Estou sentado no metrô e aparece um cara na minha frente de cabelos brancos, idade pra ser, sei lá, meu pai, não está caquético, mas também não é mais nenhum garotão. Todo mundo sentado, o trem sacudindo e de vez em quando dando aquelas freadas bruscas que jogam todo mundo pra frente e, durante um dos solavancos, a dúvida me assalta: ofereço meu lugar pro sujeito ou não?
Começo a analisá-lo minunciosamente. Os cabelos brancos não são a totalidade mas já podem ganhar uma eleição no primeiro turno, a pasta de couro denuncia alguém que já trabalhava na época em que ainda se usavam pastas de couro, pinta de quem foi em algum festival da canção e conheceu a "Passeata dos 100 mil" fora dos livros escolares, jornal do dia embaixo do braço (quem ainda lê o jornal da manhã de noite em casa?).
Mas por outro lado o sujeito é daqueles coroas saudáveis, sabe como é? Não tem quase barriga, nota-se que faz alguma atividade física além de colocar o lixo pra fora e levantar copos, o relógio é moderninho, o corte de cabelo é meio arrepiado estilo ditador norte-coreano, talvez até seja ex-militar.
O que fazer numa situação dessas? Se eu ofereço o lugar corro o risco de ofender o homem "tá me chamando de velho?", se não ofereço continuo a ser olhado com ares de reprovação pela gorda que está sentada no banco exatamente à minha frente.
Porque sinceramente, quem gosta de envelhecer? Não falo de se conformar, de chamar isso de "melhor idade", falo de gostar mesmo. Imagina, você tem seus cinquenta e tantos, malha todo dia, pinta algumas partes do cabelo pra continuar pelo menos grisalho, usa umas roupas mais estilosas, paga 100 reais pra bicha do salão fazer um corte mais moderninho, está de olho na mocinha bunduda que te deu umas três olhadas no metrô sem saber se ela olhou dando mole ou achando que você é um "velho tarado" e de repente um garotão levanta e oferece o lugar dele pra você sentar, te fazendo sentir como se tivesse uns 93 anos.
É até gentil, mas ainda assim te ofende. É quase como você não ter a menor noção de como programar o despertador do celular e sua sobrinha de 8 anos tomá-lo da sua mão e ajustar o alarme em exatos 27 segundos, te dizendo em seguida "pô, isso é mole, tio".
Fico sempre na dúvida se vou me levantar pra pessoa sentar e ouvir algo como "Fique sabendo que eu pego onda todo final de semana e tenho uma barriga menor do que a sua" ou então "Acha que não consigo ficar em pé num metrô? Então te desafio pra uma corrida de 10km no dia, hora e local que você escolher".
Por isso desenvolvi um coeficiente: se não parecer que vai cair no chão com um sopro, não ofereço lugar pra pessoa.
Outro perigo dessa coisa de oferecer o lugar é a "mulher grávida". Você levanta, ela senta, você educadamente pergunta pra quando é o bebê e como resposta recebe uma bolsada na cabeça e, entre choro contido e gritinhos abafados, escuta algo como:
- Seu nojento, fique sabendo que já estou de dieta, viu?
Carros velhos
Postado em 29 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários
Não adianta tentar fugir dessa regra: a vida é feita de épocas. Não estou falando do enganador passar dos anos, que transforma décadas em uma piscadela de olho, mas de experiências e rotinas que vivemos sem nos dar conta que um dia podem passar, mudar, terminar.
Quem nunca teve o "seu" bar, a "nossa" boate, o "nosso" dia da semana? Tudo isso nos esperando como se estivessem ali para sempre, parte do nosso direito adquirido de não se espantar com a passagem do tempo.
Amigos são coincidências ainda que momentâneas. São feitos de piadas internas, de troca de olhares, de defesas de território contra forasteiros, de desentendimentos. Amigos são reuniões em casa, é você levando cerveja e fulaninho levando a barriga vazia, e enquanto houver amizade isso provavelmente não será um problema, afinal, amigos são risadas.
E amigos também são dias de sol (ou de chuva, o que você preferir), que mudam assim de repente, num breve abrir de janelas. Um dia estão ali e no outro não estão mais.
Não porque não sejam amigos verdadeiros, entenda, não existe amizade falsa, existe amizade breve. Se por um segundo existiu, já foi verdadeira e isso nos confunde, porque nestes tempos velozes, as amizades são cada vez mais breves, substituídas como um pneu de carro furado, como roupa que saiu de moda.
Nossa estranheza é porque nos ensinaram que amizade verdadeira é que nem carro antigo. É um Fusca com câmara de ar, uma espécie de sandálias Havaianas que não deformam, não soltam as tiras e resistem às modas e aos verões.
Mas nem sempre são assim. Esses seres perenes são os tais "melhores amigos", que parecem mais com aqueles velhos carros cubanos, ultrapassados para o conceito atual, mas fiéis, que seguem trabalhando teimosamente. Melhor amigo para ser de verdade não pode ser mais do que um (pode até mudar esse um com o tempo, mas tem que ser um). E este um não faz os outros serem menos verdadeiros, apenas mais breves.
