Post pago: um questionamento

Postado em 15 de jan de 2010 / Por Marcus Vinicius

Antes de mais nada não estou nem pensando em iniciar nenhum tipo de cruzada contra a prática do post pago, pelo contrário, acho que uma pessoa que curta escrever num blog e é convidada para emitir sua opinião sobre um assunto ou produto em troca de algum dinheiro deve mais é agarrar a chance, afinal, é bom fazer o que se gosta e ainda receber por isso, logo, quem for "anti-dinheiro" não espere encontrar aqui uma defesa apaixonada do seu purismo, porque não vai rolar.

Talvez essa confusão possa acontecer porque sempre que posso ridicularizo os tais "probloggers". O que as pessoas precisam entender é que minha diferença com essa gente não está relacionada ao fato deles ganharem dinheiro blogando e sim ao fato de levarem-se a sério demais, acharem-se muito melhores do que são por causa disso e defenderem esse pequeno naco de "mercado" que possuem com os mesmos recursos baixos e, desculpem a expressão, escrotos com que certos cartéis e associações defendem seus monopólios.

Se o cara quer ganhar uns trocados escrevendo, gosta de receber brindes, adora quando vai pra algum evento comer e beber às custas dos outros (porque de graça não existe nada), parabéns! Eu também, pasme, já ganhei meus brindezinhos com apenas 5 meses de blog, mas camaradinha, não pense que você é nada demais por isso, porque não é.

Rio muito, por exemplo, das tentativas de certos blogueiros em rivalizar com a "grande mídia", como ratos que rugem, ainda que muitas vezes sejam mais ágeis, até mesmo pelo menor compromisso com a apuração que uma audiência restrita traz.

Me enojo com essa panelinha que se une tal qual um bando de hienas para garantir a "carniça nossa de todo dia" e marcar território.

Mas toda essa gente com seus Ad Senses, seus testemunhais e publieditoriais são, inegavelmente, o melhor exemplo da tão falada e prostituída (use aí qualquer sentido que puder pensar para o termo) monetização.

Ganham dinheiro, arrumam uns brindes e até passeiam às custas de prefeituras do interior de estados pobres do Nordeste. Tudo muito legal, nada contra (com algumas exceções), mas a dúvida que fica sobre todo esse processo de envolver blogs na "venda" de produtos e campanhas é: será que funciona?

Os equivalentes a modelo-aspirante-a-ator-atriz-cantor-cantora da internet são os "analistas de mídias sociais". Assim como tem muito modelo que realmente é aspirante a cantor ou ator, existem realmente alguns analistas de mídias sociais sérios. A grande maioria no entanto só se diz isso por falta de outra coisa melhor para colocar no currículo.

Bom, esses "analistas" podem atestar melhor do que eu, "achista", se cientificamente tudo isso traz resultado (e acredito que traga, caso contrário não haveria tanta gente dedicando-se a fazer esse trabalho), mas e o leitor?

Será que um blog ao vender seu espaço e sua letra para algum produto perde um pouco da credibilidade que a sua "liberdade original" de não ter nenhum vínculo traz?

Um blog é, na essência, o seu autor. Ele não é uma empresa, um veículo, ele é a tradução daquela ou daquelas pessoas que o escrevem, então será que os leitores páram para ler um post pago com o mesmo interesse com que lêem os posts habituais?

Penso que uma boa fórmula é o blogueiro só aceitar esse tipo de trabalho caso ele realmente aprove o produto em questão, caso ele fosse capaz de escrever sobre ele mesmo que não estivesse recebendo nenhum tostão ou mimo para isso.

Eu mesmo já elogiei a Canon aqui, alguns filmes que vi no cinema, vivo falando bem da Starbucks no Twitter e nunca ganhei nem um cafezinho por isso, logo, porque não o faria sendo pago?

Mas a pergunta que fica é: será que todos tem esse tipo de coerência? O que você leitor pensa disso?

Se mal feito e mal encaixado, posts pagos podem prejudicar a credibilidade do blog e minar definitivamente suas chances de vender qualquer produto ou idéia, ainda que vez ou outra ele acredite verdadeiramente naquilo que diz.

Esse post faz parte do sorteio que estou realizando. Faça seu comentário e concorra a um calendário 2010. :)

11 Comentários:

SexyHelpDesk postou 15 de janeiro de 2010 05:57

Assunto compliocado! Eu não tenho nada contra posts pagos, mas não faria se não tivesse relação com o tema do meu blog. Acho que não teria nenhum sentido por exemplo eu publicar uma promoção da Dell no @SexyHelpDesk. Se eu aprovasse o produto e a matéria tivesse caráter informativo dentro do tema do blog não vejo mal em fazê-lo. Abraço..

@Anahuasca postou 15 de janeiro de 2010 06:03

Eles são de uma tribo faminta. Faminta de tudo: dinheiro, respeito, identidade e auto-estima.
Mas, cada um na sua, né?

Scarlett Neves postou 15 de janeiro de 2010 06:20

Pessoalmente eu costumo ler mais blogs de autoria própria, posts não pagos.
Acredito que seja bom para pessoa ganhar dinheiro fazendo o que gosta mas..
Eu acho que a coisa fica mais "natural" (talvez até melhor) quando a gente faz de graça, faz apenas por prazer. Isto também depende muito do blogueiro, a consciência pode mudar bastante quando envolve dinheiro.

Mas a questão desses blogueiros que são remunerados, como você disse, "se acharem melhores" apenas pelo fato de serem remunerados, é ridículo. Eu conheço muitos blogs excelentes de posts não pagos. A qualidade do conteúdo de um blog não se mede por questão de ter ou não posts pagos.

