Porque? Pra que?

Postado em 8 de jul de 2010 / Por Marcus Vinicius

Não tem um dia, um diazinho sequer, que eu não faça silenciosamente essa pergunta quando me deparo com certas atitudes. "Mas porque? Pra que?".

Sei que não sou uma pessoa muito tolerante com burrice, comportamentos medianos, raciocínios limítrofes e espírito de pobreza, mas acredito que não seja culpa minha, pelo menos não tanto quanto é culpa dos personagens que me causam essas reações.

Seres humanos são verdadeiros pingüins presos numa cristaleira, com aquele andar desajeitado no meio de finas louças e cristais, quebrando tudo, impossíveis de não se notar.

Querem ver?

O que leva uma pessoa que vai desembarcar dali a quatro ou cinco estações a viajar em frente à porta de um vagão de metrô, impedindo a passagem dos outros, postando-se como um daqueles soldados da guarda real britânica, imóveis, cara colada no vidro, embaçando a janela da porta com o seu bafo de cretino? É ou não é uma atitude digna de um "porque?".

Ou então quando estamos andando na rua, seja de carro ou a pé, e vemos um ordinário, seja de carro ou a pé, tomando sua latinha de cerveja, seu refrigerante, sua água minetal, seu picolé, sua dose diária de "cretinina" engarrafada e, após terminar, joga o lixo que sobrou na calçada. Esses são tão sabujos que são capazes de ainda olhar em volta, desafiantes, como quem diz "jogo lixo na rua merrrmo". Me digam, "pra que?".

Tem o dono de cachorrinho, que espera você estacionar seu carro só para oferecer as calotas das rodas como mictório para o seu totó. Aí você pergunta se depois pode passar com o carro em cima do au-au e provavelmente o dono vai se ofender. Porque?

Bloco de carnaval, pagodinho de esquina, botequim na sexta-feira, trio-elétrico, jogo de futebol ou qualquer outro ajuntamento de gente também é propício para a ação de outro tipo de mijão, que se cair de quatro nunca mais levanta e é capaz de sair por aí latindo.

O cara está lá tomando latas e mais latas da sua cerveja quente, comprada no camelô, o bafo de onça só não é pior do que sua vontade de tirar a água do joelho, o que ele faz? Claro! Escolhe uma árvore ou um poste (não precisa nem ser uma árvore ou um poste muito grandes, uma roseira ou um bambu servem) e tira o salário mínimo para fora e começa a despejar o resultado líquido da sua bebedeira misturada com a falta de educação.

E quem passar que se vire, tanto para lidar com o mau cheiro quanto para não ter que ver um filme de terror bem ali no meio da rua.

Mas por falar em camelôs de cerveja, que tal aqueles pentelhos que andam no meio de multidões puxando carrinhos de rolimã com isopor em cima e gritando "olha a frente! olha a frente!"? Ora bolas, não é só a frente. Os lados e atrás também estão lotados de pessoas.

Esse aliás é um mal que acomete pessoas carregando cargas em geral. O catador de latas arrastando aquele saco furado derramando uma mistura de água, resto de cerveja e refrigerante e sabe-se lá mais o que nos pés das pessoas, ou alguém com um colchão nas costas ou uma caixa gritando "olha o pesado!".

Sim, dá pra ver o "pesado" o problema é que não tem como virar bruma só para que ele passe. O cara só porque está trabalhando acha que tem algum salvo conduto para o mau-humor e a grosseria. Igual atendente de lanchonete ou qualquer outro comércio nos finais de semana, que justificam tudo dizendo "você está passeando enquanto eu estou trabalhando".

Tudo bem, compartilho da dor, mas o que eu tenho a ver com isso? Vai me fazer grosseria porque? Fui eu por acaso que inventei o horário do comércio?

Mas esses são apenas alguns exemplos. Tem a velha no ônibus que apesar de não ter pago passagem para a sua sacola de compras, acha que ela tem que viajar sentada do seu lado no banco. A mãe da criancinha que fica dando berros estridentes durante algum evento e que não se toca em sair dali com a criança, que provavelmente está entediada, para dar paz aos ouvidos dos outros.

Os que furam fila também são terríveis, mas pior mesmo são aqueles que ficam na fila guardando lugar pra uns vinte amigos que demorarão meia hora para decidir qual filme assistir.

Agora, chato mesmo é quem está com um grupo de férias, a passeio ou simplesmente se divertindo, e acha que todos em volta, todos literalmente, tem que entrar no "astral" deles e aturar brincadeiras e inconveniências, só porque estão particularmente expansivos naquele dia.

Bêbados seriam um caso à parte, os que ficam amorosos e pegajosos demais, os que viram valentes, os que viram pegadores e até os que trocam de sexo.

E pra finalizar, as donas de casa que vão pro supermercado e pagam uma conta de R57,30 só com moedinhas de R$0,5 e R$0,10. Elas ainda tem o maior orgulho em dizer "passo meses juntando essas moedinhas!".

Só me resta perguntar: porque? pra que?

5 Comentários:

Ruth Steinas postou 8 de julho de 2010 10:48

Concordo e óbvio que me identifiquei com muitas ocasiões que citou. Essa é a síndroma da falta de respeito, egoismo e individualismo. Era em que as pessoas acham que só o delas é importante, o resto é resto. Apesar de eu ser adepta a frase "cada um com seus problema !" acredito também que respeito é essencial.

Gustavo C. postou 8 de julho de 2010 10:56

O caso do metrô me lembra o que sempre vejo nos ônibus: quando todos os bancos estão ocupados, mas o ônibus nem fica lotado, o caso é que os que ficam em pé se aglomeram todos na parte do fundo, pq querem ficar perto da porta (acho que é isso), se apertam até ficar nego esmagado no vidro da porta, enquanto a parte da frente fica com o corredor vazio. Por que? Pra que?

Cléo Garcia postou 8 de julho de 2010 11:15

Marcus, vc me lembrou aquele personagem maravilhoso de um programa humorístico - Tolerância Zero....eu me identificava taaaanto com ele...hahahahah Faltou vc mencionar as pessoas que ficam mais de meia hora aguardando para serem atendidas nas agências bancárias, e quando chega a vez das mesmas, aí é que vão procurar o documento, a conta, o dinheiro, não encontram nada dentro da carteira, as moedas rolam pelo chão....rsrsrs

Jubarulho postou 8 de julho de 2010 16:37

Meu pai! Adorei!!! Se tem uma coisa que me irrita é burrice, Deus me perdoe...

Hj fui perguntar pra recepcionista: Fulana, meu paciente das 9 chegou?

Ela pergunta: "De hoje, doutora?"

Não, não... de amanhã! Anta! Como disse Cléu, Tolerância Zero!

merry postou 14 de julho de 2010 10:23

Hahaha adorei esse post, tolerância zero como os leitores acima disseram.
Eu me pergunto a toda hora e ainda por cima brigo quase todo dia com alguém no ônibus que insiste em ficar parado, como uma coluna do templo, ou na porta ou na catraca.
É tão difícil entender que gentileza gera gentileza?
Todos esses exemplos é claro me incomodam como o do bebado chato, urgh!

 
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