Quase todo mundo que já esteve solteiro um dia sabe que a noite é uma guerra. Alguns até admitem isso sem nenhum problema, dizendo que "vão para a guerra" ao invés de ir para o bar, a boate, a festa, a micareta, o show, a apresentação de sereias pompoaristas e mais o que você puder imaginar.
Toda saída noturna merece aquela preparação. Banho, barba feita, perfume com cheiro de loção pós-barba até dentro da cueca e as palestras motivacionais entre amigos:
- Vamos lá! Vamos pegar geral! Nada de bichisse, de namorinho, de vem cá, meu bem, hoje é dia de escrachar, de liberar o Zé Mayer que existe dentro de cada um de nós, hoje não tem zero a zero, a gente já vai chegar pegando e dando aquele abraço de urso, quero ver quem vai ser bichinha de não pegar ninguém, u-hu! Bora!
Só que essa empolgação começa a passar já no elevador:
- Você vai com essa camisa rosa mesmo?
- O que é que tem?
- Parece que seu tio-avô usa uma igual pra ir na casa de chá.
- Porra, você só fala isso agora? E você, com essa camisa de banda?
- É o Iron Maiden, valeu?
- Mas você tá careca de saber que ninguém pega ninguém usando camisa de banda.
- Porra, vamos voltar pra trocar de roupa?
- Agora não dá, o desconto só vale até meia noite.
E assim vocês entram no carro (quando alguém tem um) e vão para a "guerra".
Chegando lá, vestidos minúsculos e brutamontes gigantescos estão espalhados por todos os lados. Vocês entram na fila e faltando 5 minutos para meia noite e depois de 384 VIPs entrarem na sua frente, finalmente estão no local do crime, no cenário da luxúria, no campo de batalha, na grande área (acabaram minhas metáforas), encostados na parede.
Você passa duas horas olhando para uma loira, seu amigo para uma morena e o primo dele para uma ruiva:
- Sou mais aquela loira.
- E eu a morena.
- Que isso, bonita mesmo é a ruiva.
- Bom que a gente não briga, cada um pega uma.
Todos riem:
- HAHAHAHAHAHAHA!
Mas quem vai chegar primeiro? Vocês conversam, debatem, fazem votações e decidem que é você que vai chegar primeiro na loira usando a infalível cantada da "sua roupa ficaria linda amassada no chão do meu quarto amanhã de manhã", mas quando finalmente toma coragem, percebe que a loira já está entre duas colunas da parede, beijando um careca musculoso e um sujeito vestido de palhaço ao mesmo tempo.
Conforme seus planos vão sendo destruídos um a um (a morena disse que cobra R$300,00 sem beijo na boca e a ruiva está acompanhada da esposa) e depois de quase todas as outras mulheres presentes já terem usado as mais variadas desculpas para não ficarem com vocês como "só vim pra dançar" ou "meu namorado lutador de vale-tudo vai chegar daqui a pouco", chega a hora do desespero:
- Cadê as bêbadas?
- Eu fico com as tarja preta!
- Tirem o olho das gordinhas!
Algumas horas depois, quando as bêbadas já desmaiaram, as gordinhas foram embora lanchar e seu amigo voltou com um grampo de cabelo enterrado na orelha depois que usou a cantada "bonito vestido, posso te ver fora dele?" com a tarja preta, chega a hora da mentira.
Um de vocês (pode ser até você) dá uma sumidinha e volta:
- E aí? Ainda estão no zero a zero?
- Foda isso aqui, só tem playboy e mulher metida, era melhor a gente ter ido pra algum forró...
- Losers...acabei de pegar a maior gatinha na saída do banheiro.
- Do banheiro?
- É. Fui no bar, depois fui dar uma mijada e quando estava saindo do banheiro a maior gata de mini saia chegou perto de mim e perguntou se eu queria uma dose de Absolut. Eu disse que queria e ela abriu a garrafa, disse "então vem pegar" e fez uma piscininha de vodka na boca...
- Porra, piscininha de vodka?
- Porra, Absolut?
- E cadê ela?
- Foi embora. Antes de me dar um beijo de vodka e transar comigo encostada num bebedouro ela disse que estava viajando pra França amanhã, acho que nunca mais vou ver outra vez.
- Aham...
