Justin Bieber - pra quem não conhece, um cantor adolescente portador de uma franja concretada e intérprete de músicas ruins - estava confiante para fazer sua prova de direção e poder dirigir seu Range Rover, presente que ganhou do astro do R&B - leia-se: rap vagabundo disfarçado de musica melosa - Usher.
Justin Bieber provavelmente passou toda a prova escrita maldizendo a falta de um espelho na sala onde o certame foi aplicado, para que pudesse conferir se a sua franja ridícula estava no mesmo local ridículo de dois minutos atrás.
Por estar mais preocupado com sua franja - aquele acessório fundamental para adornar seus bicos e gritinhos de debutante dos anos 50 - Justin Bieber bombou na prova de direção e foi condenado a passar mais um tempo sendo apenas Justin Bieber, o bípede, e não Justin Bieber, o piloto de Range Rover.
Inconformado, Justin Bieber deu um piti digno de uma debutante dos anos 50 ao perder um salto ou um cílio postiço no auge do baile - ou talvez um piti digno do próprio Bieber, ao descobrir, sei lá, que o vento desarrumou a sua franjinha engraçada - e se recusou a sentar no banco do carona, para ser levado de volta para casa pela mãe, como muito bem sói a todo aborrecente enchedor de saco.
"De jeito nenhum eu me sentaria no banco de passageiros e choraria como um garotinho de dez anos, ela (a mãe) ficou me chamando enquanto eu virava a esquina de um estacionamento", declarou o jovem Bieber, sem nem desconfiar que sua aparência e seu comportamento como um todo já o fazem parecer não um garotinho, mas uma garotinha de dez anos. Mas ele ainda não estava satisfeito, tal qual suas fãs, ao que parece, Justin Bieber também nunca está farto o suficiente de si mesmo.
"Senti que cada motorista que passava estava rindo de mim", continuou Justin, sem imaginar que talvez os motoristas rissem mesmo, mas não por causa de uma prova de direção que nem imaginavam que havia acontecido, e sim por causa de um moleque que abusou do Mentos - e por isso parece meio fresco - com uma franja de marquise laqueada passeando na calçada, talvez fugindo de algum circo - o que não deixa de ser verdade, se pensarmos no mundo das "celebridades".
"Uma garota passou se maquiando enquanto percorria a avenida, mas com certeza ela tinha carta." - denunciou Justin Bieber, sem saber direito se tinha mais raiva da mocinha por causa da carteira de motorista ou do estojo de maquiagem.
"Outro cara passou em uma caminhonete, fumando um cigarro, que jogou na rua, como se o mundo fosse seu cinzeiro. Gritei para ele: “Eu te odeio!” E me senti bem. E fui gritando para todo mundo “Eu te odeio!”, “Eu te odeio!” e “Eu te odeio!” - Finalizou a história o super-herói adolescente, expondo de forma categórica, mais latejante do que um nervo exposto, a psiquê de sua geração, essa garotada que "odeia" os outros por causa de um videogame, um time de futebol, uma banda de rock, essa gente que odeia o idioma escrito, a maturidade, o bom gosto, o senso do ridículo.
O homem fazia do mundo seu cinzeiro, Justin Bieber faz do mundo seu penico. Estão empatados.
Pena que as pessoas estavam ocupadas demais para prestar atenção no que Justin Bieber tinha para dizer, afinal de contas, qualquer um com alguns anos a mais e espinhas a menos precisa se preocupar com coisas mais importantes como repor o papel higiênico na despensa, tomar um sorvete ou simplesmente jogar milho para os pombos, logo não têm tempo para Justin Bieber.
Mas se tivessem, duvido que gritassem "Eu também te odeio!", porque afinal de contas, "ódio" a gente guarda para um monte de coisas, como aquele cara que dá em cima da nossa namorada, o fiscal do imposto de renda ou todos os autores de novelas da Globo, mas jamais para um adolescente tresloucado berrando na calçada.
Tenho quase certeza de que o máximo que essas pessoas diriam, antes de trocar a estação de rádio porque alguma música de algum astro adolescente ou de R&B começou a tocar poluindo seus alto-falantes, seria:
- Cala a boca, moleque! E vai num barbeiro cortar esse cabelo escroto!
