Não é a entrega do Oscar, é o Natal mesmo

Postado em 23 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

Depois do Carnaval com a sua "Mangueira entrando", talvez o Natal com o "saco do Papai Noel" seja o feriado com maior estoque de piadas e trocadilhos infames, ganhando até do coelhinho da Páscoa com seus ovos.

É nessa época que a gente encontra aquele primo distante, aquela tia que não via desde o ano passado, o cunhado beberrão que só fala besteira, o namorado cretino da sua prima, enfim, um monte de gente que conseguimos passar o ano inteiro sem nem saber por onde anda (o que não fez a menor falta), mas que por alguma razão especial são escolhidos para passar com a gente essa data familiar.

A verdade entretanto é que a maioria preferia nem estar ali.

Mas sabe como é, tem a imprensa com suas reportagens consumistas, os filmes com espírito natalino, a Simone cantando músicas natalinas - o que é um verdadeiro fenômeno de Natal, já que até do Papai Noel você consegue se livrar se quiser, mas dela você não escapa - e, claro, a namorada gostosa daquele seu primo nerd que talvez seja a única pessoa que te cause prazer (literalmente) em rever.

E tudo isso acaba fazendo a gente entrar no clima.


Vai chegando perto o dia e você automaticamente enfeita um pinheiro com neve fake mesmo num calor de 40 graus, vai em lojas de departamentos comprar bugigangas para presentear todos aqueles semi-desconhecidos, prepara um jantar para o triplo das pessoas que irão na sua casa e só esquece mesmo o sal de frutas, que é tão necessário depois do Natal quanto uma visita da sua faxineira Maria das Dores, aquela que vai passar uma tarde inteira removendo os restos de panetone pisoteados do tapete.

Eu tenho quase certeza que se não fossem os presentes, as bebidas e a comilança, as pessoas gostariam tanto do Natal quanto de um exame psicotécnico para carteira de motorista ou uma reunião de condomínio.

O jantar do dia 24 é mais ou menos como uma entrega do Oscar, só que sem aquele monte de gente rica: estranhos que mal se aturam e passam a noite juntas, dando sorrisos amarelos. Trocam gravatas e sabonetes, e depois vão embora de pança cheia, reparando na pão-durice da avó que apesar de ganhar uma pensão gorda, todo ano dá um pote de talco para cada membro da família.

Em Janeiro, quando chega a fatura do cartão, você consulta seu saldo no banco e descobre da pior maneira possível que o espírito de Natal só precisa de alguns dias para virar um espírito de Porco.

No final das contas, cheio de azia, com vários pares de meias que nem pediu e já preocupado com o que vai fazer no Reveillon, surge a dúvida fatal: aquela gorda ali, é tia ou prima?

8 Comentários:

solange baumer postou 23 de dezembro de 2010 07:46

Vou comentar mas o velho nem precisa me dar mais nada...já ganhei meu presente adiantado.2011 promete.
Mas é verdade...o Natal jávai meio que no piloto automático...tudo previsível,tudo sempre igual,tirando um barraco que vez ou outra muda apenas o ator principal.
Aqui resolvi barbarizar e levar sem stress.Sem filas no mercado,sem convidados,sem pose pra foto.Vamos ver como fica.Só a família de casa e deu...

Por que você faz poema? postou 23 de dezembro de 2010 08:11

A ceia de Natal me deprime.

Raquel postou 23 de dezembro de 2010 08:25

Olha só, Caro Woody, só estou comentando pra não ficar sem presente de Papai Noel (joga caroço no meu angú natalino não, hein...)
Bom, ho ho ho's me deprimem pra cacete, mas vc, como sempre, acertou de novo, pior do que isso é não escapar da Simone com a sua '...então é Natal..." Putz, chega a me dar arrepios... sem palavras..até porque vc já disse todas.

E pra não escapar das manadas, ao meu resmungão preferido, um saco bem grande, como o do Papai Noel, cheio de posts geniais como os seus...

Pagando pau meeeeeesmo.

Abraços, Quel.

Bruno Cruz postou 23 de dezembro de 2010 11:58

Apesar de isso ser a mais pura verdade, eu ainda sinto falta de passar a noite de Natal com a minha família. Atualmente, nós apenas fazemos um churrasco no dia 25 com alguns amigos mais próximos - e ainda olhe lá. Ano passado, participamos da ceia com a família dos nossos vizinhos. Foi legal, mas não é a mesma coisa, nem de longe. Nada se compara a reunir os parentes e ficar em paz com todos eles por pelo menos uma noite no ano.

mvsmotta postou 23 de dezembro de 2010 12:27

Bruno,

Eu concordo contigo, a noite de Natal em família é legal, só acho certas situações engraçadas, a ponto de valer uma crítica.

Abraços,

Vinicius postou 23 de dezembro de 2010 13:34

A vida é tão regrada quanto um jogo de futebol. Experimenta não levar uma bugiganga chinesa para a festa e verá quão imperiosa á a opinião social.

Eu acho que devemos fazer um boicote geral. No natal, vamos à alguma festa! FEsta de verdade, com Dj's tocando música de verdade e muita putaria, que seja o total oposto do natal cristão e etc.

A fim de quebrar algum padrão?

Carla postou 23 de dezembro de 2010 18:57

Eu não gosto das festas de fim de ano. Odeio essa história de reunir familiar que só se vê uma vez por ano, aff... Prefiro ficar quietinha, na minha, esperando essa insanidade toda passar.
E que venha o carnaval, socorrooooo!!!!
Abraços e Merry Christmas !!!

Gustavo Ca postou 24 de dezembro de 2010 14:28

Não faço nada diferente por ser uma data religiosa/comercial diferente. Com o passar do tempo fui abandonando essas tradições. Perderam mais que a graça, perderam o sentido. Mas como minha família celebra, eu aproveito as comidas.

Só o que eu acho besta é que as pessoas transformem o Natal para si mesmas numa data de obrigações, preocupações e chateações. Pra que tanta correria? Pra que se dar tanto trabalho? Se tudo é preparado com prazer e divertimento, beleza, mas as pessoas se estressam pq querem. Exemplo: enfrentar loja lotada na véspera do Natal. Tô fora.

 
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