Farmácia com "Ph"

Postado em 14 de jun de 2010 / Por Marcus Vinicius

Outro dia, nem sei direito o porquê, senti falta de uma das primeiras loções pós-barba que usei, a Aqua Velva. Aquilo cheirava a "avô" e essa era a intenção, já que existia desde os tempos em que telégrafo era internet.

Fiquei chateado ao saber que pararam de fabricar, porque não tem cheiro igual aquele, uma mistura de salão de barbeiro da década de 40 com malandro de filme sobre bicheiro. Nesse momento me dei conta da quantidade de produtos que existem desde os tempos em que nossa bisavó era debutante e não nos damos conta.

Minha avó achava que Leite de Rosas curava tudo. Desde unha encravada, pequenos cortes, até fazer limpeza de pele, fosse o que fosse e ela dizia para colocar um pouco do líquido em um pedaço de algodão e passar no local. Sei que pra muita gente aquilo tem cheiro de "pobre", mas pra mim tem cheiro de lembrança, tanto que guardo sempre um frasco em casa.

Basta uma ida à qualquer farmácia que encontramos ali um pequeno museu de marcas que sobreviveram à maioria dos seus primeiros usuários. Seiva de Alfazema, Minâncora, Leite de Colônia, Rhum Creosotado, pastilhas Valda, Gumex, Brylcreem, Furacin, Maravilha Curativa do Dr. Humphreys, Emulsão de Scott.

São produtos superados, porém insuperáveis. Pode parecer incoerência essa afirmação, mas se pensarmos bem não tanto.

Para cada ítem que citei, existem produtos mais modernos, fruto de estudos científicos e, principalmente, que funcionam, mas ainda assim toda esta velharia resiste bravamente nas prateleiras e no gosto de um sem número de consumidores.

Cêras e pastas de cabelo, complexos vitamínicos, sprays para garganta, desodorantes roll on com diversas fragâncias, analgésicos cada vez mais potentes, aposto que o sonho dos fabricantes de cada um deles é chegar à idade do Vick Vaporub.

No tempo desses produtos, o importante não era o efêmero, a explosão de popularidade, a viralização. O mais importante era a consolidação, a confiança, o hábito. Vejam vocês que o processo foi tão consistente que até hoje, depois de descobrirmos que o Epocler funciona para conter enjôos menos do que um copo de Coca-Cola, ainda assim tem gente que compra.

E se eles somem de repente, como aconteceu com a velha Aqua Velva Williams, a gente estranha. Ainda que quase ninguém queira mais tomar banho e usar sabonete Senador e depois que sair colocar talco e passar perfume Lancaster, é bom saber que eles continuam por ali, só para o caso de resolvermos depois velhos virar consumidores atávicos.

5 Comentários:

Calango! postou 14 de junho de 2010 13:09

Rapaz, gostei muito do texto! Miliuma lembranças... Leite de Rosas lembra muito a casa da minha avó! Parabéns pelo post!

Carol postou 14 de junho de 2010 13:12

Adorei o post...eu mesma m questiono às vezes por onde anda o desodorante de alfazema do vidro azul! rsrs
bjão

Cibele Gomes postou 14 de junho de 2010 13:27

Verdade... há produtos que persistem nas prateleiras e na nossa memória. Dia desses eu lembrei que minha tia usava "creme rinse" ao invés de "condicionador". Lembra? Aquele amarelinho com tampa vermelha...

@twita_eu postou 14 de junho de 2010 14:06

Momento remember total...rs
Desses cheirinhos nostalgia,eu tenho o cheio de uma pasta capilar q meu avô usava q nem sei o nome,e da maquiagem da minha avó...Fora o cheirinho de bolo de fubá da casa deles.

Adoro cosméticos e perfumes atuais,modernos...Mas assumo q sempre tenho uma garrafinha de leite de rosas no meu banheiro. rs

merry postou 17 de junho de 2010 05:14

Lembranças são essenciais... estava falando essa semana que minha mãe me dava Biotônico Fontoura e eu toda vez que passava pela cozinha, escondido é claro, tomava um golinho da fórmula. Achava uma delícia e fiquei sabendo que tinha uma dose se não me engano de álcool, sei lá se é verdade, mas deve ser por isso que gostava tanto.

 
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