Quando você for se pintar no metrô, fique sabendo: estamos de olho
Postado em 28 de ago. de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Se transporte coletivo fosse bom, provavelmente eu não poderia pagar para andar nele. A verdade é que, pra mim, qualquer coisa maior do que uma SUV já cabe gente demais. Sejam ônibus, vans, bondes, trens ou metrô, bom mesmo seria poder andar por aí com uma daquelas mochilas a jato, apenas na minha própria companhia.
Nada de gente falando aos berros no Nextel, nada de celular com música alta (não interessa qual música, até Mozart fica escroto se tocado distorcido e aos berros numa caixinha de som minúscula), nada de gente me encostando (quem não liga pra isso, então pare de reclamar daquele amigo que só fala cutucando).
Mas como nem tudo só tem lados ruins (menos, é claro, discos antigos do Menudo), existem certas coisas que só o transporte coletivo proporciona como, por exemplo, a coreografia de alguma moça se maquiando logo de manhã.
A primeira curiosidade todo mundo já sabe: o tamanho da bolsa e o que é capaz de sair ali de dentro. Juro que sempre acho que algum dia alguma garota vai tirar um espelho e uma cadeira de salão, um cabeleireiro, uma manicure e um daqueles secadores de cabelo gigantes no meio de algum vagão da Linha 1.
Porque é pincel pra cá, escova pra lá, sombras, bases, pó disso, pó daquilo, cremes, batons, protetor solar, gelzinho de álcool pra limpar a mão.
E o vagão lotado, e as freadas bruscas, e o entra e sai de gente, e elas ali, fazendo movimentos certeiros, agradáveis até, próprios de quem desde muito cedo brinca de se pintar.
A correria da vida moderna as obriga a isso, claro. Certamente todas prefeririam um camarim com lâmpadas em torno do espelho e uma poltrona de veludo, mas já que o que tem pra hoje é se maquiar no metrô, elas dão o seu jeito com um ritual agradável e perturbador, porque me sinto invadindo o banheiro de alguém se fico olhando por muito tempo.
Agora procure imaginar se um homem tentasse o mesmo. Sim, porque fora os metrossexuais, o ritual de "cuidar de si" de um homem é basicamente fazer a barba, cortar as unhas e limpar as orelhas. Já pensou você sentado num vagão de trem e um sujeito cortando as unhas do pé ou raspando os pêlos do pescoço do seu lado?
Pior: imagine um cotonete usado.
Não rola.
Meninas não. Elas se perfumam, cuidam dos cílios, enfeitam os lábios, o que no final nem faz muita diferença, porque mulher quando resolve ser bonita continua bonita com ou sem pintura, mas que é um espetáculo, isso é
Desconfio que algumas façam até de propósito, só pra olhar de rabo de olho e ver um monte de marmanjos com cara de babaca:
- Uau, um batom.
- Nossa, um curvex.
Acho que no dia que eu puder andar por aí em segurança numa mochila a jato vou até sentir saudade dessa parte do transporte público.
Mas só dessa.
Nada de gente falando aos berros no Nextel, nada de celular com música alta (não interessa qual música, até Mozart fica escroto se tocado distorcido e aos berros numa caixinha de som minúscula), nada de gente me encostando (quem não liga pra isso, então pare de reclamar daquele amigo que só fala cutucando).
Mas como nem tudo só tem lados ruins (menos, é claro, discos antigos do Menudo), existem certas coisas que só o transporte coletivo proporciona como, por exemplo, a coreografia de alguma moça se maquiando logo de manhã.
A primeira curiosidade todo mundo já sabe: o tamanho da bolsa e o que é capaz de sair ali de dentro. Juro que sempre acho que algum dia alguma garota vai tirar um espelho e uma cadeira de salão, um cabeleireiro, uma manicure e um daqueles secadores de cabelo gigantes no meio de algum vagão da Linha 1.
Porque é pincel pra cá, escova pra lá, sombras, bases, pó disso, pó daquilo, cremes, batons, protetor solar, gelzinho de álcool pra limpar a mão.
E o vagão lotado, e as freadas bruscas, e o entra e sai de gente, e elas ali, fazendo movimentos certeiros, agradáveis até, próprios de quem desde muito cedo brinca de se pintar.
A correria da vida moderna as obriga a isso, claro. Certamente todas prefeririam um camarim com lâmpadas em torno do espelho e uma poltrona de veludo, mas já que o que tem pra hoje é se maquiar no metrô, elas dão o seu jeito com um ritual agradável e perturbador, porque me sinto invadindo o banheiro de alguém se fico olhando por muito tempo.
