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Atletas de férias

Postado em 25 de abr. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

É sempre muito bom conhecer lugares e pessoas novas. Sei, entretanto, que isso não quer dizer necessariamente que as pessoas destes lugares estejam interessadas em nos conhecer. Procuro sempre não atrapalhar muito o processo, mas sei que o mesmo não ocorre com certos turistas brasileiros, que parecem fazer questão de se fazer notar (e gerar antipatia) por onde quer que passem.

Quer encontrar um brasileiro no exterior? Siga o barulho.

Mas não é esse o assunto, ainda que a falta de educação do povo do Patropi sempre renda assunto.

Quero falar é sobre as tarefas que nos impomos quando estamos de férias.

Seja por um curto período, seja por um período mais longo, as viagens de férias se tornaram uma espécie de obrigação social do indivíduo. Quando eu era moleque, passava as férias inteiras na piscina da casa da minha avó ou em frente a um videogame e achava aquilo o máximo.

Um bolo de chuva, um passeio no shopping, uma ida na praia, um lanche no Mc Donald's, tudo isso é assunto para férias de criança.

Depois que crescemos não é mais assim.

Hoje eu preciso me deslocar, rodar pelo mundo o tanto que meu orçamento permita e, uma vez longe de casa, absorver o máximo possível do lugar para onde vou. Sei que quase todo mundo é assim, pois observo nos meus amigos esta mesma tendência ao turismo frenético.


Nossas férias são usadas para ampliarmos nossa bagagem cultural, para justificarmos nossa passagem pelo mundo. Os lugares que você visitou passam a te definir e por isso você precisa conhecer tudo, fazer tudo, saber de tudo.

Nada de descanso, nada de ficar sentado num café a tarde inteira olhando o vai-e-vem das pessoas, isso sim, é um luxo.

Imagina? Você volta de Buenos Aires e alguém te pergunta:

- Conheceu Puerto Madero?

- Sim, claro!

- E Palermo?

- Também!

- Foi ver as exposições do Malba?

- Não deu tempo, nesse dia fui tomar um sorvetinho...

E o outro com aquela cara de desaprovação como se dissesse: "que animal...".

Por isso visitamos museus, galerias, praças, monumentos, andamos por calçadões, fazemos passeios de barco, jangada, buggy, corremos de um lado para o outro em parques aquáticos, fazemos mergulhos guiados, comemos fora, compramos lembrancinhas, sem esquecer é claro de atender aos pedidos dos amigos, afinal, a melhor maneira de todo mundo que fica trabalhando estragar as férias de quem viaja é dar aquela lista de encomendas.

E entre uma coisa e outra tiramos umas duas mil fotografias, de outra maneira pra que serviriam os álbuns de redes sociais? Pega mal colocar foto da pizza de sábado ou do churrasco da sua tia no Facebook (isso é coisa de Orkut), ali só vale férias em Varadero, poses nos Alpes, fotos com aqueles dois polegares para cima em frente à Torre Eiffel ou simulando segurar a Torre de Pisa.

Só tem Donald Trump, Eike Batista e Jorginho Guinle no Facebook.

No final das contas, quando você se dá conta já está tomado por aquele mau-humor característico da volta das férias, sentado no avião quase desacordado e provavelmente mais cansado do que quando saiu.

E a maior ironia de todas é chegar no trabalho na segunda-feira seguinte e ouvir a pergunta:

- E aí? Recarregou as baterias?

O véu do preconceito

Postado em 27 de jul. de 2010 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

O termo acima pode querer dizer tudo - desde um trocadilho pra lá de batido até uma forma de traduzir o drama das mulheres no assim chamado "mundo muçulmano" - mas também pode significar a forma como essa palavra foi estuprada pelo uso com o decorrer do tempo.

Poucas palavras foram tão violadas pelo uso indiscriminado quanto "preconceito", repetido e urrado como tábua de salvação para "ganhar" qualquer discussão, o que acabou encobrindo, esvaziando seu significado. E como todo mundo sente verdadeiro pavor de ser "preconceituoso", admite-se que tudo é tolerável, botamos tudo na conta da "diversidade".

Outro dia estava conversando com uma boa amiga sobre os direitos dos gays e disse a ela que não deveria haver nenhum direito "dos gays". Mas antes de me xingar de homofóbico, espere a explicação: "ser gay" pra mim não define uma pessoa, assim como "ser negro", "ser vascaíno", "ser casado" ou até mesmo "ser branco". As pessoas são filhos, pais, irmãos, tios, primos, amigos, profissionais, vizinhos, adoradores de sorvete de menta, cidadãos, enfim, pessoas, indivíduos com diversas características e, dentre elas, sua sexualidade. Portanto, não se justifica criar leis que protejam um segmento específico de cidadãos.