Nestes tempos modernos os amigos são trocados mais ou menos como fazemos o upgrade de um 3G pra um 3GS e logo em seguida para um 4. Impressionante foi ainda não ter acontecido nenhum keynote do Steve Jobs anunciando um novo sistema operacional para as amizades.
Quando tudo vai bem, quando tudo ainda é feito de descobertas - saído da caixa, com o manual ainda intacto - achamos que nunca mais vai acabar, até quando acordamos e vemos que o tempo passa e que não temos mais aquilo, que não nos temos mais, que alguma coisa ficou obsoleta. Hora de trocar.
Amizades modernas são isso aí. Perecíveis que nem iogurte, mais candidatas à obsolência do que um iPhone.
Somos todos fotografias sendo postas em milhares de álbuns de recordações individuais. Cada um tem o seu, cada um está por aí no de mais um monte de gente. Vivemos ali eternamente, iguais, presos naquele tempo - breve ou não - em que fomos a rotina dos outros, pra só sair de vez em quando naqueles encontros acidentais em alguma calçada ou corredor de shopping center, quando perguntamos uns aos outros se "temos visto o pessoal" e nos despedimos prometendo tentar "reviver" os velhos tempos, mesmo tendo a certeza de que só outro esbarrão acidental tornaria isso possível.
Estamos mentindo? Não. Apenas nos comprometendo a dar uma breve olhadinha no nosso álbum.
Não dizem que recordar é viver?
Quem nunca teve o "seu" bar, a "nossa" boate, o "nosso" dia da semana? Tudo isso nos esperando como se estivessem ali para sempre, parte do nosso direito adquirido de não se espantar com a passagem do tempo.
Amigos são coincidências ainda que momentâneas. São feitos de piadas internas, de troca de olhares, de defesas de território contra forasteiros, de desentendimentos. Amigos são reuniões em casa, é você levando cerveja e fulaninho levando a barriga vazia, e enquanto houver amizade isso provavelmente não será um problema, afinal, amigos são risadas.
E amigos também são dias de sol (ou de chuva, o que você preferir), que mudam assim de repente, num breve abrir de janelas. Um dia estão ali e no outro não estão mais.
Não porque não sejam amigos verdadeiros, entenda, não existe amizade falsa, existe amizade breve. Se por um segundo existiu, já foi verdadeira e isso nos confunde, porque nestes tempos velozes, as amizades são cada vez mais breves, substituídas como um pneu de carro furado, como roupa que saiu de moda.
Nossa estranheza é porque nos ensinaram que amizade verdadeira é que nem carro antigo. É um Fusca com câmara de ar, uma espécie de sandálias Havaianas que não deformam, não soltam as tiras e resistem às modas e aos verões.
Mas nem sempre são assim. Esses seres perenes são os tais "melhores amigos", que parecem mais com aqueles velhos carros cubanos, ultrapassados para o conceito atual, mas fiéis, que seguem trabalhando teimosamente. Melhor amigo para ser de verdade não pode ser mais do que um (pode até mudar esse um com o tempo, mas tem que ser um). E este um não faz os outros serem menos verdadeiros, apenas mais breves.
Nestes tempos modernos os amigos são trocados mais ou menos como fazemos o upgrade de um 3G pra um 3GS e logo em seguida para um 4. Impressionante foi ainda não ter acontecido nenhum keynote do Steve Jobs anunciando um novo sistema operacional para as amizades.
Quando tudo vai bem, quando tudo ainda é feito de descobertas - saído da caixa, com o manual ainda intacto - achamos que nunca mais vai acabar, até quando acordamos e vemos que o tempo passa e que não temos mais aquilo, que não nos temos mais, que alguma coisa ficou obsoleta. Hora de trocar.
Amizades modernas são isso aí. Perecíveis que nem iogurte, mais candidatas à obsolência do que um iPhone.
Somos todos fotografias sendo postas em milhares de álbuns de recordações individuais. Cada um tem o seu, cada um está por aí no de mais um monte de gente. Vivemos ali eternamente, iguais, presos naquele tempo - breve ou não - em que fomos a rotina dos outros, pra só sair de vez em quando naqueles encontros acidentais em alguma calçada ou corredor de shopping center, quando perguntamos uns aos outros se "temos visto o pessoal" e nos despedimos prometendo tentar "reviver" os velhos tempos, mesmo tendo a certeza de que só outro esbarrão acidental tornaria isso possível.
Estamos mentindo? Não. Apenas nos comprometendo a dar uma breve olhadinha no nosso álbum.
Não dizem que recordar é viver?
Malditas elites!
Postado em 26 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 23 Comentários
Imagine uma cena: alguém está caminhando na rua voltando da praia, está descalço e anda apressadamente porque o chão está quente, de repente o chão fica mais quente ainda e curiosamente mais mole, a pessoa olha pra baixo e constata que atolou o pé num monte de bosta de cachorro.
