O mulherzinha

Postado em 16 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

Confesso que já fui um cara sensível demais, sei lá porque, talvez influência educacional, talvez excesso de Legião Urbana quando adolescente, mas o fato é que confesso que era meio over.

Tive que encontrar uma mulher que pensa meio como homem - "vem cá, faça seu trabalho e vamos dormir, conchinha eu cato na praia" - para me emendar e tomar jeito. Felizmente tomei. Jeito, que fique bem claro.

Antes disso não me espantaria se alguma menina me dissesse de repente: "grow a dick!".

Sentimentalismo pode ser muito legal para comer menininha, sabe como é? Aquela coisa de citar trechos de livros, músicas dos Los Hermanos, tudo fazendo cara de Chico Buarque depois do Sarau no DCE, mas na boa, quem é assim o tempo todo dá no saco.

É chato e se um dia o cara resolver depilar a perna periga ninguém se assustar.

Homem sensível demais, desses que curtem discutir relação, só por uma questão de justiça merecia passar pelas dores do parto.

Nem estou falando do flagelo dos metrossexuais, porque acredite: um homem que remova os pêlos das orelhas ou cuide para que seus sapatos não cheirem a um vestiário de lutadores de sumô ou a uma jaula é o menor dos problemas para a masculinidade.

Pior mesmo é homem que vive chorando relações passadas, presentes e futuras como se fosse uma Bridget Jones de boteco.

Beleza, cara, ela te largou, que merda, mas se você ficar nessa, a próxima que você pegar com esse chororô sentimental vai te largar por outro sujeito que joga bola religiosamente aos sábados e até hoje ainda conta piadas estilo "Chuck Norris Facts" pros amigos.


Mulher detesta homem ogro e adora homem sensível, pero no mucho.

Você até pode entender a alma feminina - tipo aquele personagem que ouve os pensamentos das mulheres no filme do Mel Gibson - mas não pode é se vestir com ela.

E o melhor para ilustrar isso é um caso que ocorreu com uma ex-namorada minha. Um pneu furou na estrada e estávamos próximos de um posto de gasolina. Eu poderia ter abandonado o carro ali, andado até o posto, chamado um borracheiro para tirar o pneu, consertar e colocar de volta.

Mas ela estava junto, o calor era infernal e eu não iria obrigar a minha mulher a andar numa estrada cheia de mato debaixo daquele sol nem que fosse só por 100 metros. Peguei o macaco, levantei o carro, troquei o pneu, fui dirigindo até o borracheiro.

Chegando lá, eu estava suado, com as mãos sujas de graxa e com aquela aparência de peão de obra defumado, mas ainda assim ela me olhava com uma cara de admiração ou algo parecido. Resolvi perguntar o que ela tinha pra me olhar daquele jeito, e ela respondeu:

- Você ali trocando pneu me deu um tesão...

Note, ela não queria me trocar por um mecânico e nem casar com um borracheiro, mas ver o seu namorado ter uma atitude de homem é que fez com que ela achasse tudo maneiro (um banho depois seria necessário antes de tocá-la, mas isso é só um detalhe).

Homem pode (e deve) ser compreensívo, educado, culto, ter outras conversas além de brigas, carros, mulheres e futebol. Deve entender as dores de cabeça e as TPMs dela, deve demonstrar afeto e preocupação, cuidado, carinho.

Mas também precisa trocar uma lâmpada, consertar uma torneira, pegá-la de jeito na hora certa e ter aquela dose de cafajestagem desejável que se manifesta num aperto bem dado, numa sacanagem dita no ouvido, num "vem cá minha nega" na hora certa, num "fazer seu trabalho e ir dormir, porque conchinha a gente cata na praia".

Caso contrário, melhor depilar a perna de uma vez.

8 Comentários:

Camila Pires postou 16 de dezembro de 2010 07:27

É isso aí! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra... Homem tem que ser homem na sua essência, sem valer-se disso pra ser um grosseirão.

Higor Torres postou 16 de dezembro de 2010 07:29

Eita, história quente, boa gostei mais da primeira parte.
abraços

Anninha postou 16 de dezembro de 2010 07:36

Concordo plenamente! Tive um ex que chorava mais que eu, um saco!
Tudo bem que meu marido é meio ogro, mas tem muitas qualidades, prefiro assim, haha!

Tuka Siqueira postou 16 de dezembro de 2010 08:44

É isso aí meu amigo, ganhaste um pouco mais da minha admiração! A sensibilidade do homem deve se restringir a entender a diferença de quando a mulher diz não pra fazer charminho e quando diz não porque não tá a fim mesmo. No primeiro caso o que ela quer mesmo é um belo trancaço, no segundo, que a deixe do paz. E assim por diante.
Homem tem que ter um mínimo de habilidades naturalmente masculinas, uma boa pegada por exemplo, ou não serve pra muita coisa.
Abraços

Isabel postou 16 de dezembro de 2010 09:48

Essa mulher que pensa como homem te deu um jeito, hein? hehehe

Karina postou 16 de dezembro de 2010 10:33

Essa história me deu um tesão kkkkkkkkk
Adorei o texto. O final então foi como dizer tudo em poucas palavras. Que tal dar uma palestrinha pra alguns homens?
Sou sua fã!

Adriane Silva postou 16 de dezembro de 2010 20:49

Comentário pouco contrutivo: Não sei o que é piorouvir Los hermanos ou Legião Urbana.

Fernanda Lizardo postou 18 de fevereiro de 2011 10:04

Particularmente, acho que existe um limite de sensibilidade até para mulher (senão vira frescura).
Gosto de homens sensíveis, mas também com um bom limite. Há hora e lugar para demonstrar sensibilidade. Certa vez, saí com um sujeito que teve umas três crises de choro comigo em pouco mais de um mês de relação. Chorava porque estava desempregado, chorava porque brigava com os pais, chorava porque estava cansado... E quando digo "chorava", não é pleonasmo. Chorava de fazer jorrar um rio de lágrimas mesmo. Comecei a me sentir meio mãe dele, mas tentei ser compreensiva com "os momentos difíceis" e relevei; até eu precisar do apoio dele num momento de sensibilidade da minha parte; adivinha o que ele fez? Pois é... Aí minha paciência foi para o ralo.
Abraço!

 
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