A fábula da meia-entrada

Postado em 19 de jan de 2010 / Por Marcus Vinicius

Outro dia estava com uma amiga que cursa mestrado em Antropologia (cada louco com a sua mania) e ela tentava comprar um desses ingressos caríssimos de uma festa rave. Como ela tem direito a meia-entrada, apresentou a carteira do curso e pediu o desconto de 50%.

A mocinha que vendia os ingressos nos atendeu com um sorriso dizendo "o ingresso custa 150 reais". Minha amiga então entregou 75 reais para a dita-cuja que replicou "não, é 150 já a meia".

Aí minha amiga estranhou, pois no flyer da festa dizia que o ingresso custava 150, dito isso, a moça explicou "é que fizemos uma promoção especial e como os ingressos custariam 300, resolvemos extender a meia-entrada para todos e aí ficou em 150, está aqui o regulamento" e mostrou o tal papel que dizia exatamente o que ela acabara de explicar.

Legal, né? Não. Tenho percebido isso de forma mais disfarçada em vários shows e eventos.

Os organizadores já esperando a enxurrada de carteirinhas falsas (qualquer um tira uma carteira da UNE em 2 dias, sem precisar frequentar nem cursinho de inglês) colocam o preço do ingresso nas alturas e aí praticam na tal meia-entrada o preço que provavelmente eles consideram realmente justo.

A tal festa foi mais descarada nesta prática apenas, mas isso acontece toda hora.

Porque vejamos: qualquer show internacional que aconteça no Brasil cobra preços inteiros que vão de 100 a 180 reais (arquibancada ou pista comum) até uns 200 a 400 reais (cadeiras, camarotes e as malfadadas "pistas VIP", uma excrescência da qual ainda falarei aqui um dia).

Por melhor e mais na crista da onda que esteja um artista, é inconcebível que o ingresso de um show custe 1/3 (ou mais, dependendo da localização da entrada) do salário mínimo do país.

Mas se pensarmos nos preços da meia-entrada, que cairiam para algo em torno de 50 a 90 reais para os lugares menos concorridos e 100 a 200 para os "VIPs", ainda é caro, mas já é algo dentro da realidade.

O mesmo acontece em cinemas. Alguns chegam a cobrar 18 a 20 reais para as entradas inteiras, certamente já pensando também nos tios, mães e pais que chegam ali com carteira de secundarista para assistir um filme.

Que a UNE é uma entidade aparelhada por partidos e inútil sob vários pontos de vista é uma opinião da qual compartilho totalmente, mas o benefício da meia-entrada é algo interessante, tanto para estudantes quanto para os maiores de 65 anos, pois nessas épocas das nossas vidas ou não podemos trabalhar porque precisamos estudar ou então já nos aposentamos e a renda cai vertiginosamente.

O ponto disso tudo é que no Brasil o círculo vicioso é uma constante. Cobra-se preços absurdos e as pessoas recorrem à fraude da carteirinha de estudante, aí os estabelecimentos culturais e organizadores aumentam ainda mais o ingresso para compensar as perdas que têm com a prática e todo mundo finge que está tudo bem, fazendo vista grossa tanto para o problema das carteiras falsas quanto para o absurdo que se cobra pelos ingressos para eventos culturais.

O resultado é que o acesso à cultura só se dá quando a pessoa tem dinheiro ou então recorre à artifícios como esses da meia entrada, DVDs pirata, download de mp3, entre outros e cresce entre a população a idéia de que "educação e cultura é coisa de rico".

E nessa batida, o que acontece é que o país vai ficando cada vez mais pobre.

21 Comentários:

Daniel é Canton postou 19 de janeiro de 2010 03:34

eu já me senti traído pelos (altos) preços das entradas, claro que isso não me distanciou de toda cultura que SP oferece, continuo um aficcionado por cinema e teatro, mas confesso que deixo de ir a muitos shows pelo seu alto preço. sim, já pensei em falsificar uma carteirinha, mas também pensei que devo focar em ganhar mais, melhorar meu padrão de vida e dizer isso aos meus filhos.

Frederico postou 19 de janeiro de 2010 03:43

Concordo, como sou extremamente resistente em fraudar uma careirinha, sou sujeio a pagar valores enormes para ir ao cinema com minha namorada. Dois ingressos inteiros mais um combo de pipoca fica R$ 44,00.... isso sem contar a gasolina para ir até o shopping....

