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Acho que ele vai ser alpinista...

Postado em 29 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Uma das maiores questões de qualquer ser-humano, mais do que onde está e para onde vai, mais do que dúvidas existencialistas sobre a existência ou não do destino, da sorte ou mesmo do Batman, mais até do que dúvidas sobre se gostar de observar pernas cabeludas (no caso dos caras) ou os seios da amiga (no caso das meninas) no vestiário da academia te faz ou não ser gay, é: o que eu vou ser quando crescer?

Muita gente cresce e não consegue responder essa pergunta, tanto que ela gera uma outra: pera aí, será que o que eu quero ser existe?

É mais fácil quando você é criança, afinal, tudo nessa fase da vida é possível. Eu já quis ser ditador do mundo. Sério, não me queira mal por isso. Meu sonho era oferecer algum país (não sei porque a Itália sempre me vinha em mente) para a minha esposa no dia do casamento.

Passava tardes no telhado de casa fungindo que derrubava aviões inimigos com uma bazuca de plástico azul. De novo, não me queira mal (ou ache que sou caso perdido) por isso, porque juro que eu mudei.

Depois da Síndrome de Mussolini Jr, eu desejei ser goleiro de futebol. Enquanto todo mundo queria ser o Zico, o Roberto Dinamite ou o Maradona, eu queria ser o Waldir Peres, o goleiro careca da Seleção Brasileira.

Sorte que não consegui uma coisa nem outra. Não virei goleiro e nem fiquei careca.

Conforme o tempo passa, a coisa complica um pouco.


Primeiro porque por mais que estudemos, nos preparemos, façamos cursos e o escambau, muito provavelmente em algum momento nosso destino será decidido por algum RH cretino, que depois de "O Aprendiz" resolveu pensar que é o Roberto Justus ou o Donald Trump.

Depois porque o mercado de trabalho atualmente funciona baseado no seguinte princípio: "vamos demitir três, contratar um para fazer todo o trabalho e pagar 1/3 do que pagaríamos a cada um deles". Tudo isso faz parte desse novo universo onde "empregado" passou a ser "associado" ou "colaborador", o que na verdade quer dizer que você não é merda nenhuma.

Aposto que qualquer um em sã consciência preferiria ser chamado de "lacaio" ou "escravo" e em troca trabalhar 20 horas por semana e ter 60 dias de férias.

Sonhos com astronautas, goleiros da seleção e super-heróis vão ficando para trás e no final das contas você opta por algo mais realista e vai ser dentista, advogado, engenheiro, professor, etc, etc. Mas que fique bem claro: se a democracia funcionasse mesmo e se fosse verdade que "podemos ser tudo que quisermos", você deveria estar nesse momento vestido com uma malha meio esquisita, usando uma máscara e disparando teias de aranha das mãos enquanto voa entre prédios.

Nenhum teste vocacional deve dizer que você tem propensão a cowboy de filme, mas nenhum também deve dizer que você leva o maior jeito para proctologista ou técnico de exame de fezes e no entanto muita gente acaba fazendo isso pra viver.

Aliás, se essas vocações aparentes funcionassem mesmo, talvez fosse mais fácil do que parece. Outro dia falava com uma amiga e perguntei sobre filho de 2 anos dela, o diálogo valeu meu dia:

- E aí? Como vai o Arthur?

- Ele tá bem, levadíssimo...inclusive acho que vai ser alpinista já que é a décima vez que eu tenho que correr para tirá-lo de cima do armário...

O mundo não era melhor, o mundo era mais vazio

Postado em 25 de jul. de 2011 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Não adianta fingir que você é imune à misantropia, porque nem eu e nem você vamos acreditar nisso.

Sempre escutei dizerem que antigamente as coisas eram mais fáceis, que existiam mais oportunidades, que as pessoas eram mais educadas, etc, etc, etc. Mas o que mudou de lá pra cá? Tecnologia? Isso supostamente deveria facilitar tudo e não complicar.

Tudo bem que alguns empregos foram levados por robôs que fazem o serviço de 5 homens e montam um automóvel em menos da metade do tempo, mas isso não é tudo, afinal, nem todo mundo trabalhava em fábricas de automóveis.

O mundo ficou mais quente, o que pode ter contribuido para piorar um pouco as coisas (no caso do Rio de Janeiro as estações deixaram de ser "quente" e "muito quente" para se trasnformarem em "muito quente" e "inferno"), mas ainda assim, o ar-condicionado está aí pra isso.

As pessoas terem ficado mais mal educadas é um fato ou talvez apenas consequência da troca de Ari Barroso, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Caymmi e Tom Jobim por Latino, Axezeiros, Tati Quebra-Barraco e Luan Santana como ícones da música nacional e os livros de auto-ajuda e do Paulo Coelho terem tomado o lugar de Machado de Assis ou Carlos Drummond de Andrade.

Atualmente o mais culto que alguém parece conseguir ser é repetir frases avulsas da Clarice Lispector, do Paulo Leminski ou do Caio Fernando Abreu, na maioria das vezes sem ter a menor idéia do contexto em que aquilo foi escrito.

Mas isso é emburrecimento coletivo, incomoda, mas não explica sozinho o fato do mundo hoje ser pior do que era ontem. Precisa haver um motivo, e você sabe bem qual é o motivo (ainda mais porque eu o dedurei logo no título).

O mundo está cheio demais. Só pode ser isso. Seis ou sete bilhões de pessoas confinadas num pequeno planeta não pode ser uma coisa que dê muito certo.


Imagine um bonde. Antigamente aqueles bondes do Rio de Janeiro carregavam, no máximo, 65 passageiros. Tudo bem que tinha gente andando pendurada e não devia ser um primor de conforto, mas é raro alguém que viveu naquele tempo que não sinta saudade dos bondes.

Hoje em dia um único vagão do metrô transporta em média 350 passageiros e é raro alguém que vive nesses tempos de agora que não deteste o metrô com força. O que mudou? Simples: superlotação.

Viramos um gigantesco vagão de metrô na hora do rush.

Você pode ver exemplos como esses por toda parte. Prédios antigos que abrigavam de 2 a 4 famílias por andar serem substituídos por pombais que, no mesmo espaço, abrigam até 10 famílias e cubículos.

Engarrafamentos, filas, empregos piores que pagam menos, uma concorrência infernal para tudo e agora, vejam só, até shows internacionais caríssimos que passavam semanas vendendo ingressos vêem estes mesmos ingressos se esgotarem em questão de horas.

Maior poder aquisitivo? Sim, mas superlotação também.

O que pretendo dizer com isso? Que poderíamos dar um "freio de arrumação" e atirar um ou dois bilhões de pessoas no espaço sideral? Não. Primeiro porque custaria muito caro e depois porque seria meio desumano, sei lá, uma versão Jetsons ou Starwars dos campos de concentração.

Não iria pegar muito bem pro nosso carma coletivo que já não anda lá essas coisas.

O que pretendo dizer é que antigamente talvez o mundo não fosse tão melhor. Febre amarela, sífilis, gonorréia, modos e costumes repressores, TV preto e branco e acreditar que manga com leite pode matar não devia ser muito legal.

A diferença é que hoje está cheio de cretinos nos rodeando por toda parte e o espaço para tentar fugir deles continua o mesmo.

Pensando bem talvez uma colônia em Marte não seja má idéia.

As costas largas do stress

Postado em 14 de fev. de 2011 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

O stress, considerado verdadeiro mal da vida moderna, é uma espécie de pochete ou ombreira psicológica: você nunca vai admitir que já teve, mas ainda assim terá.

Só que diferente dos famigerados ítens do vestuário, o stress parece nunca sair de moda.

Segundo a mãe dos burros, a Wikipedia, ele é "a soma de respostas físicas e mentais causadas por determinados estímulos externos, pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente".

Simplificando: é uma espécie de saco cheio com embasamento científico.