Agora procure imaginar se um homem tentasse o mesmo. Sim, porque fora os metrossexuais, o ritual de "cuidar de si" de um homem é basicamente fazer a barba, cortar as unhas e limpar as orelhas. Já pensou você sentado num vagão de trem e um sujeito cortando as unhas do pé ou raspando os pêlos do pescoço do seu lado?
Pior: imagine um cotonete usado.
Não rola.
Meninas não. Elas se perfumam, cuidam dos cílios, enfeitam os lábios, o que no final nem faz muita diferença, porque mulher quando resolve ser bonita continua bonita com ou sem pintura, mas que é um espetáculo, isso é
Desconfio que algumas façam até de propósito, só pra olhar de rabo de olho e ver um monte de marmanjos com cara de babaca:
- Uau, um batom.
- Nossa, um curvex.
Acho que no dia que eu puder andar por aí em segurança numa mochila a jato vou até sentir saudade dessa parte do transporte público.
Mas só dessa.
Walter foi ao Mercado
Postado em 23 de ago. de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários
Uma das primeiras coisas que descobri sobre mim é que sou de capricórnio. Quando era criança nem achava isso tão legal, pensava que aquário, peixes ou leão era bem mais divertido (nenhuma razão esotérica, só por causa do nome dos signos mesmo).
Mas o tempo passou e acabei interiorizando todas aquelas características que falam sobre os capricornianos, como ser prudente, não demonstrar muito os sentimentos, ser meio pessimista, entre outras coisas.
Agora, se formos pensar bem, é meio pretensioso achar que alguns astros e estrelas se movimentam no universo só para determinar se a gente vai ser mau humorado, dançarino de conga ou piloto de Fórmula 1.
E ainda que fosse, com certeza os astros que decidiram que o Schumacher seria piloto não foram os mesmos que fizeram essa escolha pelo Rubinho (que é até bom piloto, mas esqueceu de ser um pouco mais rápido).
Só que tem gente que leva tudo isso muito a sério, a ponto de nem sair de casa para ir no mercado da esquina sem ler o horóscopo.
Nada contra, tem gente que também acredita na previsão do tempo (e os resultados são mais ou menos parecidos), mas ainda assim eu acho que essas seções de astrologia dos jornais e revistas poderiam ser um pouco mais diretas.
Por exemplo, como alguém vai poder se guiar através de coisas como "tenha uma atitude mais aberta, mas evite confiar em qualquer um. Desligue-se do passado, mas não se afaste dos velhos amigos. Cor: Magenta"? E ainda por cima tudo dito numa linguagem meio Mestre dos Magos ou Yoda.
- Sair de casa você não deve, mas ficar em casa bom também não é.
Além do mais, milhões de pessoas nascem por dia, todas essas pessoas terão o mesmo signo e se juntarão aos outros milhões que nasceram na mesma data em anos anteriores, sendo assim, como é que a mesma previsão vai atender a cada um deles? Imagina se todo mundo resolvesse ler o mesmo astrólogo e uma multidão de pessoas vestidas de magenta, turquesa ou rosa choque corresse às ruas diariamente?
Tudo bem que ficaria difícil fazer uma previsão diária individualizada para cada um que nasceu naquele dia, afinal os computadores da Nasa e da Amway (o segundo computador mais potente do mundo depois do da Nasa) já estão ocupados bisbilhotando marcianos ou organizando reuniões vespertinas para venda de inutilidades domésticas, mas essas previsões poderiam pelo menos ser mais diretas.
Seria algo como: "se você chegar atrasado no trabalho hoje vai dar merda. Cor: Marrom". Mas ficaria ainda melhor abrir um jornal e ler "jogue hoje na Mega Sena, ou na Loteria, ou no bicho, enfim, jogue hoje ou ficará na merda pra sempre. Cor: Verde Benjamin Franklin".
Alguns até tentam ser mais diretos, só que o medo de errar cria aquelas previsões de final de ano que quase todo mundo já viu no Fantástico:
- O time campeão brasileiro do ano que vem vai ser algum que tenha o uniforme preto ou branco, mas também existe chance de ser algum com azul, verde ou vermelho.
Uma dúvida que eu também tenho é a seguinte: se o meu horóscopo não estiver muito legal, dá pra trocar? Ligar para algum SAC, sei lá. Lembro até do Walter Mercado na TV dizendo "Ligue Djá! Ligue Djáááá!"