Somos tribais. O estranho, como o próprio nome já diz, nos causa estranhamento e isso é normal, é do ser humano. A tal globalização aliada ao ataque de gafanhotos do "politicamente correto" diz que as pessoas não podem torcer o nariz para nada. Só que cada um deve ter direito à sua cota de estranhamento - que alguns dirão "preconceito" - geralmente associada à sua formação cultural.

O que é normal nos grotões da África, não é em Nova Iorque. O que é inaceitável no interior do México, será perfeitamente comum na Suécia e o que é algo corriqueiro na Itália, será intolerável no Japão.

Assim somos nós, ainda que insistam que devamos lutar contra isso. Uma coisa, porém é você se espantar com o que é diferente, outra coisa é você usar esse espanto para agir à margem da lei.

Sair às ruas e espancar pessoas é crime sejam elas gays ou heteros. Injuriar alguém é errado independente do xingamento ser "crioulo!", "gay!" ou mesmo "branquelo nojento!". Agir com civilidade, dentro dos limites da lei, não é algo "opcional", é mandatório por mais redundante que isso seja, e as punições estão aí para isso.

E aí chego no ponto onde queria, que é a tal "Lei do Véu". A lei, aprovada pelo parlamento francês, proíbe o uso do véu islâmico integral em qualquer espaço público.

Óbvio que a turma da "tolerância" correu para condenar a medida, dizendo que era "perseguição religiosa" e "um absurdo", entre outros termos. Mas afinal, será mesmo? Muçulmanos não são muito conhecidos pela sua tolerância religiosa ou civil, sendo assim, não é difícil imaginar daqui a algum tempo "bairros" ou redutos muçulmanos em Paris onde mulheres, mesmo ocidentais, sejam hostilizadas por não cobrir a cabeça. A lei previne isso e também garante o direito à cultura ocidental do país.

E o que os escandalizados com a "Lei do Véu" talvez não saibam - ou ignorem - é que em países como a Arábia Saudita, por exemplo, o uso do véu é obrigatório mesmo para mulheres ocidentais, que estão sujeitas a uma surra de chicote no meio da rua caso não obedeçam à regra. No mesmo país - e em outros como o Irã - o simples ato de portar uma Bíblia é considerado crime passível de penas severíssimas.

Onde está a tolerância? Argumentarão que isso ocorre porque tais países são ditaduras, mas isso apenas confere uma legitimidade ainda maior à lei francesa, que foi fruto de votação em um parlamento democraticamente eleito, e não da vontade de um rei, imã ou aiatolá.

E cabe também lembrar que a tal "tolerância" é uma via de mão dupla (ou deveria ser). Os direitos individuais devem ser de todos e não dos negros e suas cotas, dos gays e suas passeatas, das pessoas do oriente que precisam emigrar para dar seguimento às suas vidas e seus véus.

Os brancos, heteros, cristãos e ocidentais também tem esse direito, inclusive o direito de proteger e preservar sua herança cultural.

Caso contrário, os "discriminados" serão eles.

Cotas: poço de polêmicas, fonte de aproveitadores

Postado em 10 de mar. de 2010 / Por Marcus Vinicius 26 Comentários

O Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) falou no STF contra as cotas raciais. Disse coisas que qualquer pessoa sem quebra-molas nas sinapses compreenderia perfeitamente. Disse que reinos africanos também possuíam escravos, que nem todas as relações inter-raciais durante a escravatura eram estupros e que brancos pobres ficam desassistidos quando se adota um critério racial para beneficiar um grupo étnico com vagas em universidades.

Só que os ditos "Movimentos Sociais", leiam-se amontoados de gente doida por verba pública e boquinhas, com raras exceções, não tem apenas quebra-molas, eles possuem verdadeiros muros de Berlim nas suas sinapses, impedindo-os de enxergar um palmo além das suas cartilhas.

Vamos ser honestos: a defesa do sistema de cotas, feita de forma truculenta e objetivando difamar, destruir e eliminar do debate qualquer opositor é a defesa de um dogma e de interesses específicos.

Movimentos sociais defendem isso porque faz parte de um "big picture" que contará também com "controle social da imprensa" e "comissões da verdade".

