Cores e Consumo

Postado em 28 de jul de 2010 / Por Marcus Vinicius

Um dos grandes atrativos de qualquer produto que está em uma prateleira de supermercado ou farmácia é sua aparência. Faculdades se dedicam a formar profissionais que passarão a vida criando embalagens, combinações de cores, rótulos chamativos, identidades visuais que servirão primordialmente para fazer algum produto sobressair à concorrência e merecer ir parar na cesta de compras.

Comigo essa coisa do visual sempre influenciou muito. Quando adolescente confesso que chegava a desejar alguns discos só por causa da capa. Sabe como é, nem toda loja tinha paciência de permitir que seus clientes - ainda mais adolescentes agitados - mexessem nos delicados discos de vinil para ouvi-los, então uma capa interessante seria apenas uma capa interessante até que eu pudesse comprar o disco e ouvi-lo em casa. O problema é que às vezes o designer da capa era mais talentoso do que o músico, e me obrigava a correr para a loja e tentar a troca ou então vender aquilo por um décimo do preço em um sebo qualquer.

Mas minha relação com embalagens vem de bem antes da adolescência. Lembro que, ainda criança, ficava frustradíssimo quando ia às compras com a minha avó e ela insistia em levar para casa o creme dental Phillips, com aquela embalagem branca e o creme dental em si também branco, ou seja, mais sem graça impossível. Eu lá, doido pra levar uma "menta americana" ou um daqueles em gel fluorescente e nada.

Até que um dia consegui convencê-la a comprar um colorido. Branco e vermelho, listrado. O sabor era uma coisa abominável, mas passei semanas escovando os dentes a cores.

Mas tirando capas de discos que enganam e cremes dentais coloridos com sabor de purgante, acho que todo consumidor deveria ter o direito de escolher a cor do que vai consumir. Digo isso porque sempre que vou em alguma farmácia e vejo que o shampoo para o meu tipo de cabelo é azul, penso que os que são para outros tipos de cabelos geralmente tem cores muito mais legais.

É amarelo, vermelho, roxo, um verde geleca, tem até de duas cores. Fico no maior dilema, comprando coisas das quais não preciso porque gostei da sua cor ou do seu cheiro. Acabo dando de presente pra alguém depois, porque meu cabelo fica oleoso demais, seco demais, estranho demais. É o shampoo azul cobrando o preço da minha infidelidade.

Mas e se o cara estiver com humor para lavar sua cabeça com magenta? Eles deveriam disponibilizar cores variadas para os mesmos tipos de cabelos também.

Outras coisas não são tão complicadas como biscoitos, chocolates, iogurtes, caixas de leite. O problema é que precisam urgentemente inventar legumes e verduras com visual tão apetitoso quanto uma lata de sorvete alpino.

Cremes dentais então são uma verdadeira festa, ainda mais porque não existem "dentes oleosos" ou "dentes de raiz oleosa e ponta seca", então a escolha basicamente restringe-se ao sabor e à aparência dos produtos.

Só não fica muito bem um marmanjo passando pelo caixa com um estoque de Tandy, mas sempre tem a velha desculpa: "as crianças lá em casa adoram...".

5 Comentários:

The Batman postou 28 de julho de 2010 10:57

Faz todo sentido. Lembro de quando o Close-Up tinha um sabor mais forte do que tem hoje. O verde era um horror, fortíssimo, mas tinha uma cor bacana, ainda que eu preferisse o vermelho. O Signal, aquele de duas cores a que você se refere, era meio brochante, mesmo.

Pior é quando lançam um produto que você gosta e logo acabam com ele, como o Activia de mirtilo. Era uma facada, mas também era uma delícia.

Isso me faz pensar, também, em por que quase não existem alimentos naturais na cor azul, minha favorita. Que frustração. =\

Tuka Siqueira postou 28 de julho de 2010 11:18

Concordo com vc e com The Batman, minha mãe também só comprava um creme dental branco gosto de cola, nunca me deixava levar os coloridos. Adorava um refigereco sabor Pomelo que vendiam por aqui e nunca mais vi, e o guaraná antartica Ice, com gosto de menta, que desapareceu das prateleiras, entre outras preferências. Deveriam criar alface e brócolis cor-de-rosa ou vermelha com cheirinho de chiclé, ficava mais fácil comer e convencer as crianças a fazer o mesmo.

Mari Cordeiro postou 28 de julho de 2010 11:32

Sofro desse mesmo mal com relação a shampoos. Por isso no meu banheiro tem vários tipos, de várias marcas, logo, de várias cores. Mesmo porque, tem dias que meu cabelo está mais seco, mais oleoso, mais cacheado... coisas de mulher. Mas o bom é que cada vez que lavo meus cabelos uso a cor que quero, de acordo com meu humor. Roxo, verde, vermelho... é uma dica (mais uma).
Bjs.

Maele postou 29 de julho de 2010 10:18

Saudades do Cheetos catchup, do Mirabel, e daqueles sorvetes secos com aqueles anelzinhos de plástico vagabundo

André Luís postou 30 de julho de 2010 11:46

Já comprei muito disco devido ao trabalho (visual) de capa! E na maioria das vezes me dei bem!
Eu sempre quis usar o creme dental “Signal”, cara: só comprei uma única vez, horroroso.
Lembro-me que, uma vez me deram um monte de balas importadas “verde marciano”, fiquei com nojo mas o sabor era legal. Eu sempre achei algumas cores muito atraentes, e o azul é o meu preferido.

 
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