O ser humano é um mistério. Ninguém precisa de mim para chegar a esta conclusão, mas achei que ficaria legal começar um texto dizendo isso: o ser humano é um mistério.
Com certeza salpicamos nossa breve existência neste planeta com grandes e boas invenções. Seja a navegação, os aviões, o telefone, a internet - curiosamente todas invenções que tinham por objetivo levar alguém de alguma forma de um lugar a outro - nem tudo o que fizemos foi dispensável, inútil ou ridículo.
O relógio de pulso, a música clássica, o rock'n'roll, o jazz, o blues e tantos outros estilos, a pintura, as máquinas fotográficas, a medicina e até mesmo a internet, tudo isso poderá fazer com que alguma espécie futura e dotada de alguma inteligência que venha a habitar este planeta diga: até que esses caras não eram/são tão ruins.
Mas a começar pelo próprio uso que se deu à internet posteriormente (meio de difusão de pornografia barata e piadas cretinas) já fica demonstrado como nem tudo o que o homem inventou depõe a seu favor.
E o que dizer então das correntes por email? Pegue a foto de uma criança em Bangladesh, invente uma história terrível sobre traficantes de órgãos e sobre como aquela criança da foto vive há 3 anos sem os dois rins, o coração e um pulmão e meio e diga que se a pessoa que recebeu aquele email repassá-lo para mais 387 pessoas, aquela criança vai receber 10 dólares, um sundae e o seus órgãos de volta doados pelo Bill Gates.
Sério, uma invenção dessas (boatos e correntes por email), não orgulharia nem os babuínos, caso eles soubessem ler e escrever.
Outra coisa que jamais vou entender é a dinâmica de uma paquera. Pense se você hoje descobrisse que antes de você existiu uma espécie dotada de certa inteligência que tinha que fingir que não está afim do outro para mostrar que está afim.
Imagina se você descobrisse as regras sobre ligar no dia seguinte, ir no motel no primeiro encontro, decidir quem paga a conta e, mais tarde, resolver quem lava a louça e põe o lixo pra fora.
Agora imagina o que diriam dos hábitos de beleza femininos? Tirar a sobrancelha até não sobrar quase nada só pra depois pintar duas vírgulas da Nike em henna no meio da testa. Usar sapatos que machucam os pés junto com aqueles Band-Aids que deixam uma mistura de cola e poeira preta no calcanhar, ao invés de usar logo algo confortável. Comprar um vestido dois números menores e depois ficar avisando pra todo mundo de meia em meia hora que vai fazer dieta, ao invés de comprar logo um vestido com o seu número ou simplesmente começar logo a dieta sem ficar repetindo isso pra ninguém.
E nós, homens, que somos capazes de usar invenções feitas para a defesa pessoal (como armas e porretes) para, ao invés disso, atirar e bater uns nos outros com elas, tudo por causa de outra invenção que era pra ser uma diversão, como o futebol?
Sério. Olhando pra isso tudo, mesmo lembrando de Einstein, Rui Barbosa ou Cartier-Bresson, dá pra concluir que não somos lá uma espécie muito brilhante.
Senão fosse assim, como explicar buzinar freneticamente num engarrafamento, ainda que saibamos que nenhum carro à nossa frente vai sair dali voando só pra não ouvir aquele barulho? A tal espécie futura imaginária certamente pensaria "porque inventaram a buzina se não sabem usar?".
Agora, de todas as tosquices que inventamos como programas de auditório, ombreiras, pochetes, aquele alarme que berra "este carro está sendo roubado" e, claro, o despertador, li uma pessoa na internet outro dia descrevendo uma invenção que certamente escandalizaria qualquer espécie deste e de outros planetas:
Como alguém realmente pode achar que colocar uma garrafa no chão e inventar uma dança era uma boa idéia?
Sinceramente, nem a penicilina redime isso.
Vaga lembrança, mas só pro que não presta
Postado em 12 de jul. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
O nosso cérebro é o maior sacana que existe.
Creio que não precisaria explicar nunca essa afirmação, já que todo ser humano vivo e que use o seu cérebro achará um bom motivo para concordar com isso. E de todas as sacanagens que ele pode fazer, ninguém está livre de pelo menos uma ou duas.
Seja a mania de gostar da pessoa errada, seja a tendência a torcer por aquele time de futebol que sempre termina o campeonato em segundo, por não saber dizer não, por nunca dizer sim, por aquela mania de dar três pulinhos antes de ligar a luz e quatro pulinhos antes de desligar, por curtir fazer sexo amarrado e bezuntado com manteiga de amendoim, pela preferência por strippers indianas, enfim, todas as suas esquisitices têm um único culpado: ele, seu cérebro, o sacana.