Muito bem, na cabeça do Brasil "progressista", "humanista" e "gente boa" essa cena tem duas explicações possíveis. Se a pessoa que atolou o pé na m* for um flanelinha que estava tomando conta de carros - leia-se: extorquindo proprietários de veículos - o monte de merda só pode ser de algum cachorro de madame insensível (prepare-se, essa palavra vai aparecer muito neste texto), que mora num prédio chique e acha que as calçadas são banheiros do seu totó que escandalosamente deve ser mais bem tratado do que muita criança pobre e que não liga para o sofrimento do povão, que é obrigado a andar descalço porque não pode comprar um sapato.
Porém, se quem pisou na bosta for uma patricinha moradora de um prédio de "classe média" e ela reclamar, com certeza o cachorro deve ser algum vira-latas de um "menino de rua", que não tem nada na vida além da companhia do doce cachorrinho, e a cena serve pra mostrar como a mocinha é insensível porque acha que o seu "pé da elite" não pode pisar na merda de um cachorro de alguém do "povo" e, claro, é bem feito que tenha acontecido isso para ela ter noção da realidade.
Pensei nessa historinha no dia em que disse no Twitter que estava acompanhando a passeata de militantes de José Serra durante a campanha eleitoral, e inocentemente me referi a eles como "gente do bem", me aproveitando do slogan da campanha "Serra é do bem". Pra que!? Bastou que eu dissesse isso que logo veio uma "progressista", "humanista" e "gente boa" me repreender: "gente do bem não, gente de bens".
Digamos que só estivessem presentes ali milionários que chegaram de helicóptero - o que obviamente é apenas um exagero meu, mas que fosse - por acaso essas pessoas teriam menos direito de expor suas opiniões e preferências políticas?
Lembro disso também quando ouço qualquer discussão sobre o estado de caos, desordem e violência em que o Rio de Janeiro encontra-se permanentemente afundado. Entre todos os bordões esquerdóides dignos de um vômito como "favela não é problema, é solução", "isso só incomoda quando afeta a elite" ou então "bandidos mesmo são os de gravata", os que mais me enojam são especialmente dois: "quero ver invadir condomínio de rico" e "é bom pra essa classe média insensível ver a realidade".
Acho isso tudo incrível porque quem diz isso deve morar em outro lugar que não o Rio de Janeiro, onde a "realidade" infesta os morros de barracos, as ruas de flanelinhas, camelôs, pivetes, mendigos, uma cidade que se inunda de "realidade" em cada chuva pesada que cai, em cada transporte coletivo medíocre que oferece aos seus habitantes, em cada quilômetro de engarrafamento infernal, enfim, essas pessoas dizem isso como se a tal "realidade" não batesse diariamente à porta das pessoas, independente delas quererem vê-la ou não.
Quem vive no Brasil convive com pobreza, miséria, feiúra, impotência diante de absurdos variados o tempo todo, mas só quem reclama disso são pessoas de "bens".
Aliás, só quem é rico e não é "insensível" na cabeça dessa gente são os traficantes do morro - cheios de dinheiro por conta da venda do pó - esses são "vítimas" da "insensibilidade" (eu avisei que a palavra apareceria ad nauseam) da "classe média" que os esqueceu.
Incrível também que a "elite insensível" seja aquela que pague os impostos mais altos do mundo, taxas imorais, cobranças em cascata, sem receber nada em troca, e ainda assim seja sacudida de cabeça pra baixo de tempos em tempos para "fazer sua parte" e doar mais, mais, mais em "Crianças Esperanças", "Teletons" e outras campanhas do gênero.
Com tudo isso, esta ainda é a parcela da sociedade a quem é negado até mesmo o direito de se indignar, de se expressar, de exigir algum direito.
Pra ser "bom" no Brasil, pelo menos na visão da turma "progressista", que chama ironicamente os que discordam deles de "elite" e "gente cheirosa", você precisa gostar do fedor, da feiúra, de pisar na merda ou pelo menos aturar tudo isso quieto, não esquecendo de pagar a conta, é claro.
Querer remover favelas é "higienismo", combater a mendicância é "eugenia", não ficar satisfeito com a festa da ilegalidade de camelôs, flanelinhas, vans et caterva é ser "contra pobre", pretender que seus impostos vão para algo além de um imenso buraco negro de ineficiência estatal e assistencialismo barato é ser "insensível".
Uma pessoa que queira uma cidade limpa, bonita e livre de pragas urbanas é ruim. Quem gosta (ou finge que gosta) de viver num lixão a céu aberto que mais parece cenário de um daqueles filmes "Mad Max" é bom.
Tem quem defenda tudo, desde que "traficante também tem família pra sustentar" até maconheiros "do bem", e também faveleiros profissionais, pobristas que lucram com a miséria que dizem combater e, claro, políticos que tem um belíssimo curral eleitoral nessas zonas de desordem e ausência de condições reais de dignidade.
