passagem que custa R$2,80 (e todo ano sobe, sem falha, sem atraso, sem precisar esperar 2011) para usufruir de um serviço de bosta.

Clique para aumentar
É curiosa essa relação do metrô com o carioca, como também lembrou o Xexéo, porque tínhamos orgulho dele. Sobre a terra continuávamos a ser uma cidade caótica, infernizada pela informalidade e pela ilegalidade, favelizada, suja, abandonada pelos governos que sucediam-se no seu método de abandono, mas debaixo da terra tudo corria bem.
O metrô era limpo, rápido, confortável, pontual, enfim, era tudo o que não se espera do Rio de Janeiro.
Hoje, esse estranho sistema de concessões no qual o Governo do Estado constrói estações e extensões e entrega para uma empresa privada (mal) administrar nos presenteia com tudo que já vemos em cima: caos, desrespeito, desconforto, atrasos, preços altos.
Até uma estranha modernização dos trens que já existem me parece fora da realidade, já que está substituindo os assentos de fibra de vidro atuais por uns estofados, totalmente inadequados para um serviço de transportes que nos finais de semana fica cheio de banhistas, voltando da praia encharcados de água do mar. Sem contar um visual horroroso digno de pastelaria de chinês que algumas estações ganharam após uma reforma visual inútil.
E nessa crônica diária de degradação da assim chamada "Cidade Maravilhosa", o metrô é apenas mais uma dentre tantas coisas que os cariocas terão para sentir saudades de um passado cada vez mais distante.
A fábula da meia-entrada
Postado em 19 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários
A mocinha que vendia os ingressos nos atendeu com um sorriso dizendo "o ingresso custa 150 reais". Minha amiga então entregou 75 reais para a dita-cuja que replicou "não, é 150 já a meia".
Aí minha amiga estranhou, pois no flyer da festa dizia que o ingresso custava 150, dito isso, a moça explicou "é que fizemos uma promoção especial e como os ingressos custariam 300, resolvemos extender a meia-entrada para todos e aí ficou em 150, está aqui o regulamento" e mostrou o tal papel que dizia exatamente o que ela acabara de explicar.
Legal, né? Não. Tenho percebido isso de forma mais disfarçada em vários shows e eventos.
Os organizadores já esperando a enxurrada de carteirinhas falsas (qualquer um tira uma carteira da UNE em 2 dias, sem precisar frequentar nem cursinho de inglês) colocam o preço do ingresso nas alturas e aí praticam na tal meia-entrada o preço que provavelmente eles consideram realmente justo.
A tal festa foi mais descarada nesta prática apenas, mas isso acontece toda hora.
Porque vejamos: qualquer show internacional que aconteça no Brasil cobra preços inteiros que vão de 100 a 180 reais (arquibancada ou pista comum) até uns 200 a 400 reais (cadeiras, camarotes e as malfadadas "pistas VIP", uma excrescência da qual ainda falarei aqui um dia).
Por melhor e mais na crista da onda que esteja um artista, é inconcebível que o ingresso de um show custe 1/3 (ou mais, dependendo da localização da entrada) do salário mínimo do país.
Mas se pensarmos nos preços da meia-entrada, que cairiam para algo em torno de 50 a 90 reais para os lugares menos concorridos e 100 a 200 para os "VIPs", ainda é caro, mas já é algo dentro da realidade.
O mesmo acontece em cinemas. Alguns chegam a cobrar 18 a 20 reais para as entradas inteiras, certamente já pensando também nos tios, mães e pais que chegam ali com carteira de secundarista para assistir um filme.
Que a UNE é uma entidade aparelhada por partidos e inútil sob vários pontos de vista é uma opinião da qual compartilho totalmente, mas o benefício da meia-entrada é algo interessante, tanto para estudantes quanto para os maiores de 65 anos, pois nessas épocas das nossas vidas ou não podemos trabalhar porque precisamos estudar ou então já nos aposentamos e a renda cai vertiginosamente.
O ponto disso tudo é que no Brasil o círculo vicioso é uma constante. Cobra-se preços absurdos e as pessoas recorrem à fraude da carteirinha de estudante, aí os estabelecimentos culturais e organizadores aumentam ainda mais o ingresso para compensar as perdas que têm com a prática e todo mundo finge que está tudo bem, fazendo vista grossa tanto para o problema das carteiras falsas quanto para o absurdo que se cobra pelos ingressos para eventos culturais.
O resultado é que o acesso à cultura só se dá quando a pessoa tem dinheiro ou então recorre à artifícios como esses da meia entrada, DVDs pirata, download de mp3, entre outros e cresce entre a população a idéia de que "educação e cultura é coisa de rico".
E nessa batida, o que acontece é que o país vai ficando cada vez mais pobre.
Brasileiro: o autêntico bunda mole.