Mas dentre todas (e acredite, tenho muitas), sempre me intrigou a facilidade que o meu cérebro tem em aprender quase sempre o que eu seu portador - no caso eu - não gostaria que aprendesse e a dificuldade em armazenar dados que são essenciais.
Lembra quando sua mãe te dizia "você só aprende o que não presta"? Bom, a minha dizia isso "a lot". Piadas do disco inteiro do Costinha, escalações de times de futebol, fases de um video game, a letra de Faroeste Caboclo, tudo isso entrava na minha cabeça com a maior facilidade, mesmo que eu estivesse distraído vendo desenho na TV.
Já fórmulas de física, equações de matemática e elementos da tabela periódica, nem com aula particular reforçada sete vezes por semana.
Sua senha do banco, o número do seu CPF, telefones importantes, pense no esforço e nas repetições que foram necessários para finalmente ficarem memorizados. Agora pense naquela letra de funk que você odeia, naquele axé que repete coisas como "oi-oi-oi" ou "ai-ai-ai" 300 vezes, ou mesmo na musiquinha dos pôneis malditos e me diga se não concorda que o seu cérebro é um pilantra.
Acontece o mesmo com fisionomias e outras lembranças como o nome da primeira professora, aquele lugar que você almoçou em Paris há 10 anos ou se a pintinha no seio da sua namorada de adolescência era do lado esquerdo ou direito.
Mas coisas trágicas, nojentas, asquerosas ou desnecessárias, essas ficam gravadas na mente e na sua retina como se fossem esculpidas em granito. Seja onde você estava quando as torres gêmeas caíram, aquele vídeo "2 Girls 1 Cup" (se você não sabe o que é isso tente visualizar em sorvete de cocô) ou mesmo quando vomitaram no seu pé na festa de formatura. Nada disso sai da sua cabeça, já percebeu?
Você esquece de pagar a conta do telefone (só lembra quando cortam sua internet), esquece o celular na casa da namorada (e só lembra que não apagou o histórico dos SMS quando já está em casa, na cama, antes de passar a noite acordado fazendo promessas e simpatias pra "Fada do Celular Queima-Filme Perdido"), mas garanto que você não consegue esquecer aquele bordão ridículo de um programa de humor qualquer, ainda que repetir coisas como "iça negão" constantemente esteja destruindo a sua vida social.
Tudo bem que se todo mundo pudesse decorar o acerto da Galleria degli Uffize ou absorver as conjecturas de Poincaré como quem toma um copo de Coca-Cola, o mundo só teria gênios e seria chato pra cacete, mas bem que o cérebro podia ser um pouco menos sacana.
Em todo caso, fico feliz que o meu problema seja só decorar coisas inúteis e não conseguir lembrar do que eu preciso, porque vai que pra me sacanear o meu cérebro me obrigasse a curtir transar numa piscina de macarrão, assistir "Fala que eu te escuto" ou ser o tio do "pavê ou pacomê".
Creio que não precisaria explicar nunca essa afirmação, já que todo ser humano vivo e que use o seu cérebro achará um bom motivo para concordar com isso. E de todas as sacanagens que ele pode fazer, ninguém está livre de pelo menos uma ou duas.
Seja a mania de gostar da pessoa errada, seja a tendência a torcer por aquele time de futebol que sempre termina o campeonato em segundo, por não saber dizer não, por nunca dizer sim, por aquela mania de dar três pulinhos antes de ligar a luz e quatro pulinhos antes de desligar, por curtir fazer sexo amarrado e bezuntado com manteiga de amendoim, pela preferência por strippers indianas, enfim, todas as suas esquisitices têm um único culpado: ele, seu cérebro, o sacana.
Mas dentre todas (e acredite, tenho muitas), sempre me intrigou a facilidade que o meu cérebro tem em aprender quase sempre o que eu seu portador - no caso eu - não gostaria que aprendesse e a dificuldade em armazenar dados que são essenciais.
Lembra quando sua mãe te dizia "você só aprende o que não presta"? Bom, a minha dizia isso "a lot". Piadas do disco inteiro do Costinha, escalações de times de futebol, fases de um video game, a letra de Faroeste Caboclo, tudo isso entrava na minha cabeça com a maior facilidade, mesmo que eu estivesse distraído vendo desenho na TV.