Você fica puto, mau-humorado, sem paciência ou simplesmente prestes a explodir por motivos variados, desde o seu vizinho ouvindo funk todo sábado de manhã, até sua esposa resolve discutir relação justo na hora que você queria ter sua sessão mensal de sexo, passando pelo seu chefe que não te dá aumento de salário mas triplica sua carga de trabalho e até o fato de deputados ainda respirarem.

Tudo isso é colocado na conta do stress.

Mas o pobre coitado, devivo à sua ampla definição, acaba levando culpas que não são dele.

Chuck trai a esposa, bate nos filhos a troco de nada, mistura lixo orgânico ao inorgânico e ainda por cima olha pro decote da mulher do vizinho no elevador. Ele não está estressado como gosta de dizer quando questionam seu comportamento. E nem é o emprego de bosta cheio de retardados que ele tem que aturar todo dia que o faz ser assim, ele é só um filho da puta mesmo.


Maria Lúcia, ou Marilu para os íntimos, sai, enche a cara, fica com 30 na bwatch, acorda todo sábado e domingo de ressaca e na cama de um desconhecido, ela atribui sua atitude auto-destrutiva ao stress com a monografia que ela passa a semana escrevendo. Mas o fato é que ela é só bêbada e fácil mesmo.

Maicoul Jaquisson é taxista. Ele vive dando fechadas nos outros motoristas, estaciona o carro onde bem entende, urina no acostamento de viadutos, xinga até a velhinha que está demorando demais pra atravessar a rua e vive dando trombadas nos outros porque dirige falando no celular, não é um pobre trabalhador estressado com a violência do trânsito, é só um péssimo motorista e um cidadão de merda.
Alicinha come sete fatias de torta por dia, toma dois litros de Coca-Cola no jantar, se alimenta basicamente de nachos e lasanhas, mas explica que só é gorda porque está estressada e deprimida. Até acredito, mas se ela experimentar remover aquela torta prestígio que come todo dia no lanche, talvez mate alguns quilos de fome.

Muitos dos nossos problemas acabam com o nosso humor. E eu sei que todo mundo tem os seus, mas os meus são piores justamente pelo fato de serem...meus. Por isso não defendo essa coisa de pensar positivo, de rir dos meus problemas, porque sei que não funciona.

Se for pra rir, prefiro rir dos problemas alheios.

Mas acredito que devemos dar um refresco pro stress, porque nem tudo é culpa dele.

Eu, por exemplo, admito que sou mau-humorado e ranzinza. Talvez reclamar pra mim seja um esporte, vai saber. Mas não me justifico pelo fato de ter recebido um filé delicioso para almoçar e ainda assim preferir reclamar do arroz servido ser parboilizado.

Não coloco a culpa no stress, admito que sou reclamão mesmo.

Acho que todo mundo poderia fazer o mesmo admita que é mau-humorado, fácil, beberrão, problemático, indeciso, egoísta, comilão, preguiçoso, enfim, seja o que for. Admita, ainda que internamente e tire a culpa das costas do stress.

Só, por favor, não venha encher o meu saco.

Filhos, se não souber como tê-los, melhor nem fazê-los

Postado em 17 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Há um tempo eu morei num prédio que tinha assim, 387 apartamentos por andar. E nesse universo tão amplo, você encontra todo tipo de pessoa. Os aposentados, as gostosas que trabalham fora o dia inteiro, os solteirões, as mães separadas com sua prole, os estudantes, enfim, tem de tudo.

Nesse especificamente, quem mais chamava a minha atenção era um casal aparentemente normal com duas filhas na casa dos 7 ou 8 anos. Primeiro porque todos os apartamentos eram de quarto e sala e eu imaginava a logística (beliches, verticalização, aproveitamento japonês do espaço) para acomodar 4 pessoas num espaço de uns 40 metros, mas tudo bem, presídios e certas habitações populares tem bem menos do que 10 metros por pessoa.

Mas isso é apenas curiosidade. O que me impressionava e me preocupava era o resto.

E o "resto" era o comportamento dos pais das garotinhas, que 99% do tempo eu considerava abominável.

O sujeito nunca, reforce aí na sua mente o nunca porque era nunca mesmo, cumprimentava as pessoas. Seja na portaria, seja na garagem ou mesmo naqueles momentos desconfortáveis no elevador, qualquer um que virasse para aquele jumento sem ferraduras e desse um "bom dia" ou "boa noite" era solenemente ignorado.

A esposa já era menos arredia, porém igualmente bizarra. Usava elevador para descer do primeiro andar para o térreo (nem precisaria dizer que pra subir era a mesma coisa, né?) e apesar de falar com os vizinhos, trazia no semblante aquele astral de que sempre tinha acabado de dar uns sopapos em alguém ou que se não deu, ainda iria dar.

Ele era magro, ela era gorda que nem um bolo de noiva. E as meninas eram simplesmente encantadoras.

Sério, dessas garotinhas que qualquer um ia adorar ser pai e mimar, tanto que nem sei como puderam sair tão bonitas com a mistura de genes daqueles dois estrupícios.

No entanto, nunca vi um gesto de carinho sequer dos dois para com as filhas (e olha que eu encontrava com eles toda hora, porque viviam na portaria, na calçada, perambulando pelas áreas comuns).


Ele fazia grosserias inomináveis para elas na frente de qualquer um. Já o comportamento da mulher com as filhas pode ser resumido numa vez em que a assisti saindo do elevador na frente de uma delas e soltando a porta do elevador em cima da guria.

Mas porque contei tudo isso? Porque talvez para as duas meninas, os pais dela - que na minha opinião são dois pais de merda - sejam excelentes. Sabe como é, a realidade delas é essa. Se você anda de Fusca a vida inteira, vai pensar que o melhor carro do mundo é o Fusca, ainda mais se a "vida inteira" for só 8 ou 9 anos de idade.

Por mais filhos da puta que nossos pais sejam, por mais cretinos que aparentem ser para a vizinhança, eles nunca serão esse horror todo para nós. A menos que seus pais sejam da seita do Charles Manson ou algo parecido, no fundo, eles sempre terão alguma razão.

Pergunte isso para os parentes do Sarney. Todos dirão que ele é um santo.

Mas o comportamento meio agressivo, meio displicente daquele casal com suas duas filhas, me leva sempre a pensar: porque certas pessoas procriam? Ou melhor, porque é permitido que certas pessoas procriem?

Nós realizamos concursos públicos para qualquer cargo de meia tijela. Fazemos exame psicotécnico, físico, pesquisa de antecedentes.

Até para tirar uma carteira de motorista precisamos provar que sabemos que o sorvete é para ser levado à boca e não à testa, mas para multiplicar a espécie a coisa é literalmente uma farra, qualquer um entra.

E que ninguém venha com conversa mole de "direito", "generalização" ou "preconceito" pra cima de mim, porque nada pode ser mais importante do que gerar uma vida e criar um indivíduo, dando amor, educação, carinho e proteção.

Criar bem um filho é uma tarefa tão complexa que acho que até ser astronauta envolve menos responsabilidade do que isso.

Por isso acho que é melhor que as pessoas comecem a prestar mais atenção nessa questão, sei lá, dar um jeito de esterelizar os palermas, ou então mandar todos eles pro espaço.

Seu roommate é seu futuro ex-amigo

Postado em 13 de jan. de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Quem já dividiu apartamento com outras pessoas seja porque estudou fora ou simplesmente porque quis um pouco mais de liberdade, sabe muito bem o que eu digo: é uma situação com propensão a dar merda em 99% das ocasiões.

Quase todo mundo é muito legal até que passe a conviver contigo debaixo do mesmo teto. Pense na quantidade de casamentos desfeitos e você concordará comigo.

Um roommate é como um cônjuge sem direito a sexo (se bem de que essa informação é controversa sob vários aspectos, já que nada impede o sexo entre roommates e nada garante o sexo entre cônjuges).

Amizade de bar, coleguismo casual e até mesmo companheirismo de longa data são a versão fraternal do namoro: depois que casa, dá cagada.