Os beneficiados, leia-se alguns negros, defendem porque isso os permite conseguir uma vaga tirando quase metade da nota que os demais.

Alguns políticos como o ministro da "igualdade" racial Edson Santos (carreira política dedicada a questões raciais e defesa de ocupações em favelas) defendem porque sua poupança de votos encontra-se depositada nesta conta.

Qual a diferença dessa gente para quem se opõe às cotas? Simples: são organizados, são histriônicos e contam com um sentimento poderosíssimo ao seu lado: a culpa.

As pessoas têm horror de serem chamadas de racistas, afinal, negros sofreram mesmo mais do que bolacha em boca de velho durante a história do Brasil.

E eles se aproveitam disso, distorcendo e amedrontando aqueles que desejam na prática o que esse pessoal prega no seu discurso furado: igualdade racial.

E igualdade pressupõe que numa nação miscigenada como é o Brasil, negros, brancos e índios são atingidos pela pobreza da mesma forma e que uma cota social atingirá proporcionalmente as parcelas da população de cada etnia de forma homogênea.

Mas quem disse que movimento social é feito para promover pensamento, debate ou entendimento? São tropas de choque, tal qual os delinquentes do MST, que querem, desejam, anseiam pelo conflito porque de outra forma, qual a razão de existirem?

Num ambiente de paz, igualdade e distensão social, qual o objetivo e a utilidade daquela turma de turbante, camisas vermelhas, bandeiras e picaretas nas mãos?

Mas é mais fácil um governante distribuir vagas para um punhado de negros, o que faz um estardalhaço danado e o coloca do lado "social" da questão, do que enfrentar o verdadeiro problema que é a educação de péssima qualidade que é oferecida no Brasil.

E isso cria a curiosa situação onde as pessoas que defendem que não existe diferença de raças e que as oportunidades devem ser iguais para todos é que são taxadas de racistas.

Reinaldo Azevedo vem constantemente falando disso, de reportagens que distorcem a realidade e tentam a todo custo ajudar esses movimentos sociais a ganhar a simpatia do leitor.

O professor Demétrio Magnoli também fala disso bastante e por isso os dois merecem ataques de todo lado, desde Élio Gáspari com sua pena claudicante, até a "musa" das ONGs Laura Capiglione.

Tenho evitado falar disso, porque sei que só causa confusão e no fundo ninguém está aberto a mudar de idéia, mas dessa vez eu precisei falar do assunto.

Isso porque li esse texto, de Leandro Fortes, que chamava a Folha de São Paulo às falas por ter publicado este outro texto do prof. Magnoli em que ele chamava os jornalistas Laura Capiglione (sempre ela) e Lucas Ferraz de delinquentes por distorcer a fala do senador Demóstenes.

Nos comentários deste e de outros blogs que replicaram o texto, chamou a atenção a generalização. Para aquela gente, toda pessoa contrária às cotas é racista, negacionista, insensível, corrupta e "deprimente".

Deprimente aliás é uma boa palavra para usarmos nesse debate sobre cotas.

Mas na minha opinião, deprimente mesmo é ver repórteres distorcendo o que o senador Demóstenes falou, para enganar os leitores e ganhar no grito a perpetuação dessa política de cotas raciais, que é a coisa mais vagabunda que existe no Brasil.

Sempre que converso sobre o assunto a maioria das pessoas se diz contra cotas raciais, inclusive negros. Mas um dos grandes problemas do militante esquerdopata é que ele acredita saber mais o que o "povo" deseja do que o próprio povo, e aí sempre que podem empurram goela abaixo deste as suas medidas de exceção, as suas práticas de colocar cidadão contra cidadão.

Reinaldo Azevedo, sempre ele, diz com muita propriedade que as esquerdas quando não estão se fazendo de vítima é porque estão fazendo vítimas. E o sistema de cotas é mais uma vitimização de quem perde duplamente, na vala comum da pobreza e depois, nos tribunais raciais que definem quem merece ou não uma vaga em universidade pública.

Mas infelizmente a imprensa e a internet estão recheadas de aproveitadores, gente que quer a todo custo um soldo, uma boquinha pra defender essas baboseiras que o PT e esses movimentos sociais promovem.

Tudo não passa da busca mais capitalista possível pelo dinheirinho fácil, como as verbas públicas que supostamente foram gastas nessa campanha difamatória e mistificadora contra a ação do DEM que só diz o que é óbvio: que a pobreza no Brasil não tem cor.