Já fórmulas de física, equações de matemática e elementos da tabela periódica, nem com aula particular reforçada sete vezes por semana.
Sua senha do banco, o número do seu CPF, telefones importantes, pense no esforço e nas repetições que foram necessários para finalmente ficarem memorizados. Agora pense naquela letra de funk que você odeia, naquele axé que repete coisas como "oi-oi-oi" ou "ai-ai-ai" 300 vezes, ou mesmo na musiquinha dos pôneis malditos e me diga se não concorda que o seu cérebro é um pilantra.
Acontece o mesmo com fisionomias e outras lembranças como o nome da primeira professora, aquele lugar que você almoçou em Paris há 10 anos ou se a pintinha no seio da sua namorada de adolescência era do lado esquerdo ou direito.
Mas coisas trágicas, nojentas, asquerosas ou desnecessárias, essas ficam gravadas na mente e na sua retina como se fossem esculpidas em granito. Seja onde você estava quando as torres gêmeas caíram, aquele vídeo "2 Girls 1 Cup" (se você não sabe o que é isso tente visualizar em sorvete de cocô) ou mesmo quando vomitaram no seu pé na festa de formatura. Nada disso sai da sua cabeça, já percebeu?
Você esquece de pagar a conta do telefone (só lembra quando cortam sua internet), esquece o celular na casa da namorada (e só lembra que não apagou o histórico dos SMS quando já está em casa, na cama, antes de passar a noite acordado fazendo promessas e simpatias pra "Fada do Celular Queima-Filme Perdido"), mas garanto que você não consegue esquecer aquele bordão ridículo de um programa de humor qualquer, ainda que repetir coisas como "iça negão" constantemente esteja destruindo a sua vida social.
Tudo bem que se todo mundo pudesse decorar o acerto da Galleria degli Uffize ou absorver as conjecturas de Poincaré como quem toma um copo de Coca-Cola, o mundo só teria gênios e seria chato pra cacete, mas bem que o cérebro podia ser um pouco menos sacana.
Em todo caso, fico feliz que o meu problema seja só decorar coisas inúteis e não conseguir lembrar do que eu preciso, porque vai que pra me sacanear o meu cérebro me obrigasse a curtir transar numa piscina de macarrão, assistir "Fala que eu te escuto" ou ser o tio do "pavê ou pacomê".
Romantismo: teoria e prática
Postado em 10 de jul. de 2012 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários
Quase todo mundo já se emocionou com alguma cena romântica. Seja numa dessas comédias água com açúcar, num filme épico de batalhas e amores sofridos, em novelas, romances, sempre aparece um gesto grandioso, uma atitude fofa, uma declaração efusiva que faz a pessoa pensar "porque não acontece comigo?" (se você nunca passou por isso convém fazer um exame de DNA para ver se não é parente da Miranda Priestly ou do Darth Vader).
E a resposta para a sua pergunta é: porque você não iria querer. Simples assim. Você não iria querer de verdade aquilo.
Afinal, pense bem: você no seu emprego, atolado entre planilhas de Excel e ligações pro fornecedor que atrasou a entrega do papel ofício e, de repente, entram no seu escritório um palhaço, um duende, um burro, um pipoqueiro, um vendedor de algodão doce e 20 mulatas do Sargentelli cantando ao som da bateria do Salgueiro "êêêê, a Luciana ama muito você!".
Numa comédia com o Adam Sandler isso termina em sorrisos, beijos e aplausos dos seus amigos do trabalho. Na vida real isso termina com você se explicando no RH, terminando o namoro por SMS e ostentando para sempre o apelido de "Mc Dia Feliz".
Você pode ter achado o maior barato um cara parando tudo durante uma perseguição de zumbis para declarar o amor pela namorada, tendo o cuidado de procurar uma rosa num canteiro para dar para ela de presente enquanto estoura um cérebro de um morto-vivo e declama Shakespeare, mas tenho certeza de que na eventualidade de um apocalipse zumbi, você iria querer mesmo é estar ao lado do Rambo e não do Romeu.
Conheci uma menina que arrumou um admirador. O cara sempre a cumprimentava no elevador até que se apresentaram, disseram onde trabalham, essas coisas. Tentando impressionar a garota, ele teve a brilhante idéia (possivelmente retirada de algum filme) de mandar flores de hora em hora com um convite para o cinema mais tarde.