Muitos casos eu mesmo presenciei ( nunca vivi porque sempre morei na casa dos meus pais e depois, sozinho). Grandes amigas, daquelas que trocam até namorados entre si, vão morar juntas e em seis meses já se odeiam mais do que uma pessoa que assiste BBB detesta livros.

Mas o legal mesmo são aqueles apartamentos que juntam três, quatro, cinco amigos. Todo mundo se dá relativamente bem, mas não há amizade que resista a um sujeito lavando roupa na pia da cozinha porque o tanque entupiu, a uma cueca usada - talvez até com uma freiada de caminhão de brinde - jogada no sofá da sala ou ao esperto que come seu biscoito Bono todo dia e coloca um de chocolate da marca Tremembé no lugar.


O primeiro sinal de que aquele amor dos tempos de mudança - quando todos vão recolhendo mesas na casa de praia dos pais, almofadas na casa da avó, pegam televisão e geladeira emprestada de algum tio e se juntam para comprar um fogão - está indo pro ralo, é o aparecimento das etiquetas na geladeira.

Sabe como é, o dia de fazer compras juntos e toda a diversão de ir "zuar" no supermercado virou uma chatice semanal, então cada um compra o que bem entende. Só que sempre tem o sujeito que prefere gastar seu dinheiro com maconha, CDs ou doações para alguma ONG, do que comprar gêneros alimentícios.

Mas como ele precisa comer, come tudo que é dos outros. A tática então passa a ser cada um comprar o seu e colocar uma etiqueta com seu nome e até um aviso "se comer, morre". Dá-se a multiplicação dos requeijões, manteigas e caixas de leite, cada um de uma pessoa diferente.

Quartos compartilhados com camisinhas usadas do dia anterior também contribuem para que aquele seu amigo gente boa (e que você tinha certeza que daria um bom colega de apartamento) se transforme no maior cretino da face da terra. De repente você acorda e se vê morando com o Carlinhos Brown, o Ivo Meirelles e o Dado Dolabella.

Mas não são eles, é a convivência. A convivência e as manias que todo mundo tem, mas que ficam escondidas dentro de casa, num canto do quarto, e que se escancaram quando a casa e o quarto estão logo ali no final do seu corredor.

É quando descobrimos que nosso colega de apartamento gosta de criar animais na área de serviço, que coa o café da manhã com a meia usada no dia anterior ou simplesmente é um folgado que "esquece" de pagar a conta de luz quando era a vez dele, só porque "teve" que viajar pra Búzios no feriado e gastou todo o dinheiro que tinha.

Ao dividir apartamento é quase certo que você vai subtrair suas amizades. Pode ser algo tão ruim, que chega a ser até pior do que esse trocadilho.

Português errado não é excitante

Postado em 12 de ago. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Falar errado é terrível. Não tem beleza ou tesão que resista a um "ni min" ou então "menas", mas ainda que seja - esse pessoal diria "seje" - mais incômodo, os erros grosseiros do português falado formam apenas a parte mais visível do assassinato diário do idioma.

Não estou nem falando de erudições ou algum tipo de correção gramatical a la professor Pasquale, estou falando de coisas simples como evitar dizer que vai atender "uma" telefonema. Tem quem se incomode com mais, tipo usar "mim" no lugar de "eu". Confesso que nem me assusto, fica meio indígena, naturalista, e nem incomoda tanto quanto um "tauba", mas é sempre desejável procurar melhorar.

O gerundismo, praga do telemarketing, é irritante, é quase um dois-neurônios-detector, mas também tenho certeza de que assusta bem menos do que um "as criança" ou então pronunciar o "g" como se fosse "z" e falar "vou soltar pipa na laze".

Certas coisas então transformam qualquer mulher linda numa desdentada em questão de segundos, quer exemplos? Não sei qual dos dois é pior: falar "eu ouvo" ou errar o plural de ovos e dizer "ôvos".

Só que na redação a coisa fica mais feia ainda, porque pequenos detalhes que passam despercebidos na fala tornam-se verdadeiros outdoors da subliteratice quando viram peça escrita.

Preciso confessar que me assusto e não consigo nem me concentrar mais na mensagem se leio um "você está ocuLpado?" durante uma conversa no msn ou quando me perguntam se estão "Encomodando".

Nem vou mencionar o miguxês e o internetês, porque esses são os campeões da imbecilidade linguística. Coisas como "U inTeRnetes é un efeto da globalizassaum" por mim merecem castração compulsória. Não podemos correr o risco de deixar essa estirpe procriar.

Brincadeiras de lado, não custa a pessoa dar uma caprichada, ler um pouco e em último caso consultar o Google mesmo, porque certos erros - como eu falei no início - até passam, mas tem coisa que é imperdoável.

Imagina você de conversa com alguém, na maior paquerinha internética, e de repente lança ou lê um "I ai? A genti podia resolve isso no moteu, neah?".

Falando muito sério: isso não é excitante. É pior do que cueca furada e calcinha bege.

Caligrafia

Postado em 7 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Quando eu era criança tentava escrever com a letra redondinha e caprichada dos meus colegas de classe. Começava forçando o traço, desamassando minhas letras, tentando ser outro através da caligrafia.

Mas lá pela segunda frase as letras começavam a diminuir de tamanho consideravelmente e os traços amplos e elegantes que tentava copiar iam se tornando um amontoado de letrinhas pequenas, tímidas, como que envergonhadas por serem mera cópia do estilo dos outros, meros garranchos da personalidade.

Quando meus dedos doíam mais do que a vontade de imitar a caligrafia alheia, meus rabiscos voltavam lentamente para dominar as pautas, impondo-se sobre minha vontade de ser igual.

Meus amigos todos faziam letras bonitas, que pareciam saídas direto da máquina de escrever. Mas eu não conseguia escrever como eles, assim como muitos deles também não conseguiam escrever como eu.

Talvez o caos da minha caligrafia fosse mais propício para levar minha mente a imaginar histórias e inventar maneiras de contá-las, talvez aquelas letras não estivessem tortas, mas fugindo, por isso eram tão retorcidas.


Fugiam das partes chatas da aula de geografia para passear pelo Mapa Mundi. Não estavam interessadas na monocultura nordestina e sim no balanço das suas jangadas. Pouco ligavam se a professora de história dizia em qual data o bloqueio continental fora estabelecido, queriam mesmo é saber qual a cor do cavalo branco de Napoleão.

E enquanto verbos, advérbios e pronomes faziam suas ordens unidas gramáticas, elas queriam contar o que o perfume dos cabelos dourados da menina que sentava à minha frente causava, queriam contar que ouro também pode ter cheiro.

Minhas letras possuíam vontade própria, quase como as poesias, que ao contrário do que muitos pensam, não são escritas, mas vão se escrevendo na gente. Inventaram até uma desculpa pro seu suposto mau jeito, que nenhum caderno de caligrafia conseguiu domar.

Do jeito que fazem agora, viajando livres nestas suposições.

Pequenos Mundos

Postado em 4 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Ele fica ali abandonado na prateleira, mais um dentre tantos livros. Testemunhas silenciosas da nossa preguiça de saber, até que um dia resolvemos pegá-lo e começamos a desvendar aquele enredo que estava alheio à nós, acontecendo sem parar nas suas páginas fechadas.

Um livro só acontece quando é lido? Não. Ele está ali, como a cidade em que vivemos quando crianças, que em nossa ilusão egoísta ficou parada no tempo, nos esperando voltar, mas que para nossa surpresa continuou vivendo sem que tomássemos ciência do que se passava.

Os livros também são assim. Romeu continua amando Julieta, a Segunda Guerra continua sendo travada em suas páginas dia a dia, os microcontos de Carver formam cidades e bairros vivos e enfileirados em nossa estante, os carros passam, casais fazem sexo enquanto o vizinho espiona com uma luneta, as crianças correm nos pátios dos colégios, as tempestades caem, a história acontece. Tudo ali, independente da nossa vontade, num canto da nossa sala, vivo e pulsante.