Um mês depois o pequeno Bieber conseguiu sua carteira de motorista. Mas a franja continua lá.
Gritei para ele: "eu te odeio!". E me senti bem.
Postado em 20 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários
A escolha mais fácil da história
Postado em 19 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários
Antes do dia 3 de Outubro, os institutos de pesquisa, os analistas isentos e as pitonisas do sufrágio, nos avisavam que era inútil comparecer às urnas. Nosso voto era uma espécie de penetra na festa da democracia deles. Já estava até escrito nas estrelas que a candidata do PT, aquele atentado ao Brasil chamado Dilma Rousseff, seria eleita "presidenta" no primeiro turno e tudo o que poderíamos fazer seria aceitar, digerir e curvarmo-nos perante a vontade soberana do "maior presidente que o Brasil já teve no universo".
O problema é que, como disse uma vez Garrincha, "esqueceram de combinar com os russos". E os russos nesse caso fomos nós, pobres eleitores-contribuintes, que teimamos em comparecer às nossas seções eleitorais e levar o pleito para o segundo turno.
E nada melhor do que um segundo turno - sem os ruídos estáticos de campanhas majoritárias e proporcionais nos estados, além de candidatos nanicos - para explicitar bem a escolha que se apresenta para cada brasileiro e brasileira que prestam.
Digo isso porque existem aqueles brasileiros homiziados em estatais, acochambrados em cargos de diversos escalões ou simplesmente arrolados em folhas de pagamento de centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e demais braços do lulo-petismo para dizer por aí o que convém ao partido, seja na imprensa ou seja na blogosfera. A estes, só um resultado interessa: a vitória de Dilma Rousseff, a candidata imposta Lula, a "mãe" do PAC, o Plano de Ascensão da Companheirada.
E a escolha que se espraia ao Brasil que presta nesse segundo turno nunca foi tão simples.
A candidata inventada por Lula, aquela que não consegue articular mais de duas frases sem assassinar o português, a concordância, a lógica e a inteligência do interlocutor, nada mais é do que um prontuário. Mas não só ela, os que a acompanham também.
Naquele balaio de gatos existem mensaleiros, aloprados, a Família Guerra e o Cardeal que tomou à força o dízimo do banco alemão. Naquele balaio de gatos deposita-se um numerário inimaginável, subtraído das mais diversas formas dos cofres públicos.
Ali também se depositam ONGs obscuras, o MST, a pelegada sindicalista que faz sabe-se lá o que com o dinheiro daquele imposto sindical tão bem defendido (e mantido numa caixa preta) por um personagem da estirpe de Carlos Lupi, além de dois ex-presidentes cujos nomes falam por si: Sarney e Collor.
Chocado, o pobre cidadão perceberia ao lado da Laranja Eleitoral de Lula as falanges que vão para portas de gráficas impedir a circulação de materiais que não lhes agradam, a TV Brasil transformada em bunker de campanha, o presidente fugindo do Palácio do Planalto - e abdicando do mandato para o qual foi eleito - para assumir o papel de chefe de facção, de palanqueiro pago pelo contribuinte.
O brasileiro que presta veria ainda que ao lado de Dilma estão José Dirceu e Erenice, que junto com ela formaram o trio de ferro que fez da Casa Civil capitania hereditária, transformando em maninhos a Anac, a Infraero, o Ministério de Minas e Energia e os Correios.
Finalmente veriam o partido vítima, como o PT sempre se apresentou à sociedade, fabricando dossiês, invadindo sigilos fiscais, atacando as famílias de seus opositores, ameaçando "extirpar" adversários.
Ouviria o alarido da festa da turma do "não sei", do "eu não sabia", dos que classificam crimes seríssimos cometidos pela companheirada como simples "erros".
Com tudo isso de um lado da balança, o eleitor poderia olhar para o outro e não enxergar nada, que ainda assim ficaria inclinado a votar no vácuo, mas nem isso o PT parece deixar impune, pois é justamente um vácuo que ele apresenta como candidata à presidência da república.
Como disse antes, é a escolha mais fácil da história.
O problema é que, como disse uma vez Garrincha, "esqueceram de combinar com os russos". E os russos nesse caso fomos nós, pobres eleitores-contribuintes, que teimamos em comparecer às nossas seções eleitorais e levar o pleito para o segundo turno.