Mas e daí, não é mesmo? Organizados são eles, os vagabundos que defendem comissões da verdade e tribunais raciais em universidades.

Só me resta prestar minha quase solitária solidariedade e dar meus parabéns ao professor Demétrio, por ter dado nome aos bois que, claro, vão mugir reclamando.

Tiana, a princesa negra

Postado em 4 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 16 Comentários

Confesso que quando li a notícia que dizia que os estúdios Walt Disney lançavam um filme com a primeira "princesa negra" em desenhos animados eu torci o nariz.

Já achei que era mais uma etapa do marco-zero afro-americano tão bem representado por Obama. Sabe como é, "o primeiro presidente negro", "o primeiro negro a sentar-se no Salão Oval", "o primeiro negro a prestar juramento como comandante-em-chefe", "o primeiro negro a fazer uma viagem internacional como presidente dos EUA", "o primeiro negro a ter seu café servido por um mordomo negro na Casa Branca", "o primeiro negro a fazer um discurso no Congresso como presidente", poderia continuar sem parar aqui, mas vamos em frente.

Pelo exposto acima, achei que este desenho era mais uma etapa do "fortalecimento" e "reparação" do orgulho de uma "raça", num mundo aonde dizem às crianças brancas e orientais, por exemplo, que "não existem raças", levando adianta esta dicotomia de valores esquizofrênica politicamente-correta-coitadista-ongueira.

É aquela velha, eterna e infinita discussão sobre uma camiseta "100% Negro" ser considerada menos afrontosa pela turma dos "movimentos sociais" do que uma escrita "100% branco".

Mas a minha antipatia pela idéia do tal desenho durou, no máximo, uns 20 minutos. Sério.

Primeiro porque a Princesa Tiana é uma graça, depois porque ela traz muito mais do que simples "reparação" para os histriônicos racialistas, ela traz inclusão para as crianças, inclusão real.

Será na tenra idade que combateremos os histéricos que defendem esse perverso sistema de cotas e onde temos a oportunidade de extirpar esse verdadeiro flagelo da divisão da sociedade em "brancos x negros", "ricos x pobres", "bons x maus" que os esquerdocanalhas adoram patrocinar sempre que tem oportunidade.

Já explico.

Tenho uma sobrinha que é filha do meu irmão com uma chinesa. Ela é uma criança linda, dessas que chamam a atenção por onde vai e é criada totalmente fora desse conceito de "diferença de raças". Brincamos com ela chamando de "chinesinha" mas ela não tem dúvida alguma de que é uma brasileira com características físicas de alguém que descende de orientais.

Parece simplório, não? Mas não é.

Quando ela vai comprar uma boneca ou ver um filme de "Princesas" e depois quer brincar com as amiguinhas, logicamente ela diz "eu vou ser a Mulan!", assim como uma menina que seja loirinha escolherá a princesa de cabelos dourados e assim por diante.

E uma criança negra? Ela não tinha quem escolher para se identificar. Agora tem. Agora ela pode ir numa loja e comprar uma miniatura de uma princesa da Disney que se parece exatamente como ela. Agora ela pode ir no cinema e dizer pras amiguinhas "Olha lá! Eu quero ser igual a Tiana!".

Dessa forma, já na infância, você garante que essa criança cresça sem complexos, tornando-se um adulto menos neurótico do que estes de hoje em dia, essa gente que exige "reparações" autoritárias que só aumentam ainda mais a fenda entre os seres humanos.

E tudo que contribuir para isso é muito bem vindo.

Cotas? Divisões? Não, obrigado.

Postado em 30 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Ando pensando aonde o mundo vai chegar daqui a alguns anos. Gerações inteiras lutaram contra as divisões que existiam entre as pessoas, sejam elas por sexo, cor da pele, religião, opção sexual, posição social.

Antigamente moças de família não se misturavam com malandros de morro, brancos só ouviam musica de branco, pretos não entravam em certos lugares, gays eram atirados nos chafarizes e viviam escondidos, católicos não se misturavam com judeus, meninos e meninas estudavam separados. Tudo era considerado muito normal, até que a sociedade cansada destas amarras começou a destruí-las uma a uma.

O tempo passou e um casamento interracial já não assustava, meninos e meninas estudavam juntos sem problemas, ricos e pobres relacionavam-se sem que isso fosse considerado uma aberração (OK, aqui nem tanto), gays podiam até assumir sua condição perante todos com certa tranquilidade. As barreiras caíram e a sociedade, noves fora a hipocrisia perene, ficou mais misturada no sentido estrito da coisa.

