Eu te amo, mas aproveita porque semana que vem já passou

Postado em 10 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

- Sabe por quem a Fulaninha está apaixonada essa semana?

- Acho que é por você de novo, ou será a vez daquele seu amigo do trabalho?

Conhece alguém assim? Eu já conheci algumas pessoas que são mais ou menos desse jeito. Não passa uma semana sem que arrumem um novo amor, geralmente "o grande amor da sua vida".

Quem sou eu pra julgar? Realmente existem muitas pessoas lindas no mundo, é até covardia seguir os parâmetros rodrigueanos de que "amor é pra sempre" e coisas do tipo. Acho que a realidade está mais para o que ele dizia da adúltera, que "é mais pura, porque não tem um desejo apodrecendo nela".

Nesse caso, existem adúlteras que nem casadas são. Traem suas paixonites com a maior desfaçatez. O adultério é uma vocação, tal como a facilidade para a música, para o desenho, para as letras, existem aqueles que já nasceram preparados para trair.

E traem seus amores dessa semana com os da semana que vem.


Algumas mulheres necessitam disso para viver, elas precisam estar apaixonadas. É um imperativo. Respirar, comer, dormir, ter faniquitos por alguém. E se esse alguém for muito difícil, indisponível ou apenas se aproveitar da carência dela para arrumar um sexo fácil, dali a algum tempo já será substituído pelo próximo objeto.

Eu não sou muito velho, mas sou do tempo em que nada funcionava depois das 22:00, só latido de cachorro e padre para dar extrema-unção. Sendo assim ainda vivi o resto do tempo dos amores platônicos, da época em que ainda se gostava de alguém durante o segundo grau inteiro, mesmo que ela não nos desse a menor pelota.

Agora a coisa está mais rápida. Internet de banda larga, lojas de conveniência que vendem Bis, cerveja e Red Bull a madrugada inteira, postos de gasolina que ainda abastacem carros mas que também viraram verdadeiros "Baixos Gávea", cheios de adolescentes a noite inteira bebendo Smirnoff Ice enquanto calibram os pneus da Scooter.

E eles amam rapido. Um amor pra toda vida hoje em dia dura mais ou menos 72 horas, se tanto. Hoje em dia o amor tem a longevidade de uma daquelas mariposas que nascem, se reproduzem e morrem logo em seguida.

Dessa forma, essa verdadeira casa do swing sentimental produz o fenômeno dos amores consumidos como iogurte, trocados como um par de Havaianas que é jogado fora assim que surge um modelo mais na moda.

Quem  não consegue um objeto animado para tal, se vira com os inanimados ou até virtuais, como coleções, personagens de filme e seriados de TV. A única verdade é que a vida parece impossível sem aquela afetação catacterística do ser apaixonado, ainda que isso não melhore sua vida em nada efetivamente.

E nem adianta vir com aquela história que os livros de auto-ajuda espalham por aí, que "você precisa se amar", porque "se você não se amar, quem mais vai te amar?", afinal, se você não sabe essa resposta, ninguém mais vai saber.

Relacionamentos não são roupas de marca e nem uma carreira profissional para que sirvam de símbolo de status ou de definidores do que nós somos. São consequências, são complementos. Não ter noção disso é o que leva alguém a viver sempre atrás do "maior amor da minha vida dessa quinzena".

O grande medo que vejo é o de ficar sozinho, de terminar sem ninguém, o que me faz crer que essas pessoas sejam muito malas, já que nem elas se aturam.

O "antes só do que mal acompanhado" nesse caso vira "antes acompanhado de qualquer coisa do que de mim mesmo".

Acho que se comprarem um gato, o bichano pula da janela.

11 Comentários:

Julie postou 10 de dezembro de 2010 09:07

Você falou TUDO!
Adorei .. Parabéns!

Jéssica postou 10 de dezembro de 2010 09:09

muito verdade!! conheço mtas pessoas assim...
parabéns pelo texto, mto bom mesmo ;)

@SergioRafael postou 10 de dezembro de 2010 09:22

Cara, this is it!!! Boa reflexão!

Carla postou 10 de dezembro de 2010 09:29

Oi Marcus,
Acho que sou do seu tempo também,rs.
Nem vinte e poucos e nem quarenta e tal ...
Tive uma paixão por um menino no segundo grau que era vivida através de bilhetinhos escritos na carteira (ele era de outro horário) raras vezes nos víamos, mas eu era tão fiel aquele amor ...
Hoje prefiro estar sozinho do que um amor fast food, nada nutritivo.

adorei o post.

Beijo

Haíla postou 10 de dezembro de 2010 09:32

Começo sendo repetitiva, adorei o texto.
Mas como sempre preciso comentar rs
Dançamos conforme a música. Ou seja estamos em uma geração imediatista com um turnover altíssimo.
O que a vovó dizia que paciência é sapiência ficou perdido no tempo e sem sentido com a massificação das redes sociais, web mobile e cia.
Amar virou um verbo banal e tão usual que quando realmente amamos alguém vemos que o “eu te amo” n descreve um terço do que realmente estamos sentindo.
Não condeno a geração Y e Z, como falei, acho que elas dançam de acordo com a música. Mas quando paramos para refletir, vemos um cenário pobre, individualista e sem sentimento algum.