Scarlett Neves postou 19 de janeiro de 2010 03:56

É a famosa concessão recíproca né? Quando o vendedor oferece, por exemplo, o ingresso com o preço 2X, já aguardando que o comprador dê uma resposta negativa, aí ele vai e oferece o preço X o qual o comprador aceite. O objetivo desde do começo é o valor X, mas eles fazem esta jogada apenas para o cliente acreditar que conseguiu desconto, e que está saindo com sorte na negociação, que está pagando um preço barato.
Sobre a carteira estudantil falsificada, falta fiscalização e são muito estudantes, eles não perderiam tempo fiscalizando quem é ou não estudante.
Mas como os organizadores arranjaram um método para que eles não saem perdendo, acaba prejudicando quem é estudante mesmo, e não tem como pagar a inteira.
Realmente há uma grande dificuldade para ter acesso à cultura...
Porém está dificuldade não é motivo para nos afastar da cultura, temos que fazer o que tiver ao nosso alcance sempre visando enriquecer a nosso conhecimento e nossa cultura já que "o país vai ficando cada vez mais pobre" não é motivo para nós ficarmos também. (nos dois sentidos né, pobre materialmente e pobre de espírito).
Num país que diz que a educação é para "todos", só que a boa educação se limita a poucos assim como a cultura.

Ótimo post!

Beijos,
Scarlett Neves.

Rafaela postou 19 de janeiro de 2010 04:10

Eu sou uma chata, certinha, mas eu acho que vou cometer a primeira ilegalidade da minha vida fazendo uma carteirinha falsa. É um absurdo o preço que cobram, até o ingresso do cinema tá um absurdo. Tá difícil mudarem isso. Depois reclamam.

João Gusthavo postou 19 de janeiro de 2010 04:21

Muito bem observado a relação dos altos preços com a quantidade de falsificações existentes. Lembro-me de uma certa rave, que ocorreu na região metropolitana de Curitiba, em agosto de 2006... O valor da meia entrada era aceito não somente para estudantes, mas também para aqueles que doavam 1 kg de alimento não perecível que seria posteriormente doado à instituiçoes que necessitavam. Acontece que os alimentos eram vendidos ao lado da portaria do evento, para aqueles que haviam esquecido de trazer.. até aih tudo bem, não fossem os alimentos vendidos os mesmos que iam sendo doados.. Não seria mta cara de pau?? Burrice?? haha não... tive acesso a uma área restrita do evento, e vi com meus próprios olhos... Depois dessa, desacreditei em todos os eventos que dizem "adotar a causa dos necessitados", bem como o benefício da meia entrada mediante ato de caridade.
Esse é o nosso país, só nos resta fazer a nossa parte, porque sinceramente já desisti de querer mudar o mundo. Abraços - João Gusthavo Borges de Sampaio

Solange postou 19 de janeiro de 2010 05:36

Essa história parece meu marido vendendo um terreno por um preço "X" mais além,claro,pra quando aparecer um chorão,baixar o preço.Mas em relação a "cultura no nosso país,fica cada vez mais difícil proporcionar algo decente aos nossos filhos.Outro dia vieram 2 globais fazer uma peça de teatro aqui.Preço:50,00.Tá louco!Pode parecer barato pra muita gente,mas somos 5 (5 x 50,00=250,00),dependendo do tipo de "cultura" vamos continuar incultos.
Mas não gosto da idéia de falsificar carteirinha.Fico imaginando que serei eu a "pega no flagra"...

Anônimo postou 19 de janeiro de 2010 06:49

Muito bom o texto, não tinha reparado nesse artifício absurdo. E achei interessante a conexão que vc achou com pirataria, outro grande problema do Brasil.

Vitor Stefano postou 19 de janeiro de 2010 06:57

Se o ingresso de cinema fosse R$ 8,00 teria muita gente pagando R$ 4 com carteirinha falsa!
Não há a menor dúvida. O maior problema é a educação, não o valor...

Victor Regis postou 19 de janeiro de 2010 07:09

É engraçado porque eu disputo Movimento Etudantil na minha faculdade, então isso é um assunto que eu já até passei em sala pra falar durante campanha.

O grande problema é que tem gente que reclama do monopólio da UNE sobre as carteirinhas de estudante, mas a verdade é que esse abuso dos preços ocorre justamente por não termos um sistema mais rígido e unificado de avaliação das carteirinhas. Na minha experiência de cinemas e eventos e essas coisas, não vejo tanto carteirinhas falsas da UNE em sim [deixando claro que não esotu defendendo a entidade] mas o sistema de qualquer comprovante estudantil é muito falho. Aqui no RJ é só apresentar o RID da faculdade [documento feito no word sem foto] que vc já consegue.

No mais, ótimo post Marcus.

Ju Honorato postou 19 de janeiro de 2010 07:24

Boa!!!
Ontem mesmo estávamos conversando sobre isso aqui em casa. Até que ponto existe meia-entrada??? Mas são os dois lados da moeda, o "falso" estudante e o empresário "esperto". Só que no final, sempre que paga é o trabalhador honesto, paga no sentido de ter que se privar dessa cultura tão cara e fora da nossa realidade. Não preciso das duas mãos, nem muito menos de todos os dedos de uma única mão, pra contar quantas vezes fui em um Teatro...

