A flotilha da paz

Postado em 1 de jun de 2010 / Por Marcus Vinicius

No último dia 31 de Maio uma ONG (sempre elas) chamada Free Gaza organizou uma flotilha com 6 embarcações com intenção de furar o cerco à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária. Israel abordou essas embarcações para não permitir que chegassem ao seu destino e, durante a luta que ocorreu, o saldo foi de 10 mortos, 25 feridos e 600 pessoas detidas.

O mundo em peso condenou a ação israelense, ocorreram protestos em várias cidades e rapidamente países anti-americanos e anti-israelenses como Irã e Venezuela et caterva apareceram para dizer o já conhecido "eu avisei", como se aquilo tudo fosse a confirmação de que eles são o "bem" na eterna luta do bem contra o mal.

Confesso que não concordo com o embargo à Gaza. Não que eu considere digno de interlocução um governo liderado pelos terroristas do Hamas, mas simplesmente porque acredito que a pobreza, a ignorância e principalmente, a desesperança, são insumos para o extremismo e o terrorismo. Aquela gente passando fome, sem direitos básicos, sem possibilidade de planejar qualquer coisa no futuro só tem um sentimento: o ódio. E o ódio reprimido leva qualquer um a fazer coisas que não faria normalmente.

Mas entendo também o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, homem prolixo e fértil em dizer asneiras que incendeiam ainda mais a fogueira do conflito árabe-israelense, mas que está coberto de razão quando diz que Israel já cedeu mais territórios aos palestinos do que os que ainda sobram para serem devolvidos, e ainda assim o conflito só piorou.

A Faixa de Gaza foi devolvida aos palestinos integralmente, até os famigerados assentamentos foram retirados, mas ainda assim ela serve como plataforma de lançamento de foguetes palestinos contra as cidades israelenses próximas.

Durante as conferências em Camp David, foi oferecida aos palestinos a devolução total de Gaza e da Cisjordânia, além de Jerusalém Oriental como capital do seu estado independente. Eles recusaram, porque queriam também a volta de exilados que estavam em outros países.

A cada concessão, nova exigência. Porque isso? Simples, porque toda essa luta palestina gera fundos de ONGs e governos estrangeiros, que enriquecem os líderes daquele povo, enquanto seus liderados são mantidos na miséria.

Mas não existe ninguém totalmente "bonzinho" ali. Israel faz questão de alimentar seus críticos e detratores com medidas impopulares, inumanas e truculentas. Um muro que cerca a Cisjordânia e ajudou a impedir ataques suicidas espertamente tungou 10% do território palestino. A cada foguete caseiro lançado contra o país, as Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês) lançam ataques poderosíssimos, que deixam um rastro de mortes.

Postos de controle que garantem a segurança interna também infernizam o ir-e-vir dos palestinos. Sem contar o fato de ser a única democracia real do Oriente Médio e ainda assim conviver com a incômoda realidade dos campos de refugiados.

Tudo isso dificulta a tarefa de quem deseja defender Israel no campo das idéias, porque à primeira vista o país faz muito para justificar a cota de ódio da qual é objeto.

Mas aí eu lembro que em países islâmicos sem ocupação alguma, o povo é oprimido por seus próprios governantes do mesmo jeito. Irmãos atacam irmãos, pais tratam suas filhas como animais, sociedades criam monstros como os Talibãs, enviam terroristas para atacar pessoas do outro lado do mundo com a simples justificativa de que são "infiéis". E tudo isso sem ocupação alguma que justifique tanto ódio, tanta violência.

Convenhamos: não existem terroristas israelenses explodindo bombas em metrôs. Eles usam violência exacerbada em várias ocasiões, mas o fazem na intenção de defender seu país de pessoas que afirmam para quem quiser ouvir que seu objetivo é "destruir Israel, varrer o país do mapa e jogar os judeus no Mediterrâneo".