Na primeira hora ela achou lindo, na segunda hora ela achou legal, na terceira hora ela pensou que ele tinha TOC porque o cartão vinha sempre com a mesma coisa escrita "cinema mais tarde?" e depois da sétima hora ela já estava ligando para a delegacia anti-sequestro, com medo de terminar em algum episódio do CSI.
O fato é que não sabemos lidar com essa coisa de romantismo dramático. Romeu e Julieta nos tempos de hoje e na vida real seriam considerados uns chatos. Imagina você no motel com a menina, querendo arrancar a calcinha dela com os dentes (ou você com seu namorado no motel, querendo que ele arranque a sua calcinha com os dentes) e tendo que parar para recitar que "rosas são vermelhas, violetas são azuis...". Não rola.
Parece que fomos programados para não exagerar na dose do romantismo. Uma dúzia de rosas, o cara é romântico. Duas dúzias de rosas, ele quer impressionar. Três dúzias, tudo bem, ele é meio esquisito. Dez dúzias, por favor, alguém me empreste uma escopeta.
Se quer te ver todo dia, é grudento. Se só quer te ver no final de semana, é distante. Se quer dormir depois do sexo, é um animal que só quer te usar. Se fica conversando horas depois do sexo, é um pentelho que não te deixa dormir depois de te comer. Se você se abre demais, curte uma discussão de relação e quer usar o outro como analista. Se não se abre é uma geladeira insensível que deixa o outro tateando no escuro.
Como podem perceber, a linha é tênue, mas ela nunca favorece alguém que manda uma trupe de palhaços para apresentar uma mensagem ao vivo no escritório do outro.
Fica a dica.
O torcedor compulsivo
Postado em 5 de jul. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário
Se existe uma coisa que eu nunca entendi bem é porque tem gente que acha que é obrigatório torcer para algum dos lados em qualquer esporte que assista. Se for pelo Brasil então, eu acho digno de entrar em livro de psicologia.
Porque é normal (em parte) pintar a rua numa Copa do Mundo, ir para a frente da TV, acordar de madrugada se o jogo for na Ásia ou matar o trabalho se for na Europa, mas o futebol é nada mais, nada menos que o esporte mais popular do mundo. Seria degeneração moral não escolher um lado pra torcer num elenco desses.
Sempre me pergunto quem em sã consciência (tirando a pessoa que pratica o mesmo esporte), acorda de madrugada para acompanhar uma partida de tênis de mesa, uma regata de remo, um torneio de totó. E por mais estranho que seja, tem gente que acha que é obrigação torcer pelo Brasil em tudo, até em disputa de par ou ímpar.
E se o patriotismo é o último refúgio do canalha, o patriotismo esportivo geralmente é o último esconderijo do cretino.
Mas deixando isso de lado, tem um cretino torcedor ainda pior: aquele que torce por qualquer coisa em qualquer competição. Esse sujeito vai torcer por alguma escola de samba em cada cidade do Brasil, por um dos dois bois de Parintins, por banda de colégio em concurso de fanfarra, por candidata a miss, faz fã-clube de Big Brother, enfia spam de candidato em ano de eleição e, lógico, possui um time em cada esporte de cada canto do mundo.
E antes que alguém pense que isso é fruto da minha imaginação, conheço alguns assim.
Outro dia abri meu Facebook e estava lá uma mensagem dele: "Chupa New York Yankees!". Tudo bem que, sei lá onde houver um rival dos Yankees isso seja compreensível, mas num Facebook cheio de amigos brasileiros que confundem basebol com queimada seria mesmo necessário?
Gente assim não consegue simplesmente gostar de algo, precisa torcer.
A cerveja predileta é a melhor, quem não bebe é trouxa. A comida predileta é a número um do mundo, quem não gosta é pela saco. O video-game que ele joga é simplesmente o mais foda de todos, quem joga outro é um loser. No final tudo vira uma decisão. "Mc Donald's ou Burger King?", "Fla ou Flu?", "Dallas Cowboys ou New England Patriots?".
Desconfio que esses caras torcem por alguém até no Campeonato Turco de Luta no Óleo (acredite, isso existe).
Esse pessoal tem uma paixão especial pela Fórmula 1, já que o "papa" dos torcedores de tudo narra suas corridas. Já perceberam como o Galvão Bueno entende de tudo? Ele sabe a hora de frear o carro, como se parece o mundo do alto de uma enterrada na cesta, com quantos dedos se faz um bloqueio, quantas braçadas são necessárias para o recorde dos 50 metros.