Você ligaria e diria:
- Alô, será que posso me juntar aos geminianos só por hoje? É que tô afim de ir na praia e o meu horóscopo está dizendo que o meu elemento é fogo e tenho medo de água-viva...
Mas o tempo passou e acabei interiorizando todas aquelas características que falam sobre os capricornianos, como ser prudente, não demonstrar muito os sentimentos, ser meio pessimista, entre outras coisas.
Agora, se formos pensar bem, é meio pretensioso achar que alguns astros e estrelas se movimentam no universo só para determinar se a gente vai ser mau humorado, dançarino de conga ou piloto de Fórmula 1.
E ainda que fosse, com certeza os astros que decidiram que o Schumacher seria piloto não foram os mesmos que fizeram essa escolha pelo Rubinho (que é até bom piloto, mas esqueceu de ser um pouco mais rápido).
Só que tem gente que leva tudo isso muito a sério, a ponto de nem sair de casa para ir no mercado da esquina sem ler o horóscopo.
Nada contra, tem gente que também acredita na previsão do tempo (e os resultados são mais ou menos parecidos), mas ainda assim eu acho que essas seções de astrologia dos jornais e revistas poderiam ser um pouco mais diretas.
Por exemplo, como alguém vai poder se guiar através de coisas como "tenha uma atitude mais aberta, mas evite confiar em qualquer um. Desligue-se do passado, mas não se afaste dos velhos amigos. Cor: Magenta"? E ainda por cima tudo dito numa linguagem meio Mestre dos Magos ou Yoda.
- Sair de casa você não deve, mas ficar em casa bom também não é.
Além do mais, milhões de pessoas nascem por dia, todas essas pessoas terão o mesmo signo e se juntarão aos outros milhões que nasceram na mesma data em anos anteriores, sendo assim, como é que a mesma previsão vai atender a cada um deles? Imagina se todo mundo resolvesse ler o mesmo astrólogo e uma multidão de pessoas vestidas de magenta, turquesa ou rosa choque corresse às ruas diariamente?
Tudo bem que ficaria difícil fazer uma previsão diária individualizada para cada um que nasceu naquele dia, afinal os computadores da Nasa e da Amway (o segundo computador mais potente do mundo depois do da Nasa) já estão ocupados bisbilhotando marcianos ou organizando reuniões vespertinas para venda de inutilidades domésticas, mas essas previsões poderiam pelo menos ser mais diretas.
Seria algo como: "se você chegar atrasado no trabalho hoje vai dar merda. Cor: Marrom". Mas ficaria ainda melhor abrir um jornal e ler "jogue hoje na Mega Sena, ou na Loteria, ou no bicho, enfim, jogue hoje ou ficará na merda pra sempre. Cor: Verde Benjamin Franklin".
Alguns até tentam ser mais diretos, só que o medo de errar cria aquelas previsões de final de ano que quase todo mundo já viu no Fantástico:
- O time campeão brasileiro do ano que vem vai ser algum que tenha o uniforme preto ou branco, mas também existe chance de ser algum com azul, verde ou vermelho.
Uma dúvida que eu também tenho é a seguinte: se o meu horóscopo não estiver muito legal, dá pra trocar? Ligar para algum SAC, sei lá. Lembro até do Walter Mercado na TV dizendo "Ligue Djá! Ligue Djáááá!"
Você ligaria e diria:
- Alô, será que posso me juntar aos geminianos só por hoje? É que tô afim de ir na praia e o meu horóscopo está dizendo que o meu elemento é fogo e tenho medo de água-viva...
Porque não é legal namorar com você mesmo
Postado em 21 de ago. de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário
Não existe nada melhor do que detestar alguma coisa junto de alguém.
Acredito muito nessa teoria, afinal, é muito mais divertido se relacionar com alguém que detesta as mesmas coisas que você do que de quem gosta das mesmas coisas que você. Gente que se junta para falar mal de alguma coisa é uma conversa. Gente que se junta para falar bem, é um fã-clube.
Mas como tudo na vida, isso funciona até certo ponto. Gente que pensa e age como nós é legal, pero no mucho. Sempre que penso nisso lembro de um episódio do Seinfeld em que ele conhece uma mulher que era sua xerox.
