Cranberries - 28/01/2010 - Rio de Janeiro

Postado em 29 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Quase como todo mundo conheci os Cranberries na época em que "Linger" virou sucesso mundial. Tenho alguns CDs deles em casa, mas sempre os tive na conta das bandas que considero apenas "OK", nunca tendo muita loucura por eles.

Curto algumas das suas músicas que até estão no meu iPod (sabe como é, "músicas iPod worthy"), mas até então eles não seriam um grupo de rock que me tiraria de casa para assistir a um show.

Até há pouco tempo.

A minha namorada curte mais, então me chamou pra ir com ela ver os "Mirtilos" e eu topei. Cheguei no estacionamento do Via Parque (local onde fica o Citibank Hall) sem muitas espectativas, até que o show começou...

Bom, a moça e os caras me conquistaram com mais ou menos 1 minuto e meio de apresentação. Primeiro porque eles tem pegada. Sim, aquela coisa que algumas bandas possuem e outras não e que faz toda a diferença num show ao vivo.

Mandaram ver em sons mais calminhos como a já citada "Linger" e também "Ode to my Family", "When you're gone"(essa que coloquei no vídeo aí que eu filmei), Free to Decide e também nas porradeiras como "Salvation", "Zombie" e "Promises".

O fato é que os Cranberries sabem tocar ao vivo (talvez daí seu longo tempo de estrada) e sua vocalista, Dolores O'Riordan, comanda o espetáculo com muita, mas muita simpatia mesmo, chegando até a descer do palco e caminhar entre alguns eleitos durante uma canção.

Quando saí, estava me sentindo leve, feliz, realizado, e estes sentimentos são característicos de um show memorável. Somente um show assim deixa o espectador com essa sensação no final.

E como disse no início, apesar de gostar do som, até ontem os Cranberries não eram uma banda que me tiraria de casa para assistir a um show deles.

Até ontem.

Leis que deveriam existir para proteger os idiotas

Em duas oportunidades já escrevi aqui sobre leis que seriam totalmente desnecessárias num mundo ideal. Usar cinto de segurança, atravessar na faixa de pedestres ou não fumar em ambiente fechado são atos que jamais precisariam de leis reforçando-os se as pessoas não fossem chegadas numa auto-destruição.

Pensando nisso, imaginei algumas leis que poderiam auxiliar as pessoas a viver melhor em sociedade, por mais bizarras que elas possam parecer.


Proibido respeitar placas: Usando psicologia inversa, talvez assim pessoas não pisem na grama, não encostem na cerca eletrificada, não coloquem a mão na jaula dos leões.








Lei de Combate ao Programa de Índio: tipo acreditar no seu primo quando ele disser que só vai levar alguns amigos de carona contigo pra praia.









Programa Nacional de Combate à Plástica Ruim: Sabe aquele panfleto que te entregaram no ponto de ônibus prometendo que você iria ficar igual a um artista de Hollywood e pagar a cirurgia em até 36 prestações? Pois é, é igual a este artista aí que você tem grande chance de ficar parecido.







Lei de Combate ao Ridículo: será proibido, por exemplo, brincar de cosplay depois de certa idade, porque acredite, você só terá motivos para agradecer depois. (Pensando bem, proibir cosplay em qualquer idade seria ainda melhor)







Operação Cabelo Socialmente Aceitável: sabe quando seu cabeleireiro diz "pode confiar em mim!"? Pois é, essa lei te protegeria disso.









Lei "Caiu na Net": criminalizaria a prática imbecil de acreditar que é seguro enviar fotos ou vídeos sem roupa para desconhecidos e principalmente para conhecidos.










Anistia à Infância: que tal libertarmos a infância de toda a erotização que a assola? Axé music, funk, novela e reality shows são porcarias que teremos o resto da vida pra aturar, não precisamos começar a sofrer desde miúdos.








Operação Barangueiros na Seca ou Lei Highlander: se você tem o hábito de beber e começar a chamar urubu de meu loiro, estará protegido de você mesmo ao obedecer esta lei que só te fará bem no dia seguinte.









Lei "Aquele Casal": quem não conhece "aquele casal"? Cada um tem o seu. Os que se pegam e ficam se alisando na academia, os que ficam fazendo cenas de sexo quase explícito (com direito a barraca armada, e não é a de sol) na praia, aquele dois do elevador do seu trabalho. Pois é. Essa lei protegerá qualquer casal de tornar-se "aquele casal".