Não existem israelenses surrando mulheres porque saíram às ruas sem usar um véu e também não vemos um presidente ou premier israelense há tanto tempo no cargo quanto os presidentes do Egito e da Síria, os aiatolás iranianos ou o "comandante" Fidel.

Numa equação simples, numa escolha entre o preto e o branco, eu tendo a dizer que preferiria muito mais ser um israelense a ser um cidadão de qualquer outro país árabe, pelo simples fato de que, em Israel, as pessoas possuem dois ítens raros naquela região tão rica em petróleo: liberdade e democracia.

Mas chega a ser uma pena que um povo que sofreu tanto durante a Segunda Guerra não tenha a sensibilidade de poupar alguns inocentes de tanto sofrimento, de evitar assim que se criem cobras que tentarão mordê-los mais adiante, e que forneçam tanta munição para extremistas, autoritários e terroristas nessa "guerra ideológica".

O problema é que por mais concessões que Israel faça, o país jamais poderá dar aos palestinos e ao mundo árabe o que estes realmente desejam que é a sua destruição. E ninguém pode exigir de um povo que este se ofereça ao sacrifício em nome de qualquer coisa, nem mesmo da paz, porque isso não seria paz, seria rendição.

Chego a conclusão de que o homem, o ser-humano, não deu muito certo.

8 Comentários:

Horacio Camilo Banchero postou 1 de junho de 2010 11:06

http://horaciocb.blogspot.com/2010/06/verdade-sobre-o-conflito-entre-marinha.html

Rodiney da Silva e Silva Junior postou 1 de junho de 2010 11:12

Bom texto, concordo com quase tudo. Apenas discordo de que Israel tenha que se preocupar em não dar motivos para a comunidade internacional (entenda aqui os pró-Palestina e anti-Israel). Se Israel tivesse essa preocupação, talvez já não existiria mais.

Danilo B. postou 1 de junho de 2010 11:30

"Chego a conclusão de que o homem, o ser-humano, não deu muito certo."

Resumiu bem o que penso. rs

Blog do João Bigode postou 1 de junho de 2010 13:09

Como agir quando o risco é alguém estourar uma bomba na sua cara.

Marcio Svartman postou 1 de junho de 2010 14:27

Muito bom e ponderado. Buscar culpados na configuração atual é perseguir um caminho que jamais levará a uma solução. Israel jamais poderá concordar em eliminar-se do mapa. Mas o conflito está desgastando todos os envolvidos em nome de demandas que são absolutamente irreais. O conflito não levará à paz. Esse paradoxo é incontestável.

Alexandre Trindade postou 1 de junho de 2010 14:37

Parabens , eu pouco entendo os porques dessas guerras, alias não entendo os porques de nenhuma guerra ou luta, todas são sem sentido, burras e anti humanas, agressão, violencia, ofensa e guerra é o que ha de mais baixo na relação dos homens. Bom após ler sua brilhante explicação fico a par desse emaranhado de porques que cercam a região que a meu ver é a mais dificil de entendimento no mundo. Concordo contigo, essa espécie dita humana ao qual fazemos parte a cada dia que passa se mostra mais doente e débil, triste realidade.Abraço !

Felipe postou 3 de junho de 2010 03:11

http://docverdade.blogspot.com/search/label/palestina

Algumas referências adicionais sobre o conflito, vale a pena dar uma olhada.

André Luís postou 3 de junho de 2010 11:57

Cada concessão que se faz a um desafeto gera a ele a ideia de que tem direito a mais (com Hitler foi assim). O que já foi dado ou devolvido foi, e chega.
É claro, criar guetos é um meio muito eficaz de criar inimigos, e Israel sabe disto ou será que esqueceu como é viver em guetos.
Enquanto, dogmas religiosos for usados como constituição em um pais, podemos esperar grandes absurdos, como os que você relatou.
Na verdade um queria que o outro sumisse e se possível fosse, sofrendo muito, nós ainda teremos outra grande guerra, e ela será causada por estes pitbulls.

 
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