E tome urbanização, teleférico, bolsa isso e bolsa aquilo. Tudo claro financiado pelo bolso dos outros.
Progressista que se preza precisa de pobre pra distribuir cupom, de favela - de preferência bem suja e feia - para poder mostrar como admira a "criatividade" que existe naquilo e que por isso é moralmente superior aos outros, de caos urbano para poder requisitar mais uma verbazinha para criar alguma "comissão" para "ordenar" as "atividades" e de preferência terminar criando algum sindicato, tipo de guardadores de automóveis, de camelôs, de vans e até de vendedores de bala em ônibus.
Essa coisa do governo proporcionar às pessoas maneiras delas melhorarem de vida por conta própria, de cidades limpas e bonitas, calçadas livres, isso tudo é coisa de direita.
Com toda essa onda de leis anti "homofobia", "racismo", "xenofobia" e o escambau, bem que poderiam criar uma lei contra a "classe-médio-fobia".
Sabe como é, essa gente branca (ou quase), hetero, trabalhadora, pagadora de impostos, que não recebe nada de ninguém, que não conta com ninguém além de si próprio e que ainda por cima não tem nenhuma ONG que a defenda.
Muito bem, na cabeça do Brasil "progressista", "humanista" e "gente boa" essa cena tem duas explicações possíveis. Se a pessoa que atolou o pé na m* for um flanelinha que estava tomando conta de carros - leia-se: extorquindo proprietários de veículos - o monte de merda só pode ser de algum cachorro de madame insensível (prepare-se, essa palavra vai aparecer muito neste texto), que mora num prédio chique e acha que as calçadas são banheiros do seu totó que escandalosamente deve ser mais bem tratado do que muita criança pobre e que não liga para o sofrimento do povão, que é obrigado a andar descalço porque não pode comprar um sapato.
Porém, se quem pisou na bosta for uma patricinha moradora de um prédio de "classe média" e ela reclamar, com certeza o cachorro deve ser algum vira-latas de um "menino de rua", que não tem nada na vida além da companhia do doce cachorrinho, e a cena serve pra mostrar como a mocinha é insensível porque acha que o seu "pé da elite" não pode pisar na merda de um cachorro de alguém do "povo" e, claro, é bem feito que tenha acontecido isso para ela ter noção da realidade.
Pensei nessa historinha no dia em que disse no Twitter que estava acompanhando a passeata de militantes de José Serra durante a campanha eleitoral, e inocentemente me referi a eles como "gente do bem", me aproveitando do slogan da campanha "Serra é do bem". Pra que!? Bastou que eu dissesse isso que logo veio uma "progressista", "humanista" e "gente boa" me repreender: "gente do bem não, gente de bens".
Digamos que só estivessem presentes ali milionários que chegaram de helicóptero - o que obviamente é apenas um exagero meu, mas que fosse - por acaso essas pessoas teriam menos direito de expor suas opiniões e preferências políticas?
Lembro disso também quando ouço qualquer discussão sobre o estado de caos, desordem e violência em que o Rio de Janeiro encontra-se permanentemente afundado. Entre todos os bordões esquerdóides dignos de um vômito como "favela não é problema, é solução", "isso só incomoda quando afeta a elite" ou então "bandidos mesmo são os de gravata", os que mais me enojam são especialmente dois: "quero ver invadir condomínio de rico" e "é bom pra essa classe média insensível ver a realidade".
Acho isso tudo incrível porque quem diz isso deve morar em outro lugar que não o Rio de Janeiro, onde a "realidade" infesta os morros de barracos, as ruas de flanelinhas, camelôs, pivetes, mendigos, uma cidade que se inunda de "realidade" em cada chuva pesada que cai, em cada transporte coletivo medíocre que oferece aos seus habitantes, em cada quilômetro de engarrafamento infernal, enfim, essas pessoas dizem isso como se a tal "realidade" não batesse diariamente à porta das pessoas, independente delas quererem vê-la ou não.
Quem vive no Brasil convive com pobreza, miséria, feiúra, impotência diante de absurdos variados o tempo todo, mas só quem reclama disso são pessoas de "bens".
Aliás, só quem é rico e não é "insensível" na cabeça dessa gente são os traficantes do morro - cheios de dinheiro por conta da venda do pó - esses são "vítimas" da "insensibilidade" (eu avisei que a palavra apareceria ad nauseam) da "classe média" que os esqueceu.
Incrível também que a "elite insensível" seja aquela que pague os impostos mais altos do mundo, taxas imorais, cobranças em cascata, sem receber nada em troca, e ainda assim seja sacudida de cabeça pra baixo de tempos em tempos para "fazer sua parte" e doar mais, mais, mais em "Crianças Esperanças", "Teletons" e outras campanhas do gênero.
Com tudo isso, esta ainda é a parcela da sociedade a quem é negado até mesmo o direito de se indignar, de se expressar, de exigir algum direito.
