Leis inúteis num mundo ideal

Postado em 23 de nov de 2009 / Por Marcus Vinicius

Existem variadas páginas na internet que contam sobre diversas leis bizarras que existem pelo mundo afora.

Desde a proibição de beijar no Metrô aplicada na França à impossibilidade de se pintar a própria casa sem autorização do governo que vale na Suécia, passando por outras como proibição do topless "com fins lucrativos" em Nova York e a "corporativistíssima" lei australiana que diz que "somente eletricistas podem trocar lâmpadas".

Exemplos não faltam certamente, as listas são quase infindáveis. Mas quem dera que eu achasse somente estas leis completamente estúpidas.

Infelizmente existem outras que, na minha mui modestíssima opinião, conseguem ser piores do que estas.

Vejamos o nosso Brasil, país de 302674943 leis que sobrepõem-se, concorrem entre si e transformam qualquer processo judicial num infindável calvário, possibilitando impunidades e injustiças das mais variadas.

Nosso país tem leis que conseguem ser piores do que as gringas citadas acima, pelo simples motivo de que seriam inúteis caso as pessoas fossem dotadas de um cérebro minimamente funcional.

O que dizer de uma lei que obriga o cidadão a usar cinto de segurança quando anda de carro?

Está provado das mais variadas formas possíveis que o uso do cinto evita tanto os casos fatais em acidentes quanto as possíveis sequelas.

Quer dizer, o cara precisa de uma lei que o obrigue a utilizar um dispositivo de segurança, porque se não estiver sob pena de multa, preferiria não usá-lo!

Outra lei é a tal "anti-fumo". Todo mundo sabe que cigarro mata, que o fumante passivo sofre tanto quanto o asno que empunha o bastonete de nicotina, que a pele fica fedida, o cabelo idem, as roupas defumadas, o ambiente irrespirável, mas foi preciso que criassem leis com multas altíssimas para que as pessoas deixassem de fumar em ambiantes fechados, quando elas não deveriam fazê-lo nem em ambientes abertos, por livre e expontânea vontade!

Caso o governo quisesse fazer uma espécie de controle populacional, diminuindo assim a superlotação dessa barca chamada Brasil, era mais fácil não só liberar quanto proibir o uso do cinto de segurança e forçar através de lei o tabagismo massivo.

Os carros viriam sem cinto de fábrica e distribuiríamos cigarros sem filtro nas escolas, de repente já pros alunos do jardim de infância.

Mas aí aposto que haveriam órgãos de direitos humanos, sindicatos e movimentos sociais protestando contra o genocídio estatal e exigindo o direito de usar o cinto e de optar por não aspirar-inspirar fumaça tóxica que todo o cidadão deve ter.

Assim sendo, a menos que as pessoas passem a achar saudável colocar a boca num cano de descarga de automóvel só pelo prazer de aspirar uma "fumacinha" que mata mais rápido, ou pular de bungee jump sem o elástico, essas leis deveriam ser totalmente inúteis.

Tão inúteis quanto o "direito de votar obrigatoriamente".

Mas quem disse que o ser humano é simples? Precisamos complicar tudo, precisamos criar caso pra quase tudo, até quando a lógica e a inteligência nos levariam a agir diferente.

16 Comentários:

Paulo Albanez postou 23 de novembro de 2009 06:50

Estava tudo ótimo até começar a depreciação gratuita dos fumantes.

josi postou 23 de novembro de 2009 06:50

péssimo. radicalismo extremo. eca.

mvsmotta postou 23 de novembro de 2009 07:04

Não existe depreciação possível para alguém que deliberadamente atenta contra a própria saúde e da de outrem.

Paulo e Josi,

A atitude em si depõe contra a pessoa.

Mas a particularidade de cada um não me diz respeito, apenas tenho o direito de achar burrice, só que não é um assunto privativo do indivíduo quando este faz outras pessoas passivamente (e obrigatoriamente) ficarem expostas aos perigos do SEU vício.

Não deveria ser necessária uma lei que impedisse as pessoas de se envenenarem e envenenarem os que estão à sua volta, deveria ser apenas regra de boas maneiras.