E quando finalmente abrimos suas páginas, o que fazemos é tão somente pular naquele universo em movimento, tomar parte como observador do que já acontecia. Sentimos os cheiros, nossa boca se enche d'água com os gostos, nos tornamos rivais do protagonista em sua paixão pela bela morena de olhos verdes tão ricamente detalhada, viramos amigos do velho da casa em frente, que narra a história deliciosamente.

As páginas correm depressa, nem vemos o tempo passar. Chega a lembrar a vida nesse ponto. Mas ali somos apenas turistas, observadores convidados pelo autor a viver aquele pedaço de tempo que estava na sua cabeça, secção de um todo que ele resolveu compartilhar.

Quando o fim se aproxima, quando nossa mão direita já tem poucas páginas para segurar, quase sentimos raiva dele por estar sutilmente nos avisando que nosso visto de permanência está expirando. Tentamos segurar as páginas como fazemos com os dias, na eterna luta contra o tempo, e tal qual nesta perdemos no fim e vemos que tudo passa.

Sobra a saudade dos amigos que fizemos em cada linha, da intimidade que conquistamos ali pelo segundo ou terceiro capítulo e a certeza de que tudo vai parar quando finalmente lermos as três letras na última página.

A sensação de abrir outro livro logo em seguida, de entrar em outro mundo, outro continente, cidade ou país é quase de traição. Como trocar de amigos assim tão levianamente? Mas aqueles de antes já não nos esperam, assim como a cidade de nossa infância continuou a crescer e mudar depois de nossa partida. A história continua ali, se repetindo. A vida continua ali, acontecendo.

Sobra para nós a mesma coisa que as experiências da vida nos deixam: conhecimento. A mesma sabedoria que tanto na prateleira quanto na vida, temos estranha preguiça de perseguir.

Traduções tenebrosas

Postado em 2 de jun. de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Outro dia estava vendo TV e a personagem disse algo como "I´m tired of waiting for a ring and decided to give a ring myself", algo como "Cansei de esperar que me ligassem e resolvi eu mesma ligar". O tradutor, obviamente querendo enfeitar o pavão (decorate the peacock), resolveu partir do princípio que "ring" seria um "anel" (de noivado) e colocou assim na legenda "Cansei de esperar pelo príncipe encantado".

Esse tipo de tradução tenebrosa é corriqueira. Certa vez ouvia uma rádio e o locutor anunciou, todo animado, que iria tocar um "grande sucesso de Morrissey, 'Suedehead', cabeça suada".

Na verdade o termo suedehead, traduzido literalmente como "cabeça de veludo", serve para identificar quem corta o cabelo bem baixo, dando a aparência de um veludo. Mas nosso "tradutor" achou que era suor.

É difícil transportar piadas, termos e expressões de um idioma para outro. Eles às vezes são frutos de situações do cotidiano próprias de um lugar e viram algo sem pé nem cabeça se traduzidos. Existe um livro muito engraçado chamado "The Cow Went To The Swamp" (A Vaca Foi Pro Brejo), do Millôr Fernandes, que faz uma brincadeira com essas situações, como dizer que "rodar a baiana" se transformaria numa incompreensível e engraçadíssima tradução como "To whirl the old woman from Bahia".

Mas de certo modo o contrário também acontece. Existem letras de músicas que soam maravilhosas em inglês, mas se traduzidas para o português se tornam verdadeiros monumentos ao horror. Eu acho que rock'n'roll por exemplo foi inventado para ser cantado em inglês, assim como rap. Até gosto de músicas nesses estilos em outros idiomas, algumas até não saem do meu iPod, mas quando compostas e cantadas em inglês parece que "combinam" mais.

Tomemos como exemplo outro grande sucesso de Morrissey, desta vez com os Smiths, "The Boy With The Thorn In His Side", que traduzido literalmente vira um ridículo "O Garoto Com o Espinho em seu Flanco", o que com algum trabalho de interpretação vira "O Garoto Eternamente Atormentado". O sentido fica melhor, agora tente cantar isso...

Imagine o Sting cantando no The Police (A Polícia) um refrão repetitivo como "Mensagem na Garrafa...Mensagem na Garrafa...". Eu acho um desastre.

Conheço algumas músicas de sucesso em outros idiomas que, se traduzidas para o português, só serviriam para serem cantadas por grupos de pagode-cornudo ou por esses artistas que vendem CDs em barraquinhas de rodoviária.

Mas a sonoridade e muitas vezes a benção de não entender o que é dito ali fazem com que nos concentremos na melodia e aí a música cai bem. Só fico na dúvida se nos seus países de origem todo mundo é meio brega, se as referências culturais são tão diferentes a ponto daquilo tudo ser aceitável ou se eles são o equivalente aos "cantores populares" daqui.

Nem vou falar de nomes de filmes, que os distribuidores nacionais parecem ter compromisso em tornar algo totalmente diferente do contexto original. Isso chega a ser assunto para um outro post.

Ainda assim Sebastian é melhor do que Sebastião. Assim como pedir uma t-bone steak é mais simpático do que bisteca (que parece biscate). Outras coisas nem ousamos traduzir como milk-shake, frozen yogurt e mouse.

Nossos primos portugueses não tem tanto pudor e chamam o periférico de "rato" mesmo. Mas eles não são parâmetro já que traduzem até nomes próprios, como o da rainha Elizabeth II, que em Portugal é chamada de "rainha Isabel" e seu filho e herdeiro de "príncipe Carlos".

Creio que o melhor é um meio termo entre o bom gosto e a identidade cultural do país. Não precisamos ser tão radicais a ponto de chamar download de "descarga", mas também não precisamos ser uma Barra da Tijuca, onde as pessoas compram remédio na drugstore, carnes na butchery, tomam café numa bakery e chamam até rosquinha de polvilho de donut.

Porque se for desse jeito eu acabo mudando o nome do blog para Against the Flow.

Ler dá sono

Postado em 28 de abr. de 2010 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários

Em Fevereiro deste ano, Zuenir Ventura escreveu um artigo que me agradou tanto que guardei numa pasta de recortes que coleciono (sim, tenho essa mania de velho).

Ele falava sobre como nossas escolas abdicaram da tarefa de formar leitores para, com sua imposição aos alunos de livros densos demais ou datados demais, formar pessoas que simplesmente odeiam livros, que preferem resumos só "pra fazer a prova" e dessa forma se afastam cada vez mais da educação e cultura.

Num país onde o presidente diz sem nenhuma vergonha que "lê pouco porque dá sono" e que "prefere ver novelas na televisão", não é de se espantar que a indigência cultural seja essa nuvem de gafanhotos que temos, mas o que será que é feito para estimular a leitura?

Ontem eu estava no MSN e uma conhecida que está se preparando para outro vestibular e veio me pedir um bom resumo de "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", porque ela simplesmente não conseguia ler três páginas seguidas sem querer marcar um tratamento de canal com o seu dentista para se "divertir mais".

E isso acontece com todos nós em algum ponto da vida. "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Iracema", "Memórias de um Sargento de Milícias", "O Ateneu", "O Cortiço", entre outros, pulam de repente na nossa frente trazendo consigo um prazo: uma semana até a prova.

Ficamos meio atônitos e chocados, porque nem em um ano conseguiríamos a força de vontade suficiente para ler aquelas páginas abafadas e que tão pouco tem a ver com nosso cotidiano.

Não estou aqui questionando (e nem mesmo defendendo) o valor literário de tais obras, isso vai da opinião de cada um. O que questiono é se esses livros são realmente os mais adequados para criar num jovem o hábito e, principalmente, o amor pela leitura.

Numa época em que temos disponíveis TV a Cabo, internet de banda larga, You Tube, Twitter, Orkut, cinema em 3D, tantos recursos audiovisuais, é quase impossível fazer alguém gostar dos bons e velhos livros se o que as escolas oferecem como porta de entrada para a literatura são obras com linguagem e ambientação tão pouco atuais quanto "Senhora", por exemplo, que tem trechos assim: "Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar chispas de escárnio. Para que a perfeição estatuária do talhe de sílfide, se em vez de arfar ao suave influxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo?"