Mas eis que neste início de século XXI o processo se inverte. Como tudo na vida, seja a arte ou os costumes, a moda ou as próprias cidades, um ciclo dá lugar a outro, que dá lugar a outro, que termina dando lugar ao primeiro e tudo se repete.

Vemos universidades selecionando alunos pela cor da sua pele, vagões de metrô e trem exclusivos para mulheres, redutos gays sinalizados com bandeiras coloridas, governantes e movimentos ditos sociais jogando pobres contra ricos.

Tudo baseado no coitadismo e na noção de que o estado precisa dar uma "forcinha" para aqueles que considera menos capazes, o que na grande parte das vezes não passa de impostura e populismo barato.

Ainda acredito na livre iniciativa, nas oportunidades iguais e no esforço individual como motores de uma sociedade democrática. Tutela do estado só acontece em ditaduras, escrachadas ou disfarçadas.

Não sei, acho que daqui a alguns anos estaremos novamente vendo passeatas pela integração na sociedade, mulheres queimando sutiãs ou então gays sendo atirados em chafarizes, não duvido de mais nada.

O ser humano perde tempo demais desfazendo e refazendo velhos erros.

O "militante"

Postado em 24 de ago. de 2009 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Confesso que segunda-feira geralmente estou pouco inspirado. Sabe como é, ressaca do final de semana, saudade de passar o dia à toa ou só pensando na difícil tarefa de "como me divertir", aí o que fica é esse gosto de tábua de chiqueiro na boca (opa, o Palmeiras venceu!) e uma falta de assunto que me faz ter vontade de falar sobre algo que eu considero uma das "natas" da hipocrisia e malice de um ser humano: a militância.

O militante é, antes e acima de tudo, aquele sujeito que vai ter opinião até sobre os Tigres do Tamil e a questão dos separatistas da Pacóvia do Norte.

Seja qual for o assunto ele está lá, o chato perene, contra ou a favor, ainda que dele conheça apenas a aparência ( ou pouco ligue para algo mais), seja o bigode , a barba ou a boina.

Identificamos grandes criadouros de militantes em universidades públicas ou nos DCEs de qualquer universidade em geral. Professores secundaristas também estão sujeitos a este fenômeno e nem preciso falar de sindicalistas ou "ongueiros".

O cara usa seu jeans Armani surrado e a estampa do Che em uma camiseta ou qualquer outro pano que custe mais de 100 reais, mas acima de tudo tem "consciência social".

Digamos que seriam como playmobils do Tico Santa Cruz na postura, todos produzidos em série, todos com uma opinião "abalizada" sobre tudo.

Já estudei em faculdade, então sei bem como é. Os caras ficam ali no DCE pensando qual a próxima festinha ou "manifestação", tem sempre aquela pinta de intelectual com barba por fazer, vestimenta cuidadosamente desleixada e bolsa a tiracolo impressionando as meninhas, aliás, impressionam somente as calouras e aquelas já mais veteranas que tem problemas de percepção do mundo à sua volta e realmente acreditam que Che Guevara foi um herói, que Cuba é uma nação revolucionária livre e perseguida, e que bolivarianismo é algo mais do que uma doutrina punguista, que tem como objetivo assaltar a democracia utilizando-se de seus próprios meios para isso.

Outra coisa que lembro bem eram os professores do ensino médio. Todos ávidos em me "explicar" como o capitalismo é decadente, como os EUA são um grande satã que tem planos de dominar a alma dos latino-americanos, como a violência nas grandes cidades é culpa do "egoísmo da classe média" e, last but not least, que a Coca-Cola é a água negra do imperialismo.

Nem preciso dizer que tive muitos problemas nesta época. Minha mãe chegou a ser chamada no colégio para explicar como uma criança pode ser, nas palavras da "mestra", tão "direitista e reacionário".

Como se vê, se essa gente pudesse agir à solta, teríamos "campos de reeducação doutrinária" no Brasil também.

Mas aí já é querer ir muito a fundo no assunto, quero falar é da chatice e do embuste que representam esse pessoal.

Sabe quando você está se referindo a alguém e diz "ah sim, sei, aquele que é preto..." e o cara corrige em tom professoral "Que isso, meu?!Não fala assim perto de mim não! É neeegro...", a partir do dia que resolverem me chamar de "claro", eu compro a idéia. Até lá, não, obrigado.