E nada melhor do que um segundo turno - sem os ruídos estáticos de campanhas majoritárias e proporcionais nos estados, além de candidatos nanicos - para explicitar bem a escolha que se apresenta para cada brasileiro e brasileira que prestam.
Digo isso porque existem aqueles brasileiros homiziados em estatais, acochambrados em cargos de diversos escalões ou simplesmente arrolados em folhas de pagamento de centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e demais braços do lulo-petismo para dizer por aí o que convém ao partido, seja na imprensa ou seja na blogosfera. A estes, só um resultado interessa: a vitória de Dilma Rousseff, a candidata imposta Lula, a "mãe" do PAC, o Plano de Ascensão da Companheirada.
E a escolha que se espraia ao Brasil que presta nesse segundo turno nunca foi tão simples.
A candidata inventada por Lula, aquela que não consegue articular mais de duas frases sem assassinar o português, a concordância, a lógica e a inteligência do interlocutor, nada mais é do que um prontuário. Mas não só ela, os que a acompanham também.
Naquele balaio de gatos existem mensaleiros, aloprados, a Família Guerra e o Cardeal que tomou à força o dízimo do banco alemão. Naquele balaio de gatos deposita-se um numerário inimaginável, subtraído das mais diversas formas dos cofres públicos.
Ali também se depositam ONGs obscuras, o MST, a pelegada sindicalista que faz sabe-se lá o que com o dinheiro daquele imposto sindical tão bem defendido (e mantido numa caixa preta) por um personagem da estirpe de Carlos Lupi, além de dois ex-presidentes cujos nomes falam por si: Sarney e Collor.
Chocado, o pobre cidadão perceberia ao lado da Laranja Eleitoral de Lula as falanges que vão para portas de gráficas impedir a circulação de materiais que não lhes agradam, a TV Brasil transformada em bunker de campanha, o presidente fugindo do Palácio do Planalto - e abdicando do mandato para o qual foi eleito - para assumir o papel de chefe de facção, de palanqueiro pago pelo contribuinte.
O brasileiro que presta veria ainda que ao lado de Dilma estão José Dirceu e Erenice, que junto com ela formaram o trio de ferro que fez da Casa Civil capitania hereditária, transformando em maninhos a Anac, a Infraero, o Ministério de Minas e Energia e os Correios.
Finalmente veriam o partido vítima, como o PT sempre se apresentou à sociedade, fabricando dossiês, invadindo sigilos fiscais, atacando as famílias de seus opositores, ameaçando "extirpar" adversários.
Ouviria o alarido da festa da turma do "não sei", do "eu não sabia", dos que classificam crimes seríssimos cometidos pela companheirada como simples "erros".
Com tudo isso de um lado da balança, o eleitor poderia olhar para o outro e não enxergar nada, que ainda assim ficaria inclinado a votar no vácuo, mas nem isso o PT parece deixar impune, pois é justamente um vácuo que ele apresenta como candidata à presidência da república.
Como disse antes, é a escolha mais fácil da história.
Lembra da minha voz?
Postado em 18 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Quem andava pelo metrô de São Paulo há um tempo não tinha dúvidas de aquele era o expresso que levava ao purgatório.
Uma voz fantasmagórica berrava em meio aos barulhos do trem - o que a tornava quase inaudível - os nomes das estações. Você estva lá, quieto no seu canto, espremido entre uma senhora cheia de sacolas e um negão de cabelo rastafari ouvindo reggae no celular e de repente um berro o surpreendia: "próxima estação Ana Rosa!".
Juro que a primeira vez que ouvi isso achei que era uma acusação, tipo "Você aí! Porque matou Ana Rosa?".
Soube que chegaram a oferecer cursos de locução para os metroviários de lá, coisa que não deve ter dado muito certo, pois os melhores alunos provavelmente abandonaram a carreira de condutor para fazer concorrência ao Galvão Bueno. Agora são dois locutores que gravam as mensagens e os nomes das estações.