Postado em 8 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 29 Comentários
Eu estava num supermercado outro dia, mais precisamente no caótico mês de dezembro, e as filas nos caixas eram intermináveis. Aquele monte de senhoras comprando castanhas, senhores comprando vinho e "galeras" comprando cerveja.
Se houvesse no lugar aquelas placas dizendo o tempo estimado de atendimento, elas deveriam indicar algo próximo da idade de Matuzalém. Pois bem, no meio desse "conforto" todo, uma caixa desliga sua máquina registradora, coloca uma plaquinha de "fechado" no seu posto e avisa que "está na hora do lanche".
Longe de mim pretender que uma caixa de supermercado morra de fome bem ali num dos templos da gulodice, tal qual morrer poeticamente de sede em frente ao mar, mas isso é problema dela. O problema do caixa fechado, que logicamente deveria ter sua operadora substituida, era do gerente da espelunca e o meu problema era só um: conseguir sair dali enquanto 2009 não acabava.
As pessoas que estavam na fila do caixa da mocinha que foi lanchar, eu incluído, começaram a reclamar de ter que mudar para outra fila, da demora no atendimento, de um monte de coisas, mas aquela reclamação tímida, meio que ao pé do ouvido, típica de um contínuo na fila de um café da manhã gratuito.
Como posso ser tudo, menos um cara "dócil", resolvi que aquele muro das lamentações não era o meu lugar e fui procurar o tal gerente, se é que aquele local possuia um.
Bom, sim, havia um gerente que estava ocupado batendo papo com os rapazes da entrega sobre as possíveis contratações do Botafogo. Fui obrigado a interromper a mesa redonda e falar com o dito cujo.
- Boa noite, o Senhor acha normal que um supermercado tenha filas deste tamanho, mal organizadas, entupidas de gente, lentas, e no meio disso tudo uma caixa saia para lanchar sem que ninguém a substitua?
- Senhor (lá veio ele com esse "Senhor", botam na sua b..., você sabe, e te chamam de "Senhor"), o Sindicato exige que elas tenham direito à uma pausa para o lanche.
- Amigo, não me interessa o Sindicato e nem o misto-quente da menina, ela que saia, mas é seu trabalho colocar alguém no lugar ou então você mesmo ir pra lá operar a caixa, já que não acredito que um gerente de supermercado não saiba fazer isso.
- Mas ela não vai demorar nada, em 10 minutos ela volta.
- Senhor (Rá! Agora era minha vez!), eu já estou aqui há uns 20 minutos e não faz parte dos meus planos dar mais 10 para vocês, mas já notei que essa conversa não levará a nada, me diz o telefone de reclamação do estabelecimento ou me entregue um livro para isso que eu não vou comprar mais nada aqui, porém vou relatar a forma absurdamente imbecil com a qual vocês tratam seus clientes.
- Tudo bem, Senhor (Bah, me devolveu a bola), vou pegar o livro.
Bom, depois do "desabafo", voltei pra fila para esperar o tal livro. E qual minha surpresa?
O livro chegou? O livro não veio? Nada disso! O gerente mandou que abrissem o caixa para me atender, isso mesmo, para que eu fosse atendido, somente eu e ele se livrasse do problema.
Chegou dizendo "Senhores, eu vou ter que abrir esse caixa 1 minuto para atender a este Senhor, mas por favor, permaneçam nos seus lugares".
Sabe o que aconteceu? Desculpem a caixa alta: TODOS OBEDECERAM!
Eu que precisei dizer: "Mas não mesmo! Que negócio é esse?! Quer dizer que porque eu reclamei você vai me tirar da fila e o resto das pessoas vai continuar na União Soviética? Nem pensar!".
Aí ele se tocou que havia deparado com um "sujeito pé no saco"(ou seja, eu) e abriu a fila para todos.
Moral da história: os políticos nos roubam, o Metrô nos trata que nem sardinhas em lata, a prefeitura deixa sua rua esburacada e mal iluminada mas te cobra impostos e multas cada vez mais leoninos, o Estado te cobra outros tantos impostos e te dá em troca um tratamento que nem chimpanzé de circo recebe, pedágios sobem, passagens sobem, os serviços só pioram, somos cercados de absurdos e excrescências diariamente e pouco ou nada melhora, sabe porque?
Porque temos no Brasil gente demais que fica quieta na fila do caixa, que vê alguém sendo privilegiado porque "defendeu seu lado" e não exige que defendam o lado delas também, gente que murmura reclamações mas não toma atitude nenhuma e, pior, quando alguém faz, ainda é taxado de "reclamão", "azedo", "baixo-astral".
Podem me falar "porque então você não vai pra rua protestar?". Porque eu seria um louco solitário que talvez conseguiria uns outros 50 loucos para andar atrás, se tanto.
E quanto ao resto? O resto murmura. Murmura e pasta.
