Você discou o número errado, aqui não tem nenhum Cotonete

Postado em 9 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

- Tia, o Cotonete tá aí?

- Espera um pouco que eu vou chamar o ANTÔNIO CARLOS.

Não conheço mãe alguma que goste de passar meses discutindo com o marido sobre o nome de um filho - para finalmente decidirem que vão batizá-lo com o nome dos dois avôs - e depois descubra que a rua inteira só chama o moleque de "Cotonete".

Por isso eu costumo dizer: nem perca muito tempo escolhendo um nome para o seu filho, porque um dia ele vai pra escola e vão chamá-lo de "Boca","Cabeça","Piu" ou "Merdinha" mesmo.

"Merdinha" aliás era um sujeito que morava no mesmo bairro que eu. Para se ter idéia, como ele era um pouco mais velho e nunca foi do meu círculo de amigos, jamais descobri qual era seu nome verdadeiro, apenas que, mesmo depois de casado e com um filho, as pessoas continuavam batendo à sua porta e procurando pelo Merdinha.

Pior do que esse só o meu vizinho que - para desespero dos pais - era conhecido como "Marcelo Caganeira".

Apelidos geralmente são cruéis. Quem estudou sabe disso. Nos primeiros dias de aula na escola nova você fica no seu canto, torcendo para ninguém perceber aquele detalhe anatômico seu que te "batizou" na escola anterior. Os dias passam, nada acontece e você tem certeza que conseguiu se livrar, mas que nada! Eles só não tinham proximidade suficiente para brincar contigo ainda.


Até que durante algum recreio, enquanto você se enrolava com o troco do cheeseburguer da cantina, um sujeito grita lá de trás da fila "Anda logo aí, Dumbo!" ou então "Paga logo isso que eu tô com fome, Big Head!".

Pronto, o que você temia aconteceu e a partir daquele dia você tem um apelido escroto outra vez.

O tempo passa e a gente se acostuma. "Ahh, quer saber? Melhor ter orelha de abano do que esse seu nariz de tucano" e dessa forma assumimos o "Dumbo", "Big Head", "Cogumelo", "Tucano" e até "Barriga". Não tem como lutar contra.

Só que nossos pais não são obrigados a achar isso legal. Nossos apelidos são quase acusações contra eles.

"Se meu filho é 'Nareba', a culpa é dos meus genes de turco", "Chamam a Camilinha de 'Tanajura', quem mandou ela puxar a avó", "Onde foi que eu errei que só chamam esse moleque de 'Arroto'?" e ainda "Tanto trabalho tentando educar e agora ele é o 'Capitão Bagunça', eu não mereço isso".

Alguns apelidos vêm com uma história embutida, o que os torna mais engraçados ainda, como um moleque da minha rua que tinha a língua presa foi apelidado de "Ferol" porque não conseguia de jeito nenhum dizer que ía passar "cerol" na pipa.

Ou a "Marcinha Cistite", que pedia para ir no banheiro umas dez vezes durante as aulas.

Mas outros são depreciativos demais e geralmente a pessoa apelidada só descobre tempos depois que era chamada assim, como é o caso de uma mocinha que fez Segundo Grau comigo que nem desconfiava que era chamada de "Luciana Serra Elétrica" (aquela que não deixa um pau em pé) pelas costas.

Mas tem apelido que o dono faz questão de que todos saibam. Quem não gostaria de ser chamado de "Elvis" ou "Xerife"? Nesses casos há quem apele: "pô, me chama de Surf, aí que eu te chamo de algum apelido maneiro que você queira...".

Certos apelidos são quase universais. É difícil alguma rua, pracinha de bairro ou escola que não tenha um "Cabeça" ou uma feinha que ninguém quer pegar apelidada "Sorriso".

Mas engraçado foi uma vez quando um amigo foi apresentar a namorada para a turma e de repente um deles vira e o chama: "Chega aí, Monstro!".

A menina ficou ofendida e saiu em defesa do namorado:

- Você já se olhou no espelho e viu como é feio e gordo pra chamar meu namorado de monstro?

E o namorado na mesma hora correu para esclarecer tudo:

- Calma, amor, é que meu apelido aqui na rua é Monstro, o Jaba sempre me chamou assim desde que a gente era criança.

5 Comentários:

Tuka Siqueira postou 9 de dezembro de 2010 07:59

Hilário! Eu vive muitos colegas com apelidos engraçados. Mas o mais incomum era um menino chamado Sandro que por causa do cabelo comprido é até hoje chamado de Bréia em alusão à Sandra Brea.
Meu filho também tem um apelido estranho, gigante, o detalhe é que ele é baixinho e magro e o pai era conhecido por tampinha.
Abraços

Isabel postou 9 de dezembro de 2010 12:26

Ainda bem que essa história de colocar apelidos depreciativos é mais comum entre os homens, hehehe. Aliás, os homens são tão estranhos que alguns se xingam pra se cumprimentar, vai entender...

Arthur xD postou 9 de dezembro de 2010 12:49

putz,tive vários apelidos...
cara com cabelo comprido e ainda por cima meio excluido, mas isso sem dúvidas é um prato cheio pra gurizada xD
ma chamavam de cotonete de orelhão, samambaia, toca de rato(O_O'), e deve ter uns que eu nunca descobri...
claro tiveram dois apelidos que eu fui obrigado a gostar, que eram: Slash(guns 'n roses) e Joey(ramones)
e é isso xD

Eryck postou 9 de dezembro de 2010 12:54

Sempre odiei apelidos.
Mas acabei conseguindo um no ensino médio.
E.
Até que não foi tão ruim.

Rodrigo Santos postou 9 de dezembro de 2010 17:04

Me chamavam de cara de abacaxi, cara de pista de rally.. por causa das espinhas ¬¬'
é uma merda!
Mas é só não dar ouvidos que a galera esquece auHASUAsuh. Comigo funcionou :)

 
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