No Rio é a mesma coisa, uma voz feminina - sexy até - avisa aos passageiros sobre as próximas paradas e faz as vezes de inspetora de colégio interno: "Não carregue a mochila nas costas", "Ajude os idosos", "Ao entrar, dirija-se ao centro do vagão", "Ceda o lugar". Só falta nos lembrar de escovar os dentes e não deixar toalha molhada em cima da cama.
Duvido que você nunca tenha pensado, silenciosamente, "ahh, cala a boca, porra". Eu confesso que toda hora me pego xingando mentalmente a voz do metrô, tanto quanto aquelas vozes de garagem de shopping center: "bem vindo e boas compras", "não fode, 5 reais por duas horas de estacionamento?".
O metrô de Santiago, no Chile, resolveu o problema: lá não tem voz alguma. Pelo menos não indicando as paradas. Você já está contando que alguma voz estridente/sexy/cavernosa te avise e nada, quando descobre já passou umas 4 ou 5 estações. É nessa hora que damos valor até aos condutores de São Paulo.
Agora, se tem uma voz que eu adoro ouvir é voz de aeroporto, principalmente se estiver indo viajar. "Senhores passageiros embarque no portão...", isso é quase música para os meus ouvidos.
Mas seria legal mesmo se as vozes pudessem nos ouvir ou até interagir conosco: "Ei, vocês dois aí, isso não é lugar para amassos, dêem espaço pra velhinha sentar" ou então "Em caso de emergência...o que? Vai tomar no %&*# você também, eu estou trabalhando..." ou então "Senhor Wesleyson e Srta. Suellen, por favor desliguem esse funk ridículo que vocês ouvem a todo volume nos seus celulares, isto aqui é um metrô e não uma laje, obrigado".
Se bem de que dependendo de onde estejamos, não faz muita diferença. Imagine o metrô de Pequim, Tóquio ou Moscou, de que adiantaria uma voz sexy - possivelmente de uma loira chamada Natasha - me avisando: "виду разрыв! виду разрыв! это отверстие вы находитесь в!!!"?
Eu só descobriria o que a Natasha tentou me dizer horas mais tarde, já no hospital, quando contassem que ela tentou me salvar gritando: "Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma. O vão! O vão! Esse buraco aí em que você acabou de cair!".
Uma voz fantasmagórica berrava em meio aos barulhos do trem - o que a tornava quase inaudível - os nomes das estações. Você estva lá, quieto no seu canto, espremido entre uma senhora cheia de sacolas e um negão de cabelo rastafari ouvindo reggae no celular e de repente um berro o surpreendia: "próxima estação Ana Rosa!".
Juro que a primeira vez que ouvi isso achei que era uma acusação, tipo "Você aí! Porque matou Ana Rosa?".
Soube que chegaram a oferecer cursos de locução para os metroviários de lá, coisa que não deve ter dado muito certo, pois os melhores alunos provavelmente abandonaram a carreira de condutor para fazer concorrência ao Galvão Bueno. Agora são dois locutores que gravam as mensagens e os nomes das estações.
No Rio é a mesma coisa, uma voz feminina - sexy até - avisa aos passageiros sobre as próximas paradas e faz as vezes de inspetora de colégio interno: "Não carregue a mochila nas costas", "Ajude os idosos", "Ao entrar, dirija-se ao centro do vagão", "Ceda o lugar". Só falta nos lembrar de escovar os dentes e não deixar toalha molhada em cima da cama.
Duvido que você nunca tenha pensado, silenciosamente, "ahh, cala a boca, porra". Eu confesso que toda hora me pego xingando mentalmente a voz do metrô, tanto quanto aquelas vozes de garagem de shopping center: "bem vindo e boas compras", "não fode, 5 reais por duas horas de estacionamento?".
O metrô de Santiago, no Chile, resolveu o problema: lá não tem voz alguma. Pelo menos não indicando as paradas. Você já está contando que alguma voz estridente/sexy/cavernosa te avise e nada, quando descobre já passou umas 4 ou 5 estações. É nessa hora que damos valor até aos condutores de São Paulo.
Agora, se tem uma voz que eu adoro ouvir é voz de aeroporto, principalmente se estiver indo viajar. "Senhores passageiros embarque no portão...", isso é quase música para os meus ouvidos.