Código de Defesa do Caroneiro: sabe aquela famosa frase "ou dá, ou desce?". Pois é. Amparados por este código os (e principalmente as) caroneiros ficarão livres de ter que pagar a corrida que era de graça com serviços sexuais de qualquer espécie.








Lei Sorriso Total: você sai de noite, bebe umas e começa a se achar o valente? Respeitando esta lei você evitará chamar campeões de vale-tudo ou seguranças de boate para briga e acredite: quando a raiva e o porre passarem é muito melhor sorrir com todos os dentes no lugar.








Suvaco Legal: antes de sair de casa para qualquer atividade passe num dos postos de vistoria e cheque seu nível de emissões.










Decreto Negócio da China: por este decreto você estará proibido de aceitar convites que te farão milionário do dia para noite, parcerias que te darão carrões em meses e aquelas "reuniões" aos domingos na casa de amigos que só te contarão o assunto "quando você estiver lá". Você vai entender que só quem "ganha dinheiro sem sair da casa" é o vencedor do BBB.




Powerpointicos Anônimos: em 12 passos você aprenderá a nunca enviar o primeiro email com arquivos Power Point, porque saberá que este é um caminho sem volta e um só nunca é o bastante. Também ajudará você a sair do filtro anti-spam dos seus amigos.







Programa Cachorro-Quente Amigo: sabe aquele podrão que você adora comer na praça? Agora nenhum deles poderá ficar localizado a mais de 100 metros de um banheiro químico. Dessa forma você não terá mais que sair correndo pra casa depois de comê-lo, afim de aliviar-se dos efeitos imediatos do seu consumo.





Lei do Arrependimento: errar uma vez é humano, duas é burrice. Dessa forma, você que já votou no PT terá todo direito de não ser zuado pelos amigos, desde que se comprometa a não fazer essa idiotice outra vez. Caso faça, ganhará como "prêmio" uma viagem de 1 mês pelas colônias de férias esquerdistas na Venezuela, em Cuba e na Coréia do Norte.


Acho que se quisesse faria uns 10 posts sobre isso, não é? Faltou alguma? Diz aí!

Comprar xingling vale a pena?

Postado em 28 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários

Ontem a Apple, fábrica de sonhos de consumo, através de anúncio do seu CEO Steve Jobs, alvoroçou o Universo Nerd, a constelação das empresas de tecnologia, o mercado financeiro e talvez até Plutão tenha pensado em voltar a ser planeta com a apresentação do iPad.

O tablet da Apple chegou com um monte de inovações, rapidez, confiabilidade e aquele design descolado que todo amante do iPod ou do iPhone já conhecem. Chegou para motivar a criação de um monte de vaquinhas online e para transformar o até então "bambambam" do pedaço que era o Kindle na Beth, a feia.

Tudo bem que o iPad é um passo à frente do Kindle, mas não vou entrar em detalhes técnicos porque não é a minha praia e também porque não faltarão sites, blogs e jornais bem mais habilitados que eu a fazê-lo, então continuemos o assunto.

Como disse, ele será objeto de desejos e até de algumas masturbações (não duvide da mente de alguém que passa uma semana dormindo numa barraca azul dentro de um ginásio) e também de muitas, muitas cópias.

Aconteceu com todas as gerações do iPod, aconteceu com o iPhone, fatalmente acontecerá com o iPad (talvez em menor escala porque a tecnologia é mais complicada).

Mas tudo isso só é gancho pra falar sobre uma pergunta que de vez em quando me fazem e que eu respondo de forma tão direta, que pode ser confundida até com rude, mas não é: "Dá no mesmo comprar um mp3, mp4, mp5, mp6 mpQP desses fabricados na China do que comprar um iPod, que é muito mais caro?".

Minha resposta sempre é: dá no mesmo se você acreditar que colocar um logo da Audi num Fusca o transforma num A3.

Não interessa quanto custa. Se custar R$1,00 e o iPod R$501,00, essa economia de 500 reais não compensará as orelhas de burro que você sentirá crescer depois que começar a mexer naquela joça.

Esqueça capacidade de armazenamento, esqueça o chassis que será parecido, o que está dentro é que importa e a alma dessas imitações já está condenada ao inferno desde que saem da fábrica.