Sobre a sua pergunta, acredito que nem todos tem coerência. Dependendo da pessoa ela pode até não gostar do produto porém e capaz de divulgar o mesmo apenas por dinheiro.

Quando a gente elogia algo e/ou alguém de uma forma espontânea, é mais questão de gosto mesmo, pois não estamos recebendo nada em troca disto. Elogiando por que achamos bom o bastante para ser elogiado.


Parabéns pelo post!!!
Está excelente!

Abraços,
@ScarlettNeves

Solange Baumer postou 15 de janeiro de 2010 06:45

No meu caso,como ainda tentou engatinhar no mundo da escrita,não tenho muita paciência pra esse supermercado que virou certos blogs.No meu caso,"tô nem aí"se escrevo de graça.Na verdade escrevo mais pra acalmar os monstros que vivem dentro de mim.
Mas um blog cheio de propaganda,merchan,acho chato,cansativo e desisteressante.

Anônimo postou 15 de janeiro de 2010 06:55

Os blogs estão, simplesmente, se igualando ao que acontece no mundo "real". Notícias pagas e opiniões vendidas acontecem em todo lugar, inclusive em blogs.

Não acredito em liberdade de expressão pros que aceitam ser pagos pra escrever (o que é diferente de ser patrocinado por uma marca em que você confia!). O problema é que em algum momento, inevitavelmente, a sua liberdade vai ser restringida e optar em ser 100% descomprometido com qualquer tipo de marca, senso-comum ou ideologia, é atitude pros corajosos.

Poder (e querer) ser 100% você mesmo, ainda que isso reflita mudança de posições, críticas duras, ou opiniões contrárias ao que se chama do enfadado "politicamente correto" não é pra qualquer um. Isso sim tem um alto preço: o de se expor e, ainda assim, assumir o que se pensa, de verdade!

@viscarpi

Suely postou 15 de janeiro de 2010 07:46

Tudo o que entendo de bloggs é acompanhar os de pessoas que eu acho que têm realmente coisas interessantes a dizer; pessoas que despertam algumas idéias que estavam adormecidas, escondidinhas no meu sótão.
Desde que o bloggeiro não se deixe corromper e respeite seus leitores expressando sua opinião de maneira bastante honesta, nada contra ele ser patrocinado.
Como sou um ser em constante construção, gosto mesmo é de posts que me agucem, que me instiguem, que me façam usar a massa cinzenta e descobrir novidades sobre mim mesma e que me mostrem as diferenças entre a minha cabeça e a do outro.
As diferenças são apaixonantes!!!

sukamachado@yahoo.com.br

Isabel postou 15 de janeiro de 2010 08:45

Concordo com vc, que o ideal é o blogueiro aceitar patrocínio de produtos e serviços que o agradem pessoalmente, pois ficar elogiando sem nem conhecer é um desrespeito com quem acompanha seus textos. E mais: acho que a pessoa deve deixar claro que se trata de um post pago.
Bjs

Denise postou 15 de janeiro de 2010 10:19

Quando eu comecei a blogar, isso há alguns bons anos atrás, nem existia essa loucura que é hoje. Eu gosto de escrever, e blog pra mim não é profissão, é diversão. Não tenho nada contra quem ganha dinheiro com isso, mas sinceramente, vejo tanta coisa bizarra aí que putz, dá nojo. Aliás, essa sua frase resumiu tudo que eu penso: ''Penso que uma boa fórmula é o blogueiro só aceitar esse tipo de trabalho caso ele realmente aprove o produto em questão, caso ele fosse capaz de escrever sobre ele mesmo que não estivesse recebendo nenhum tostão ou mimo para isso.''
Eu nunca postaria falando bem da Brasil Telecom por ex (agora 'Oi'), mesmo sendo paga pra isso, porque eu simplesmente detesto essa empresa, tive péssimas experiências com ela, e nunca me sentiria bem a elogiando. Apesar dessa maluquice de profissionalizar blogs, continuo encarando o meu como sempre encarei: diversão. E provavelmente vai continuar assim, estou feliz desse jeito.

Dryca Lys postou 15 de janeiro de 2010 10:29

Este assunto é meio complicado, porque algumas pessoas buscam 5 minutos de fama e muitas querem parecer algo que não são.
Mas a verdade é retumbante, muitos querem apenas ganhar algo, ter o dinheiro no bolso e não estão nem ai com o que anunciam.
Mas ainda bem que existem poucos que raciocinam.
E concordo com você em muitos aspectos do texto

Canela postou 15 de janeiro de 2010 12:03

Pois é, meu caro! Concordo com o que diz e enfrento diariamente este dilema. Para evitar encrenca, quando não gosto, muitas vezes silencio. Quem conhece de perto o meu trabalho, sabe que alguma coisa não vai nada bem.

Tatiana postou 15 de janeiro de 2010 13:14

Creio que tenha gente que se venda facilmente..., mas existem pessoas, como disse que aceitam os mimos, porque falariam deles mesmo se não os recebessem...,e mesmo os recebendo, quando algo relacionado aos "patrocinadores" não estivesse correto falaria...
Não tem problema receber presentes, brindes...
Quem sente a verdade e abomina a mentira sabe quando um blog é verdadeiro. :)
Mas, a realidade é que a maioria vai a favor da "correnteza" avassaladora, que promove descida rio à baixo em massa.
Não entremos em julgamentos e achismos, pois é fácil se corromper...

 
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