Mas seria legal mesmo se as vozes pudessem nos ouvir ou até interagir conosco: "Ei, vocês dois aí, isso não é lugar para amassos, dêem espaço pra velhinha sentar" ou então "Em caso de emergência...o que? Vai tomar no %&*# você também, eu estou trabalhando..." ou então "Senhor Wesleyson e Srta. Suellen, por favor desliguem esse funk ridículo que vocês ouvem a todo volume nos seus celulares, isto aqui é um metrô e não uma laje, obrigado".
Se bem de que dependendo de onde estejamos, não faz muita diferença. Imagine o metrô de Pequim, Tóquio ou Moscou, de que adiantaria uma voz sexy - possivelmente de uma loira chamada Natasha - me avisando: "виду разрыв! виду разрыв! это отверстие вы находитесь в!!!"?
Eu só descobriria o que a Natasha tentou me dizer horas mais tarde, já no hospital, quando contassem que ela tentou me salvar gritando: "Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma. O vão! O vão! Esse buraco aí em que você acabou de cair!".
Mulher de bigode, quem é que pode?
Postado em 15 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários
Um amigo contou que estava num supermercado quando viu uma menina de uns 12 anos, com uniforme de colégio particular, fazendo compras com a família e ostentando um bigode maior do que o do pai.
A indignação dele é porque a mocinha era de família de posses, dado o uniforme do caro colégio, e ainda assim lá estava na sua face o buço monumental, que até então associava à mulheres de menos posses. Inconformado, lançou-me a pergunta: porque mulheres de bigode não depilam, raspam, tosqueiam, arrancam, queimam aquela coisa?
Resolvi me unir a ele na pergunta e indagar: porque mulher de bigode não raspa aquilo?
Mas aí lembrei de outras coisas inexplicáveis, outros erros de projeto nos seres humanos que eles não fazem questão alguma de corrigir, como pêlos nas orelhas e as horrendas monocelhas e novamente pergunto: porque ninguém faz nada a respeito?
É como se um arquiteto entregasse a obra da sua sala e te avisasse: "olha, esse bidê ficou no lugar da mesa de centro por um errinho de projeto", e você respondesse: "tudo bem, pode deixar ele aí". Porque convenhamos, pêlos nas orelhas, no centro da testa ou uma verruga na ponta do nariz equivalem a um bidê no meio da sala de estar, no entanto existem pessoas que parecem não ligar pra isso.
Digo isso porque às vezes saio e encontro pessoas tão mal vestidas que só posso concluir que se vestiram durante um tornado, pegando peças de roupa a esmo na ventania, que escolheram as roupas no escuro ou então que ninguém avisou: "olha, essa roupa está ridícula".
É igual o mito popular do "careca cabeludo". Sabe aqueles caras que estão ficando carecas e pra compensar deixam o que sobrou crescer e fazem um rabo de cavalo estilo último samurai? Pois é. A ausência de cabelos na parte superior da cabeça transforma aquele cabelinho comprido no entorno da calota craniana numa espécie de mullet virtual. Tem o rabo, falta a franja.
Homens de peruca são a mesma coisa. Tirando eles e a pessoa que vendeu a peruca, todo mundo sabe que aquilo ali não é discreto, que não é "a mesma coisa que cabelo natural" e que instantâneamente todos detectam: "olha lá o careca de peruca!".
Talvez o mesmo se dê com buços, monocelhas e orelhas reflorestadas.
Já pensei até na hipótese de existir alguma tribo que considere que um homem com uma sobrancelha em forma de gaivota no meio da testa seja mais viril e apto a alçar altos vôos, ou que mulheres de bigode sejam mais férteis e menos propensas à infidelidade conjugal - o que jogaria por terra todas as piadas envolvendo cornos portugueses e, juntamente com a descoberta da cabeça do bacalhau, destruiria todas as lendas daquelas terras além-mar - mas após extensa procura no Google e vários emails enviados para antropólogos de todo o mundo ainda não foi provada a existência de tais tribos e crenças.
Sei que, por via das dúvidas, já abri uma caderneta de poupança para juntar uns trocados e garantir minhas idas à uma clinica de depilação ou ao cirurgião-plástico caso a passagem dos anos faça aparecer algum bidê na minha cara ou dedo na minha testa.
Mas a pergunta permanece intacta: porque essas pessoas não fazem o mesmo?