Guilherme postou 19 de janeiro de 2010 08:41

Carteirinha de estudante é igual aquelas novas repartições públicas que não servem para nada, a não ser entregar uma fatia do poder político para um amigo do amigo do amigo.
E os tonto se matando para falsificar e então poder tirar um barato da cara de quem não o fez.
Sou estudante, mas moveria mundos e fundos para que essa m... se acabasse.

Beatriz Pessôa postou 19 de janeiro de 2010 09:05

Bom post, Marcus.
Discordo do Vitor Stefano quando ele diz que uma questão de educação. Pra mim é uma questão de conscientização. Conscientizar-se que documentação falsa é crime e que se essa demanda de carteirinha falsa vem crescento, é porque muitos usuários desse artifício não têm condições de pagar preços altos para ter acesso a "cultura" num país em que a média do salário é de R$460,00.
E acredito que eu e o Victor Regis estudamos na mesma faculdade.
Em minha faculdade a carteirinha não tinha foto há algum tempo atrás, mas agora é obrigatória a foto no documento. Essa questão de RID, não é em todo lugar que é aceito. Por exemplo, para comprar ingresso para ir no Maracanã, a moça da bilheteria não aceitou o meu RID por não conter uma foto.
Mas em relação aos shows e jogos, sempre encontramos os famosos cambistas, que vendem o ingresso pelo triplo do preço normal e que muitas pessoas compram sem se importar com o valor. Então nem sempre é questão de não ter dinheiro, e sim de ter vontade ou não de assisstir algo.
Não sei se UNE é a única responsável pela emissão de carteirinhas, mas não faz muito tempo que ouvi numa rádio a propaganda de uma carteira do estudante alternativa, que era apenas você enviar o seu nome e o nome da instituição que você estudava e pronto você já tinha direito a meia-entrada. A carteirinha virou um artifício para pobres e ricos pagarem menos por cultura, talvez até desvalorizando-a. Essa desvalorização pode ser percebida quando há algum evento cultural gratuito, muitas vezes esse evento não tem público, enquanto micaretas, raves e boates que custam uma "fortuna" lotam. Aí nos deparamos com a seguinte questão: só ricos têm acesso a cultura ou a sociedade que não valoriza a cultura da forma merecida?

Não sei se fui totalmente clara, mas acho que dá para entender.

Abraços.

Isabel postou 19 de janeiro de 2010 09:23

Certamente que há um abuso no preço dos ingressos dos eventos no Brasil. Como pode, por exemplo, o Cirque du Soleil no Canadá custar o ingresso mais caro US$111 e aqui no Brasil os preços chegarem a R$680!!! Isso também ocorre com shows de bandas internacionais. Eu me recuso a pagar R$250 para ver um show de uma banda, e nesses casos, mesmo a meia entrada ainda sai caro. Mas isso não quer dizer que não podemos participar de eventos culturais, é só saber procurar que tem muita coisa legal. Aqui no Rio, valem as dicas: exposições gratuitas no CCBB, Oi Futuro, Caixa Cultural, Paço Imperial (que também tem cinema barato) e muitos outros, e excelentes peças de teatro por R$10 no CCBB.

Fernanda Lizardo postou 19 de janeiro de 2010 10:43

Considero a falsificação da carteirinha de estudante um artifício vergonhoso. E é uma pena todo mundo ter de pagar pelo rombo deixado por estes praticantes da Lei de Gérson. Mesmo assim, não me rendo a esse tipo de ilegalidade. Enquanto era estudante, usufruí do benefício; depois que deixei de ser, passei a pagar os valores inteiros, como deve ser, simples assim. Cultura não é coisa de rico. Cultura é coisa de quem sabe administrar a renda e aplica tão bem nos invesimentos básicos (moradia, alimentação, saúde, educação etc) quanto nos chamados supérfluos. Se desejo ir a um show mais caro, faço economias em outras frentes ou simplesmente trabalho mais para ganhar mais. E é como minha mãe costuma dizer: dinheiro serve para comprar conforto e pagar desaforo; além disso, caixão não tem gaveta.
Abraço!