Um abraço!

Solange Baumer postou 23 de novembro de 2009 07:22

Exatamente...
Ninguém precisa vir me dizer o que devo ou não fazer com leis que na verdade deveriam fazer parte de cada um desde o maternal.Se sabemos usar de educação à mesa(nem todos),não precisou de uma lei que nos obrigasse.Nem vou falar do cigarro afinal sería chover no molhado,mas tem pessoas que infelizmente só funcionam quando atacam-lhe o bolso.Se cada um vivesse de acordo com a regra número 1:Seu direito acaba onde começa o meu,muitas dessas leis nem precisariam existir.
Só acho engraçado como os fumantes revoltam-se logo quando toca-se no assunto.Faz parte...

josi postou 23 de novembro de 2009 07:24

a minha verdade está aqui: http://meustonsdecinzas.blogspot.com/2009/11/fodam-se-os-radicais.html

@lucasroberto12 postou 23 de novembro de 2009 07:43

Um país de ignorantes, a população só aceita oque faz bem pra ela quando atinge o bolso, exemplo as multas.

Sou fumante, sei dos males e sei como é incomodo para uma pessoa quando fumam perto, claro, não nasci fumante.

Oque ocorre é que fere o direito do cidadão, exemplo o bar em Mogi, um bar árabe, logo o atrativo principal era o narguile, foi fechado, quer dizer, a cultura deles, doque interessa, não é nossa, é a deles.

Simples, faça um estabelecimento para fumantes, aqui só entra quem fuma, aqui entra quem abomina cigarro.

Invista em campanhas de publicitárias de saúde e na educação desde pequeno, uma educação de qualidade.

Continuando assim, proibiram de fazer sexo por causa das DST's, claro, estou exagerando, mas paramos pra pensar, o principio de um cinto de segurança, ou uma camisinha, no final são os mesmos, evitar a morte.

Fregola postou 23 de novembro de 2009 07:49

Acho q é um post que dá pano pra manga.

Vi os outros comentários, e sinceramente, como fumante "seleto" (só fumo narguilê.. kkkk), digo que se deve respeitar sim, quem não curte. Se as pessoas tivessem educação pra tal, a lei não precisaria ser criada.

Se for pegar pela lógica imposta acima, e tb pelo tema do post, em breve teremos leis, que nos obrigam a não cagar na rua e tacar na cara dos amiguinhos.

E não duvido NADA que isso seria comentado nos blogs da vida (inteligentemente criticado, não duvido) e teriam comentários boçais, dizendo "eu tenho o direito de cagar e tacar na cara das pessoas!!". Ok, direito, tem. Será q na constituição me dá direito a dar um soco na cara de imbecis assim??...

mvsmotta postou 23 de novembro de 2009 07:52

Lucas,

Você tocou num ponto que eu acho pertinente pra caramba e com o qual concordo totalmente: os aspectos draconianos dessa lei.

Fechar bares com narguilé, tabacarias e whisky bar, onde pessoas vão PARA FUMAR CHARUTOS por exemplo, é ignorância.

Acho que nesses casos a lei deve ser modificada e aceitas exceções.

Um abraço!

Lari. postou 23 de novembro de 2009 09:09

O post segue um raciocínio bem lógico, doa a quem doer...
As pessoas realmente não precisariam de leis para agir de acordo com aquilo que é melhor para elas e para a vida em sociedade.
Nem seria preciso chegar à lei anti-fumo para notar essa ignorância social. Ter que fazer uma lei para as pessoas usarem o cinto de segurança, um item que favorece a ela prórpia e que não interfere em mais ninguém (como o cigarro), já é um sinal de que falta senso às pessoas.
Realmente, não haveria a necessidade de leis como essas, não fosse o egoísmo e a ignorância que muitas pessoas optam por viver.

josi postou 23 de novembro de 2009 10:01

cada um sempre puxa a sardinha pro seu lado. fato. chega a ser bizarro.

