O cuco nuclear

Postado em 16 de jun de 2010 / Por Marcus Vinicius

Quem não conhece o bom e velho relógio cuco? Não sei hoje em dia, mas sou do tempo em que todo mundo tinha uma casa de avó para ir que possuía um relógio desses na sala, anunciando com aquele seu tic-tac interminável e toque característicos a passagem das horas.

"Cuco-cuco-cuco!". Eu pelo menos já levei sustos homéricos quando aquilo resolvia piar de surpresa. Quer dizer, surpresa pra mim, que já era enganado pelo tempo que passa mais rápido do que imaginamos, porque para o reloginho eram os mesmos 60 minutos de sempre.

Mas não falo sobre tudo isso para contar histórias de um tempo que não volta mais, ainda que venha falar de atitudes que não têm volta.

O Irã sabidamente está buscando a tecnologia nuclear. 99% do mundo civilizado, clube do qual, aliás, o Brasil parece que resolveu abdicar de seu título de sócio no apagar das luzes do governo petista, acha que a República Islâmica busca o domínio do ciclo do enriquecimento do urânio com fins bélicos.

A ditadura religiosa dos aiatolás, a mesma que diz que o holocausto nunca existiu, jura também que essas intenções bélicas não existem. Pode ser realmente que os iranianos só desejem a energia nuclear para iluminar seus estudos noturnos do Alcorão? Sim, pode. É provável que não seja só isso? Sim, é provável, aliás, é muito provável.

Sabendo disso, o mundo que pensa e onde é permitido pensar resolveu tentar por vias diplomáticas demover o Irã desta idéia, mas não tem obtido muito sucesso na empreitada. Ao que parece o país dos aiatolás não tem pobreza, não tem problemas de saúde pública, não tem problemas até mesmo com a saúde da sua democracia e pode gastar todos os bilhões que ganha vendendo tapete persa para embarcar na aventura nuclear.

E o cuco está fazendo o seu tic-tac. Entre uma rodada de negociações e outra, entre reuniões do Conselho de Segurança da ONU para votar moções de condenação ou mesmo novas sanções, o Irã segue armando-se. Sendo bons alunos de Saddam Hussein, ainda que seus inimigos, os iranianos não cometeram os mesmos erros que o antigo ditador iraquiano cometeu em seu programa nuclear, que foi seriamente prejudicado por um ataque preventivo de Israel.

Suas instalações são espalhadas em diversos pontos do território do país, túneis e abrigos subterrâneos foram construídos com o auxílio tecnológico-humanitário de outro campeão da democracia, a Coréia do Norte, e finalmente, algumas instalações foram colocadas dentro de áreas com grande densidade populacional, para que o povo destes lugares tenha a imensa honra de se tornar mártir compulsoriamente em caso de algum ataque.

Ainda que possua uma defesa antiaérea fraca, o Irã está se reforçando com armas compradas da Rússia. Ainda que não possa lançar uma retaliação em grande escala contra Israel, ninguém duvida que ataques suicidas e com armas de destruição em massa serão lançados de vários pontos do Oriente Médio, vindos de países que os aiatolás alimentam com suas armas e seu dinheiro.

E não é só isso. Hoje, no cenário que se apresenta neste momento, os israelenses não possuem condições logísticas (caças, aviões-tanque, aviões de apoio, entre outros) para sustentar o ataque de várias semanas que seria necessário para destruir completamente o programa nuclear iraniano que já está em avançado grau de desenvolvimento.

O máximo que podem fazer é atrasá-lo, ganhar algum tempo para que alguma coisa possa ser feita e evitar que um regime fundamentalista possua armas nucleares capazes de desestabilizar todo o mundo. Para se ter uma noção do tamanho da ameaça, basta apenas uma bomba nuclear para destruir completamente o pequeno território de Israel.

Sem contar que outros países da região se acharão no direito de possuir essas armas também, como a Turquia e o Egito, por exemplo. Não consigo ver um mundo mais pacífico e seguro enquanto regimes que pregam que a morte é a maior glória e que dezenas de virgens aguardam sedentas pelos mártires no paraíso possuam a capacidade de causar uma destruição de proporções gigantescas.

A situação é clara: ou o Irã interrompe imediatamente seu programa nuclear ou Israel e os EUA, que possuem próxima e privilegiada base no Iraque, devem devem tomar medidas sérias e decididas para interromper o seu programa nuclear. O tempo corre, os aiatolás estão muito próximos de seu objetivo e a cada dia que passa uma ação desse porte torna-se mais difícil e custosa.

O regime islâmico iraniano já mostrou que não tem apreço nem pelo seu próprio povo. Os mortos, os torturados e presos nos protestos oposicionistas contra Ahmadinejad são a prova de que vidas humanas para eles são meros detalhes, afinal, o que importa é a "glória do martírio".

Agradeço imensamente, mas "passo" essa oportunidade "gloriosa" de virar mártir involuntário de uma causa na qual não acredito e nem apóio, e acho que todo o mundo civilizado deve começar a pensar nisso também, antes que o cuco resolva nos dar um susto e que seja tarde demais para voltar no tempo.

1 Comentário:

@nisso70s postou 16 de junho de 2010 10:22

Muito bem escrito , parabéns.
Apoio totalmente uma guerra contra o Irã...Pena que os EUA tenham um presidente tão fraco e covarde.

 
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