Fazia as mesmas piadas, gostava dos mesmos lugares e até era viciada em cereal. Só que depois do encantamento de primeira hora ele acabou enchendo o saco e se justificou dizendo que era como namorar a si mesmo. É aí que o "pero no mucho" aí de cima começa a valer.
Essa história de "amar a si mesmo" é muito legal e vende livros de auto-ajuda que é uma beleza, mas quando você começa a amar literalmente você mesmo, ou seja, a só gostar pessoas totalmente iguais a você, isso pode ser um problema.
E não estou falando de auto-abuso-sexual, masturbação na frente do espelho ou algo parecido, mas de você terminar descobrindo que sua companhia não é tão legal assim...pra você mesmo.
Não é porque alguém é irônico, sarcástico, cheio de tiradas ácidas que vai gostar necessariamente de alguém assim. Rola competição e você terminaria sem um alvo para as suas ironias, sarcasmos e tiradas, já que o casal vai carecer de uma "vítima".
Alguém mau humorado, que reclama do trânsito, do tempo,das horas, do barulho, dos outros, geralmente não é chegado em gente mau humorada. Normalmente um cara assim também não vai gostar de bem humorados hard (aquela vibe de vendedor da Chilli Beans o repele), mas nem por isso vai curtir rabugentos que nem ele.
Nosso mau humor é nosso, não tem como se ver livre dele sem toneladas de Prozac, mas o dos outros é fácil se livrar: basta um pé na bunda.
E tive certeza disso quando conheci uma menina bonitinha (bonitinha mesmo, mas só bonitinha) que era assim, igual a mim , irônica, sempre com algo sarcástico para falar sobre tudo (até sobre mim) e no final das contas achei ela um porre.
A experiência foi como trancar o Silvio Santos e o Galvão Bueno num almoxarifado, ou pior, era como ser trancado com os dois ali. Ela tinha opinião sobre tudo (igual a mim), sempre um fora bem dado para qualquer pergunta cretina (igual a mim) e acabou me mostrando como todas as minhas namoradas eram umas santas por aturarem alguém como eu.
Outra coisa curiosa é que quase todo mundo acha que deve ser o maior barato namorar uma garota igual a um amigo seu. Confesso que também já fui atraído pela idéia. Imagina só: assistir futebol, jogar vídeo games, fazer concurso de quem fala a palavra mais longa arrotando, gostar de carros, ver seriados comendo Doritos e o melhor, que é o fato de ainda por cima ela ter peitos.
Tudo funciona muito bem, com vocês dois transando que nem coelhos e fazendo trocadilhos babacas e piadas escatológicas juntos, até que um dia vocês estão tomando café da manha e ela diz algo como:
- A sua ROSQUINHA, você gosta com LEITE?
Nesse ponto você descobre que está namorando alguém muito parecido com seu melhor amigo da época do colégio e, pior, que o seu amigo criou peitos. Sim, é bizarro.
A verdade então é que para dar certo é necessária aquela dose de antagonismo que leve o outro a te dar um toque na boa de que está escrotérrima a sua fantasia de cosplay do Pac Man, e que não vai ser legal passear com ela no shopping, ou que adicionar molho chilli no sexo só é uma boa idéia num filme do Tarantino, jamais na...no...bem, no dos outros.
É por isso que amigos são amigos e namoradas são namoradas. A menos, é claro, que algum amigo seu de repente te convide para fazer uma sauna ouvindo Lady Gaga, mas aí já é outra história.
No fim das contas, eu que sempre achei que queria alguém que nem eu, acabei descobrindo que gosto mesmo é de alguém que não eu.
Acredito muito nessa teoria, afinal, é muito mais divertido se relacionar com alguém que detesta as mesmas coisas que você do que de quem gosta das mesmas coisas que você. Gente que se junta para falar mal de alguma coisa é uma conversa. Gente que se junta para falar bem, é um fã-clube.
Mas como tudo na vida, isso funciona até certo ponto. Gente que pensa e age como nós é legal, pero no mucho. Sempre que penso nisso lembro de um episódio do Seinfeld em que ele conhece uma mulher que era sua xerox.
Fazia as mesmas piadas, gostava dos mesmos lugares e até era viciada em cereal. Só que depois do encantamento de primeira hora ele acabou enchendo o saco e se justificou dizendo que era como namorar a si mesmo. É aí que o "pero no mucho" aí de cima começa a valer.
