Craque de bola, cabeça-de-bagre no resto

Postado em 25 de nov de 2009 / Por Marcus Vinicius

Uma amiga veio comentar os resultados dos jogos de futebol na Europa no final de semana (olha que sorte, tenho amigas que adoram futebol) e começou, meio sem querer, a citar alguns nomes de jogadores brasileiros em atividade por lá.

Foi natural que comentássemos sobre o estilo de jogo de cada um deles e no final, sobre a personalidade de cada um.

Houve um tempo em que os craques eram bêbados, tinham problemas com drogas, confusões, mas dentre estes existiam os bem articulados, inteligentes, perspicazes, espirituosos. Podiam não ser santos, mas...

Quem não se deleita ao ler ou ouvir uma entrevista do Roberto Dinamite, Zico, Paulo César Caju, Romário, Renato Gaucho, Tostão? Podem ter maior ou menor educação formal entre si, mas são todos, sem exceção, pessoas inteligentes e interessantes de se ouvir, principalmente quando o assunto é aquele no qual são catedráticos: o futebol.

Isso me fez pensar também sobre o porque da maioria dos craques de hoje em dia, alguns do Brasil e outros de fora, parecerem mais com pessoas que foram expostas à radiação quando bebês.

Sério.Uns parecem completamente idiotizados em palavras e atitudes, outros não conseguem concatenar mais de duas frases coerentemente e acaba que a pessoa que acompanha o esporte acha que é tudo um grande circo ou um hospício.

Será que tudo o que era distribuido de maneira equilibrada entre os pés e a cabeça acabou indo parar, por algum acidente genético, somente nos pés? Discursos prontos e iguais, falsa humildade, idiotices que beiram o retartamento mental e, para piorar, os que tem um pouco mais de massa cinzenta usam-na para propagar lixos que vão desde seitas religiosas até bandas de axé.

Não creio que dinheiro demais faça mal, este não é o problema deles, acho que é a incapacidade de usá-lo para exercitar um pouco a cabeça também, e não só se entupir de picanhas, que faz falta.

Triste época essa em que vivemos, na qual os craques valem tanto, sem no fundo valerem nada.

3 Comentários:

Solange Baumer postou 25 de novembro de 2009 10:03

estava lendo e associando seu tema ao dinheiro.Em termos,esse acaba sendo um dos motivos.Antes os jogadores pra ganhar muito dinheiro,tinham que jogar muito futebol e manter-se assim.Hoje está meio banalizado.Parece que qualquer um da noite para o dia vira um craque e acaba nem ele mesmo assimilando isso.Pode até ser ignorância futebolística minha.Mas é triste ver jovens tão cedo milionários,com um sucesso enorme e sem nada pra ensinar,além da grandes escândalos,além dos gols...é claro!O que deixarão como marca de sua passagem pelo esporte?

Mile Reis postou 25 de novembro de 2009 11:05

Gostei deste post. Sou super a favor do reconhecimento tanto pessoal quanto profissional de qualquer pessoa, porém, no caso dos jogadores de futebol, este reconhecimento se tornou num estrelismo exagerado. Por outro lado, vemos a mídia que os põe lá em cima, no outro dia os põe lá em baixo. Um dia desses ouví um jornalista da Globo (acho q foi o Galvão) falar de certo jogador, ele o exaltava e tal. No dia do jogo, o mesmo jornalista,detonou o jogador que até que estava jogando bem...Vai entender?! Quanto aos discursos idênticos dos jogadores, creio que para eles faltam investir em leitura e estudo. E para isso, com certeza, não vai faltar grana no bolso deles...
Grande abraço.

Isabel postou 26 de novembro de 2009 11:51

Acho que antigamente muitos seguiam a profissão por vocação, fossem pobres ou não. Hoje, para milhares de miseráveis é o único meio de subir na vida. E como se ganha em pouco tempo dinheiro pra nunca mais trabalhar, não vêem necessidade de se instruir, crescer intelectualmente. Parece que educação está associada exclusivamente à conseguir trabalho e, consequentemente, dinheiro. Como isso eles já tem de sobra, não precisam mais se educar. Uma lógica estúpida, sem dúvida. Ou então, temos uma geração que sofreu radiação na infância mesmo, rsss

 
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