Pra ser "bom" no Brasil, pelo menos na visão da turma "progressista", que chama ironicamente os que discordam deles de "elite" e "gente cheirosa", você precisa gostar do fedor, da feiúra, de pisar na merda ou pelo menos aturar tudo isso quieto, não esquecendo de pagar a conta, é claro.
Querer remover favelas é "higienismo", combater a mendicância é "eugenia", não ficar satisfeito com a festa da ilegalidade de camelôs, flanelinhas, vans et caterva é ser "contra pobre", pretender que seus impostos vão para algo além de um imenso buraco negro de ineficiência estatal e assistencialismo barato é ser "insensível".
Uma pessoa que queira uma cidade limpa, bonita e livre de pragas urbanas é ruim. Quem gosta (ou finge que gosta) de viver num lixão a céu aberto que mais parece cenário de um daqueles filmes "Mad Max" é bom.
Tem quem defenda tudo, desde que "traficante também tem família pra sustentar" até maconheiros "do bem", e também faveleiros profissionais, pobristas que lucram com a miséria que dizem combater e, claro, políticos que tem um belíssimo curral eleitoral nessas zonas de desordem e ausência de condições reais de dignidade.
E tome urbanização, teleférico, bolsa isso e bolsa aquilo. Tudo claro financiado pelo bolso dos outros.
Progressista que se preza precisa de pobre pra distribuir cupom, de favela - de preferência bem suja e feia - para poder mostrar como admira a "criatividade" que existe naquilo e que por isso é moralmente superior aos outros, de caos urbano para poder requisitar mais uma verbazinha para criar alguma "comissão" para "ordenar" as "atividades" e de preferência terminar criando algum sindicato, tipo de guardadores de automóveis, de camelôs, de vans e até de vendedores de bala em ônibus.
Essa coisa do governo proporcionar às pessoas maneiras delas melhorarem de vida por conta própria, de cidades limpas e bonitas, calçadas livres, isso tudo é coisa de direita.
Com toda essa onda de leis anti "homofobia", "racismo", "xenofobia" e o escambau, bem que poderiam criar uma lei contra a "classe-médio-fobia".
Sabe como é, essa gente branca (ou quase), hetero, trabalhadora, pagadora de impostos, que não recebe nada de ninguém, que não conta com ninguém além de si próprio e que ainda por cima não tem nenhuma ONG que a defenda.
Jovem, ao completar 18 anos, aliste-se!
Postado em 25 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários
Lembro que conhecer Manaus nos anos 90 foi uma experiência transcedental para mim. Nada a ver com os povos da floresta, a beleza da fauna, o mistério do boto cor-de-rosa ou o santo daime e sim com uma ida à boate do hotel Tropical, que naquela época era a mais frequentada da cidade.
Quando entrei na tal boate após pagar escorchantes R$50,00 de entrada, avistei algo que só poderia ser uma miragem aos olhos de um carioca: a pista de dança estava repleta de mulheres. Mas note, não era coisa de 10, 20 mulheres, eram umas 100, 200, sei lá, a minha visão chegou a ficar turva de tanta emoção ao perceber que existia um lugar no mundo onde boate não significasse um lugar infestado de valetes por todo lado.
Porque sair na noite do Rio de Janeiro é mais ou menos comparável a fazer alistamento num quartel do exército.
Não sei se é algo que colocam na água, se é algum tipo de controle pré-natal, mas a quantidade de homens em qualquer bar, boate ou similar nas terras cariocas é muito acima do aceitável para qualquer pessoa que não curta...homens.
No Rio paga-se preços igualmente escorchantes pelo simples direito de colocar sua carcaça para a parte de dentro da porta. Poucos lugares convertem isso em consumação e, quando o fazem, uma garrafinha de cerveja custa uns R$15,00. Mas essa nem seria a parte mais crítica se não fosse a imensa quantidade de machos povoando qualquer um desses lugares.
O cenário típico de uma boate por aqui é simples: 70% da frequência será masculina. Ali estarão os tipos básicos de qualquer noite carioca. Desde aqueles amigos que passaram a tarde jogando playstation e resolveram sair para tentar a sorte, já sabendo que a probabilidade de comer alguém é tão grande quanto a de zerar um jogo com 970 fases em uma hora até a ex-gostosa que virou meio baranga e terminará a noite bêbada e esquecida numa poltrona.
Outros habitantes da fauna são os sempre presentes lutadores de jiu-jitsu ou brutamontes similares. Estes podem ser namorados de alguma garota linda, coxuda e toda malhada, que vai desfilar na frente dos outros homens que não são seu namorado torcendo para que eles olhem para ela por mais de 2 segundos, que é o prazo que o brutamontes que ela namora acha aceitável antes de cobrir o cara de porrada.
Os demais - que estão solteiros - passarão a noite puxando as poucas mulheres que sobram pelo braço e tentando beijar cada uma delas na marra, inclusive a namoradinha daquele estudante de arquitetura que tem um blog de quadrinhos e só foi na boate porque a namorada disse pra ele uma das frases mais amedrontadoras que existem depois de "precisamos conversar", que é "quero sair pra dançar".