Essa história de "amar a si mesmo" é muito legal e vende livros de auto-ajuda que é uma beleza, mas quando você começa a amar literalmente você mesmo, ou seja, a só gostar pessoas totalmente iguais a você, isso pode ser um problema.
E não estou falando de auto-abuso-sexual, masturbação na frente do espelho ou algo parecido, mas de você terminar descobrindo que sua companhia não é tão legal assim...pra você mesmo.
Não é porque alguém é irônico, sarcástico, cheio de tiradas ácidas que vai gostar necessariamente de alguém assim. Rola competição e você terminaria sem um alvo para as suas ironias, sarcasmos e tiradas, já que o casal vai carecer de uma "vítima".
Alguém mau humorado, que reclama do trânsito, do tempo,das horas, do barulho, dos outros, geralmente não é chegado em gente mau humorada. Normalmente um cara assim também não vai gostar de bem humorados hard (aquela vibe de vendedor da Chilli Beans o repele), mas nem por isso vai curtir rabugentos que nem ele.
Nosso mau humor é nosso, não tem como se ver livre dele sem toneladas de Prozac, mas o dos outros é fácil se livrar: basta um pé na bunda.
E tive certeza disso quando conheci uma menina bonitinha (bonitinha mesmo, mas só bonitinha) que era assim, igual a mim , irônica, sempre com algo sarcástico para falar sobre tudo (até sobre mim) e no final das contas achei ela um porre.
A experiência foi como trancar o Silvio Santos e o Galvão Bueno num almoxarifado, ou pior, era como ser trancado com os dois ali. Ela tinha opinião sobre tudo (igual a mim), sempre um fora bem dado para qualquer pergunta cretina (igual a mim) e acabou me mostrando como todas as minhas namoradas eram umas santas por aturarem alguém como eu.
Outra coisa curiosa é que quase todo mundo acha que deve ser o maior barato namorar uma garota igual a um amigo seu. Confesso que também já fui atraído pela idéia. Imagina só: assistir futebol, jogar vídeo games, fazer concurso de quem fala a palavra mais longa arrotando, gostar de carros, ver seriados comendo Doritos e o melhor, que é o fato de ainda por cima ela ter peitos.
Tudo funciona muito bem, com vocês dois transando que nem coelhos e fazendo trocadilhos babacas e piadas escatológicas juntos, até que um dia vocês estão tomando café da manha e ela diz algo como:
- A sua ROSQUINHA, você gosta com LEITE?
Nesse ponto você descobre que está namorando alguém muito parecido com seu melhor amigo da época do colégio e, pior, que o seu amigo criou peitos. Sim, é bizarro.
A verdade então é que para dar certo é necessária aquela dose de antagonismo que leve o outro a te dar um toque na boa de que está escrotérrima a sua fantasia de cosplay do Pac Man, e que não vai ser legal passear com ela no shopping, ou que adicionar molho chilli no sexo só é uma boa idéia num filme do Tarantino, jamais na...no...bem, no dos outros.
É por isso que amigos são amigos e namoradas são namoradas. A menos, é claro, que algum amigo seu de repente te convide para fazer uma sauna ouvindo Lady Gaga, mas aí já é outra história.
No fim das contas, eu que sempre achei que queria alguém que nem eu, acabei descobrindo que gosto mesmo é de alguém que não eu.
3 anos
Postado em 19 de ago. de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário
Neste dia 19 de Agosto o blog fez 3 anos. Sei que é clichezão dizer isso, mas parece que foi ontem (e parece mesmo).
Já foi diário (nem sei como arrumava tanto assunto), passou a ser três vezes por semana e de um tempo pra cá ficou duas vezes por semana, periodicidade que garante uma produção legal e a minha sanidade mental também.
Nesses três anos já fiz parcerias, já mudei um pouco a temática, conheci grandes amigos, tive a honra de ser chamado de escritor por quem me lê e apareci até em dois livros de coletâneas ("Eu Amo Escrever", das lojas Cantão e Livros Ilimitados e "O Tempo de Cada Um", da Multifoco) e provavelmente esse ano ainda sairá um só meu, coisas que, com certeza, não aconteceriam se não fosse esse blog.
Por isso agradeço a todos que lêem, comentam e me dão força aqui, no Twitter e no Facebook a cada texto escrito e divulgado e espero que possa comemorar muitos aniversários ainda, afinal, não sou só eu que fico mais velho, o blog também merece ficar (ambos, porém, bem enxutos). ;)
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