Lembro bem quando precisei fazer uma prova sobre "O Alienista", da força de vontade necessária para não me matar engolindo as páginas do livro e olha que nem é um livro tão grande.

Mas a questão maior é: porque não começar por onde os jovens encontrariam eco do que vivem naquelas páginas?

Temos como bem disse Zuenir Ventura em seu artigo, Fernando Sabino, Rubem Braga. Mas vou mais adiante e cito Nelson Rodrigues (porque não?), Rubem Fonseca, Lívia Garcia-Roza, João Ubaldo Ribeiro, são tantos, com temas e estilos atuais, que "prenderão" os jovens à leitura com argumentos muito mais construtivos do que "senão vai tirar um zero na prova".

Muito se fala no "prazer da leitura", mas seria desejável que esse tal prazer fosse ensinado aos que nele iniciam com algo diferente de uma sessão de torturas. Talvez assim todos descobrissem que livros servem para a vida toda e não pra "passar de ano".

Os anos passam, a educação fica.

Leis que deveriam existir para proteger os idiotas

Postado em 29 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Em duas oportunidades já escrevi aqui sobre leis que seriam totalmente desnecessárias num mundo ideal. Usar cinto de segurança, atravessar na faixa de pedestres ou não fumar em ambiente fechado são atos que jamais precisariam de leis reforçando-os se as pessoas não fossem chegadas numa auto-destruição.

Pensando nisso, imaginei algumas leis que poderiam auxiliar as pessoas a viver melhor em sociedade, por mais bizarras que elas possam parecer.


Proibido respeitar placas: Usando psicologia inversa, talvez assim pessoas não pisem na grama, não encostem na cerca eletrificada, não coloquem a mão na jaula dos leões.








Lei de Combate ao Programa de Índio: tipo acreditar no seu primo quando ele disser que só vai levar alguns amigos de carona contigo pra praia.









Programa Nacional de Combate à Plástica Ruim: Sabe aquele panfleto que te entregaram no ponto de ônibus prometendo que você iria ficar igual a um artista de Hollywood e pagar a cirurgia em até 36 prestações? Pois é, é igual a este artista aí que você tem grande chance de ficar parecido.







Lei de Combate ao Ridículo: será proibido, por exemplo, brincar de cosplay depois de certa idade, porque acredite, você só terá motivos para agradecer depois. (Pensando bem, proibir cosplay em qualquer idade seria ainda melhor)







Operação Cabelo Socialmente Aceitável: sabe quando seu cabeleireiro diz "pode confiar em mim!"? Pois é, essa lei te protegeria disso.









Lei "Caiu na Net": criminalizaria a prática imbecil de acreditar que é seguro enviar fotos ou vídeos sem roupa para desconhecidos e principalmente para conhecidos.










Anistia à Infância: que tal libertarmos a infância de toda a erotização que a assola? Axé music, funk, novela e reality shows são porcarias que teremos o resto da vida pra aturar, não precisamos começar a sofrer desde miúdos.








Operação Barangueiros na Seca ou Lei Highlander: se você tem o hábito de beber e começar a chamar urubu de meu loiro, estará protegido de você mesmo ao obedecer esta lei que só te fará bem no dia seguinte.









Lei "Aquele Casal": quem não conhece "aquele casal"? Cada um tem o seu. Os que se pegam e ficam se alisando na academia, os que ficam fazendo cenas de sexo quase explícito (com direito a barraca armada, e não é a de sol) na praia, aquele dois do elevador do seu trabalho. Pois é. Essa lei protegerá qualquer casal de tornar-se "aquele casal".





Código de Defesa do Caroneiro: sabe aquela famosa frase "ou dá, ou desce?". Pois é. Amparados por este código os (e principalmente as) caroneiros ficarão livres de ter que pagar a corrida que era de graça com serviços sexuais de qualquer espécie.








Lei Sorriso Total: você sai de noite, bebe umas e começa a se achar o valente? Respeitando esta lei você evitará chamar campeões de vale-tudo ou seguranças de boate para briga e acredite: quando a raiva e o porre passarem é muito melhor sorrir com todos os dentes no lugar.








Suvaco Legal: antes de sair de casa para qualquer atividade passe num dos postos de vistoria e cheque seu nível de emissões.










Decreto Negócio da China: por este decreto você estará proibido de aceitar convites que te farão milionário do dia para noite, parcerias que te darão carrões em meses e aquelas "reuniões" aos domingos na casa de amigos que só te contarão o assunto "quando você estiver lá". Você vai entender que só quem "ganha dinheiro sem sair da casa" é o vencedor do BBB.




Powerpointicos Anônimos: em 12 passos você aprenderá a nunca enviar o primeiro email com arquivos Power Point, porque saberá que este é um caminho sem volta e um só nunca é o bastante. Também ajudará você a sair do filtro anti-spam dos seus amigos.







Programa Cachorro-Quente Amigo: sabe aquele podrão que você adora comer na praça? Agora nenhum deles poderá ficar localizado a mais de 100 metros de um banheiro químico. Dessa forma você não terá mais que sair correndo pra casa depois de comê-lo, afim de aliviar-se dos efeitos imediatos do seu consumo.





Lei do Arrependimento: errar uma vez é humano, duas é burrice. Dessa forma, você que já votou no PT terá todo direito de não ser zuado pelos amigos, desde que se comprometa a não fazer essa idiotice outra vez. Caso faça, ganhará como "prêmio" uma viagem de 1 mês pelas colônias de férias esquerdistas na Venezuela, em Cuba e na Coréia do Norte.


Acho que se quisesse faria uns 10 posts sobre isso, não é? Faltou alguma? Diz aí!

7 situações em que idiotas são protegidos deles mesmos

Postado em 25 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Já escrevi uma vez sobre leis que seriam inúteis num mundo ideal, disse eu nesse post que achava que certas leis, como a que proíbe fumo em locais fechados, seriam totalmente desnecessárias caso as pessoas tivessem um mínimo de bom senso.

Porque todos sabem que cigarro mata, que traz um sem número de doenças e que o fumante passivo é tão prejudicado quanto. Sendo assim, porque diabos uma pessoa resolve fazer a opção voluntária de aspirar fumaça tóxica diretamente de um bastonete de nicotina?
Mas até aí problema dela, não sou um desses anti-fumantes militantes, antes de tudo porque acho que todo militante é um chato, mas quiestiono um pouco a lógica do fumante inveterado.

Adiante...

Como nem só de cigarros vive a estupidez humana, encontrei outros 5 hábitos que são totalmente normais, nocivos a quem os pratica e, curiosamente, todos desencorajados pela lei.
Costumo dizer que é como se alguém precisasse de uma lei que dissesse "todo e qualquer cidadão está proibido de comer bosta em qualquer das refeições do dia".
Vamos aos exemplos:

Faixa de pedestres









Pela foto podemos perceber como é muito mais fácil atravessar no meio de um monte de carros, com motoristas de ônibus acelerando para nos apressar e o risco de ser abalroado por um motoboy do que numa faixa de pedestres, que, adivinha, foi feita pra se atravessar ali.

Passarelas












Porque viver a vida entediante das pessoas que não correm o risco de morte imediata embaixo de uma carreta? Você não é a Gisele Bündchen, não é verdade? Vai andar em passarela pra que?

Cinto de Segurança













Ainda que você tenha um barrigão como o do rapaz apolíneo aí da foto, acredite: ela não servirá como airbag no momento de uma colisão. Sei que cinto de segurança incomoda, que você fica parecendo com um torcedor do Vasco ou da Ponte Preta enquanto está no carro, mas acredite, é menos incomodo do que uma prótese dentária total.

Bronzeamento artificial










Uma verdadeira batalha jurídica está acontecendo entre as clínicas que oferecem bronzeamento artificial e aqueles que acreditam que a prática de fazer churrasco humano não é muito saudável. Já houveram casos de pessoas com 98% do corpo queimado numa dessas máquinas mal reguladas ou operadas por algum cabeça de cabaça, mas ainda assim existe quem recorra a isto e, pior, pague caro para passar algumas horas do dia neste forno de microondas.