A indignação dele é porque a mocinha era de família de posses, dado o uniforme do caro colégio, e ainda assim lá estava na sua face o buço monumental, que até então associava à mulheres de menos posses. Inconformado, lançou-me a pergunta: porque mulheres de bigode não depilam, raspam, tosqueiam, arrancam, queimam aquela coisa?
Resolvi me unir a ele na pergunta e indagar: porque mulher de bigode não raspa aquilo?
Mas aí lembrei de outras coisas inexplicáveis, outros erros de projeto nos seres humanos que eles não fazem questão alguma de corrigir, como pêlos nas orelhas e as horrendas monocelhas e novamente pergunto: porque ninguém faz nada a respeito?
É como se um arquiteto entregasse a obra da sua sala e te avisasse: "olha, esse bidê ficou no lugar da mesa de centro por um errinho de projeto", e você respondesse: "tudo bem, pode deixar ele aí". Porque convenhamos, pêlos nas orelhas, no centro da testa ou uma verruga na ponta do nariz equivalem a um bidê no meio da sala de estar, no entanto existem pessoas que parecem não ligar pra isso.
Veja aquela verruga na testa da Sabrina Sato, tenho certeza de que ela não faria a menor falta, mas aí lembro que a Sabrina Sato tem todo o resto e, bem, o que é uma verruguinha, não é mesmo? Mas caso você não tenha os demais acessórios de fábrica que vem junto com a Sabrina, mas tenha dado a sorte de conseguir a verruga na testa, procure um cirurgião-plástico, um açougueiro ou um pai-de-santo urgentemente.
Mas voltando às mulheres de bigode, pode ser que não tenha alguém em casa que as avise, que durante o café da manhã vire e fale: "me passa a manteiga e faz o favor de raspar esse buço ridículo, por gentileza?".
Digo isso porque às vezes saio e encontro pessoas tão mal vestidas que só posso concluir que se vestiram durante um tornado, pegando peças de roupa a esmo na ventania, que escolheram as roupas no escuro ou então que ninguém avisou: "olha, essa roupa está ridícula".
É igual o mito popular do "careca cabeludo". Sabe aqueles caras que estão ficando carecas e pra compensar deixam o que sobrou crescer e fazem um rabo de cavalo estilo último samurai? Pois é. A ausência de cabelos na parte superior da cabeça transforma aquele cabelinho comprido no entorno da calota craniana numa espécie de mullet virtual. Tem o rabo, falta a franja.
Homens de peruca são a mesma coisa. Tirando eles e a pessoa que vendeu a peruca, todo mundo sabe que aquilo ali não é discreto, que não é "a mesma coisa que cabelo natural" e que instantâneamente todos detectam: "olha lá o careca de peruca!".
Talvez o mesmo se dê com buços, monocelhas e orelhas reflorestadas.
Já pensei até na hipótese de existir alguma tribo que considere que um homem com uma sobrancelha em forma de gaivota no meio da testa seja mais viril e apto a alçar altos vôos, ou que mulheres de bigode sejam mais férteis e menos propensas à infidelidade conjugal - o que jogaria por terra todas as piadas envolvendo cornos portugueses e, juntamente com a descoberta da cabeça do bacalhau, destruiria todas as lendas daquelas terras além-mar - mas após extensa procura no Google e vários emails enviados para antropólogos de todo o mundo ainda não foi provada a existência de tais tribos e crenças.
Sei que, por via das dúvidas, já abri uma caderneta de poupança para juntar uns trocados e garantir minhas idas à uma clinica de depilação ou ao cirurgião-plástico caso a passagem dos anos faça aparecer algum bidê na minha cara ou dedo na minha testa.
Mas a pergunta permanece intacta: porque essas pessoas não fazem o mesmo?
Um carioca exilado no Rio
Postado em 14 de out. de 2010 / Por Marcus Vinicius 13 Comentários
Tenho amigos que juram que sou paulista. Alguns outros já pensaram - com a minha sacana colaboração - que eu era argentino. Já me perguntaram até se nasci em Minas, mesmo não tendo nada que leve alguém a pensar isso, tipo torcer pro Galo, falar "uai" e andar com um queijo no bolso, mas, dentre todos, a maioria se assusta mesmo é quando descobre que eu sou carioca:
- O que? Você? Carioca? Mas carioca, carioca mesmo, desses que nascem no Rio?
