Marte, Vênus e a Estrela da Morte

Postado em 28 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

O Léo era tão legal antes de começar a namorar. A Lu era um amor até que conheceu o Beto.

Existem casais que são perfeitos - pelo menos até que algum terceiro elemento que pode ser qualquer coisa entre futebol demais aos domingos, uma secretária turbinada ou um personal trainer saradão se meter entre eles - e outros casais que são o oposto de tudo que convencionou-se chamar uma "relação sadia".

Relacionamentos amorosos são complicados sob quase todos os aspectos, talvez porque seres humanos sejam como hardwares com sistemas obsoletos, tentando fazer uma comunicação entre os PCs (os homens, práticos, compatíveis com um monte de coisas, porém meio difíceis de ligar e cheios de erros no sistema) e os Macs (que seriam as mulheres, de visual lindo, perfeitas, objetos de desejo, mas com vários probleminhas de compatibilidade e uma versão nova lançada quase todo ano).

Quando nos apaixonamos, aquela pessoa passa a ser o centro do nosso mundo. Tudo nela é "bonitinho". O jeito de mexer no cabelo, o gosto pelos filmes do Truffaut, o estranho hábito de misturar goiabada com ketchup, o ronronar que ela faz nas duas horas seguintes depois de dormir, tudo é mágico.

O casal cria códigos, piadas internas, trocas de olhares, enfim, todo o mundo só existe para ser palco para aquela paixão que com certeza é a maior que já existiu desde Marco Antônio e Cleópatra.

Essa fase inicial é tão over, que o ideal seria todo casal ficar mudo durante os primeiros três meses de namoro, que é a fase dos apelidinhos escrotos - xinxinha, ximbinho, moti-moti - e outras coisas que nos fazem pensar que o amor além de cego é meio estúpido também.

Mas tirando isso, também nos livraria de certas promessas e bobagens que dizemos enquanto estamos drogados pelo encantamento inicial.

Coisas como "eu sempre estarei ao seu lado quando você for fazer cosplay do Super Mario" ou então "prometo que jamais vou reclamar do seu hábito de ir no cinema toda sexta-feira, levando um tupperware com brócolis cozido para comer durante o filme", são promessas fáceis de fazer enquanto trocamos os primeiros beijos, mas ficam complicadas de cumprir depois de alguns meses de namoro e da sensação inevitável de ânsia de vômito que você sente ao ver o Bruce Willis cheirando a brócolis no cinema.

Acredite em mim: muita coisa que você faz no início será motivo de arrependimento no futuro, incluindo ter permitido que ela apelidasse seu órgão sexual de "tratorzinho".

Alguns casais passam por essa fase inicial e tornam-se casais quase perfeitos. São gente finíssima entre os amigos, sabem ficar separados durante uma saída em grupo, só voltando a ficar juntos depois de terem feito uma social com todos os presentes.


Parecem não sentir ciúmes um do outro, mas no entanto são bonitos e poderiam ficar com quase todo mundo do grupo. Fazem academia juntos, curtem rock'n'roll e viajam na moto que ela comprou, indo para lugares paradisíacos e voltando cheios de fotos que você tem certeza que só tiram para fazer inveja em todo mundo.

Outros casais no entanto estabelecem aquele tipo de relação que você teme acabar aparecendo no Datena ou no Globo Repórter.

São ciumentos a ponto de passar a cumprimentar os amigos com apertos de mão, estão sempre com aquele clima tenso em volta deles e quando saem em grupo - o que é raro, porque gostam mesmo é de ficar trancados em casa vendo DVD - permanecem num canto, só conversando entre si e caso você tente puxar um assunto com um dos dois, te lançam um olhar que o fará ter a sensação de ter pisado no pé do Papa durante a Missa do Galo.

Enquanto o primeiro casal supera os problemas que toda relação possui, esse segundo casal vive algo entre o intenso e o insuportável: brigam o tempo todo e quase ninguém os suporta.

Sozinhos eles nem eram esse pavor todo, mas juntos, bem, foi como se Norman Bates engravidasse Alex Forrest  e nascesse um monstro com duas cabeças, quatro pernas e braços e muitos copos quebrados, bichos de pelúcia esfaqueados e CDs espatifados.

Em tempos de paz - o que no caso deles dura algo em torno de duas horas e meia - um sempre faz questão de mandar no outro, o que rende várias piadas quando eles não estão presentes.

Homens são de Marte, mulheres de Vênus e se você não tomar cuidado nos seus relacionamentos, acaba casando com o Darth Vader e morando na Estrela da Morte.

Todos os outros relacionamentos existentes levitam entre esses dois extremos. Um, é o ideal que perseguimos, o outro, é o circo dos horrores do qual fugimos com todas as nossas forças.

E se um deles te deprime porque você tem a sensação de que talvez jamais consiga algo parecido na vida, o outro te dá até um certo alívio, porque é melhor ficar em casa sozinho num sábado à noite jogando Playstation, do que passar a vida num live-action do Doom.

5 Comentários:

Doris postou 28 de dezembro de 2010 09:27

Muito bom, bom humor na dose certa para esse tipo de assunto.

Van postou 28 de dezembro de 2010 09:32

Jogar Playstation é mesmo o melhor a se fazer !!! Enquanto isso, sonhar com o primeiro extremo...rsrsrs

Carla postou 28 de dezembro de 2010 09:52

Boa sacada !
Aprendi assim : Tem você, ele e os dois juntos. É preciso dar espaço para o outro ser ele mesmo, ninguém aguenta uma pessoa regulando seus passos o tempo todo. Por isso na primeira oportunidade ...

beijos

Isabel postou 28 de dezembro de 2010 11:59

Gostei da comparação de homens com PCs e mulheres com MAC! Mas, uma correção: os homens não são práticos! rsss

Gil postou 28 de dezembro de 2010 17:18

Tudo muito complicado...porém, lendo seu texto, fica muito divertido!
bjs.

 
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