Ou então você lê no jornal a notícia de um indivíduo de 17 anos, que matou um casal de jovens não sem antes estuprar a moça e esquertejar o mancebo, e exclama: "um desgraçado desses tinha que ser fuzilado", e logo o Zé da Boina ao lado solta um "Mas ele é vítima da sociedade! Esse seu discurso embotado é que estraga o Brasil!".

Um ladrão "está tomando o que a sociedade lhe negou", um traficante "é uma criança que não teve educação e está devolvendo à sociedade a violência que sofreu", um sem-terra que curiosamente só invade fazendas produtivas do agronegócio é um " guerrilheiro campesino, que só quer um lugar para plantar".

Pensem em quantos clichês e teorias pachorrentas quiserem, cada uma delas será abraçada pelo militante.

Curiosamente, 90% deles realiza suas reuniões de cúpula sentados numa mesa de bar ou na praia de Ipanema, com a bandeirola do partido ao alto junto com as nádegas das moças. Todos admiram o fato de que em Cuba "não existem crianças que passam fome", mas ninguém muda pra lá pra ajudar a distribuir o sopão.

Todos revolucionários marxistas, comunistas, o escambau do Século XXI, mas curiosamente não se oferecem para viver a única experiência realmente comunista em curso no mundo atualmente, que é a da Coréia do Norte.

Tenho certeza que Kim Jong Il os receberia de braços abertos, mas talvez lá não exista uma praia de Ipanema, nem choppinho, nem DCEs, manifestações e muito menos Big Macs ou Sundaes para degustar depois da passeata.

Ouvi dizer aliás que na terra do "querido líder", passeata só se for a seu favor e autorizada previamente por todos os 397 comissários responsáveis pelo setor. Tudo devidamente carimbado e em duas vias como é praxe na eficiência de estados esquerdistas.

Veja você que o militante é um cara tão legal que até gosta do Obama! Um chefe de estado do "império". É um marco que um "afro-descendente", de matizes esquerdistas, que deseja "espalhar a riqueza" e estatizar a saúde (a General Motors e alguns bancos ele já estatizou), esteja à frente daquele país, para purga-lo de "todo o mal que sempre fez".

Como diz o Reinaldo Azevedo muito bem, não conheço um único anti-americano que não adore o Obama.

Os militantes são assim, sua regra para gostar ou não de alguém foge do simples "certo" ou "errado" e passa mais pela pergunta "está ao meu lado?". Se a resposta for "sim", a pessoa passará a ser referência, e terá credibilidade atestada independente das asneiras que diga. Se a resposta for "não", bem, pode ser até Jesus Cristo que não será "uma pessoa muito boa".

Vejam que até crucifixos em repartições públicas estavam incomodando os militantes.

Funciona mais ou menos assim: corruptos tomando conta de todas as esferas de poder do país? Tudo bem. Petralhas aparelhando o serviço público? Bom. Lula apoiando o Sarney? Bom! Lula fazendo as pazes com Collor e chamando o "caçador de maracujás" de perseguido? Muito bom! Jesus Cristo nas repartições públicas? Não...acho que faz mal para o país.

Seja qual for o assunto haverá um militante para defende-lo: vegetarianismo, promoção da racista política de cotas (branco pobre? o que é isso?), petralhismo, defesa de ocupação dos morros por barracos, colocar a culpa pela poluição no chá que a sua avó faz todo dia, te chamar de egoísta porque não faz "trabalho social" mesmo entregando ao governo 40% do que ganha todo ano...

São especialistas em disseminar a culpa dos outros, enquanto jogam a sua para baixo do tapete. Sejam os mortos vítimas dos regimes "ideais" que defendem, sejam os pecadilhos que cometem quando tem alguma oportunidade.

O curioso é que a militância, em grande parte dos casos, é o pré-vestibular da boquinha. Um imenso contingente destes "companheiros", assim que conseguem um posto seja na máquina partidária, seja na administração pública, conventem-se em pragmáticos.

Vamos ajudar o "povo" mas primeiro vamos nos ajudar. Sabe como é, "Mateus, primeiro os teus", nestas horas até a Bíblia passa a valer.

Atualmente o indivíduo branco, hetero, cristão, de classe média e que pague todos os seus impostos é a nova minoria oprimida do país. Tem todos os deveres, é passível de todas as punições, mas os seus direitos cada vez mais vão diminuindo, para que ele possa pagar com o próprio suor uma "dívida histórica" que não acaba nunca.

Era melhor dever para um agiota.

E o pior de tudo, nenhuma ONG, Associação ou militante estão aí para defende-lo.
 
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