Não é pra mim, é pra minha filha...

Postado em 18 de jun de 2010 / Por Marcus Vinicius

Outro dia fui ao supermercado comprar alguns materiais de limpeza, já que a faxineira jurou que ia entrar em greve se tivesse que continuar limpando a casa com álcool e sabão de coco e saí de lá levando pra casa também um caminhão de junk food. Só as mulheres vão ao mercado e respeitam a lista de compras, elas são capazes de se descontrolar numa liquidação de sapatos, mas nos corredores do supermercado exibem disciplina espartana.

Se nós homens conseguimos ir num shopping à procura de uma camiseta específica, entrar na loja, comprar a camiseta e ir embora sem dor alguma no coração, as mulheres entram sem procurar nada, compram um biquíni, uma bermuda, um par de sandálias, uma bolsa de praia, bóia de braço pros filhos e ainda saem pensando se deveriam ou não levar o guarda-sol que estava em promoção. Detalhe: tudo isso no inverno.

Agora, se for pra comprar brócolis, alface, queijo de minas e leite, elas saem do mercado exatamente com isso e a chance de um pacote de Bis ou um salgadinho pular no carrinho de compras é ínfima. Já os homens não. Homem sozinho no supermercado equivale à mulher sozinha num shopping center.

Olhe nossos carrinhos e comprove. Chocolates, guloseimas, 200 ml de azeite grego que custa o equivalente a uns 5 litros de um bom azeite comum, pistache, latinhas de cerveja, garrafas de Ice, refrigerantes, amendoins, uma pasta de dente e três maçãs pra desencargo de consciência. Um carrinho de compras assim perdido tem 99% de chances de ser de um homem. Solteiro ou casado, para desespero das esposas.

Deve ser algum resgate, sei lá. Algo que vem da época em que implorávamos às nossas mães que nos deixassem levar pacotes e mais pacotes de Skinny pra casa. Dizem que homens nunca crescem, só os brinquedos ficam mais caros, não é? Algum fundo de verdade tem nisso, afinal, até brincar de casinha custa mais depois, sem contar a despesa que significa dizer "não quero mais brincar".

Advogados de divórcio estão aí para provar o que eu digo.

Mas voltando ao supermercado, eu, por exemplo, adoro comprar produtos que só criança deveria comer. Ninho Soleil, Danoninho, aqueles mini-wafers do Bob Esponja, Toddynho. Sei que ninguém tem nada com isso, mas eu me sinto na obrigação de explicar pra mocinha do caixa que "minha filha adora comer essas besteiras...".

Detalhe: eu não tenho filha e nem filho. Tenho no máximo uma enteada que divide comigo as besteiras sempre que a mãe dela permite. Elas fazem uma troca: comer um bolo Ana Maria se antes comer dois caquis.

É mais ou menos o caso das maçãs que colocamos no carrinho, só que as maçãs geralmente ficam esquecidas até que sobrem só elas na geladeira e tenhamos que devorá-las num ataque de fome na madrugada.

O grande "x" da questão é que infelizmente não inventaram comprimidos que sirvam como sessões de 40 minutos de aeróbica, 100 abdominais ou duas semanas de dieta. E também não inventam uma alface com gosto de lasanha ou um canelone com as mesmas propriedades nutricionais de duas folhas de rúcula.

Aí além de compras de criança precisamos nos tratar que nem criança, é um tal de "vou comer essa caixa de Bis se antes almoçar arroz, feijão, peito de frango e salada", senão me coloco de castigo.

8 Comentários:

Anônimo postou 18 de junho de 2010 11:10

Nossa, que ótimo texto! É assim mesmo, sem tirar nem pôr! Ri deliciosamente durante a leitura, obrigada e parabéns!

Bianca Briones postou 18 de junho de 2010 11:10

Adorei esse relato. rsrs
Ri muito com algumas semelhanças. Contudo, acho que sou uma mãe do contra, me perco no mercado e sou racional no shopping. rsrs

Marven postou 18 de junho de 2010 11:19

É verdade! Faltou Farinha Láctea rsss. A parte q diz: "Homem sozinho no supermercado equivale à mulher sozinha num shopping center" é igual e tal qual.

ednamoraespa postou 18 de junho de 2010 15:56

no geral, é isso aí mesmo... sem tirar nem por... eu que sou do contra: descontrolada em qualquer lugar, supermercado, shopping, enfim! ótimo texto!
@Dinhamoraes_

Camila postou 20 de junho de 2010 17:25

Bonitinho! ^.^

Mari Cordeiro postou 21 de junho de 2010 09:54

Dizem que toda mulher tem seu lado masculino, né? E o meu é despertado indo ao supermercado. Adoro fugir da lista. Mas isso acontece quando vou com meu pai fazer compras. Seria então influência masculina?? Pior, sou assim no mercado e no shopping, lógico! O bolso agradece.

TARDE postou 22 de junho de 2010 04:56

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

merry postou 22 de junho de 2010 09:18

Eu sou como a Mari Cordeiro furo a lista mesmo quando na lista já esteja salgadinho, refrigerante, e etc e tal. Só que isso acontece comigo sozinha ou acompanhada, sempre gosto de olhar tudo e aproveitar pra levar pq tá na promoção ou porque ganha uma colher para sorvete ou coisa parecida rá é demais.
O meu lado masculino não interfere no feminino e vice-versa.

 
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