Lei anti-fumo























Você fuma, o direito e o pulmão são seus, não é verdade? Ninguém tem nada a ver com isso e você compra cigarros com seu dinheiro. Parabéns, eu e mais um monte de gente que também não fuma preferimos gastar o nosso com outras coisas e dentre estas não está um caríssimo tratamento de saúde por causa de doenças relacionadas ao fumo passivo, então, se você quiser colocar a boca num cano de descarga de carreta, fique à vontade, só não peça o meu nariz emprestado para te ajudar na tarefa.

Ciclovias e ciclofaixas












Um automóvel pela mais ou menos 1 tonelada, um ônibus ou caminhão pesa muito mais do que isso. Agora faça as contas: uma bicicleta pesa em torno de 10 quilos e você, por mais "fortinho" que seja, terá em média uns 80 quilos. Adivinha quem levará a pior numa eventual porrada entre você, sua bicicleta e um outro veículo qualquer. Acredite: inventaram ciclovia por algum motivo.

Beber e dirigir












Sei que a intenção dessas blitzes da Lei Seca é pecuniária e eleitoreira. Governantes no Brasil cagam e andam para a saúde e o bem estar da população, portanto não se iluda: eles não ligam pra você. Caso contrário não exigiriam também comprovante de pagamento do IPVA, mesmo você estando sóbrio. Mas se nem as fotos de pessoas que foram mortas ou acabaram mal por causa da mistura bebida e direção te convencem, pelo menos pense que você poderá sair ileso, mas seu carro todo destruído e com uma multa caríssima para pagar. Como dizem que a parte do corpo que mais dói é o bolso e, se você bebe e dirige, seu cérebro não tem lá muita utilidade, faça isso: preserve seu bolso. O resto das pessoas e do seu corpo agradecem.

É isso aí, a este post se juntará um outro que farei em breve com lei que deveriam surgir para proteger as pessoas de fazer outras idiotices e que, sabe lá porque, ainda não foram inventadas.

Até lá!

Natal do Barulho

Postado em 24 de dez. de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Estava lendo um site de notícias ontem e achei no blog da Patrícia Kogut uma declaração do Ney Latorraca que dizia: "Minha família é espanhola, o Natal sempre foi o momento de todos brigarem".

Primeiro achei engraçado, depois pensei comigo mesmo "não é que, mesmo sem ter família espanhola, esse cara acertou em cheio em relação a muita gente que eu conheço também?"

Chega a época do Natal e com ela um trânsito caótico.

Junto com o trânsito caótico os shoppings lotados, e os produtos em falta, e a TV te dando "idéias" sobre o que presentear, e algum repórter tem a idéia inovadora de ir aos Correios mostrar a quantidade de cartas que Papai Noel recebe, e os supermercados viram um caos, e todo mundo vira o José Roberto Arruda e sai por aí desfilando com panetones, enfim, sempre digo que apesar de gostar do dia de Natal especificamente por causa do seu significado, se eu pudesse viajaria pra uma ilha deserta no dia 1º de Dezembro e só retornaria dia 2 de Janeiro.

Esta é uma época que bem poderia ser filmada e colocada numa dessas comédias de Hollywood, tipo "Férias Frustradas", "Uma família do barulho", etc.

Todo mundo que trabalha enfrenta as confraternizações. São legais, tudo bem, mas aí tem o amigo oculto. Faz-se a tal brincadeira deixando que se escolha os presentes e ponha numa lista? Faz só comprando ítens com limite de preço? E se tirar o chefe? Ainda assim vai dar um porta-retratos de loja de 9,99?

Sem contar aqueles caras que estão de olho na menina o ano inteiro e esperam a festa de final de ano da firma pra encher a cara e tentar a sorte...o azar é quase certo.

Mas isso seria o de menos, se não tivesse também, tal qual o Ney Latorraca, as festas em família.

E quem reúne a família toda (e passei um bom período da minha vida, enquanto minha bisavó era viva, festejando Natal assim) vai entender o que eu falo.

Uma tia não vai muito com a cara da outra, sabe como é, mesmo depois dos 50 elas ainda lembram daquele baile de debutantes da época da Rádio Nacional em que uma derramou ponche no vestido da outra.

As duas fingem aquela convivência pacífica até começar o "Meu filho passou numa federal..." ao que a outra responde "Que máximo! Esse menino é brilhante! Mas não foi o 3º ou 4º vestibular que ele prestou?".

Quem não tem um tio que começa a tarde bebendo cerveja, passa ao vinho no jantar e termina a madrugada com um copinho de whisky, cantando músicas, contando piadas e meio que enchendo o saco de todo mundo? E a esposa dele? "Fulano, já chega, né?" e ele "Já chega porrrrrrrrque? Tô me diverrrrrtindo poorrraaaa".

E jamais poderia esquecer a cozinha! Peru, bacalhau, tender, carne assada, lombinho, bolinhos de bacalhau, acompanhamentos diversos, pudim, tortas, bolos, sorvete, doces variados, castanhas, nozes, avelãs, chocolates, panetones logicamente e aquela saladinha de fruta que é pra ninguém dizer que fugiu da dieta e poder colocar a culpa no dia seguinte, caso tenha alguma dor de estômago.

Junta todo mundo à mesa e começa o trabalho de processamento daquelas toneladas de comida, com alguma tia gorda dizendo que "no ano-novo começa uma dieta sem falta!" complementando com um "Me passa aquela empada de camarão com catupiry, por favor?!".

No final das contas, como em toda família, todo mundo se gosta, só que alguns pero no mucho.

Mas Natal também é isso, e no fim todo mundo extrai algum prazer dessa maluquice coletiva que somos praticamente obrigados a fazer parte por ocasião do nascimento de Jesus.

Sempre tem algo que nos alegra e faz rir, ainda que seja observar nossa mãe se vingando do horrível enfeite de mesa que ganhou no ano anterior presenteando a cunhada com uma cara (e horrenda) fruteira cintilante cheia de dragões chineses desenhados.

As crianças correm pra lá e pra cá na sua alegria e infindável energia, Papai Noel aparece e logo em seguida elas enlouquecem abrindo presentes, depois dormem.

Já com elas dormindo, a festa vai ficando mais lenta, até que sobra um caminhão de louça para alguém fazer desaparecer e algum bêbado perdido para se jogar uma coberta por cima.

No dia seguinte, todo mundo agradece em pensamento ao inventor do sal de frutas e começa a pensar "No reveillon vou de branco ou amarelo? É pra pular 7 ou 9 ondas?".

É isso aí. Feliz Natal, amigos. Um excelente Natal para todos vocês!

(Este Blog volta dia 28 de Dezembro, provavelmente já refeito da ressaca do Natal)

A turminha da panela

Postado em 10 de nov. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Logo que comecei a me interessar sobre fotografia, entrei num forum buscando dicas sobre uma boa camera para comprar já que estava prestes a fazer o curso naquela época.

Me cadastrei, loguei e o que vi ali, sinceramente, causou desânimo.Me deparei com uma discussão(no sentido de barraco mesmo) por conta de uma dica que um "não-profissional" pedia aos entendidos sobre uma solução para uma foto que ele queria fazer.

Pois bem, entre insultos e "conselhos" para que procurasse quem realmente entende do assunto, "se você está doente procura um médico e não dicas na internet" foi uma das pérolas, além de bate-bocas entre os mesmos profissionais que acusavam uns aos outros de tirarem "fotinhos", eu acabei entendendo o porque de ter tanto problema assim em me relacionar com a maioria dos seres humanos.

Sério, prefiro conviver com meia dúzia de gatos do que com 3 seres humanos por mais de 2 dias seguidos.

Temos essa doentia tendência de "isolar" o "outro".