Mas o Galvão pelo menos ganha (bem) para ser chato. O torcedor compulsivo faz isso tudo de graça, ainda que você provavelmente até pagasse pra se ver livre dele, se pudesse.
Desconfio que todos eles foram vuvuzelas em outra encarnação.
Porque é normal (em parte) pintar a rua numa Copa do Mundo, ir para a frente da TV, acordar de madrugada se o jogo for na Ásia ou matar o trabalho se for na Europa, mas o futebol é nada mais, nada menos que o esporte mais popular do mundo. Seria degeneração moral não escolher um lado pra torcer num elenco desses.
Sempre me pergunto quem em sã consciência (tirando a pessoa que pratica o mesmo esporte), acorda de madrugada para acompanhar uma partida de tênis de mesa, uma regata de remo, um torneio de totó. E por mais estranho que seja, tem gente que acha que é obrigação torcer pelo Brasil em tudo, até em disputa de par ou ímpar.
E se o patriotismo é o último refúgio do canalha, o patriotismo esportivo geralmente é o último esconderijo do cretino.
Mas deixando isso de lado, tem um cretino torcedor ainda pior: aquele que torce por qualquer coisa em qualquer competição. Esse sujeito vai torcer por alguma escola de samba em cada cidade do Brasil, por um dos dois bois de Parintins, por banda de colégio em concurso de fanfarra, por candidata a miss, faz fã-clube de Big Brother, enfia spam de candidato em ano de eleição e, lógico, possui um time em cada esporte de cada canto do mundo.
E antes que alguém pense que isso é fruto da minha imaginação, conheço alguns assim.
Outro dia abri meu Facebook e estava lá uma mensagem dele: "Chupa New York Yankees!". Tudo bem que, sei lá onde houver um rival dos Yankees isso seja compreensível, mas num Facebook cheio de amigos brasileiros que confundem basebol com queimada seria mesmo necessário?
Gente assim não consegue simplesmente gostar de algo, precisa torcer.
A cerveja predileta é a melhor, quem não bebe é trouxa. A comida predileta é a número um do mundo, quem não gosta é pela saco. O video-game que ele joga é simplesmente o mais foda de todos, quem joga outro é um loser. No final tudo vira uma decisão. "Mc Donald's ou Burger King?", "Fla ou Flu?", "Dallas Cowboys ou New England Patriots?".
Desconfio que esses caras torcem por alguém até no Campeonato Turco de Luta no Óleo (acredite, isso existe).
Esse pessoal tem uma paixão especial pela Fórmula 1, já que o "papa" dos torcedores de tudo narra suas corridas. Já perceberam como o Galvão Bueno entende de tudo? Ele sabe a hora de frear o carro, como se parece o mundo do alto de uma enterrada na cesta, com quantos dedos se faz um bloqueio, quantas braçadas são necessárias para o recorde dos 50 metros.
Mas o Galvão pelo menos ganha (bem) para ser chato. O torcedor compulsivo faz isso tudo de graça, ainda que você provavelmente até pagasse pra se ver livre dele, se pudesse.
Desconfio que todos eles foram vuvuzelas em outra encarnação.
Para todas as outras coisas, existe Hitler Card
Postado em 3 de jul. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário
Sacar Adolf Hitler como se fosse um coelho da cartola para tentar vencer uma discussão é conhecido por aí como "Reductio ad Hitlerum", merecendo até um verbete na Wikipédia.
Não é nem algo muito raro, pelo contrário, basta algum debate sobre cotas raciais, liberação da maconha, Fla x Flu ou mesmo a melhor marca de camisinha disponível no mercado que logo aparece um esperto dizendo:
- Você só acha isso porque é nazista.
A partir daí são esquecidos os prós e contras, os testes do Inmetro que comprovam que a Olla é tão boa quanto a Jontex e tudo se resume a alguém repetindo que não é nazista enquanto a outra pessoa continua martelando sem parar "aposto que você até já leu Mein Kampf".
E como todo hábito chato, todas as pessoas terminam repetindo e passando adiante, portanto se você ainda não se deparou com isso, não se desespere, não demora muito e alguém vai te chamar de Goebbels ou Adolf.
Já imaginei situações como alguém tentando renegociar uma dívida do cartão de crédito e dizendo pra atendente do outro lado da linha:
- Vocês só me cobram 25% de taxa no rotativo porque são uns nazistas, aposto que ao invés de apostilas de telemarketing vocês lêem Mein Kampf aí...
- Mein o que?
- A bíblia nazista...