Penso, Logo Padeço... postou 23 de novembro de 2009 11:10

Concordo plenamente no fato da não aplicação de leis inúteis e tal... mas é aquela história, se até na Europa velha de guerra (e muitas afinal...) necessita deste tipo de recurso para controlar sua população o que dirá o Brasil, não é verdade? Não depreciando ou diminuindo meu país do coração, mas que é bem novinho no quisito educação.

Acho digno sim seguir leis, principalmente a do anti-fumo que foi respeitada de imediato, até mesmo por ser fumante mas não concordo em soltar baforadas na face límpida e cheirosa de outras pessoas que não fumam. E você está totalmente dentro do seu direito de não gostar e expressar que não gosta, porque não?!

É, falta de educação gera isso aí... as benditas leis...

;)

Annelize Tozetto postou 23 de novembro de 2009 11:52

Tava muito bonito até começar o "nãogostodofumanteselesqueselasquem".Pelo menos, a idéia que passou foi essa. Tudo bem que tem tudo isso que você citou no texto, mas a pessoa fez a opção de fumar, então acabou. Agora, proibir os bonitos de fumarem em local com pessoas? Sei lá né? É BEM complicado. O mais sensato, como escrevi no blog, é criar dois espaços nos lugares. Um livre para quem quiser fumar e outro de boas. Agora...o cara vai ter que SAIR do lugar, ir na rua... e fumar? Sacanagem demais. VocÊ já deve ter visto no blog o meu post de hoje. É o mesmo assunto.

rafael_gm postou 23 de novembro de 2009 12:00

Ótimo texto. Creio que as leis para cigarros e cinto de segurança foram feitas em vista da ineficiência das campanhas de conscientização, ou da burrice do público alvo das mesmas.

Te digo que com essa lei eu posso sair tranquilamente sem ter minha visão quase turva de tanta fumaça e chegar em casa fedendo e ter a "lembrança" disso por pelo menos 3 dias no carro.

Lembro de quando uma colega de sala tava fumando na cantina, todo mundo PUTO com ela, um pede pra ela parar, ela "não vou não. cadê a plaquinha dizendo que é proibido fumar?" e ele "não é questão de plaquinha, minha querida. é uma questão de bom senso ;)"

mvsmotta postou 23 de novembro de 2009 12:05

Annelize,

Vou colocar aqui o que comentei no seu blog(até pra discussão aqui também ficar enriquecida) sobre um trecho do seu post que dizia assim:

"Obviamente que tem sempre um chato para ficar reclamando do cheiro. Do ambiente. Daquela fumaça toda. Ué... nem saia."

Pegando o que você disse acima, pergunto: partindo desse princípio, podemos pensar também assim: se a sua diversão só acontece aspirando um bastonete de nicotina e alcatrão, nem saia, fique em casa e se mate sozinho. ;)

São duas visões, só que o problema é que tem gente sem noção. Aqui no Rio existem boates COMPLETAMENTE fechadas e os caras ficavam ali fumando que nem chaminés.

No meio da noite, o ar está viciado, os olhos ardem e o direito de quem não gosta é violado, porque afinal, "fumar" não é algo tão necessário quanto "respirar", não é?

Um abraço!

Isabel postou 26 de novembro de 2009 06:50

Sei que a maioria dos fumantes se sente ofendido quando se fala mal do cigarro, mas a verdade é que hoje, um jovem começar a fumar é burrice, não tem outro termo. Antigamente não se tinha informações sobre os reais males do cigarro, mas hoje sabemos que o cigarro pode matar tanto o fumante ativo quanto o passivo. E não se trata apenas de jogar a fumaça na cara dos outros, também é uma questão de limpeza. Afinal, quantos fumantes apagam seus cigarros e procuram uma lixeira para jogar o toco? Raro, né?
Um abraço!

cheguei demasiado TARDE postou 25 de janeiro de 2010 18:16

Pois eu quero dizer que se mudaram a Lei para permitir que o ator fume em cena... não precisa muito para que se retalhe e desfigure esta peça de resistência da sanidade que é a Lei anti-Fumo.

 
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