Todo e qualquer assunto de interesse comum a mais de 3 pessoas sempre gera o grupo dos "entendidos", o dos "fodões" e finalmente os "newbies". Normal, ninguém nasce sabendo, mas daí para o tal grupo resolver que cool é quem usa a "pinça-porta-clips" fabricada pela "clipony" e todos os demais mortais que não tem dinheiro para compra-la ou pior, que nem sabiam da sua existência, são apenas seres desprezíveis que não merecem nem mesmo ver a luz da "verdade", sob pena desta matá-los, é um pulo.

Ao invés de ter paciência e lembrar que um dia também precisamos de alguém para nos ensinar aquilo que sabemos, a maioria prefere zombar dos iniciantes, desestimulá-los ao máximo, talvez por medo de serem superados por algum "talento desconhecido", talvez simplesmente por maldade mesmo ou para sentir-se o "rei do pedaço".

Nomeie a área e teremos os pentelhos. A nossa querida meritocracia blogueira é apenas uma delas, mas até mesmo entre colecionadores de Playmobil provavelmente deve existir um Cardoso ou uma Tracy Flick da vida.

Não conheço ninguém que goste de alguma elite ou panela da qual não participe.

É unanime a sua condenação, a certeza da necessidade do combate feroz a estas e finalmente (em alguns), o desejo íntimo e inexorável de, um dia, finalmente participar de uma.

"Quem fala o que quer...é invejado!"

Postado em 6 de out. de 2009 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Ontem escrevi no Twitter que 99% das brigas só acontecem porque quase ninguém está preparado para ouvir um "f*da-se" logo em seguida ao pronunciamento das mágicas palavras "mas isso é só a minha opinião, tá?".

Não sei porque cargas d'água alguém um dia convencionou que dizer isso isenta a pessoa de ouvir uma resposta.

É como um cara dizer pra mim "não sei como você consegue caminhar nas ruas com estas costeletas!" e ouvir algo como "nem eu sei como você consegue com essa sua cara!" e ficar ofendido. Incrivel, né?

Mas as pessoas ficam.

Todo mundo pensa que tem aquela frase final, aquela máxima inapelável, o famoso "óbvio ululante" que encerrará qualquer debate como passe de mágica. Pode ser uma revelação bombástica, uma tirada genial, uma verdade inatacável, na cabecinha de quem a pronuncia, aquilo ali será a popular "chave de ouro".

Aí quando recebe aterrorizado uma resposta, seja ela qual for, o que acontece? Ah! É um absurdo!

O sujeito pode ter procurado encerrar uma discussão com um prosaico "você é um idiota" que se ouvir o outro responder "e você é um asno" vai se ofender mais do que qualquer coisa.

O outro é que é grosso, entenderam? Afinal, foi "só uma opinião".

Isso acontece comigo no Twitter vez por outra.

Estou lá falando sobre as minhas limãozices diárias e vem um esperto querer dar uma de "engraçado", aí eu respondo com a minha conhecida ferradura dourada e o sujeito se ofende.

O primeiro passo é me chamar de usuário de script, como se isso não fosse público, notório e confesso.

Depois, como não pode me chamar de burro porque isso é impossível, já que não sou mesmo, começa a me imputar acusações como "racista", "discriminatório", "truculento", etc, etc.

Ora, bolas! Se mete na minha conversa pra me encher o saco e quer o que? Flores?

E como pode ficar ofendido o sujeito contrariado! Se ele diz "O Pão de Açúcar é com certeza a paisagem mais linda do mundo" e você responde "Não, eu não acho que seja", pronto! Você é um "idiota, imbecil, tacanho e que não merece o convívio social".

É o julgamento de todo um caráter baseado no que a pessoa discorda do outro.

O próximo passo é chamar os amigos. Todo mundo sempre tem um amigo ou dois, ou três, prontos a defende-lo em qualquer coisa que faça. O ser-humano tem isso. Acha que prova de amizade e fidelidade é apoiar qualquer imbecilidade que o outro faça.

Por fim, a cartada genial: a inveja!

Uhhhhhh!

Alguém disse muito bem que a inveja é aquele argumento "infalível" que se usa quando a opinião ou crítica do outro é tão oposta à sua visão e tão bem defendida que só te resta apelar a ele.

É inveja porque não sou um "problogger de sucesso", "relevante", porque não tenho um iPod Touch, porque não tenho um par de tênis prateados, porque não me chamo Pafúncio, etc, etc...

Resumindo, seja lá o que a você diga, até que o céu é azul, você estará errado porque é "grosso", porque "todo mundo" acha você errado e porque você é invejoso.

Infelizmente não consigo ouvir/ler funçanata idiota sem responder. Não tenho medo de grosseria e nem de "turma", daí me acham encrenqueiro.

Mas nem sou, o que rola é que, como disse no início, quase ninguém está preparado para ouvir um "f*da-se" quando emite uma opinião inconveniente e eu estou cheio de "f*da-ses" para distribuir pra essa gente. Bring it on.

Não se acanhe! Distribua-os também.

Nextel e celular: tecnologia não é nada

Postado em 30 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Prrrri-prrrrri.

Quem nunca esteve num local público, seja fila, restaurante, ônibus, metrô, saguão de aeroporto, sala de espera de cartomante e nunca ouviu esse apitinho infame de um Nextel?

O aparelhinho misto de rádio e telefone é o representante-mor da encheção de saco que a tecnologia pode representar nas mãos de um asno que por qualquer razão teve acesso a ela, mas o celular não fica muito atrás.

Conto isso porque dia desses estava no cinema e uma moçoila atendeu o celular e, imaginando-se educadíssima, disse pra amiga "não posso atender, estou no cinema!". Poxa, não pode atender, vejam vocês. Aquela joça não deveria estar nem ligada pra começar!

Mas celular no cinema/teatro/Missa/audiência de divórcio é algo amplamente documentado, narrado, condenado. Não preciso me extender nesses casos.

Mas e quando o uso é permitido?

Tem gente que consegue ser tão incomoda quanto se estivesse numa sessão de meditação com o Dalai Lama.

O rádio do Nextel é o melhor exemplo. O cara pra mostrar que é "importante" programa aquele treco pra soar mais alto do que um rádio de polícia, aí fica no meio da rua falando alto, gesticulando, como se estivesse coordenando a invasão da Normandia.

É um tal de "copiou?", "positivo?", "okappa!". Só falta se despedir falando "câmbio e desligo".

Sem contar aquelas pessoas que contam sua vida inteira aos berros no meio da rua, transformando qualquer ônibus, sala de espera ou vagão de metrô num misto de divã e confessionário.

Essa semana estava num restaurante e em 15 minutos descobri que a prima da moça na mesa ao lado tinha separado, o marido a havia trocado pela secretária do dentista dela, que ela estava faltando a análise haviam 2 meses (talvez daí o comportamento) e que por mais que ela tentasse, a aula de dança de salão só a fez emagrecer 300 gramas.

Todas informações dispensáveis, mas que estupraram meus ouvidos devido à altura e à desenvoltura com que a moça conversava ali, como se estivesse num concurso de sopranos.

Tudo isso só prova que tecnologia não é nada se não for associada a um cérebro plenamente funcional, vamos torcer pra inventarem algum tipo de enxerto (talvez até um chip) que resolva isso o mais brevemente possível.

O Egoblog

Postado em 9 de set. de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Andei passeando pelos blogs brasileiros considerados mais famosos e (argh) "relevantes" por eles mesmos.

Sim, o início da distorção é este: são eles próprios que decidem seu peso na blogosfera.

Número de acessos também conta, é claro, mas nunca vi nenhum membro da elitosfera dizer que a Bruna Susfistinha é relevante, apesar de milhares de acessos, livros e o escambau, o que leva a crer que visibilidade, visitação e "fama" não contam muito.

O que conta então? Achismo.

Podem chamar de "choro", tanto faz, não me importa o que digam, mas é um método de avaliação mais ou menos fácil e cômodo. Você aplica a prova, responde às questões e corrige, no final dando um "10" pra você mesmo.

