O Moedor de Piadas

Postado em 9 de jul de 2010 / Por Marcus Vinicius

Imagine a melhor piada do mundo. Agora esqueça. Imagine a melhor piada de todo o universo. Não, deixa pra lá. Imagine uma piada que faria até Arthur Schopenhauer gargalhar como um retardado fã do Marcos Mion. Imaginou? Ótimo.

Mas não serve uma daquelas piadas das quais só você ri ou que precisa explicar depois de contá-la, porque não tem nada mais deprimente do que uma pessoa contar uma piada pra você como se fosse uma mensagem espiritual do Costinha e você não achar graça alguma.

O sujeito rir de si mesmo é muito bom, é excelente aliás, prova que não se leva a sério demais - o que o salva de ser um mala e de ter gastrite - mas o sujeito rir das próprias piadas - e pior, só ele rir - é sinal de que chegou em algum grau de senilidade preocupante ou então de que sempre foi um cretino mesmo.

Mas supondo que a sua sacada seja realmente genial, você tem todo o direito de aproveitá-la. Faça o seguinte: conte a piada no Twitter.

Em alguns minutos você ganhará RTs, logo em seguida algum blog de humor tratará de transformá-la em uma representação gráfica - valem fotos, esquemas, diagramas, charges - e talvez até dê o seu devido crédito.

Logo em seguida surgirão memês, estilo "Chuck Norris Facts", será criado algum perfil fake que cuidará de reunir ali toda a ninhada de sub-piadas que surgirão a partir da sua, uma turma vai se reunir para colocar o assunto nos Trending Topics (que carinhosamente considero o Troféu da Baba Bovina) e, cereja do bolo, a história será notícia em alguns portais da internet.

Mas não se anime muito, e acredite: por melhor que seja a sua sacada inicial, imbecis repetindo aquilo ad nauseam, o dia inteiro, sem pausa nem para que alimentem os dois neurônios que possuem - um na cabeça e outro na sola do pé, isso mesmo, são apenas dois e não se conhecem - transformará a sua idéia numa coisa chata, pavorosa, que até você mesmo provavelmente vai se arrepender de ter criado. E nem demora muito, em três dias o processo deve estar concluído.

Exemplos são fartos - não confundir com flatos, apesar de ser merecido o trocadilho - como as piadinhas sobre o Dourado do BBB, Sônia Abrão, "Cala a Boca Galvão", Kaká Bad Boy, Polvo Paul e, o campeão de todos, as piadinhas sobre o Activia.

Infelizmente o excesso de televisão, baboseiras, ídolos enlatados como Justin Bieber, soap-operas que pregam uma espécie de aposentadoria do pensamento, música ruim de rockers EMOcinhas, poucas surras de cinto, entre outras coisas, estão criando uma geração de imbecis, patetas que só prestam para poucas coisas como comer, defecar e teclar bobagens na internet utilizando português ruim.

Eles são a expressão - a materialização mesmo - de sua risadinha virtual favorita, aquela coisa mais ou menos assim: hauiahddhaodshaosjdahaiashs.

E assim o Twitter, queridinho da internet do momento - ainda que o momento já seja bem longo - vira este moedor de piadas, transformando algumas boas idéias em uma chateação, mais ou menos como tentar assistir um filme no período de férias e ter que aturar um bando de adolescentes fazendo barulho na sala de exibição.

Você até tenta ignorar, mas eles são tão aplicados na sua chatice que não permitem.

7 Comentários:

Anônimo postou 9 de julho de 2010 10:34

Hehe, não posso dizer que deixo de soltar minhas piadinhas no twitter, porém concordo com o que está escrito. E parabéns é uma boa observação, o texto também está igualmente bom.
BrTNaue

Kátia Güttler Siqueira postou 9 de julho de 2010 12:11

Não é à toa que só ganho RT's (e foram poucos) quando escrevo alguma bobagem bem grande ou sou agressiva e mal educada. Ninguém dá RT em assunto sério principalmente se estiver escrito em bom português. O que mais me assusta nessa geração é o que estão fazendo com nossa língua. Se continuar nesse passo, daqui há alguns (pouco) anos teremos um outro idioma em nosso país e nós, pobres velhos com mais de 30 anos, teremos que voltar à escola para desaprender o português...

Zélia Gadelha postou 9 de julho de 2010 13:37

Verdade Marcus
Ontem eu pensava sobre isso. Fiquei revoltada ao ver o quanto de piadas foram feitas com o caso do tal "goleiro" Como as pessoas se divertiam com esse horror que a Eliza passou. Tudo bem que tem de haver liberdade de expressão... Mas esse tipo de humor negro é revoltante de piada não tem nada. Qual é a legitimidade de fazer este tipo de piada sobre um acontecimento desse? Além é claro de tantas outras idiotices que se vê nas redes de relações sociais... Triste é que ainda encontra quorum, RT's pra essas baboseiras.

@bocadelata postou 9 de julho de 2010 13:55

Concordo com o anônimo acima e complemento que dou risada de algumas que surgem, mas vamos concorda que é piada da hora, essa história do ''ciclo dos três dias'' realmente é de doer.

Gustavo C. postou 9 de julho de 2010 18:45

Foi-se o tempo em que o uso mais besta do Twitter era dizer o que se estava fazendo naquele momento. Agora é ser zé graça ou divulgar quem é à base dos trocadilhos mais manjados.

Ah, eu tbm solto as minhas gracinhas, mas é com moderação, e consciente da tosquice. Por exemplo: misturei Activia com humor e saiu uma piadinha de merda. Essa foi boa vai, hehe..

E vc esqueceu de citar a piada mais famosa desse período de Copa: Dunga e os sete anões. Essa ganhou na irritação.

André Luís postou 10 de julho de 2010 11:28

O rei da piada é o macaco simão! Tem um publico enorme, e a maioria acha que pode fazer igual.

Cléo Garcia postou 11 de julho de 2010 09:54

Marcus do Céu: to achando que somos intolerantes de verdade! hahahaha Eu ODEIO essa risadinha que você descreveu no texto...o que é isso, Senhor??? uma cobra tentando gargalhar? afff.... Sem contar que a escrita, com erros de todo tipo, me mata aos poucos....ninguém mais lê? isso é falta de leitura, de cultura, não só de educação escolar; pois conheço adolescentes que estudam em escolas particulares caras e arrepia-me ler os comentários que fazem via internet... Socorra-nos, ó Senhor da Era Informatizada e Globalizada, que tornou possível todos esses desatinos! amém...

 
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