- Tá bom, 1,5% de juros e você não me chama mais de nazista, tudo bem?
Se você chega numa garota na boate e ela te dá um fora, solte logo: "nazi!", não importa nem se ela é filha de judia com ciganos. Se você não consegue um aumento de salário, diga para o seu chefe "agora só falta me mandarem para uma câmara de gás" ou se você levar uma multa no trânsito, escreva no recurso "se pelo menos aquele guarda não fosse fã de Göring...".
Com flanelinhas não adianta muito apelar pra isso, senão periga você terminar com um sujeito te perguntando "Hitru? Que isso?".
Um bom uso disso é na aplicação de regras para seus filhos, basta dizer algo como "Sabia que Hitler também não comia o espinafre?" na mesa do jantar. E também no seu escritório, colando uma placa no banheiro com os dizeres: "nos campos de concentração eles também eram obrigados a desentupir vasos depois que jogavam absorventes ali".
Você pode se aproveitar disso até para se ver livre de tarefas chatas, como por exemplo em "sou contra planilhas de Excel porque me lembram da Lista de Schindler";
O recurso funciona tão bem que tem até uma tirinha do Dilbert onde um personagem diz que vence qualquer debate na internet apenas perguntando "como você se sentiria se Hitler tivesse matado você?", o que, se pensarmos bem, é realmente um ippon argumentativo, um desses golpes perfeitos onde um judoca desmonta o outro (ou não):
- Se for a vista eu tenho desconto?
- Não, meu chapa, esse preço aí já está tão baixo que eu praticamente não vou ganhar nada.
- Você só diz isso porque Hitler não te matou.
- Tudo bem, te dou desconto , mas só se você aceitar troco em Stalins.
Não é nem algo muito raro, pelo contrário, basta algum debate sobre cotas raciais, liberação da maconha, Fla x Flu ou mesmo a melhor marca de camisinha disponível no mercado que logo aparece um esperto dizendo:
- Você só acha isso porque é nazista.
A partir daí são esquecidos os prós e contras, os testes do Inmetro que comprovam que a Olla é tão boa quanto a Jontex e tudo se resume a alguém repetindo que não é nazista enquanto a outra pessoa continua martelando sem parar "aposto que você até já leu Mein Kampf".
E como todo hábito chato, todas as pessoas terminam repetindo e passando adiante, portanto se você ainda não se deparou com isso, não se desespere, não demora muito e alguém vai te chamar de Goebbels ou Adolf.
Já imaginei situações como alguém tentando renegociar uma dívida do cartão de crédito e dizendo pra atendente do outro lado da linha:
- Vocês só me cobram 25% de taxa no rotativo porque são uns nazistas, aposto que ao invés de apostilas de telemarketing vocês lêem Mein Kampf aí...
- Mein o que?
- A bíblia nazista...
- Tá bom, 1,5% de juros e você não me chama mais de nazista, tudo bem?
Se você chega numa garota na boate e ela te dá um fora, solte logo: "nazi!", não importa nem se ela é filha de judia com ciganos. Se você não consegue um aumento de salário, diga para o seu chefe "agora só falta me mandarem para uma câmara de gás" ou se você levar uma multa no trânsito, escreva no recurso "se pelo menos aquele guarda não fosse fã de Göring...".
Com flanelinhas não adianta muito apelar pra isso, senão periga você terminar com um sujeito te perguntando "Hitru? Que isso?".
Um bom uso disso é na aplicação de regras para seus filhos, basta dizer algo como "Sabia que Hitler também não comia o espinafre?" na mesa do jantar. E também no seu escritório, colando uma placa no banheiro com os dizeres: "nos campos de concentração eles também eram obrigados a desentupir vasos depois que jogavam absorventes ali".
Você pode se aproveitar disso até para se ver livre de tarefas chatas, como por exemplo em "sou contra planilhas de Excel porque me lembram da Lista de Schindler";
O recurso funciona tão bem que tem até uma tirinha do Dilbert onde um personagem diz que vence qualquer debate na internet apenas perguntando "como você se sentiria se Hitler tivesse matado você?", o que, se pensarmos bem, é realmente um ippon argumentativo, um desses golpes perfeitos onde um judoca desmonta o outro (ou não):
- Se for a vista eu tenho desconto?
- Não, meu chapa, esse preço aí já está tão baixo que eu praticamente não vou ganhar nada.
- Você só diz isso porque Hitler não te matou.
- Tudo bem, te dou desconto , mas só se você aceitar troco em Stalins.
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