Te quiero con limón

Postado em 17 de dez de 2010 / Por Marcus Vinicius

"Você es uma gatita, te quiero con limón, da me un bejo en xo?"

Pouca coisa é tão sexy quanto uma mulher falando espanhol. Pouca coisa é tão broxante quanto qualquer um tentando falar espanhol sem saber.

E por mais que quase todo mundo goste de debochar dos que tentam, quase todo mundo também acaba tentando um dia, basta que tenha uma oportunidade.  A CVC faz uma promoção de feriado, a brasileirada invade Buenos Aires ou qualquer outra cidade da América Hispânica e pronto, temos um rodízio de portunhol para todos os gostos.

Eu sou fascinado por idiomas - não que fale tantos ou fale bem os poucos que conheço - e sempre achei que é muito mais difícil aprender uma língua parecida com a nossa do que uma totalmente estranha.

Claro que o tempo que leva para alguém conseguir alguma fluência em mandarim é muito maior do que em espanhol ou italiano, mas as armadilhas são bem menores.

Se eu não sei como pronunciar "manteiga", "presunto" ou "queijo" em russo, eu vou perguntar a alguém como se fala. Mas se isso acontece em espanhol, fatalmente tento inventar.


É um tal de "mantiega", "quejo"(com aquela pronúncia do jota como se fosse erre, caprichadíssima, com a garganta arranhando e tudo) e "priesunto" de causar calafrios, quando o correto seria manteca, queso e jamón. É parecido, como se pode notar, pero no mucho.

Coisas simples como nomes de automóveis já causam confusão. Quer um exemplo? No Chile o famoso jipe Pajero se chama "Montero", porque pajero lá quer dizer "punheteiro". Agora, você já pensou chegar numa rent-a-car da vida e pedir em irretocável portunhol: "Quiero alugar un Pajero"?

A troca do verbo correto "alquilar" por "alugar" será o menor dos seus problemas.


Assim como "pegar", que em espanhol pode ter várias formas diferentes de se dizer. Primeiro porque a tradução literal de "pegar" é "colar", depois porque ao tentar dizer que vai pegar algo, pelo menos na América do Sul você vai pisar em terreno minado.

Isso acontece porque a tradução que um dicionário de espanhol daria é "coger". Só que os latino-americanos usam esse verbo para dizer que vão "trepar". Sendo assim, você jamais "coge" um ônibus e sim "toma". E quando vai pegar algo literalmente, diz "agarrar", o que em português é uma atividade preliminar do "coger" deles. Viu a confusão?

Pelado é careca, tarado é louco, chupar é encher a cara e zurdo é esquerdista (o que até soa apropriado em ambos os idiomas). Isso sem falar na já famosa palavra para designar micro-ônibus, que é "buseta".

Quase igual, né? Mas o que mata é esse "quase".

A verdade é que a regra que vale para música, esportes, jogos, artes e praticamente todas as atividades que não envolvam a exposição de dotes físicos, um padrinho rico e famoso ou a indicação de algum político, vale também para os idiomas: se você gosta de verdade, tente aprender primeiro.

6 Comentários:

Maria Fernanda postou 17 de dezembro de 2010 09:47

Comecei a estudar espanhol esse semestre com um professor peruano. Realmente, 90% é igual ao português, mas esses 10% causam muitos micos!
Semanas atrás até tivemos que fazer um diálogo com essas confusões, foi bem engraçado.

Embarazada - grávida
Exquisito - gostoso (no sentido de muito bonito)
Ligar - paquerar

e por aí vai!!!!
o mais engraçado foi quando surgiu a pergunta
¿estás de capa caída?

Meline postou 17 de dezembro de 2010 09:53

Eu moro em Buenos Aires faz 2 anos e juro que entrar nas lojas da rua Florida ou no shopping Galerias Pacifico é uma aula de portuñol. Gente, se falar em português devagar, sem gírias e sem usar diminutivo para tudo (brazuca tem mania de inho - ai, eu queria provar aquela camisetinha vermelhinha que tá no cantinho da vitrine), eles entendem - até porque se esforçam para entender. Certamente é melhor do que "inventar" palavras ou usar algumas que significam outra coisa completamente diferente. Usando as palavrinhas mágicas e obrigatórias permiso, perdón, por favor e gracias (com licença, desculpa, por favor e obrigado) já é suficiente pra evitar aperto nos países hermanos!

mvsmotta postou 17 de dezembro de 2010 09:57

Meline,

Eu entrei numa loja em Buenos Aires o cara, conversei um pouco e ele me disse "brasileiro, né?" e eu "sim, sim..." e ele "nossa, você é diferente, me deu bom dia, falou direito, geralmente brasileiros entram aqui, eu dou bom dia, eles não respondem e quando resolvem falar algo viram pra mim e dizem: quanto custa?".

Mas mudando o assunto, meu sonho é ser seu vizinho um dia, viu?

Maria Fernanda,

Portunhol me deixa de capa caída. Rsrsrs

Beijos

Bruno Cruz postou 17 de dezembro de 2010 10:19

Vou mandar esse texto pra um amigo meu que só fala portunhol e pensa que arrasa. Hehehe.

Isabel postou 17 de dezembro de 2010 12:53

Eu só me virei na Argentina pq tinha um tradutor particular(= você, hehehehe). E o melhor é que foi de graça!
Bjs

The Batman postou 22 de dezembro de 2010 03:37

Bom, eu sou professor de inglês e quando meus alunos resolvem usar termos que não conhecem ou, simplesmente, estão com preguiça demais para consultar o livro, eu leio cargas d'água inacreditáveis:

- Chicken to the little bird (frango à passarinho)
- "I born of new" ("eu nasci de novo")
- Our! ("nossa!", a interjeição)

Incrível, ainda, a dificuldade que os alunos têm com sinônimos e homônimos. Por exemplo, existe o "só" que é "sozinho" (alone) e o "só" que é "somente" (only) e eles fazem uma confusão desgraçada com essas palavras - tipo "I alone eat vegetables" - e se você pedir tradução de uma frase com "apenas", eles vão se embananar.

No caso do espanhol (espanhol?), existe a mania de achar que basta caprichar no sotaque mariachi e no R vibrado pra ser fluente e confiar nessa ilusória semelhança com o português - aliás, eu detesto usar palavras semelhantes às de português. Ou, pior ainda, sair por aí gritando, porque, afinal de contas, "eu sou brasileiro e tenho que falar brasileiro" (sic).

 
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