Você liga, coloca a música e vê uma espécie de equalizador misturado com dial de rádio AM, os vídeos passam num espaço que ocupa 1/2 da já diminuta tela, a clickwheel (aquele disco que tem no meio do iPod) é só click, porque se você tentar deslizar o dedo verá que não é sensível como no tocador da Apple, sem contar que é quase impossível organizar pastas.



A memória flash vagabunda também te fará perder algumas músicas caso sacuda demais aquela porcaria, enfim, vai acabar virando calço de mesa bem antes do que você pensa.

Meu conselho pra todo mundo que quer ouvir música enquanto vai e volta do trabalho, faz sua corrida diária ou vai para a praia ou academia e não tá com grana pra comprar um iPod no momento é: pegue um desses pendrives com mp3 (o iPobre) e junte uma grana até poder comprar o original.

Porque o barato sempre sai caro (chavãozinho fdp que eu aprendi nesse caso por experiência própria, pois no início pensava "ahhh esse negócio de Apple é bobagem") e com certeza você não vai se arrepender do investimento.

MID (Maldita Inclusão Digital) 2.0

Postado em 27 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Faz algum tempo eu disse aqui que o problema do Brasil não é desinclusão digital, mas desinclusão cultural. Me chamaram de elitista, discriminatório e claro, "preconceituooooooooso!", mas já estou acostumado e não ligo muito.

Ouvi num filme esses dias uma personagem falar assim: "como dizia minha mãe, eu prefiro estereotipar, é mais simples e eficiente". Pois é. Nem sempre rotular é um pecado mortal.

Depois que passou a ser "feio" se chocar com qualquer coisa, passamos a ter a obrigação de aturar tudo quietos, com aquele semblante de estátua, senão somos "intolerantes" e dá-lhe lição de moral pelo ouvido...

Achar ruim um casal de homosexuais dando amassos numa lanchonete num sábado à tarde, por exemplo, pode te transformar em 2 segundos numa mistura de Darth Vader com Sauron aos olhos do politicamente-correto-tolerante-diversificado-imperativo. Não digo absolutamente que um casal homosexual não possa existir, ou andar junto, ou se beijar. Mas atualmente querem nos proibir até de achar inapropriado o que nem mesmo casais heteros são aconselhados a fazer.

Mas esse é um assunto para outro dia, não vou digressionar demais.

Por isso o horror quando eu começo a dizer que antes de distribuir acesso à internet para o "povão", o governo deveria é distribuir educação.





Dessa forma, ao invés do desfile de pérolas (esse link vale a pena acessar) de estupidez, semi-analfabetismo e indigência cultural que vemos, assistiríamos a internet contribuindo para o complemento da formação de estudantes e profissionais, coisa que acontece muito pouco por aqui.

Infelizmente para o senso comum (e felizmente para mim) eu acho mais inteligente remover uma favela do lugar e instalar as pessoas dali num bairro aonde possam morar, colocar esse monte de moleques de rua pra estudar, melhorar o nível da escola pública, etc, do que distribuir posse de puxadinho e colocar conexão Wi-Fi ali.

Criou-se o mito de que a tal inclusão digital é uma espécie de elixir que fará sumir por milagre toda a estupidez dominante que assola o país.

Não é. E como podemos ver pela foto que ilustra esse post, a inclusão digital tornou-se um mito em si. O número de pessoas que acessam a internet no Brasil cresce vertiginosamente em todas as classes, reportagens como esta e esta demonstram isso claramente.

Não quero dizer aqui, antes que me acusem disso, que acho que o "pooooovo" não tem direito de acessar a internet. Pelo contrário, acho que todo o país, do Oiapoque ao Chuí, deveria ter acesso à rede mundial de computadores.

Não acho que internet deva ser "coisa de rico" ou "diversão de doutor". O que penso é que isso não deveria ser considerado privilégio, assim como a educação também não e infelizmente o é.

Mas o tal mito da inclusão digital acabou invertendo prioridades, desviando foco e sub-dimensionando a importância da educação.

Educação essa que não é nem mito, coitada, não passa de um fantasma.

Metrô Rio, o trem que engarrafa

Postado em 26 de jan. de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

"Atenção: estamos parados aguardando a normalização do tráfego à nossa frente".