Convites pro Novo Orkut (ou Facebook cover)
Postado em 26 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 24 Comentários
Não adiantou. Quando ia pra quinta tentativa resolvi clicar no botãozinho "versão antiga" e continuar por ali mesmo.
Não que eu seja contra mudanças e inovações, nada disso, mas pra alguém como eu que só entrou no Facebook para acompanhar o perfil da Sarah Palin porque considera aquele monte de penduricalhos do site um verdadeiro suplício funcional, o Novo Orkut soava como um Facebook sem a Sarah.
No ramo de automóveis alguns vendedores chamam de "vovô maquiado" aquele carro que ainda dá um lucro pra montadora mas está ultrapassado, aí então para não investir demais em mudanças estruturais dispendiosas, a fábrica coloca enfeites, aerofólios, spoilers, borrachões e apresenta sua velha novidade num lançamento pomposo.
O Novo Orkut tem um pouco disso na minha opinião. O visual é mais "facebookado", você escolhe a cor do seu plano de fundo, as atualizações dos seus contatos aparecem de uma forma meio ostensiva na sua página principal, suas comunidades e amigos passam a aparecer todas na mesma coluna, sem a necessidade do "view all", mas a verdade é que tudo ficou mais difícil de ser encontrado, o site ficou menos organizado e a informação relevante se perdeu no meio de tanta "maquiagem".
O Orkut com isso conseguiu perder o que ainda tinha de vantagem em relação à outras "redes sociais": a facilidade do uso.
Mas o buzz foi grande! O site novamente exigiu que se tivesse um convite para testar sua nova versão e as pessoas saíram desesperadas atrás de um. Uma outra "febre" orkutiana aconteceu, com pessoas vendendo convites no Mercado Livre e tudo.
Mas no final das contas, o tal Novo Orkut parece mais com a tentativa de uma casa de chá de concorrer com o Mc Donald´s. Ao invés de servir seus chocolates quentes, petit fours e torradas amanteigadas, passaria a vender hamburgers e batata frita.
O resultado seria uma lanchonete para sexagenários ou uma péssima casa de chá. É o caso dessa reformulação do Orkut. Os trolls estão todos ali, a favelização internética da rede social está igualzinha, a única coisa que mudou foi que pintaram o barraco.
Mas cheiro de tinta incomoda demais, por isso vou permanecer na tal versão antiga mesmo, já que o "velho" Orkut continua ali no mesmo lugar, com todos os problemas que o novo não conseguiu eliminar, mas pelo menos mais simples.
Duvida do que eu disse? Te dou um convite pra testar. Deixe seu comentário aí embaixo que os dois mais bem elaborados ganharão uma passagem para ver como não existe nada mais "velho" do que o Novo Orkut.
Um dia sem gari
Será que o prefeito ficou maluco? De forma alguma! O que o alcaide deseja é mostrar aos cariocas a quantidade de lixo que eles despejam sem razão nas ruas diariamente, talvez pra ver se as pessoas sejam tomadas de alguma espécie de vergonha e parem de agir como verdadeiros porcos.
A sujeira das ruas do Rio de Janeiro só não me incomoda mais do que favelas e flanelinhas, nesta ordem.
É "normal" a pessoa estar em um congestionamento e assistir à verdadeira chuva de latas de refrigerante, copos descartáveis, garrafas de todos os tipos, papéis, tudo isso atirado pelas janelas dos automóveis e coletivos, numa demonstração de que a sujismundice não tem idade, cor, credo ou classe social.
Nas praias então é pior. Existem não sei quantas centenas de lixeiras dispostas pela orla da cidade, tanto na areia quanto nos calçadões, no entanto o carioca joga seus cocos, palitos de picolé, jornais já lidos e o que você mais conseguir imaginar nas areias das praias, como se fossem oferendas pra alguma "entidade" da porcaria.
Isso porque nem vou falar do hábito de urinar em árvores, postes, calçadas e, se bobear, até no nosso pé. É um péssimo costume que se aprende desde cedo, como já retratei em uma foto no meu Twitpic.
Além disso, aponte-me um fumante que não jogue suas guimbas no chão por onde passe, que eu te aponto um fumante que se preocupa com a própria saúde de verdade.
Daí o que sobra para todos, tanto os porcos que sujam quanto as pessoas que tentam não impactar o ambiente com seu lixo, são as calçadas imundas e fedorentas, que desafiam o tal conceito de "Cidade Maravilhosa" completamente.
E o prefeito só vai deixar alguns pontos da cidade sem coleta de lixo por 24 horas, imagina se deixasse uma semana ou um mês a cidade inteira!?
Fica a dúvida: em quanto tempo o carioca conseguiria ficar soterrado no seu próprio lixo, como fruto da sua falta de educação?
Espero que o tratamento de choque funcione e alguma coisa mude, porque medalha de ouro em porcaria é o máximo que o Rio de Janeiro mereceria hoje em dia.