Ele vai ficar puto porque os caras mexeram com a namorada dele, vai brigar com ela dizendo algo como "eu avisei que sair pra boate sempre dá merda", mas após rápidos cálculos vai concluir que é melhor levar o desaforo pra casa do que deixar sua dignidade estirada junto com ele no chão da boate.
Das (poucas) mulheres presentes, além da namorada do lutador de jiu-jitsu, da ex-gostosa que virou baranga e da namoradinha do estudante de arquitetura, você encontrará a patricinha que namora algum gringo e passa a noite inteira dizendo como a noite londrina é muito melhor do que aqui nessa roça que é o Brasil, as gostosas de academia - que tem como parâmetros de homem ideal características como abdomen, carro e cartão de crédito - e que vão te olhar como se você tivesse alguma espécie de lepra se você falar qualquer coisa com elas desde "Prazer, meu nome é fulano" até "pode me dizer onde fica a saída?", e um grupinho de amigas de faculdade - com grau de beleza que vai do "até que pego" ao "não pego nem de porrada"- que realmente "saiu pra dançar" e que definitivamente não vão dar mole pra você (a menos que você seja um dos brutamontes solteiros, de braço forte e peitoral definido que vão ficar com elas depois de uma resistência-fake inicial ao agarrão deles).
Óbvio que existe aquela mina maneira, que sai pra se divertir e ver no que vai dar a noite, e está aberta a ficar com um cara de papo legal, mas o problema é descobrir em qual lugar ela estará naquela noite específica. Provavelmente você já esbarrou em alguma delas na sua vida, lembra? Foi aquele dia que você saiu num sábado e se deu bem.
Desde a Lapa até as boates mais caras da Zona Sul, o normal no Rio de Janeiro será esse quadro de maioria masculina avassaladora, uma espécie de garimpo (esqueça o ouro, pense apenas naquele monte de homens) e que para qualquer cara comum terminará em uma das três alternativas:
- Você pegando a ex-gostosa que virou baranga e que está esquecida no sofá e só ficará contigo porque está bêbada demais e precisa de uma carona.
- Você comendo um cachorro-quente numa Kombi de esquina.
- Você e seus amigos procurando uma boate de strip para no dia seguinte poder dizer sem mentir: ontem vi uma mulher pelada.
Se você quiser um destino melhor, conselho de amigo: viaje para Manaus ou então se aliste no exército, porque agora estão aceitando mulher por lá e logo eles passam as boates do Rio.
Quando entrei na tal boate após pagar escorchantes R$50,00 de entrada, avistei algo que só poderia ser uma miragem aos olhos de um carioca: a pista de dança estava repleta de mulheres. Mas note, não era coisa de 10, 20 mulheres, eram umas 100, 200, sei lá, a minha visão chegou a ficar turva de tanta emoção ao perceber que existia um lugar no mundo onde boate não significasse um lugar infestado de valetes por todo lado.
Porque sair na noite do Rio de Janeiro é mais ou menos comparável a fazer alistamento num quartel do exército.
Não sei se é algo que colocam na água, se é algum tipo de controle pré-natal, mas a quantidade de homens em qualquer bar, boate ou similar nas terras cariocas é muito acima do aceitável para qualquer pessoa que não curta...homens.
No Rio paga-se preços igualmente escorchantes pelo simples direito de colocar sua carcaça para a parte de dentro da porta. Poucos lugares convertem isso em consumação e, quando o fazem, uma garrafinha de cerveja custa uns R$15,00. Mas essa nem seria a parte mais crítica se não fosse a imensa quantidade de machos povoando qualquer um desses lugares.
O cenário típico de uma boate por aqui é simples: 70% da frequência será masculina. Ali estarão os tipos básicos de qualquer noite carioca. Desde aqueles amigos que passaram a tarde jogando playstation e resolveram sair para tentar a sorte, já sabendo que a probabilidade de comer alguém é tão grande quanto a de zerar um jogo com 970 fases em uma hora até a ex-gostosa que virou meio baranga e terminará a noite bêbada e esquecida numa poltrona.
Outros habitantes da fauna são os sempre presentes lutadores de jiu-jitsu ou brutamontes similares. Estes podem ser namorados de alguma garota linda, coxuda e toda malhada, que vai desfilar na frente dos outros homens que não são seu namorado torcendo para que eles olhem para ela por mais de 2 segundos, que é o prazo que o brutamontes que ela namora acha aceitável antes de cobrir o cara de porrada.
Os demais - que estão solteiros - passarão a noite puxando as poucas mulheres que sobram pelo braço e tentando beijar cada uma delas na marra, inclusive a namoradinha daquele estudante de arquitetura que tem um blog de quadrinhos e só foi na boate porque a namorada disse pra ele uma das frases mais amedrontadoras que existem depois de "precisamos conversar", que é "quero sair pra dançar".