Isabel postou 19 de janeiro de 2010 11:31

Eu discordo dos comentários que consideram a falsificação da carteirinha de estudante um artifício vergonhoso. Vergonhoso é um cinema cobrar 20 reais por um ingresso. Muitas pessoas trabalham muito e vivem com o orçamento no limite. Já fazem um esforço enorme pra conseguirem ir ao cinema nos fins de semana e levar os filhos ao teatro eventualmente. Se eu puder arrumar uma carteirinha falsa, arrumo. Se não puder, baixo filme da internet. Se puder ir a um evento cultural grátis, ótimo. As pessoas se viram como podem. Somos assaltados pelo governo, com impostos altíssimo, e pelas empresas de entretenimento, com ingressos absurdos. Fazem de tudo pra arrancar nosso dinheiro, com novidades como "taxa de conveniência" para quem compra ingressos de espetáculo por telefone ou internet, mesmo vc tendo que enfrentar fila depois pra pegar seu ingresso. Eu fico puta com tudo isso, e o que eu puder fazer pra pagar menos por algo que não cobra um preço justo, eu faço!
Bjs

CarolCani postou 19 de janeiro de 2010 12:08

Sou tão contra essa venda de carteiras de estudantes, que mesmo durante toda a faculdade me neguei a fazer uma. Ando com o comprovante de matrícula dobrado na carteira, uma folha A4 muito menos prática, mas muito mais verdadeira que carteiras de estudantes.
E agora que estou terminando a faculdade, vou levar verdadeiras facadas na carteira, mas não compro carteirinha falsa, fiquei a faculdade toda se uma de verdade em protesto, não vou fazer uma falsa agora, prefiro pagar os 18 reais do cinema.

Suely postou 19 de janeiro de 2010 12:36

Não usaria uma carteirinha de estudante falsa porque não usaria nenhum outro tipo de documento falsificado.
Não concordo com a teoria de que falsificar carteirinha de estudante está mais pra molecagem que pra crime.
Tenho um filho e como considero que o que educa são nossos exemplos procuro não dar maus exemplos prá ele.

Ginah postou 19 de janeiro de 2010 15:13

Acho interessante, por exemplo, comprei ingresso para o show da Beyonce em SP... paguei 200 reais mesmo sendo estudante, pq segundo todos os atendentes com quem falei me informaram que não tinha meia entrada... Fazer oq... pagaremos o preço normal né!

Dinho postou 20 de janeiro de 2010 05:08

A lei da meia entrada é totalmente deturpada, pois meia entrada é para eventos "culturais" desde qdo futebol,cinema,shows de rock ou pop são eventos culturais, sim td é cultura mesmo q inutil alguns vão dizer, mas o proposito dessa carterinha era incentivar ida a museus, teatro, coisas do genero, mas a une faz carterinha no habibs e ainda da umas esfihas, de brinde rs., ai os espertos para combaterem a esperteza aumentaram os preços e esta td certo, vale a farse do vampeta para isso, ele disse q o flamengo fingia q pagava e ele fingia q jogava, é o mesmo caso finjem q dão o desconto e vc finje q paga meia, e ta td certo sou a favor de banir essa tal carterinhaou estipoulr lugares q aceitem como museus e exposições

Pousada e Restaurante Talismã postou 20 de janeiro de 2010 15:19

Enfim o aprimoramento da famosa Lei de Gerson.
Levando vantagem em cima de quem pensa estar levando vantagem.
Ou ainda, Ladrao que rouba Ladrao...
Cultura no Brasil só pra aculturado, Lula que o diga.

Anônimo postou 18 de abril de 2010 16:33

Não sei se vocês notaram que os ingressos dos cinemas, futebol, shows, etc. têm aumentado de preço consideralvemente nos ultimos anos.

A explicação é muito simples: para todo evento existe um custo e este custo deve ser pago por aqueles que desejam particar/ir ao envento. Logo se o custo do evento é digamos 100 mil reais e mil pessoas são estimadas a ir ao evento, logo o preço do ingresso deve ser de pelo menos 100 reais. Isso assumindo que não existe meia-entrada.

Se 400 pagam meia e 600 pagam inteira, logo os organizadores vão cobrar 125 reais por inteira e 62.50 reais pela meia (100 mil = 400x62.5 + 600x125).

Se todos os pagantes usam meia-entrada, logo o preço do ingresso normal vai ser de 200 reais, senão o organizador do evento vai ter prejuízo.

O moral da história é que não existe almoço grátis. Alguem tem que pagar pelo custo do evento. Logo os que não tem carteira acabam pagando pelos que tem carteira. Isso é um absurdo! Os políticos demagogos e populistas se aproveitam dos eleitores idiotas para passar leis concedendo meia-entrada para estudantes, idosos, professores, militares, etc...

Quanto mais gente tiver desconto, mais caro vai ficar o preço para os que não recebem desconto. O que muita gente não entende é que um show, cinema, teatro, etc, são negócios. Promulgar uma lei obrigando as empresas cobrarem menos para determinados tipos de clientes é um atentado a propriedade privada e a livre iniciativa. É a mesma coisa que obrigar um supermercado a cobrar 50% menos de estudantes e idosos e o preço normal para os demais consumidores!!

Estou contado as horas para a FIFA começar a vendar os ingressos para copa do mundo de 2014. O povo vai ficar revoltado com o preço dos ingressos... Mas como quase todo mundo vai ser elegível para pagar meia-entrada, então acho que haverá tanto problema assim...

 
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