Digamos que um blog "ifluente" da tal bostosfe, quer dizer, blogosfera tenha 10 mil acessos diários e uns mil comentários em cada post. Veja que exagerei, porque alguns que se consideram o último biscoito Bono do pacote não tem nem 10%,20% disto que chutei.

Mas tudo bem, digamos que tenham e coloquemos isto frente ao número de internautas do Brasil e ao tráfego diário da rede: não é nada. É um gueto e só.

Mas como são eles mesmos, junto a algumas empresas que querem passar uma imagem descolada que formam este "mercado", a coisa é extremamente interessante: eles se definem como relevantes e dividem assim o bolo do que vier como "lucro".

Mas não quero fazer aqui muro das lamentações sobre isto, não preciso que ninguém me dê brindes ou mimos, graças a Deus meu trabalho me proporciona o direito de compra-los quando desejo, este não é o ponto.

O que me deixou pasmo é alguns destes blogs não terem em seu conteúdo, o tal conteúdo "relevante" e de "qualidade" que eles tanto apregoam, muito assunto diferente.

Quando não estão fornecendo receitas sobre "como fazer um blog de sucesso", estão listando "10 coisas que se deve fazer para ser relevante" ou contando "o que fiz para ser um blogueiro famoso, influente e ganhar algum dinheiro com isso".

Tem também os posts contando sobre as últimas impressões de algum brinde ou boca-livre que ganharam graças ao fato de andar sobre o tapete vermelho da blogosfera, o que pensam dos outros blogs, o que pensam sobre o que as pessoas pensam deles mesmos, o que pensam sobre o que pensavam quando escreveram um post em 2003(pra mostrar antiguidade) e, claro, mais alguns posts ensinando "como seguir o caminho dos vencedores no...mundo dos blogs!".

Resumindo: eu, eu, eu.

O conteúdo é pobre, talvez por isto não rompam demais a barreira dos sites sobre tecnologia, revistas especializadas e tudo mais que for relacionado ao restrito público de quem se interessa pela blogosfera.

"Mas eu apareci no Estadão!", "E eu fui convidado a palestrar sobre como monetizar o Twitter no BoondoggleCamp 2009!".

Peanuts. Isso não é nada. Representa muito pouco até mesmo para o já restrito público internauta brasileiro.

Podem até falar que é bem mais do que eu já consegui, mas ainda assim é bem pouco e lembro que eu não me dedico a esta função, isso pra mim é catarse, diversão, faço pelos elogios e não por dinheiro ou "influência", logo, pouco importa.

Mas é extremamente desagradável ver gente que tem como principal assunto o "eu", ficar por aí ditando regras sobre o que é válido ou não.

Podem dizer que é direito deles fazer isso, concordo, mas é direito e dever de qualquer um que abomine a mistificação jogar uma luz sobre isso e não aceitar o engodo.

As pessoas tem todo direito de passar a vida falando num blog sobre "como eram verdes os anos da minha infância" ou "foi assim que me tornei xerife do Blogger e delegado no WordPress ", mas não tem nenhum direito de criticar alguém por falta de conteúdo, quando o que produzem é, a rigor, um verdadeiro passeio pelas suas próprias entranhas.

São conceitos relativos, é verdade, mas até mesmo por isso não considero nada do que essa gente diga como lei.

Pra mim, egoblog não é relevante. E ponto final.

MID - Maldita Inclusão Digital

Postado em 26 de ago. de 2009 / Por Marcus Vinicius 26 Comentários

Não conheço um internauta 1.0 que não abomine a tal "inclusão digital". As águas da internet que outrora eram boas de navegar, reservando surpresas e um mundo novo de possibilidades, acabarm tornando-se mais poluídas do que as da Baía de Guanabara.

Lá pelos idos de 1996, quando eu comecei a acessar a grande rede, a internet era algo extremamente elitizado. Também não era pra menos, o acesso era caro pois pagava-se o serviço do provedor, que consistia num pacote magérrimo de horas franqueadas e ainda pagava-se mais as horas extras utilizadas.

Para se ter uma idéia de como era caro, o pulso telefônico mal importava nessa conta naquela época.

Tudo bem que era caro, lento, barulhento(quem não se lembra do modem fazendo escândalo e acordando a casa toda) e haviam mais gringos do que brasileiros, ou seja, o inglês era bem mais fundamental naquele tempo do que o miguxês ou o analfabetês é hoje.

Mas tinha seu lado bom. Podia-se conhecer pessoas interessantes, o nível das conversas era bem melhor e a ausência da banda larga impedia os "tem cam" ou "manda foto" da vida de estragarem as conversas. Existiam as pragas virtuais, é claro, mas comparado ao que existe hoje aquilo era quase "germ free".

Conheci muita gente legal nessa época, aprendi muita coisa, foi um período bom.

Mas veio o pulso único, chegou a banda larga, o preço desta abaixou e as Casas Bahia aliadas às Lan Houses ajudaram a trazer para a rede a favelização que o Brasil já vê na sua vida real diariamente.

De repente fomos invadidos por hordas de pré-adolescentes miguxos, com seu vocabulário de Hello Kitty das trevas, seus jogos, trolagens, idiotices. Junto a eles vieram as hostes da assim chamada "baixa renda" que, em sua maioria, acham que isso também deve significar "baixa civilidade".

Aliás, sejamos justos, não acham isto, é que ninguém jamais os ensinou.

Possuímos escolas públicas de péssima qualidade, uma TV aberta(que é a que a maioria da população sem "gatonet" assiste) com programação idiotizante e os ritmos preferidos e enfiados goela abaixo do "povão" são nada menos que funk, axé e pagode, um trio que equivale aos cavaleiros do apocalipse do bom gosto.

Grande parte da nossa população vive uma rotina de violência latente. Seja pelo que assiste nos locais aonde mora, aonde o único serviço público que chega é a polícia; seja no âmbito familiar onde as noções mais básicas de educação faltam porque não existe quem as transmita.

Ônibus lotados, trens que só serviriam para transportar gado num país decente, infra-estrutura precária, gravidez precoce, falta de dinheiro, ausência total de eventos culturais (baile funk não conta, funk é lixo, não é cultura), uma erotização cada vez mais invadindo a infância e o que se tem como resultado é isso: um povo extremamente grosseiro, mal educado, sem noções de convivência social fora aquelas que convencionou adotar como as "regras do gueto".

É a tal "olha a disciplina, leke".

Mas o Brasil adora fazer tudo de trás pra frente.

Não tem nem infra-estrutura básica decente, quer fazer Olimpíada. Não tem um povo com acesso mínimo a educação formal, mas este já tem acesso à internet.

Daí vemos esse show de horrores, como aqui, aqui e aqui.

O maior medo dos usuários do Twitter era a sua "orkutização". Mas existem fenômenos contra os quais não adianta lutar. Reportagens de jornais, TVs e até "manuais do Twitter" já trouxeram o fenênomeno para o site.

As correntes, o miguês e o analfabetês presentes e a disseminação de joguinhos tipo "Quem você quer morder" ou trending topics dos "Jonas Brothers", não me deixam mentir: a turma da espinha no rosto e excesso de hormônio e a galera da Lan chegaram com força total.

O que fazer? Nada.

Aturar, ignorar, tentar fazer um descarrego nos que ainda tem salvação, e rezar para que um dia algum governo resolva ajudar na educação do seu povo, e que além de bens de consumo como geladeiras, televisores, computadores e acesso à internet, forneça também as ferramentas para que estas pessoas possam utilizar-se do que tem à mão de forma mais edificante da que acontece atualmente.

É esse o "grande segredo": educação, aquela coisinha que se aprende em parte na escola e é tão desprezada por quase todo mundo. Ela é a chave para a solução de muitos problemas, inclusive este tráfego desqualificado que hoje representa o brasileiro na internet.

Quanto aos adolescentes, bem, adolescência é uma ocorrência neuro-incapacitante que todo mundo sofre a partir dos 12 anos mais ou menos e só passa, às vezes, após os 20 e poucos ...isso só uma jaula e tempo mesmo para melhorar.
 
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