Quem anda de metrô diariamente no Rio de Janeiro provavelmente já ouviu essa frase dita por aquela mesma voz feminina que passa a viagem inteira nos dando ordens, "Ceda o lugar", "Não ande com a mochila nas costas", "Respeite o 'Carro das Mulheres'", "Ajude os idosos", "Vá para o meio do carro", "Não segure as portas", etc, etc.

Se você não anda diariamente também ouvirá, porque é praticamente impossível usar o serviço e não ficar preso entre uma estação e outra nesse bizarro e escandaloso "engarrafamento" de trens.

Outro adicional que a concessionária de Daniel Dantas (que cobra uma das passagens proporcionalmente mais caras do mundo) te oferecerá são as paradas bruscas, duas, três e até mais por viagem, dependendo da distância que você percorra.

Mas tudo isso seria fichinha caso o Metrô Rio não tivesse se esmerado nos últimos meses para avançar ainda mais no seu padrão de (não) qualidade. Some-se a estes problemas citados outros como plataformas entupidas de gente devido ao aumento do intervalo entre os trens, a consequente superlotação das composições e, cereja no bolo, o calor infernal que passou a fazer dentro delas porque o ar-condicionado não funciona direito.

Eles dizem que é porque esse sistema de ar foi feito para refrigerar trens que andam sob a terra (duh) e que como a Linha 2 do metrô carioca é toda sobre a superfície, o ar-condicionado não suporta o calor.

Estranho por duas razões muito simples:

  1. Isso não acontecia antes, mesmo na Linha 2.
  2. Esse calor infernal também vem como brinde para quem usa a Linha 1, toda debaixo da terra como um bom metrô pede.

E aí? E aí nada. O que temos é o "diretor de relações institucionais" do Metrô Rio, senhor Joubert Flores, dizendo que não é bem assim e que tudo isso vai melhorar, um dia, mas só a partir de 2011 que é quando começam a chegar os novos trens que eles compraram.

Este senhor é, como bem lembrou o Artur Xexéo em sua coluna semanal, uma espécie de ilusionista que trabalha para a concessionária. A plataforma está entupida de gente e ele é capaz de dar uma entrevista ali mesmo dizendo que tudo está dentro do limite. Algum jornalista pega um termômetro e registra 35º dentro de um vagão e ele declara que "o ar-condicionado está funcionando muito bem". Os atrasos são constantes e irritantes, mas ele diz que "tudo funciona somente com pequenos atrasos".

Talvez seja mesmo uma questão de ponto de vista. Talvez a culpa seja mesmo dos usuários que ao invés de pensarem na temperatura dentro dos trens como "sauna gratuita", na superlotação do sistema como "oportunidade de fazer novas amizades" e nos constantes atrasos como "excelente hora para pensar na vida", ficam aí reclamando de barriga cheia porque tem o privilégio de pagar uma passagem que custa R$2,80 (e todo ano sobe, sem falha, sem atraso, sem precisar esperar 2011) para usufruir de um serviço de bosta.



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É curiosa essa relação do metrô com o carioca, como também lembrou o Xexéo, porque tínhamos orgulho dele. Sobre a terra continuávamos a ser uma cidade caótica, infernizada pela informalidade e pela ilegalidade, favelizada, suja, abandonada pelos governos que sucediam-se no seu método de abandono, mas debaixo da terra tudo corria bem.

O metrô era limpo, rápido, confortável, pontual, enfim, era tudo o que não se espera do Rio de Janeiro.

Hoje, esse estranho sistema de concessões no qual o Governo do Estado constrói estações e extensões e entrega para uma empresa privada (mal) administrar nos presenteia com tudo que já vemos em cima: caos, desrespeito, desconforto, atrasos, preços altos.

Até uma estranha modernização dos trens que já existem me parece fora da realidade, já que está substituindo os assentos de fibra de vidro atuais por uns estofados, totalmente inadequados para um serviço de transportes que nos finais de semana fica cheio de banhistas, voltando da praia encharcados de água do mar. Sem contar um visual horroroso digno de pastelaria de chinês que algumas estações ganharam após uma reforma visual inútil.

E nessa crônica diária de degradação da assim chamada "Cidade Maravilhosa", o metrô é apenas mais uma dentre tantas coisas que os cariocas terão para sentir saudades de um passado cada vez mais distante.

 
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