Ele vai ficar puto porque os caras mexeram com a namorada dele, vai brigar com ela dizendo algo como "eu avisei que sair pra boate sempre dá merda", mas após rápidos cálculos vai concluir que é melhor levar o desaforo pra casa do que deixar sua dignidade estirada junto com ele no chão da boate.
Das (poucas) mulheres presentes, além da namorada do lutador de jiu-jitsu, da ex-gostosa que virou baranga e da namoradinha do estudante de arquitetura, você encontrará a patricinha que namora algum gringo e passa a noite inteira dizendo como a noite londrina é muito melhor do que aqui nessa roça que é o Brasil, as gostosas de academia - que tem como parâmetros de homem ideal características como abdomen, carro e cartão de crédito - e que vão te olhar como se você tivesse alguma espécie de lepra se você falar qualquer coisa com elas desde "Prazer, meu nome é fulano" até "pode me dizer onde fica a saída?", e um grupinho de amigas de faculdade - com grau de beleza que vai do "até que pego" ao "não pego nem de porrada"- que realmente "saiu pra dançar" e que definitivamente não vão dar mole pra você (a menos que você seja um dos brutamontes solteiros, de braço forte e peitoral definido que vão ficar com elas depois de uma resistência-fake inicial ao agarrão deles).
Óbvio que existe aquela mina maneira, que sai pra se divertir e ver no que vai dar a noite, e está aberta a ficar com um cara de papo legal, mas o problema é descobrir em qual lugar ela estará naquela noite específica. Provavelmente você já esbarrou em alguma delas na sua vida, lembra? Foi aquele dia que você saiu num sábado e se deu bem.
Desde a Lapa até as boates mais caras da Zona Sul, o normal no Rio de Janeiro será esse quadro de maioria masculina avassaladora, uma espécie de garimpo (esqueça o ouro, pense apenas naquele monte de homens) e que para qualquer cara comum terminará em uma das três alternativas:
- Você pegando a ex-gostosa que virou baranga e que está esquecida no sofá e só ficará contigo porque está bêbada demais e precisa de uma carona.
- Você comendo um cachorro-quente numa Kombi de esquina.
- Você e seus amigos procurando uma boate de strip para no dia seguinte poder dizer sem mentir: ontem vi uma mulher pelada.
Se você quiser um destino melhor, conselho de amigo: viaje para Manaus ou então se aliste no exército, porque agora estão aceitando mulher por lá e logo eles passam as boates do Rio.
Mentir às vezes dá a maior m*
Postado em 24 de nov. de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Mentir algumas vezes é necessário. Não adianta vir me dar lição de moral e dizer que "nunca mentiu na vida" porque ao fazer isso você já corre o sério risco de estar mentindo. Nem sempre a verdade é bem vinda e quem passa a vida só distribuindo verdades, termina colecionando um monte de inimigos, caso contrário, ninguém diria que "a verdade dói" e sim que "a verdade é uma fofa" ou algo do gênero.
Mas algumas vezes a mentira é totalmente desnecessária. E é nessas ocasiões que ela resolve virar um monstro de sete cabeças impossível de controlar. A coisa toma proporções inimagináveis e você se vê compelido a admitir que pelo menos daquela vez era melhor ter dito a verdade para variar.
Por exemplo: você foi conhecer a família da sua nova namorada, é um jantar de aniversário de 80 anos da avó dela, entre diversos ítens do menu eles resolvem servir ostras. Você adora ostras, mas também tem um probleminha com ostras: elas te dão uma baita dor de barriga.
Mas você come, afinal você está empolgado com a recepção calorosa de todos, com o whisky 12 anos que seu novo sogro te ofereceu e com o decote "te pego mais tarde" que sua namorada está usando. Tudo pra ser uma noite perfeita, exceto pelo fato de que você não combinou isso com a sua barriga.
De repente começa a sentir aquelas cólicas horrorosas e a discretamente procurar um banheiro. Encontra um pequeno lavabo. Senta, cuida do seu problema e se não fosse o pequeno detalhe da falta do papel higiênico tudo estaria resolvido.
Mas olhando pro lado você percebe uma revista Caras abandonada. Qual utilidade melhor para aquela revista do que substituir o "Neve"? Usa o oitavo casamento da Deborah Secco, o décimo namorado imberbe da Susana Vieira e mais uns dois ou três personagens da Ilha de Caras pra se limpar e acha que tudo não poderia correr melhor.
Até que tenta dar descarga e percebe que está quebrada.
Nesse ponto você ouve as pessoas perguntarem por você, já que é hora do "parabéns" da vovó.
Vê uma latinha de lixo e resolve enche-la com água da pia para improvisar a descarga.
De repente sua namorada bate na porta, perguntando se você está lá. Você responde que sim, que está passando um pouco mal, mas que já sai dali.
E ela:
- Passando mal de que?
