Brasil? Pelé! Mulata! Favela!

Postado em 22 de jun de 2010 / Por Marcus Vinicius

Dependendo de onde a pessoa nasceu, o lugar passa a defini-la. Já faz muito tempo, mas o Rio de Janeiro já foi cheio de "Pernambucos", "Mineiros" e "Paraíbas". Com o aumento da migração e o ataque do politicamente correto, as alcunhas foram praticamente aposentadas.

Mas experimente alguém vir de Roraima ou do Acre para ver se não se tornará rapidamente "o Roraima" e "a acreana". É que a menos que você seja de lá ou vá morar por algum motivo, vai conhecer mesmo pouca gente desses lugares. E assim também acontece com gente de lugares remotos como Manaus ou de municípios menores, porém de nomes tão exóticos quanto Bofete (SP), Varre-e-Sai (RJ), Ressaquinha (MG), Coité do Nóia (AL), Xangri-lá(RS), Uauá (BA), Nhecolândia (MS), Quincuncá (RN).

Só com muita sorte alguém de um desses lugares não ganhará um apelido referente a eles. Acho que as pessoas só não gostam de brincar com quem vem de Pau Grande (RJ), porque aí o apelido ajudaria a vítima ao invés de caçoar dela.

E isso funciona também em relação aos países do mundo. A menos que o viajante seja do Djbouti ou do Quirguistão, provavelmente haverá algum estereótipo ligado à sua terra que será mencionado quando ele anunciar de onde veio.

Até o Cazaquiatão já tem o Borat pra isso. Se o turista for argentino falarão de churrasco, Evita, Gardel e Maradona, a menos que ele esteja no Brasil, onde falarão de catimba, pouco apreço por tomar banho e outras grosserias disseminadas pela nossa televisão.

Um brasileiro passeando no exterior fatalmente ouvirá a tríade-maldita "Pelé-Mulata-Favela" quando disser de onde veio, o que me deixa fulo da vida, não tanto pelas menções, mas porque eles tem alguma razão em achar que não produzimos muita coisa além de batuque e barracos nos últimos 100 anos.

Mas o que me irrita mesmo é estar em algum lugar e alguém vir me dizer que conhece um "restaurante brasileiro maravilhoso, com feijoada, caipirinha e um sambinha". Sim, claro, como sou brasileiro tenho a mente tão limitada que mesmo na Europa ou nos EUA só consigo me divertir ouvindo batucada e comendo porco esquertejado. Sei que a intenção não é ofender, mas me ofendo mesmo assim.

É como você virar para um americano e dizer "Estados Unidos? Ahhh! Fast-Food! Gente gorda! Malucos que atiram nos outros dentro de lanchonetes!" ou então conhecer um francês e dizer "França? Queijo podre! Desodorante vencido! Não toma banho!".

E tem pra todos os gostos: "Italiano? Mora com a mamma até os 50! Comedor de lasanha! Só fala gritando!" ; "Português? Tamanco! Mulher de bigode! Ceroulas!".

Entendem? Qualquer um acharia isso um saco, menos algum sujerito lá de Pau Grande, que provavelmente iria adorar se alguém dissesse "Pau Grande?Quanto você calça?".

8 Comentários:

Twittuka postou 22 de junho de 2010 09:54

hahahahaha Rindo muito mesmo! Adoro a tua presença de espírito, embora pareça sempre de mal com o mundo. Eu também odiaria estar em Paris e alguém me oferecer feijoada e caipirinha. É como ir num baita churrasco e comer arroz! Arroz e feijão eu como em casa todo dia, quero provar o que é diferente.

Jason postou 22 de junho de 2010 10:04

É realmente otimo sair do Brasil, ataravessar o ocenano atlantico para ir num "restaurantizinho brasileiro muito bacana" comer feijoada, tomar caipirinha e ouvir um samba. >=(
E o pior é que tem gente que gosta disso...

André Luís postou 22 de junho de 2010 10:27

É... só que a família do Garrincha, processou um reporte, que mencionou que o famoso jogador era de Pau Grande. O pior é que (estando em outro pais), todo mundo vem perguntar do “Rornaldoo”, como se este cara fosse meu vizinho, um saco!

Paula postou 22 de junho de 2010 18:09

Se enganou ao dizer que Manaus é uma cidade pequena, pois essa tem quase 2 milhões de habitantes.

mvsmotta postou 22 de junho de 2010 20:19

Paula,

Eu conheço Manaus e não a chamei de pequena não...


Abs

Jubarulho postou 23 de junho de 2010 19:03

Sabe o que me deixou P da vida em Miami? Primeiro que o que menos tem lá é americano, né?

Aí toda vez que eu ia comprar cerveja, como eles pedem um documento para ver se é maior de idade, viam que eu era brasileira e pronto! Começavam a falar espanhol em velocidade 5!

Oi??? Eu falo PORTUGUÊS, não espanhol. Aí eu não tinha outra opção a não ser responder: "In English, please?"...

Jubarulho postou 23 de junho de 2010 19:03

Sabe o que me deixou P da vida em Miami? Primeiro que o que menos tem lá é americano, né?

Aí toda vez que eu ia comprar cerveja, como eles pedem um documento para ver se é maior de idade, viam que eu era brasileira e pronto! Começavam a falar espanhol em velocidade 5!

Oi??? Eu falo PORTUGUÊS, não espanhol. Aí eu não tinha outra opção a não ser responder: "In English, please?"...

Hermanos & Brazucas postou 30 de junho de 2010 20:01

Mais um excelente post, e uma bela reflexão. Realmente, estereótipos são difíceis de quebrar. Como meu maior interesse maior é Brasil e Argentina, você mandou muito bem ali.

Abração!

 
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