- É, desse tipo de carioca...
- Mas tipo, carioca do Rio de Janeiro da Mangueira, do Flamengo, do sambinha, da feijoada, dos malandros, da gente bronzeada jogando futevôlei na beira do mar, que chamam noite de "night", que sentem frio em qualquer temperatura abaixo de 30 graus, que acha favela atração da cidade, funk manifestação cultural, que pensa que a cidade inteira é maravilhosa só por causa do que existe de um dos lados do túnel Rebouças, esquecendo a feiúra do resto da cidade?
- Desse tipo aí não, sou carioca mas não faço nada disso aí que você falou, gosto de muita coisa daqui, nem sei se mudaria, mas sou bem diferente do estereótipo que o carioca criou para si, inclusive sou até palmeirense, detesto favela e funk...
- Mas pera aí, você nasceu mesmo no Rio? Então não foi criado aí, né?
- Pelo contrário, nascido e criado, é que...
- Não, me explica isso direito, você é nascido e criado no Rio, é um desses "cariocas da gema"? Desses que contam suas experiências em assalto e arrastão até com certo orgulho, que vão ao Maracanã levar saco de mijo na cabeça e adoram, que quando encontram artista na rua fingem que nem ligam pra "não bancar o capiau", desses que acham que não ir na academia é pior do que assassinar a família e ir ao cinema, que falam gírias como “perdeu”, “já é”, “é nóis”, “vaza”, que chamam cachorro-quente de "podrão", que enchem pizza de ketchup, que dizem pra alguém "passar lá em casa" e se a pessoa passar mesmo contam pra todo mundo que ela é uma "sem noção", que adoram uma praia lotada, harmonizam suco com sanduíche natural?
- Olha, deixa eu te explicar, eu considero tudo isso aí ridículo, mas sim, sou carioca, é que eu penso direfente e tem mais cariocas iguais a mim, que acham que...
- Desculpa interromper, mas é que você está me confundindo, tem certeza que você é carioca? Tipo, você viu sua certidão de nascimento? Você tem certeza de que não esteve em coma nos últimos 20 anos e acordou achando que nasceu e foi criado no Rio de Janeiro?
- Tenho, tenho certeza absolu...
- É que fica difícil acreditar que você é carioca mesmo, sabe? Desses que acham que é justificável até dar esconder o Bin Laden em casa mas que é imperdoável perder um dia de praia, que acha mate-limão a melhor bebida do mundo, que realmente acredita que o biscoito Globo é um diferencial gastronômico da cidade, que considera diversão ficar com o umbigo no balcão de um boteco bebendo cerveja e ouvindo gente cantar sambinha batucando na mesa, que se acha "malandro", que vai em ensaio de escola de samba ouvir barulho, sentir calor e ficar espremido numa multidão e ainda recomenda o programa, que prefere um terremoto do que um dia de chuva, que mesmo só conhecendo Cabo Frio, Barbacena, Petrópolis e Porto Seguro tem "certeza" de que o Rio é "a cidade mais linda do mundo"?
- Olha, eu pessoalmente não acho isso não. É bonito, quer dizer, uma parte é muito bonita, mas está longe de ser a cidade mais bonita do mundo...
- Juro que não acredito, na boa. Você então realmente não acha que "mais vale um corpo bonito e bronzeado" do que ter lido pelo menos 3 livros na vida, que puxar uma menina pelo braço e dizer "goxxxtosa" é uma boa técnica de abordagem, que o desfile de escolas de samba não é a mesma coisa repetitiva todo ano?
- Não.
- Ah tá...sei...então você não é mais um que fala mal de flanelinha mas quando encontra um deles chama de "chefia", brinca e acaba pagando, que sua em bicas no verão mas "adora um calorzinho", que acha que aplaudir por-do-sol não é uma coisa meio sem sentido, que considera saber em "qual posto" você vai na praia quase tão importante quanto decorar seu CPF, que acha normal combinar algum programa sem ter a menor intenção de ir?
- Não, cara, na verdade acho isso aí tudo até meio babaca...
- Desculpa, amigão, mas você não é carioca...
- É, acho que não sou mesmo.