Aqui o universo da mentira te prega uma peça. Dizer que está indisposto é o código para "caganeira" e você não quer ela visualizando uma cena dessas. Então fala a primeira lorota que vem à cabeça:
- Pressão baixa, de vez em quando eu tenho isso, entrei pra lavar o rosto...
O que você não contava é que o avô dela - o falecido marido da vovózinha - também tinha pressão baixa e morreu justamente ao desmaiar num banheiro e bater com a cabeça. Nessa hora você ouve a voz do pai dela perguntando:
- O aconteceu, minha filha?
- Ele tá com pressão baixa...
- Xiiii, lembra do seu avô?
E de repente a família dela inteira está na porta, esperando ansiosamente você sair. O baldinho não está funcionando, mas você continua tentando desfazer toda aquela merda que literalmente você aprontou.
- Calma aí, já vou sair...
- Sai logo rapaz, é hora do parabéns, vem aqui que a gente coloca um sal debaixo da sua língua e fica tudo bem...
Só que a festa toda parou por sua causa, a avó começa a ter falta de ar revivendo o dia em que ficou viúva, os tios cogitam arrombar a porta pra te tirar lá de dentro "E se ele não estiver conseguindo sair?", os primos adolescentes se olham rindo, lembrando que também passam horas trancafiados no banheiro e inventam de tudo pra ficar ali e você com as calças arriadas, tentando dar descarga num banheiro quebrado usando uma lixeirinha finalmente entende que nesse caso - e talvez só nesse caso - era melhor ter dito a verdade.
Porque uma mentirinha boba de vez em quando termina na maior cagada.
Mas algumas vezes a mentira é totalmente desnecessária. E é nessas ocasiões que ela resolve virar um monstro de sete cabeças impossível de controlar. A coisa toma proporções inimagináveis e você se vê compelido a admitir que pelo menos daquela vez era melhor ter dito a verdade para variar.
Por exemplo: você foi conhecer a família da sua nova namorada, é um jantar de aniversário de 80 anos da avó dela, entre diversos ítens do menu eles resolvem servir ostras. Você adora ostras, mas também tem um probleminha com ostras: elas te dão uma baita dor de barriga.
Mas você come, afinal você está empolgado com a recepção calorosa de todos, com o whisky 12 anos que seu novo sogro te ofereceu e com o decote "te pego mais tarde" que sua namorada está usando. Tudo pra ser uma noite perfeita, exceto pelo fato de que você não combinou isso com a sua barriga.
De repente começa a sentir aquelas cólicas horrorosas e a discretamente procurar um banheiro. Encontra um pequeno lavabo. Senta, cuida do seu problema e se não fosse o pequeno detalhe da falta do papel higiênico tudo estaria resolvido.
Mas olhando pro lado você percebe uma revista Caras abandonada. Qual utilidade melhor para aquela revista do que substituir o "Neve"? Usa o oitavo casamento da Deborah Secco, o décimo namorado imberbe da Susana Vieira e mais uns dois ou três personagens da Ilha de Caras pra se limpar e acha que tudo não poderia correr melhor.
Até que tenta dar descarga e percebe que está quebrada.
Nesse ponto você ouve as pessoas perguntarem por você, já que é hora do "parabéns" da vovó.
Vê uma latinha de lixo e resolve enche-la com água da pia para improvisar a descarga.
De repente sua namorada bate na porta, perguntando se você está lá. Você responde que sim, que está passando um pouco mal, mas que já sai dali.
E ela:
- Passando mal de que?
Aqui o universo da mentira te prega uma peça. Dizer que está indisposto é o código para "caganeira" e você não quer ela visualizando uma cena dessas. Então fala a primeira lorota que vem à cabeça:
- Pressão baixa, de vez em quando eu tenho isso, entrei pra lavar o rosto...
O que você não contava é que o avô dela - o falecido marido da vovózinha - também tinha pressão baixa e morreu justamente ao desmaiar num banheiro e bater com a cabeça. Nessa hora você ouve a voz do pai dela perguntando:
- O aconteceu, minha filha?
- Ele tá com pressão baixa...
- Xiiii, lembra do seu avô?
E de repente a família dela inteira está na porta, esperando ansiosamente você sair. O baldinho não está funcionando, mas você continua tentando desfazer toda aquela merda que literalmente você aprontou.
- Calma aí, já vou sair...
- Sai logo rapaz, é hora do parabéns, vem aqui que a gente coloca um sal debaixo da sua língua e fica tudo bem...
Só que a festa toda parou por sua causa, a avó começa a ter falta de ar revivendo o dia em que ficou viúva, os tios cogitam arrombar a porta pra te tirar lá de dentro "E se ele não estiver conseguindo sair?", os primos adolescentes se olham rindo, lembrando que também passam horas trancafiados no banheiro e inventam de tudo pra ficar ali e você com as calças arriadas, tentando dar descarga num banheiro quebrado usando uma lixeirinha finalmente entende que nesse caso - e talvez só nesse caso - era melhor ter dito a verdade.
Porque uma mentirinha boba de vez em quando termina na maior cagada.
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