Maysa postou 10 de dezembro de 2010 09:36

Para você, que também é Vinicius:"Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure" Vinicius de Moraes
Amei muitas vezes, com intensidade e paixão e não aceito o adultério, até por questões familiares; é
a maior sacanagem que um ser humano faz com outro, visto que a cumplicidade é TUDO!...
Não devo ser tão mala, porque todos os meu ex quiseram voltar e meu cachorro, um pastor alemão maravilhoso, de nome Baden Powell, parceiro do meu filho Vinicius, fica comigo o dia inteiro. Sou muito difícil de conviver, porque não acredito na fidelidade do sexo masculino, de forma alguma!...O pior é que detesto mulher...

docelimaodoce postou 10 de dezembro de 2010 15:08

Engraçado! Concordo com o texto. Mas algo me incomoda na idéia geral.
Acho que essa troca de parceiros, é exatamente a evolução das gerações. No caso, está mais para retrocesso...
Acho que a gente cai na história do "quem veio primeiro? o ovo ou a galinha?"
Essa geração cresceu vendo a facilidade em trocar de parceiros, a inutilidade de cortejar alguém, a falta de compromisso entre as pessoas...
Meninas são mães, filhos são tão importantes quanto relacionamentos para essa geração. Tá tudo trocado.... valores, responsabilidades...
No meio dessa falta de tudo, vejo pessoas se agarrando a qualquer coisa que faça parecer que ainda haja um tantinho de sentimento vindo de algum lugar. E quando não encontram, passam pro próximo...
NÃO ESTOU DEFENDENDO ESSA TROCA COMPULSIVA!
Só acho que o meio está levando a esse quadro deprimente. Só a maturidade mostrará as consequências dessas atitudes de hj!
MINHA OPINIÃO: É DAQUI PRA PIOR!

Cassianne Campos postou 11 de dezembro de 2010 11:48

Eu penso que isso tudo é culpa da vontade de consumir e se sentir extasiado por ter consumido.
Tem gente que não consegue ficar sem a sensação de "satisfeito". Isso é gula.
Para ser sincera, estar apaixonada pela mesma pessoa por muito tempo é lindo, mas é monótono quando não é do tipo platônico. [pq paixão plantônica é super ativa, já q ficamos idealizando milhares de coisa, já vivi isso. Ai ai...]

Então essas pessoas trocam... trocam a monotonia de amar um só alguém por sentir a ilusória sensação de ter borboletas no estômago toda semana.
Eu sou a favor de amar um só alguém por muuuuuito tempo. Com brigas glamourosas, sexos reconciliatórios fabulosos e carinho na hora certa, no lugar certo o tempo todo.

Depois eu volto, bjinhos.
;)

Susy postou 12 de dezembro de 2010 06:37

Bom engraçado também não sou velha mto pelo contrário,estou nova ainda tenho 21 mas na minha época de escola tambem era a fase de voce ficar o ano interiro apaixonado por uma pessoa que na maioria das vezes não estava nem ai pra voce.(agora não sei se era mesmo assim ou eu é que era de ficar apaixonada mesmo R.s)

Mas depois tambem teve a fase de solteiro de "ficar", mas o que acho que esta acontecendo atualmente é a banalização do amor, a palavra em si acabou perdendo o significado.

Acho que as pessoas tem que se conhecer mesmo, é a fase dos primeiros namoros, mas amar a cada "ficada " é demais né? R.s

A diferença é que quando era mais nova, e até hoje[tirando o fato de que hoje sou comprometida] ainda acho que "ficar" é apenas isso, "ficar" mas sem enfiar o amor nisso tudo, a "paixão da minha vida", "o amor eterno" rsrs.

Concordo com voce por que tambem conheço muita gente que com os sites de relacionamento, blogs e outros, cada semana ama alguem. Pois é, não tenho nada a ver com isso mas fico surpresa com a capacidade repentina e rápida de algumas pessoas amarem.

Fernanda Lizardo postou 18 de fevereiro de 2011 10:12

Verdade.
Conheço muita gente que adora a empolgação da paixão, aquela coisa repentina e rasteira que vai embora na mesma velocidade que surgiu. E você identifica esse tipo rapidinho, pois é a pessoa que normalmente perde o interesse quando a coisa começa a ser firmar e a encaminhar para o compromisso. Ela sempre confunde "namoro firme" com "rotina execrável" e cai fora, morrendo de medo de perder a paixão. Na verdade, a pessoa não se interessa pelo outro; o interesse dela real é na paixão, não nas pessoas.
Nunca consegui entender isso (e desisti de tentar). De qualquer forma, acho a construção de um relacionamento uma coisa tão gostosa... Adoro a intimidade, a mudança de estágio da convivência, a cumplicidade, o companheirismo. Mas, como dizem... Tem gosto para tudo, não é?
Abraço!

mvsmotta postou 18 de fevereiro de 2011 10:28

Fernanda,

Eu estava falando sobre isso outro dia. Me disseram "se não há mais fogo, se não há mais paixão, senão há mais o desejo incontrolável, então não existe mais amor".

Só que aquela coisa que acontece no início, o tal "frio na barriga", tem prazo de validade, queiramos ou não.

A convivência, a intimidade, a rotina, os problemas e as coisas boas também, como as famílias, as viagens, o afeto, o carinho, a amizade, tudo o que surge no caminho, isso tudo que é confundido com "comodismo", isso sim é que é o amor.

Quando sentimos falta de alguém, quando gostamos de contar nossas novidades para alguém, apreciamos a companhia, as conversas, enfim, quando aquela pessoa vira alguém "da nossa vida", aí sim, é que o amor se construiu.

Não dá pra viver apaixonado, naqueles estágios exagerados e urgentes do início das relações, para sempre.

E isso não é ruim, isso é apenas normal.

E quem não entende isso, vive à procura.

Um beijão!

 
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