No tempo da chinelada, existiam bem menos "chinelos"

Postado em 13 de jul de 2010 / Por Marcus Vinicius

"Chinelo" é uma gíria para coisa que não presta, menor, de pouco valor, mais ou menos como essas gerações de dementes e analfabetos funcionais que estão sendo forjadas sob a sombra (ou o sol, como preferir) da globalização, da internet e da psicologia no lugar da educação pura e simples.

Ao invés de dar logo uma chinelada porque o moleque jogou uma pedra no telhado da vizinha, hoje os pais tem que perguntar para ele "o que o levou a desejar causar danos à residência de outra pessoa".

Digo isso porque existe um projeto de lei proposto para comemorar os 20 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no qual serão coibidos "castigos corporais" em crianças.

Quando você lê isso assim de primeira, até acha uma coisa excelente, afinal "castigos corporais" é uma expresão que remete ao que agentes penitenciários fazem com presos, inquisidores com bruxas, maridos violentos com esposas oprimidas, etc, mas olhando mais atentamente o texto, veremos que ele prevê que serão considerados como "castigos corporais" as velhas palmadas e, pasme, até colocar a criança de castigo.

Não sei como o Estado poderia se enfiar mais dentro da casa das pessoas do que isso. Talvez só falte aos politicamente corretos definir quais os dias em que os casais poderão fazer sexo e qual é o horário correto de ir ao cinema.

Não é exagero meu, apesar de parecer, porque tenho quase certeza de que o ideal do politicamente correto é chegar num ponto onde a liberdade de pensamento será substituída por uma cartilha, opinião se resumirá a dizer qual o nosso sabor preferido de sorvete e a indivualidade será coisa de gente ruim, muito ruim.

Sou do tempo em que se tirássemos nota baixa no colégio ficávamos sem ver televisão, se fizéssemos besteira levávamos umas palmadas e se a besteira fosse grande demais o cinto comia. Não sou traumatizado, não virei bandido, não tenho desvios sexuais e, acredite, morro de saudades da minha infância.

Amar e educar um filho é dar tudo o que puder a ele, inclusive educação, inclusive vários "nãos".

Pelo tal texto, serão considerados abusos, entre outros, "palmadas, tapinhas na mão, obrigar a criança a ficar em certo lugar", ou seja, você vai ter que fazer uma terapia de grupo com seus filhos mais ou menos a partir dos 2 anos de idade, ou então terá que educá-lo com base no que os "progressistas" acham que é devido.

O papel dos pais se resumirá basicamente a conceber uma criança e sustentá-la até a maioridade, quando provavelmente deverão pagar algum advogado para tirá-lo da cadeia, já que não conheço uma pessoa sequer criada sem limites que preste para qualquer outra coisa além de virar um delinquente.

Lógico que surras homéricas, dessas de deixar a criança roxa, abusos diversos, assédio moral, tudo isso é condenável, é coisa de covarde, de bandido, que merece é cadeia. Uma coisa é dar umas palmadas, colocar de castigo sem ler gibis durante uma semana ou sentado no sofá durante meia hora. Outra coisa bem diferente é espancar a criança, humilhá-la, deixar sem alimentação, ao relento.

E a tal proposta de lei peca justamente por isso, por tratar todas as situações como o excesso.

Conversar, orientar, propor, avisar, tudo isso é papel dos pais. Fazer uma criança é fácil e para isso basta um ato sexual (ou laboratorial, como preferir). Criar um filho, formar um ser humano, é tarefa bem mais complexa.

Mas na hora que a conversa não adianta, é salutar que os pais coloquem de castigo sim e dêem umas chineladas na bunda, porque isso nunca matou ninguém e na época em que o chinelo falava mais alto, não víamos tantos imbecis fazendo tantas imbecilidades quanto vemos hoje em dia.

Porque no final das contas, se você negligenciar o seu dever de educar seus filhos, será a vida que vai distribuir chineladas nele mais tarde, e as chineladas da vida machucam muito, muito mais, e não deixam nenhuma saudade.

15 Comentários:

Vinícius postou 13 de julho de 2010 10:11

Olha, concordo plenamente com sua crítica. Vivemos hoje num mundo onde uma criança de dois anos tem de passar por todo um processo psicológico que, com certeza, não cabe no seu entendimento, porque "é errado bater em criança". Também sou da época em que as crianças faziam merda e pagavam por isso, seja com chineladas ou com castigos, mas, sempres, sabendo o porque do castigo. Se a pessoa não aprende a ter limites quando erra enquanto criança, imagina quando adulto?

Conheço umas poucas crianças que não apanham, vão para o "cantinho da disciplina", para pensar sobre o que fizeram, e realmente tenho medo da geração que está por vir.

Renally Rodrigues postou 13 de julho de 2010 10:19

Completamente apoiado! Umas chineladas nunca mataram ninguém. Eu também levei e não virei bandida, revoltada e não tenho desvios sexuais. É um completo absurdo que esse nível de interferência seja feito na vida dos pais, afinal, colocar de castigo e dar umas palmadas faz parte da educação da criança. É por falta de atitude e firmeza que vemos crianças e adolescentes como hoje, completamente sem limites, mimados e o pior: matando os pais, os amigos da escola, entre outras atrocidades... Meus filhos (quando tiver), se vacilarem, vão pro chinelo tabém!

Gustavo Ca postou 13 de julho de 2010 10:20

Faz tempo que cheguei a uma conclusão: foi uma bênção viver a infância nos anos 90, quando ainda era tudo mais orgânico, incluindo os castigos.