- O que? Você? Carioca? Mas carioca, carioca mesmo, desses que nascem no Rio?
- É, desse tipo de carioca...
- Mas tipo, carioca do Rio de Janeiro da Mangueira, do Flamengo, do sambinha, da feijoada, dos malandros, da gente bronzeada jogando futevôlei na beira do mar, que chamam noite de "night", que sentem frio em qualquer temperatura abaixo de 30 graus, que acha favela atração da cidade, funk manifestação cultural, que pensa que a cidade inteira é maravilhosa só por causa do que existe de um dos lados do túnel Rebouças, esquecendo a feiúra do resto da cidade?
- Desse tipo aí não, sou carioca mas não faço nada disso aí que você falou, gosto de muita coisa daqui, nem sei se mudaria, mas sou bem diferente do estereótipo que o carioca criou para si, inclusive sou até palmeirense, detesto favela e funk...
- Mas pera aí, você nasceu mesmo no Rio? Então não foi criado aí, né?
- Pelo contrário, nascido e criado, é que...
- Não, me explica isso direito, você é nascido e criado no Rio, é um desses "cariocas da gema"? Desses que contam suas experiências em assalto e arrastão até com certo orgulho, que vão ao Maracanã levar saco de mijo na cabeça e adoram, que quando encontram artista na rua fingem que nem ligam pra "não bancar o capiau", desses que acham que não ir na academia é pior do que assassinar a família e ir ao cinema, que falam gírias como “perdeu”, “já é”, “é nóis”, “vaza”, que chamam cachorro-quente de "podrão", que enchem pizza de ketchup, que dizem pra alguém "passar lá em casa" e se a pessoa passar mesmo contam pra todo mundo que ela é uma "sem noção", que adoram uma praia lotada, harmonizam suco com sanduíche natural?
- Olha, deixa eu te explicar, eu considero tudo isso aí ridículo, mas sim, sou carioca, é que eu penso direfente e tem mais cariocas iguais a mim, que acham que...
- Desculpa interromper, mas é que você está me confundindo, tem certeza que você é carioca? Tipo, você viu sua certidão de nascimento? Você tem certeza de que não esteve em coma nos últimos 20 anos e acordou achando que nasceu e foi criado no Rio de Janeiro?
- Tenho, tenho certeza absolu...
- É que fica difícil acreditar que você é carioca mesmo, sabe? Desses que acham que é justificável até dar esconder o Bin Laden em casa mas que é imperdoável perder um dia de praia, que acha mate-limão a melhor bebida do mundo, que realmente acredita que o biscoito Globo é um diferencial gastronômico da cidade, que considera diversão ficar com o umbigo no balcão de um boteco bebendo cerveja e ouvindo gente cantar sambinha batucando na mesa, que se acha "malandro", que vai em ensaio de escola de samba ouvir barulho, sentir calor e ficar espremido numa multidão e ainda recomenda o programa, que prefere um terremoto do que um dia de chuva, que mesmo só conhecendo Cabo Frio, Barbacena, Petrópolis e Porto Seguro tem "certeza" de que o Rio é "a cidade mais linda do mundo"?
- Olha, eu pessoalmente não acho isso não. É bonito, quer dizer, uma parte é muito bonita, mas está longe de ser a cidade mais bonita do mundo...
- Juro que não acredito, na boa. Você então realmente não acha que "mais vale um corpo bonito e bronzeado" do que ter lido pelo menos 3 livros na vida, que puxar uma menina pelo braço e dizer "goxxxtosa" é uma boa técnica de abordagem, que o desfile de escolas de samba não é a mesma coisa repetitiva todo ano?
- Não.
- Ah tá...sei...então você não é mais um que fala mal de flanelinha mas quando encontra um deles chama de "chefia", brinca e acaba pagando, que sua em bicas no verão mas "adora um calorzinho", que acha que aplaudir por-do-sol não é uma coisa meio sem sentido, que considera saber em "qual posto" você vai na praia quase tão importante quanto decorar seu CPF, que acha normal combinar algum programa sem ter a menor intenção de ir?
- Não, cara, na verdade acho isso aí tudo até meio babaca...
- Desculpa, amigão, mas você não é carioca...
- É, acho que não sou mesmo.
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