Única e Exclusiva postou 13 de julho de 2010 10:37

Não sinto tanta saudade das palmadas e dos nãos. Mas, que as palmadas da vida, dói, isso é verdade!
É estranho era não ter dialogo sobre os problemas sociais, familiares e entre outros, e ser baseado na repreensão. Consequência, várias tentativas por liberdade!
E não vejo o que (tanto) comemorar com o ECA, mais uma cartilha que não tem tanto êxito. Falta canalizar para questões necessárias.

bjos ú&e =***

Única e Exclusiva postou 13 de julho de 2010 10:39
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruth Steinas postou 13 de julho de 2010 10:52

Concordo plenamente ! Sou psicóloga (às vezes até tenho medo de falar, as pessoas não veem com bons olhos rsrs) e o que mais vejo hoje em dia são crianças que não são educadas. Primeiro que os pais acham que quem deve educar é a escola, pois trabalham o dia inteiro e o tempo que podem ficar com o filho precisam fazer de tudo para eles para compensar, e segundo que brigar com o filho hoje virou conversa de amigo. É obrigação dos pais colocarem limites, falarem não e ter relação de pais e filhos, não estou dizendo que pais e filhos não podem ser amigos, mas em primeiro lugar temos que ser pais. Sou a favor sim das coisas serem explicadas para as crianças, pois acho que tudo tem que ter sentido, mesmo um tapa que leve, senão ele não adianta para nada, porém sou completamente contra a falta de limites. Educação vem de casa. Existem crianças que apenas uma conversa é suficiente e outra não... O que posso perceber é que essa nova geração será formada por um monte de narcisistas, intolerantes a frustrações, péssimos futuros líderes e se não estão se frustrando hoje, enquanto criaças, irão apanhar muito enquanto adultos... aí a consequencia é bem pior.

Tuka Siqueira postou 13 de julho de 2010 14:02

Não é agradável à uma mãe ou pai dar uma "chinelada" no filho. Sofre-se mais do que eles, mas às vezes é necessário. Tem momentos em que toda a conversa do mundo não é capaz de resolver um ataque de birra e não há nada no mundo mais irritante do que um ataque de birra. Acho bom que existam leis para coibir abusos, tipo o daquela senhora que pretendia adotar uma menina de dois anos e a agradiu física e psicologicamente de forma cruel sob o pretexto de educá-la, mas proibir a palmadinha já é demais.

André Luís postou 14 de julho de 2010 15:59

Palhaçada! Estamos vendo que adolescentes sem limites, estão matando e mutilando nas escolas, praticando o terror. Minha mãe não queria nem saber, e não ficamos lesados devido as surras.
Tenho filhos e respeito eles, mas exijo o mesmo. As chineladas foram poucas, mas aconteceu sim, e hoje não é mais necessário.
Acho uma perda de tempo esta nova “cartilha”, temos que criar leis (mais severas), é contra o abuso sexual de menores.

Jubarulho postou 14 de julho de 2010 18:18

Já dizia meu pai: a virtude está no meio. A única coisa que em excesso não faz mal é saúde, no mais, equilíbrio.

Dar uma surra é uma coisa, castigo, palmadas e puxões de orelha, é outra.

Só digo que, se essa lei entrar em vigor, a marginal serei eu.

Isabel postou 15 de julho de 2010 07:07

Excelente texto! Estive enrolada estes dias, mas estou tirando o atraso e lendo seus textos da última semana! :)
Beijos

Cléo postou 16 de julho de 2010 05:49

Céus, Supernanny vai sair do ar, no Brasil... e as cadeias serão poucas, muito poucas pra tanta denúncia...e olha que seu próprio filho pode ir lá pra te denunciar...Taí: ao invés do filho ficar bolando planos pra matar o pai ou a mãe, é só ir lá na delegacia fazer uma denúnica, que ficam livres deles....hahahahaha

Dayse postou 19 de julho de 2010 16:11

Provavelmete terão que tirar os bandidos da cadeia (eles não ficam tempo suficiente pra "ressocializar" e nem pra serem punidos mesmo) e colocar pais que não desejam que filhos se tornem um deles.
Sou contra excessos, mas se palmadas e castigos traumatizassem tanto, não teríamos tantos trabalhadores no Brasil.
E se a nossos políticos tivessem apanhado de verdade, talvez não fossem tão desonestos.

Vinícius Queiroz postou 26 de julho de 2010 08:30

não devo falar mais nada pois vocês já disseram tudo.
o que me da é vontade de nem ter filho pois sei que não poderei educalo corretanmente sem a intervenção do estado que não deve invadir nossa provacidade.
já que o estado quer ajudar a educalo , ajude a crialo, me de uma indenização por invasão a privacidade da familia!

Camila postou 29 de julho de 2010 19:16

Eu realmente acho que daqui alguns anos as pessoas faram cadeias pra se protegerem das gerações experimentais que certamente darão errado, essas são as futuras, e outras nem tão futuras assim, algumas crianças pra quem minha mãe ministra aulas não tem respeito nem com o próprio corpo, mas se o pai levanta a voz ela corre pro telefone dizendo que denunciara os pais se houver alguma demonstração de querer educar. Muito boa sua maneira de expressar a indignação de mais da metade da população, e vemos que nessas decisões importantes os governantes não estão nem ai pra quem vai ser pai, o plebiscito foi criado pra isso ja que não funciona a idéia de que eles são nossos representantes.

Anônimo postou 24 de novembro de 2010 09:16

Dár umas chineladas não mata ninguem e só ensina as crianças que não devem fazer mal

 
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